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08 junho, 2026

MELLO, Dr. Antão de - 
A IMBECILIDADE E A DEGENERESCENCIA NAS FAMILIAS REAES. A Hereditariedade, as suas taras phisicas, os estygmas intellectuaes da degenerescencia, perturbações nutritivas, a educação, o problema sexual, a loucura mystica, etc. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º (19x11 cm) de 106, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho "científico" sem ordem cronológica aparente: na primeira parte da obra, o autor discorre sobre várias famílias reais europeias, dos Romanov a Roma e a Júlio César, sendo a segunda parte dedicada, quase que exclusivamente, à realeza portuguesa, onde, na sua análise impiedosa, praticamente ninguém fica a salvo.
"O resultado de uma investigação scientifica não será, com certeza, tomado á conta de pessimismo, ou de ataque directo a qualquer classe.
Por contrario que possa parecer ao bom sentido, terá sempre uma parte de verdade. Ter-se-ha obtido por a experiencia e a reflexão sobre as experiencias, e se os individuos que hão experimentado e reflexionado, são normaes, conterá alguma coisa que deva poder acceitar-se por outros individuos normaes."
(Excerto do Preâmbulo)
A côrte portugueza, na primeira dinastia não sahiu de um estado semi-barbaro, oscilando entre a violencia da vida guerreira e a carnalidade dos prazeres animaes. Alternando o terror do inferno com o embrutecimento da sensualidade, e acabando n'uma positiva orgia de impudicia, tão desbragada que offendeu a curta castidade dos tempos."
(Excerto do Estudo)
Antão de Melo. "Foi um médico e escritor português, célebre pela autoria do polémico ensaio A Imbecilidade e a Degenerescência nas Famílias Reais (1908). Publicado no ano do Regicídio, procurou aplicar teorias médicas e genéticas da época para defender que as dinastias europeias se tinham degradado. Ele atribuía a decadência das famílias reais à endogamia, a taras físicas e a problemas hereditários. Ideologicamente alinhado com o pensamento republicano da época, Antão de Mello via o sistema monárquico como um obstáculo ao progresso, argumentando que a própria dinastia de Bragança era uma causa da decadência nacional." (IA)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação. Contracapa apresenta pequena falha de papel à cabeça. Com etiqueta de biblioteca na lombada.
Raro.
35€

31 março, 2024

MANUAL DE PSIQUIATRIA FORENSE.
Coordenação: Fernando Vieira; Ana Sofia Cabral; Carlos Braz Saraiva. Lisboa, Pactor, 2017. In-4.º (24x16,5 cm) de XXVIII, 572 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a área da Psiquiatria Forense dirigido, sobretudo, aos estudantes e profissionais da Saúde e do Direito, mas também aos simples interessados e curiosos.
Ilustrado no texto com esquemas, quadros e tabelas.
"O presente Manual de Psiquiatria Forense vem preencher uma necessidade que se vem sentindo, particularmente entre os profissionais que lidam no seu dia a dia com a interface do sistema saúde mental/justiça. Efetivamente, são escassos os artigos científicos disponíveis em língua portuguesa nesta área e, sobretudo, não existia um corpus organizado de textos que permitisse uma melhor estruturação de conhecimentos e uma aprendizagem consolidada do saber em Psiquiatria Forense, importa criar um manual que funcione como referência e sirva de suporte pedagógico a cursos de pós-graduação nesta área.
Este livro destina-se, assim, a estudantes, a psiquiatras e a internos de Psiquiatria, que nele podem encontrar, de uma forma concisa mas completa, tudo o que é fundamental saber em Psiquiatria Forense, mas também se dirige aos profissionais de Direito, incluindo magistrados judiciais, do Ministério Público e advogados, que, no seu quotidiano, se defrontam com problemáticas para as quais a Psiquiatria Forense pode dar um auxílio importante, aos psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e a outros técnicos que exerçam, ou simplesmente, tenham genuíno interesse por esta área tão sensível como mediática.
Os 32 capítulos, organizados em três partes, abordam diferentes temas que encontram lugar entre a História e o Direito, e entre a realidade pragmática atual e o futuro, que se adivinha pleno de áreas de interface. Fala-se nesta obra de Psiquiatria Forense em Direito Criminal, Civil, do Trabalho e da Família e, após uma abordagem que poderemos chamar generalista, focam-se contextos específicos, como os das enfermarias de segurança, dos estabelecimentos prisionais e da Psiquiatria Forense n o âmbito da Segurança Social. Finalmente, não são esquecidas temáticas ou realidades especiais tão diversas como a Neurobiologia, a Neuropsicologia e a Neuroimagiologia, a simulação, a criminalidade e o suicídio, e a ética e a responsabilidade profissional."
(Nota dos Coordenadores)
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
20€

15 junho, 2021

PIMENTEL, filho, Alberto - A MORTE DE CHRISTO.
(Monographia medica). Por... Da "Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa"
. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1902. In-8.º (19 cm) de 127, [1], XII, [4] p. ; B.

1.ª edição.
Ensaio médico sobre a morte de Jesus Cristo, que contempla uma vertente histórico-filosófica sobre ciência e religião, tendo com pano de fundo o sudário de Turim, cuja "descoberta", em 1902, por Paul Vignon, despertou consciências e avivou paixões, pretexto para as reflexões do autor.
"O sudário é uma peça rectangular de linho com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,1 de largura. O tecido apresenta a imagem de um homem de 1,83m de altura que parece ter sido crucificado, com feridas consistentes com as que Jesus sofreu antes de sua crucificação no relato bíblico. A 28 de maio de 1898, o fotógrafo italiano Secondo Pia tirou a primeira fotografia ao sudário e constatou que o negativo da fotografia assemelhava-se a uma imagem positiva do homem, o que significava que a imagem do sudário era, em si, um negativo.
Em 1902, o biólogo francês Paul Vignon levantou a hipótese, até hoje desmentida, de que o desenho de Jesus teria sido feito a partir de substâncias naturalmente exaladas por um corpo morto e misturado aos aloés, plantas usadas nos ritos judaicos."
(Fonte: wikipédia)
"Este trabalho não tem intuitos religiosos: é uma monographia puramente medica. Ocioso seria trazer para a tela da discussão assumptos irritantes, fazer ressurgir a pretendida rivalidade entre sciencia e religião. E sobre ocioso, enfadonho.
Convenção-se os senhores theologos, de uma vez para sempre, de que se esmiuçamos os segredos da natureza, o fazemos impellidos pela sêde de verdade, eterno e doce tormento que nos subjuga o espirito e nos leva a rebuscar a origem da vida, a razão da sua existencia e o fim para que caminha. [...]
Pelo presente trabalho, não lograrei a honra de ser inscripto no Index.
Cautelosamente afastei d’elle todas as considerações de ordem puramente religiosa. A ideia fundamental da monographia, a interpretação medica da morte de Christo, foi-me avigorada pelas recentes investigações scientificas sobre o celebre sudario de Turim. A imprensa portugueza muito pela rama deu conta d’essa palpitante questão, de modo que, na hora actual, a maioria dos portuguezes cultos desconhece o assumpto.
Na primeira parte da monographia, limito-me a expor as conclusões a que a sciencia chegou a respeito do lençol de Christo. Para isso me socorri do trabalho do naturalista francez Paulo Vignon, a cuja intervenção o mundo scientifico deve o conhecimento do sudario. Trabalho notavel sob todos os pontos de vista, de uma clareza e verdade scientifica muito para louvar, está por certo destinado a levantar interessante discussão, tão palpitante e intrincado é o assumpto.
Depois, na segunda parte do meu trabalho, procurarei investigar, á face da sciencia medica, qual a verdadeira causa da morte de Christo, ajudado pelos dados inesperados que o sudario de Turim veio revelar.
Não desconheço a delicadeza do assumpto, nem a sua grande difficuldade. E devo desde já dizer que me não offusca a vaidade de ter cortado o nó gordio.
Formulo hypotheses, que alias procurei assentar em alicerces seguros. Só os da minha classe poderão discutil-as com consciencia e só ás suas observações responderei, se acaso a monographia lhes merecer a importancia de me chamarem á liça."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. |  O lençol de Christo. | A morte de Christo. | Notas. | Bibliographia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

16 março, 2020

NUNES, Nicolau - DA MORTE VIOLENTA POR ARMAS DE FOGO. Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Coimbra, Minerva Central, 1925. In-8.º (21,5 cm) de 47, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo académico sobre a morte provocada por disparos de armas de fogo.
Ilustrado com quadros estatísticos das Observações de ferimentos por armas de fogo, que produziram lesões mortais, colhidas no Arquivo do Instituto de Medicina Legal de Coimbra desde a data da sua fundação 1899 até 1925 (pp. 28-47).
"A morte é a paragem dos fenómenos vitais.
Nós podemos dividir a morte em duas grandes categorias: a morte natural e a morte acidental.
No primeiro caso o homem atinge o maximo do seu desenvolvimento e das suas funções. Mas ao fim dum certo tempo, essas funções vão-se afroixando até se extinguirem, e a morte sobrevem como termo fatal e inevitavel da vida.
No segundo caso a morte é possível em qualquer idade, e assim pode ser produzida pela fome, pelas doenças, pelas armas de fogo, etc...
É para a morte produzida pelas armas de fogo, que nós desviamos toda a nossa atenção."
(A morte em geral)
Matérias:
A morte em geral. | Das armas de fogo. | Lesões produzidas pelas armas de fogo. | Conclusões: I. Crime. II. Suicídio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa frontal apresenta vinco diagonal.
Raro.
Sem registo na BNP (Biblioteca Nacional).
25€