Mostrar mensagens com a etiqueta Etnologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Etnologia. Mostrar todas as mensagens

22 fevereiro, 2026

MATTOSO, José -
O REINO DOS MORTOS NA IDADE MÉDIA PENINSULAR.
Sob a direcção de... Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996. In-4.º (24x16,5 cm) de 239, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de estudos históricos sobre a morte e a forma como esta era encarada na Península Ibérica pelo homem medievo.
Obra dirigida pelo Prof. José Mattoso, que aliás assina a maioria dos trabalhos, ilustrada no texto com quadros, tabelas e fotografias, sendo alguns em página inteira.
"O conjunto de artigos que aqui se publica constitui o primeiro resultado palpável de um projecto de investigação iniciado em 1989 e que nessa altura surgia sob o título de «Representações mentais do invisível em Portugal medieval». [...] De facto, pareceu-me desde logo que a representação mental do mundo dos mortos constituía, porventura, o principal lugar do imaginário do invisível: aquele núcleo a partir do qual se organiza o pensamento simbólico e discursivo acerca das forças e entidades invisíveis a que se atribuía uma acção real ou imaginária sobre a vida dos homens. Assim acontece, principalmente, para a cultura e religião populares, onde a acção dos deuses ou de Deus tem um lugar secundário, e em que, pelo contrário, se verifica uma evidente contiguidade entre a acção dos mortos, a influência das forças anímicas da natureza, e a intervenção dos anjos e santos (potências benéficas) e dos demónios (potências maléficas)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
José Mattoso: Introdução | Cláudio Torres e Santiago Macias: Rituais funerários paleocristãos e islâmicos nas necrópoles de Mértola | Maria do Rosário Bastos: Testemunhos hispânicos sobre o mundo dos mortos nos séculos IV a VIII | José Mattoso: Os rituais da morte na litúrgia hispânica (séculos VI a XI) | José Mattoso: O culto dos mortos no fim do século XI | José Mattoso: O culto dos mortos em Cister no templo de São Bernardo | Maria do Rosário Bastos: Prescrições sinodais sobre o culto dos mortos nos séculos XIII a XIV | Isabel Castro Pina: Ritos e imaginário da morte em testamentos dos séculos XIV e XV | Hermínia Vasconcelos Vilar: Rituais da morte em testamentos dos séculos XIV a XV (Coimbra e Santarém) | Adelaide Pereira Millán da Costa: O espaço dos vivos e o espaço dos mortos nas cidades da Baixa Idade Média | José Mattoso: A morte dos reis na crónica pré-afonsina | José Mattoso: O pranto fúnebre na poesia trovadoresca galego-portuguesa | José Mattoso: O imaginário do além-túmulo nos exempla peninsulares da Idade Média | José Mattoso: A utilização dos Diálogos de Gregório Magno pelo Libro de los exemplos.
José Mattoso (1933-2023). "Foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal."
(Fonte: https://www.almedina.net/autor/jos-mattoso-1563855594)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

