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22 outubro, 2026

BOIS, D. -
LES PLANTES D'APPARTEMENT ET LES PLANTES DE FENÊTRES.
Deuxième édition revue et augmentée avec 219 figures intercalées dans le texte. [Par]... Assistant de la Chaire de Culture au Muséum National d'Histoire Naturelle. Paris, Librairie J.-B. Baillière et Fils, 1916. In-8.º (18x11,5 cm) de 443, [1] p. ; il. E.
Curiosíssimo tratado de plantas de interior e de decoração de janelas. Segunda edição, preferível à primeira porque notavelmente acrescentada e actualizada.
Obra ilustrada com inúmeras gravuras no texto e em página inteira.
"L'homme a eu, de tout temps, le culte des fleurs, qui réalisent un idéal de beauté, d'organisation merveilleuse dignes de son admiration.
Les citadins n'ont souvent, pour satisfaire leur amour des plantes, que de simples fenêtres transformées en minuscules parterres, dont ils soignent les hôtes avec une inlassable sollicitude.
D'autres, plus favorisés, possèdent un blcon, une terrasse, un vestibule, une véranda, quelquefois une serresalon, pour la décoration desquels ils peuvent mettre à contribuition les richesses de la flore de nos jardins et de nos serres. Quelques-uns même disposent d'une petite serre et peuvent alors donner satisfaction à leurs goûts d'amateurs, voire de savants, en réunissant des collections spéciales pour l'agrément des yeux ou la poursuite d'utiles études."
(Excerto de Préface de la deuxième édition)
Désiré Georges Jean Marie Bois (1856-1946). "Foi um botânico, horticultor e agrónomo francês. Diretor e professor do Museu Nacional de História Natural de Paris entre 1920 e 1932. Foi presidente da Sociedade Botânica de França em 1920 e, posteriormente, por um segundo mandato a partir de 1931.
O seu trabalho "Les Plantes d'appartement et les plantes de fenêtres" exemplifica perfeitamente o seu legado: unir o rigor científico da botânica com conselhos práticos e acessíveis para que qualquer pessoa possa cultivar a natureza dentro de casa."
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€
 

17 outubro, 2026

CATÁLOGO ESPECIAL DE CACTOS E PLANTAS GORDAS -
Alfredo Moreira da Silva & Filhos. L.da.
Catálogo n.º 73 : Janeiro de 1940. Pôrto (Portugal), Alfredo Moreira da Silva & Filhos. L.da, 1940. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo botânico devotado às cactáceas - Cactos e Plantas Gordas - da empresa nortenha Alfredo Moreira da Silva & Filhos, verdadeira "bíblia" deste tipo de planta, da sua criação, dos cuidados a ter para a sua afirmação, bicharada nefasta à sobrevivência, etc.
Obra pioneira redigida em português, a primeira do género que se publicou entre nós. Inclui a "reportagem" da visita do Presidente da República - o Marechal Óscar Carmona, e família, - à exposição de cactos da empresa florista em Lisboa.
Livro muito ilustrado no texto com inúmeras fotografias dos mais variados tipos de cactos e respectivos preços.
"O Catálogo de Cactos e Plantas Gordas, que apresentamos aos nossos amigos, é, julgamos nós, o primeiro que se publica em português, e por isso mesmo bastante restrito, a-pesar-de comportar as variedades mais características e curiosas cultivadas nos nossos Estabelecimentos, com a sua origem, modo de viver e instruções de cultura adaptadas ao nosso meio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Os Cactos que crescem e vivem nas mais diversas condições, segundo as diferenças de clima e de altitude, e sabido que a sua dispersão  se estende pela América, do Canadá à Argentina passando pelo México, Brasil e outros Estados, temos de lhes procurar no nosso país condições para vegetarem o mais semelhante possível aos países da sua origem."
(Excerto de Notas sôbre a cultura dos Cactos)
A Alfredo Moreira da Silva & Filhos, Lda. é uma histórica empresa portuguesa dedicada à produção e ao comércio de plantas ornamentais, árvores, arbustos e floricultura, estabelecida no Porto em 1895 por Alfredo Moreira da Silva. Dedica-se à produção em larga escala de árvores ornamentais, arbustos, coníferas, trepadeiras e plantas herbáceas para projetos de paisagismo e espaços verdes. Conta com dezenas de hectares de viveiros de produção (incluindo áreas em Mira e Coimbra), sendo uma das maiores referências do setor na Península Ibérica. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos, dobras e pequena falha de papel no canto inferior direito.
Raro.
20€

