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11 outubro, 2026

ALMEIDA, Eduardo d' -
ALMAS DO PURGATÓRIO
. Guimarães, Editores Cunha & Lemos (Tabacaria e Papelaria Lemos) - Compôsto e impresso na Tipografia Minerva Vimaranense de Antonio Luiz da Silva Dantas, 1920. In-8.º (21,5x14 cm) de [14], 256, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
ALMEIDA, Eduardo d' - DISCURSOS. Guimarães, Editores Cunha & Lemos (Tabacaria e Papelaria Lemos) - Compôsto e impresso na Tipografia Minerva Vimaranense de Antonio Luiz da Silva Dantas, 1921. In-8.º (21,5x14 cm) de [10], 274, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras de Eduardo de Almeida, ilustre causídico, proprietário e homem da cultura de Guimarães, encadernadas num único tomo. O primeiro volume - Almas do Purgatório - é um conjunto de contos, dois de alguma dimensão; o segundo - Discursos - reproduz as suas intervenções de maior relevo até 1921.
O título Discursos encontra-se autografado pelo autor com dedicatória a António do Amaral.
"Acordo queimado de febre, a estranha sensação do côrpo rechinando num lençol de suor frio, ainda na convulsa epilepsia dum mau pesadêlo.
Falta-me o ar. A muito custo, fazendo estalar os ossos empedernidos, busco uma caixa de fósforos, com mão nervosa, pesada, e, se já me arripia o contacto metálico do relógio, ao tocar os dêdos formiguentos no mármore da cabeceira, a descarga duma faísca electrica atravessa-me, deslumbradôra como fôgo de santelmo.
Vejo, olhos abertos na escuridão abafada do quarto, destacando-se de brancura escultural, as ultimas imagens do sonho - a deusa da Morte, na cinica e vulgar figura de Parca, (como a dum conhecido moimento do cemitério da Atouguia) mitológica e ausente, cortando-me o fio da vida; e, logo, sôbre o meu próprio cadaver amortalhado no hábito de irmão franciscano, o coveiro atira, em burocráticos movimentos indiferentes, grossa pàsádas de lama...
Na sacudida tenacidade do desejo, com a ância de acordar, a alucinação esvai-se; só, por largo tempo, erguidas ao meio do quarto, com violência luminosa de fotosfera, as mãos da estatua funerária não desarmam o gesto - e é dento do meu peito que êle se reflecte como se, na verdade, as tesoiras de aço me desfibrassem as raízes do coração.
Assusta-me o silêncio. [...]
Penso em chamar um criado. - mas envergonha-me a alarmante cobardia -; em sair, errar ao acaso, a ver se topo o sinal duma outra vida, que me dê reconfortadôra impressão de ser um facto a minha própria vida."
(Excerto de Agonia de amor)
Eduardo Manuel de Almeida Júnior (1884-1958). "Nasceu no dia 3 de Fevereiro de 1884, numa casa na rua de S. Dâmaso, em Guimarães. O seu pai, de quem tomou o nome, era um destacado homem de negócios. Estudou no Colégio de S. Dâmaso, que então funcionava no antigo Convento da Costa, onde completou o ensino secundário. Partiu para Coimbra em 1900, com o mesmo destino da maioria dos filhos da burguesia da terra que prosseguiam estudos superiores, inscrevendo-se na Faculdade de Direito da Universidade, cujo curso completaria em 1905, aos 21 anos.
Concluído o curso, regressa a Guimarães, onde se faz advogado, onde cedo consolidaria a sua fama de causídico competente e eloquente, com o um memorável tirocínio num caso particularmente difícil, em que assumiu a defesa de Antónia de Macedo, a Tiça, mulher do povo acusada da prática de triplo infanticídio e que, lida a sentença, acabaria absolvida.
Eduardo de Almeida foi, antes do mais, um homem de letras. Publicou o seu primeiro romance, A Lama, em 1905, ainda em Coimbra, um manifesto dirigido contra a sociedade decadente e desigual, onde proliferava a miséria, com uma clara influência da obra de Émile Zola. Desde muito jovem, colabora em inúmeras publicações periódicas, por onde irá dispersar incontáveis textos dedicados aos mais variados assuntos. O seu primeiro artigo na Revista de Guimarães foi publicado em 1906.
Eduardo de Almeida destacou-se como escritor, de grande mérito, sendo autor de uma obra que vai da ficção (publicou um romance e quatro volumes de novelas) aos estudos jurídicos e sociológicos. Quando assumiu a Direcção da Sociedade Martins Sarmento e da Revista de Guimarães, deu início às suas investigações históricas, publicando uma notável série de estudos dedicados à história de Guimarães."
(Fonte: https://pedraformosa.blogspot.com/2008/01/no-cinquentenrio-da-morte-de-eduardo-de.html)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a seco e a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado.
Raro.
30€

