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11 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - HISTORIA DA POLONIA.
Fastigio e decadencia de um povo. Compilada por... Lisboa, Empresa Lusitania Editora, 1915. In-8.º (19,5 cm) de 191, [1] p. ; B.
1.ª edição.
História da Polónia pela pena de Eduardo de Noronha, um dos mais considerados prosadores portugueses do primeira quartel do século passado, publicada no segundo ano da Grande Guerra - sexto após a implantação da República.
Obra interessante, com actualidade, dadas as presentes circunstâncias bélicas, permite constatar a evolução geopolítica desses territórios nos últimos 100 anos.
"A compilação da Historia da Polonia foi feita com um patriotico intento: o de evitar que, quem a ler, pratique, dentro da sua esphera de acção e dos limites do possivel, os mesmos erros politicos commetidos pelos imprudentes e desditosos polacos."
(Excerto de Ao leitor)
"A Polonia, Polska, como lhe chamam os seus naturaes e Polcha segundo a denominação dos russos, tira o seu nome do termo slavo polê, planicie, pois chão é quasi a totalidade do seu territorio. [...]
Nenhum paiz offerece exemplo mais eloquente, de como são deleterias e perigosas para a independencia de um povo as desavenças intestinas de quem o governa. Nação rica, poderosa, intrépida e intelligente, prolongava-se, no seculo XVIII, desde a Esthonia, no Baltico, até a Ukrania, no Mar Negro; desde a Lithuania, visinha de Moscovia, até Varsovia que confinava com a Moravia. Isto, é, estendia-se, com a Lithuania, pelas bacias do Varta, Vistula, Duina, Dnieper e Dniester superior. Jungia sob o seu dominio, além dos polacos propriamente ditos e dos slavos do Baltico, os lituanios, os naturaes da Russia Branca, os da Pequena Russia, os ruthenos, e possuia cidades prósperas, florescentes, com uma população de muitos milhões de habitantes."
(Excerto de I - Lendas, tradições e chronicas)
Indice dos Capitulos:
I - Lendas, tradições e chronicas. II - De Vladislau II a Alexandre I. III - O cyclo dos Jagiellos. IV - Symptomas de decadencia. V - Os cossacos. VI - A cegueira politica. VII - O principio do fim. VIII - Derradeiras esperanças.
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos; lombada apresenta falhas de papel de algum relevo.
Invulgar.
Com significado histórico e político.
15€

18 novembro, 2019

MARQUES, Pedro Correia - VARSÓVIA! Um caso de consciência internacional. Lisboa, Editorial Império, 1944. In-8. (19 cm) de 74, [6] p. ; [1] planta desdob. ; B.
1.ª edição.
Narrativa da 3.ª Batalha de Varsóvia pelo jornalista Pedro Correia Marques (1890-1972). A revolta que teve início a 1 de Agosto de 1944 e durou 63 dias até ser esmagada pelo exército nazi. Morreram mais de 15 mil membros do Exército Clandestino Polaco e cerca de 150 mil civis.
Livro publicado em pleno período bélico, ilustrado extratexto com uma planta desdobrável da cidade de Varsóvia.
"Não há nada nesta guerra mundial, que envolve o Globo num círculo terrível de ferro e fogo, sucesso tão altamente dramático e pungente como a chamada terceira batalha de Varsóvia. Pelo heroísmo com que a empreenderam os heróis do Exército Clandestino da Polónia, pela formidável energia com que a mantiveram desde o primeiro dia até ao fim duma luta sem igual na História, esta batalha fica sendo das páginas mais heróicas e dolorosas da vida da valorosa Nação.
Diga-se desde já que a Polónia não se lançou nela às cegas, sem adequado instrumento de luta. O Exército Clandestino é um verdadeiro exército, uma fôrça armada regular, com seus quadros e sua disciplina, modêlo de organização, pertinácia e coragem patriótica. [...]
O comandante dêste exército é hoje um general, que usa o pseudónimo de «Bór». [...]
Das poucas notícias conhecidas sôbre o general Bór (bór = floresta), sabe-se que é um oficial de carreira, considerado muito brilhante, de 48 anos. Mas a sua identidade é um segrêdo bem guardado pelos polacos. As sombras misteriosas do Exército Clandestino sumiram êste homem singular, devoraram-no. Na penumbra e no pseudonimato, que o envolvem e constituem a sua defesa, nunca, porém, deixou de estar presente no espírito dos soldados do Exército polaco, sempre crescente em número e audácia. Assim viveu o exército «subterrâneo», como, aliás, tôda a vida independente da Polónia, durante cinco anos. Muitas vezes, em actos de uma audácia fulminante, se revelou a sua existência. Sabia-se que existia uma fôrça organizada. Não se conhecia a sua eficácia e extensão. Nêste ano de 1944, revelou-se ela de forma heróica e retumbante."
(Excerto do preâmbulo, Não há neste guerra mundial...)
Índice: «Não há neste guerra mundial...». | Primeira Semana de luta. | Segunda Semana. | Terceira Semana. | Quarta Semana. | Quinta Semana. | Como a Cidade «vive» sob as bombas. | Os pavores da Cidade. | Porque se revoltou Varsóvia. | O auxílio a Varsóvia. | Apêndice. | Epílogo.
Exemplar em brochura bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 setembro, 2017