17 abril, 2026

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' -
DICCIONARIO DAS PERAS PORTUGUEZAS.
Actas do Primeiro Congresso Pomologico realisado em Portugal e promovido pela redacção do Jornal de Horticultura Pratica. Publicadas por... Preço 500 reis. Porto, Typographia Occidental, 1879. In-8.º (27x18 cm) de [4], 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo sistemático frutícola, pioneiro, onde pela primeira vez se organizou o cadastro nacional de um fruto - a Pera - de forma metódica, abrindo caminho a outros trabalhos similares e permitindo dessa forma conhecer a sua origem geográfica, tipos e características pomológicas, e o nome do produtor.
Impresso a duas colunas, e ilustrado no final com desenhos de vários modelos de tesouras de poda.
"O assumpto, que vamos tractar é de vastissimo alcance, e grande interesse para a nossa agricultura. A França, a Inglaterra, a Belgica e a propria Allemanha, já téem todas ao suas fructas perfeitamente catalogadas e classificadas; Portugal, que, na phrase d'um nosso poeta contemporaneo, é o jardim da Europa á beira-mar plantado, ainda infelizmente em 1879 não possue um catalogo especial das suas fructas.
Temos um sólo fertilissimo, e um clima propicio para a producção pomologica, porém, infelizmente, é forçoso dizel-o: temos a inercia e o desleixo, que nos retém no limiar da senda do progresso agricola. São ricos os povos, que amam a agricultura, porque é esta a base fundamental da riqueza das nações. [...]
Devemos, portanto, tractar de estudar a pomologia portugueza quanto antes, lançando desde já os alicerces para esse trabalho.
Ha numerosos e complexos problemas a resolver; muitos pontos a investigar, porque a cultura das arvores fructiferas, em Portugal, data de bastantes seculos e de épocas em que os factos que hoje nos poderiam auxiliar, não viam a luz da publicidade, porque, como em 1625, dizia muito bem Gaspar Estaço, «deu Deos aos nossos a lança pera pelejar e nam a pena para escrever».
O Congresso pomologico resolveu começar os seus estudos pelas peras e é natural que nos interroguemos: quando começou a Pereira a ser cultivada em Portugal?
Quem poderá responder com factos precisos? 
Investiguei quanto pude a historia d'esta planta, mas não logrei ir além do XIV seculo e devo notar de passagem que nos primeiros anos do reinado de D. Manoel (1495) já as peras eram abundantes em Portugal e que no reinado de D. João III (1521) havia bastantes variedades do merecimento, segundo refere Rui Fernandes (1531), muitas das quaes já hoje não existem. [...]
A primeira pedra esta lançada; os Congressos pomologicos estão inaugurados em Portugal. Agora temos só a appellar para o patriotismo, para o amor pela sciencia d'aquelles cavalheiros que os constituem.
Hoje abre-se em Portugal uma nova epocha para a pomologia, hoje é um dia de festa para todos aquelles que não são indifferentes ao progredir do nosso paiz. Esta data ha-de pertencer á historia; ha-da ser assignalada nos fastos da horticultura portugueza e os nossos vindouros prestar-nos-hão o preito a que temos jus..."
(Excerto do Estudo)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(Fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
75€

09 junho, 2025

1.ª EXPOSIÇÃO NACIONAL DE FLORICULTURA -
Tapada da Ajuda : Junho 1940. [Lisboa], [Câmara Municipal de Lisboa], 1940. In-8.º (23x15 cm) de [42] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotografias, bem como reprodução dos brasões de alguns dos municípios participantes no certame. Inclui no final publicidade alusiva ao tema.
"A I Exposição Nacional de Floricultura, que terá lugar no dia 2 de Junho, na Tapada da Ajuda, por iniciativa do Município de Lisboa, com a colaboração do Instituto Superior de Agronomia, representa um acontecimento de grande interêsse nacional.
Durante muitos anos assistiu-se em Portugal à destruição de maravilhosas matas, parques e jardins que constituíram, em épocas passadas, motivos de rara beleza. [...]
Nos parques, jardins e arruamentos as plantas típicas da nossa flora têm sido substituídas, em grande parte, de acôrdo com os gostos da moda, por espécies exóticas, algumas das quais de diminuto valor ornamental.
Contudo, o povo continua ainda a ter pela árvore e pelas flores o maior interesse. O gôsto e o sentido estético com que a mulher portuguesa compõe o quadros garridos de muitas sacadas, varandas e janelas, das cidades, vilas e aldeias de Portugal, demonstram bem que não está apagado no espírito da grei o amor pelas plantas ornamentais."
(Excerto de Duas palavras)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 maio, 2025