05 agosto, 2026

PIMENTA, Alfredo -
A REVOLUÇÃO MONARCHICA. Por...
Lisboa, Edição do Autor , 1919. In-8.º (18x12 cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio doutrinário publicado pouco tempo após a efémera tentativa de restauração monárquica, que ficaria para a história como a 'Monarquia do Norte'.
Publicado no rescaldo dos acontecimentos da Monarquia do Norte (a tentativa de restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro em janeiro de 1919), o livro funciona como um estudo crítico e uma apologia ideológica. Nele, o autor analisa a instabilidade da Primeira República Portuguesa e defende a solução monárquica como a alternativa lógica contra a desordem política da época.
Alfredo Pimenta, que no início da sua vida pública teve simpatias anarquistas e republicanas, já se tinha convertido nesta altura a um monarquismo convicto e contra-revolucionário, posicionamento que reflete diretamente nas páginas desta obra de cariz doutrinário. (IA)
"A questão política continúa em equação, á espera de uma resolução positiva, normal e definida. O Equívoco nacional, aggravado com o advento do regime republicano, mantem-se. [...]
A situação republicana gerada pelos intuitos e pela vontade de Sidonio Pais, fracassou e morreo estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impotencia das intelligencias attingio a sua maxima evidencia. Não ha Governo. Não ha Lei.
E no entretanto, um momento houve em que seria fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella comcórdia, àquella calma que são as condiçoens essenciais da sua vida normal.
Uma vez assassinado o Presidente Sidonio Pais, o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um: o da restauração das instituiçoens tradicionais portuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham em 5 de outubro de 1910. [...]
No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde, estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com um dos mais combativos e decididos jornalistas da Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar do dia seguinte, quando o governo de Tamagnini Barboza de apresentasse, como esperávamos, ás Câmaras, a relatar os acontecimentos sediciosos de Santarem. As nossas palavras e os nosso projectos não eram de quem presumia que meia hora depois, no Porto, se restaurasse a Monarchia."
(Excerto de 26, Fevereiro) 
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, manchadas. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

11 julho, 2026

DIAS, Carlos Malheiro -
OS TELLES D'ALBERGARIA : romance
. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1901. In-8.º (18x11,5 cm) de [8], 463, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Os Telles d'Albergaria é um romance marcante, e um dos mais estimados títulos da bibliografia do autor, publicado originalmente em 1901, no início da sua carreira literária.
A história decorre na zona da aldeia de Albergaria, e acompanha a vida e os conflitos dos membros da família Teles, nas suas dinâmicas e dilemas individuais face às pressões sociais e geracionais. "Foca o cenário político da segunda metade do século XIX, iniciando-se com as lutas liberais e culminando com a tentativa frustrada de implantação da república em Portugal, a 31 de janeiro de 1891. Em ambos encontra-se refletida, nos termos da escola realista e naturalista, a filiação monárquica do autor e a sua rejeição do regime constitucionalista então vigente."
Obra interessante e muito curiosa, sem registo na BNP; esta menciona apenas a 2.ª edição (1910).
"Por um claro domingo de Julho, á hora da missa, uma taquitana velha desembocava a trote no largo da Feira, em Guimarães, indo estacar á frente do palacios dos condes de Villa Torre - casarão envelhecido pelas chuvas e soes de quasi dous seculos, que emparedava com a frontaria de solar e convento todo um lado da praça, hasteando sobre um portal enorme, de couçoeiras denegridas, as armas nobres dos senhorios, entre janellinhas gradeadas de cadeia.
Longamente, os cavallos estafados saccudiram as colleiras de guizos, enxotando as moscas; e da boleia descem um velho creado, entre mordomo e feitor, que foi abrir a portinhola perra do landeau, desbarretado em frente do menino.
- Cá estamos em casa das tias de V. Ex.ª.
Então, saltou o estribo largo, ergueu-se um rapazinho franzino e pallido, como um uniforme de collegio, saccudindo uma vergasta de amieiro.
A sineta do portal badalou por muito tempo, echoando nas abobadas de pedra; e foi preciso esperar ainda um pedaço, á torreira do sol, antes que viessem abrir o vasto portão de masseira, chapeado de ferro, á lei da boa desconfiança minhota."
(Excerto do Cap. I)
Carlos Malheiro Dias (Porto, 1875 - Lisboa, 1941). "Jornalista, político e historiador. Natural do Porto, onde nasceu em 1875. Cursou Direito em Coimbra e frequentou Letras, em Lisboa. Foi deputado por Viana do Castelo e Vila Real.
Após a proclamação da República, exilou-se voluntariamente no Brasil, onde decorreu parte da sua actividade, tornando-se, em dado momento, o herdeiro espiritual de Eça de Queiroz a quem sucedeu na Academia Brasileira de Letras, e paladino devotado das ideias tradicionalistas.
Grande escritor, foi o romancista incomparável da Paixão de Maria do Céu, dos Teles de Albergaria e da coletânea de crónicas jornalísticas "A Verdade Nua". Doutrinador nacionalista da Exortação à Mocidade, dirigiu a obra monumental "História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921)". Fez parte dos fundadores da Academia Portuguesa de História. Em 1935 foi nomeado embaixador em Madrid, de que não chegou a tomar posse, por motivo de doença."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/90283)
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e  ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

