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30 outubro, 2026

TRANCOSO, Francisco -
A VERTIGEM DO INFINITO : non nova sed nove
. Lisboa, Tip. da Biblioteca Nacional, 1921. In-8.º (21,5x16 cm) de [4], 122, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada F. Valença - Francisco Valença (1882-1862), conhecido ilustrador e caricaturista português.
Romance "estranho", intenso, levemente erótico, em que o amor e a morte andam de braço dado.
O lema latim em subtítulo - non nova sed nove - significa "não coisas novas, mas de uma forma nova".
Obra rara e muito curiosa, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP que não menciona. Esta dá conta de um Francisco Xavier Peres Trancoso, que tem recenseados 4 livros na sua base de dados, publicados entre 1913 e 1920, todos não ficção. Em todo o caso, talvez seja a mesma pessoa, dada a ligação deste à aviação - que dava os primeiros passos em Portugal - tema caro ao autor e recorrente no livro.
"- Daisy, Daisy, lá vem a Aguia! e estendendo o braço branco e serpentino, Maria Eduarda apontava para um ponto negro, que se destacava nitidamente no esplendor do azul.
Sobre o terraço o seu corpo esbelto, e elastico, dominava todo o valle obscuro. Era a hora doce que antecede o crepusculo, quando sol mergulha em resplendores de oiro, álem cristas das montanhas que se vestem de lilaz, para os ritos da noite... Uma aragem leve, o halito fresco que acompanha a morte do dia, fazia ramalhar as leguas de pinhal que lhe corriam pela encosta, sob os pés pequeninos e preciosos... [...]
- Meu Deus, meu Deus, como tremo! - e o seu braço, apoiou-se no hombro da ingleza. No rosto claro, passou-lhe um rictus de angustia. Os seus grandes olhos castanhos e limpidos, não despregavam da machina voadora, que já se fazia ouvir muito longe.
Maria Eduarda era alta, gracil e loira. A sua linda cabeça era uma tempestade de oiro, emoldurando a testa pequenina, branca, lisa e firme. Sob a pelle translucida, via-se-lhe o azulado fins das veias, onde corria um sangue ardente e nobre.
Maria Eduarda de Foyos e Menezes, era filha do Morgado de Quintans, que após a morte de sua mulher abandonara a rigidez simples da vida das Beiras e retirara para Paris, onde levara a grande e requintada vida, dos que teem nervos afinados para sentir os mais belos e raros gosos da existencia. [...]
Nesta atmosphera crescera Maria Eduarda, entre os cuidados d'uma institutrice fria, e as lições apuradamente artistas de seu pae. D'ele herdara a alma altiva, e a acuidade nervosa, dos gulosos da sensação..."
(Excerto do Cap. I)
Francisco Xavier Peres Trancoso (1877-1952). "Nasceu em Paço de Arcos em 1877. Concluiu o curso de maquinista na Escola Naval. Como Oficial da Armada prestou serviço no Ultramar (Índia, Macau) e no Japão, o que lhe permitiu contactar e descrever diferentes povos e culturas. Foi sócio correspondente Academia de Ciências e o do Instituto de Coimbra. Professor da Escola Naval e da Escola Auxiliar de Marinha. Em 1914 presidiu à comissão técnica do Centro Nacional de Aviação (Pires, 2020: 977-978). Em 1918 ascendeu ao posto de capitão-tenente. Na política, Peres Trancoso foi eleito deputado do Partido Republicano Português (PRP), pelo círculo de Arganil, em 1915. E sem ser um parlamentar pouco interventivo, apoiou a intervenção portuguesa na Grande Guerra, integrando a Comissão Promotora da Mobilização Agrícola (Diário da Câmara dos Deputados (DCD), 9.3.1917). Em 1919, após o sidonismo, não foi reeleito deputado, mas tornou-se membro substituto do Directório do PRP (Diário de Notícias, 28.10.1919; O Século, 30.10.1919). Fez também parte da Comissão Executiva da Conferência de Paz, cujas atribuições principais eram a “recolha de informações e a elaboração dos documentos informativos necessários para a participação portuguesa no Tratado de Paz” (Diário do Governo (DG), Lei n.º 857, 22.8.1919)."
(Fonte: Leal, Pedro - Francisco Peres Trancoso e o Comissariado Geral dos Abastecimentos (1920-1922). História. Revista da FLUP. Porto. IV Série. Vol. 14 nº 1 2024. 285-307.)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
85€