08 fevereiro, 2024

DIAS, Margot e DIAS, Jorge - A ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS.
[Por]... Centro de Estudos de Etnologia Peninsular : Universidade do Porto. Porto, Imprensa Portuguesa, 1953. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 76, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio etnográfico sobre a «encomendação das almas», rito dedicado ao culto dos mortos praticado sobretudo nos meios rurais.
Trabalho de fôlego ilustrado com 20 ladainhas em forma de texto e partitura.
"A Encomendação das Almas é um ritual do culto dos mortos praticado no tempo da Quaresma, realizado por grupos de pessoas, em geral mulheres, que se reúnem, à noite, para cantar e rezar pelas/às almas dos mortos no Purgatório e pelas/dos que, ainda vivos, já se encontram em agonias de morte. No ritual, as encomendadoras apelam aos que as escutam para se recordarem das almas dos que já não são vivos."
(Fonte: https://run.unl.pt/handle/10362/16181)
Livro muito valorizado pela dedicatória manuscrita dos autores ao Prof. Artur Santos (1914-1987), conhecido etnomusicólogo e docente do Conservatório Nacional de Lisboa.
"A encomendação das almas é um dos aspectos mais curiosos do culto dos mortos existente no nosso país.
As almas dos entes queridos, sujeitas às penas do purgatório ou dos que estão em perigo de morrer em pecado, precisam que as preces dos vivos as ajudem a alcançar o Céu. É, indubitàvelmente, um costume cristão, a que o povo misturou alguns símbolos mágico-pagãos. Porém, a Igreja, na sua permanente ânsia de depuração, tem ùltimamente tentado combater todas estas costumeiras tradicionais, sempre que a pureza ortodoxa não seja respeitada.
Por essa razão, e pela própria tendência da época avessa a tradições, a «encomendação das almas» tende a desaparecer das nossas aldeias. Porém, pelas informações que temos colhido e por notícias bibliográficas foi este um costume bastante espalhado por todo o país o qual, por caso, conferia carácter diferenciador à nossa cultura popular em relação às outras culturas europeias, pois, nem a vizinha Espanha apresenta tal tradição. [...]
Nem sempre é fácil extirpar da crença popular os resíduos de crenças antigas, que ficam mais ou menos agarrados à nova religião, sob a forma de superstições. É certo que, muitas vezes, as práticas de sabor pagão não passam de meras usanças tradicionais, inteiramente vazias do antigo significado, mas que surgem ainda em vários lugares. Umas vezes, além do aspecto formal, existem também resíduos atávicos afectivos ainda poderosos e avassaladores, como são os terrores nocturnos, o medo dos fantasmas, das almas penadas e de todos os seres invisíveis ou visíveis que povoam as noites e as fantasias desvairadas de algumas pessoas.
O velho costume de dar de comer aos mortos, ou fazer refeições de comunhão com eles é extensivo a muitas regiões. No nosso país, podemos considerar como vestígios de tais crenças as refeições de castanhas com vinho, comidas à luz da fogueira, no adro da igreja, junto ao cemitério, ou o hábito de voltar a pôr a mesa de Natal, finda a ceia, para os defuntos virem comer durante a noite.
A «encomendação das almas» é uma prática piedosa, que, embora conserve muitos restos pagãos, se pode considerar inteiramente cristã na essência. O que se procura é infundir piedade nos vivos pela alma dos mortos, a fim de que estes se juntem em preces fervorosas, de maneira a alcançarem o perdão de Deus para os pecados dos parentes, amigos, ou conterrâneos falecidos. O encomendador ou encomendadores são levados pelo sentimento, ou em cumprimento duma promessa, ou penitência a incitar os seus vizinhos a rezar pelos mortos, para os aliviar das penas do Purgatório.
Em geral é pela Quaresma que se faz a encomendação da almas, mas há práticas parecidas realizadas nos Fiéis Defuntos. É costume escolherem um lugar alto, para serem ouvidos de bastante longe, a fim de haver mais gente a rezar. Também procuram dar à voz um tom lúgubre, ou falar através dum funil, para obterem um efeito emocional maior, de maneira a despertar em todos o temor pela morte e, portanto, maior fervor nas orações daqueles que os escutam.
É, de facto, impressionante ouvir essa cantilena estranha nas noites calmas da Quaresma. Nalguns lugares o encomendador chega a obter efeitos arrepiantes com a sua voz sinistra e lúgubre a que depois se segue o murmúrio das orações em todas as casas da aldeia."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo]. | Gatão, Amarante. | Portelo de Cambres, Lamego. | Carvalho, Celorico de Basto. | Minho: - Barcelos; - Braga; - Cabeceiras de Basto; - Celorico de Basto; - Guimarães; - Santo Tirso; - Terras de Bouro. | Douro Litoral: - Amarante; - Cete; - Lordelo, Paredes; - Penafiel; - Resende. | Trás-os-Montes-e-Alto-Douro: - Chaves; - Freixo de Espada à Cinta; - Lamego; - Miranda do Douro, Especiosa; - Sércio; - Vila Real de Trás-os-Montes; - Vinhais. | Beira Litoral: - Aveiro, Bom Sucesso; - Aveiro, Verdemilho; - Penacova; - Cernache; - Vale-de-Cântaro; - Coimbra (séc. XVI); - Ílhavo; - Leiria, Milagres; - Vale de Cambra. | Beira Alta: - S. Pedro do Sul. | Beira Baixa: - [Vários]; - Chão de Lopes, Amendoa; - Idanha-a-Nova; - Monforte da Beira; - Monsanto; - Monsanto (Castelo Branco). | Estremadura: - Lisboa; - Ourém. | Alentejo: - Elvas. | Algarve: - Alte; - Estombar; - Monchique. | Sem determinação de lugar. | Algumas considerações.
António Jorge Dias (Porto, 1907 – Lisboa, 1973). "Foi um etnólogo português. Nasce no Porto em 1907 e é aí que passa a maior parte da sua juventude. Os pais têm uma quinta perto de Guimarães, onde Dias tem a oportunidade de contactar com a vida e cultura rural portuguesas. Abandona os estudos e vai viver para a aldeia de Gralheira, perto de Cinfães; viaja pelo Minho e Trás-os-Montes, vende guarda-chuvas, e chega a acompanhar um circo itinerante; aos 22 anos decide voltar à vida académica, e estuda Filologia Germânica na Universidade de Coimbra. Faz o leitorado de Português na Universidade de Rostock de 1938 a 1939, e de na Universidade de Munique de 1939 a 1942. É aqui que se familiariza com Etnologia Regional (Volkskunde), disciplina ainda desconhecida nesta época em Portugal. Conhece Margot Schmidt em 1940 num concerto em Rostock, que se torna a sua segunda mulher em Novembro do ano seguinte. Entre 1942 e 1944 lidera o Instituto Português-Brasileiro em Berlim, e obtém em 1944 o doutoramento em etnologia na Universidade de Munique com uma tese na área da etnografia: Vilarinho da Furna - uma aldeia comunitária. Em Berlim assiste a palestras de Richard Thurnwald, de quem ficará amigo até à sua morte em 1954, e cuja obra o influencia. Entre 1944 e 1947 é também leitor de Português e Cultura em Santiago de Compostela e Madrid. É professor de Etnologia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra de 1952 a 1956, ano em que vai viver para Lisboa. Aí, é professor de Antropologia Cultural e Instituições Nativas e Antropologia Cultural e Instituições Regionais no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos e regente de Etnologia e mais tarde de Etnologia Geral e Etnologia Regional no curso de Geografia da Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1954 lecciona ainda um curso sobre Etnografia Portuguesa na Universidade do Estado do Paraná, na cidade de Curitiba, sob a alçada do Centro de Estudos Portugueses. Em 1959 lecciona Cultura Portuguesa enquanto professor convidado na Universidade de Witwatersrand, Joanesburgo. Em 1957, recebe do governo português uma comissão para investigar as civilizações indígenas das colónias portuguesas em África: a Missão de Estudos das Minorias Étnicas do Ultramar Português (MEMEUP), cuja competência específica é a de "estudar as minorias étnicas do ultramar português e a sua repercussão na cultura portuguesa". A missão desloca-se a Angola, Moçambique e Guiné. Esta missão conta com o apoio de Margot Dias e Manuel Viegas Guerreiro. Entre 1957 e 1961 realizam campanhas de investigação sobre os Macondes do Norte de Moçambique, os Chopes do Sul de Moçambique e os Bosquímanos de Angola, entre outros. A missão regressa pela última vez em 1961 (desta vez só Margot Dias), não fazendo mais visitas devido à instabilidade política que se faz sentir no território e consequentes riscos. É dessas campanhas que resulta a publicação de quatro volumes monográficos intitulados Os Macondes de Moçambique."
(Fonte: Wikipédia)
Margot Schmidt Dias GOIH (Nuremberga, Alemanha, 1908 - Óbidos, Portugal, 2001)). "Foi uma pianista, etnomusicóloga e realizadora etnológica portuguesa de origem germânica. Nasce Margot Schmidt em Nuremberga em 1908; o pai é cervejeiro, e a mãe, oriunda de uma família de artesãos, trabalha em vendas numa joalharia antes de casar. Margot aprende inicialmente piano com a irmã mais velha, e aos 18 anos vai para Munique para continuar os estudos em música, sustentando-se através de aulas particulares de piano. Em 1940 está a terminar o curso de mestre de piano na Academia de Música de Munique, e conhece Jorge Dias num concerto em Rostock. É Margot que estimula em Jorge Dias o interesse em etnologia. Casam em Novembro do ano seguinte e regressam a Portugal em 1944, antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Durante a década de 40, Margot dedica-se ao cancioneiro de Vilarinho das Furnas, e apoia o trabalho que o marido faz nesta aldeia e que apresenta na Universidade de Munique em 1944, para obter o doutoramento em Etnologia. No ano seguinte procede ao recolhimento de um cancioneiro que acrescenta um novo capítulo à dissertação (Capítulo XIV, "O Homem, Fisionomia e Concepção de Vida", publicado na monografia de 1948). Jorge Dias é convidado a dirigir a secção de Etnografia do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular (CEEP) em 1947 e Margot Dias é então admitida ao CEEP e torna-se oficialmente sua colaboradora. A equipa inclui ainda Fernando Galhano, Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Enes Pereira. Dá o seu último concerto de piano em 1956, dedicando-se desde então inteiramente à antropologia, campo em que iniciara o seu trabalho em 1947."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Texto sublinhado a tinta, certamente, pela mão do Prof. Artur Santos.
Raro.
Com interesse histórico, religioso e etnográfico.
45€

