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17 outubro, 2025

CARVALHO, Avelino Cardoso Ferreira de -
SOBRE O EXERCICIO ILLEGAL DE MEDICINA EM VILLA NOVA DE FAMALICÃO. (A proposito de um caso de obstetricia). Dissertação Inaugural. Porto, [s.n. - Impressa em machina "Marinoni" na Typographia Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão - V. N. de Famalicão], 1906. In-8.º (22,5x16,5 cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
A propósito de um caso de obstetrícia, o autor ataca a classe farmacêutica de Famalicão que acusa de charlatanice e prática ilegal da medicina, aproveitando o desconhecimento e crendice da população.
Trabalho insólito, raro e muito curioso.
"De todas as artes liberaes, a que mais tendencias manifesta para se tornar presa do charlatanismo, certamente é a medicina a que se mostra mais favorecida.
As tendencias verdadeiramente extraordinarias que na humanidade se manifestam para tudo o que é maravilhoso, phantastico e rodeado de mysterio, tornam-se inexplicaveis; a necessidade de phantasia é tendencia tão propria da natureza do homem, que se é forçado a convir que corresponde a uma das leis da nossa organisação, que é um dos attributos da nossa natureza e, por assim dizer, uma das condições da nossa existencia.
Os prejuizos que para a sciencia medica se manifestam numerosos e variados, exercem grande predominio entre todas as classes da sociedade, na média e burgueza, na rica e aristocratica, na popular e ignorante, se bem que se possa admittir que os camponezes, gente simples, cujo duro mister não deixa repoiso para trabalhos de intelligencia, sejam facilmente seduzidos por chimeras que, mesmo rodaeadas dum véu de religiosidade, não têm mais credito. [...]
Que differença existe entre o homem civilisado d'hoje, que consulta as mezas rolantes e comsigo traz amuletos e medalhas, para o preservar de doenças e de outro qualquer accidente, e os antigos que consultavam o vôo das aves e adoravam os fétiches?
As tendencias que manifestam ainda agora homens de espirito nivelado pela evolução dos mais solidos predominios da mentalidade moderna para as mesmas aberrações, que são de todas as épocas e de todas as latitudes, nada mais é que o resurgir da velha historia das obsessões, dos encantos, dos exorcismos e de toda a bagagem magica, que para sempre parecia sepultada nas ruinas da idade média.
É uma observação triste, um dos phenomenos dos mais inexplicaveis da historia da humanidade esta credulidade incuravel, esta facilidade de admittir, sem exame e sem contestação, tudo o que tenha alguma apparencia de sobrenatural, ao passo que a verdade não é acceita senão com a maior lentidão e a maior reserva."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Capas ligeiramente sujas.
Raro.
45€

23 outubro, 2023

LIMA, José d'Oliveira -
O HYPNOTISMO E A SUGGESTÃO EM THERAPEUTICA.
Dissertação inaugural apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto. Porto, Typographia de A. F. Vasconcellos, Succ., 1900. In-4.º (23x16 cm) de [32], 315, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo académico sobre a hipnose, disciplina colocada ao serviço da medicina para resolução das mais variadas maleitas, apesar de contestação acérrima de parte considerável da classe médica.
Obra de fôlego - ilustrada no texto com quadros e tabelas estatísticas - sobre esta prática, polémica, tão em voga na época.
"Explicar o motivo porque escolhemos este assumpto, para a nossa ultima prova escolar, não nos seria muito facil. Ao mesmo tempo que a nossa attenção era despertada pela narrativa d'alguns dos mais extravagantes phenomenos do hypnotismo e das extraordinarias curas realisadas por intermedio d'este agente therapeutico, resolvemos inquirir dos livros classicos a verdade do que ouviamos, e a explicação dos factos que, durante algum tempo, suscitaram em nosso espirito um scepticismo bem natural. Em o nosso modesto parecer, era elle de maior valia do que esse enthusiasmo prematuro, que em todas as coisas, é início obrigado do parti-pris e do fanatismo.
Esse sceptismo só poderia desapparecer estudanto, primeiro, e praticando, depois, o hypnotismo tanto quanto nos fosse possivel. [...]
Para quem, como nós, está prester a concluir um curso de medicina o que mais interessante se lhe deve affigurar dentro do assumpto escollhido - Hypnotismo e Suggestão - sem duvida vastissimo, é o seu estudo debaixo do ponto de vista therapeutico."
(Excerto do preâmbulo - Duas palavras)
São poucos os assumptos tão difficeis de tratar syntheticamente, no momento actual, como o hypnotismo.
Não só os phenomenos são, por vezes, rebeldes a qualquer coordenação, mas está ainda por conhecer, d'uma maneira completa, a natureza do agente e, á parte alguns pontos incontestaveis, está-se reduzido a hypotheses, visto que não ha ainda theoria absolutamente verificada da hypnose e da suggestão. [...]
É que, mesmo que uma nova idéa seja admittida em principio, fica sempre uma rectaguarda d'obstinados cuja orientação cerebral, definitivamente estabelecida de qualquer fórma, se recusa a qualquer modificação.
Choveram sobre hypnotismo e hypnotisadores as maiores diatribes e não ha  muitos annos ainda que Constantin James escrevia o seguinte:
«L'hypnotisme et le darwinisme sont des dissolvants sociaux...
Ces deux sciences (sic) sont devenues dans une certaine mesure les auxiliaires du crime».
Entretanto alguns sabios, mais scepticos, no sentido rigoroso da palavra, mas menos aterrorisados pelo ridiculo, decidiram-se a estudar~estes phenomenos «novos».
Tal foi o ponto de partida das investigações actuaes sobre o hypnotismo, investigações cujos resultados permittem, desde já entrever a importancia que tomarão a hypnose e a suggestão na intellectualidade das gerações proximas."
(Excerto de Primeura Parte - I - Definições - O que é o hypnotismo)
José de Oliveira Lima (1875-1950). Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e fundador do Instituto Moderno, no Porto (1914-1918), estabelecimento escolar destinado ao ensino primário e secundário, funcionando em regime de internato/externato, na altura, um dos melhores colégios particulares do país. Apresentou admissão a provas públicas com a tese de final de curso: O Hypnotismo e a Suggestão em Therapeutica (1900).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, com pequenos defeitos.
Raro.
45€

