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22 janeiro, 2023

VASCONCELLOS, J. A. C. de - A COLONISAÇÃO DO ALEMTEJO
. Exposição das verdadeiras causas da falta de população e do atrazo da agricultura n'esta provincia, e das medidas que melhor podem remediar o seu deploravel estado prezente. Por...
Elvas, Typographia Elvense de Samuel F. Baptista, 1884. In-4.º (23 cm) de 51, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio oitocentista sobre as causas do abandono da província do Alentejo, e as medidas propostas pelo autor para obviar à sua desertificação.
"Julgo, que na situação do paiz, cada dia mais embaraçosa pelo desiquilibrio commercial entre as suas importações e exportações, e pelas sempre crescentes necessidades de fisco, de que demasiado se ressente já a economia domestica com a desproporção entre o custo de vida e os interesse amesquinhados por taes causas, não nos pôde ser indifferente a grande massa dos varios productos que o quasi inculto Alemtejo é susceptivel de produzir.
Firme, pois, n'estas idéas, julgo do meu dever de publicamente as communicar, para, se nas altas regiões do poder não houver ouvidos que se dignem escutar uma reclamação, talvez considerada inoportuna ou importuna por estar fóra da orbitra da politica, seja o clamor da opinião publica que se faça attender; finalisando eu por recommendar muita attenção para o que digo da agricultura em geral, e em especial para as breves reflexões que faço sobre a viticultura; o que muito poderá interessar os lavradores e os negociantes que se preoccupam com o progresso nas molestias nas vinhas."
(Excerto da introdução - Advertencia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e agrícola.
35€

