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30 abril, 2025

FRANCO, Renato -
ENSAIOS (contos).
[Prefacio de Luiz de Magalhães]. Aveiro, Imprensa Aveirense, 1893 [Capa, 1892]. In-8.º (21,5x14,5 cm) de [8], 198, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada "Rocha".
Colecção de sete contos marcados por alguma ingenuidade, por certo, devido à juventude do autor, recém iniciado nas lides literárias.
Obra valorizada pela carta-prefácio de Luiz de Magalhães (1859-1935).
Pouco foi possível apurar acerca do autor: Renato Melo Franco, de seu nome completo, seria natural de Aveiro e, de acordo com o Arquivo Histórico da Economia, terá nascido em 10.07.1862 e foi Escriturário de 1.ª classe na Direcção das Obras Públicas do Distrito de Aveiro. Além da presente obra (1893), publicou em 1919, pelo menos, dois artigos na Illustração Portuguesa: Mulheres de Aveiro e Aveiro, Terra Linda.
"- Assim continuas n'essa vida, mulher?
- Ora, deixa-me, deixa-me...
E a snr.ª Philomena, mulher do valente pescador Aniceto, de rosto pallido, olhos no chão, e marrafa a cobrir-lhe a testa, acocorava-se ao pé do borralho para começar a fazer o jantar do meio dia.
O marido resmungava pragas surdas, n'um desgosto pungente, e sahia depois para a rua.
- Vae-te démo negro, desafogava a boa snr.ª Philomena. Nem a gente é senhora das suas acções. Já se não pode amar a Deus socegadamente!
Ha um bom par de mezes que a snr.ª Philomena não deixava a egreja. Percorria em visita continua todas as capellas d'Aveiro e dos arredores, frequentando com fervor todos os sermões e mais officios divinos que se celebravam durante o dia. Depois que ouvira, uma vez, as predicas dos santos missionarios, o seu espirito fraco impressionou-se de tal modo que nunca mais pôde abandonar os santos logares, como ella dizia, para se entregar d'alma e coração a ferrenha beatisse.
Ás tres da madrugada o sino tocava a matinas. Ella saltava logo da cama, vestindo-se á pressa, a correr para a igreja. O marido esse, sobraçando as rêdes, lá ia para a pesca mais o camarada."
(Excerto de Os santos missionarios)
Indice:
I - A meus paes. II - Carta-prefacio. II - Os Santos Missionarios. IV - Passeiando... V - Os ninhos. VI - O Dominó Verde. VII - Illuzões perdidas. VIII - Inexperada fortuna. IX - Olympia.
Encadernação simples em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Raro.
45€

31 julho, 2019

MAGALHÃES, Luiz de - NOTAS E IMPRESSÕES. Artes e Lettras - Politica e Costumes. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª - editores, 1890. In-8.º (21,5cm) de 184, [6] p. ; B.
1.ª edição.
"Volume que reúne artigos escritos entre 1884 e 1889, originariamente publicados no jornal A Província e repartidos pelas secções anunciadas no subtítulo Artes e Letras - Política e Costumes. No artigo introdutório, "As Belas-Artes em Portugal", Luís de Magalhães esboça o quadro pessimista do movimento artístico português nas últimas décadas do século XIX. Em"Naturalismo e realismo", avalia as duas escolas literárias "criadas num movimento de reação contra os excessos espiritualistas e idealistas do romantismo" e denuncia o que considera serem os seus erros (a estética da cópia, a desvalorização do ideal), entendendo Naturalismo e Realismo como meros "pontos de vista relativos por onde se podem encarar os homens, as coisas e os sucessos". A tais correntes, que constituem importações literárias, Luís de Magalhães contrapõe o regresso da literatura portuguesa às suas tradições populares e nacionais, onde poderia colher "uma força, um ímpeto, uma vida, que raramente podem ter as transplantações e aclimações de sentimentos e lendas estranhas" ("A nau Catrineta"). Nos artigos que compõem a secção Política e Costumes, o autor critica o materialismo e a falência de crenças e de ideais que minam todos os setores da vida social portuguesa."
(Notas e Impressões in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-27 15:00:59]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$notas-e-impressoes)
Luís Cipriano Coelho de Magalhães (Lisboa, 13 de setembro de 1859 - Porto, 14 de dezembro de 1935), mais conhecido por Luís de Magalhães, foi um jornalista, escritor e poeta, deputado e ministro, filho de José Estêvão. Desde muito cedo ligado à política, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo como objectivo aceder a uma carreira ma magistratura. Foi nomeado por José Dias Ferreira, então presidente do ministério, para o cargo de governador civil do Distrito de Aveiro. A partir daí ingressou na vida política, sendo eleito em 1897 deputado por Vila do Conde e em 1899 pela Póvoa de Varzim. A 19 de Maio de 1906 foi nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo chefiado por João Franco.

Após a implantação da República Portuguesa manteve as suas convicções monárquicas e em 1919 apoiou a tentativa de golpe de Estado da Monarquia do Norte, sendo então nomeado novamente para a pasta dos negócios estrangeiros do governo revolucionário.
Foi poeta e prosador de grande mérito, seguidor da corrente literária do realismo. Fundou várias revistas e muitas tertúlias. Tem colaboração na revista A Sátira (1911). Entre as suas obras merece destaque o romance O Brasileiro Soares, publicado com um prefácio de Eça de Queirós. Viveu na Quinta do Mosteiro de Moreira da Maia, que sua mãe adquirira em 1874. A sua casa foi local de reunião de grandes vultos da intelectualidade portuguesa, incluindo Eça de Queirós, Antero de Quental, Joaquim Pedro de Oliveira Martins, Jaime de Magalhães Lima, Alberto Sampaio e António Feijó."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Contracapa com rasgão (sem perda de papel). Deve ser encadernado.
Raro.
Indisponível

03 setembro, 2012

A EÇA DE QUEIROZ : Na inauguração do seu monumento, realisada em Lisboa a 9 de Novembro de 1903. DISCURSOS do Conde d'Arnoso, Marquez d'Avila, Ramalho Ortigão, Luiz de Magalhães, Annibal Soares, Antonio Candido, Conde de Rezende. POESIA de Alberto de Oliveira. Porto, Livraria Chardron De Lello & Irmão, Editores, 1904. In-8.º (19cm) de [4], 90, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
Ilustração extratexto do "monumento a Eça de Queiroz, obra do eminente esculptor Teixeira Lopes"

"Nessa estatua se lê, em clara linguagem,
Na divina expressão da sua formusura,
Do grande Artista morto a longinqua viagem,
A heroica aventura.
[...]
Olhos cheios de luz, para a ousada conquista,
Um dia, eil-o que parte:
Nesse busto de crente, eil-o o amoroso Artista!
Nessa estatua de Deusa, eil-a a divina Arte!"

(excerto da poesia de Alberto de Oliveira à memória de Eça de Queirós)

Belíssima encadernação em meia de pele com nervuras e ferros a ouro na lombada.
Conserva as capas originais. 
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível