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22 setembro, 2025

O CASO TIMEX
. [Lisboa], Sindicato das Indústrias de Ourivesaria, Relojoaria e Correlativos do Sul, [1976]. In-8.º (21x14,5 cm) de 470, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Processo político e sindical pós-25 de Abril que incidiu sobre a Timex, empresa multinacional da área da relojoaria.
"A multinacional Timex instala-se em 1970 no Monte de Caparica, Almada, com uma sofisticada linha de produção de relógios mecânicos de pulso. O pessoal é maioritariamente feminino. A importância da unidade industrial para o país reside nas empresas que se formam à sua volta, e que fornecem, entre outros, instrumentos de precisão como nunca antes se tinham fabricado em Portugal. [...]
Dá-se o 25 de Abril de 1974 e a Timex tem de enfrentar um aguerrido Sindicato de Ourivesaria, Relojoaria e Correlativos do Sul, que estava politicamente nas mãos da extrema-esquerda maoista. Os cerca de cinco mil associados deste sindicato coordenam uma luta interna dos trabalhadores da multinacional, dando origem ao chamado “Caso Timex”, que até deu direito à publicação de um livro."
(Fonte: https://estacaochronographica.blogspot.com/2025/06/coisas-do-ephemera-os-relogios-timex.html)
Livro ilustrado no texto com desenhos, tabelas e quadros estatísticos.
"A TMX Portugal, Lda., empresa multinacional, que tem por objecto a produção de relógios em grande escala e a baixo preço, é um caso típico de uma unidade de produção que operando em vários países, explora a força de trabalho dos que nela se empregam, aproveitando-se do desequilíbrio económico das nações e implantando-se em regiões do globo que melhor a sirvam. [...]
Foi esta empresa, entre milhares de outras, que acabou, logo após o 25 de Abril de 1974 por ganhar, em diversos períodos, as boas graças das caixas altas dos jornais, não em atenção aos relógios, mas em resultado de um processo que simplesmente se poderá traduzir por luta de classes.
A última, mas provavelmente ainda não a derradeira dessa caixa jornalística, permaneceu de meados de Dezembro de 1975 a finais de Abril de 1976.
Do ponto de vista da experiência desenvolvida, analisada na perspectiva daqueles que apenas têm para vender a sua própria força de trabalho, o «caso Timex» é fértil, qualquer que seja a perspectiva do observador.
Seria portanto grave negligência não o dar a conhecer publicamente, através da análise dos seus aspectos mais significativos."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

13 outubro, 2024

SERPA, Eduardo -
EM PORTUGAL: SINDICATOS E SUBVERSÃO. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Gráfica Almondina - T. Novas], 1972. In-4.º (In-4.º (23x15,5 cm) de 29, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso folheto, retrata o clima complexo que se vivia no princípio dos anos 70 em Portugal, envolvendo os principais sindicatos do país - "infiltrados" por comunistas - e o poder instituído.
"A derrocada das instituições corporativas, desde há muito moribundas, ocorrida com a implantação do liberalismo em Portugal, veio dar origem, tal como sucedera nos restantes países da Europa, a uma situação em que o trabalhador se viu indefeso perante um patronato, constituído em grande parte por elementos desprovidos dum mínimo de formação moral, para quem apenas contava obter os lucros mais vultuosos possíveis, mesmo que para isso fosse necessário pagar aos trabalhadores salários incapazes de lhes assegurar um nível de vida compatível com a dignidade humana."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado. Pequeno orifício no canto inferior esquerdo.
Invulgar.
10€

