Mostrar mensagens com a etiqueta Napoleão / Invasões francesas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Napoleão / Invasões francesas. Mostrar todas as mensagens

05 novembro, 2025

SARMENTO, José Júlio de Castilho de - 
RELAÇÃO DAS MEDIDAS DE DEFENSA QUE SE EXECUTARAM NAS MARGENS DO RIO VOUGA, DEPOIS DA TOMADA DO PORTO PELO MARECHAL SOULT EM 1809 : Uma biografia.
[Por]... 4.º Visconde do Banho. Aveiro, [s.n. - Oficinas gráficas da Coimbra Editora, L.da - Coimbra], 1958. In-4.º (24,5x17 cm) de 51, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história das Invasões Francesas, publicado em separata do Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXIV. O autor reproduz o manuscrito coevo do seu bisavô Alexandre - Relação das medidas de defensa que se executaram nas margens do rio Vouga... -, abrindo o estudo com um apontamento biográfico do seu antepassado, figura de relevo na época.
"Como me propusesse lançar por escrito o que aconteceu enquanto duraram as operações defensivas sobre o Vouga, darei agora fim ao meu pequeno trabalho, porque., ainda que os mesmos corpos entrassem nas operações ofensivas dos dias 10, 11 e 12 de Maio, e sendo a artilharia do Coronel Trant a primeira que rompeu fogo sobre os Franceses na manhã do dia 10 de Maio, estas tropas já obravam debaixo da ordem do Marechal General, cuja campanha é totalmente distinta. Induziu-me a este pequeno trabalho a curiosidade dalguns amigos, e o meu desejo de corresponder às suas patrióticas intenções me obrigou a aclarar alguns apontamentos que fiz a este respeito, aonde não entrou outra consideração mais do que a justa admiração por um acontecimento que tanto enobrecera a História Portuguesa do ano de 1809. Os povos da esquerda do Vouga, levados de uma gratidão pelos esforços que fez o Coronel Trant para salvar o país entre o Vouga e a Mondego, pretenderam colocar num monumento sobre a altura do Marnel, situada entre a ponte deste nome e a do Vouga."
(Fonte: Wook)
"É autor desta Memória, que agora pela primeira vez se publica, Alexandre Tomás de Morais Sarmento, 1.º Visconde do Banho.
Escolar de leis na Universidade de Coimbra aquando as Invasões francesas, assentou praça no Corpo Académico em 1808; e, pelo perfeito conhecimento que tinha da língua inglesa (fora por seu pai enviado para o colégio de Eton, em Inglaterra, em tenra idade, donde só regressara para frequentar a Faculdade de Coimbra), exerceu, sob as ordens do general Nicolau Trant, governador militar do Porto em 1809, as funções de deputado do ajudante general das forças então reunidas naquela cidade, cargo da mais alta consideração, em que sucedeu a Palmela. [...]
Aderiu ao movimento liberal de 1820. Deputado às Constituintes de 1821 pela província de Trás-os-Montes, tomou parte activa nos trabalhos parlamentares de que saiu a Constituição de 1822. Deputado pela Beira, tomou também parte nas batalhas parlamentares de 1822 e 1826.
Em 1828, fez parte da Junta Governativa que se criou no Porto após o movimento de 16 de Maio contra a usurpação de D. Miguel e a proclamação da monarquia absoluta.
Era então juiz privativo dos Ingleses, no tribunal que, na cidade do Porto, julgava seus pleitos e é a pedido dos negociantes ingleses que emigra para Londres a bordo do «Belfast», onde o levaram já quando demandava a barra do Douro.
Alexandre Tomás de Morais Sarmento, liquidado o movimento inssurreccional, voltava ao seu tribunal, supondo que, do facto de haver feito parte da Junta Governativa, não lhe adviria qualquer mal... [...] E é quando descia a Rua dos Ingleses em direcção ao Tribunal que lhe surgem alguns dos negociantes ingleses a dizer-lhe que estava a alçada de D. Miguel no Porto e que a pena que lhe seria aplicada era aquela que seguidamente se transcreve da própria sentença. Uma vez na capital britânica, não está inactivo, pois, dados os primores da sua educação e os grandes conhecimentos que o ilustram, faz-se redactor do grande diário inglês «Times».
Julgado, pois, como ausente pela Alçada então instalada no Porto, foi contra ele proferida sentença que, «havendo-o como exautorado e privado de todas as honras e privilégios e dignidades de que gozava nestes Reinos, dos quais o haviam igualmente por desnaturalizado, o condenava a com baraço e pregão fosse conduzido pelas ruas da cidade do Porto até à Praça Nova, onde em alto cadafalso, que ali seria levantado, morresse de morte natural de garrote...». [...]
Enquanto emigrado em Londres, escreveu: «Russel de Albuquerque, conto moral por um Português», impresso em 1833; e «Apontamentos gerais para um sistema de pública administração, logo que seja restaurada a legítima autoridade da Rainha Fidelíssima a Senhora D. Maria II», publicados em Lisboa em 1833."
(Excerto de Uma biografia)
"As disposições para a defensa do Porto e a resolução que se publicava terem adoptado os seus habitantes chagaram a persuadir a toda a Nação que o Marechal Soult ou não entraria aquela cidade ou, se o conseguisse, não seria com a pasmosa brevidade com que foi entrada em quarta feira de Trevas, 29 de Março de 1809. Logo que esta notícia chegou a Coimbra, o Coronel Trant, então governador da cidade, procurou reforçar o pequeno corpo de gente armada que estava às suas ordens, com cento e cinquenta estudantes dos académicos alistados. Apesar do abalo e consternação, quase trezentos académicos se acharam lestos e prontos para marchar. [...]
As primeiras medidas que se seguiram à marcha das tropas para os Fornos manifestavam que a intenção do Coronel Trant se limitava por ora em preservar Coimbra de uma invasão repentina e de segurar a retirada das tropas sobre o País entre a estrada pública de Coimbra para Leiria e a costa do mar. [...] Ainda que, perdida esquerda do rio Douro, timbrasse a linha do Vouga, os passos que se deram mostraram que o Coronel Trant tinha em vista ocupar algum ponto mais importante deste rio."
(Excerto de Relação das medidas de defensa...)
Alexandre Tomás de Morais Sarmento (Bahia, Brasil colonial, 1786 - Rio de Moinhos (Sátão), 1840). "1.º visconde do Banho (1835), fidalgo cavaleiro da Casa Real, bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, magistrado e diplomata, exerceu importantes funções políticas, entre as quais membro da Junta Provisória do Governo do Reino formada em 1828 no Porto, deputado às Cortes (1821-1826), par do reino (1834) e, embora de forma efémera, Ministro do Reino do Gabinete dos Mortos em 1836.
Terminados os estudos preparatórios, matriculou-se em 1804 na Universidade de Coimbra, onde se formou em Leis em 1808. Nesse ano integrou os Corpos Militares Académicos de 1808 e de 1809, nos quais participou na Guerra Peninsular. Fez parte, com, entre outros, o seu irmão Cristóvão Pedro e José Bonifácio de Andrade e Silva, do Estado Maior do general Nicholas Trant. Sobre a campanha de 1809, deixou manuscrita a obra que intitulou Relação das medidas de defesa que se executaram nas margens do Rio Vouga, depois da tomada do Porto pelo Marechal Soult em 1809, [editada em 1958] e reeditada em 2009.
Terminada a guerra, seguiu a carreira da magistratura, sendo sucessivamente Procurador Fiscal das Mercês, provedor do concelho de Moncorvo e corregedor da Comarca de Vila Real (1816). Foi depois nomeado juiz desembargador da Casa da Suplicação, com exercício na Relação e Casa do Porto, tendo aí aderido à Revolução Liberal do Porto. 
Foi eleito deputado às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa de 1821, como substituto pela Província da Beira,[9] permanecendo nas Cortes durante o Vintismo, sendo novamente eleito para as Cortes de 1826. Foi confirmado fidalgo cavaleiro da Casa Real por alvará de 9 de junho de 1824.
Sendo desembargador da Casa da Suplicação, com exercício na Relação do Porto, em 1828 foi membro da Junta Provisória do Governo do Reino, formada na cidade do Porto aquando da revolta contra o rei D. Miguel que ficou conhecida pela Belfastada. Com a derrota dos revoltosos, exilou-se para Inglaterra.
Regressado do exílio após a vitória liberal de 1833 em Lisboa, foi nomeado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário na Corte de Madrid em 1834 nas negociações visando o reconhecimento por Espanha do governo de D. Maria II. Prosseguiu a sua carreira como magistrado, que terminou como juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Embora se tivesse demitido em 1836, por ser contrário à Revolução de Setembro, foi renomeado posteriormente.
Elevado a visconde, com o título de visconde do Banho, por decreto de 21 de julho de 1835 de D. Maria II, rainha de Portugal, foi par do Reino por decreto de 1 de setembro de 1834, tendo prestado juramento nas Cortes a 28 de janeiro de 1835. Foi Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino do efémero Gabinete dos Mortos, em funções de 4 a 6 de novembro de 1836, embora não tenha sido empossado."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

14 julho, 2025

CANÊLHAS, Armando Almiro -
OS FRANCESES NA REGIÃO DE ÁGUEDA EM 1809 E 1810 E A RESISTÊNCIA DO VOUGA.
Cadernos Anata. [Águeda], Anata, 2004. In-4.º (23x15 cm) de 93, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das Invasões Francesas na zona de Águeda e a resistência que foi movida às tropas invasoras nas margens do rio Vouga.
Ilustrado no texto e em página inteira com inúmeros desenhos - alguns do autor - mapas, reprodução de retratos, gravuras e fotografias a p.b.
Inclui um postal de Águeda ("Entrada da Vila"), brinde da Anata/CM Águeda.
"De uma maneira geral, os historiadores não têm dado muito relevo às acções militares em que não haja combates de grande envergadura, com muito aparato, muitos tiros e grande número de baixas. E, quantas vezes, acções quase apagadas na sua actuação bélica, mas executadas com determinação e embaraçando a manobra do inimigo, podem influenciar, de forma irreversível, toda uma campanha!
E foi isto mesmo que se verificou na Campanha do Vouga em 1809. Embora não tendo havido verdadeiros confrontos, os defensores portugueses conseguiram manter em respeito, por mais de um mês, as tropas napoleónicas de Franceschi, que não se atreveu a passar o rio e a dirigir-se para o sul. Na verdade, esse tempo de espera bastou para desorganizar todo o planeamento da 2.ª Invasão - La belle promenade au Portugal, como teria dito o Imperador - e, simultaneamente, permitiu que os exércitos anglo-luso e português chegassem em tempo útil a Coimbra para iniciar a ofensiva e empurrar, de forma decisiva, os franceses para norte.
Efectivamente, se as tropas de Soult tivessem conseguido romper as linhas de defesa do Vouga, até fins de Abril teria saqueado, primeiro, toda a Bairrada, uma das regiões mais ricas do País, depois tomaria Coimbra e daqui ser-lhes-ia mais fácil estabelecer a ligação, através da Beira Baixa, com o exército de Lapisse que operava em Espanha. Se assim tivesse sucedido, a guerra poderia ter seguido rumo diferente, com consequências funestas para os portugueses. Essa foi a importância da Campanha do Vouga,."
(Excerto da Nota do Autor)
Índice:
Nota do Autor | Antecedentes das Invasões Francesas | Notícias Referentes à Primeira Invasão Francesa na Região de Águeda | A Segunda Invasão Francesa | A Resistência aos Franceses em 1809, na Margem Esquerda do Rio Vouga |  A Campanha do Vouga em 1809: Tão Longe e Afinal Tão Perto de Nós! | E Tudo Assim Terminou? Não. A Guerra Aqui Voltou no Ano Seguinte.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

09 março, 2025

PIMENTA, Belisário -
A PROPÓSITO DA RETIRADA DE SOULT EM 1809
. Guimarães, Tip. Minerva Vimaranense, 1942. In-8.º (22x15 cm) de 31, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante contributo para a história das Invasões Francesas, publicado em separata da «Revista de Gvimarães», Fasc. 4 de 1941.
Ilustrado com duas estampas, sendo uma delas em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Ferreira Martins.
"A retirada do exército de Soult para a Galiza, em Maio de 1809, teve, na sua última fase, aspectos impressionantes que não mereceram ainda a atenção devida por parte dos nossos historiadores da guerra peninsular. Em regra, os sucessos finais englobaram-se em ligeiro capítulo e classificaram-se como fuga apressada e desordenada perante a investida do exército anglo-luso. Possivelmente não se entrou em linha de conta com o terreno que as circunstâncias obrigaram os Franceses a atravessar, e com a qualidade e hábitos das tropas imperiais.
Na verdade, essa parte do vale do Cávado entre o Gerez e as ramificações da serra da Cabreira, independentemente da beleza cenográfica que é impolgante, apresenta tão complicada movimentação que qualquer superficial observador se sentirá embaraçado para a compreender e definir.; depois, mais para cima, quando o fraguedo alteroso e os cortes fundos de feição granítica se começar a modificar e a deixar ver o arredondado das encostas de terra negra que alargam o vale pouco e pouco, na direcção de Montalegre, a orografia é mais ampla, embora à custa da solidão que se acentua e da agrura e dificuldades dos caminhos. [...]
Na verdade, o marechal Soult, embora precedido de justa fama de possuir inteligência bastante culta e de ser um dos generais que melhor sabiam compreender os planos napoleónicos, cometeu vários erros de que resultaram, em parte, as complicações da retirada."
(Excerto do Estudo)
Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (Coimbra, 1879 - Lisboa, 1969). "Nasceu em Coimbra em 1879. Frequentou o colégio externato do Padre Simões dos Reis e depois transitou para o Liceu. Aos 14 anos começou a formar a sua biblioteca pessoal, que no final da sua vida ultrapassava mais de oito mil obras. Seguiu a carreira militar ingressando como cadete na escola Prática de Infantaria de Mafra. Em 1903 foi promovido a alferes e em 1910 passou a ser Comissário da Polícia em Coimbra. A sua vida militar decorreu ainda por Valença, Portalegre, Castelo Branco, Lagos, Porto, Penafiel, Abrantes e Leiria. Em 1913 publica o seu primeiro trabalho sobre Miranda do Corvo, tema que foi uma das suas predileções e cultivou até ao final da sua vida. Os seus escritos sobre o concelho encontram-se dispersos por jornais (Alma Nova, Diário de Coimbra) e monografias, podendo ser considerado como o autor que mais se debruçou sobre o concelho. Privou com figuras ilustres da cultura como sejam Eugénio de Castro, António Nobre, António José de Almeida, Vitorino Nemésio, António Nogueira Gonçalves ou Álvaro Viana de Lemos, entre muitos outros."
(Fonte: https://cm-mirandadocorvo.pt/pt/menu/347/belisario-pimenta.aspx)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