24 novembro, 2021

FILGUEIRAS, Octávio Lixa - PROTECÇÃO MÁGICA DOS BARCOS DO DOURO
. [Por]... Bolseiro do «Instituto de Alta Cultura». (Separata das Actas do Colóquio de Estudos Etnográficos «Dr. José Leite de Vasconcelos» - Vol. III). Porto, [s.n. - Imprensa Portuguesa - Porto], 1960. In-4.º (25 cm) de 13, [1] p. ; [7] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso e interessantíssimo ensaio sobre crença e superstição, por certo com tiragem reduzida. Trata da construção e "baptismo" dos barcos que sulcavam o rio Douro, bem como a simbologia e cerimonial associado à protecção das embarcações.
Livro ilustrado ao longo do texto com simbologia diversa, e em separado, com 7 folhas impressas sobe papel couché, reproduzindo 9 fotografias alusivas ao tema.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Ainda hoje em dia se observam no Douro umas tantas práticas, cujo sentido mágico, por vezes diluído, o povo quase acabou por desconhecer. Todas procedem da mesma fonte comum; e se não é difícil seguir-lhes o rasto através de outras zonas - o que em nada lhes diminui o interesse -, porventura muitos dos seus dados essenciais restam por definir e as possibilidades de o fazer são cada vez menores.
Passando em claro manifestações de carácter não geral, podem considerar-se como os dois momentos máximos a protecção mágica dos barcos do Douro, os que se observam durante a construção, com a colocação dos ramos. Correspondem a distintos estádios de fabrico e revestem-se de aspectos e significados muito diferentes:
- a primeira cerimónia, se tal palavra é admissível num caso destes, verifica-se logo num das fases construtivas iniciais, quando, depois de pronto o fundo chato e nele fixada a «ouca da vante» que uma «tasana» travou, é pregada uma cruz de trovisco no extremo livre e pela face anterior da «ouca»; tem por fim combater os «maus olhos, não vá o risco ficar torto»;
- com a segunda, coroa-se o lançamento à água, ficando o barco guarnecido com um festão de papel e um ramo de oliveira, respectivamente à proa e à ré; assim se pretende festejar a realização da obra e assegurar-lhe boa sorte."
(Excerto do texto)
Tópicos: As duas espécies de ramos votivos usados durante a construção dos barcos do Douro. | Fases construtivas em que se verifica a sua colocação. | Características das cruzes de trovisco; análise dos valores mágicos nelas contidos; outras cruzes apostas nos barcos e respectivas funções. | Ferraduras  chifres de carneiro. | Os ramos do após alançamento à água; análise do elementos que os formam; valores respectivos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

14 novembro, 2021

REBELO, Joaquim Manuel - A ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS NOS CONCELHOS DE TORRE DE MONCORVO E FREIXO DE ESPADA-À-CINTA
. [Vila Real], Núcleo Cultural Municipal de Vila Real, Maio de 1978. In-4.º (23 cm) de 37, [3] p. , il. ; B. Cadernos Culturais - 3
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o lado supersticioso da religião, aspecto arreigado na alma de um povo crente e devoto, mas respeitador do "sobrenatural". Opúsculo com interesse regional, histórico e etnográfico.
Livro ilustrado no texto com diversas fotogravuras a p.b. e uma partitura: "Encomendação das Almas", da Freguesia de Urros, concelho de Torre de Moncorvo.
Obra impressa em curta tiragem. A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
"A devoção às Almas do Purgatório está profundamente arreigada em Trás-os-Montes e Alto Douro, e é, talvez, «um dos aspectos mais curiosos do culto dos mortos existente no nosso país». «...O que se procura (com esta prática religiosa) é infundir piedade nos vivos pela alma dos mortos, a fim de que se juntem em preces fervorosas, de maneira a alcançarem o perdão de Deus para os pecados dos parentes, amigos, ou conterrâneos falecidos.
O encomendador ou encomendadores são levados pelo sentimento, ou em cumprimento de uma promessa, ou penitência a incitar os vizinhos a rezar pelos mortos, para os aliviar das penas do Purgatório.»"
(Excerto da Introdução)
Índice: Introdução. | Concelho de Tore de Moncorvo: Freguesia e Açoreira; Freguesia e Cabeça-Boa; Freguesia de Cardanha; Freguesia de Carviçais; Freguesia de Castedo e Vilariça; Freguesia de Felgar; Freguesia de Felgueiras; Freguesia de Larinho; Freguesia e Lousa; Freguesia de Maçores; Freguesia e Peredo dos Castelhanos; Freguesi de Mós; Freguesia de Souto da Velha; Freguesia de Urros; Outras freguesias. | Concelho de Freixo de Espada-à-Cinta: Freguesia de Fornos; Freguesia de Freixo de Espada-à-Cinta; Freguesia de Lagoaça; Freguesia de Ligares; Freguesia de Masouco; Freguesia de Poiares.
Joaquim Manuel Rebelo (1922-1995). "Natural de Vila Nova de Foz Coa, capelão do Internato Francisco Meireles e professor da Escola Secundária de Moncorvo. Sócio da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (Porto) e da Sociedade de Língua Portuguesa (Lisboa)."
(Retirado do verso da f. rosto)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

15 outubro, 2021

FILGUEIRAS, Octávio Lixa - «ÀCÊRCA DAS SIGLAS POVEIRAS».
Relatório apresentado ao IV Colóquio Portuense de Arqueologia - 1965. [Por]... (Bolseiro do Instituto e Alta Cultura)
. Porto, [s.n. - Composto e impresso na Empresa Industrial Gráfica do Porto, L.da - Edições «Maranus» - Porto], 1966. In-4.º (24,5x18,5 cm) de 30, [2] p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata de Actas do IV Colóquio Portuense de Arqueologia (Lvcerna - Vol. V - 1966).
Interessante ensaio sobre as siglas de pescadores.
Livro impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado no texto com tabelas de marcas e sinais, desenhos esquemáticos e fotogravuras, e no final, com um mapa desdobrável de grandes dimensões (72x50 cm), referente às siglas de pescadores do norte e centro (Buarcos), e de alguns monumentos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Da comunicação que tivera a honra de apresentar no anterior Colóquio, intitulada «Barcos da Costa Norte, sua contribuição no estudo de áreas culturais» resultou a escolha do tema para o que deveria ter sido um pequeno artigo de quarenta páginas, destinado ao Boletim Cultural da Póvoa de Varzim e acabou por constituir a monografia (provisória) do barco poveiro... ainda em publicação! Nesta, entre os vários pontos de análise, necessàriamente teria de ser incluído o das siglas, processo de marcação da madeira, às vezes com reflexos na própria decoração do barco, peculiaridades que foquei, na devida oportunidade, valendo-me dos materiais estão disponíveis. [...]
Igualmente sem a pretensão de desenvolver o assunto em termos de estudo independente, proporei um pequeno aditamento, tal como o fiz a propósito das divisas (in «O Barco Poveiro»).
Se atentarmos no conjunto marcas + divisas (excluindo as das balizas e as marcas do peixe, funcionalmente adaptadas a condições de utilização muito especiais, que se diversificam daquelas total ou parcialmente), não podemos deixar de estranhar o facto de as divisas dos barcos geralmente não reproduzirem as marcas dos seus proprietários. Porquê um uso diferenciado desses elementos, a ponto de constituírem uma espécie de duplicação de sinais?
Tendo tido o cuidado de organizar uma espécie de quadro tipológico das siglas, a partir dos dados publicados em «O Poveiro» e «Inscrições Tumulares por Siglas», completados com os dois paineis de siglas de Buarcos, Viana do Castelo e Ancora, expostos no Museu Etnográfico da Póvoa de Varzim, e que copiei por apresentarem material inédito; mais alguma documentação que lucrei em conversas ocasionais com pescadores e Valbom e da Póvoa, julgo poder aventar algumas hipóteses interpretativas. Ao contrário das divisas (marcas dos barcos) sujeitas predominantemente a invocações religiosas que culminavam com a adopção de um santo-patrono, e eram bastante enraizadas numa figuração de carácter mítico, as siglas das marcas pessoais ficam muito aquém das preocupações de ordem religiosa: quer em tipos, quer em frequência de tipos predominam as representações de objectos ou coisas mais directamente relacionados com as trivialidades dum quotidiano de cunho utilitário, até sem especial preferência pelos da faina marítima."
(Excerto da comunicação)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