19 junho, 2024

COUVANEIRO, João Luís Serrenho Frazão - O PENSAMENTO SOCIAL E POLÍTICO DE ANTÓNIO PEDRO LOPES DE MENDONÇA. Dissertação de Mestrado em História Contemporânea apresenta à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sob a orientação do Professor Doutor Sérgio Campos Matos. Lisboa, [s.n. - Colibri - Soc. de Artes Gráficas, Lda. - Lisboa], 2002. In-fólio (30x21 cm) de [8], 180, [1] f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Trabalho académico. Importante subsídio - histórico e biográfico - para o tema do liberalismo, e o despertar do movimento operário português.
Ilustrado com um retrato do biografado em página inteira.
"O pensamento social e político de António Pedro Lopes de Mendonça de João Luís Serrenho Frazão Couvaneiro é um estudo sobre uma figura bem representativa da vida política, social e cultural portuguesa, do tempo do nosso primeiro Liberalismo (1826-1865).
Victor de Sá já a ela se referira em diversos passos da sua obra, em particular ao seu papel com Sousa Brandão na Fundação do Eco dos Operários, o primeiro Jornal Socialista Português.
Jornalista, folhetinista, romancista e crítico literário, divulgador em Portugal do ideário socialista de Fourrier, Blanc, Proudon, das ideias e correntes estéticas e literárias de V. Hugo, Dumas e Balzac, esta monografia salienta também o papel de Lopes de Mendonça na vida política e parlamentar portuguesa e em particular o seu pensamento político e social que o aproxima de um fundo de cultura e pensamento comum às figuras de proa do pensamento liberal do seu tempo, com alguns dos quais polemizou, a saber, com A. Herculano e H. Nogueira, a propósito de temas e debates então correntes acerca da Centralização, da Descentralização, do Municipalismo, entre outros temas."
(Capela, José V. in Prémio História Contemporânea (12.a edição). Apresentação das obras concorrentes e da vencedora)
"A instauração do liberalismo em Portugal é indissociável da conjuntura europeia da primeira metade de Oitocentos, ligando-se de forma directa às invasões francesas e, em função destas, ao apoio interessado da Inglaterra, aparentemente mais empenhada em assegurar uma relação de privilégio com a rica colónia brasileira, do que em salvaguardar os interesses da metrópole. Destes contactos resultou a inoculação em solo luso dos princípios liberais, que iam já contagiando boa parte do continente europeu.
No decurso da primeira metade do século XIX, operou-se em Portugal um conjunto de transformações, que deram origem ao lenta nascimento de um Estado de Direito com a subordinação do Monarca e do Governo a uma legalidade que advinha agora da Nação. A vitória liberal alterou de forma definitiva as estruturas da sociedade portuguesa. O País renovou-se e reinventou-se de acordo com as luzes de uma nova cultura política. Estas transformações, operadas não sem hesitações e compassadas com ritmos desiguais, consolidaram-se em 1851 com o pronunciamento regenerador, que para além de promover a reestruturação das elites políticas, foi marcado pelo início visível da organização do movimento operário."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

15 janeiro, 2024

KROPOTKINE, Pedro -
O ESPIRITO REVOLUCIONARIO.
Traducção de José Bacellar. Bibliotheca da Geração Nova. Lisboa, Typographia do Commercio, 1906. In-8.º (18,5 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Folheto do russo Piotr Kropotkin (1842-1921), ideólogo do movimento anarquista mundial, exemplo da literatura revolucionária da época a que importantes franjas do operariado e intelectualidade nacional não foram indiferentes.
São muito raros e curiosos estes opúsculos doutrinários, distribuídos semi-clandestinamente. A BNP não menciona.
"Para além de um crescente número de jornais, em pouco tempo os anarquistas criaram um conjunto de pequenas editoras (bibliotecas) sobre temas dia ideário acrata. Era um trabalho articulado com o movimento anarquista internacional. [...]
A lei de 13 de Fevereiro de 1896 impediu o crescimento destas bibliotecas, mas não a edição de obras que passaram a ter os mais variados editores. [...]
Em 1906, a Biblioteca Geração Nova, edita O Espírito Revolucionário, Kropotkine."
(Fonte: Fontes, Carlos - Anarquismo em Portugal (1796-2022), 2022)
"Apresentam-se epochas, na vida das sociedades, em que a Revolução se torna uma necessidade imperiosa e se impõe d'um modo absoluto. Novas ideias, por toda a parte apostolisadas, tratam de sahir á luz, de procurar uma applicação na vida, no que são constantemente impedidas pela força retroactiva dos que teem todo o interesse na manutenção do antigo regimen: afogam-se na atmosphera suffocante dos velhos prejuizos e das tradições. As ideias recebidas sobre a constituição dos Estados, sobre as leis de equilibrio social, sobre as relações politicas e economicas dos cidadãos entre si não resistem já á critica severa que as alveja constantemente tanto no salão como na taberna, tanto nas obras do philosopho como na conversação diaria."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos cortes marginais. No interior, algumas páginas apresentam rasgões (sem perda de suporte).
Raro.
Com interesse histórico.
10€