30 dezembro, 2022

CORRÊA, Antonio Augusto Mendes - O GENIO E O TALENTO NA PATHOLOGIA
(esboço critico)
. Porto, Imprensa Portugueza, 1911. In-8.º (20 cm) de [6], 184 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio dedicado à análise das capacidades artísticas evidenciadas por pacientes internados em instituições consagradas às doenças do foro psiquiátrico, e outras patologias que, não se enquadrando nessas, eram tratadas como tal.
Primeira obra do autor, tendo servido de dissertação final ao curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Livro ilustrado com 17 figuras, sendo a maior parte em página inteira, reproduzindo trabalhos de doentes, os mais variados: desenho; pintura; artefactos de madeira, partituras, etc., produzidos em Rilhafoles, mais tarde Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), e no Hospital do Conde Ferreira (Porto).
"São velhos e banaes os conceitos de que «não ha grandes homens para os seus creados de quarto» e de que creaturas de mentalidade superior «não teem o juizo todo». A não ser que uma idolatria apaixonada, motivada as mais das vezes por uma conformidade de opiniões, venha suspender um tal criterio depreciativo, a cada passo de apontam, a meia voz e entre risinhos ironicos, excentricidades, manias bizarras, singularidades intimas, extravagancias ridiculas de creaturas notaveis, o que se leva tudo á conta de perturbações de saude mental. [...]
O medico moderno abandonou o papel restricto dos seus antecessores e, firmado na somma enorme de conhecimentos que a sciencia lhe fornece, entrou de alargar legitimamente o seu campo de acção. A medicina hoje tem, por exemplo, um importante aspecto social e ao medico exige-se em muitos casos que seja doublé de sociologo. Na hygiene, em medicina legar, etc., o medico não é o physico antigo, o remoto cirurgião, o humillimo curandeiro archaico, mas um verdadeiro sociologo, que põe em jogo factos sociaes e intervem poderosamente na vida colectiva das sociedades humanas.
Um campo novo se lhe abriu tambem na psychologia. O fôro da consciencia era antigamente quasi do exclusivo dominio do ministro da religião. A actividade do espirito não era devassada habitualmente pelo medico; nas proprias perturbações mentaes, nos casos de loucura, chamava-se o padre para com bençãos e exorcismos expulsar o espirito maligno do desventurado possesso, ou, com um pittoresco optimismo e uma crendice suprema, cuidava-se - noutras épocas - de adorar as victimas de taes perturbações como se uma inspiração divina sobre ellas tivesse baixado."
(Excerto de A medicina e a critica)
Matérias: A medicina e a critica. | Conceitos do genio e do talento. | A historia da questão da morbidez do genio e do talento. | As doutrinas de Moreau ( de Tours) e de Max Nordau. | A doutrina de Lombroso. | O genio e o talento nos alienados. | Conclusões.
António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960). "Antropólogo português, nasceu a 4 de abril de 1888, no Porto, e morreu a 7 de janeiro de 1960, na cidade de Lisboa. Licenciou-se em Medicina em 1911 e foi nomeado assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde começou a ensinar Antropologia. Dois anos mais tarde, em 1913, fez provas públicas nesta mesma faculdade, apresentando a dissertação: "Os Criminosos Portugueses (Estudos de Antropologia Criminal)".
Apesar de ser licenciado em Medicina, António Mendes Correia dedicou-se sobretudo ao ensino e à investigação científica. Foi professor de Geografia e Etnologia na Faculdade de Letras do Porto e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da mesma cidade. Para além da docência, Mendes Correia ocupou diversos cargos diretivos, tendo sido Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto (1923), Diretor da Escola Superior Colonial, que mais tarde se veio a chamar Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1946), e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), entre outros.
António Mendes Correia ajudou ainda a fundar diversos institutos, sociedades, museus e laboratórios científicos tais como o Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. No âmbito da política, foi Presidente da Câmara Municipal do Porto de 1936 a 1942 e Deputado da Assembleia Nacional a partir de 1945.
António Mendes Correia foi um dos nomes mais importantes da Antropologia portuguesa do século XX. Para além de professor de Antropologia, Mendes Correia soube acompanhar as mais relevantes correntes do seu tempo e contribuir para a sedimentação desta ciência em Portugal.
Conhecedor de múltiplos saberes, Mendes Correia publicou inúmeros estudos no âmbito da Antropologia, Arqueologia, Criminologia e História. Da sua vastíssima obra destacam-se as seguintes publicações: 1911, O Génio e o Talento na Patologia; 1913, Criminosos Portugueses; 1915, Crianças Delinquentes; 1915, Antropologia; 1919, Raça e Nacionalidade; 1921, Homo; 1924, Os Povos Primitivos da História; 1925, A Antropologia nas suas relações com a Arte; 1931, A Nova Antropologia Criminal; 1932, Origens da Cidade do Porto; 1934, Da Biologia à História; 1940, Da Raça e do Espírito; 1946, Uma Jornada Científica na Guiné Portuguesa; 1954, Antropologia e História.
(Fonte: infopédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