02 agosto, 2021

RELIGIÕES. História : Textos : Tradições.
[Hinduísmo - Judaísmo - Budismo - Cristianismo - Islão - Fé Bahá'í]. Lisboa, Religare - Estrutura de Missão para o Diálogo com as Religiões : Paulinas, 2006. In-8.º (22 cm) de 879, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho inter-religioso, que contempla os credos doutrinais com alguma dimensão existentes no território nacional.
"Religiões - História, Textos e Tradições é um projecto da Religare - Estrutura de Missão para o Diálogo com as Religiões (Presidência do Conselho de Ministros), elaborado e executado em parceria editorial com Paulinas Editora, que se socorreu da ajuda de representantes institucionais de cada religião tratada e também de especialistas da área das religiões, da história, da antropologia, da sociologia e da linguística. O empenhado trabalho de investigação para a recolha, tradução e contextualização dos textos é o resultado manifesto do presente livro.
Como primeiros objectivos desta obra, contam-se a preocupação de dar a conhecer ao grande público o essencial da história das principais religiões implantadas na comunidade portuguesa, assim como os seus textos, as suas diversas tradições e formas de expressão; e, num plano complementar, é também objectivo deste trabalho contribuir para a criação de ambiências propícias a reciprocidades de respeito e de valorização por parte de todos os portugueses ou residentes que, apesar da diversidade das suas crenças, habitam o mesmo espaço nacional e nele concretizam os seus sonhos de vida familiar e afectiva afirmando, em cada dia, também as suas diversificadas actividades.
Este é um trabalho original, em língua portuguesa, e elaborado por especialistas portugueses que esperamos encontre grande receptividade e grado acolhimento, correspondentes ao esforço de todos os envolvidos neste processo."
(Retirado da badana da sobrecapa)
Supervisão Religiosa/Institucional:
Hinduísmo - Ashok Hansraj (Comunidade Hindu de Portugal). Judaísmo - Boaz Pash (Comunidade Israelita de Lisboa). Budismo - Paulo Borges (União Budista Portuguesa). Cristianismo - Peter Stilwell (Igreja Católica Romana); Samuel Pinheiro (Aliança Evangélica); Alexandre Bonito (Igreja Ortodoxa Grega); Arsénio Sokolov (Igreja Ortodoxa Russa). Islão - Abdool Magid A. Karim Vakil e David Munir (Comunidade Islâmica de Lisboa). Fé Bahá'í (Mário Mota Marques (Comunidade da Fé Bahá'í de Lisboa).
Encadernação editorial em tela com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada, revestida de sobrecapa carmim com letras a branco.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

