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25 março, 2026

CABREIRA, Antonio -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O PLANETA MARTE.
Conferencia realisada em 18 de janeiro de 1901 no Instituto 19 de Setembro. Pelo fundador e secretario geral... Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, [etc.]. Lisboa, Imprensa Lucas, 1901. In-4.º (23x16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho sobre o planeta Marte - em 8 partes - vertido em conferência.
Trata-se das reflexões astronómicas do autor, trabalho pioneiro, dos primeiros que sobre o assunto se publicaram entre nós. Além de repetir o que se sabia na época sobre o "planeta vermelho", que era pouco, o autor interroga-se acerca da possibilidade de vida vegetal e animal em Marte, e num plano superior, aos "habitantes inteligentes".
Opúsculo raro e muito interessante.
"Quando Marte se constituiu, estava animado de uma temperatura proxima de 1995 graus centigrados. Dada pois a sua antiguidade, deve admittir-se que disporá já de pouco calor central
Os factos mais importantes da meteorologia do planeta são grandes oscillações de temperatura e enormes tempestades. O Sol da-lhe apenas 4 decimas do calor e da luz com que nos acalenta. As noites tornam-se excessivamente frias, porque a pouca espessura da atmosphera permitte uma forte irradiação dos terrenos. [...]
A constituição chimica da atmosphera de Marte deve ser egual á nossa, porque o seu espectro revella riscas de absorpção identicas ás do espectro d'esta ultima."
(Excerto do Cap. IV)
"Tendo-nos referido, muito summariamente, a Marte, sob os pontos de vista mathematico, meteorologico e geographico, vamos finalmente dizer duas palavras ácerca do mysterioso problema da sua biologia, tão envolto nas brumas do desconhecido e, por vezes, dourado pelos fulvos clarões da phantasia romantica.
Procedendo Marte da mesma origem que a Terra é provavel que a identidade de corpos simples não seja apenas a revellada nas respectivas atmospheras e que, portanto, haja tambem compostos analogos nos dois planetas; logo póde admittir-se que dos seus aggregados resultassem vegetaes, que teem ainda por si o facto favoravel da abundancia das chuvas. [...]
Acerca da vida animal, começaremos por affirmar que, considerada como termo superior de uma longa evolução organica, só surgiu, no mundo que habitamos, n'um certo estado cosmico, para alem de cujos limites não pode manter-se, e que as civilisações estabelecidas como modo de ser d'essa vida, só se definiram e ergueram quando o homem poude entregar-se mais á consciencia da sua funcção moral. [...]
Posto isto, embora as condições meteorologicas permittissem a habitabilidade nos continenentes de Marte, a civilisação seria sempre rudimentar; os seres poderiam attingitr uma fórma superior mas os fructos dos seu trabalho, por mais solidos que se supposessem, não poderia resistir nem ao destroço pelos vendavaes, tão frequentes, e muito menos á submersão pelas aguas do degelo, de onde resultaria, mesmo, uma enorme lentidão no progresso intellectual, que tanto carece do concurso d'esse trabalho. O unico abrigo seriam então as cavernas nas raras montanhas que existem, se é que fossem poupadas pe,os diluvios.
Tambem se torna facil demonstrar que é inconcebivel a vida superior nos ares do planeta.
E concluir-se-ha d'estas considerações que não ha vida em Marte? E quem nos diz que o estado cosmico do planeta jamais permittisse quasquer combinações organicas ou que todas ellas se extinguiram com os ultimos lampejos do fogo central?
Mas as mancha luminosas observadas em 1892, e ha poucos dias ainda um traço brilhante que, intermittentemente, durou uma hora, não signifficarão, por ventura, qualquer intencional tentativa feita por uma especie de seres, avida de relações com a Terra? E os proprios canaes de notavel rigos geometrico com os seus desdobramentos não constituirão outra prova da existencia de habitantes intteligentes em Marte?"
(Excerto do Cap. VI) 
António Cabreira (Tavira, 1868 - Lisboa, 1953). "Matemático, jornalista e publicista português, António Tomás da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte nasceu a 30 de outubro de 1868, em Tavira, no distrito de Faro.
De uma família aristocrática liberal algarvia e irmão de Tomás Cabreira, formou-se em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa. Empenhado em ações políticas, participou, em 1891, em várias reivindicações estudantis, tornou-se redator político de A Nação e, entre 1892 e 1897, exerceu vários cargos no Partido Legitimista ao qual aderiu.
Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, foi secretário da Secção do Ensino da Matemática, em 1895, e vice-presidente da Secção de Geografia, em 1896, participando nas atividades de exaltação colonial e nacionalista que surgiram em consequência dos acontecimentos de 1891.
Fundador do Instituto Dezanove de setembro, dedicou-se à gestão e à docência nessa instituição. Em 1895, criou um projeto para um Curso Colonial no Instituto destinado aos colonos e funcionários da administração colonial. Em 1899, foi designado docente das disciplinas de Mecânica Racional e de Filosofia das Matemáticas do Curso de Ciências do ensino secundário daquele Instituto.
Ligado à Academia das Ciências de Lisboa, conseguiu, com o seu desempenho, a criação de novos institutos, como o Instituto Teofiliano (1912), o Instituto de Trabalhos Sociais (1914), o Instituto Arqueológico do Algarve (1915), o Instituto Histórico do Minho (1916) e o Instituto António Cabreira (1919).
Como jornalista, fundou ainda O Clarim, um panfleto doutrinário. Participou e organizou alguns eventos importantes, como o I Congresso Arqueológico Nacional, o I Congresso Colonial de 1900 e o 1.º Congresso Pedagógico Nacional, em 1908.
Enquanto publicista, escreveu sobre vários assuntos, que vão desde questões matemáticas até problemáticas de ensino. Destacam-se algumas obras, como Análise Geométrica de Duas Espirais Parabólicas (1895), Sobre Algumas Aplicações do Teorema de Tinseau (1897), O Ensino Colonial e o Congresso de Lisboa (1902), O Milagre de Ourique e as Cortes de Lamego (1925) e Júlio Verne, Educador e Pedagogo (1925).
António Cabreira faleceu a 21 de novembro de 1953, em Lisboa."
(Fonte: Infopédia) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

15 maio, 2023

SILVA, Agostinho da -
O PLANETA MARTE. Iniciação : Cadernos de Informação Cultural. [S.l.], [Edição do Autor - Imp. Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» - Vila Nova de Famalicão], 1940. In-4.º (23 cm) de 20, [4] p. ; (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Número da apreciada Colecção "Iniciação", monografia de divulgação dedicada ao 'planeta vermelho', numa época em que os conhecimentos técnicos e científicos sobre a matéria eram limitados.
Opúsculo ilustrado no texto com um desenho esquemático - Movimentos de Marte - e uma fotogravura - Planisfério de Marte.
"Se numa noite límpida de verão, sem luar, contemplarmos o céu, veremos uma quantidade inumerável de astros cintilantes tremeluzirem, relampejarem de momento a momento; nos que nos parecem mais pequenos o ponto de luz quási desaparece por vezes aos nossos olhos; nos maiores, a variação de luminosidade faz-se sempre a partir de um certo número bem visível e os relâmpagos atingem de quando em quando um brilho admirável... [...]
Ora notaram êses nossos avós que, ao passo que quási todos os astros mantêm entre si as mesmas distâncias, pelo menos nos tempos de que os homens se podem lembrar, outros há que parecem deslocar-se no céu, afastando-se de um grupo de estrêlas para se aproximarem de outro, numa carreira incessante e caprichosa... Não lhes passou também despercebido que os astros errantes não cintilavam como os outros, ou melhor, que, dum modo geral, não cintilavam, porque, em certos momentos, tinham visto que a luz dêles também tremia."
(Excerto do texto)
George Agostinho Baptista da Silva GCSE (Porto, 1906 - Lisboa, 1994). "Foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, filólogo, pedagogo e tradutor português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Passou considerável tempo de sua vida no Brasil.
Realizando um percurso académico notável, de 1924 a 1928, Agostinho da Silva fez Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Em 1929, somente um ano depois de se licenciar, e quando contava apenas 23 anos, defendeu a sua dissertação de doutoramento a que deu o título O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas, doutorando-se com louvor.
Depois disso começou a escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve até 1938.
Criou o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940 publicou Iniciação: cadernos de informação cultural. Foi preso pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano seguinte (1944) em direção à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no seguimento da sua oposição ao Estado Novo.
Regressou a Portugal em 1969, após a doença e morte de Salazar e a sua substituição por Marcello Caetano, facto que deu origem a alguma abertura política e cultural no regime. Desde então continuou a escrever e a lecionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (atual Instituto Camões)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

30 setembro, 2018

MONTGOLFIER, Henri - HISTÓRIA AUTÊNTICA DO PLANETA MARTE. Tradução de José Nunes da Matta. Lisboa, Tipografia da Cooperativa Militar, 1921. In-8.º (22,5 cm) de [2], IV, 121, [9] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com tabelas e desenhos esquemáticos no texto. Inclui ainda os Planisférios do Planeta Marte em duas páginas inteiras.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor (Nunes da Matta) à Bibliotéca do Club Militar Naval.
Relativamente a esta obra, curiosíssima peça da proto ficção científica nacional, com a devida vénia pelo excelente trabalho desenvolvido por Maria Luísa Malato, da UP, com o título A Alimentação em Marte: a higiene da alma numa autoficção de José Nunes da Matta (1921), reproduzimos um excerto que atesta o interesse e importância da mesma.
"História Autêntica do Planeta Marte é uma utopia portuguesa escrita por José Nunes da Matta (1849-1945) e publicada em 1921 durante os conturbados tempos da I República de Portugal (1910-1926). Na capa do livro e na ficção, José Nunes da Matta apresenta-se como “tradutor” de um relato histórico de Henri Montgolfier, revolucionário francês que tinha abandonado a Terra no início do século XIX. Nesse relato é descrito um “estado ideal” no planeta Marte, onde a gestão dos recursos naturais do planeta tinha sido resolvida em correlação com os conflitos internacionais (linguísticos, rácicos ou económicos). O exemplo de Marte seria útil para o planeta Terra, recentemente abalado pela I Guerra Mundial (1914-1918), e especialmente para Portugal, desgastado pela participação na guerra e pelas dissidências políticas internas entre os revolucionários da I República. A obra de José Nunes da Matta dialoga com bem conhecidas reformas políticas ou morais (inspiradas nos preceitos de higiene moral do Barão de Feuchtersleben, na sociologia de Malthus ou na teoria das espécies de Darwin). Esta utopia mantém também uma evidente atualidade por conceber a gestão dos recursos alimentares como parte de uma vasta ação política (das leis que regulam a floresta aos programas de saúde pública).
História Autêntica do Planeta Marte é uma obra estranha e rara. Pelos dados da capa aparenta ser a tradução portuguesa de um antigo livro em francês sobre o planeta Marte, da autoria de Henri de Montgolfier: o livro tem a aparência de um livro científico: nas folhas interiores, encontramos um mapa do planeta, com a representação dos comuns canais de Marte e algumas considerações matemáticas sobre as coordenadas do planeta, os meridianos e a duração dos dias, meses e anos em Marte, comparados com os do planeta Terra."
(Fonte: file:///C:/Users/Monasticon/Downloads/422-%23%23default.genres.article%23%23-1676-4-10-20170713.pdf)
"Êste livro escrito do Planeta Marte, é dedicado aos desgraçados moradores da Terra, minha primitiva pátria, onde passei os anos de infância e da mocidade, e da qual fugi, afim de que os meus restos mortais não ficassem no mesquinho planeta, onde, por fraqueza e inépcia da maioria dos homens e por ambição e maldade de quasi todos, se vive num inferno de ódios, invejas, revoltas, opressões e guerras constantes. Sirvam esta dedicatória e êste livro de provas inequívocas de que, apesar de me sentir altamente feliz nêste abençoado e pacífico planeta em que me encontro, mansão de justos, inteligentes, felizes e sensatos habitantes, não posso, contudo, esquecer e deixar de me interessar pela minha pátria primitiva.
Além d'êste exemplar, entreguei mais 49, iguais e igualmente acondicionados, aos corpos celestes espalhados pelo espaço, indo cada um em um pequeno balão, na esperança de que, tarde ou cêdo, algum vá cair da Terra. Quando isso por ventura venha a suceder, é muito provável que meus restos mortais para sempre repousem no solo abençoado dêste pacífico e feliz Planeta Marte.
A todos vós, Povos da Terra, envio muito saudar com os sinceros votos para que imiteis os Povos do planeta onde estou.
Planeta Marte, aos 50 dias do ano 100 000(ᵃ) da Era de Constântínio.
(ᵃ) Os 100 000 anos de Marte correspondem a 188 080 da Terra.
Henri Montgolfier"
(Dedicatória)
Índice:
Explicação prévia do tradutor. História Autêntica do Planeta Marte: Dedicatória. Causa da minha fugida da Terra. No Planeta Marte: 1 - Regresso á vida. 2 - Convalescença. 3 - O meu completo restabelecimento. 4 - Festa grandiosa da minha apresentação ao Povo de Sarima. 5 - A minha apresentação e visita ás cidades principais. 6 - O meu casamento com a bela Inídia. 7 - Os meus primeiros serviços em Marte. História Geral do Planeta Marte: I - Formação cósmica e movimentos de Marte e mais planetas e de seus respectivos satélites. II - Formação geológica de Marte e suas riquezas mineralógicas. III - Continente, ilhas, mares, lagos e neves eternas. IV - Rios e canais. V - Meteorologia e correntes atmosféricas. VI - Dias, anos, estações, latitudes e longitudes. VII - Flora e fauna. VIII - Origem do Homem Martiano. IX - Ciências, artes e literatura. X - A grande Guerra e a Peste. XI - O grande Congresso e Revolução Social de Marte. XII - Votação das Quatro Teses de Constantínio e Estado Social de Marte, na actualidade. Epílogo e despedida final. Explicação final do tradutor. Planisférios de Marte.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e algo oxidadas.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível