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03 novembro, 2025

O LIVRO AZUL OU CORRESPONDENCIA RELATIVA AOS NEGOCIOS DE PORTUGAL APRESENTADA EM AMBAS AS CAMARAS INGLEZAS. Traduzido do Inglez
. Lisboa, Tipographia de Borges, 1847. In-fólio (30x20 cm) de 368 ; XII p. índice ; E.
Junto com:
ADDITAMENTO AO LIVRO AZUL. [S.l.], [s.n.], [1847]. In-fólio (30x20 cm) de 79, [1] p.
E:
DEBATES DO PARLAMENTO BRITANNICO SOBRE OS NEGOCIOS DE PORTUGAL. Lisboa: Typographia de Pedro Antonio Borges, 1847. In-fólio (30x20 cm) de 99, [1] p.
3 volumes encadernados num único tomo.
1.ª edição.
Importante repositório documental com interesse para a história da Patuleia - "conjunto de lutas travadas em Portugal entre os Cartistas - que defendiam ideias de tendência conservadora, tendo como ponto de referência a Carta Constitucional de 1826, como Mouzinho da Silveira, Costa Cabral e os duques da Terceira, de Saldanha e de Palmela - e os Setembristas - liberais radicais também conhecidos por patuleias, representados por Passos Manuel, José da Silva Passos e o visconde de Sá da Bandeira". (Infopédia)
Obra ilustrada com o retrato do Visconde de Sá da Bandeira separado do texto, que falta na maioria dos exemplares.
"O Ministério Britânico apresentou à Câmara dos Comuns na sessão de 9 de Junho de 1847 os documentos acerca da "questão portuguesa"; que são um conjunto de informações, interceptadas pelos Serviços de Inteligência ingleses em Portugal, transcritos no presente volume denominado "Livro Azul". À 'questão portuguesa' chamamos em Portugal Insurreição ou Revolução da Patuleia, ou ainda Guerras das Patuleias. Os governos de Costa Cabral (1842-1846) reprimiram a Carta Constitucional de 1826 que conservava nas mãos da Rainha o poder moderador e o executivo. Só em 1847 a situação interna se normaliza após a intervenção da Espanha, da França e da Inglaterra que levou à celebração da Convenção de Gramido. Este Livro Azul é uma importante fonte, com 336 documentos para a história deste período, começando em 8 de Outubro de 1846; encontrando-se ainda vários anexos com os tratados entre Portugal e a Grã-Bertanha, começando pelo tratado assinado em Londres em 1373. Relativamente à Questão Portuguesa ou Patuleia: em Janeiro de 1847 teve origem em sucessivas suspensões das garantias constitucionais. O general Póvoas é nomeado comandante dos Patuleias, e comandante militar das duas Beiras, aliando-se a Sá da Bandeira. A esquadra Cartista, comandada por Soares Franco, bloqueia o Porto. Em Fevereiro há a remodelação governamental. Os comerciantes de Lisboa aplaudem a chegada do ministro Tojal à Fazenda. Os funcionários públicos não eram pagos desde Outubro. O exército da Patuleia comandado pelo Conde de Melo ataca Estremoz. Em Abril Sá da Bandeira desembarca no Algarve e inicia a sua marcha para Lisboa. Chega a Setúbal e junta-se às tropas do Conde de Melo e às guerrilhas do sul. Há tumultos em Lisboa, onde estacionam tropas inglesas e espanholas. Sá da Bandeira detém-se em Setúbal. Perde 500 homens no combate do Alto do Viso. Há uma nova remodelação governamental. Novos tumultos dos Patuleias em Lisboa. Em Maio, Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso, aceita o armistício. A esquadra britânica bloqueia o Douro impedindo a saída da esquadra do Conde das Antas em socorro do Exército do Sul. Em Junho o exército espanhol ocupa o Porto. Sá da Bandeira aceita submeter-se. Assina-se a Convenção de Gramido (em Gondomar) em 29 de Junho de 1847 com o objectivo de pôr fim à insurreição da Patuleia. A convenção foi assinada entre os comandantes das forças militares espanholas e britânicas, que tinham entrado em Portugal ao abrigo da quádrupla aliança, dezassete dias depois destes documentos serem apreciados pela Câmara dos Comuns inglesa."
(Inocêncio, Vol. II, pp. 220)
Encadernação meia de percalina com rótulo negro e dourados na lombada. Sem capas de brochura. Carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada cansada. Retrato apresenta vestígios de humidade.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
75€