04 agosto, 2020

SANTOS, Carlos M. - TOCARES E CANTARES DA ILHA : estudo do folclore da Madeira. [S.l.], [s.n. - Compôsto e impresso na Tipografia da «Empreza Madeirense Editora, Lda.», Funchal], 1937. In-4.º (23,5 cm) de [2], 130, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história e conhecimento do folclore madeirense.
Ilustrado ao longo do texto com reprodução de instrumentos musicais e partituras de variados géneros populares do folclore da Ilha.
"É voz corrente serem os instrumentos usados pelos nossos camponêses - o rajão, o braguinha e a viola de arame - oriundos da Madeira.
Embora a tradição sirva, de certo modo, de pilar ao edifício da História, não satisfaz absolutamente ao investigador honesto, sempre ávido de bases seguras para assentar afirmações.
No caso da Madeira, tal desideratum quasi é legítimo, atenta a pobreza de elementos históricos e, principalmente, de relatos de verdade insofismavel. [...]
Ora, quando no capítulo da história geral da Madeira as certezas oscilam ainda no fim de cinco séculos e quatro lustros, que esperar dum ramo descuidado pelos historiadores e pouco aprofundado pelos que outrora o investigaram?
Quem o quiser estudar é automaticamente impelido para os campos da história universal da música, da tradição, da hipótese.
É, portanto, dentro dêste âmbito, que tentaremos também chegar a conclusões suficientemente claras para determinarem o fundamento em que assenta essa mesma tradição, já que ela se tornou elemento primordial no assunto que nos ocupa."
(Excerto de Instrumentos, [Prólogo])
"Há que separar em duas espécies distintas as canções madeirenses: fundamentais e derivadas. Á primeira pertencem o charamba, a mourisca e o bailinho das camacheiras; à segunda, a maior parte das melodias usadas pelo povo, incluindo as canções do trigo, da erva, da carga, etc.
O povo madeirense não soube criar as suas canções, mas adoptou as melodias que apareceram ou caíram em moda, innovando outras sobre os respectivos temas a que deu o interessante e inconfundível sabôr regional.
Muitas delas são simples deturpações."
(Excerto de, Canções [Prólogo])
Matérias:
Intrumentos & Canções. Primeira Parte - Instrumentos: A viola de arame; O Rajão; O Braguinha. | Segunda Parte - Canções: O Charamba; A Mourisca; O Bailinho das Camacheiras; Canção da eira; Canção da ceifa; Canção da carga; Canção dos borracheiros; Canção da sementeira; Canções domésticas. | Conclusão.
Carlos Maria Platão dos Santos (1893-1955). "Nasceu a 22 de Julho de 1893, na freguesia da Sé, Travessa do Forno 5, Funchal e faleceu no dia 6 de Outubro de 1955. Frequentou a Escola Industrial do Funchal. Trabalhou na indústria dos bordados, onde demonstrou os seus dotes no desenho. Foi autodidata na música, aprendendo a tocar braguinha e bandolim. Com vinte anos de idade criou um grupo de bandolins com o seu irmão e amigos. Anos depois foi convidado a dirigir o grupo “6 de Janeiro de 1915”, cujo nome foi depois mudado para “Círculo Bandolinista da Madeira”. Desde muito novo interessou-se por estudar o folclore da Madeira, tornando-se pioneiro na sua defesa e divulgação. Desde 12 de Junho de 1927 trabalhou no periódico “O jornal”, periódico este que, a partir de 1954 passou a designar-se “Jornal da Madeira”. Em 1932 foi nomeado Chefe de Redacção do referido periódico. Foi director do Grupo “Os Folcloristas”, criou um grupo com o seu nome, em 1949 assumiu a direcção do Grupo de Folclore da Casa Do Povo da Camacha, e ensaiou grupos na Boaventura, Ponta do Pargo, Livramento e Ponta do Sol. Carlos dos Santos escreveu artigos e realizou conferências sobre a cultura madeirense. Publicou três livros fundamentais ao estudo do Folclore da Madeira: Tocares e cantares da ilha: estudo do folclore da Madeira. Funchal: 1937; Trovas e bailados da Ilha: estudo do folclore musical da Madeira. Funchal: 1942; O traje regional da Madeira: Estudo. Funchal: 1952."
(Fonte: https://madeirafolclore.wordpress.com/recursos/personalidades/c/)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas oxidadas com falhas marginais. Capa frontal e as duas primeiras folhas apresentam falha de papel à cabeça de algum relevo e vestígios de humidade. Perda de papel nas extremidades da lombada.
Invulgar e muito apreciado.
35€

11 janeiro, 2020

BRETÃO, José Noronha - "NA ALEGRIA VOS SAUDAMOS" - Danças e Bailinhos no Entrudo de 1985. [Angra do Heroísmo], Comissão Executiva das Comemorações do 450.º Aniversário de Elevação de Angra a Cidade, 1985. In-4.º (24 cm) de 8 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa: pintura de Van der Hagen. 
Curiosa monografia sobre o carnaval na Ilha Terceira. Ilustrada com 4 fotografias a p.b. ao longo do texto.
Tiragem: 500 exemplares.
"Com maior ou menor rigor aí estão, uma vez mais e no seu "tempo próprio", as Danças de Entrudo e Bailinhos do Carnaval da Ilha Terceira.
"Presença" do Povo a quem, prioritáriamente, se destinam, umas e outros vem cumprir o seu papel no maio Festival (ou encontro, ou convívio, como queiram) de Teatro Popular que nestas ilhas se realiza e desde há muitos anos. Sem convites, sem prémios, sem anúncios, as Danças e Bailinhos como que "explodem" em tudo quanto é lugar de convivência. E quem percorrer (como milhares percorrem) as Sociedades Recreativas desta ilha nos três dias de Carnaval, há-de encontrar em todas elas um público atento e participativo que ainda se não cansou de ver e aplaudir as saudações de um Mestre, os ditos picantes de um Ratão, as falas graves ou alegres de um rei, de um Santo de altar ou emigrante de torna viagem. E não se cansará nunca de bater os pés ao ritmo dos dançarinos das alas que, a abrir e a fechar, "marcarão" o tom que o Mestre pontuará de espada em riste.
É assim todos os anos e não há que procurar explicações difíceis ou rebuscadas: o Teatro, aqui e assim, é Festa do Povo e não tem que pedir licença. Acontece tão naturalmente como acontecem os dias do ano, as chuvas e as trovoadas, as manhãs de Sol e as tardes de calmaria."
(Excerto do texto, Festa da Fraternidade)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