12 setembro, 2022

PEREIRA, Alfredo - OPERAÇÕES E PREPARAÇÕES PHARMACEUTICAS. (Apontamentos para uso dos estudantes de pharmacia). Por... Pharmaceutico pela Escola Medico-Cirurgica do Porto..., etc.
Porto, Typographia Occidental, 1899. In-8.º (21,5 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual farmacêutico para elaboração das mais variadas drogas e medicamentos. Nada foi possível apurar acerca do autor desta curiosa obra, para além da informação impressa no frontispício, uma vez que não existem referências ao livro, incluindo na Biblioteca Nacional.
Livro ilustrado com 23 desenhos ao longo do texto.
"A Technica das manipulações pharmaceuticas, por mais que sobre ellas se escreva e diga, só ao laboratorio pertence, isto é, ao laboratorio em que os utensilios e apparelhos necessarios existam e no qual o pharmaceutico em vez de patrão seja professor.
Theoricamente pouco ha, sobre ellas, que dizer. Apenas definições, modo de corrigir as alterações e modo de conservação, as ultimas duas coisas, que em vista das incessantes descobertas da sciencia, unicamente podem utilisar-se. O que á pratica pertence não ha que tirar-lh-o.
Resumindo, pois, n'este pequeno volume o que sobre as preparações pharmaceuticas, mais importantes por generalisadas, de essencial convém conhecer tenho simplesmente em vista auxiliar os praticantes ou ajudantes de pharmacia na comprehensão de que a technica, de per si, não póde ensinar-lhes e ao mesmo tempo preparal-os para o estudo da pharmacia galenica, parte importante do seu exame final.
A inscripção das fórmulas, comprehendidas, por cada manipulação na Pharmacopêa Portugueza, considero-a vantajosa, visto que assim essas formulas se rememoram e mais facilmente se especificam."
(Preâmbulo)
"A pharmacia divide-se em pharmacotechnia e em pharmacologia. A primeira comprehende o estudo das manipulações pharmaceuticas; a segunda o estudo das substancias que entram n'essas manipulações. Arte pela primeira a pharmacia é sciencia pela segunda.
De um modo geral, pois, pharmacia pode dizer-se a arte que ensina a preparar os medicamentos, tendo-se préviamente conhecimento scientifico indispensavel dos simplices que os constituem."
(Excerto de Preliminares)
Exemplar em brochura, revestido por capas simples, lisas, em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico e assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