07 dezembro, 2024

OLIVEIRA, Pe. Miguel de -
A CAMPANHA DE ENTRE DOURO E VOUGA NA SEGUNDA INVASÃO FRANCESA
. Coimbra, Coimbra Editora, 1945. In-4.º (24x17 cm) de 17, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio para a história das invasões napoleónicas, no caso, parte da segunda protagonizada por Soult, publicada em separata do Vol. XI do Arquivo do Distrito e Aveiro.
"Ainda hoje o «tempo dos franceses» marca época no espírito do nosso povo. Recordam-se atrocidades e vinganças, cenas de pavor e rasgos de heroísmo, daqueles dias em que Portugal, como diz Camilo, era «tão façanhoso contra franceses e tão roupa deles». Quando, porém, se pretende concretizar algum episódio referido pela tradição, tudo aparece vago e confuso.
Vamos dar sumária notícia do que se passou entre Douro e Vouga, para mais fàcilmente se poderem situar no quadro histórico quaisquer memórias, documentos ou tradições, com que os leitores desejem contribuir para o esclarecimento dessa campanha."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
A invasão dos franceses | A ofensiva luso-britânica | O morticínio da Arrifana | S. João da Madeira e Arrifana | O Pinheiro das Sete Cruzes | Operações na beira-mar.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 agosto, 2024

PIMENTA, Belisário -
UMA EPIDEMIA EM 1811. (Capítulo da História do Concelho de Miranda do Corvo). Por... Coimbra, Livraria Académica : Moura, Marques & Filho, 1942. In-4.º (24x16,5 cm) de [4], 15, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Ensaio histórico. Interessante contributo para os acontecimentos e consequências relacionadas com a 3.ª Invasão Francesa, dedicado sobretudo ao distrito de Coimbra, e em particular ao concelho de Miranda do Corvo. Publicado em: Separata da «Coimbra Médica» - vol. IX, n.º 10 - Dezembro, 1942.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. José Cardoso.
"Quando o exército de Massena, depois de abandonar as posições do Ribatejo e de Tôrres, seguiu para a Beira-Alta, atravessou, em Março de 1811, o concelho de Miranda do Côrvo, de lada a lado, na direcção da Ponte da Mucela, debaixo de forte pressão das fôrças ânglo-lusas.
A parte principal do exército entrou pela estrada que, de Condeixa, segue pela freguesia de Lamas e leva à vila cabeça do concelho; a outra, um só corpo de exército, entrou pela velha «estrada real» que de Tomar dava comunicação para a Beira e Trás-os-Montes.
A campanha que durava desde Outubro do ano anterior, foi duramente assinalada por devastações sem número e violenta mortandade; de modo que o pavor espalhou-se por tôda a Estremadura superior de tal forma que, quando se soube que as tropas napoleónicas vinham açodadas em busca de novas e mais seguras posições, a população das terras a sul de Coimbra abandonou as suas casas e deixou uma zona, ao longo das estradas de marcha, quási deserta e sem recursos. [...]
Depois de os últimos ecos dos combates desaparecerem, e, com a certeza de que os invasores já iam longe e em condições de não voltarem, pelo menos tão cêdo, os povos começaram a regressar às suas terras e a verificar o estado de ruína dos seus haveres e assim a vida no concelho de Miranda do Corvo foi voltando, aos poucos, à sua quási normalidade.
Cêrca de 200 mortos, no concelho, por violência, deu o balanço feito pelos párocos das três freguesias; em Coimbra durante a fuga, morreram alguns fugitivos por doenças; mas todos os sofrimentos poderiam ir esquecendo, se outro mal não surgisse, logo que as populações reentraram nos seus lares.
Esse mal era uma epidemia que veio naturalmente, em conseqüência do contágio adquirido em Coimbra, na aglomeração promíscua de tanto desgraçado fugido.
Pelo exame dos livros de óbitos, o mal apareceu na freguesia de Lamas, freguesia que deu o maior contingente de refugiados na cidade universitária; aí começou o contágio a dar sinal e dali seguiu o seu caminho, alastrando pela zona alta da paróquia para depois descer à de Miranda por ytrajectória difícil de determinar embora se descubra mais ou menos o seu primeiro ímpeto."
(Excerto do ensaio)
Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (Coimbra, 1879 - Lisboa, 1969). "Nasceu em Coimbra em 1879. Frequentou o colégio externato do Padre Simões dos Reis e depois transitou para o Liceu. Aos 14 anos começou a formar a sua biblioteca pessoal, que no final da sua vida ultrapassava mais de oito mil obras. Seguiu a carreira militar ingressando como cadete na escola Prática de Infantaria de Mafra. Em 1903 foi promovido a alferes e em 1910 passou a ser Comissário da Polícia em Coimbra. A sua vida militar decorreu ainda por Valença, Portalegre, Castelo Branco, Lagos, Porto, Penafiel, Abrantes e Leiria. Em 1913 publica o seu primeiro trabalho sobre Miranda do Corvo, tema que foi uma das suas predileções e cultivou até ao final da sua vida. Os seus escritos sobre o concelho encontram-se dispersos por jornais (Alma Nova, Diário de Coimbra) e monografias, podendo ser considerado como o autor que mais se debruçou sobre o concelho. Privou com figuras ilustres da cultura como sejam Eugénio de Castro, António Nobre, António José de Almeida, Vitorino Nemésio, António Nogueira Gonçalves ou Álvaro Viana de Lemos, entre muitos outros."
(Fonte: https://cm-mirandadocorvo.pt/pt/menu/347/belisario-pimenta.aspx)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

03 abril, 2024

PIMENTEL, Alberto - O ANNEL MYSTERIOSO. Scenas da Guerra Peninsular. Romance original de... Bibliotheca Universal dedicada ao Visconde de Castilho. Lisboa, Escriptorio da Empresa, 1873. In-8.º (17x12 cm) de 286, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original de O anel misterioso, considerada uma das mais importantes e apreciadas obras do autor.
"Romance histórico de Alberto Pimentel, cuja acção tem por pano de fundo a Guerra Peninsular e a tomada do Porto pelo exercito francês, durante a segunda invasão francesa. Publicado pela primeira vez em 1873 é considerado um dos mais importantes trabalhos de Alberto Pimentel. A obra foi inspirada num mendigo que vagueava pelas ruas do Porto, conhecido como o Desgraça, e que o autor identifica como tendo sido o militar português José Maria da Graça Strech. A narrativa centra-se no período da Guerra Peninsular, tendo como ponto de partida a tomada do Porto na segunda invasão francesa, e a tragédia da Ponte das Barcas."
(Fonte: Wook)
Ilustrado com belíssimas capitulares e um busto desenhado encimando o primeiro capítulo do livro.
"Entre os typos populares, que pouco e pouco vão rolando a sepulturas ignoradas, deixando após si o rasto d'uma vida sobremodo accidentada de peripecias quasi sempre sombrias, - rasto que só um ou outro escriptor se compraz em procurar desde a cadeia ao degredo, do albergue ao cemiterio, - avulta na tradição portuense um homem que por longo tempo ahi foi o alvo das assuadas do rapazio e dos chascos dos frequentadores de botequim. Uns chamavam-lhe o José das desgraças, outros simplesmente o Desgraça.
Parece dever inferir-se de tão luctuosa alcunha que a população da cidade lhe conhecia a biographia porventura exuberante de lastimosos lances. Tal não ha. Quando elle passava coxeando arrimado ao seu bordão, sobraçada a guitarra inseparavel, de velho chapéo alto amassado, sobrecasaca abotoada, pendente a medalha de prata da guerra peninsular, annel d'ouro na mão esquerda, na bocca o enorme cigarro que elle proprio manipulava com pontas de charuto, seguido do cão fiel, que se chamava Junot, por motivos que mais tarde desvendaremos, o gentio das ruas ou sorria alvarmente da pittoresca pobresa do excentrico mendigo, ou rompia em apostrophes de Ó Desgraça! Ó Desgraça! que elle parecia não ouvir ou despresar em sua imperturbavel serenidade.
E a populaça, sem siquer suspeitar da tenebrosa origem do cognomento, quedava-se a ouvil-o, calmadas as arruaças com que era saudado, quando elle, sentado á porta d'um café, especialmente o do jardim de S. Lazaro, começava a tanger melancolicamente a sua guitarra, na qual executava operas completas, queimando o seu enorme rolo de tabaco e contemplando, de cabeça inclinada, o cão que parecia escutal-o attentamente...
Depois, quando a mão caía extenuada sobre as cordas silenciosas, affigurava-se, tão alheado ficava, que estava rememorando maguas intimas, segredos da sua vida obscura, sem que parecesse dar tento das esmolas que lhe atiravam ao regaço os que entravam os saíam a porta do botiquim. [...]
O povo não suspeitava siquer que a biographia d'aquelle homem justificasse o appellido. [...]
Estranho homem devia de ser esse, que parecia guardar grande mysterio, e tinha por unico amigo, entre uma população inteira, que o apupava, o cão fiel, e por consolação unica a sua guitarra, e por unica protecção a piedade dos seus conterraneos, que elle não implorava! [...]
E todavia este homem era um grande desgraçado, que só tinha no mundo a sua guitarra, o seu cão, e as suas recordações. O annel, que trazia na mão esquerda, podia matar-lhe talvez um dia de fome, mas não haveria miseria que lh'o arrancasse do dedo, porque as suas recordações estavam n'aquelle annel."
(Excerto de I - O Desgraça)
Alberto Pimentel (1849-1925). "Nasceu no Porto a 14 de Abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros.  Camilo Castelo Branco – que conheceu pessoalmente, lhe prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras – é o seu ídolo e o seu Mestre.  Morreu em Queluz no dia 19 de Julho de 1925."
(Fonte: Wook)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com carimbo oleográfico e rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
45€

09 dezembro, 2023

FERREIRA, Antonio Joaquim - A FORÇA DO DESTINO. (Scenas da Beira). Romance original. Vizeu, Typographia da Folha, 1888. In-8.º (22x15 cm) de 249, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Romance cuja enredo tem lugar, em grande parte, no distrito de Viseu, com menção de diversos lugares e povoações. Olinda vê contrariado o seu desejo de casar com Lúcio, estudante de Coimbra, por seu pai, que exige que contraia matrimónio com um fidalgo seu conhecido. A recusa da moça conduz ao seu enclausuramento no convento de Ferreira de Aves, Sátão. Mais tarde, perante a notícia da morte do rapaz, Olinda cede à vontade paterna...
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. rosto ao "bom amigo Armando".
Nada foi possível apurar acerca do autor ou do romance por inexistência de fontes bio-bibliográficas, incluindo a BNP, mas será oriundo da zona de Viseu, já que o livro foi impresso nessa cidade, e a sua dedicatória ao seu amigo, datada de 1900, foi escrita em Viseu.
"O anno de 1810 apparecia como que annuviado nos horisontes, quasi sempre alegres, da nacionalidade portugueza. Dir-se-hia proximo algum cataclysmo, d'esses que, d'um instante para o outro, metamorphoseiam gerações, deruem thronos e fazem novos escravos; d'essas transformações, vigorosas e radicaes, que submergem um povo na valla do Nada, fazendo-lhe desapparecer todo o prestigio e valor, força e acção, para, sobre as ruinas, posto que, muitas vezes, ainda incandescentes, levantarem uma nacionalidade, elevarem outro povo, que, menospresando as leis do direito e da justiça, - peculiares a cada um, se impõe, somente pelo direito da força que não pela força do direito.
Brutalidades incommensuraveis, só baseadas na ambição desmedida ou quasi sempre geradas do odio, rancor e inveja!
E Portugal o que temia para os seus horisontes apparecerem envoltos com a neblina escura e triste dos grandes receios?![...]
A fuga antecipada e cobarde, premeditada e anti-patriotica da corte de Portugal em 1807; as luctas e pugnas decorridas até 1810, eram um prenuncio infausto de factos que deviam realisar-se.
A desconfiança é quasi que um prognostico da realidade.
Os factos consummaram-se e em 1810 tinhamos novos combates com os francezes."
(Excerto do Prologo)
"Os soldados francezes, avidos de vingança, tinham espalhado o terror por toda a parte. Todos quantos podiam, fugiam á furia d'aquelles espectros.
A annunciada aproximação d'elles a Almeida, fez com que a maior parte dos habitantes de pozesse em fuga, com tudo o que podiam para não serem expoliados e roubados pelas hordas napoleonicas.
Em um dia quente e formoso, via-se seguir o caminho sinuoso dos valles e montes, um mancebo de olhar firme e intrasigente, montado n'um fogoso cavallo árabe, castanho, de crinas espessas e lustrosas, e de extraordinaria cauda; quem o visse com uma creança apertada de encontro ao peito arquejante, envolvida em fachas brancas de neve, seguido por uma mulher divinamente bella, de cabellos pretos, de azeviche, e com os olhos marejados de lagrimas, adivinharia, sem custo, que eram esposos e que temiam alguem.
Acompanhava-os, como creado-guia, um rapaz robusto dos seus 29 annos, de pelle acobreada, chapeu de aba larga, impedindo que o sol lhe désse no rosto e com um valente cajado pendente das mãos callosas, conduzindo duas cavalgaduras."
(Excerto de I - Á mercê do destino)
Encadernação coeva em meia de percalina com título gravado a seco e a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas com desgaste, sobretudo nos cantos. Interior correcto.
Muito raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
85€

28 novembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - A MARQUEZA DE CHAVES
. Porto, Livraria Civilização, 1922. In-8.º (18 cm) de 570 p. ; [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia de D. Francisca Xavier Teles da Silva de Noronha Camões e Albuquerque (1795-1845), uma "mulher de armas". Acompanhou o marido, Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, o 1.º Marquês de Chaves, em 1808, na revolta contra os franceses de Junot e durante a Guerra Peninsular. Apoiante de D. Miguel, sublevou as tropas em Trás-os-Montes e acompanhou os revoltosos que não aceitaram o regime saído da Revolução Liberal, nalgumas ocasiões substituindo no comando o marido, exilado em Espanha.
Livro ilustrado com um retrato da 1.ª Marquesa de Chaves em separado.
"Junot, logo que se instala em Lisboa, cura imediata e paralelamente dos serviços militares e de organisar a policia. Escolhe para seu chefe Pierre Lagarde,que desempenhára egual cargo em Veneza, muito a contento do general Buonaparte. Investido de poderes discricionarios, depressa excede em tirania o autoritarismo de Pina Manique, sem possuir a largueza de vistas destes."
(Excerto do Cap. II - Conspirações)
Encadernação inteira de pele, com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada algo desgastada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

13 fevereiro, 2022

COLLECCÇÃO DAS CARTAS DO SOLDADO PORTUGUEZ
. Lisboa, Na Tipografia do Largo do Contador Mór, n.º 1. 1838. In-8.º (20,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para o conhecimento da organização do exército português nas campanhas peninsulares sob o ponto de vista militar e administrativo. Folheto desencadernado, sem capas, conforme saiu dos prelos.
"Um soldado para entrar em uma campanha regular não se faz em menos de 6 mezes, e precisa pelo menos dois annos de exercicio para adquirir aquella mobilidade que constitue o verdadeiro soldado, e sem a qual não apresentariamos por uma marcha rapida 33$ homens na batalha de Victoria sem ficar á rectaguarda um só soldado! Um soldado podesse aguerrir  tornar intrepido dentro de um anno, mas bem disciplinado só depois de muitos de oddiencia, porque a obdiencia é um habito que só se adquire pelo tempo! Assim para se emprehender uma campanha aberta é preciso que o Exercito esteja predisposto com antecipação e conheça os seus officiaes para saber o que tem a esperar delles. O systema de levntar corpos em massa não produz bom resultado se não em guerras intestinas quando a força moral os precede como uma vanguarda, de outra sorte não servem para nada, a não ser para augmentar a desordem e anarchia; levar o máo exemplo aos corpos de linhas e insubordina-los, como succedeu no Porto em 1809, pela entrada do Marechal Soult, com as legiões, posto que bem fardadas e disciplinadas, que foram a causa principal dos Francezes em menos de tres horas, tomarem uma formidavel linha de reductos e passar a Villa Nova só com a sua primeira linha de atiradores pela desordem, e anarchia em que a cidade se pôs! [...]
Se queremos ser Nação livre, e independente é preciso ter um Exercito com o qual em ponhamos respeito na paz para evitarmos a guerra, mostrando ás Nações da Europa que podemos defender-nos de um momento para o outro; e mandando ás Nações beligerantes officiaes habeis para ter-mos a final bons Generaes que nos commandem com acerto, porque diz o nosso imortal Camões, o Principe dos nossos Poetas, que
A disciplina militar prestante,
Não se aprende, senhor, na fantazia
Sonhando, imaginando, ou estudando,
Senão vendo, tratando, pelejando."
(Excerto da 5.ª Carta)
António Duarte Pimenta (1783-1843/1844?). "Cav. da Ord. de S. Bento de Avis, condecorado com a Cruz de ouro de todas as campanhas da guerra peninsular, e com a Estrella d’ouro da guerra de Montevideu, Major do Exercito, tendo feito a primeira das referidas guerras no posto de Tenente do regimento de infanteria então n.º 18. – N. na cidade do Porto em 1783, e m. em Lisboa pelos annos, credo, de 1843 a 1844.
Escreveu:
Collecção das Cartas do Soldado Portuguez. Lisboa, na Typ. do Largo do contador mór 1838. 8.º gr. de 47 pag. - foram primeiramente insertas em varios numeros do Correio de Lisboa, jornal politico. Contem algumas noticias curiosas e interessantes para a historia do nosso exército no periodo decorrido de 1808 a 1814. Sahiram sem o nome do auctor;
Emilia ou o merito exaltado: poema. Ibi, na Off. de J. N. Esteves. 183…? 16.º - Tambem anonymo. - Nada vale.
Golpe de vista sobre alguns movimentos e acções do regimento n.º 18 na guerra peninsular. Ibi, 1814. 8.º - É um pequeno folheto.
Diferentes periodos da vida do Major Pimenta extrahidos de um manuscripto que appareceu no Rio de Janeiro em 1838. Bruxellas (alias Lisboa) Imprensa Portugueza 1842. 16.º de 32 pag. - Se é verdade o que ahi se diz, foi elle o que mais efficazmente promoveu a revolução do Rio de Janeiro em 26 de Fevereiro de 1821 a favor da Constituição proclamada em Portugal a 24 de Agosto do anno antecedente, e deveu‑se‑lhe todo o resultado dos successos d’aquelle dia."
(Fonte: https://escritoreslusofonos.net/2019/03/10/antonio-duarte-pimenta/)
Exemplar em brochura, preso por atilhos, em bom estado geral de conservação. Capa/f. rosto manchada.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
35€

19 janeiro, 2021

CARVALHO, Francisco Augusto Martins de - GUERRA PENINSULAR. Notas, episodios e extractos curiosos.
Colligidos por... (Este livro não se expõe á venda)
. Coimbra, Typographia Auxiliar d'Esciptorio, 1910. In-8.º (22 cm) de 97, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Edição fora de mercado, rara e muito interessante. Trata-se da compilação de alguns episódios e factos históricos relevantes para o estudo das Invasões Francesas no contexto da Guerra Peninsular, que tiveram lugar, sobretudo, no distrito de Coimbra.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, datada de 1910, a Manuel de Carvalhas.
"Tendo-se revoltado a cidade de Coimbra contra os francezes, e não havendo polvora para a campanha que se preparava, tratou-se immediatamente de proceder no Laboratorio chimico da Universidade á elaboração d'aquelle material de guerra.
Principiaram os trabalhos logo no dia 26 de Junho, sob a intteligente direcção do lente de chimica, o dr. Thomé Rodrigues Sobral.
Na tarde d'esse dia veiu da quinta de Santa Cruz uma carrada de vides para fazer carvão.
Ás 10 horas da noute appareceu já alguma polvora feita; mas como não houvesse quem soubesse encartuchar, nem tambem houvesse balas feitas, mandaram-se vir do hospital dois soldados portuguezes convalescentes, para fazerem cartuchos, e se mandaram egualmente chamar todos os ourives e funileiros para fundirem as balas, no que se occuparam toda a noite, sem descançarem, apromptando as fôrmas, fundindo e ensinando tambem os outros."
(Excerto do Cap. III, Fabrico da polvora em Coimbra)
Indice:
I - Legiões. II - Donativos e presentes entre portuguezes e inglezes. III - Fabrico de polvora em Coimbra. IV - Celebre representação da Camara de Ançã. V - Batalha do Bussaco. VI - Estragod causados pelo exercito de Massena em Coimbra, Condeixa a Velha e Condeixa a Nova. VII - Execuções em Coimbra durante o periodo da guerra peninsular. VIII - O juiz do povo de Coimbra e o marechal Beresford. IX - Lapides nas sepulturas de alguns officiaes inglezes, mortos em Portugal, durante o periodo da guerra peninsular. X - A batalha de Albuera. XI - Varias notas e episodios curiosos. XII - Depois da batalha do Bussaco.
Francisco Augusto Martins de Carvalho (Coimbra, 1844 - 1921). Militar português, atingiu o generalato. "Filho do jornalista Joaquim Martins de Carvalho. Tendo seguido carreira militar, prestou serviço em Portugal, Moçambique e Índia. Em 1896 regressou a Portugal e, por morte de seu pai, assumiu a direcção de "O Conimbricense" entre 1898-1907. Martins de Carvalho (Filho) é autor de trabalhos de temática militar e de valiosos levantamentos sobre a história de Coimbra."
(Fonte: http://guitarradecoimbra.blogspot.com/2006/09/martins-de-carvalho-filho-retrato-do.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

23 dezembro, 2020

HISTÓRIA DO REGIMENTO DE INFANTARIA N.º 1 : 1648--1942. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa dos Pupilos do Exército, Lisboa], [19--]. In-8.º (21 cm) de 72 p. ; B.
1.ª edição.
Resenha histórica do Regimento de Infantaria n.º 1, com múltiplas referências à sua participação na Grande Guerra e um capítulo dedicado ao conflito que traça o roteiro do Regimento por terras de França, incluindo a descrição da batalha de La Lys. Enumera ainda as perdas de Infantaria n.º 1 na Flandres - mortos, feridos, gaseados e prisioneiros.
No final do livro em "Um exemplo de bravura e de brio militares" é descrita a acção heróica do soldado Francisco Balbino - servente n.º 1 de metralhadoras - em 9 de Abril de 1918, durante a Batalha do Lys.
Contém o hino do Regimento de Infantaria n.º 1, a lista dos seus comandantes e das suas efemérides.
"Em Agôsto de 1914 rebenta a Grande Guerra, declarando o Chefe do Govêrno Português, no Parlamento, no dia 8 dêsse mês, que Portugal em circunstância alguma faltaria aos deveres de aliança, livremente contraídos com a Inglaterra.
Como consequência desta política é logo em Outubro organizada uma Divisão completa a que se dá o nome de Divisão Auxiliar à França, a qual se deveria preparar para marchar oportunamente a enfileirar-se ao lado dos aliados na frente ocidental da Europa. Desta Divisão deveria fazer parte o 1.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1.
Os aliados, porém, pretendem que Portugal se não comprometa com uma declaração de guerra e pedem simplesmente que lhe seja fornecida artelharia.O Ministro da Guerra opôs-se, por entender que seria uma afronta para o Exército Português o fornecimento de material sem o pessoal para o servir.
As negociações diplomáticas vão-se arrastando e a 9 de Agôsto de 1915 o Govêrno Português resolve que a Divisão cuja mobilização se estava preparando como auxiliar à França, passaria a ser destinada a criar um nucleo de tropas capaz de fazer face a qualquer emergência onde quer que se tornasse necessária a sua intervenção. E assim nasceu a Divisão de Instrução que, em Março de 1916, se reüniu no Campo de Manobras de Tancos, a fim-de se preparar para a eventualidade reputada inevitavel de combater o inimigo no Continente da República, nas nossas Colónias, ou em qualquer parte do Mundo. [...]
Foi a Divisão de Instrução que veio a constituir o nucleo do Corpo Expedicionário Português que, a partir de Janeiro de 1917, foi enviado a França, enfileirando-se ao lado dos aliados, a fim-de combater os alemães que no dia 9 de Março de 1916 nos tinham declarado a guerra.
A 27 de Maio de 1917 embarcou para França o 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1, indo acantonar em Ouwe-Werquim onde começou a receber instrução. Passado um mês mudou para Euquim-les-Mines de onde as companhias isoladamente foram completar a sua instrução ás trincheiras inglesas proximas de Locon. [...]
Em 21 de Novembro de 1917 foi render Infantaria n.º 14 no sector de Fauquissart II.
Pelas 15 horas de 23 dêsse mesmo mês um intenso bombardeamento de artelharia e morteiros é feito sobre as 1.ª e 2.ª linhas, trincheiras de comunicação e comando do batalhão.
Após 10 minutos de fogo, forças alemãs, no efectivo de aproximadamente 1 companhia, lançam-se ao assalto da 1.ª linha, onde havia um saliente, o Red Lamp Corner, que estava apenas a 40 metros das trincheiras inimigas e foi o primeiro a ser assaltado.
Encontrava-se neste saliente um posto com o efectivo de 6 praças comandadas por um 2.º cabo que, depois de atacado à granada de mão e a tiro de pistola, é intimado a render-se, chegando mesmo algumas praças a ser agarradas pelo inimigo. A guarnição responde, porem, a esta intimação com um fogo vivo de espingarda e granada de mão, travando-se um combate renhido de que resultou ficarem feridos 1 oficial e alguns soldados alemães, um dos quais foi feito prisioneiro.
Repelida esta investida, novas se fazem mas foram também repelidas e com o mesmo denodo, mostrando sempre as praças o maior sangue-frio."
(Excerto de A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Grande Guerra)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
25€

08 maio, 2020

EULLER, Conde Kewen -  MAXIMAS DA GUERRA RELATIVAS AOS CAMPOS, E SITIOS. Pelo..., Traduzidas do Alemão, Pelo Barão de Sinclaire, em Francez; e deste para o Portuguez por hum Official de Infanteria. Lisboa, Na Impressam Regia, 1810. Por Ordem Superior. In-32.º (9,5 cm) de [16, 124 [8] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso tratado coevo de doutrina bélica, publicado em pleno período de campanhas napoleónicas.
Exemplar muito valorizado pela inscrição manuscrita, autografada, no verso da pasta anterior, por Bartolomeu Sesinando Ribeiro Arthur (1851-1910), coronel de infantaria, escritor, historiador e artista plástico, afirmando a pertença do livro a seu pai, o General Sesinando Ribeiro Arthur (1807-1873), um dos bravos do Mindelo que tomou parte no cerco do Porto.
"A Traducção que vos offereço, tem sido desejada de alguns Officiaes que a tem lido; e eu me lisongearei se o for de todos, e do Publico: pois na occasião presente poderá ser de utilidade, visto que he hume verdadeira memoria do que se deve praticar na Arte da Guerra."
(Excerto do preâmbulo, Ao leitor)
"Maximas Geraes. Invocar o Deos dos Exercitos será o primeiro dever de hum Militar. Os homens d'experiencia, de espirito, e confiança serão consultados. Não se deve perder, nem desprezar occasião favoravel. Não se deve conferir commando algum, senão a homens de boa vontade, e de capacidade reconhecida.
[...]
Deve-se tirar hum perfeito conhecimento do paiz, e que se estenda sobre a fertilidade do terreno, sobre os costumes, caracter, e inclinações dos habitantes; sobre as forças do Inimigo, em que frente póde marchar, e desenvolver-se em batalha: sobre as proprias forças, recursos, e socorros, que se podem esperar, seja de tropas, ou de dinheiro.
[...]
As tropas se devem conservar em sevéra disciplina, e continuo exercicio, recompensando as boas acções, e castigando os que obrarem mal."
(Excerto de Guerra de Campanha, Maximas Geraes)
Index:
Ao leitor [preâmbulo]. | Dedicatoria a S. A. o P. Pallatino Maximilliano. | Parte I - Guerra de Campanha: Maximas geraes. Arranjamentos, Precauções e Preparativos: Quanto ao exercito; Quanto ás provisões; Quanto ás operações. Operações e Acções de Guerra: Marchas, Acampamentos, Alojamentos, Batalhas, Combates, e Manobras. Marchas: Quanto ao lugar; Quanto á ordem; Quanto ao tempo; Quanto ao modo. Acampamentos, ou Acantonamentos: Modo de acampar, ou acantonar as tropas; Campos estaveis; Quarteis d'inverno. Batalhas: Maximas geraes; Razões para dar batalha; Razões para evitar batalha; Meios de obrigar o inimigo a  dar batalha; Disposição; Acção. Combates: Surpresas; Emboscadas; Retiradas; Encontros; Escaramuças; Depois dos combates. Manobras: Offensivas; Defensivas. | Parte II - Guerra dos Sitios: Fortalezas: I - Praças; II - Cidadellas. Abastecimento das Praças: I - Tropas; II - Munições; III - Viveres; IV - Ferramentas. Precauções para a Segurança das Praças: I- Corpos de guarda; II - O abrir, e fechar das portas; III - Ordens, rondas, e patrulhas; IV - Casos de rebate. Ataque das Praças: I - Viva força; II - Bloqueio; III - Surprezas; IV - Sitio em fórma. Defeza das Praças: I - Contra o ataque de viva força; II - Contra o bloqueio; III - Contra as surprezas; IV - Contra o sitio em forma; V - Socorros. | Index. | Erratas.
Encadernação antiga simples, cartonada.
Exemplar em bom estado de conservação, tendo em falta(?) uma folha do índice.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
35€

07 julho, 2018

PROCLAMAÇÃO Do Tenente General Hope, Comandante das Tropas Britanicas para a inmediata Segurança e Tranquillidade de Lisboa. Habitantes de Lisboa.
PROCLAMATION By Lieutenant General Hope, Comanding the British Troops, for the immediate Protection and Tanquility of Lisbon.

[Lisboa], Na Impressão Regia, [1808]. In-fólio de 3, [1] p.
1.ª edição.
Importante peça da Guerra Peninsular. Impressa em duas línguas (português/inglês), trata-se da histórica proclamação publicada após a libertação de Lisboa, em 1808, no final da 1.ª Invasão Francesa comandada por Junot, visando o estabelecimento da ordem pública e conter os assaltos e pilhagens.

"Habitantes de Lisboa.
O Vosso Paiz he resgatado, e vós tornais a ser livres; a vossa Bandeira Nacional fluctúa em toda a parte do Reino. [..] Para que pois os mal intencionados (se he que os ha) não convertão a verdadeira liberdade em demaziada soltura, e a fim de evitar na presente crise as terriveis consequencias de hum tal acontecimento, cumpre ao Commandante em Chefe, e áquelles, a quem tem immediatemente delegado a Superintendencia da Tranquillidade Publica desta Cidade, vigiar com summo desvelo na sua paz e socego, e na Segurança das pessoas, e Propriedades de seus leas e bons Habitantes. Para conseguirmos este fim, será indispensavel, por pouco tempo, conservar Guardas fortes, Piquetes e Patrulhas em varios sitios, a fim de segurar e prender toda a pessoa que se atrever a perturbar a Tranquillidade Publica.
(Assignado) JOÃO HOPE,
Tenente General."
(Excerto da Proclamação)
John Hope (1765 - 1823). Comandante militar do Exército Inglês. O General Hope, 4.º Conde de Hopetoun PC KB FRSE, conhecido como o Honorável John Hope de 1781 a 1814 e como Lord Niddry de 1814 a 1816. Foi um político escocês e oficial do exército britânico. Atingiu o posto de general, tendo servido sob as ordens do Duque de Wellington nas guerras napoleónicas, principalmente no Mediterrâneo e nas Campanhas Peninsulares. Tinha fama de valente, e foi altamente recomendado por Wellington.
Muito raro.
Com indubitável interesse histórico e olisiponense.
Peça de colecção.
40€

11 junho, 2018

DESCRIPÇÃO DAS FESTAS, E LUMINARIAS, COM QUE A MUITO NOBRE, E SEMPRE LEAL CIDADE DE LISBOA CELEBROU NO DIA 15 DE SETEMBRO DE 1808, E SEGUINTES O ARVORAMENTO DA BANDEIRA PORTUGUEZA NO CASTELLO DE S. JORGE DESTA CIDADE. Feliz annúncio da Restauração da Patria, pela Evacuação das Tropas Francezas em Portugal, convencionada entre Sir Dalrymple, General em Chefe do Exercito Britanico, e Junot, General em Chefe do Exercito Francez, em 30 de Agosto do mesmo anno. LISBOA : NA IMPRESSÃO REGIA. ANNO 1808. Com Licença. In-8.º (19,5cm) de 14 p.
1.ª edição.
Descrição dos festejos que ocorreram  na cidade de Lisboa por ocasião da retirada das tropas francesas de Jean-Andoche Junot, general de Napoleão, que comandou a 1.ª Invasão Francesa. Trata-se de um importante documento coevo, pois fornece dados para a compreensão da organização e celebração das festas populares na época, e suas ambiências.
"Finalmente raiou o felicissimo dia de quinze de Setembro, ditoso dia, em que recobrou a Cidade de Lisboa a liberdade usurpada. [...]
Os ares retinírão com vivas, a acclamações, quando poucos minutos antes de meio dia se vio arvorar a Bandeira Portugueza no Castello de S. Jorge, sustentada por huma salva Real de 21 tiros, e nas Praças, e Ruas da Cidade, nas quaes se achava innumeravel Povo, era geral o alvoroço, e contentamento."
(Excerto do texto)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e olisiponense.
Indisponível

01 abril, 2018

PROCLAMAÇÃO. O Marechal General Lord Wellington.
[S.l.], Na Impressão Regia, [1810]. In-fólio (31cm) de [1] f.
1.ª edição.
Importante peça da Guerra Peninsular. Datada de 1 de Agosto de 1810, esta proclamação é um sério aviso (e
uma promessa de punição) aos mensageiros que, a mando do Estado Maior francês, distribuíam a correspondência pelo inimigo.
"Tendo chegado ao meu conhecimento que algumas pessoas são mandadas pelo inimigo ao interior do Reino, com cartas, e mensagens para differentes Individuos, Cidades, e Villas; todas estas pessoas deverão ser logo apprehendidas como criminosas, e remetidas com as cartas, de que se acharem encarregadas, ao meu Quartel-General."
(Excerto da Proclamação)
Arthur Colley Wellesley (1769-1852). Natural de Dublin (Irlanda), 1.º Duque de Wellington - Comandante-em-Chefe dos exécitos britânicos, portugueses e espanhóis na Guerra Peninsular -, combateu os marechais de Napoleão durante as Invasões Francesas. Além de prestigiado militar fez carreira política, ocupando o cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido em duas ocasiões.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
35€

01 fevereiro, 2018

[PROCLAMAÇÃO]. Lord Visconde WELLINGTON, Marechal General, etc. etc. etc.
[S.l.], Na Impressão Regia, [1810]. In-fólio (31cm) de [1] f.
1.ª edição.
Importante peça da Guerra Peninsular.
"Trata-se da raríssima folha volante, com a notável proclamação do Marechal Wellington [mais tarde, Duque de Wellington] aos Portugueses pedindo e obrigando a utilização de todos os meios possíveis para atrasar a progressão do exército francês comandado por Massena na 3.ª Invasão de Portugal. Foi em grande parte como resultado desta 'política de terra queimada' (curiosamente, aqui utilizada 2 anos antes da mesma estratégia utilizada por Kutuzov contra a invasão francesa da Rússia!) que o exército luso-inglês conseguiu rechaçar as tropas francesas de Portugal."
                                              ................
"O TEMPO que tem passado, durante o qual o Inimigo ha permanecido sobre as Fronteiras de Portugal, tem felizmente fornecido á Nação Portugueza, experiencia do que tem a esperar dos Francezes. Os povos de algumas Villas tinhão ficado nellas, fiados nas promessas do Inimigo, e em vão capacitados de que tratando os Inimigos da sua Patria de huma maneira amigavel, poderião assim conciliar, e reduzir o Inimigo a praticar para com elles sentimentos humanos, e huma conducta clemente, e que os seus bens serião respeitados, as suas Mulheres livradas de huma brutal violação, e as suas vidas garantidas. Vans esperanças! [...] Os Portuguezes vem agora, que lhes não resta outro remedio para evitarem os males, com que são ameaçados, senão huma determinada, e vigorosa resistencia, e hum firme proposito de difficultar, quanto for possivel, o adiantamento do Inimigo para o interior do reino... [...] e todas as Pessoas de qualquer classe que sejão, que mantiverem a menor comunicação com o Inimigo, ou que os ajudarem, ou assistirem em alguma cousa, serão considerados traidores contra o Estado, e serão julgados, e castigados em conformidade ao que exige hum tão enorme crime. Quartel General Agosto 4 de 1810.
Wellington"
(Excerto da Proclamação)
Arthur Colley Wellesley (1769-1852). Natural de Dublin (Irlanda), 1.º Duque de Wellington - Comandante-em-Chefe dos exécitos britânicos, portugueses e espanhóis na Guerra Peninsular -, combateu os marechais de Napoleão durante as Invasões Francesas. Além de prestigiado militar fez carreira política, ocupando o cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido em duas ocasiões.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com pequeníssimos furos de traça à cabeça, sem no entanto atingir a mancha tipográfica. Pelo interesse e raridade, a justificar trabalho de restauro e eventual encadernação.
Muito raro.
Com indubitável interesse histórico, estratégico e militar.
Peça de colecção.
Indisponível

14 dezembro, 2017

AZEVEDO, Antonio Soares d' - ODE PINDARICA, AO ILL.ᴹᴼ, E EX.ᴹᴼ SENHOR ARTHUR WELLESLEY, MARQUEZ DE WELLINGTON, E DE TORRES VEDRAS, DUQUE DE CIDADE RODRIGO, COMMANDANTE EM CHEFE DOS EXERCITOS ALLIADOS EM PORTUGAL, E HESPANHA, ETC. ETC. ETC. Por... Bacharel Formado em Canones pela Universidade de Coimbra. Porto, Na Typ. que foi de Antonio Alvarez Ribeiro, 1812. Com licença da Meza do Desembargo do Paço. In-8.º (19cm) de 18 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa composição poética dedicada a Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington.

"Das golpeadas hostes as veredas
                Marcaõ rios de sangue,
Que os outros rios a engrossar descendo,
Vaõ lacerados corpos revolvendo.
Sobranceiro insta o braço triunfante,
Que para d'hum só golpe alli puní-las
Sobre Fuentes d'Honor faz reuní-las:
E mil raios entaõ juntos vibrando,
Aos pés da Luzitania libertada
A Franceza altivez reduz ao nada.
"

(Antistrophe X.)

Bom exemplar. Páginas com picos de acidez.
Invulgar.
Indisponível

13 junho, 2017

SAMPAIO, Adrião Pereira Forjaz de - MEMORIAS DO BUÇACO, por... Parte Primeira [e Parte Segunda]. Coimbra, Na Imprensa da Universidade. 1838-1839. 2 vols in-8.º (14,5cm) de XIII, [3], 92 p. e [4], 81, [3] p. ; E. num único tomo.
1.ª edição.
Raríssima edição original, em dois volumes, deste "proto-guia" da Serra do Buçaco. De acordo com Isilda Leitão, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, "anterior ao Guia Historico do Viajante do Bussaco, uma obra importante para a construção da imagem do Buçaco na época (ou actualmente), é a de Adrião Pereira de Sampaio, Memorias do Bussaco, seguidas de Uma Viagem á Serra da Louzan, que conheceu a sua terceira edição em 1864. Esta obra, ignorada pelos estudos turísticos e literários actuais, conquanto não se apresente como um guia turístico é, quanto a nós, um "pré-guia" do Bussaco, ou seja, antecipa, pela forma, a obra O Bussaco, de Lopes e Mattos e o Guia do Viajante do Bussaco, de Augusto Mendes Simões de Castro.".
Além da descrição da serra, dos seus monumentos e locais de interesse lúdico, histórico e arquitectónico, a presente obra inclui o relato da Batalha do Buçaco, ocorrida em 27 de Setembro de 1810, durante a Terceira Invasão Francesa, entre as forças aliadas comandadas por Wellington, e o exército invasor de Massena. Ainda relativamente a este assunto, em apêndice, o autor inclui documentos justificativos desse episódio militar: 1.º Officio de Lord Wellington a Lord Liverpool, datado de 30 de Setembro de 1810; 2.º Officio do Marechal Beresford ao Ministro da Guerra, na mesma data; 3.º Officio do Marechal Massena ao Marechal Bertier.
Adrião Pereira Forjaz de Sampaio (1810-1874). "Fidalgo cavaleiro da Casa Real por sucessão a seus maiores, do conselho da rainha D. Maria lI, de D. Pedro V e de D. Luís I, comendador da Ordem de S. Tiago, doutor e lente de prima jubilado de direito na Universidade de Coimbra, vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, sócio correspondente da Academia Real das Ciências, do Instituto de Coimbra, e do Conservatório da Arte Dramática, etc. Nasceu em Coimbra a 10 de fevereiro de 1810, faleceu na Figueira da Foz a 11 de setembro de 1874. Matriculou-se pois aos quinze anos na Faculdade de Leis. O seu curso foi dos mais brilhantes, em todos os anos, recebendo, ao conclui-lo, as melhores informações e as mais distintas classificações. Durante a guerra civil esteve a universidade fechada, a qual reabriu em outubro de 1854, e Adrião Forjaz recebeu o grau de doutor, em 14 de junho de 1835. Desde logo, e ainda como simples doutor, foi chamado ao serviço do professorado, sendo-lhe dada a regência da cadeira de Economia Política e de Estatística, que na faculdade de Direito se criara pela reforma de 1836, e de que ele foi o primeiro lente. Tendo subido por escala todos os degraus do professorado da sua faculdade, e completando sem interrupção trinta anos de bom e efectivo serviço desde o seu primeiro despacho para lente substituto até ao lugar, o último, superior a todos, de lente de prima, decano e director da mesma faculdade, foi jubilado em 1868." A sua bibliografia é extensa e variada; a primeira obra que publicou foi as Memorias do Busssaco.
(fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/sampaioapf.html)
Encadernação inteira de pele, com cercadura dourada nas pastas e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Indisponível