28 dezembro, 2019

RIBEIRO, Margarida - MULHERES FUMADORAS. Por... Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia : na Faculdade de Ciências do Porto. Porto, Imprensa Portuguesa, 1969. In-4.º (23,5 cm) de 12 p. (231-241 pp.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo etnográfico, centrando-se sobretudo no Alentejo, onde nalgumas localidades o costume feminino de fumar ultrapassou convenções sociais.
Ilustrado no texto com 3 imagens: reprodução de uma conhecida aguarela de Alberto de Souza - Tia Teodósia; foto de mulher fumando cachimbo; desenho de cachimbo traçado sob diversas perspectivas.
Opúsculo valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Em 1918, Alberto Souza fixou numa das suas aguarelas uma figura feminina da cidade de Évora, popularmente conhecida por «Tia Teodósia».
A atitude, o vestuário e todo o característico desta figura nos prendeu a atenção. Nela se encontram sintetizados ideais femininos que transcenderam os horizontes sociais da sua condição e época, mostrando, bem definidos, traços psicológicos que caracterizaram a humilde mulher do povo que, embora vítima do falar jocoso, enfrentou com indiferença e coragem consciente os preconceitos do seu meio e dos seus contemporâneos."
(Excerto do estudo)
Margarida Rosa Cassola Ribeiro (1911-2001). "Natural de Portalegre. Docente e investigadora multifacetada. Na sua obra perpassa um grande humanismo. Percorreu o país de lés a lés: da costa algarvia à raia mirandesa, do Alentejo à região saloia, passando pelo Ribatejo, Beiras, Açores. Deslocava-se das mais diversas formas: a pé, de bicicleta, de camioneta, de burro e às vezes, quando tinha dinheiro, alugava um táxi. Publicou alguns contos, crónicas, novelas, notas de viagem, biografias, crítica literária, participou em jogos florais e do seu punho saíram também belos poemas. Escreveu igualmente numerosos estudos de carácter científico que publicou em revistas de grande prestígio: Revista Lusitana, Revista de Portugal, Revista de Etnografia, O Arqueólogo Português, Ethnos, Ocidente, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Foram imensas, portanto, as suas áreas de interesse e múltiplos os seus campos de investigação."
(Fonte: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-68852016000200016)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Ex-libris de João Affonso Côrte-Real.
Raro.
Com interesse antropológico.
15€

24 novembro, 2019

CUNHA, Narcizo C. Alves da - PAREDES DE COURA. No Alto Minho. Por... Presbytero, bacharel formado em direito, advogado e ex-conservador do registo predial. Porto, Typographia do Porto Medico, 1909. In-8.º (22,5 cm) de 594, [2] p. ; mto il. ; C.
1.ª edição.
Raríssima edição original desta bela monografia minhota, por ventura a mais completa e importante que se publicou sobre o concelho de Paredes de Coura.
Ilustrada no texto, a p.b., com 55 fotogravuras, e outras 3 em página inteira.
Livro muitíssimo valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao "colega", illustre Senador da Repúbilca Portugueza, António C. Macieira Júnior (1875-1918), ["advogado, bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, que se distinguiu pela sua acção política durante a Primeira República Portuguesa, tendo sido deputado na Assembleia Constituinte de 1911, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro da Justiça, ocupando este último cargo aquando da aplicação da Lei da Separação do Estado das Igrejas, que fora aprovada em 20 de abril de 1911, uma das medidas mais polémicas da Primeira República" (wikipédia)].
"Venho trazer-te a oblata do meu affecto.
O teu altar, para mim sagrado, bem merece as minhas offerendas.
No entardecer da vida, caminhando para o coval, venho despedir-me de ti e dizer-te que não posso esquecer-me dos teus campos, matizados de flores, nem da muzica suavissima das brizas que perpassam pelas encostas dos teus montes. [...]
Paredes de Coura!
Saudo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beiraes dos teus novos edificios e até no espelho das tuas aguas de cristal."
(Excerto de Á minha terra)
"Nunca tive, nem posso ter a pretensão de ser litterato ou escriptor, e, menos ainda, de erudicto.
Mas, pelo que quero á minha terra e pelo que devo aos meus conterraneos, tentei esboçar a actualidade de Paredes de Coura e archivar, n'este livro, algumas noticias do seu passado para que não se obliterem, de todo, da memoria dos presentes.
Conheço, como poucos, o viver, as circumstancias e condições de existencia da população local, assim como os terrenos, cultivados e incultos, d'este retalho do Alto Minho, suas communicações, commercio, industria, instrucção, estradas, rios, montes, etc.
O resurgimento d'este concelho para a vida moderna data de ha 30 annos.
Photographar-lhe as novas feições, é desbravar terreno a obreiros mais competentes. Este o meu fito. [...]
Contem duas partes este despretencioso trabalho: uma geral,  que diz respeito áquillo que, segundo o meu ponto de vista, mais ou menos se relaciona com todo o concelho; e outra especial, que traduz uma breve noticia de cada freguezia.
N'esta localidade não ha livrarias, nem archivos poeirentos: datam, geralmente, do fim do seculo 17.º e estão incompletos os que existem.
N'esta observação vai uma sincera petição de benevolencia ao leitor."
(Excerto de Ao leitor)
Narciso Cândido Alves da Cunha (1851-1913). Juiz auditor. Deputado. Nasceu a 5 de Setembro de 1851 na freguesia de Formariz, concelho de Paredes de Coura. Frequentou o Liceu de Braga, e Teologia no seminário da mesma cidade, tendo sido ordenado sacerdote em Coimbra. Frequentou Direito na Universidade de Coimbra que concluiu em 1881. Foi nomeado conservador do registo predial da comarca de Paredes de Coura em 1885, cargo que exerceu até ser despachado juiz auditor de Bragança, em 1901.  Escreveu uma monografia - No Alto Minho : Paredes de Coura, publicada em Janeiro de 1909. Foi advogado na comarca da sua naturalidade desde 1881 até 1901. Deputado courense no Senado da República entre 1911 e 1913.
Encadernação cartonada do editor a cores, com gravura a p.b.
Exemplar em bom estado de conservação. Trabalho de traça da pasta anterior, que se projecta na f. anterrosto e rosto, nestas quase que imperceptível.
Raro.
100€