09 setembro, 2024

CASTELLO BRANCO, Camillo - MARIA DA FONTE. A proposito dos apontamentos para a historia da Revolução do Minho em 1846 publicados recentemente pelo reverendo Padre Casimiro, celebrado chefe da insurreição popular. Porto, Livraria Civilisação, 1885. In-8.º (19x12 cm) de 425, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante trabalho de investigação de Camilo Castelo Branco - de certo modo autobiográfico, já que também ele viveu nessa época - sobre a existência e acção da Maria da Fonte, personagem mítica da revolta popular baptizada com o seu "nome de guerra", que eclodiu no Minho, em 1846.
Rara edição original, ilustrada com bonitas capitulares e vinhetas tipográficas.
"Maria da Fonte, ou Revolta do Minho, foi uma revolta popular ocorrida na primavera de 1846 contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral.
A revolta resultou das tensões sociais remanescentes das guerras liberais, exacerbadas pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis de recrutamento militar que se lhe seguiram, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.
Iniciou-se na zona de Póvoa de Lanhoso (Minho) uma sublevação popular que se foi progressivamente estendendo a todo o norte de Portugal. A instigadora dos motins iniciais terá sido uma mulher do povo chamada Maria, natural da freguesia de Fontarcada, que por isso ficaria conhecida pela alcunha de Maria da Fonte. Como a fase inicial do movimento insurreccional teve uma forte componente feminina, acabou por ser esse o nome dado à revolta."
(Fonte: Wikipédia)
"Foi a Maria da Fonte a personificação fantastica de uma collectividade de amazonas de tamancos, ou realmente existiu, um corpo e fouce roçadoura, uma virago revolucionaria com aquelle nome e appellido?
É o que vamos esmiuçar.
Mas, em parenthesis: acho que faltam condiçoens epicas n'este periodo que acabei de immortalisar e exhibir á posteridade. Ao tratar das heroinas da revolução nacional de 1846, o meu estylo é lapantanamente grutesco. [...]
Sobre a personalidade unica, singular e distincta de Maria da Fonte entre as mulheres amotinadas no concelho de Vieira, o depoimento do snr. padre Casimiro deve ser o primeiro n'este processo de investigação.
Refere o minucioso historiador que um sapateiro de Simães, da freguezia de Fonte Arcada, o avisára que lhe maquinavam a morte; e, na mesma occasião, se mostrára receoso de que lhe matassem sua irman Maria Angelina, a quem chamavam Maria da Fonte, e fôra processada e pronunciada nos tumultos da Povoa de Lanhoso. Perguntou-lhe padre Casimiro o que fizera ella para ganhar tal nome. - Nada, respondeu o sapateiro; apenas acompanhára as outras mulheres que arrombaram a cadeia da Povoa para soltar as prêzas que primeiramente se levantaram contra a Junta de Saude."
(Excerto de Parte Primeira - Marias da Fonte)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Assinatura de posse visível na f. rosto e primeira página de texto. Pág 95/96 apresenta rasgão no canto com perda de suporte, mas sem afectação da mancha tipográfica.
Raro.
Indisponível