14 fevereiro, 2026

MORAIS, Maria Adelaide Pereira de -
EUGÉNIA DA CUNHA PEIXOTA OU O MORGADO DO PARTO SUPOSTO
. Braga, [s.n. - Composição e impressão nas Ofic. Gráficas da Livraria Cruz - Braga], 1977. In-4.º (24x17 cm) de 15, [1] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa genealógico ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo acerca de um aparente embuste - um "parto suposto" - segundo a língua afiada do povo, a que se juntou a má vontade de parte da família do morgado de S. Miguel, em S. Clemente de Sande, Guimarães, os que com esse nascimento perdiam direitos ao morgadio, e que por isso, não se conformando, levaram a acesa disputa familiar.
Ensaio histórico e genealógico, invulgar e muito interessante, publicado em separata da revista «Armas e Troféus» : Janeiro-Abril de 1977 - N.º 1.
Ilustrado com duas fotografias da Quinta de S. Miguel em folha separada do texto, e um desdobrável de generosas dimensões (24x36,5 cm), também à parte do texto, com a árvore genealógica do Morgadio de S. Miguel.
"[...] Passa o morgadio da Rua das Flores para a quinta de S. Miguel. Em breve morre sem descendência Patrício Machado de Miranda.
A estas páginas, chega seu irmão e sucessor, Jerónimo Machado de Miranda. Vem  velho, de mãos trémulas, manco a arrastar-se com dificuldade o 8.º senhor do Morgadio. É este o marido que Deus e vontade dos Pais destinam para Eugénia da Cunha Peixoto, a do Parto Suposto Ouçamos os nobiliários:
- «... f. a de M. el da Cunha Maranhas, q por morte de seu marido ficou prenhe, e teve hum f.º chamado Sebastião e como os parentes do marido duvidarão do parto lhe  moverão demanda, mas venceo a viuva e morrendo o f.º passou o vincullo a sua Irmã Ignez de Miranda, e por isso lhe chamão o Morgado do parto suposto...»
- «Esta Eugenia da Cunha ordenou hu parto supposto para levar o morgado q instituio Gil L.co de Miranda de q este Jm Machado era sucessor s. g.».
Quem foi? Que fez Eugénia da Cunha Peixoto?
Apertada em faixas, ao colo da ama, estremece e possivelmente chora, a 25.5.1594, a recém nascida Eugénia, ao receber o Baptismo na igreja de S. Sebastião em Guimarães; são seus padrinhos Fernão Rebelo e a mulher de Pedro Roiz Caneiros. É a primogénita de Manuel da Cunha, o Maranhas, «que veio das Indias de Castella», onde fez fortuna depois de ter saído de Guimarães, «fidalguo qaue diz elle proprio ser», e de sua mulher Antónia de Freitas Peixoto, dos Morgados de Lamelas, ligados aos Peixotos, da Casa da Pousada, sangue do mais nobre, vínculo mais antigo das terras de Guimarães.. Infância passada entre rezas e folguedos, a correr pelos seus a esperança do Desejado, a fé num Portugal sempre vivo, a inocência a livrá-la da dor de saber uma Pátria quase morta nas areias de Alcácer, alguns anos antes de ela vir ao mundo."
(Excerto do Estudo)
Maria Adelaide Cardoso de Menezes Pereira de Moraes (1930-2023). "Nasceu em Lisboa a 20 de junho de 1930. Filha da vimaranense Dona Luiza Adelaide Cardoso de Macedo e Menezes (Margaride) e do diplomata brasileiro José Júlio Carvalho Pereira de Moraes, foi funcionária do Museu Alberto Sampaio, entre 1978 e 1994, e académica correspondente da Academia Portuguesa de História.
Entre as várias obras publicadas da investigadora, destacam-se Velhas Casas I a XI (1967-1990); Velhas Casas de Guimarães em dois volumes (2001 e 2002); Eugénia da Cunha Peixota ou O Morgado do Parto Suposto (1977); Guimarães, Terra de Santa Maria (1978); Capelas Vinculadas da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira (1981), entre outras."
(Fonte: https://maisguimaraes.pt/presidente-da-camara-municipal-de-guimaraes-lamenta-morte-de-maria-adelaide-moraes/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

11 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto - O LOBO DA MADRAGÔA.
Romance original. Illustrado com 40 gravuras. Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1904. In-4.º (23x15 cm) de 341, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance biográfico sobre o estoura-vergas e poeta vimaranense António Lobo de Carvalho (1730?-1787), cujo enredo está dividido em duas partes: Peccados da mocidade e Delictos da velhice, que coincide, respectivamente com a juventude do poeta, no berço minhoto, e os anos de maturidade, na capital.
Ilustrado no texto com 40 desenhos de belo efeito.
"Esboçava-se na tenue claridade do ceo o primeiro sorriso da aurora, e já a Therezinha de Villalva, madrugadora como a toutinegra, atravessava por Argemil para a beira do rio Ave.
Ella não tinha outro relogio que a despertasse, além do seu coração. Quem anda de amores não dorme, diz o povo. Aquella linda cachopa de Villalva dormia, cançada de mourejar um dia inteiro na faina dos campos, e talvez não sonhasse. Mas accordava mais cedo que toda a sua aldea; primeiro aínda que os passaros no arvoredo, exceptuando a toutinegra e o tentilhão. Era o coração que a despertava, muito de mansinho, para que ninguem mais ouvisse. [...]
A Therezinha de Villalva sahia de casa pé-ante-pé, lavava-se na corrente do Sanguinhêdo, riacho da sua aldea, como faziam mais tarde todas as outras raparigas. Via-se no espelho ainda baço da agua, que o sol illuminava frouxamente, e compunha o cabello, anediando-o com as mãos, que tambem tratava com excepcional cuidado entre camponezas. Depois partia alegre, cantando, mais feliz do que uma princeza, sem pensamentos maus que perturbassem a castidade da sua vida."
(Excerto de I - A explosão da pesqueira)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto em 1849.
Frequentou a instrução pública no Porto; por motivos económicos não prosseguiu os estudos no ensino superior, mas veio a desenvolver um percurso profissional assinalável. No jornalismo, começou como tradutor e revisor num jornal portuense, assinando posteriormente algumas crónicas e folhetins. Na política, integrou o Partido Regenerador, através do qual foi eleito deputado e nomeado membro de várias comissões. Na área da história, redigiu biografias, ensaios e memórias, onde se salientam os primeiros estudos sobre Camilo Castelo Branco. Foi membro de diversas academias e sociedades de letras e ciências, com destaque para a Sociedade de Geografia de Lisboa. Faleceu em Queluz no ano de 1925.
Como escritor, deixou uma vasta e diversificada obra, que publicou ainda em vida: romances, poesias, traduções, contos e novelas, crónicas de viagem, peças de teatro, etc."
(Fonte: https://turismo.obidos.pt/2023/05/02/texto-de-alberto-pimentel/)
Encadernação editorial em percalina com desenho e letras a branco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta anterior manchada. Discreta rubrica de posse na f. rosto. Alguns (poucos) sublinhados a esferográfica.
Muito invulgar.
25€