16 julho, 2022

DOCUMENTOS RELATIVOS ÁS OBRAS TOPOGRAFICAS DO SNR. JOSÉ JAMES FORRESTER SOBRE O PAIZ VINHATEIRO DO ALTO-DOURO E O RIO DOURO, mandados publicar, PELA EXM.ª CAMARA MUNICIPAL DA INVICTA CIDADE DO PORTO. Em sessão extraordinaria em 8 d'Abril de 1848. [Porto], Typographia Commercial Portuense, 1848. In-8.º (21,5 cm) de [6], 11, 3 p. ; B.
1.ª edição.
Opúculo com interesse para a história do Douro vinhateiro. Processo político relativo à publicação do mapa Paiz Vinhateiro - trabalho topográfico meritório, avançado para a época, da autoria do proprietário/produtor vinícola, e súbdito inglês estabelecido no Porto, James Forrester (1809-1861).
"Quando Joseph James Forrester chegou a Portugal, em 1831, tudo levava a prever que a sua permanência no país seria efémera. De facto, na conjuntura política e económica da época (apogeu do terror Miguelista, guerra civil, crise no sector do vinho do Porto, etc.) o futuro não se apresentava auspicioso para um jovem de 22 anos que vinha trabalhar para uma casa exportadora do Porto - a Offley, Webber & Forrester - que, tal como muitas outras envolvidas no negócio do vinho do Porto, atravessa então tempos difíceis. Porém, para o jovem idealista que ele era, o pulsar político que percorria o país e tinha no Porto, reduto liberal por excelência, o seu epicentro não poderá ter deixado de se afigurar fascinante e de lhe incutir o desejo de participar activamente no "processo revolucionário em curso". Também a crise que afectava o sector a que se vinha associar deverá ter funcionado como um estimulo para alguém que, como ele, ao longo de toda a vida mostrou ter um espírito combativo e não "baixar os braços" perante qualquer desafio.
Tanto ou mais determinante terá sido, no entanto, a atracção que, desde logo, terão exercido sobre o artista, que ele também era, quer a cidade do Porto, quer, sobretudo, o rio que nela desaguava - o Douro - e a região duriense. Daí que de imediato (ainda em 1831) tenha encetado o trabalho pioneiro de cartografar o rio Douro e o país vinhateiro do Alto Douro, cuja execução o ocuparia por vários anos e iria intercalando com desenhos, pinturas e fotografias de cenas e paisagens portuenses - a Rua Nova dos Ingleses, a feira da Cordoaria, o Porto visto de vários ângulos, o Freixo, a Igreja de S. Nicolau, os conventos da Serra e de Santo António, o Castelo da Figueira, etc. - e de personalidades da vida política e social nacional e local (marquês de Saldanha, José da Silva Passos, Félix Manuel Borges Pinto, Emanuel de Clamouse Browne, etc.). Seria, aliás, por esta sua vertente artística que seria agraciado, em 1855, com o título de barão de Forrester em reconhecimento pela "transcendente utilidade para este pais" da sua obra cartográfica - Carta Geológica das margens do rio Douro, Carta topographica do curso do rio Douro e Mappa do Paiz Vinhateiro do Alto Douro -, «um trabalho primoroso e perfeitamente acabado, rico pela abundância de informação original, (e) pela exactidão e beleza de execução».
"
(
Martins, Conceição Andrade - Forrester, o "país vinhateiro" e o retorno ao velho método de fazer vinho do Porto, ICSUL, 2008)
"Tendo chegado ao conhecimento da Camara Municipal desta Invicta Cidade do Porto, que V. S.ª emprehendêra varias obras relativas ao Rio Douro, e melhoramento de sua navegação, as quaes se achão em grande adiantamento, principalmente um mappa do paiz vinhateiro, - tendo para tão nobres fins feito grandes sacrificios, tanto de seu tempo, como de cabedaes, não e tendo poupado a cousa alguma para que tal mappa seja o mais perfeito possivel, e contenha uma minuciosa descripção de tudo quanto ha naquelle paiz de notavel, além de muitas e diversas exposições instructivas e scientificas em que V. S.ª patentea o seu abalizado talento, transcendente engenho, e o appreço que faz da nossa patria: - Resolveu, em Sessão de 7 do corrente, a mesma Camara, a que tenho a honra de presidir, [...] roga[r] instantemente a V. S.ª que não desista de levar ao cabo tão gloriosa empreza, fazendo publicos seus trabalhos, a que disveladamente se tem dedicado; e se necessario é, a Camara protesta prestar a V. S.ª toda a coadjuvação que estiver ao seu alcance, para se conseguir o desejado fim."
(Excerto de Ao cidadão britannico... por Antonio Vieira de Magalhães, Presidente da CMP)
Matérias:
Ao cidadão britannico, O Snr. Joze James Forrester. | Extracto da acta [da CMP]. | Primeira resposta dada á illustrissima Camara Municipal pelo Snr. Forrester. | Segunda resposta dada á illustrissima Camara. | Ao Sr. Joze James Forrester - Antonio Vieira de Magalhães. | A municipalidade do Porto sobre o Mappa do Rio Douro. | Representação á Camara do Snrs. Deputados da Nação Portugueza, pedindo garantia de propriedade das Plantas do Paiz Vinhateiro, a favor do Cidadão Britanico José James Forrester. | Acta da Vereação extraordinaria da Exm.ª Camara Municipal, para apresentação dos trabalhos topographicos, do cidadão Britannico José James Forrester, sobre o Rio Douro.
Joseph James Forrester (Kingston upon Hull, Inglaterra, 1809 - Cachão da Valeira, São João da Pesqueira, 1861). Foi um empresário inglês radicado em Portugal. James Forrester foi o primeiro barão de Forrester, título que lhe foi concedido por D. Fernando II, em 1855, na condição de regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Em 1831 Joseph juntou-se à empresa vinícola de um tio seu no Porto, e iniciou uma reforma no comércio de vinhos. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Também estudou o oídio da vinha causado pelo Oidium tuckeri, desenhou notáveis mapas do vale do Douro (Mapa do Rio Douro). Por este trabalho, foi-lhe concedido o título de Barão, por D. Fernando II, em 1855, regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Pintou várias aguarelas, e foi autor de O Douro Português e País Adjacente (1848) e de Prize Essay on Portugal and its Capabilities (1859), pela qual recebeu uma medalha de ouro.
Em 1861, o barco de Forrester virou-se no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 setembro, 2021

MATOS, Mendes de - A FAVOR DO VINHO MAS CONTRA A EMBRIAGUÊS.
As tabernas tambem precisam descansar
. Guarda, Comp. e impresso na Tip. «Véritas» Filial da «União Gráfica» de Lisboa, 1948. In-8.º (19 cm) de 41, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo publicado na Guarda sobre um assunto momentoso na época: o consumo de vinho em excesso e a questão dos horários das tabernas - estabelecimentos patuscos e algo viciosos que actualmente se encontram "em vias de extinção". Raro e muito interessante.
"O «aviso prévio» levado à Assembleia Nacional pelo deputado Cónego Mendes de Matos, e ali debatido, durante alguns dias, sobre o comércio de vinhos e outras bebidas alcoolicas, a retalho, como se está exercendo, despertou no paiz um vivo, quasi apaixonado interesse.
Deve-se esse resultado a dois factores: à grande importancia do assunto, que envolve os mais altos interesses da Nação, e à deformação do assunto, desviando-o para uma pretensão de acabar com as tabernas e reduzir o consumo de vinho.
Nuns suscitou-se o verdadeiro aprêço pelos valores do espírito, que o actual horário das tabernas compromete; noutros, uma falsa compreensão do problema vinicola e da riqueza económica, que ele representa. [...]
Não se trata, com a regulamentação do exercício das tabernas, apenas de tomar providências de caracter comercial ou económico, mas de defender interesses superiores, de uma verdadeira defesa da Nação, que não poderá subsistir, e muito menos prosperar, no despreso dos valores morais que estão à raiz da sua estrutura e da sua finalidade.
Que fosse preciso reduzir os interesses da economia vinicola, nenhum governo consciente dos seus deveres e responsabilidades poderia hesitar, em o fazer, visto estar provado que a abertura das tabernas ao domingo constitue a determinante da quasi totalidade dos crimes, que nos tribunais são julgados e de muitos outros que não chegam a julgamento.
Mas o encerramento da taberna ao domingo longe de prejudicar o consumo do vinho antes o aumentaria."
(Excerto de A razão deste opúsculo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
15€