GOMES, J. Reis - O CAVALEIRO DE S.ᵀᴬ CATARINA (De Varna à Ilha da Madeira). [Por]... Da Academia das Ciências de Lisboa. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas do Diário da Madeira, Funchal], 1941. In-8.º (19,5 cm) de 75, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa da lenda de Henrique Alemão, o Cavaleiro de Santa Catarina, para muitos, o infausto Ladislau III, Rei da Polónia, que após a trágica derrota na Batalha de Varna (1444) e um périplo pela Terra Santa, aportaria à ilha da Madeira em 1454, sendo recebido «com mui particular respeito» por João Gonçalves Zarco, que lhe concedeu terras na costa sul da Ilha. Lenda tão mais curiosa devido aos pontos coincidentes com o desastre de Alcácer-Quibir, nas palavras do autor: A guerra em que à data se encontrou Ladislau III, tem, pelas suas origens político-religiosas, acentuada semelhança com a catástrofe de Alcacer-Quibir. Como nesta, há o desaparecimento dum rei audacioso e moço impulsionado para a luta - acima de tudo - por cega e ardente fé religiosa.
"Ainda o pó, revôlto, turvava a limpidez do ar, quando Huniade deu ordem para o ataque.
Preparavam-no os besteiros que inundam o campo adverso com um aluvião de setas, arremêsso em que hûngaros e polacos são particularmente destros. Os turcos respondem logo; e a seguir dá-se o assalto à arma branca, confundindo-se os dois adversários na refrega. [...]
A cavalaria polónio-hûngara, composta por atléticos guerreiros cobertos de armaduras que soltam, das espaldas, fortes e extranhas asas, espera insofrida o momento da sua intervenção. Os cavalos relincham inquietos.
Súbito, ressoa um brado: - «Por São Jorge!...» É a voz do rei. Estevão de Bathor, num gesto alto, levanta o estandarte.
No mesmo instante, Ladislau cercado dos seus príncipes de ferro - como êle, ambiciosos de glória - rompe a galope, de comêço, curto, preparando a arremetida heróica: um dêsses épicos lances em que se celebrizaram sempre os esquadrões polacos.
Amurate, sereno, mas com o olhar chispante de ódio, ordena à sua guarda: - «Isolai-o dos companheiros. Êle virá sôbre nós, como um javali ferido. Afastai-vos e, num relâmpago, envolvei-o em vosso círculo. Matai-o - rugiu com voz cava - e praticareis uma santa acção, perante Deus e o seu profeta!»"
(excerto de Na Batalha de Varna)
"Haveria uns trinta anos que a Ilha da Madeira começara a ser povoada, quando, aí por 1454, sendo donatário do Funchal João Gonçalves Zarco, chegou a esta Ilha uma «misteriosa figura» que se nomeava Henrique Alemão, também conhecido pelo Cavaleiro de Santa Catarina.
O apelido Alemão - murmurava-se - seria apenas disfarce tendente a ocultar a origem desta «legendária personagem»...
Era homem ainda moço - pouco mais de trinta anos - alto, de cabelo loiro já entremeado de cans, barba longa arredondada na ponta, olhos rasgados e azues. Sua tez branca e emaciada, vincava-se de rugas que bem pareciam precoces.
Tinha aspecto de quem sofrera muito e, mais, de quem padecia ainda profunda dôr oculta. Vestia severamente, sem excluir, no traje e em seu porte, natural elegância e distinção. Acompanhava-o, geralmente, um mordomo ou escudeiro pouco mais velho do que êle, e também de cabelo, pele e olhos claros."
(Excerto de O sesmeiro da Madalena)
Índice:
Introdução. Primeira Parte: Ladislau III, da Polónia. I - O Tratado de Paz; II - Na Batalha de Varna. Segunda Parte: Quem era Henrique Alemão?... I - O sesmeiro da Madalena; II - Dois anátemas. Notas.
João dos Reis Gomes (1869-1950). Major de Artilharia, escritor e professor. "Figura intelectual do seu tempo, o  distinguiu-se no panorama cultural madeirense como professor, ensaísta, jornalista, dramaturgo, escritor, legando-nos a sua reflexão sobre as artes, numa produção profundamente marcada pela realidade insular que o inspirou e que está presente na sua escrita, através das personagens que habitam os seus livros e que reavivam memórias e tradições da Madeira."
(Fonte: mqc.gov-madeira.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória (não do autor) na f. guarda anterior.
Raro na sua edição original.
Indisponível