11 abril, 2022

RIBEIRO, Joaquim Pedro Victorino - SOCCORROS DE URGENCIA (breves notas)
. Porto, Imprensa Nacional, 1910. In-8.º (22,5 cm) de 74 p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Importante contributo para a história dos cuidados de saúde relacionados com a estabilização e prestação de primeiros socorros levados a cabo em situações de emergência no exterior dos hospitais, cujos procedimentos se mantêm actuais ainda hoje.
"No Porto, em 1910, Pedro Vitorino Ribeiro, com uma brilhante tese intitulada Socorros de Urgência (Breves Notas) apresentada à Faculdade de Medicina do Porto opina esclarecidamente acerca da Urgência extra-hospitalar. [...]
Como outros hospitais em Portugal o Hospital Geral de Santo António sempre se viu envolvido em acções de Urgência Extra-hospitalar. Como Hospital Universitário foi escola de muitos clínicos e proeminentes figuras, de entre eles o Dr. Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro, que apresentou a sua dissertação em 1910 denominada «Socorros de Urgência (Breves Notas)» onde relatou a necessidade e as vantagens da organização dos serviços de cuidados de emergência. (Bandeira 1995): «Apresentada como dissertação inaugural à Faculdade de Medicina do Porto em 1910, a doutrina nela expendida é duma actualidade marcante. Constituída por 58 páginas de texto, logo nas palavras prévias o autor escreveu: «O desastre sucedido num diário desta cidade, onde em um aluimento foram arrastadas dezenas de pessoas da altura de um andar. Contaram-se numerosos feridos e dez mortos. Acorreram prestes os bombeiros, libertando os desventurados do pavoroso amontoado em que jaziam. Sucessivamente iam sendo transportados em macas para o hospital os que não podiam caminhar por seu pé. Ferimentos, asphixias, fracturas, tudo foi, se bem que mal, a caminho da misericórdia, numa extensa caravana desoladora. Eis a questão. Se houvesse um serviço de socorro organizado, com pessoal idóneo, médicos e auxiliares, uma selecção teria sido feita no momento, e não haveria por certo a registar um número tão elevado de mortos. Aventarei mesmo que todos escapariam... algumas das vitimas, as sufocadas por asphixia, deveriam ser socorridas imediatamente nas casas próximas.
Matou-as a longa caminhada para o hospital. As conclusões das autópsias o confirmam: das dez vitimas, nove morreram devido a asphixia por sufocação e uma pela hemorragia proveniente dos ferimentos.»
E mais adiante «Proclamar, pois, as sumas vantagens da organização dos socorros médicos nos sinistros, do estabelecimento de postos nas margens, fluviaes e marítimas, e da vulgarização dos socorros de urgência, taes são os intentos déste desprendido tentamen que a lei determinou, mas que a razão dos factos concebeu, embora precipitadamente, atabalhoadamente...»
O I Capítulo intitula-se «Necessidade e vantagens do serviço de pronto socorro. Sua organização em diversos países» do qual se extracta:
«Contudo, no sentido de socorros de urgência, nenhuma tentativa séria foi ainda feita. Os estabelecimentos hospitalares que tentam suprir esta falta são, sob tal ponto de vista, o que todos sabem – insuficientes. A ineficácia da sua acção resulta simplesmente de ser - demasiado tardia. Tal sucede aqui, no Hospital de Santo António. Único oásis no meio de um enorme deserto, muitas vezes a sua Iympha nem chega a humedecer os lábios d’aqueles que o demandam. O último sopro de vida extinguiu-se no caminho. Concretizemos. Afoga-se uma criatura no Douro, e por qualquer meio é agarrada e conduzida a terra. Que é uso fazer-se em tal conjectura? Apitar, para acudir a polícia que manda buscar uma maca à esquadra mais próxima e faz transportar, com uma duvidosa ligeireza, o desventurado para o Hospital da Misericórdia."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/AppData/Local/Temp/Miguel%20Bombarda%20e%20Singularidades%20de%20Uma%20%C3%89poca%20(2006)%20Bandeira,%20Teiga,%20Gandra,%20Pereira-Pinto.pdf)
"Dada a importancia que hoje vêm merecendo, nos diversos paizes, os serviços de primeiro soccorro, já com organisação propria, já mesmo individuaes, affigura-se-me de vantagem, visto taes serviços serem entre nós em extremo precararios, tomal-os para assumpto da obrigada prova final. [...]
Entre nós taes soccorros seriam de proveitosos effeitos, quer na margem ribeirinha e maritima, quer no seio da população. Em uma e outra parte ha, por fortuna, sempre a contar com individuos prestimosos que encaram o risco para valer a uma vida. Mas bem bastas vezes o esforço resulta inutil, por não ser racionalmente completado. E como deverá ser cruel e doloroso para o dedicado salvador vêr perdido o seu denodo e baldado o seu sacrificio! O ente desfallecido e inane que tanto lhe custou a arrancar ao perigo, umas vezes em fragil casca de noz ou em pleno elemento defrontando o arremetter das vagas, outras vezes em debil escada mordido pelas labaredas, não mais accordou do somno profundo em que cahira. É que o acto de generosidade fôra incompleto."
(Excerto de Palavras prévias)
"Na epocha presente, de vida activa e laboriosa, onde os serviços de assistencia social são por demais necessarios, assignalam-se como dos não menos importantes aquelles que visam soccorro rapido e efficaz. Augmentadas as causas do perigo, pelo uso assombroso do vapor e da electricidade, nas industrias e nos transportes, devia consequentemente crescer o numero dos accidentes. D'ahi a necessidade de um socorro prompto, em harmonia com as exigencias imperiosas do viver moderno."
(Excerto do Cap. I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro)
Matérias:
Escola Medico-Cirurgica do Porto : Corpo Docente. | [Dedicatórias]. | Palavras prévias. | I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro. Sua organisação em diversos paizes. II - A asphyxia: considerações geraes. - Asphyxia toxica pelo oxydo de carbono. - Asphyxia por suffocação. - Asphyxia por submersão. III - Tratamento das asphyxias; processos antigos e modernos. | Breves instrucções para soccorro em caso de morte aparente. | Proposições.
Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro (1882-1944). "Era o mais velho dos três filhos do pintor e coleccionador Joaquim Vitorino Ribeiro. Frequentou a Academia Politécnica do Porto (1902-1905). Deste estabelecimento de ensino transitou para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde, em 1919, concluiu o curso de Medicina com a defesa da tese "Socorros de urgência - Breves Notas". De seguida, partiu para Paris, onde se especializou em Radiologia. Regressou ao Porto em 1911. Em 1919, foi nomeado clínico auxiliar da Santa Casa da Misericórdia e chefe do Laboratório de Radiologia e Fotografia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, desde 1913, exercia as funções de chefe do Gabinete de Fotografia e Electroterapia. Em paralelo com a formação académica e a carreira médica, desenvolveu muitas outras actividades humanitárias e culturais. Foi militar (voluntário de Infantaria em 1901, alferes em 1911, tenente-médico em 1915 e capitão em 1918), tendo chegado a participar na I Guerra Mundial, pois integrou como capitão-médico miliciano o Corpo Expedicionário Português que partiu para Paris em Abril de 1918. Participou em jornadas arqueológicas e artísticas pelo país, desenhando, pintando e tirando fotografias."
(Fonte: https://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/300191/?)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interessehistórico.
Peça de colecção.
65€