MENDIA, Henrique de -
CATALOGO DESCRIPTIVO DAS PLANTAS FLORESTAES Á VENDA NOS VIVEIROS DA TAPADA DO CAMPO GRANDE -
N.º 1 : 1881-1882. Divisão Florestal do Sul. Lisboa, Imprensa Nacional, 1881. In-4.º (23x15 cm) de 28 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso catálogo arbóreo, publicado com o objectivo de vulgarizar o assunto e impulsionar a plantação de árvores por todo o país, dada a sua importância económica. Inclui descrição de 88 plantas disponíveis para venda a preços módicos.
Publicação interessante e muito invulgar. A BNP não menciona.
"Tendo a divisão florestal do sul ampliado consideravelmente os seus viveiros da tapada do Campo Grande e desejando promover por todos os modos a divulgação pelo paiz do maior numero de especies arboreas, a fim de auxiliar e contribuir, quanto em seus meios cabe, para o acrescimo da nossa riqueza florestal, serão postas em venda por preços minimos todas as especies de que consta o presente catalogo. Os preços indicados deverão estender-se para todas as plantas que não excedam de um anno, soffrendo um augmento de 50 por cento o custo de cada exemplar cuja idade for superior a este limite. Terão um abatimento de 20 por cento na sua importancia total todos os pedidos de mais de cem arvores.
As despezas de empacotamento, acondicionamento e transportes correrão por conta do comprador, ao qual serão igualmente fornecidos os vasos que desejar mediante o pagamento do seu custo que nunca poderá exceder 15 réis."
(Advertencia)
Índice:
Advertencia | Coniferas - Idéa geral do seu aspecto, estructura, cultura e utilidades | Arvores folhosas de folha permanente | Arvores folhosas de folha caduca | Additamento.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel à cabeça, que se prolonga para a 1.ª folha do livro.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

03 julho, 2024

MANUAL DO JARDINEIRO.
Noções geraes sobre o tratamento das plantas e cultura especial das plantas e flores. 5.ª edição. Inteiramente refundida, augmentada e baseada nos melhores tratados nacionaes e estrangeiros e illustrada com gravuras. Lisboa, Editor - Arnaldo Bordalo, 1900. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 257, [1] p. ; il. , E.
Interessante tratado de jardinagem, muito ilustrado com desenhos exemplificativos ao longo do livro.
Esta 5.ª edição do Manual, por vontade do editor, foi completamente reformulada e aumentada, argumentos valiosos quando comparado com as antecessoras.
"Recorreu-se para a composição do Manual a dois elementos: ao theorico e ao pratico. Para o primeiro consultaram-se os melhores praxistas; para o segundo os melhores technicos. Entre êstes, pela sua extrema bondade, pelo desinterêsse com que nos prestou o seu valioso concurso, revendo o nosso Manual, cumpre especializar o Ex.mo Sr. Rogério da Encarnação, botanico-amador tão modesto quanto distincto, e conhecedor dos menores segredos da arte de Le Notre. [...]
A quinta edição do Manual do Jardineiro, como os nossos leitores poderão verifica, constitue um trabalho completamente novo, onde resumidamente, mas em termos claros, cada uma das flôres é tratada em especial sob o ponto de vista scientifico e pratico. Esta methodisação a que sujeitámos o nosso trabalho, pareceu-nos a melhor entre d'entre as muitas até hoje adoptadas em trabalhos similares."
(Excerto de Ao leitor)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

13 dezembro, 2023

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - O JARDIM NA SALA. Por... Redactor do Jornal de Horticultura Pratica. Socio correspondente da Real Associação de agricultura e botanica de Gand e da Associação de arboricultura da Belgica. Porto, Typ. de Bartholomeu H. de Moraes, 1876. In-8.º (20 cm) de 306 p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual oitocentista de horticultura e floricultura.
Ilustrado com inúmeras gravuras ao longo do texto e o retrato do autor em separado.
"Se quereis saber o que são affeições, é tractar de flores.
Ellas pagam nos perfumes, no colorido das petalas e na frescura da folhagem, os nossos carinhos, mas se lhes negaes o mimo, a assiduidade do tractamento, se as privaes da agua e da luz, se as deixaes emfim ao abandono, vel-as-heis tristes, desfallecidas, mortas, e a sua morte será o vosso desespero e a accusação que vos dirigem.
O amador de plantas deve ter um coração de mãe, um sentimento apurado, uma intuição da natureza. Cada planta é um filho. É preciso velar pelo seu destino, acompanhal-a desde o berço, sorrir-lhe todos os dias, observar o seu desenvolvimento.
É, pois, dever de qualquer amador o possuir tudo o que fôr necessario, não só para a conservação da planta, mas para a sua reproducção. A horticultura tem hoje um arsenal variado, e entre os diversos instrumentos que a industria horticola tem inventado, deve mencionar-se em primeiro logar o estufim ou estufa pequena."
(Excerto de O jardim na sala)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(Fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada com defeitos.
Raro.
45€