28 julho, 2016

SIENKIEWICZ, Henrik - QUO VADIS. Versão portuguesa de Mayer Garção. Desenhos de Districht, Alfredo de Moraes e Sousa e Silva. Gravuras de Carlos Traver. Lisboa, Bibliotheca Popular : Empresa Editora de Publicações Illustradas, [191-]. In-4.º (25,5cm) de 669, [3] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
Romance histórico, clássico da literatura mundial.
Edição luxuosa, não datada, publicada provavelmente na 1.ª década do século passado. Muitíssimo ilustrada com belíssimas capitulares, desenhos no texto e gravuras em página inteira. Inclui um retrato do autor em separado da autoria de Sousa e Silva.
"Henryk Sienkiewicz (1846-1916) foi um jornalista polaco que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1905 pelos seus "excelentes méritos enquanto escritor épico".
Em Quo Vadis, o autor ilustra o conflito das ideias morais no seio do Império Romano - um conflito que provocou a queda da imoralidade pagã e permitiu ao Cristianismo tornar-se a força dominante da história. Este romance pungente fala do amor que nasce entre uma jovem cristã, Lígia, e um romano pagão, Marco Vinício. Tem lugar na cidade de Roma sob o regime do brutal imperador Nero.
O conflito descrito em Quo Vadis sempre foi de grande interesse para uma vasta audiência de leitores. Quo Vadis é a obra-prima intemporal de Sienkiewicz e foi traduzida para mais de cinquenta línguas."

(fonte: wook.pt)
"Era perto de meio dia quando Petronio acordou, e, como de costume, extremamente fatigado; assistira na vespera, a um festim no palacio de Nero. Havia algum tempo que a sua saude deixava muito a desejar e que não acordava tão bem disposto como outr'ora. Comtudo, o banho matinal e uma habil massagem conseguiam sempre activar-lhe a circulação preguiçosa do sangue a reanimar-lhe as forças de tal forma, que ao sahir do elœothésium (a ultima sala do banho) parecia remoçado, os olhos brilhavam-lhe e o seu aspecto era tão prestigioso que nem o proprio Othão poderia com elle rivalisar. Merecia então bem justificadamente o seu consagrado cognome de Arbitro das elegancias."
(excerto da Primeira Parte, Cap. I)
Encadernação editorial gravada a seco e policromada nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Desgaste do manuseio, na capa posterior, nas extremidades, junto à lombada.
Invulgar.
20€