07 abril, 2022

PÉGAS, Belmiro - OS INCONVENIENTES DO ESPARTILHO.
Dissertação apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto
. Porto, Officinas de Impressão, Estereotypia e Photogravura da Typographia Central, 1903. In-8.º (22,5 cm) de 95, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o uso do espartilho e os seus inconvenientes para a saúde feminina.
Livro ilustrado com desenhos esquemáticos no texto.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Á Micas (dos Tintureiros) com um grande chi do coração e um bom chôcho.".
"Sim é na sociedade hodierna onde a moda avassala tudo, fugindo aos preceitos de uma boa hygiene, que vamos buscar o assumpto de que carecemos para escrever algumas paginas a titulo de bons conselhos para as mulheres que se sujeitam por sua propria vontade aos inconvenientes de um mau espartilho, tal como o que usa hoje a grande maioria d'ellas.
Já ha muito que vendo essas cinturas de vespa das elegantes do nosso tempo, de semblante anemiado, perguntamos á custa de que sacrificios conseguem aquelle excesso de contricção? [...]
É triste vêr o aspecto que nos apresentam essas jovens que por agi passeiam mettidas no seu espartilho muito apertado: o tronco muito direito, movendo-se no seu conjuncto sobre as articulações coxo-femuraes, em lugar de ter aquella flexibilidade propria da columna vertebral principalmente ao nivel da região lombar.
Quando sóbem um passeio póde-se bem notar a maneira como o fazem... e se teem a infelicidade de deixarem cahir ao chão um objecto qualquer? Então deixam-nos bem patente o verdadeiro supplicio em que andam mettidas.
Imaginaes que para o levantar se curvam deante do objecto cahido, como faz outra qualquer mulher, que não traga espartilho, pela flexão do tronco sobre os membros inferiores? Não; abaixam-se pela flexão das coixas sobre as pernas, estendendo o braço para apanhar o objecto, de maneira que o tronco não se desvie da posição vertical a que está sujeito por este terrivel compressor. [...]
Ainda não vão passados muitos dias que ouvimos da bocca de uma senhora que se dirigia a amigas: Ah! já não posso respirar!
E realmente vimos que assim devia ser, pois que ella estava altamente comprimida no seu espartilho.
Mas além d'esse prejuizo que á respiração acarreta o espartilho, teremos occasião de vêr o grande numero de doenças de que elle é causa quando usado muito apertado ou quando elle já de si é mau. [...]
É de esperar, porém, que a mulher que deseja a sua emancipação e que participa já dos exercicios physicos dos homens, nos differentes generos de sports, se vá a pouco e pouco libertando do terrivel obstaculo que impede a realisação do seu ideal e que dentro em breve ella lance para longe de si, d'uma vez para sempre esse engenho de supplicio. [...] Libertada, pois, a mulher, pelos sabios conselhos da hygiene, d'esse elemento d'atrophya, poderá então aspirar a uma vida melhor, o livre desenvolvimento desde a sua tenra idade tornal-a-ha forte para a procreação, porque, como diz Fonsagrives: «Educar uma menina é formar uma mãe.»
Faremos, pois, a respeito do espartilho um pequeno resumo historico, encarando-o depois sob o ponto de vista physiologico e hygienico, terminando, por umas conclusões resumidas do nosso trabalho."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias: Historia e opiniões ácerca do espartilho. |  Deformações produzidas pelo espartilho no esqueleto do tronco e nos musculos. | Apparelho respiratorio. | Apparelho circulatorio. | Apparelho digestivo. Estomago. | Intestinos, constipação, enteroptose. | Figado. | Apparelho genito-urinario. Rim. | Utero e seus annexos. | Hernias umbilicaes e eventrações. | Conclusões. | Proposições.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil com defeitos. Sem capas. Deve ser encadernado.
Por erro de composição tipográfica, o texto tem início na página 21, quando na realidade, começa na página 12.ª.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

17 dezembro, 2021

MOURA, Alberto Alexandre Gomes de - HYSTERIA E DEGENERESCENCIA (suas relações).
These inaugural apresentada á Escola Medico-Cirurgica da Porto. Por... Alumno do Hospital de Santo Antonio
