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31 dezembro, 2015

DUAS PALAVRAS SOBRE A CANDIDATURA DE S. M. EL-REI D. FERNANDO AO THRONO DE HESPANHA : por um Portuguez. Lisboa, Lallemant Frères, Typographos, 1870. In-8.º (21cm) de 68 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo sobre a Questão Ibérica.
"Em 1868 rebentou uma grande revolução em Espanha, sendo a rainha Isabel expulsa do reino juntamente com todos os membros da família real. O governo provisório não quis de forma alguma que se estabelecesse a republica; lembraram-se de D. Fernando para seu rei, na esperança também de que no futuro se pudesse realizar a união ibérica por muitos desejada. D. Fernando, porém, fez constar oficialmente que não aceitaria nunca a coroa de Espanha, se lha oferecessem. Em 1869 com o casamento morganático de D. Fernando com a condessa de Edla, Elisa Hensler, realizado em 10 de junho em Benfica na capela do palácio de S. Domingos, residência da infanta D. Isabel Maria, renovou-se a questão acerca do trono de Espanha, chegando a vir para Lisboa um novo ministro espanhol, D. Angel de los Rios, para tratar especialmente desse assunto. Houve as propostas mais vantajosas para D. Fernando, que por fim se decidia a aceitar, impondo além doutras condições, que nunca as duas coroas pudessem reunir-se numa só cabeça. Como a união ibérica era o fim principal desta insistência ficou terminada a questão, desistindo a Espanha do seu intento."
(fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/fernando2.html)
                                      ...............................
"Horas de cruel amargura se approximão para este bom povo portuguez.
Seja qual fôr o desfecho d'essa cruenta lucta que hoje se está ferindo nas margens do Rheno, Portugal soffrerá necessariamente as legitimas, mas terriveis, consequencias da grande parte que os seos ineptos governantes tiveram nas origems d'essa lucta.
Não bastavam a este desgraçado paiz as calamidades internas que lhe estão minando, de ha muito, a prosperidade de que é digno, e a que podia aspeirar em presença das condições do seo sólo.
Faltava ainda que a inepcia de seos governantes lhe acarretasse complicações externas que, talvez dentro de poucos dias, façam riscar do mappa da Europa mais uma nação independente, cujo nome por tanto tempo andou outr'ora na vanguarda do progresso e civilisação. [...]
Esses culpados das complicações externas, que estão pondo em imminente risco a independencia de Portugal, são unica e exclusivamente aquelles que por qualquer modo, fórma ou titulo, concorreram para que Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Fernando não acceitasse a corôa de Hespanha quando em 1869 lhe foi offerecida, e aquelles que devendo contribuir, por natureza do seo cargo, para que elle a acceitasse, o não fizeram.
É esta proposição que avançamos fundados em informações as mais exactas; vamos demonstral-a, e certos estamos de que ninguem ousará apresentar-se a contestal-a com argumentos admissiveis."
(excerto do Cap. I)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis e sujas, com defeitos.
Raro.
Indisponível