27 setembro, 2023

SEQUEIRA, Eduardo -
BOTANICA RECREATIVA.
Com 191 Gravuras e o Retrato do Auctor. Porto, Gazeta das Aldeias, 1910. In-8.º (18,5 cm) de 311, [1] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo botânico que inclui a descrição, plantação, aplicações e o aproveitamento ornamental de inúmeros frutos e espécies vegetais. Manual raro e muito curioso, algo surpreendente.
Muito ilustrado no texto com bonitos desenhos, e em separado, com um retrato do autor e o seu Cão de Água Português, cliché da casa Marques Abreu & C.ª, do Porto.
"As ultimas palavras de Goethe, o grande escritor allemão, foram: Luz, mais luz, muita luz!
E, como muito bem accentuou o divino escriptor francez Michelet em um dos seus mais encantadores volumes, o que o grande genio, filho dilecto de Deus, disse nos seus ultimos momentos, repete-o em cessar toda a criação, desde o mollusco que vive no fundo do mar, até á ave que vôa nas mais altas regiões do ceu, desde a mais humilde planta até ás arvores gigantes das florestas seculares.
A luz é a vida, a luz é a alegria, a luz é a força e o vigor. Todo o ser animal ou vegetal, privado de luz, enfraquece de prompto e morre em breve, precocemente caduco. É facil verificar, em poucas horas, os effeitos da falta de luz nas plantas, semeando, por exemplo, grãos de Trigo em um pequeno vaso, que se mantem em local escuro, mas sempre com a terra sufficientemente humida, affim de favorecer a germinação do grão. Os pequeninos vegetaes, assim privados de luz, não só rebentam sem vigor, mal podendo erguer as suas debeis hastes, mas tambem estas nascem completamente brancas. Retirados da escuridão e levados gradualmente para a luz, fortalecem-se, levantam triumphalmente as suas hastes e adquirem, de prompto, o seu lindo e brilhante colorido verde.
A planta procura sempre a luz.
D'ahi o vermos frequentemente, nos campos, nos jardins, nos bosques, arbustos e arvores plantados proximo de muros ou em locaes assombrados parcialmente por qualquer obstaculo, torcerem-se, perderem a sua usual fórma erecta, para irem procurar, em direcção irregular e forçada, a luz que é a sua alegria, a sua vida."
(Excerto de O effeito da luz nos vegetaes)
Indice das materias contidas n'este livro:
Dedicatoria. | Os effeitos da luz nos vegetaes. | Os casamentos das plantas. Fecundações naturaes e ecundações artificiaes. | Germinações curiosas. | Germinação instantanea de sementes. | Os infinitamente pequenos. | A flora das moedas e das notas. | Sementes que se fazem transportar. Sementes com harpões. | Sementes que voam. | Sementes que saltam. | As sementes lagartas. | Folhas que dançam. | Plantas que andam. | A teimosia das plantas. | O enraizamento das plantas. | As raizes extravagantes. | Os caprichos das raizes. | As enxertias das Cacteas. | Os caprichos das flores. | Curiosa planta barometro. | Higrometros vegetaes. | A bussula de Flora. | Plantas detonantes. | Uma planta electrica. | A planta renda. | A Sensitiva. | As plantas bebedouros. | Colchico do outono. | As flores comestiveis. | A historia da arvore. | As bengalas rusticas. | Jogos e divertimentos varios. | As Cerejas. | Os enffeites de fructos sêccos. | Illuminações e fogos d'artificio com fructos. | Fructos com desenhos e fructos em garrafas. | As applicações populares do Sabugueiro. | Os instrumentos musicaes primitivos. | O Chocalho de Junco. | As flores e fructos pittorescos. | Cestas para flores. | Trabalhos com gramineas. | Desenhos de flores. | As ornamentações com flores sêccas. | Grão que dança e salta, e Maçã magica. | As folhas sêccas. | A colorisação das flores. | Uma planta extravagante. | Cultura recreativa dos Jacinthos. | As Aboboras e um Repuxo original. | Arvores em vaso. | Indice das gravuras. | Indice das plantas e fructos estudados ou mencionados n'este livro.
Encadernação lisa inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura e posse na f. ante-rosto. Capa algo oxidada.
Raro.
Indisponível