. Porto, Typ. a Vapor da Real Officina de S. José, 1900. In-4.º (24 cm) de 104, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre psiquiatria, quando esta disciplina, lentamente, dava os primeiros passos entre nós. Obra enriquecida com casos clínicos registados em Portugal e no estrangeiro, alguns do conhecimento do autor.
"A hysteria é uma nevrose, commum a todas as profissões e a todos os paizes, desenvolvendo-se, quasi que com egual frequencia, no homem e na mulher.
Segundo observações de vários auctores, como Beau, Lucas-Champiomère, Ballet, Landouzy, Robinovitch, d'entre as mulheres, a hysteria ataca de preferencia as das classes mais elevadas, emquanto que, d'entre os homens, attinge principalmente os das classes mais baixas e mais sujeitas a privações.
Frequentissima como esta afecção é, ella mostra-se-nos sob as formas mais variadas que imaginar-se possam. Simplesmente associada, umas vezes, a numerosas doenças, velada, outras, por ellas, predominando ainda frequentemente sobre muitos estados pathologieos, é, muitas vezes, necessaria toda a pericia do medico para a sua diagnose.
A hysteria, a grande simuladora, como lhe chamou Charcot, tem os seus prodromos. Os individuos tarados, homens ou mulheres, creanças ou adultos, sob qualquer influencia conhecida, ou sem motivo plausivel, mudam rapidamente de caracter, tornam-se tristes, e procuram a solidão. Choram ou riem sem motivo, queixam-se de sufocações, e vêem frequentemente o seu somno, até ahi tranquillo, ser perturbado por visões estranhas de animaes."
(Excerto de Descripção [da histeria])
"A degenerescencia não é mais que uma tendencia, maior ou menor, que certos individuos apresentam para a regressão. [...]
O typo normal não existe. Todos os seres, influenciados pelo meio, caminham para a adaptação. Que ella se não faça, que a evolução pare n'um individuo, - e este individuo será um degenerado.
Etiologia. - Como causa principal da degenerescencia, encontramos nós a hereditariedade regendo todos os estados degenerativos.
(Excerto de Degenerescencia - Etiologia)
"Os indivíduos attingidos de degenerescencia, apresentam signaes particulares, ou estigmas, que podem ser de duas espécies: physicos e psychicos.
É intuitivo que estes estigmas não são egualmente desenvolvidos em todos os indivIduos. Bem descriptos por MoreL e Legrand du Saulle, os estigmas physicos deixam quasi de ser perceptiveis, posto que alguns existam, nos degenerados superiores. (Magnan).
Estes estigmas são, principalmente, apanagio dos degenerados inferiores.
Emquanto aos estigmas psychicos, não são também os mesmos em todos os degenerados, e a existência d'estes sêres, tem, debaixo do ponto de vista psychico, um cunho especial.
Uns nascem idiotas, outros veem com as melhores apparencias, e, a um dado momento, o seu desenvolvimento é como que suspenso, e elles cahem na imbecilidade; finalmente, outros, podem attingir um consideravel desenvolvimento intellectual.
Apezar d'isso, porém, a sua existência, debaixo do ponto de vista moral, é completamente desiquilibrada. 
Um degenerado póde tornar-se um grande sabio, um artista distincto, um habil administrador; mas, ao mesmo tempo, elle manifestará profundas faltas d'ordem moral, excentricidades e irregularidades nos seus actos, e tanto empregará as suas brilhantes faculdades para servir uma grande causa, como para satisfazer os peiores vicios."
(Excerto de Symptomas da degenerescencia)
Matérias:
Hysteria: - Historia; - Hysteria no seculo XVII; - Hysteria no seculo XVIII; Descripção [da Histeria]; - Etiologia; - Agentes provocadores; - Estigmas; - Anesthesias sensoriaes; - Estigmas puramente psychicos; - Accidentes histericos. | Degenerescencia: - Etiologia; - Symptomas de degenerescencia; - Syndromas episodicos; - Impulsividade morbida; - Intellectualidade morbida; - Emotividade morbida; - Psycopathias sexuaes. | Hereditariedade na hysteria. | Hereditariedade na degenerescencia. | Alterações do mechanismo mental na degenerescência e na hysteria. | Proposições.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
35€

24 março, 2021

CORDEIRO, Domingos José Affonso - O SOMNAMBULISMO PROVOCADO.
Dissertação inaugural. Apresentada e defendida na Escóla Medico-Cirurgica do Porto. Sob a presidencia do Ex.mo Snr. Ricardo d'Almeida Jorge. Por...
Porto, Typograhia Occidental, 1882. In-8.º (21 cm) de 113, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho apresentado à Escola Médico Cirúrgica do Porto, sendo presidente do júri o Prof. Ricardo Jorge, conhecido humanista, médico e escritor, a quem o autor oferece, entre outros, a sua dissertação.
"A influencia salutar das ideias cartesianas sobre o espirito publico, no seculo XVIII, que começara á vista de tantas descobertas uteis, e quando Mostesquieu, Voltaire, os encycliopedistas em summa, prégando uma philosophia nova, mofavam das crenças antigas, não conseguia destruir completamente a fé submissa no maravilhoso.
O apparecimento de Mesmer em Paris era saudado por tudo o que a grande cidade tinha de sensivel e vaporoso. A historia d'este homem, ou melhor d'este charlatão, que com as suas phantasias agitou a Europa, é commum a todos aquelles que habilmente teem explorado, segundo as differentes tendencias dos tempos e costumes, as paixões e fraquezas humanas para fazerem d'ellas o admiravel instrumento da sua fortuna. [...]
Eu não lamento com Phillips as mesquinhas proporções, a que se acha reduzido o somnambulismo; se foi esbulhado das suas loucas pretensões de curar todos os males, ficou na practica como um processo d'analyse util para a physiologia e pathologia nervosas, tirando para sempre aos especuladores os recursos que factos verdadeiros offereciam á sua industria.
Considerando assim o somnambulismo tem um duplo interesse: se pelo seu passado pertence á historia dos erros do espirito humano, pelo seu presente pertence á physiologia pathologica; e dominado por estas ideias escolhi-o para assumpto da minha Dissertação inaugural que muito de proposito intitulo - Somnambulismo provocado, por me parecer a melhor designação para o conjuncto de phenomenos psycho-physiologicos que teem sido estudados com os nomes de Magnetismo animal, Hypnotismo e somniação dos quaes me sirvo quasi indifferentemente.
O somnambulismo espontaneo ou natural não differe do provocado ou artificial pelos seus symptomas; mas as condições especiaes em que o primeiro se manifesta, não permittem, senão em casos pouco frequentes, a observação de factos que, além d'outras vantagens incontestaveis, teem um interesse palpitante d'actualidade; fornecem os materiaes indispensaveis para a formação da psychologia moderna, que, na sua marcha triumphante, tenta expurgar os centros nervosos d'uns restos das phantasias methaphysicas, que escolheram por ultimo esconderijo esta parte do organismo.
Em resumo, uma nevrose que o medico tem a estudar, a humanidade a soffrer e o physiologista a explorar como processo util d'observação."
(Excerto da introdução)
Matérias:
[Introdução]. | Primeira Parte - Producção do Somnambulismo. | Segunda Parte - Phenomenos somnambulicos. | Proposições.
Domingos José Afonso Cordeiro (1856-1926). Natural do Concelho de Mogadouro. Concluiu os seus estudos na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1882, com a tese O Somnambulismo provocado. Fixou residência em Matosinhos, onde sempre foi considerado. Exerceu durante largos anos o cargo de director do hospital local. Figura de relevo da República, foi o primeiro Presidente da Câmara de Matosinhos após o movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, sujas, com pequenos defeitos. Assinatura de posse na capa anterior.
Raro.
Sem registo na BNP.
50€