21 fevereiro, 2015

COLAÇO, Jose Daniel – VIAGEM DE SUA MAGESTADE EL REI O SENHOR DOM FERNANDO A MARROCOS, SEGUIDA DA DESCRIPÇÃO DA ENTREGA DA GRÃO CRUZ DA TORRE E ESPADA AO SULTÃO SID MOHAMMED, POR… DEDICADA Á SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA. Tanger, Imprensa Abrines, 1882. In-8º (19cm) de vi, 122, [4] p. ; B.
Livro impresso em Tanger.
1.ª edição, da 1.ª obra impressa nesta antiga possessão portuguesa, e em português.
“Tendo o Snr. G. T. Abrines, depois de lutar com obstáculos de toda a espécie, conseguido instituir em Tanger um prelo, com o qual deo começo a provas impressas das mais requeridas nas Legações e Consulados, e nas officinas comerciaes que d’antes tinham de recorrer á Europa para a impressão dos seus documentos, concebeu o Snr. Abrines a ideia de assignalaro debute do seu útil empreendimento pela publicação d’um pequenino livro que ao número limitado de paginas, reunisse a qualidade de narrar um desses salientes factos que nos povos cultos prendem a atenção dos espiritus ilustrados para os destinos desta importante região do continente africano.
Lembrou-se para este fim o Snr. Abrines de formar esta primeira produção da sua nascente Imprensa, pela compilação d’umas folhas soltas que em 1856 viram a luz em Lisboa na revista hebdomadária intitulada Archivo Universal sob o nome de viagem de S. M. O Snr. D. Fernando á Africa. […] Dadas estas circumstancias é de toda a oportunidade para assumpto do primeiro livro que apparece publicado em Marrocos, a escolha da viagem d’um Rei Portuguez a esta terra tão ligada ás nossas gloriosas tradições, accedi gostoso e até com enthusiasmo ao pedido do Snr. Abrines; e digo com enthusiasmo porque a ideia de que a primeira publicação a sahir em Tanger, fosse feita em lingoa portugueza, e de que a obra, embora pequenina e de nenhum mérito literário, posesse em relevo o exemplo que aos exploradores e viajantes africanos dera um Principe que o povo portuguez extremece, e que todo o mundo venera pelas suas grandes virtudes e enciclopédica cultura, assim como pela sua relevantíssima qualidade de rei-artista e animador das sciencias, das letras e das artes…”
(excerto da introdução do autor)
“Chegou Sua Magestade á Bahia de Tanger nos últimos dias do mez de maio de 1856, tendo feito participar ao cônsul geral portuguez naquelle paiz que, tencionando para sua comodidade guardar o mais rigoroso incógnito, não desejava ser recebido com as demonstrações, festejos e mais ceremonias, que a sua pessoa requeria. […]
O incógnito só podia ser nominal. Aquelle povo, como todos os já visitados, sabia perfeitamente qual era a categoria do viajante, que o vapor Mindello levava a bórdo: eram bem naturaes,pois, a curiosidade e enthusiamo que o animavam, ao receber pela primeira vez um herdeiro d’aquelles a cuja corôa pertencêra aquella parte da Africa, em epocha não muito distante.”
(excerto do texto)
Exemplar por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

