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21 janeiro, 2026

AMARAL, Abílio Mendes do -
O PRIOR A SERRA DA ESTRELA E O CONVENTO DO RATO
. Viseu, [s.n.], 1974. In-8.º (22,5x17 cm) de 28, [4] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o Padre Domingos Dias Seixas, Prior de Vinhó (Gouveia), e a sua obsessão por Ana de S. Joaquim, religiosa da Ordem da Santíssima Trindade, sobre a qual publicou uma Memória, em 1740, circunstância misteriosa que o autor procura desvendar. Trabalho publicado em separata da Revista «Beira Alta».
Ensaio curioso, com interesse para o tema da vida conventual "forçada", e o empenho de certas religiosas em cumprir com a regra monástica a despeito da ausência de vocação.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao "prestigioso heraldista José de Campos e Sousa". 
"Infere-se ter sido nos termos constantes dos Pareceres - com os necessários descontos - que o padre Seixas escreveu a vida da sua heroína.
Ela, Ana, de cuja formosura e juventude o nosso Prior nos dá ideia por intermédio de uma linda gravura, teria nascido a 23 de Outubro de 1709, na Rua da Confeitaria (Bacalhoeiros), junto ao arco ou nicho de Nossa Senhora da Oliveira, em Lisboa. Fora baptizada a 1 de Novembro do mesmo ano, na igreja de S. Julião, por ser a da freguesia onde viviam seus pais - António Jorge e Francisca Maria, «de boa vida e costumes limpos em geração e sangue e de mediana opulência».
Faleceu a 28 de Dezembro de 1736, tendo de idade vinte e sete anos, dois meses e cinco dias, e pouco mais de 10 anos de Religiosa.
Nove capítulos se encheram com as virtudes reveladas pela jovem, durante os 17 anos passados na casa paterna. Ao que parece, foi objecto de todos os mimos e cuidados nesse lar burguês da Lisboa do século XVIII."
(Excerto de II - Candidez e pureza)
"Falecida a mãe, houve de encarar-se o futuro da moça. O pai, atenta à religiosidade e a regra do tempo, começou as diligências para a internar num convento, vindo a optar pelo de Nossa Senhora dos Remédios, de Campolide, vulgarmente dito do Rato. Feito o ajuste, tratou da escritura. E a pequena em breve vestiria o hábito da Santíssima Trindade.
Quando ela transpôs a portaria, «um grande e fatal estrondo se fez ouvir, como sinal de que o Demónio se temia de tanta virtude». [...]
Em 20 de Agosto de 1727, no tempo da prelada e fundadora Madre Maria de S. Filipe, do Mosteiro de Santa Marinha, a menina professou, envolta nas cerimónias litúrgicas da Congregação. Naturalmente se esperava que, dali em diante, sua existência decorreria na doce beatitude e santa protecção da Virgem dos Remédios.
Porém, não tardou que uma profunda melancolia e um inexplicável alheamento a possuíssem, tornando-a indiferente à confissão e às orações. E tão grande vulto o caso assumiu que a comunidade se alarmou. Supuseram-na endemoninhada, havendo que recorrer ao auxílio de vários sacerdotes, para a curarem, mas eles iam-se sucedendo por desistência."
(Excerto de III - No rumo de maiores tribulações)
Índice:
I - O Livro e o Autor. II - Candidez e pureza. III - No rumo de maiores tribulações. IV - Relato oficioso. V - Um labirinto tentador.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

06 julho, 2023

AMARAL, Abílio Mendes do - OS TEIVES. Vinhó : na vida do país e do mundo. [S.l.], Separata do «Notícias de Gouveia», 1966-1967. In-8.º (21,5 cm) de 45, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio histórico e genealógico para a aldeia de Vinhó, localidade portuguesa pertencente ao concelho de Gouveia.
Exemplar valorizado pelo autógrafo do autor na f. rosto.
"Vinhó é uma localidade portuguesa do município de Gouveia, na província da Beira Alta, região do Centro e sub-região da Serra da Estrela, com 578 habitantes (Censos 2011) numa área de 7,86 km² (densidade populacional: 73,5 hab/km²). Dista 4 km de Gouveia e 50 km da Guarda, capital do distrito.
Vem mencionada nas inquirições de 1258, dizendo ser um couto limitado por padrões, coutado por D. Afonso Henriques."
(Fonte: Wikipédia)
"Teive é nome já citado muitas vezes e fica bem no historial de Vinhó. Dona Antónia de Teive aqui viveu em suas casas, possuiu grossos capitais, morreu e foi metida em túmulo ainda existente na capela do seu mosteiro da Madre de Deus, hoje igreja matriz.
D. Antónia e seu marido, o cavaleiro-fidalgo Francisco de Sousa, da nobre casa dos Sousas, com suas sobrinhas, constituíam a mais notável família do Vinhó do século XVI. [...] Esta família, (D. Florença e D. Richarte) descendente do rei João Sem Terra, teria vindo para Portugal no tempo do nosso D. Pedro I.
Em breve surgem os Teives no plano da vida nacional, ocupando situações compatíveis com a sua gerarquia. Não vou trazer para aqui a sua história, nem me propus tal tarefa; simplesmente desejo vincar o facto indesmentível de eles, de tão alta qualidade e merecimento, se acharem ligados à sociedade, vida e escol renascentista desta pequena e linda póvoa que ainda hoje é Vinhó."
(Excerto de Em Vinhó)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com alguns sublinhados a caneta na pág. 8.
Raro.
Com interesse histórico e genealógico.
15€

20 fevereiro, 2022

TRATADO JURIDICO DE VINCULOS ESCRIPTO SEGUNDO A LEGISLAÇÃO VIGENTE NO DIA EM QUE D. JOÃO VI DEIXOU DE SER COMPANHEIRO DOS PORTUGUEZES INDO MORAR NA NAU INGLEZA WINSOR-CASTLE EM 1824
. Lisboa, Typographia Urbanense, 1854. In-8.º (21 cm) de 70, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante tratado jurídico. Apesar de não assinado, Inocêncio aponta João Bernardo de Beja, natural de Gouveia, como autor deste trabalho que pretende reunir toda a legislação sobre vínculos, algo que é comummente aceite nos nossos dias, tendo sido publicada uma segunda edição em 2004, comentada por Nuno Gonçalo Pereira Borrego e Miguel Esperança Pina. O Tratado Jurídico propriamente dito é antecedido de um extenso preâmbulo (Proemio), pejado de notas históricas, onde o autor defende os benefícios dos vínculos, "considerando-os uma das mais justas e sábias instituições".
"Porque a instituição de qualquer estado é o principio, a que estão sujeitas suas leis, ellas todas em geral, e as que versam sobre vinculos em especial, não pódem ser devidamente entendidas, e apreciadas, sem haver systematica clara e exacta idea dessa instituição.
Pelo tanto, propondo-nos fallar dos vinculos, começâmos dizendo, que por Portugal e Algarves entendem-se dois certos territorios contiguos entre si, dos quaes o Portugal é sito no occidente da Europa, e confinante com a Hespanha, e o mar oceano, e os Algarves são sitos no occidente da Europa, e além do mar mediterraneo na fronteira costa d'Africa, e confinantes na Europa com a Hespanha, e na Africa com o territorio da Mauritanea.
O Portugal e Algarves, e suas pertenças chamadas dominios dividem-se de tres modos: um ecclesiastico, outro militar, e outro civil.
A divisão ecclesiastica é feita em dioceses, prelasias, e isentos.
As dioceses subdividem-se em arciprestados, os quaes se subdividem em freguezias.
As prelasias e os isentos ou e subdividem como as dioceses, ou se subdividem em freguezias, ou se compõem de uma só freguezia.
A divisão militar é feita em provincias, ou capitanias generaes ou geraes, as quaes se subdividem em capitanias mores, que se subdividem capitanias subalternas.
A divisão civil é feita em comarcas, que se subdividem em concelhos, em que entra uma ou mais povoações, das quaes a que não é cidade ou villa chama-se logar, o qual, assim como a cidade ou villa, algumas vezes é composta de aldeas, casaes, ou quintas."
(Excerto do Proemio)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Ex-libris de António Manuel Lobão de Mascarenhas, que também assina a f, rosto.
Raro.
35€

07 fevereiro, 2022

AMARAL, Abílio Mendes do - O ABADE DE CLARAVAL.
Por Terras da Beira na Era de Quinhentos
. Viseu, Edição da Junta Distrital de Viseu, 1975. In-8.º (22,5 cm) de 44 p. ; [5] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio histórico sobre a Ordem de Cister em Portugal - apontamento das casas e mosteiros cistercienses existentes no início do século XVI.
Livro ilustrado em separado com 5 estampas impressas sobre papel couché, sendo que duas delas reproduzem mapas de Portugal continental: "Cobertura Cisterciense segundo Cocheril" e "Como se situam Pinhel, Gouveia e Guarda".
"Em 1970, o Centro de Pais, da Gulbenkian, editou em tradução francesa de Dom Maur Cocheril, Peregrinatio Hispanica (1531-1533).
Trata-se do Roteiro, chamemos-lhe assim, da visita levada a efeito, ainda na primeira metade do século XVI, por Dom Edme de Saulieu, Abade de Claraval, aos mosteiros cistercienses da Península Hispânica. O original, manuscrito, é da pena de Claude de Bronseval que, na qualidade de Secretário, acompanhara o Dom Abade.
Muitas das suas notas, pelo teor da observação e conteúdo histórico, são de um alto merecimento. E nelas se contêm dados relativos ao meio geofísico, ao habitat das gentes, sua capacidade económica, sua psicologia, estado social, etc., o que tudo as eleva à categoria de fonte documental de apreciável valor.
Pela época em que se situa e pela classe dos intervenientes, já o relato da viagem nos provocaria justificado interesse; mas a circunstância de nos dizer directamente respeito, visto aqueles religiosos terem percorrido caminhos e póvoas da Beira e haverem contactado bastante com os nossos modestos meios rurais, deram-lhe o aliciante que nos levou a registar observações e comentários."
(Excerto do Cap. II - Cister em, Portugal)
Matérias:
I - Caminhos e transportes. II - Cister em Portugal. III - De Pinhel a Castelo Branco. IV - Gouveia vista por eles e por outrem. V - Dois amigos: Pierre David e Cocheril. VI - Ainda sobre o imperativo de Pe. David. VII - Insólita revelação: a missão Claraval nem sequer passou em Gouveia. | Notas e chamadas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

27 janeiro, 2022

AMARAL, Abílio Mendes do - D. DINIS INTROMETEU GOUVEIA NA VIDA E OBRA DA RAINHA ISABEL
.Viseu, Separata : Edição da Assembleia Distrital de Viseu, 1979. In-8.º (21 cm) de 40 p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Livro ilustrado com quatro estampas separadas do texto, contando-se entre elas um retrato da Rainha Santa Isabel.
"Não há o propósito de trazer a público um trabalho destinado a avolumar o acervo bibliográfico relativo à bem-fazeja vida de D. Isabel de Aragão. A esse tema se ligaram os nomes de muitos cultores das Letras em geral e da História em especial.
Embora se afigure conveniente evocar certos factos que nos balizem o caminho da dadivosa e santa Rainha, interessa em particular um documento ainda bem pouco ou nada divulgado, que respeita e envolve a vila de Gouveia, por graça e mercê do qual se rabiscam as presentes linhas onde ele aparecerá um pouco adiante.
Temos ali, nas sede do concelho, duas paróquias com as respectivas igrejas: S. Pedro e S. Julião. Quem as olhar, dirá ser a segunda mais vetusta, mas deve ter-se em conta a reconstrução da primeira já ajustada em 1758 pela quantia  de 9 ou 10  mil cruzados, bem como os arranjos relativamente recentes. Algures existirá documento desfazedor de dúvidas. Os do nosso conhecimento não bastam, embora sejam de épocas aproximadas e se harmonizem com afirmação feita no século XVIII pelo Pe. Salvador Clemente Furtado."
(Excerto de I - Como surgiu o sinal de alerta)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€