02 julho, 2023

BILÓ, Júlia de Barros - CONSTANTINO, REI DOS FLORISTAS. Uma Quási-Biografia. Leiria, Magno Edições, 2003. In-4.º (23 cm) de 296, [8] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia romanceada de Constantino de Sampaio e Melo - o Rei dos Floristas (1802-1873), natural de Torre de Moncorvo (ou simplesmente Moncorvo), que do nada construi um império na indústria das flores artificiais em Paris. Amante das flores, estudioso de Botânica, cultivava o seu interesse com viagens de prospecção e recolha. Os seus arranjos eram requisitados pela alta burguesia e casas reais europeias para as grandes ocasiões, sendo os seus trabalhos alvo de curiosidade e admiração, tal a excelência atingida, sendo muito difícil distinguir as suas plantas das naturais, sobretudo quando apresentava bouquets mistos. Amélia, rainha consorte de França (1782-1866), em certa ocasião, disse-lhe o seguinte: "As suas flores têm apenas uma diferença das naturais, estas murcham; as suas não". Dá nome a um dos mais conhecidos parques da capital - o Jardim Constantino.
Livro ilustrado, a cores e a p.b., com fotografias de notícias, edifícios e imóveis relevantes, correspondência e documentos oficiais, sendo a maioria em página inteira.
"A pequena obra que ora vos apresento é constituída por duas partes distintas.
1. Na primeira, a que chamei "Uma Quási-Biografia", tentei dar a conhecer Constantino-criança, Constantino-rapaz, Constantino-soldado, Constantino-artista, enfim, Constantino, Rei dos Floristas. [...]
2. A segunda parte consiste num conjunto de fotocópias, fotografias e digitalizações de documentos autênticos, de artigos de jornais e revistas da época, de cartas pessoais e de negócios, páginas dos "Anuários do Comércio e Indústria de Paris", ao longo de mais de 3.5 anos, alguns mapas e fotografias e ainda 5 ou 6 curtas biografias do grande florista."
(Excerto de Nota Introdutória)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
Indisponível

23 novembro, 2022

BARBOSA, Joaquim Casimiro - O JARDIM : manual do jardineiro-amador. Volume primeiro [Segundo e Terceiro]. Porto, José Marques Loureiro - Editor, 1892-1893. 3 vols in-8.º (20 cm) de XI, 516 p. (I) ; 544 p. (II) ; 610 p. (III) ; il. ; E.
1.ª edição.
Obra de referência em três volumes (completa) de leitura agradável, ainda hoje actual, sendo uma das mais interessantes que sobre este assunto se publicaram entre nós.
Trata-se de um importante tratado de jardinagem onde é enfatizada, pela descrição e exemplo, a arte e técnica da floricultura. Mas não só: também a horticultura e a fruticultura são abordadas com algum detalhe e consistência técnica para a época.
Livros muito ilustrados ao longo do texto com desenhos esquemáticos.
Joaquim Casimiro Barbosa (1841-1921). "Nasceu no Porto, em Massarelos, a 22 de março de 1841.
Em 1861 concluiu o curso Farmacêutico na Escola Médico-Cirúrgica do Porto e fez também os cursos de Agricultura e Botânica da Academia Politécnica do Porto.
Em 1875, durante a sessão do conselho académico de 4 de fevereiro, foi nomeado 1.º oficial do Jardim Botânico da Academia Politécnica, em substituição de Agostinho da Silva Vieira. Casimiro Barbosa foi secretário do Instituto Industrial e Comercial do Porto entre 1877 e 1921 e chefe dos Jardins e Arvoredo da Câmara Municipal do Porto (1913).
Foi colaborador e amigo, com Duarte de Oliveira (1848-1927), do famoso horticultor e floricultor José Marques Loureiro (1830-1898).
Publicou trabalhos sobre horticultura e jardinagem, tais como A roseira: sua cultura e multiplicação (1880, em co-autoria com J. Pedro Costa), A Horta: tratado das hortaliças e outras plantas hortenses: sua descrição, multiplicação e cultura (1884, 1.ª de várias edições), O jardim: manual do jardineiro amador (três volumes, 1892).
Foi redator do Jornal de Horticultura Pratica (publicado entre 1893 e 1906), da Real Companhia Hortícola-Agrícola, assim como do Jornal Hortícola Agrícola, e colaborou com periódicos congéneres.
Sócio fundador do Centro Farmacêutico Português, em 1869, e da Sociedade de Instrução do Porto em 1880, foi membro da Sociedade Farmacêutica Lusitana (1851) e sócio extraordinário da Societas Botanica Edinburgum (1905).
Após a fundação da Universidade do Porto em 1911, Joaquim Casimiro Barbosa foi convidado a lecionar a cadeira de Botânica, mas declinou o convite.
Morreu no Porto a 1 de agosto de 1921."
(Fonte: https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antigos%20estudantes%20ilustres%20-%20joaquim%20casimiro%20barbosa)
Encadernações em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