29 abril, 2014

O TESTAMENTO. Artigos publicados por E. N. no jornal «Novidades». A respeito do testamento de Sua Magestade el-rei D. Fernando. Com uma introducção pelo editor. Lisboa, Typographia das «Novidades», 1886. In-8.º (18 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Em 1869, D. Fernando II casou-se pela segunda vez, morganaticamente, com Elise Hensler, feita Condessa d'Edla, que era uma cantora de ópera e mãe solteira, a quem deixaria como herança as suas propriedades situadas no concelho de Sintra, incluindo o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros, etc. Essas disposições testamentárias provocaram espanto e indignação geral. O presente opúsculo reproduz a polémica que deu brado na época.
"A publicação do testamento de el-rei D. Fernando produsiu uma fortissima impressão de doloroso espanto.
Que nos lembre, nunca se estabeleceu uma corrente tão acentuada e tão unanime. Os aulicos lamentam a desconsideração feita á familia real, os pobres o esquecimento das suas amarguras, e todos os que uma vez foram á Pena - isto é, toda a gente! - não se poderem conformar com a idéa de vêr aquella maravilha passar a mãos estrangeiras...
Porque a verdade é esta. O que escandalisou o publico não foi que o sr. D. Fernando contemplasse no seu testamento a sua esposa morganatica. Foi que lhe destinasse a Pena, que todos queriam que fosse da familia real, com o pensamento reservado e em parte justissimo, de ser um pouco para cada um de nós. Assim, passando para uma estrangeira, parece que nos tiraram a todos alguma coisa que nos pertencia. Quando foi conhecida essa parte do testamento sentimos a sensação dolorosa e irritada de quem se vê subitamente roubado! [...]
D. Fernando é desculpado por uns e accusado por outros. Todos, porém, são accordes, em julgal-o sob o predominio d'uma influencia funesta."
(Excerto da introdução)
"Eu, rei D. Fernando, faço este meu testamento cerrado, e disposição da minha ultima vontade, nos termos seguintes:
Professo a religião catholica-apostolica-romana, na qual sinceramente creio e com cuja fé professo morrer.
Declaro que nasci em Vienna (Austria), e que sou filho do duque de Saxe Coburgo Gotha e da duquesa Antonia de Saxe Coburgo Gotha (princesa de Kohary); que fui casado em primeiras nupcias com a rainha de Portugal, D. Maria II. [...]
Declaro que em segundas nupcias sou casado com a senhora D. Elysa Frederica Hensler, condessa d'Edla, tendo tido llogar o nosso consorcio no dia 10 de junho do anno de 1869, na capella real da serenissima senhora infanta D. Izabel Maria, em Bemfica, não tendo precedido contracto ante-nupcial. [...]
Portanto, constituo a minha muito amada esposa a senhora condessa d'Edla legataria de tudo de que per lei posso dispôr. Quero que nos bens que couberem a minha esposa se comprehendam os seguintes: moveis, objectos de arte, pratas, loiças, quadros, etc., que se acham nos aposentos occupados pela minha esposa, ou todo ou parte, á sua livre escolha, todas as minhas propriedades situadas no concelho de Cintra, taes como, palacio da Pena e pertences, incluindos os chalets, castello dos Mouros, quinta da Abelheira e pertences, S. Miguel e pertences, as tapadas ultimamente compradas, incluindo a tapada nova dos Capuchos, assim como a mobilia, prata, loiças, e mais recheio do palacio da Pena, dos chalets e das outras casas acima mencionadas. [...]
Tendo durante a minha vida dado quanto me foi possivel para fins de beneficiencia, não deixo economias, por isso, para não prejudicar os meus herdeiros não posso contemplar com legados quaesquer estabelecimentos ou instituições, o que sinceramente sinto, pela grande e leal dedicação e verdadeira affeição, que sempre consagrei a esta nação, á qual sou immensamente grato pelo modo como me acolheu e sempre me tratou."
(Excerto do Testamento de D. Fernando II)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Indisponível

18 maio, 2013

COELHO, F. J. Pinto - CONTEMPORANEOS ILLUSTRES. II : D. Fernando II de Portugal. Lisboa, Imprensa Nacional, 1878. In-8.º (21 cm) de 384 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, D. Fernando II de Portugal, rei consorte da rainha D. Maria II.
Trata-se do 2.º vol. de dois publicados nesta série Contemporaneos Illustres: o 1.º vol. foi dedicado ao estadista Fontes Pereira de Melo (1877).
Ilustrado com o retrato de D. Fernando II em extra-texto.
"O rei D. Fernando de Portugal conta actualmente sessenta e dois anos, e conserva ainda a mesma figura magestosa e sympathica de outr’ora.
Gosando da maior estima publica, póde affoutamente dizer-se – que não conta um só inimigo pessoal ou politico.
Nos teatros e outros logares publicos onde aparece, o rei-artista é sempre bem recebido pelo povo, costumado ha quarenta e dois anos a vel-o sempre risonho e alegre em toda a parte!
[…]
Eis finalmente o homem illustre, a quem Portugal tanto deve, e que devemos venerar como justamente o merece, visto que em 1870 soube zelar tão bem a honra, independencia e a liberdade da pátria, quando o plano do governo de Prim era adoptar para a peninsula ibérica a união de Hespanha e Portugal á similhança do imperio austro-hungaro, e do reino da Suecia e Noruega.
O rei D. Fernando II de Portugal, n’uma palavra, é um dos principes mais esclarecidos e bemquistos da Europa, um completo homem d’estado e o prototypo do perfeito cavalheiro."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Invulgar.
Indisponível