13 novembro, 2023

GONÇALVES, Fausto da Silva - AO CAIXEIRO INDIFERENTE. Beja, Tipografia Porvir, 1917. In-8.º (16,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história do anarco-sindicalismo em Portugal.
Trata-se de um folheto de doutrina sindical publicado em época de acentuada degradação das condições de vida da população, de confronto entre o operariado e o patronato, quando o movimento sindicalista dava os primeiros passos entre nós. Este ano - 1917 - foi também o ano em que o primeiro contingente do C.E.P. embarcou para a Flandres, parte do esforço de guerra português no conflito mundial, mais agravando a situação.
Não se conhece qualquer publicação em nome de Fausto Gonçalves, incluindo na Biblioteca Nacional, que não possui nada em seu nome.
"Já pensaste no que aconteceria se as tuas Associações morressem?
Talvez não tenhas pensado. Felismente o destino nunca dará realidade a tal hipotese, mas, se algum dia a desse... veriamos, nesse dia, como tu te queixarias de tal desastre, filho da tua atitude egoista e do teu mau procedimento.
Queres mudar de rumo?
Queres? Então vem comnosco! Vem, porque melhorarás bem depressa a tua negtra situação.
Estás ainda a tempo e a organisação da classe no momento actual é uma necessidade imperiosa.
Cremos que de boa vontade colaborarás na obra de conjugação de esforços e energias.
Em pleno seculo XX não se pode de forma alguma ficar silencioso em face do procedimento da maior parte dos comerciantes, retrogados aos nossos direitos, que venham aniquilar uma causa justa como é a nossa e impedir o caminho da civilisação, do nosso bem estar e do progresso.
Bastará ver o que se passa em Lisboa e no Porto, onde constantemente se movimenta o patronato, exercendo as maiores represálias e as maiores infamias contra as nossas regalias.
Bastará ver o mesquinho salário que recebes ao fum dum determinado numero de dias em troca dum trabalho extenuante, forçado, e muitas vezes prejudicial á tua saude.
Bastará ver o que se passa pelas cidades, vilas e aldeias, onde caixeiros ha, que não auferem descanço semanal e regulamentação de horas de trabalho.
Bastará ver o que se passa, finalmente, por todas as terras do paiz, onde o patronato explora vil e tiranamente o pobre marçano, nosso companheiro de trabalho, que em nenhum caso e sob nenhum pretexto, poderá deixar de lhe ser concedido o descanço semanal.
Por consequencia, não demonstres mais o desinteresse pelas tuas Associações. Elas teem sido zelosas e teem-se sacrificado até ao ultimo ponto em teu proveito e para o teu bem estar social.
Quanto maior numero de associados a Associação tiver, tanto mais forte, mais vigorosa e mais vital ela se torna."
(Excerto de Por mau caminho...)
Índice:
Por mau caminho... | Trabalhador (Da brochura editada pela «Federação Geral do Trabalho de França») | Despertai!
Fausto da Silva Gonçalves (1899-1977)."Nascido em Tomar, no ano de 1899, filho mais velho de um abastado industrial e comerciante de calçado, José Gonçalo, sai de casa aos 17 anos, sem completar os estudos liceais. Dado a convívios e leituras de cariz revolucionário, entrou, muito novo, em forte litígio com o ambiente familiar muito conservador, mesmo provavelmente reaccionário, gerado por seu pai. O Congresso Operário Nacional, realizado em 1914 na sua cidade natal, desperta a sua consciência de adolescente, já solidária com as classes trabalhadoras. Começa a escrever. Lê toda a literatura que lhe passa ao alcance. Lateralmente, diverte-se a jogar futebol e é um dos fundadores do União de Tomar, que se vem a tornar um importante clube de província.
Sai da casa paterna para uma situação problemática. Encontra trabalho no Comércio em Torres Vedras, mais tarde em Beja, até se fixar em Lisboa. Abraça por inteiro o Jornalismo e a luta política. Fausto Gonçalves torna-se companheiro de Alexandre Vieira, Manuel Joaquim de Sousa, Mário Araújo, Cristiano Lima e Mário Castelhano, figuras grandes do Anarco-Sindicalismo, ideologia que respeita mas onde encontra incapacidades de afirmação para o futuro da luta dos trabalhadores. Escreve em “A Batalha”, órgão da Confederação Geral do Trabalho - que vem a tornar-se o 2º ou 3º diário português em tiragem, tendo colaboradores como Ferreira de Castro e Julião Quintinha.
Em 1917, a Revolução Russa leva-o à adesão às ideias bolcheviques e a integrar o grupo dos fundadores da Federação Maximalista Portuguesa, que surge em 1919 e vai anteceder a criação do Partido Comunista Português, ao qual pertence desde a primeira hora, estando assinalado como seu membro em toda a vigência da 1ª República. Colabora em “A Bandeira Vermelha”, dirigido por Manuel Ribeiro, além de jornalista, escritor de assinalar. Este é preso em 1920, mas quando sai da prisão assume um comportamento político diferente do que apresentava e torna-se um católico conservador."
(Fonte: https://www.tribunaalentejo.pt/artigos/120-anos-do-nascimento-de-fausto-goncalves-celebrados-na-casa-do-alentejo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Interior correcto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