02 setembro, 2022

PESSANHA, Henrique A. - DAS FESTAS DOS MERCADOS AO SPORT DA CONQUISTA  Á FLÔR
. Lisboa, [s.n. - Imp. Lucas & C.ª, Lisboa], 1925. In-8.º (19,5 cm) de 223, [3] p. ; [1] mapa desd. ; il. ; B.

1.ª edição.
Curioso projecto desportivo do autor - um verdadeiro "protector" dos direitos das flores - para instituir em Lisboa a realização de jogos 'florais' que pudessem "concorrer" com os desportos físicos onde, segundo ele, prevalecia a compleição e força bruta, o que prejudicaria o desenvolvimento mental da juventude.
Ilustrado nas folhas de texto com desenhos representativos das braçadeiras e distintivos do Júris e dos "Gladiadores", Galhardetes e Bandeiras, e do Distintivo do Sport; Apito; Craveira e Surpresa Victoriosa, e em separado, com o "Mapa Classificativo" em folha desdobrável. Raro e muito interessante.
"Em Portugal tem-se desenvolvido ultimamente, duma maneira progressiva o gosto pelo sport. A mocidade das oficinas, a mocidade das escolas, numa palavra os jovens que estudam e os que trabalham como proletarios do campo e da cidade, entregam-se vivamente ao exercicio de varios jogos e de variadas manifestações sportivas. Os domingos de Lisboa são a caracteristica evidente desse entusiasmo, dessa verdadeira devoção, que dia a dia se vai mais se vai avolumando, que hora a hora vai adquirindo maior incremento. Os torneios hipicos, as corridas ciclistas, os desafios de foot-ball, principalmente, representam o maior aperitivo da mocidade de hoje. Chega até a assustar essa tendencia absorvente de energias e de actividade, pela exibição do sport, se verificarmos que, paralelamente não corre a actividade mental. [...]
Toda a obcessão é prejudicial, todo o excesso é nocivo, mas, quando essa obcessão, quando esse excesso assentam no exercicio de diversões em que o instinto e a materia se dilatam sem o contrabalanço da educação intelectual, só ha que receiar que avultem tendencias grosseiras, manifestações boçais que definhando a raça psiquicamente, levem á pratica de atos menos consentaneos com as exigencias duma civilisação adiantada. [...]
O sr. Henrique Augusto Pessanha a quem o movimento sportivo internacional seduz, mas que não leva o seu gosto a tumultuarias e desordenadas manifestações de apreço por ele, vem numa cruzada de benemerencia, numa ancia de renovação moral, apresentar a publico um jogo gracioso, delicado, persuasivo e fino a que deu a denominação sugestiva de: Sport de Conquista á Flôr. [...]
O Sport da Conquista á Flôr, tem todos os aspectos de consagração á flôr, desbanalisando-a, aprumando-a no seu vertice de maravilha. A sensibilidade das flôres opõe-se a que as sacrifiquem a usos antiquados, defeituosos em que a personalidade da flôr é vexada, quando não desdenhada. Sujeitar a flôr a costumes, a usanças ridiculas, humilhantes, maguando-a, escravisando-a, é um crime. O Sport da Conquista á Flôr é um sport delicadissimo, duma elegancia e dum requinte quasi cavalheiresco. A luta nessa conquista galante tem o aroma tradicional dum torneio medieval, reveste por vezes aspectos dum palacianismo delicioso. É uma luta de ardil, mas uma luta de graça leve em que a flôr é alvejada por processos curiosos e subtis. Já que se comete o crime de colher a flôr, ao menos que a sua posse seja disputada com galhardia, com amõr, com finura.
O cerimonial deste sport é exuberante, variado, com pormenores duma grande gentileza."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Em prol da Flôr. Á guisa de prefacio. A lenda da rosa vermelha. I - Explicando. Do Autor para o Leitor. II - Cerimoniais e elementos indispensaveis á sua constituição: Cerimonia nupcial; Cerimonia do «copo de agua»; Alianças, braceletes e travessões; Como se devem jusar os braceletes, as alianças e os travessões. III - Recordam-se as festas dos mercados: Os travessões ou barretes; As alianças; Os meus festejos; Descrição das minhas festas independentemente da parte oficial; Das festas do Mercado [da Praça da Figueira]; O Mercado á noite; Praça da Figueira; Agradecimento. IV - Uma grandiosa festa promovida por dois amores-perfeitos. V - Ao Sport da Conquista á Flor [regras e regulamento do jogo (com 103 artigos)].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com evidente interesse olisiponense.
A BNP possui apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Indisponível