16 dezembro, 2020

FAROL, Antonio F. de Ferrer - A LIBERTINAGEM PERANTE A HISTORIA, A PHILOSOPHIA, E A MEDICINA DO CASAMENTO POR AMOR COM BASE NA REGENERAÇÃO SOCIAL. These apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto para ser defendida pelo alumno do quinto anno... Porto, Typographia de José Pereira da Silva & F.º, 1865. In-4.º (27x20 cm) de 67, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa e algo insólita
tese académica sobre a libertinagem publicada em meados do século XIX.
"A libertinagem, olhada á luz da medicina, é o flagello que mais corrompe a humanidade. Paixão violenta, seductora aos olhos da mocidade inexperiente, essencialmente devastadora, é a libertinagem a causa proxima de horrorosos estados morbidos, que anniquillam a vitalidade mais resistente. A philosophia biblica e o dogma hippocratico erguem-se ao mesmo tempo contra esta aberração do espirito humano, que, gerando as trevas do mundo physico e moral, e collocando a sociedade n'uma posição baixa, miseravel e abjecta, tenta despedaçar todos os élos, pelos quaes sômos ligados á sublimidade, a que temos direito, como a obra prima do Supremo Ser.
No estudo d'esta paixão, dominante na geração moderna, tem o medico vasto campo para pôr em acção todos os seus recursos. E baldado não será o esforço que a tanto se abalançar. A actualidade escutará, em questões d'esta ordem, com mais respeito a voz da sciencia, do que as leis da moral. Embalada no berço sensualista, parece preferir agora o horror do tumulo á abjuração dos prazeres."
(Excerto da Introducção, I)

Matérias:
Introducção: I; II; III; IV; V. | Pederastia: I - Preâmbulo]. II - Causas sociaes; Causas physiologicas. III - Quaes são os effeitos da pederastia? IV. | Onanismo solitario no sexo feminino: I; II; III. | Onanismo solitario no sexo masculino: I; II. | Onanismo conjugal: I; II; III; IV. | Syphilis como effeito da polyandria exercida nas mulheres publicas. | Do casamento por amor - como base da regeneração social: I; II; III; IV; V; VI. | Em conclusão. | Proposições.
António Fernandes de Figueiredo Ferrer Farol (1839-1893). "Médico pela Escola Médico-cirúrgica do Porto. Nasceu em Viseu a 5 de junho de 1839, faleceu a 8 de maio de 1893. Foi um dos estudantes mais distintos do seu curso, que terminou em 1865, publicando no Porto, nesse ano, a sua tese com o título de A libertinagem perante a historia, a filosofia, e a patologia em geral. Entrou depois para o serviço médico do exército. Vindo para Lisboa em 1870, por tal forma começou a afirmar o seu talento médico que teve de pedir licença do serviço militar, para se entregar inteiramente à sua clínica que se tornou numerosa. Em 1873 estabeleceu na praça de D. Pedro, com o dr. Matos Chaves, um posto médico, que foi um dos primeiros que existiram em Lisboa. Dedicou-se também ao jornalismo, fundando em 1871 a Tribuna, folha de combate, que fez época. Foi director e redactor do seu jornal, tornando-se um escritor vigoroso e ao mesmo tempo elegante."

(Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/farolantonio.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam 

manchas de acidez.
Muito raro.
75€