14 setembro, 2025

PIMENTA, Alfredo - O PROBLEMA DA GUERRA.
Commentarios por...
[S.l.], Edição e propriedade do auctor [imp. na Typographia Luzitania - Mario Antunes Leitão, Porto], 1916. In-8.º (21 cm) de 30, [2] p. ; B.

1.ª edição.
Interessante estudo, publicado pouco tempo antes da declaração de guerra da Alemanha a Portugal. O autor faz a análise do contexto nacional e internacional, pesando as várias opções do país num quadro de exigência política, diplomática e bélica.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O problema da guerra pode ser encarado sob dois aspectos fundamentais; sob o aspecto generico, independente dos nossos interesses e da nossa atitude; e sob o aspecto propriamente nacional, isto é, dizendo respeito ás suas consequencias internas.
No primeiro caso, fallam os homens que encaram os phenomenos friamente, e os analysam atravez do criterio philosophico sob que julgam os aontecimentos da vida social. No segundo caso, fallam os politicos, os homens que tem de manter sempre todos os interesse do paiz, as conveniencias do paiz."
(Excerto do Estudo)
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

04 setembro, 2025

ALMEIDA, Eduardo d' -
RECOLHIMENTO DO ARCANJO S. MIGUEL (alguns apontamentos para a história de Guimarães).
[As Beatas do Chapéu]. Guimarães, Tip. Minerva Vimaranense, 1923. In-4.º (23x16 cm) de [4], 138, [23] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia com interesse para a história da assistência social em Guimarães.
Ilustrada no texto com reprodução fac-símile de documento e fotogravuras relacionadas com a instituição, algumas delas em página inteira.
"O Recolhimento do Arcanjo S. Miguel em Guimarães não se refere a um local físico atualmente, mas sim a uma instituição histórica de cariz religioso e social, como documentado pela «As beatas do Chapéu», uma publicação da Casa de Sarmento referente ao século XIX. A instituição, associada à "Casinha", um centro de vida comunitária para mulheres idosas e necessitadas, foi um importante organismo de assistência social em Guimarães, mantendo a prática de recolher e assistir estas pessoas no contexto da devoção a São Miguel Arcanjo." (I.A.)
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "ilustre Professor Dr. Agostinho de Campos". 
Obra interessante e muito invulgar. A BNP não menciona.
Tiragem só de 200 exemplares todos numerados. O presente leva o n.º 167.
"A Guimarães, em que vivi criança (há mais perto de quarenta do que de trinta anos) tinha uma fisionomia muito sua e bem outra da cidade industrial de hoje, a enquadrar-se no insípido modêlo de todos os centros 
urbanos, assolhada de clareiras e enviesamentos geométricos a tira-linhas, com panos ou tábuas de aúncios nas frontarias e palmeiras nos arrelvados... por onde o garotio, na mesma farrapagem, salta o ribaldeixo aos clamores de palavrório obsceno, e figurinhas insexuadas, de placas de tinha caspentas, magras como os cães que à roda arejam as escorrências do lixo, nascendo já idosas, se expulgam entediadamente.
Ao cair das trindades, os lampianistas marchavam, no ângulo estiradiço de robertos a vintém, escada ao ombro, acender os candieiros de petróleo, e, a êsse vagaroso piscar de lucernas discretas pela baça atonia do crepúsculo, quando já pela tenda continuava o folhetim da discussão política, muito puxada à sustância regedoral, na casinha de jantar, o burguês, de moiras de bezerra e meias de linha, servida a ceia - dadas as graças e as boas noites -, armava, num velório íntimo, o serão da família. [...]
As freiras das Capuchinhas ouviam-se na segunda-feira de pascoêlo, dia de Nossa Senhora dos Prazeres - acabam os serões e começam as merendas -, quando os fidalgos de Guimarães, os Lindosos altos e desempenados, de casaca e laço branco, traziam, em padiola, dos claustros, onde tinham recolhido ao luto quaresmal, as preciosas imagens de S. José e Nossa Senhora, agora no destêrro dum altar no Campo da Feira.
Cantavam lá no alto, ao fundo da igreja, por detrás dos cortinados espessos que cobriam as rexas apertadas do côro, num lacrimejante murmúrio de suave, dolorido resignação (mas donde um rústico e ingénuo perfume dimanava, fazendo pulsar mais brando o nosso coração de pecadores) e de esperança na aleluia de além-túmulo.
Não era a voz gorgeada, física, que se materializa na garganta, nem mesmo a voz pura de mulher, abrindo em adoração, como as rosas brancas aos oiros quentes do sol, ou os rifados melancólicos na ramaria, quando agoniza um dia de primavera; mas uma voz que não tinha corpo, voz da alma, que arroia em eflúvios espirituais, arco-íris de notas florindo em luz, e se quebranta e sobressalta na atmosfera grosseira 
do mundo, e logo procura ascender e ilibar-se nas alturas, deixando só, quando passa, um perfume de saudade, uma caricia de divino, um adejar de ideal em doce mágua.
Nós hoje não compreendemos a paz dramática dos conventos. As nossas ideas, como a nossa vida, são tôdas rua, exterioridade, um botequim de azáfama balburdienta. Ensinaram-nos assim em furores de epilepsia. Rimo-nos da alma que sofre serenamente, na incurável desilusão das paixões, enclaustrada dentro dum túmulo de vivos. Ao nosso riso - ímpio e maldoso - chamamos liberdade, e é entre gargalhadas de pensamentos rubros e soltos que, por filosofia, abafamos a nossa dor mesquinha."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com carimbo na capa e f. rosto, e selo de biblioteca na lombada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