08 março, 2020

MANUAL DO JARDINEIRO E DO CULTIVADOR OU MODO DE CULTIVAR OS JARDINS EM QUE SE TRATA DA VARIEDADE DAS FLORES E DA SUA MELHOR CULTIVAÇÃO. Augmentado com a Linguagem do Emblema das Flores. Quarta edição correcta. Lisboa, Livraria Editora de Joaquim José Bordalo, 1883. In-12.º (14,5 cm) de 144 p. ; E.
Curioso manual de jardinagem que reflecte o gosto crescente na época, entre nós, pelo cultivo das flores e o arranjo dos jardins.
Relativamente à presente obra, com a devida vénia, reproduzimos parte de um artigo de Ana Duarte Rodrigues, da FCSH da UNL, com o título Pequenos livros para jardineiros: os almanaques - publicado na revista Jardins - Jardineiros - Jardinagem, do CECS da Universidade do Minho.
"O Manual do Jardineiro do Cultivador ou modo de cultivar os jardins, publicado em Lisboa na Imprensa de Francisco Xavier de Souza, em 1858, é dos poucos livros deste tipo que inclui oito estampas de flores. Em 1883 há uma quarta edição, [sem ilustrações], com o título Manual do Jardineiro e do Cultivador ou Modo de Cultivar os Jardins em que se trata da variedade das Flores e da sua melhor cultivação, augmentado com a linguagem do emblema das flores, publicado em Lisboa pela editora Joaquim José Bordalo. Este manual também inclui algum conteúdo semelhante aos tratados pois aborda a questão do traçado dos jardins em terraços, tendo em consideração e desenvolvendo cinco pontos essenciais: o terreno, a situação, a água, a exposição e as vistas. Mesmo no que toca à água, não aborda só a questão da necessidade, mas também a do recreio, como o facto da água ser o elemento que mais contribui para o recreio: “sendo bem distribuída, seja em repuxos, seja em cascatas, fontes e tanques” (p. 12)."

(Fonte: Rodrigues, Ana Duarte - Pequenos livros para jardineiros: os almanaques, in https://core.ac.uk/download/pdf/55629999.pdf)
"As diversas flores com que se ornam os jardins, e mesmo aquellas que - modestas e desconhecidas - vegetam nos prados, fazem a admiração das pessoas que, dotadas d'um genio melancolico e pensador, gostam de contemplar as creações da natureza.
A grandeza de Deus é demonstrada evidentemente na belleza, na perfeição e no grato aroma de algumas flores, que parece foram exclusivamente destinadas e proclamar a sua omnipotencia. [...]
No campo, onde a natureza se desenvolve com mais vigor e liberdade, é o local onde as flores ostentam a sua galhardia. [...]
As flores foram queridas em todos os tempos, e conhecidas por todos os povos. Desde as regiões mais selvagens até ás nações mais cultas que offerecem quantias fabulosas pela semente d'uma planta de pura fantasia, as flores andam ligadas á existencia das creaturas. Nos bailes, nas bodas, as flores são sempre estimadas, e até nos sacrificios da antiguidade tinham ellas um distincto logar.
A janella da mmais modesta habitação, a mesa dos ricos e poderosos, o mimoso seio da noiva, os macios cabellos da donzela, os arcos de triumphos, as salas de baile, os altares da egreja; tudo em fim é ornado de flores, como para dar um testemunho solemne da sua universal estimação.
Nós, que amamos deveras as flores, publicando este Manual não fazemos mais que render a nossa homenagem a todas as flores, servindo ao mesmo tempo de alguma utilidade ás pessoas que se dedicam á sua cultura."
(Excerto da introdução, A quem ler)
Matérias:
A quem ler. | Cultura das Flores. - Na terra; Do estrume; Da agua e da rega; Das sementes; Das raizes e das cebolas; Dos alfobres; Da plantação; Da mergulhia e alporques; Da enxertia; Nota. | Descripção das Flores - [segue-se uma breve descrição de 153 plantas]. | Tratamento das arvores fructiferas - [segue-se breve descrição do tratamento de 10 árvores de fruto]. | Nova cultura de morangueiros. | Enxertos de diversas especies de fructos da mesma arvore. | Noções sobre a cultura do ananaz. | Linguagem das flôres, plantas e arvores. | Indice.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada apresenta rótulo colado na extremidade inferior. Folha 134/136 apresenta rasgão de cerca de 4,5 cm, ao centro, sem perda de papel.
Raro.
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21 janeiro, 2020