14 abril, 2017

LOPES, António Rodrigues - A SOCIEDADE TRADICIONAL ACADÉMICA COIMBRÃ : introdução ao estudo etnoantropológico. Coimbra, [s.n. - comp. e imp nas oficinas da Gráfica de Coimbra, Coimbra], 1982. In-4.º (23cm) de 328 p. ; [7] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo antropológico sobre a comunidade estudantil coimbrã.
Ilustrado com quadros, gráficos, tabelas e mapas no texto, e com sete fotogravuras a p.b. em separado.
"O Autor viveu os primeiros vinte e quatro anos da sua existência em Coimbra, dos quais a maior parte na Alta medieval conimbricence. Ali se imbui do espírito sui generis do Universo Académico, designadamente o romantismo boémio e o singular estilo cultural praticado pelos estudantes.
O estudo que ora se publica esteve em reserva mental desde a sua juventude, era pois inevitável que adquirisse forma depois de ter concluído a sua licenciatura em Ciências Antropológicas e Etnológicas.
Pela primeira vez, supomos, a análise antropológica aborda o fenómeno da Sociedade Tradicional Académica coimbrã, ao revelar aspectos inusitados (etnocídio), desfazendo nebulosas interpretações ou equívocos levianamente expressos e pior aceites, deturpando a realidade que teve lugar na Lusa-Atenas.
A pesquisa aborda aspectos sócio-políticos, institucionais e metodologias do ofício da Antropologia, nomeadamente os contornos da Comunidade Académica, com o objectivo de fazer compreender o que até aqui se tem negligenciado.
Obra inédita, fruto da tentativa bem conseguida, de sacar uma investigação sistemática, foi reforçada pela observação participante do autor.
Precioso ensaio para o público universitário, e também excelente manual para não especialistas. Trabalho inovador no meio português e também leitura aliciante pela perspectiva diacrónica, ao desenhar o perfil da estrutura institucional do que foi a Sociedade Tradicional, que não se modelou em nenhuma outra."
(excerto da apresentação de António S. R. Minga)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

11 abril, 2016

RODRIGUES JÚNIOR - DO HOMEM NEGRO : da sua vida e da sua arte. Braga, Editora Pax, 1973 [imp. 1974]. In-8.º (21cm) de 181, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.

Interessante estudo etnológico sobre a arte em Moçambique e a sociedade moçambicana.
"Havíamos prometido, no primeiro capítulo do nosso estudo «Os indígenas de Moçambique», ocupar-nos dos aspectos da poesia, do romance, do ensaio filosófico, político, económico, da escultura, da pintura, da cerâmica - e daquelas outras artes em que o artífice se revela, tantas vezes, o artista de grande classe. Começaremos pelo artista que percorre as ruas com o seu trabalho, à espera de que lho comprem, não apenas o turista mas ainda o habitante da cidade, aquele que se mostra interessado pelas manifestações de arte indígena. Este vendedor-operário é, em tantos casos, o artista que se manifesta através dos seus bonecos de madeira trabalhada com grande sentido artístico, mesmo dos quadros que nos trazem, também, a novidade, tão curiosa, do mundo do negro, revelado no jeito que nem sempre é de simples artífice. O artesanato ocupa muitos dos nossos nativos.. Faz deles seu pão e motivo excelente de recreação de espírito. Tudo o que vemos pelas ruas de seu esforço à venda tem indicação de criação artística. Difere de artista para artista não apenas no jeito da feitura mas até no gosto de trabalhar as suas obras de arte: indicação do lugar de onde veio esse homem, da tribo a que pertence."
(excerto do Cap. I)
José Rodrigues Júnior (1902-1991). “Jornalista, escritor, ensaísta. O escritor mais representativo de Moçambique. O «Patriarca do jornalismo e das letras moçambicanas». Foi para Moçambique com 18 anos. Iniciou-se nas lides jornalísticas, escrevendo para o Brado Africano. Colaborou na revista Seara Nova, de Lisboa; Civilização, do Porto; e outras. Foi chefe de redacção de: O Emancipador, O Jornal, o Notícias, e redactor principal, bem como proprietário, da revista de arte e crítica Miragem. Foi, durante muitos anos, o representante, em Moçambique, do Diário de Luanda. Como jornalista convidado, esteve na Holanda; em Goa, Damão e Diu; na Alemanha Ocidental, e por último, em 1963, em Angola. Foi, também, o presidente do Centro Cultural dos novos. É membro efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa; sócio da Sociedade Portuguesa de Escritores, e vice-presidente do Grupo de Artes, Letras e Actividades Culturais e Jornalismo, da Secção de Estudos Brasileiros da Sociedade de Estudos de Moçambique. Quase toda a sua actividade de escritor e jornalista tem sido dedicada ao estudo dos problemas de Moçambique, para o que realizou, durante mais de 20 anos, viagens de inquérito económico-sociais, através de toda a Província. Na opinião da crítica metropolitana «os seus estudos sobre Moçambique são, a par de notáveis obras literárias, trabalhos de sociólogo, de colonialista, de moralista e, até, de economista, e muitas das melhores páginas da nossa novelística e da nossa reportagem, destes últimos trinta anos, por exemplo, saíram das suas infatigáveis mãos»”.
(fonte: delagoabayworld.wordpress.com)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€