14 agosto, 2023

BRIAND, Arístide - A GREVE GERAL. (Discurso na integra, pronunciádo no Congresso Geral do Partido Socialista Francez em 1899). [Por]... (Ex-presidente do Conselho de Ministros da Republica Franceza). Tradução de Armando Costa. Biblioteca de Propaganda Social - N.º 6. Lisboa, Empreza Editora Popular, [19--]. In-8.º (17 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Capa - belíssima - assinada Fonseca.
Importante peça de propaganda republicana editada nos alvores do século XX, dos primeiros que sobre este assunto se publicaram entre nós. Precede o discurso um apontamento biográfico de Briand pelo tradutor.
Obra rara e muito interessante, com interesse histórico; a BNP não menciona.
"Companheiros:
A Greve Geral é uma concepção a que muito particularmente tenho dedicado os meus esforços de propaganda, e felicito-me por tê-la feito adoptar pelo primeiro Congresso corporativo a que foi submetida. Estes antecedentes impoem-me, de certa maneira, um dever de paternidade que me proponho cumprir sem interrupções. Em troca, - prometo-vos - vou diligenciar nada dizer que possa molestar, levemente que seja, nenhuma das opiniões em que se divide esta Assembleia. [...]
Ontem pedi que este assunto da Greve Geral fosse tratada á parte, porque entendo que merece a honra de uma discussão particular: primeiro porque é verdadeiramente interessante por si mesmo; e finalmente, porque o Congresso do Partido Socialista terá, assim, ocasião de assignalar a sua deferencia aos Congressos das organizações sindicais realisadas em Marselha, Nantes, Limoges e Rennes, que se pronunciaram afirmativamente sobre o mesmo assunto. É notavel, para mim, que, sob a influencia de perocupações politicas, alguns dos nossos companheiros, os melhores e os mais escutados, com um acentuado e imerecido desdem, achem necessario afastar a concepção da Greve Geral.
De duas uma: ou os Congressos operarios teem razão ao adoptar esta tática, ou não a têem. De qualquer maneira, é absolutamente necessario que os partidarios da Greve Geral venham dizer as razões porque a têem aconselhado, e que os seus adversarios, igualmente, digam porque a desprezam; o Congresso resolverá. Se a Greve Geral é, de facto, julgada uma arma perigosa, é urgente, indispensavel mesmo, que o proletariado seja informado, para que abandone, quanto antes, o caminho que, a meu conselho e de alguns dos meus amigos, vem percorrendo.
Por mim, continúo a achá-la boa e fecunda, tenho a coragem de o declarar, e tenho esperança que todo o Partido Socialista entrará nela com o proletariado."
(Excerto do Discurso)
Índice:
Aristid Briand. - A gréve geral é uma necessidade porque é uma consequencia da evolução economica. | O objectivo da organisação sindical. - O ponto de vista politico e revolucionario. - A revolução e a gréve geral não se decretam, nem para ellas se vai sem preparação. - A revolução é o resultado da evolução. - A violencia. - É-se revolucionario, não por afeição á violencia, mas por necessidade, por fatalidade e até por destino. - Conclusão.
Aristide Briand (1862-1932). "Estadista francês nascido em 1862, em Nantes, e falecido em 1932, em Paris. Fundador do jornal socialista L'Humanité (1902) foi ainda um dos fundadores do partido Socialista Francês. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1926, que partilhou com o chanceler e ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Gustav Stresemann, pelo seu esforço na cooperação internacional, dentro da Sociedade das Nações. Partidário de uma política de reconciliação com a Alemanha, desempenhou um papel importante no Pacto de Paz de Locarno (1925) e foi o mentor do Pacto Kellog-Briand (1928). Briand defendia a formação dos Estados Unidos da Europa."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos efeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
Indisponível

