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18 janeiro, 2025

JOBIM, José -
A VERDADE SOBRE SALAZAR.
(Entrevistas concedidas em Paris pelo Sr. Affonso Costa, ex-presidente da Liga das Nações e antigo primeiro-ministro de Portugal). Prefacio de Danton Jobim. Rio, Calvino Filho, editor, 1934. In-8.º (19x12,5 cm) de 141, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para história da política portuguesa nos alvores do Estado Novo, protagonizado por Afonso Costa - figura de proa da 1.ª República - que através de um conjunto de entrevistas concedidas a partir do exílio a um jornalista brasileiro, dá conta do seu "incómodo" com a situação vigente no país.
"Não sou amigo nem partidario do Sr. Affonso Costa. Reporter brasileiro, correspondente de jornaes brasileiros, não desejo immiscuir-me nos negocios internos de Portugal. Colhi, entretanto, um grande e expressivo depoimento sobre o momento politico portuguez. O ex-primeiro ministro e antigo presidente da Liga das Nações supportou durante annos o assédio que lhe movi. Não queria falar a estrangeiros sobre seu paiz. Ao fim de trez annos, capitulou. O que não obtivera a habilidade do jornalista conseguiu o odio contra a dictadura militar que, atacando-o, lhe nega o direito de defesa. E o Sr. Affonso Costa falou-me, concedendo a sua entrevista mais sensacional. Este livro é uma resposta ao "Salazar" do Sr. Antonio Ferro. Deveria compol-o um portuguez. Mas o estado totalitario do Doutor Salazar, pela sua propria estructura e finalidade, se attribue em Portugal o dominio absoluto dos prélos e das consciencias. Além do mais, a dictadura portugueza mantém um amplo e bem organisado serviço de propaganda entre nós. Creio, pois, que se deve conceder o direito de trazer ao publico brasileiro "a voz do outro sino"."
(Introdução)
"Neste livro o sr. Affonso Costa renova a sua velha crença nos destinos da democracia.
Si eu tivesse de tratar da personalidade politica do ex-primeiro ministro portuguez antes de ter deante dos olhos a série de entrevistas que ahi está, não o chamaria pura e simplesmente um democrata. Democrata e democracia são, em nosso tempo, expressões vagas, imprecisas, e, por isso, incolores, tão amplo o sentido que as conveniencias partidarias lhe emprestaram, sobretudo nas nossas jovens republicas da America Latina, e tão numerosos e evidentes têm sido os contrabandos de idéas e interesses sob esses rotulos honestos.
Recordando o seu passado republicano e as idéas que elle sustentou, teriamos preferido situal-o entre os authenticos jacobinos, cuja caracteristica fundamental é o culto da autoridade soberana do Estado, a necessidade da submissão de todos á lei, que emana da vontade popular, expressa através da igualdade politica, sem que se attenda ás differenciações de ordem economica e social. [...]
O estatismo exagerado que caracteriza a nossa época é levado a suffocar as liberdades individuaes. O sr. Salazar repete as variações do sr. Mussolini sobre as relações entre  liberdade e autoridade, que, aliás, em si, não têm nada de novo.
As theorizações fascistas, o esforço pela creação de uma physionomia propria para o fascismo, estão consubstanciadas na exposição doutrinaria redigida pelo Duce para a Encyclopedia Italiana:
"Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fóra do Estado". (Discurso no Scala de Milão). [...]
O sr. Oliveira Salazar é partidario intransigente desse estaismo fascista. Sob a sua immediata direcção organiza-se em Portugal um movimento corporativista, nos moldes do syndicalismo burocratico italiano. Mas haverá consições, na republica portugueza, para a victoria desse movimento? E a dictadura militar qu governa o paiz será capaz dessa tarefa? Eis uma these interessante e opportuna que aos pensadores e homens de estado portuguezes, que conhecem de parto a situação politico-social do paiz, incumbe responder."