18 agosto, 2017

MARIA, F.ᴿ Theobaldo de Jesu - AGRICULTOR // INSTRUIDO // COM AS PREVENC,OENS // necessarias para os annos futuros, // RECUPILADO DE GRAVES AUTORES, // E dividido em tres partes, na primeira se tra- // ta das sementeiras, virtudes das sementes, e // de como se prezervaraõ da corrupaçaõ; na se- // gunda dos arvoredos, e vinhas; Breve Tra- // tado da Cultura dos Jardins; na terceira // de todo o gado maior, e menor, e mais ani- // maes domesticos, suas virtudes, e cura de // suas infirmidades, e das colmeas. Etc. // PELO P. M. ... LISBOA. // Na Offic. de LINO DA SILVA GODINHO. // ANNO M. DCC. LXXXX. [1790] // Com licença da Real Mesa da Commissaõ Geral // sobre o Exame, e Censura dos Livros. // Foi taixado este Livro em Papel a du- // zentos réis. Meza 4 de Novembro de 1790. // Com tres rubricas. In-8.º (15cm) de 171, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual agrícola setecentista. Inclui um interessante "Breve Tratado da cultura dos jardins, em que se trata da variedade das Flores, com que se ornaõ os Jardins, e Quintaes", e um capítulo dedicado à apicultura.
"He a terra, segundo todos os Naturaes, hum dos quatro Elementos, á qual pelos grandes, e continuos beneficios, que della recebemos, chamamos mãi; ella de sua natureza he fria, e secca; e se algumas vezes naõ está assim, he por causa de algum accidente, que a muda.
As terras, ou saõ fortes, grossas, e muito boas; ou saõ de todo estéreis, e infructiferas: os saõ medianamente boas, ou más: ou saõ muito quentes, ou frias por participaçaõ do ar, ou temperadas por participarem de ares temperados.
As terras, que saõ em extremo seccas, ou húmidas, cálidas, ou frias; saõ inuteis para a producçaõ dos fructos, e sementeiras, e o cultivallas será trabalho perdido: como o he os Medicos o curarem enfermidades incuraveis."
(LIVRO PRIMEIRO, Cap. I, Da eleiçaõ das terras para as sementes fructificarem bem)
Encadernação inteira de carneira com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Trabalho de traça, a partir do último terço do livro, no pé e à cabeça; por vezes, afectando as duas últimas linhas, com pouca expressão no entanto.
Raro.
Indisponível

25 fevereiro, 2012

FONSECA, Antonio Carvalho da - VINHOS MEDICINAES. Dissertação de Concurso : por… Pharmaceutico de 1.ª classe pela Universidade de Coimbra. Lisboa, Typ. a vapor da Pap. Estevão Nunes & F.os, 1903. In-8º grd. (23cm) de [12], 102, [4] p. ; B.
Indicação manuscrita de oferta (autor?) na f. rosto.
Curioso estudo vinícola, desmistificador dos denominados “vinhos medicinais”, tão em voga na época em que foi publicado
Com interesse histórico e enológico.
“Muito se tem dito e muitíssimo se tem escripto, em Portugal e no estrangeiro, sobre o palpitante assumpto vinhos. Não admira que assim tenha acontecido, dada a importancia económica do produto da fermentação da uva, e dada a complexidade de constituintes d’este producto. No nosso país, então, que é país agricola por excellencia, e vinicola por especialidade, á estacada têem de todos os pontos affluido prelectores e publicistas, já procurando orientar o problema económico no seu ponto de vista de applicação financeira, já diligenciando colaborar na sua resolução pelo aperfeiçoamento do fabrico. […] De há muito, por impulso natural, e por desobriga de funções officiaes, trabalhamos em analyses de produtos technologicos, mórmente dos fermentados e em especial do vinho; e, pouco a pouco, no nosso espirito se foi radicando, com fixidez, a desconfiança que, desde que estudámos Pharmacia, n’elle se infiltrou, sobre o valor pharmacotechnico dos vinhos medicinaes…” (excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação; pequena falha de papel na lombada. 
Muito invulgar.
25€