06 novembro, 2022

RIBEIRO, Manuel - NA LINHA DE FOGO.
Crónicas subversivas
. Lisboa, Empreza Editora Popular, [1919]. In-8.º (20,5 cm) de 118, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Livro de crónicas e reflexões de pendor subversivo da autoria do à época anarco-sindicalista Manuel Ribeiro, sendo esta uma das invulgares e interessantes obras do autor.
"Porque tu foste um heroi, um autêntico heroi sacrificando o futuro e a vida pelo ideal, não posso compreender como uma tão ardente fé cristalize na insensibilidade morta dum dogma; não posso admitir que fiques abraçado a um êrro dispersando esterilmente e improdutivamente o teu rico capital de energias.
Que tu fôsses republicano até o cindo de outubro vá; mas é lá possível que ames hoje a república como a amavas dantes? Tu bateste-te por ela com enternecimento e com entusiasmo, como te baterias por uma mulher. Que era para ti a república? Evidentemente - uma paixão. Tu rugias quando a Ordem te maltratava a república nas pessoas sagradas dos seus caudilhos, e o que te levou à Rotunda, hasde concordar, não foi o programa do partido republicano - conhecêste-lo tu mesmo? - o que te levou lá foi a ânsia de desagravares uma amante dos ultrajes dum bêbado. O programa do partido! Bem te importaste com êle! [...]
Porque não vens até nós?
Aqui não há chefes, há camaradas. O nosso partido é o da fraternidade, o nosso programa a solidariedade. Alistâmo-nos na legião do trabalho. És poeta? Aqui sentirás a vida intensa, fonte de toda a inspiração. és filósofo? Vem aqui reflectir e sentirás germinar o embrião do mundo novo. Só aqui poderás harmonizar as tuas idéas com os teus átos. Só aqui poderás ser profundamente e coerentemente - um homem."
(Excerto de A um heroi da Rotunda)
Indice:
A um heroi da Rotunda. | Estrelas cadentes (Tomaz da Fonseca). | A propósito dum hino. | Anarquistas e Sindicalistas. | Cezarismo à vista. | Um detractor do Sindicalismo. | O julgamento de Buizel. | O caso do chegador Faria (O direito de matar). | A Voz do Operario e o Ensino. | Acção directa. | As cadernetas. | A politica do operariado. | Acção. | A orientação dos Sindicatos. | Fernando Pelloutier. | O Sindicalismo italiano. | A lei das Associações. | A Associação. | Uma renascença literária. | Socialista e anarquista. | Uma conferência.
Manuel Ribeiro (1878-1941). "Manuel Ribeiro (1878-1941), natural de Albernoa, freguesia de Beja, foi um dos mais destacados militantes anarco-sindicalistas da primeira República. Com pouco mais de vinte anos veio para Lisboa, dedicando-se à tradução e ao jornalismo. É também o momento em que inicia uma obra literária, que anos mais tarde dele fará um dos mais lidos escritores do tempo. Como tradutor, verteu para o português obras de Gorki, Tolstoi, Kropotkine e Paul Elzbacher. A ligação militante ao anarquismo operário data de 1908, mas a primeira colaboração com a imprensa libertária é de 1909. Entre 1912 e 1914 é um dos mais assíduos colaboradores do semanário O Sindicalista, órgão da corrente operária libertária. Com o fim deste e a fundação de A Batalha, Manuel Ribeiro transfere para este diário a sua colaboração, que mantém até Março de 1921.
A revolução russa de 1917 dividiu o movimento operário mundial e Manuel Ribeiro, vendo nos sovietes um equivalente do sindicalismo revolucionário, toma partido pelo bolchevismo, fundando com outros a Federação Maximalista, cujo jornal dirigiu, e o Partido Comunista Português. Mais tarde, em 1926, converteu-se (em privado) ao catolicismo. A conversão não levou porém o autor a alhear-se das antigas preocupações, acabando por se manter dentro da mesma esfera, com a aproximação a sectores católicos socialmente empenhados. Dirigiu nesses anos a revista católica Renascença, fundou uma outra, Era Nova, esta com o padre Joaquim Alves Correia, e publicou um livro de ensaios, Novos Horizontes (1930), em que esclarece a sua separação da fórmula integralista, que por então dominava nos meios católicos."
(Fonte: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=450)
Bonita encadernação meia de pele com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Foi acrescentado ao corpo do livro outro tanto de páginas em branco para "engrossar" o volume.
Invulgar.
30€