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - O JARDIM NA SALA. Por... Redactor do Jornal de Horticultura Pratica. Socio correspondente da Real Associação de agricultura e botanica de Gand e da Associação de arboricultura da Belgica. Porto, Typ. de Bartholomeu H. de Moraes, 1876. In-8.º (20 cm) de 306 p. ; [1] f. il. ; il. ; C.
1.ª edição.
Curioso manual de horticultura oitocentista. Ilustrado com inúmeras gravuras nas páginas de texto e o retrato do autor em separado.
"Se quereis saber o que são affeições, é tractar de flores.
Ellas pagam nos perfumes, no colorido das petalas e na frescura da folhagem, os nossos carinhos, mas se lhes negaes o mimo, a assiduidade do tractamento, se as privaes da agua e da luz, se as deixaes emfim ao abandono, vel-as-heis tristes, desfallecidas, mortas, e a sua morte será o vosso desespero e a accusação que vos dirigem.
O amador de plantas deve ter um coração de mãe, um sentimento apurado, uma intuição da natureza. Cada planta é um filho. É preciso velar pelo seu destino, acompanhal-a desde o berço, sorrir-lhe todos os dias, observar o seu desenvolvimento.
É, pois, dever de qualquer amador o possuir tudo o que fôr necessario, não só para a conservação da planta, mas para a sua reproducção. A horticultura tem hoje um arsenal variado, e entre os diversos instrumentos que a industria horticola tem inventado, deve mencionar-se em primeiro logar o estufim ou estufa pequena."
(Excerto de O jardim na sala)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(Fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Encadernação "caseira" cartonada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas e miolo com picos de acidez.
Raro.
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18 agosto, 2017

MARIA, F.ᴿ Theobaldo de Jesu - AGRICULTOR // INSTRUIDO // COM AS PREVENC,OENS // necessarias para os annos futuros, // RECUPILADO DE GRAVES AUTORES, // E dividido em tres partes, na primeira se tra- // ta das sementeiras, virtudes das sementes, e // de como se prezervaraõ da corrupaçaõ; na se- // gunda dos arvoredos, e vinhas; Breve Tra- // tado da Cultura dos Jardins; na terceira // de todo o gado maior, e menor, e mais ani- // maes domesticos, suas virtudes, e cura de // suas infirmidades, e das colmeas. Etc. // PELO P. M. ... LISBOA. // Na Offic. de LINO DA SILVA GODINHO. // ANNO M. DCC. LXXXX. [1790] // Com licença da Real Mesa da Commissaõ Geral // sobre o Exame, e Censura dos Livros. // Foi taixado este Livro em Papel a du- // zentos réis. Meza 4 de Novembro de 1790. // Com tres rubricas. In-8.º (15cm) de 171, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual agrícola setecentista. Inclui um interessante "Breve Tratado da cultura dos jardins, em que se trata da variedade das Flores, com que se ornaõ os Jardins, e Quintaes", e um capítulo dedicado à apicultura.
"He a terra, segundo todos os Naturaes, hum dos quatro Elementos, á qual pelos grandes, e continuos beneficios, que della recebemos, chamamos mãi; ella de sua natureza he fria, e secca; e se algumas vezes naõ está assim, he por causa de algum accidente, que a muda.
As terras, ou saõ fortes, grossas, e muito boas; ou saõ de todo estéreis, e infructiferas: os saõ medianamente boas, ou más: ou saõ muito quentes, ou frias por participaçaõ do ar, ou temperadas por participarem de ares temperados.
As terras, que saõ em extremo seccas, ou húmidas, cálidas, ou frias; saõ inuteis para a producçaõ dos fructos, e sementeiras, e o cultivallas será trabalho perdido: como o he os Medicos o curarem enfermidades incuraveis."
(LIVRO PRIMEIRO, Cap. I, Da eleiçaõ das terras para as sementes fructificarem bem)
Encadernação inteira de carneira com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Trabalho de traça, a partir do último terço do livro, no pé e à cabeça; por vezes, afectando as duas últimas linhas, com pouca expressão no entanto.
Raro.
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