06 julho, 2025

ARNOSO, Conde d' -
O TALISMAN.
Illustrações de Casanova. Porto, Typographia do «Commercio do Porto», 1897. In-8.º (16x8 cm) de [2], 74, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conto bilingue (português/francês) dedicado pelo autor à Viscondessa de Fontenay, superiormente ilustrado por Enrique Casanova (Saragoça, 1850 - Madrid, 1913), pintor aguarelista espanhol que veio para Portugal em 1880 como refugiado político.
Obra rara, não mencionada na base de dados da Biblioteca Nacional.
Contém pequenas gravurinhas no texto, e três belíssimas estampas em página inteira, replicadas na versão em francês que se segue à portuguesa.
"Da sua infancia lembrava-se apenas que um dia, teria nove annos, aquelles a quem tratava como paes, o levaram por um caminho fóra, atravez de uma desconhecida floresta, e, apontando-lhe para um casal, o abandonaram, dizendo-lhe:
-É agora para alli que tens de ir guardar rebanhos, ganhar a tua vida.
O pobre rapazito segurando a sacola que com um pedaço de pão negro lhe tinham suspenso a tiracolo e que lhe embaraçava os movimentos, lacrimejando, dirigiu-se para o casal, que, áquella hora da tarde, adormecia já nas sombras pesadas da encosta.
Foi em vão que por longo tempo bateu anciosamente á porta, estremecendo ao ladrar raivoso dos cães, os unicos sêres vivos que de dentro lhe respondiam."
(Excerto de O Talisman)
Bernardo Pinheiro Correia de Melo, 1.º Conde de Arnoso (Guimarães, 1855 - Vila Nova de Famalicão, 1911). "Foi um oficial general de engenharia do Exército Português, diplomata e escritor que exerceu as funções de oficial-às-ordens e secretário pessoal do rei D. Carlos. Foi par do reino. Integrou o grupo de intelectuais conhecido pelos Vencidos da Vida usando o pseudónimo literário Bernardo Pindela. Encontra-se colaboração da sua autoria nas revistas A imprensa (1885-1891), A semana de Lisboa (1893-1895) e na revista Brasil-Portugal (1899-1914). Além da presente, é autor das seguintes obras: Azulejos (1886);  Jornadas pelo mundo (1895); Suave Milagre (peça de teatro); De Braço Dado (contos), com colaboração do Marquês de Sabugosa."
(Fonte: Wikipédia)
Bonita encadernação inteira de pele com dourados nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta desgaste na lombada.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

31 julho, 2024

MASCARENHAS, Miguel J. T. - A MARIA DA FONTE : episodio da guerra civil. Por... Um Conto Portuguez. Porto, Typographia Lusitana, 1873. In-8.º (20,5 cm) de 302, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre em plena guerra civil portuguesa.
Inclui no final do livro, com folha de rosto própria, mas sem alteração da sequência das páginas, uma pequena peça de teatro - Surpreza. Entre-acto original. O romance fecha com uma gravura do autor separada do texto, e com o seu agradecimento ao artista sr. José Arnaldo Nogueira Molarinho, natural de Guimarães, pela oferta da gravura em chapa, que serviu para a impressão do seu retrato.
Nada foi possível apurar acerca de Miguel Mascarenhas, que só terá publicado o presente livro (que levou quatro anos a concluir), a não ser a sua ligação a Guimarães, uma vez que assina a dedicatória e o prólogo do romance com essa indicação.
"Ao cahir da tarde de um dia que fôra borrascôso, no mez de Maria de 1846, avistavam-se, em preparados assentos de terreiro povoado de arvores floridas junto do atrio de nobre e vetusto domicilio, no valle de Sousa, das cercanias de Penafiel, tres formosas donzellas em colloquio intimo. O donaire de uma d'ellas e, a par do seu garbo senhoril, a riqueza e o bem posto de seus atavios, estremando-a das companheiras, annunciavam a elevada posição social a que pertencia. A natureza é que fôra egualmente prodiga para todas as tres no tocante a dotes physicos. Possuiam essas feições caracteristicas das nossas mimosas portuguezas - e não é cego patriotismo esta acerssão - que reunem o que ha de seductor em todos os typos do mundo. 
Chamava-se a fidalga D. Maria da Gloria da Mesquita Bandeira e Abendanho: por menos euphonico que pareça este ultimo appelido - seja aqui dito ligeiramente - é muito nobre e muito peninsular.
D. Maria achava-se no gôso de todas as caricias da familia, porque vira fallecer, um após outro, cinco irmãos varões, ficando a ser, por tal falta, o unico enlevo de seus nobres e abastados progenitores; como tambem usofruia o respeito admirativo de todos os mancebos de muitas leguas em redor da sua habitação, por ser esbelta."
(Excerto do Cap. I, Tres donzellas)
Bonita encadernação em meia de pele com cantos e lombada com nervuras e ferros gravados a ouro sobre rótulos vermelhos. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€
Reservado