12 junho, 2022

ESTATUTOS DO SINDICATO NACIONAL DOS OPERARIOS TANOEIROS E OFICIOS CORRELATIVOS DO DISTRITO DO PORTO.
Aprovados por Alvará de 16 de Abril de 1934 e Regulamento Interno
. Gaia, Tipografia Barbosa, 1934. In-8.º (19 cm) de 18, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Alvará subscrito pelo Sub-Secetário de Estado das Corporações e Previdência Social, Pedro Theotonio Pereira (1902-1972), homem forte do regime (do círculo restrito de Salazar), mais tarde Ministro, Embaixador em Madrid, Washington, etc.
Opúsculo com interesse para a história doa Tanoaria, ofício ancestral entretanto caído em desuso e já desaparecido. O fabrico de pipas de madeira para transporte do Vinho do Porto corresponde à época áurea da profissão, motivo para a instalação no norte do centro da produção dos recipientes, na zona do grande Porto.
"O Sindicato Nacional dos Operarios Tanoeiros e Oficios Correlativos do Distrito do Porto tem a sua séde instalada no Concelho de Vila Nova de Gaia e não poderá ser afastada do principal centro da Vila, que é a freguesia de Sta. Marinha.
O Sindicato tem personalidade jurídica, representa legalmente todos os individuos que exercem as profissões de tanoeiros e mecanicos em madeira para a industria de tanoaria do Distrito do Porto e é da sua competencia elaborar contratos colectivos de trabalho, de harmonia com os direitos conferidos pelo Estatuto do Trabalho Nacional."
(Cap. I - Denominação, séde e fins - Artigo 1/2)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas levemente oxidadas.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

26 maio, 2021

MONTENEGRO, Orlando - A QUESTÃO OPERÁRIA NA PÓVOA DE VARZIM DURANTE A I REPÚBLICA
. Póvoa de Varzim, [s.n. - Imprensa Portuguesa, Porto], 1978. In-4.º (23 cm) de 97, [3] p. ; B.
1.ª edição independente
Importante subsídio para o movimento laboral na Póvoa de Varzim ao longo do período da 1.ª República (1910-1926), com reprodução de documentação vária e notícias da época.
"O estudo do movimento grevista e operário na Póvoa de Varzim durante a 1.ª República está por fazer. Porque se trata de uma matéria de indiscutível interesse, afigurou-se-me vantajoso iniciar pesquisas, nesse sentido, a partir da imprensa local - relativamente numerosa, na época, para uma vila provinciana como era, então, a Póvoa. [...]
Apesar de Portugal estar pouco industrializado, os problemas laborais, que se vinham a fazer sentir no nosso país (como no resto da Europa) desde os últimos anos na monarquia, continuaram a agravar-se tão intensamente com a implantação da República que o Governo provisório decretou, em Dezembro de 1910, o direito à greve. [...]
De Norte a Sul do país, viveu-se com maior ou menor intensidade um clima de certa agitação social com paralisações grevistas frequentes que, por vezes, atingiram proporções graves quer a nível local, quer nacional.
Era, pois, natural que numa vila nortenha como a Póvoa de Varzim, situada a escassas três dezenas de quilómetros do segundo maior centro urbano do país, se repercutisse um tal clima e se vivesse por vezes um ambiente de reivindicações laborais a partir das actividades económicas possuidoras de melhor organização associativa. Sociedade essencialmente piscatória, o burgo poveiro dispunha, como é natural, de profissões diversificadas com efectivos humanos variáveis exigidos pelas necessidades correntes da comunidade. Assim, os problemas operários logo aqui surgiram na sequência do que se passou em diversos ponto do país, também palco de uma movimentação contestatária com sua origem nos mais importantes centros urbanos locais onde a classe operária despertava para uma conquista de direitos que lhes eram na maioria dos casos injustamente negados."
(Excerto da introdução)
Matérias:
[Introdução]. | Apêndice. I . Cronologia dos assuntos noticados. II. Documentos: 1) Entre operários e mestres : Um novo horário; 2) Uma bela festa operária : O 1.º de Maio; 3) Uma questão de horário : Entre operários e mestres : Não há greve! 4) 1.º de Maio : Uma grande festa de confraternização; 5) Movimento associativo : Uma nova associação de classe; 6) Entre alfaiates : A«Patriótica» reclama um novo horário de serviço e melhoria de situação para os alfaiates; 7) A grève dos alfaiates : Por não serem attendidas as suas reclamações abandonam o trabalho os 60 officiaes de alfaiate d'esta villa - Conferencias na administração do concelho que nada adianta - Constitui-se uma cooperativa na associação de classe; 8) A grève dos alfaiates : Uma solução satisfatória; 9) A grève dos alfaiates; 10) Descanço semanal; 11) Descanço semanal : O regulamento; 12) A classe de pedreiros : Teremos gréve? 13) Grève dos pedreiros e canteiros : A intransigência dos mestres parece-nos que vai ocasionar gréve; 14) Tribuna do professor : União : Á minha classe; 15) A gréve dos pedreiros : Na intransigência - As outras classes; 16) A gréve dos pedreiros; 17) Pela higiene : Uma «gréve» : As vendedeiras de fructas procuram furtar-se à medida camararia em que as obriga a ter a fructa resguardada da môsca; 18) A falta de trabalho : Em socorro das classes de construção civil - a Camara resolve fazer obras; 19) 1.º de Maio; 20) Movimento associativo : Na «Edificadora»; 21) Gréve dos gráficos; 22) Propaganda operária : Do construtor civil; Aos gráficos; 23) Confraternização socialista; 24) As greves; 25) As gréves; 26) Reunião magna operária; 27) O dia primeiro de Janeiro; 28) O 1.º de Maio : Saudando; 29) Em Aguçadoura : Funda-se a «A Seareira», associação de seareiros e agricultores daquele populoso logar; 30) Os gráficos; 31) Os operários e a Póvoa! 32) A'lerta operarios! 33) União dos sindicatos operarios; 34) 1.º de Maio; 35) Operarios. Alerta!...; 36) A Questão do Momento : O salario dos operarios; 37) A greve operaria; 38) A greve geral na Póvoa; 39) Ainda a greve; 40) União dos sindicatos; 41) Na linha férrea da Póvoa : Um conflito iminente; 42) Na linha férrea da Póvoa; 43) A greve; 44) A greve dos correios; 45) Na linha ferrea da Povoa : Escandaloso contrato! Pessoal, accionistas e expedidores prejudicados. Pede-se a atenção ou reunião imediata dos accionistas para apreciarem o assunto; 46) A greve dos estudantes; 47) Carestia da vida : Do manifesto da União Operaria Nacional; 48) Operarios de construção civil; 49) A gréve ferro-viária; 50) As greves; 51) A greve telegrafo-postal : Está em vias de solução? A atitude do governo. A povoa em comunicação com o Porto; 52) A gréve dos marceneiros; 53) A gréve dos funcionarios; 54) Á margem da gréve telegrafo-postal; 55) Seguros sociais obrigatorios : Entra amanhã em vigor o seguro por desastres no trabalho; 56) Seguros sociais obrigatorios : Desastres no trabalho; 57) Trabalhemos : As oito horas de trabalho - conflitos; 58) Caminho de ferro da Povoa : Gréve? 59) Não ha gréve do caminho de ferro; 60) Gréves; 61) Movimento da Praia : Resultados funestos da gréve; 62) As greves : Ao lado do Governo; 63) Descanço dominical; 64) Uma grève; 65) Reclamações operarias : Caminho a seguir : As classes trabalhadoras locais pretendem 6 escudos diarios e o cumprimento da lei das 8 horas; 66) Gréve na Povoa; 67) Emigração.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo manchadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

