Mostrar mensagens com a etiqueta Romanceiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Romanceiro. Mostrar todas as mensagens

12 abril, 2016

SILVA, Joseph Maria da Costa e - ISABEL, OU A HEROINA DE ARAGOM, poema em seis cantos, de... seguido de outro appelidado A VISOM, poemeto, do mesmo auctor. Preço - 480 réis. Lisboa, Na Impressão Regia. 1832. Com Licença. In-8.º peq. (15cm) de [2], 143, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com o retrato do autor em extratexto.
Obra constituída por dois poemas históricos do primeiro romantismo português, na esteira de Camões (1825), D. Branca (1826) e Adozinda (1828), todos de Almeida Garrett, que o autor muito elogia, e com quem aliás se identifica. O poema principal, “Isabel ou Heroina de Aragom” constituído por seis cantos, aborda o tema da mulher que se veste de homem para ir à guerra. 
"Ha muito que os Poetas de Hespanha começarom a paraphrasear os seus antigos Romances, mas limitando-se, ao menos nos, que eu tenho visto, a glosar em Coplas regulares cada dois versos dos dictos Romances: o que indica que o principal intuito dos, que se derom a esse trabalho, foi tornar aquellas Composições mais aptas, e acomodadas pera a Musica moderna. [...]
A Poesia deve ser Nacional; e Albuquerque, ou D. João de Castro, trajados á Grega, me parece cousa ridicula, além de absurda; porque o colorido local he o maior lenocinio da Poesia, e a falta delle he o defeito, que mais salta aos olhos em os nossos Poetas antigos; direi mais, si dermos o devido desconto, nos Livros de Cavallarias, que hoje se despresam tanto, havendo tão pouco que os tenha lido, depararemos mais repetidas, e fieis pinturas dos costumes, e usanças dos nossos maiores, do que nas Epopeias mais gabadas, que se tem impresso em Portuguez."
(excerto do prólogo)

"Sobre as fronteiras de Aragom se elleva
Alta montanha, crespa de rochedos;
Nella antigo Castello, coroado
De torreões, e ameias, ameaça
Da planicie os pacificos Colonos. 
Forra o musgo as muralhas carcomidas,
Que amarellas tornou do Tempo a dextra;
Polas fendas das pedras serpeando
Vam raizes das Heras, cujos ramos,
Quaes tropheos, se debruçam balouçando
Dos ventos a sabôr! obra dos Godos,
Em sua forma anciãa nos traz á idea
Esses tempos feudaes, em que luctando
A civilisaçom já corrompida
Co' a barbarez indomita, exaltadas
Pola Superstiçom, e Amor, as almas
Com heroicas virtudes, negros crimes
Assignalarom paginas de sangue
Na historia d'essas barbaras Idades.
Em que a força hera Ley, Juiz a espada!"

(excerto de A Heroina de Aragom, Canto I) 

José Maria da Costa e Silva (1788-1854). Poeta, crítico literário, historiador da literatura. Pseudónimo arcade: Elpino Tagídio. “Dominava perfeitamente a língua grega bem como a latina (aprendidas respectivamente com Manuel Moreira de Carvalho e José da Costa e Silva), um homem que dedicou grande parte da sua vida à causa das letras e a o estudo dos poetas portugueses que o precederam.
 Apesar de ter ficado conhecido sobretudo como critico e historiador da literatura com o Ensaio Biográfico-critico sobre os melhores poetas portugueses com dez volumes publicados (Lisboa, 1850-1856, a que haveria que juntar mais quatro inéditos, segundo Inocêncio), escreveu também obras poéticas originais e fez traduções do grego e do latim.”
(FERREIRA, José Ribeiro, Uma Tradução Portuguesa dos Argonautas de Apolónio de Rodes, in http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas25-26/08_JRF.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta falhas de papel na capa posterior e na lombada.
Raro.
Indisponível

26 fevereiro, 2014

OLIVEIRA, Francisco Xavier d’Athaide – ROMANCEIRO E CANCIONEIRO DO ALGARVE (Lição de Loulé). Acompanhado de importantes notas para esclarecimento do texto e onde se reproduz tudo quanto ha publicado neste genero pertencente ao Algarve. Por… Bacharel formado em Theologia e Direito Conservador privativo do registro predial da comarca de Loulé e socio do Instituto de Coimbra. Porto, Typographia Universal (a vapor), 1905. In-8.º (21,5cm) de 432 p. ; B. Col. Contos Tradiccionaes do Algarve em verso.
1.ª edição.
Obra com interesse histórico e regional. Consiste numa recolha de romances, lendas, canções e outros elementos da tradição oral algarvia.
“Muitas vezes as minhas boas velhinhas, para se distrair, deixavam os contos, e entoavam uma melopeia triste e cadenciada desses versos antigos, que eu mal percebia. Pedia-lhes que deixassem o canto e me recitassem os versos. Isso para ellas era quasi impossivel: não sabiam os versos, quando os queriam recitar; só cantando chegavam ao fim. Eram os seus romances que ellas tinham ouvido aos seus avôs e os cantavam na mesma musica em que eles lh’os tinham cantado. Desses romances fiz a presente collecção.”
(excerto do preâmbulo)
Francisco Xavier de Ataíde Oliveira (1842-1915). “Nasceu em Algoz, concelho de Silves, a 10 de outubro de 1842, e morreu em Loulé a 20 de novembro de 1915. Originário de uma família de pequenos proprietários agrícolas, frequentou os estudos preparatórios no Liceu de Faro e matriculou-se no Seminário de São José, a fim de seguir a vida eclesiástica, concluindo o curso em 1866. Em 1968 foi consagrado presbítero, desempenhando funções de Capelão da Universidade de Coimbra, na qual se formou em Direito (1874) e Teologia (1875). Em 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial de Loulé, serviço onde desempenhou as funções de Conservador adjunto desde 1882. Enquanto jornalista, desenvolveu uma colaboração regular com a imprensa regional, tendo sido autor de publicações que versaram os domínios da história, arqueologia e etnografia. Ainda neste âmbito fundou e dirigiu o primeiro jornal em Loulé, O Algarvio, periódico regionalista que manteve atividade entre 1889 e 1893. O seu contributo no domínio da etnografia portuguesa no final do século XIX centrou-se nos estudos pioneiros da literatura oral e tradições populares algarvias. Durante a sua passagem por Coimbra, que se prolongou até 1875, privou com algumas das personalidades proeminentes da “Geração de 70”, nomeadamente com Teófilo de Braga, reconhecendo-se as suas influências no domínio histórico e etnográfico relativo à recolha do romanceiro e do lendário algarvio, que constituiu o essencial das principais obras etnográficas de Ataíde Oliveira. Da sua produção etnográfica destaca-se a obra As Mouras Encantadas e os Encantos do Algarve (1898), considerado o seu primeiro ensaio sobre tradições populares, lendas e superstições. Publicou Contos infantis (1897) e Contos tradicionais do Algarve (2 vols., 1900 e 1905), Romanceiro e Cancioneiro do Algarve – Lição de Loulé (1905), estudos que resultaram da compilação da tradição oral regional, compreendendo contos, lendas, orações, superstições e ladainhas populares, entre outras formas de narrativas populares.” (in http://www.matrizpci.dgpc.pt/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas com defeitos marginais; lombada cansada.
Muito invulgar.
Indisponível