13 abril, 2024

ARNOSO, Conde d' -
PRIMEIRA NUVEM
. Lisboa, Tip. da Livraria Ferin, 1902. In-8.º (18,5x12 cm) de [2], 29, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Peça em um acto representada pela primeira vez no Theatro de D. Amelia em Maio de 1902.
Bernardo Pinheiro Correia de Melo, primeiro conde de Arnoso (1855-1920). "Nasceu em Guimarães, em maio de 1855. Estudou matemáticas e engenharia, foi oficial do exército e secretário pessoal do rei D. Carlos, que lhe atribuiu o título em 1895. Membro dos Vencidos da Vida, como autor usou também o pseudónimo literário Bernardo Pindela (era filho do visconde de Pindela). Morreu em Famalicão, em 1911. Além de Jornadas pelo Mundo e de Azulejos – com prefácio de Eça de Queirós –, publicou De Braço Dado, em coautoria com o conde de Sabugosa, seu cunhado, e as peças de teatro A Primeira Nuvem e Suave Milagre (adaptação de um conto de Eça). Tem vasta colaboração dispersa na imprensa da época."
(Fonte: Wook)
Belíssima encadernação inteira de pele com nervuras, rótulos e autor e título na lombada, com cercadura ornamental gravada a seco e a ouro nas pastas. Trabalho executado na Carmelita, antiga oficina localizada na Calçada do Sacramento, em Lisboa. Conserva as capas originais. Acrescentado com páginas suplementares após o final para dar corpo ao livro.
Exemplar em bom estado de conservação. Etiqueta numerada na pasta anterior.
Raro.
25€

28 janeiro, 2024

FREITAS, Fernando da Costa - D. FREI THYRSO DE GUIMARÃES. Novella minhota. [Novella vimaranense]. [Por]... Da Sociedade Martins Sarmento, de Guimarães, e do Instituto de Coimbra. Guimarães, Edição da Revista «Gil Vicente», 1925. In-8.º (22 cm) de 33, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Novela histórica - aparentemente baseada em acontecimentos verídicos - cuja acção decorre no período das Guerras Liberais, que termina de forma misteriosa e não explicada, apesar do feliz desenlace.
Livro ilustrado com um desenho de D. Frei Thyrso - o D. Abade do Real Mosteiro de Santa Marinha da Costa - em página inteira, assinado D. Dantas.
Exemplar valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao "seu muito prezado Amigo e illustre conterraneo Dr. João Coelho da Motta Prego".
Pouco foi possível apurar acerca do autor, a não ser que era escritor, natural de Guimarães, mas a viver em Lisboa. Obra rara. A BNP não menciona.
"Pelos fins do seculo XVIII, começos do seculo XIX, havia ainda em Guimarães, na Rua do Valle de Donas, já então meio derruido, um palacio de architetura incaracteristica, - pesado, massiço, acachapado, uniforme -, notavel, tão só, por uma enorme pedra d'armas collocada a meio e ao alto da sua larga frontaria, - palacio que era o solar d'uma familia, nobre e rica, conhecida pelos Farias do Cidral.
Não constituia o segundo nome um appelido particular, ou exclusivo, d'esta familia, porque era antes uma alcunha que o povo lhe puzera, pela qual a conhecia, alcunha que o uso e o decorrer do tempo havia perpetuado, que passára já dos avós aos netos e d'estes aos filhos e tinha tido origem, como ella propria indicava, n'um vasto campo de cidras que havia junto da vetusta casa solarenga e era pertença d'esta, como aliás os campos, pomares e jardins - de boas e correntias aguas, de raras e deliciosas fructas e de lindas e mimosas flores -, que lhe ficavam em derredór.
Foi sem duvida d'essa alcunha e do campo que lhe deu origem, que proveio, mais tarde, o titulo de Conde do Cidral, com que um dos reis portuguezes quiz galardar, num dos membros d'essa linhagem, os valorosos feitos d'armas praticados, outr'ora, em terras da moirama, por alguns dos seus mais illustres antepassados, - feitos de que o seu brazão heraldico fallava com orgulho, nas vieiras d'azul que o cobriam em campo d'oiro, e no leão rompante que o timbrava.
Além de outras mercês e distincções com que os Farias do Cidral se pavoneavam, tinham eles, numa das suas propriedades situada nos suburbios de Guimarães, um privilegio cuja importancia é facil de calcular e que consistia em não poder ser preso pelo povo, nem por este ser entregue ás justiças do rei, nenhum malfeitor que, tendo conseguido entrar na referida propriedade, alli se conservasse com uma das mãos collocada, ou espalmada, sobre uma columna de pedra, d'um metro de altura, pouco mais.
Este privilegio, já ha muito extincto, como todos aquelles com que, em tempos idos, foi honrada e distinguida, em serie ininterrupta e nobillissima a terra natal do primeiro rei portuguez, honrando e distinguindo, consequentemente, cada um dos seus naturaes, constituia, como pode suppôr-se, um chamariz para toda a qualidade de malfeitores da velha cidade e seu termo - pelo menos.
Por ali passaram, - em transito, - ali se acoitaram durante horas, e até, alguns, durante dias, - á chuva, ao vento e ao frio, ou sob os rigores inclemente do sol -, criminosos de toda a especie, desde os simples desordeiros, aos salteadores de estrada; desde os reus de pequenos e insignificantes delictos, aos ladrões sacrilegos; desde os miseros larapios de fructa e criação, aos mais audazes e temiveis quadrilheiros; todos aquelles, emfim, tarde ou cedo, de saldal-as com a justiça, a não ser que conseguissem collocar-se, antes, sob a égide d'um bom patrono porque, então, este se encarregava de pôr pedra sobre o processo, favor que lhe colocava nas mãos a vida e fazendas do protegido e de que muitos usaram, - e abusaram -, em proveito proprio. [...]
Ora a narrativa que esta novella encerra, gira, precisamente, em torno d'um d'esses Farias do Cidral, descendente em linha recta, do nobre conde d'esse titulo, homem rude e voluntarioso,  possuindo todos os defeitos mas nenhum das qualidades daquelles que, tendo herdado um nome illustre e uma fortuna consideravel, souberam manter o primeiro com dignidade e empregar a segunda com proveito.
Vão passadas muitas dezenas de annos sobre a sua figura antiphatica e se hoje, ao pretendermos vivifical-a aqui, ella não fica constituindo para nós outros, vimaranenses, nenhum motivo de orgulho, nem titulo de gloria, convem attentar que, em torno d'esse homem, outras personagens surgem egualmente do pó frio do Tempo e a seu lado se movem, formando estas um contraste flagrante com elle e sendo, por isso mesmo, um motivo de desvanecimento para os seus concidadãos ou conterraneos, - d'hontem, d'hoje e d'amanhã!"
(Excerto do Cap. I)
"Pero Thadeu Furtado Pereira de Souza Carvalho e Faria do Cidral ou, tão só, Pero Cidral, nomes pelos quaes era geralmente conhecido,  tinha sido convidado por seu tio paterno o Dom Abbade do Real Mosteiro de Santa Marinha da Costa para saborearem juntos um delicioso saguate de trufas e ovo móles que o seu amigo D. Raymundo Braz, capitão de cavallos e corregedor da comarca d'Aveiro, - por sua Magestade Fidelissima -, lhe enviára, dias antes, como mimo de muita raridade e estimação.
Pero Cidral recebeu de sobrecenho carregado e má catadura; como era seu costume, o convite que lhe trouxera, de viva-voz, um dos numerosos creados do Mosteiro..."
(Excerto do Cap. II)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, com vinco ao centro.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

21 agosto, 2023

PINA, Luís de -
SHERLOCK HOLMES NO PORTO.
Contribuição portuguesa para a história do romance policial científico. Guimarães, [s.n. - Oficinas Gráficas da Companhia Editora do Minho - Barcelos], 1961- In-4.º (23,5 cm) de 45, [3] p. ; [3] f. il. ; [6] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata da «Revista de Guimarães», vol. LXXI - n.ºs 1-2.
Interessante subsídio para a história da literatura policial ficcionada em Portugal.
Ilustrado com estampas em separado reproduzindo os retratos de Arthur Conan Doyle e do Prof. João de Meira, bem como fotogravuras relacionadas com o ambiente de trabalho do escritor inglês, e diversas plantas e croquis.
Exemplar valorizado pela dedicatória manuscrita do autor.
"Poderá a muitos parecer estranho o título dado a esta palestra [...]
A estranheza será tanto maior quanto é certo que esta personagem, apresentada pelo eminente médico Conan Doyle, em 1886, para o seu primeiro conto A study of Scarlet, nunca existiu na realidade.
Não passou de uma criatura imaginada pelo ilustre contista, mas tão bem realizada ou humanizada [...] que de todo o mundo chegavam à casa de Doyle ou à Direcção da Polícia de Londres cartas e missivas endereçadas ao famosíssimo detective Sherlock Holmes, entre as quais não faltavam, mesmo, ofertas de casamento.
Pode, pois, perguntar-se: - como é que esteve «materialmente» no Porto um ser fictício como Sherlock Holmes? E mais, pode inquirir-se: - existe da pena de Conan Doyle algum conto, novela ou romance passado nesta cidade, tão querida dos Ingleses e com tanta história britânica?
Não, senhor. Não tendo jamais existido uma pessoa com o nome Sherlock Holmes, também não poderia o Porto ter visto tal pessoa ou ela ter estado aqui; e Conan Doyle jamais teria escrito qualquer coisa sobre o Porto e menos ainda localizar nesta cidade qualquer das aventuras do seu polícia!
Quem em 1912 - já lá vai quase meio século - escreveu, em jornal portuense chamado Mundo Ilustrado e em seu volume 1.º, um conto com o título Sherlock Holmes no Porto, foi também um ilustre médico, formado na nossa Escola Médico-Cirúrgica em 1907, onde concluiu o curso com uma brilhantíssima dissertação que o juri classificou com 20 valores.
«Quem trouxe ao Porto», nesse ano de 1912, o famoso e imaginário detective Sherlock Holmes foi esse distinto médico que era natural de Guimarães. [...]
A «vinda» de Sherlock à nossa cidade serviu ao curioso escritor, então já Professor da Faculdade de Medicina, Mestre de Medicina Legal e Director da Morgue, para o fazer «intervir» num tenebroso crime cujo mistério a todos assombrou e para, com a sagacidade do engenho desse arguto britânico, compor o melhor de um outro conto, com cena decorrente no Porto, que intitulou O truc de Mr. Raymond.
Pois será tema na nossa conversa de hoje nada mais nada menos que a análise do conto do Prof. João de Meira, Sherlock Holmes no Porto, com o sub-título Um cadáver que se evade."
(Excerto da apresentação)
Exemplar em bochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

16 julho, 2023

SAMPAIO, Antonio Vicente Leal -
O MINISTERIO PUBLICO E O HOMICIDIO DE FRANCISCO RIBEIRO MARTINS DA COSTA
. Porto, Imprensa Moderna, 1902. In-8.º (21,5x15 cm) de 58, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Processo relativo ao homicídio de um insigne vimaranense - Francisco Martins da Costa, também conhecido por Francisco Agra - por Julio de Campos, natural de S. Torcato, -  crime, que teve por móbil o roubo.
Nas páginas do presente livro o autor procura justificar o seu trabalho, baseando-se nos indícios e provas recolhidas, sobre o crime que em 1901 chocou o país, e Guimarães em particular, tal a frieza de que se revestiu.
Exemplar valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Conde de Paçô Vieira.
"No dia 26 de Junho do anno de 1901, foi assassinado na sua quinta d'Agra um dos mais illustres habitantes de Guimarães, a quem a cidade tanto deve, o snr. Francisco Ribeiro Martins da Costa. Muito embora o homicidio fosse perpetrado á grande luz do dia, pelas onze ou onze e meia da manhã, de tal modo se acautelou o assassino, escolhendo um sitio ermo e arborisado, que ninguem viu. Mas se para a descoberta dos criminosos fossem indispensaveis testemunhas presenceaes, o maior numero d'elles, e os mais execrandos, ficariam impunes: por fortuna é raro o crime que não deixa vestigios; e no caso presente os que se acharam no decurso das minuciosas investigações administrativas e judiciaes, confrontados com exames de peritos e depoimentos verdadeiros, convenceram o Meretissimo Juiz, Dr. Antonio Augusto Fernandes Braga, que fôra auctor do crime Julio d'Abreu Lemos, tambem conhecido por Julio de Campos, e por isso o pronunciou.
Na audiencia porém de julgamento, o jury, em contrario á opinião do eminente magistrado, que organisou o processo, e com o mais desvellado escrupulo, durnte longos dias e noites, apreciou o merecimento das provas - o jury absolveu o reu por unanimidade. Eis porque venho hoje apresentar aos meus superiores hierarchicos e a todas as pessoas, que teem competencia para avaliar uma prova, a summula do meu procedimento, como representante do Ministerio Publico, e os factos em que me fundei para pedir a condemnação do reu."
(Apresentação)
Exemplar brochado, sem capas, em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

07 maio, 2023

GUIMARÃES, Domingos - O TRISTE FIM D'UM MONSTRO. Illustrações de Candido da Cunha. Novellas de Portugal I. Paris, Aillaud & Cia, [1900]. In-8.º (14,5x7,5 cm) de [6] f. il. ; 34, [4] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
História pungente de um pequeno aleijado - o "monstro" - que se arrasta por caminhos poeirentos para adorar - de perto e de longe - uma beleza citadina. O seu convívio de crianças faz-se nas férias, junto da casa de campo da família da rapariga. Os anos passam e o moço espera e desespera pelo período do estio para retomarem os seus "diálogos amenos", mas a sua condição desigual - em "corpo" e alma - não se compadece com a sua índole sonhadora, levando-o ao desespero.
Livro precioso, em formato diamante, impresso em papel muito encorpado e de excelente qualidade, ilustrado com 6 belíssimos desenhos à parte do conhecido mestre-pintor barcelense Cândido da Cunha (1866-1926). Essas mesmas ilustrações são depois replicadas no texto, mas com cores diferentes entre si.
"Entre rendas a sua cabecinha poisava como n'um tufado nunho; seus olhos tinham o brilho vivaz e espantado de uma intteligencia desabrochada cedo; o nariz era petulante como a graça gauleza.
Disse-lhe um poeta, em madrigal, que, se Deus a não tivesse feito, a teria inventado. Não comprehendeu; mas o seu subtil instincto de mulher bonita segredou-lhe que era uma lisonja, e a lisonja agradava-lhe tanto como o debicar cerejas frescas com os seus dentinhos afilados de leôa precoce.
A paz da sua vida era serena e sem uma ruga. Ás tardes, debruçada para a estrada, com os cotovelos fincados nas pedras, via passar os carros que vinham das serras, com os seus tunneis de lona, e ficava-se a olhal-os com uma interrogação nos labios e uma curiosidade insatisfeita; muitas vezes pegava de conversa com os aldeões que passavam; e as suas risadas, que tiniam no claro ar com uma alegria doida, faziam rir os outros, infantilmente, como se lhes passasse pelo corpo um fremito d'aquella exuberancia de contentamento.
Mas o que a levava alli era o aleijadinho que se arrastava no pó, com as suas pernas quebradas, e uma bella cabeça loira a fitar, carinhosa, a cabecinha d'alveloa  que se pendurava no muro."
(Excerto do história)
Domingos Guimarães (1869-1934). Foi literato e publicista, trabalhou na imprensa, principalmente, como crítico de teatro e de literatura. Natural de Guimarães, foi no Porto que iniciou a sua carreira. Frequentou as mais selectas tertúlias, cultivando amizade com os escritores e artistas mais notáveis da época. Em finais de Outubro de 1897 mudou-se para Paris, abandonado a direcção do Branco e Negro. Segundo José Sarmento, que lhe fez a despedida em nome do semanário, iria assumir a função de correspondente de alguns diários informativos (n.º 84, de 7 de Novembro de 1897). Faleceu em Guimarães no ano de 1934.
Belíssima encadernação inteira de pele - executada pelo mestre encadernador Raúl de Almeida - com finos ferros gravados a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
A numeração do livro está incorrecta, sugerindo a falta de 4 páginas, que não se verifica. A BNP tem registado na sua base de dados um exemplar igual, mas com apenas três estampas.
Muito raro.
Peça de colecção.
75€