20 abril, 2017

MACHADO, Herlander Alves - DESPEDIMENTO SEM INDEMNIZAÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE UM TRABALHADOR DO BANCO NACIONAL ULTRAMARINO EM 27.11.74 COM 25 ANOS DE SERVIÇO. Documentos. [S.l.], [Edição do Autor - imp nas Oficinas Gráficas Manuel A. Pacheco, Lda., Lisboa], [1974]. In-4.º (23cm) de 74, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Processo contra o autor - funcionário superior do B.N.U. durante 25 anos - que culminaria com o seu despedimento/saneamento sem qualquer compensação ou indemnização. Importante peça jurídica para a compreensão das relações laborais durante o período conturbado que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.
Herlander Alves Machado (n. 1927). Ingressou nos quadros do pessoal do Banco Nacional Ultramarino em 1 de Agosto de 1949. Licenciou-se em Letras (História e Filosofia) em 1955, completando em seguida o Curso de Ciências Pedagógicas de 1959. Foi professor do Ensino Técnico Oficial durante 12 anos.
Trabalhou, desde 1949, na Contabilidade, no Contencioso, na Inspecção do Continente e Ilhas, no Serviço de Estudos Económicos, na Secretaria Geral e no Serviço de Pessoal (onde permaneceu desde 8-1-68 até 7-6-74, apesar de ter formulado sucessivos pedidos para ser transferido para outras funções). Tendo obtido aprovação em todos os concursos internos, percorreu a escala hierárquica estabelecida até atingir o posto de Director de Serviços.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente manchadas por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

03 dezembro, 2012

OLIVEIRA, César - A REVOLUÇÃO RUSSA NA IMPRENSA PORTUGUESA DA ÉPOCA. Lisboa, Daibril, 1976. In-8º (18,5cm) de 171, [5] p. ; il. ; B.
1ª edição.
Contém gráficos e mapas de Portugal relativos aos periódicos vs. analfabetização da população desde o final do século XIX até 1930.
Matérias:
- Imprensa operária no Portugal oitocentista: de 1825 a 1905.
- Os limites e a ambiguidade: o movimento operário português durante a guerra de 1914-18.
- A revolução russa na imprensa portuguesa da época.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

15 julho, 2012

VIEIRA, Alexandre – SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO MOVIMENTO SINDICALISTA EM PORTUGAL (De 1908 a 1919). Lisboa, Edições Base, 1977. In-8º (18cm) de 70, [2] p. ; B. História do Movimento Operário : Colecção/ Textos Sindicais
“Estes «Subsídios para a História do Movimento Sindicalista», que Alexandre Vieira nos legou, foram escritos em 1925 e publicados no Almanaque de «A Batalha», de onde os reproduzimos.” (excerto da introdução)
Alexandre Vieira foi militante sindicalista. Em Lisboa fundou em 1908 o jornal a Greve juntamente com outros companheiros tipógrafos que o imprimiam e vendiam, chegando para o efeito a inscrever-se como vendedor ambulante de jornais, cautelas e lotarias autorizadas. Mais tarde dirigiu o Jornal "A Batalha" e foi Secretário Geral da União Operária Nacional a primeira central sindical de Portugal. Foi preso várias vezes durante os regimes monárquico e republicano. Mais tarde foi forçado ao exílio pela ditadura do Estado Novo. Escreveu na imprensa operária. Deixou alguns livros publicados. Data de 1950, a edição do seu primeiro livro intitulado «Em Volta da Minha Profissão: Subsídios para a História do Movimento Operário no Portugal Continental». As artes gráficas, a revisão tipográfica e a história e factos do movimento operário constituem a temática central das suas obras. «Subsídios para a História do Movimento Sindicalista em Portugal: de 1908 a 1919» foi publicada postumamente, em 1977.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Com interesse histórico.
10€

27 dezembro, 2010

CASTANHEIRA, José Pedro - OS SINDICATOS E O SALAZARISMO : A HISTÓRIA DOS BANCÁRIOS DO SUL E ILHAS 1910/1969. Lisboa, Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, 1983. In-8º 442 p. ; il. ; B.
1ª edição, numerada e rubricada pelo autor.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Falha de papel na parte superior da lombada.

Invulgar.
Com interesse histórico. 
15€