(Excerto do Prefacio)
"O Hotel Vernet, situado na rua do mesmo nome, que atravessa os Champs Elysées na altura de Georges V, é um dos mais curiosos de Paris. Ali se hospedam estrangeiros apenas. É um hotel caro e familiar. Ha antigos presidentes e mesmo reis dos paizes mais remotos. [...]
O Sr. Affonso Costa não me faz esperar cinco minutos. Entra com um sorriso nos labios. É um homem baixo, forte, elegante, com os cabellos grisalhos e a pêra - a mais famosa pêra de Portugal - quasi alva. Parece ter apenas quarenta annos. E tem mais de sessenta. Respira saude e energia. E quando fala, ao sorrir faz com que a gente se lembre logo de Mefistopheles, tal a expressão maliciosa, viva, intelligente de sua mascara. Ha mesmo sarcasmo e força nessa mascara.
- "Uma entrevista? diz-me. Pois, seja! Mas quero que note em que condições especiaes e excepcionaes lh'a vou dar. Tenho sempre hesitação e melindre em contar a estrangeiros o que se passa de desagradavel e de injusto no meu paiz. O meu orgulho pessoal e de portuguez não me permitte solicitar apoio ou solidariedade a estranhos e muito menos fazer-lhes queixas."
(Excerto da Entrevista)
José Pinheiro Jobim (Ibitinga, 1909 – Rio de Janeiro, 1979). "Foi um economista e diplomata brasileiro, morto político da ditadura militar brasileira. Trabalhou primeiramente como jornalista, tendo sido revisor e redator de "A Manhã", do Rio de Janeiro, e redator do "Diário de Notícias" de Porto Alegre. Contratado pela Agência Meridional dos Diários Associados, foi redator de "O Jornal" e seu enviado especial à Europa. Entre 1930 e 1936 viajou também à URSS, Ásia e África. Iniciou sua carreira diplomática em 1938, atuando como cônsul de terceira classe, no mesmo ano foi designado vice-cônsul em Yokohama, no Japão. Entre 1938 e 1941, de volta ao Brasil, serviu na Secretaria do Comércio Exterior. Em 1941 foi transferido para Nova Iorque, ainda no posto de vice-cônsul. Promovido a cônsul de segunda classe em 1942, permaneceria em Nova Iorque até 1943 como cônsul adjunto. Desde sua promoção a ministro de primeira classe, em 1959, ocupou o posto de embaixador do Brasil no Equador, de 1959 a 1962, na Colômbia e na Jamaica cumulativamente, de 1965 a 1966, na Argélia, de 1966 a 1968, e no Vaticano e Malta, de 1968 a 1973. Ao se aposentar do Itamaraty, em 1975, estava à frente da representação brasileira no Marrocos, onde chegara em 1973. Fundou com seus filhos a Editora Brasília Rio.
Em 15 de março de 1979, o embaixador, já aposentado, foi à Brasília, onde tomou posse o ditador João Batista Figueiredo e, com ele, o chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro, amigo de José Jobim. Durante a cerimônia, Jobim comentou com alguns amigos que estava escrevendo um livro de suas memórias, inclusive detalhes sobre o superfaturamento do governo na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que custou dez vezes o valor orçado, totalizando cerca de US$ 30 bilhões. Uma semana depois, no dia 22 de março, Jobim já estava de volta ao Rio de Janeiro e, logo depois do almoço, saiu de sua casa para encontrar um amigo. Seu corpo foi encontrado por um gari dois dias depois do sequestro, a menos de 1 quilômetro da Ponte da Joatinga. Ele estava pendurado pelo pescoço em uma corda de náilon em um galho de uma árvore pequena. Assim como as do jornalista Vladimir Herzog, seus pés, com as pernas curvadas, tocavam o chão, levantando suspeitas sobre a hipótese de suicídio. Seis anos depois, a promotora Telma Musse reconheceu que houve homicídio, mas considerou o caso insolúvel e pediu o arquivamento."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Aparado. Com falhas de pele na lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

20 outubro, 2023

COSTA, Dr. Affonso -
O MONOPOLIO DOS TABACOS EM PORTUGAL.
O Julgamento no Tribunal do Commercio do processo requerido pela «Banque de Paris et des Pays Bas» para suspensão das deliberações tomadas na assembleia geral da Companhia Portugueza de Phosphoros de 27 de junho de 1904. Allegações e documentos offerecidos por parte da Companhia pelo seu advogado... Lisboa, [s.n. - Officinas Typographica e de Encadernação, movidas a vapor, da Parceria A. M. Pereira - Lisboa], 1904. In-4.º (26,5 cm) de 67, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Peça jurídica de Afonso Costa - insigne figura da República - relativa à denominada Questão dos Tabacos.
"No terceiro quartel do século XIX, era esta a principal indústria do país, relativamente ao valor total da produção. Aliás, como reflexo deste facto, as políticas protecionistas sobre a indústria do tabaco continuaram a ser discutidas até 1927. A questão da renovação do monopólio, colocada em 1904, arrastou a queda de dois governos, até que em 1906 foi celebrado um contrato com a Companhia dos Tabacos de Portugal.
Este monopólio foi de novo discutido em 1926, na viragem política do 28 de maio, sendo decidida a reorganização do monopólio, através da fundação de duas empresas que passavam a partilhar a produção e a venda deste produto com a Companhia dos Tabacos de Portugal: eram elas a Companhia Portuguesa de Tabacos e a Tabaqueira."
(Fonte: infopédia)
"A Companhia de Tabacos de Portugal (na qual entravam 70% de capitais estrangeiros, sobretudo franceses) foi constituída em 1891, conseguindo do Estado o monopólio da indústria e do comércio dentro do país. Em 1904, estava o Partido Regenerador no poder, o seu dirigente, Hintze Ribeiro, decide mexer no contrato dos tabacos, cujo monopólio é, então, detido pelo conde Henry de Burnay. O ministro da Fazenda, Teixeira de Sousa, demite-se. Os progressistas fazem guerra ao Governo, que é forçado a demitir-se, em Outubro desse ano. A rotação partidária leva Luciano de Castro a primeiro-ministro em 1905. Este novo Executivo acabará por renovar o contrato de concessão a Burnay, em 1906, por mais vinte anos. Desgastado por esta e por outras questões, este novo Governo cai, ainda nesse ano. Os protestos contra o contrato dos tabacos serão acompanhados por "vivas" à República."
(Fonte: https://expresso.pt/dossies/dossiest_actualidade/dos_regicidio/glossario=f232164)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
25€

28 maio, 2020

COSTA, Affonso - DISCURSOS PROFERIDOS NAS SESSÕES DE 13 E 19 DE MAIO DE 1908 NA CAMARA DOS DEPUTADOS. Attittude do partido republicano perante o novo reinado e Necessidade da extincção do juízo de instrucção criminal. (Publicação inteiramente conforme com a do Diario Official). Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & C.ta, 1908. In-8.º (22,5 cm) de 88 p. ; B.
1.ª edição.
"O partido republicano, que tenho a honra de representar nesta Camara, não esquece que estamos ainda em monarchia, e por isso não commette a ingenuidade de pedir aos monarchicos que façam a republica. [...] Á monarchia, ao novo reinado e ao governo que o representa, nós só exigimos e reclamamos, como é nosso impreterivel direito e dever, que governem patriotica, economica e liberalmente. E se o fizerem, não abateremos bandeiras, visto ser a republica preferivel, theorica e praticamente: theoricamente, porque se harmoniza com a razão e com a sciencia; praticamente, porque, em todo o caso, só sob ella se realizará o verdadeiro regimen patriotico, economico e liberal, que convem á nação portugueza."
(Excerto de Attittude do partido republicano perante o novo reinado)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Texto sublinhado a lápis.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 maio, 2020

AGUIAR, Armando d' - A DITADURA E OS POLÍTICOS. Lisboa, Editorial Hércules, 1932. In-8.º (18,5 cm) de 173, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante documento sobre a Ditadura Militar. Conjunto de entrevistas ao autor por algumas das personagens mais relevantes da cena políticas e militar da época.
"O Consulado Militar que derrubou a Constituição em Maio de 1926, não nasceu como muitos querem no período de agitação social que teve a sua origem no quadriénio dantesco, que, de 1914 a 1918 enlutou tôda a Europa. [...]
Não quiz ao escrever o meu primeiro livro, apresentar-me em público, perante o Pretorio que há-de condenar-me ou absolver-me, guiado pela mão dum «consagrado», dum príncipe da Literatura, dum rei da Política. Venho só. Minto. acompanham-me algumas das mais representativas figuras do xadrês político português, que se deixaram interrogar pela minha insatisfeita curiosidade de jornalista.
A Ditadura, fórmula política com aqual tenho muitas vezes estado em desacôrdo, interessou-me.
E em sua volta realizei um inquérito, no qual depôem indivíduos desde os mais avançados aos mais conservadores... Inimigos e amigos...
A «Ditadura e os Políticos» é um cartaz luminoso, uma «féerie» de nomes ilustres, que falam sôbre o Consulado Militar, que o atacam e o defendem, que exaltam as suas obras e condenam os seus êrros."
(Excerto da introdução)
Personalidades entrevistadas:
Gomes da Costa. | Domingos Pereira. | Tamagnini Barbosa. | Afonso Costa. | Ramada Curto. | Cunha Leal. | Manuel Maria Coelho. | António Maria de Silva. | D. João d'Almeida. | Vicente de Freitas. | Magalhães Lima.
Nota do autor:
- A entrevista de D. João d'Almeida foi-me concedida pelo ilustre fidalgo português dois mêses antes do falecimento do Sr. D. Manuel de Bragança.
- O Sr. Dr. Magalhães Lima, deu-me esta entrevista, quatro mêses antes de falecer. São as últimas afirmações políticas do famoso republicano tornadas públicas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

11 maio, 2020

ALMEIDA, Antonio José d’ – UMA PENDENCIA CELEBRE. 2.º milheiro. Lisboa, Livraria Ventura Abrantes, 1914. In-8.º (22 cm) de 31, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Processo da exigência de retratação ou reparação pelas armas de Afonso Costa a António José de Almeida, director de O Século, após publicação de um artigo de Alfredo Pimenta nesse jornal. O duelo não chegou a realizar-se.
Contém:
O artigo de Alfredo Pimenta que despoletou a pendência intitulado «O Partido dos Encandalos».
Documentos das actas do desafio de Afonso Costa a António José de Almeida.
Explicação de António José de Almeida relativa a este caso com o título «Por minha honra!».
A justificação do artigo que deu origem à polémica pelo seu autor - Alfredo Pimenta – intitulado «Eu e o Snr. Affonso Costa».
Documentos relativos ao desafio, para reparação pelas armas, de Afonso Costa aos membros do Grupo Parlamentar Evolucionista.
Acusação final de António José de Almeida a Afonso Costa onde, entre outros epítetos, o qualifica de mau, rancoroso, manhoso e vingativo.
"…Quem aparece envolvido na questão de Ambaca? O partido democrático, gente do partido democrático. Quem aparece envolvido na questão do opio? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão das prescrições de S. Tomé? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão de o Poder Executivo tomar resoluções propositadamente para favorecer certos e determinados indivíduos. O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão da sonegação de documentos da polícia de Lisboa? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na questão de sofismação da venda do prédio Grandela? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido na escandalosa questão das Portas de Rodam? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece envolvido em todas as tramoias eleitorais? O partido democrático, gente do partido democrático.
Quem aparece solidarizado, cúmplice de assassinatos, atentados contra a propriedade, insultos públicos, agressões, violências e desordens? O partido democrático, gente do partido democrático…
Onde houver um escândalo, onde houver uma negociata, onde houver um ponto escuro, onde houver um tumulto, uma arruaça, uma violência – é certo e sabido: há democráticos."
(Excerto do artigo de A. Pimenta)
"Meus queridos amigos e colegas Alvaro de Castro e Alvaro Pope: - Tendo chegado agora ao meu conhecimento o artigo de fundo de hoje do Jornal A República, em que sou gravemente ofendido, peço-lhes a fineza de exigirem do ex.mo sr. Antonio José d’Almeida, director desse jornal, uma completa retratação ou uma reparação pelas armas, para o que lhe confiro os mais plenos poderes, - Saude e fraternidade. – Lisboa, 12 de Junho de 1914, ás 23 horas. – Afonso Costa."
(Carta de Afonso Costa às suas testemunhas)
"Ex.mo sr. dr. Afonso Costa, querido amigo: - Lisboa, 14 de Junho de 1914. – No desempenho da honrosa missão que v. ex.ª nos conferiu… [após recusar bater-se em duelo] afirma o snr. Almeida que assume as responsabilidades do artigo ofensivo em todos os campos, menos no do duelo, por este ser contra os seus compromissos de honra! Mas não é contra os seus princípios, nem contra os seus compromissos de honra, ofender ou consentir que outrem ofenda no jornal de que é director! Ofênde, mas esquiva-se depois á reparação devida e usada entre homens de honra! Ás creaturas que procedem desta forma chamam Croabbon e Chateauvillard: invalides de l’honneur; e não seremos nós quem lhes mude o epiteto. […]  Escusamos de dizer que v. ex.ª deve considerar definitivamente encerrada esta pendencia, visto que á única reparação a que v. ex.ª tinha direito se esquiva o snr. Antonio José de Almeida. Depois do que se passou, fica, a v. ex.ª, e a todos os homens de honra, tomar em qualquer campo responsabilidades áquele senhor. – Saude e fraternidade. – Alvaro de Castro, Alvaro Pope."
(Excerto da carta das testemunhas de Afonso Costa, Álvaro de Castro e Álvaro Pope, ao próprio)
"… Chamam-me medroso, valetudinário da honra? Como eu, portador da verdade viva das minhas convicções, me rio disso, na cara dos que se encontram na virilidade da desvergonha.
Se há alguém que sabe que eu não tenho medo, é o snr. Afonso Costa. É êle, que bem o viu na noite de 4 para 5 de outubro, ó se viu! É êle, quem bem o tem observado, sabendo-me assaltado com cacetes e pistolas, em comícios e manifestações e até em locais onde simplesmente ia tratar de minha vida, por um bando de sicários, que se dizem seus correligionários e que êle tem amparado com o seu silencio benevolo, senão com o seu aplauso recôndito. […] É tempo de terminar. Aí ficam as peças do processo A opinião publica que pronuncie o seu julgamento..."
(Excerto da explicação de A. José de Almeida, «Por minha honra!»)
Encadernação simples em meia de percalina. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. As duas primeiras f. de texto apresentam rasgão à cabeça, sem perda de papel, e sem afectar o texto.
Raro.
20€

28 agosto, 2016

ALBUM AFONSO COSTA. Lisboa, Tipografia Moderna, 1912. In-8.º (22,5cm) de 30, [14] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Album de homenagem a Afonso Costa, concebido e publicado pouco tempo após a revolução de 5 de Outubro, em clima de grande entusiasmo e fervor republicano. Reúne um vasto conjunto de testemunhos de conhecidas figuras republicanas, admiradores do estadista, com "pensamentos e juízos críticos sobre a obra política do valoroso autor da lei da separação das igrejas do Estado."
Ilustrada com três estampas extratexto: o retrato do homenageado, da autoria de Cristiano de Carvalho, e duas fotogravuras do tinteiro artístico concebido por João da Silva, e entregue a Afonso Costa na sessão solene na Sociedade de Geografia em 17 de Setembro de 1911.
"Ilustre cidadão:
A vossa extraordinaria obra politica, tão vasta, tão profunda e tão humana, é o produto d'uma superior organisação mental e revela altissimas qualidades de estadista e de reformador poderoso, ao mesmo tempo que põe em scintilante destaque o patriota ardente, que estremece o seu paiz, para o qual procura um logar entre as nações cultas, livres, dignificadas pelo trabalho e por uma moral sã.
Caracterisadamente democratica, essa obra realisa as mais queridas aspirações do povo revolucionario, que vos tributa um entranhado amor, porque em vós vê o supremo defensor dos bons principios republicanos, em cuja defeza sempre haveis lutado sem entibiamentos nem hesitações. E tem razão o povo: ele vê-vos sempre grande, sempre audaz, sempre nobre e epico nas pugnas em prol dos ideaes para cujo triunfo se fizeram as jornadas de 4 e 5 d'Outubro."
(excerto da mensagem da Comissão Organizadora)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta importantes falhas de papel na margem lateral; a necessitar de restauro.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

24 janeiro, 2013

MARQUES, A. H. de Oliveira - AFONSO COSTA. Lisboa, Editora Arcádia, 1972. In-8º (20,5cm) de 429, [3] p. ; [16] p. il. ; B. Col.  «A Obra e o Homem»
Capa de Manuel Dias.
Ilustrado em extratexto com fotografias a p.b. (16 p.).
1ª edição.
Biografia de Afonso Costa, figura de proa da República.
"Afonso Costa foi, porventura, entre 1910 e 1930, o mais querido e o mais odiado dos Portugueses. O seu nome simbolizou toda uma política, mesmo um regime até. Endeusaram-no como talvez ninguém neste país. Tornou-se um mito, um Messias, depois de ter sido arauto de uma situação e o estadista que, acaso, mais a radicou em sete anos apenas de acção intermitente, mas fecunda." (apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€