31 julho, 2024

MASCARENHAS, Miguel J. T. - A MARIA DA FONTE : episodio da guerra civil. Por... Um Conto Portuguez. Porto, Typographia Lusitana, 1873. In-8.º (20,5 cm) de 302, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre em plena guerra civil portuguesa.
Inclui no final do livro, com folha de rosto própria, mas sem alteração da sequência das páginas, uma pequena peça de teatro - Surpreza. Entre-acto original. O romance fecha com uma gravura do autor separada do texto, e com o seu agradecimento ao artista sr. José Arnaldo Nogueira Molarinho, natural de Guimarães, pela oferta da gravura em chapa, que serviu para a impressão do seu retrato.
Nada foi possível apurar acerca de Miguel Mascarenhas, que só terá publicado o presente livro (que levou quatro anos a concluir), a não ser a sua ligação a Guimarães, uma vez que assina a dedicatória e o prólogo do romance com essa indicação.
"Ao cahir da tarde de um dia que fôra borrascôso, no mez de Maria de 1846, avistavam-se, em preparados assentos de terreiro povoado de arvores floridas junto do atrio de nobre e vetusto domicilio, no valle de Sousa, das cercanias de Penafiel, tres formosas donzellas em colloquio intimo. O donaire de uma d'ellas e, a par do seu garbo senhoril, a riqueza e o bem posto de seus atavios, estremando-a das companheiras, annunciavam a elevada posição social a que pertencia. A natureza é que fôra egualmente prodiga para todas as tres no tocante a dotes physicos. Possuiam essas feições caracteristicas das nossas mimosas portuguezas - e não é cego patriotismo esta acerssão - que reunem o que ha de seductor em todos os typos do mundo. 
Chamava-se a fidalga D. Maria da Gloria da Mesquita Bandeira e Abendanho: por menos euphonico que pareça este ultimo appelido - seja aqui dito ligeiramente - é muito nobre e muito peninsular.
D. Maria achava-se no gôso de todas as caricias da familia, porque vira fallecer, um após outro, cinco irmãos varões, ficando a ser, por tal falta, o unico enlevo de seus nobres e abastados progenitores; como tambem usofruia o respeito admirativo de todos os mancebos de muitas leguas em redor da sua habitação, por ser esbelta."
(Excerto do Cap. I, Tres donzellas)
Bonita encadernação em meia de pele com cantos e lombada com nervuras e ferros gravados a ouro sobre rótulos vermelhos. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€
Reservado

05 abril, 2020

RIBEIRO, António dos Reis - O PADRE CASIMIRO E CAMILO. Lisboa, Editorial Enciclopédia, Lda, [1947]. In-8.º (19 cm) de 220, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Emmerico Nunes.
Interessante subsídio camiliano. 
Casimiro José Vieira (Vieira do Minho, 1817 - ?, 1895). "Sacerdote católico português, foi um dos principais chefes da guerrilha miguelista durante a guerra civil de 1846-1847. Era um forte defensor do culto das Cinco Chagas de Cristo e um legitimista convicto, que proclamava El-Rei D. Miguel do alto do Bom Jesus do Monte." (Fonte: wikipédia)
"O Padre Casimiro José Vieira, comandante das forças populares do Minho e Trás-os-Montes e defensor das Cinco Chagas, o último apendículo decerto, para que não parecesse mal, o carregar sobre a sua sotaina de Padre com o arcabuz de guerrilheiro, era natural de Vieira, no Minho.
Terra montanhosa, de clima áspero, confinando com a região barrozã de Trás-os-Montes, os seus homens são geralmente altos, espadaúdos, fortes, próprios para lutar com as hostilidades da temperatura e a braveza da terra.

O Padre Casimiro era, fisicamente, como qualquer vieirense serrano, alentado, robusto, o vigor e a saúde estampados no rosto moreno, de traços regulares e agradáveis. O seu corpo desempenado, de montanhês forte, parecia mais talhado para os trabalhos árduos do campo, do que para o mister sacerdotal, brando e remançoso.
Em 1846, quando deflagrou a revolução, depois chamada da Maria da Fonte, tinha o Padre Casimiro vinte e poucos anos e era, segundo o testemunho de Pinho Leal, que com ele tratou nessa época, um moço garboso e simpático. Acrescenta Pinho Leal, na sua maneira de dizer, tão pitoresca, que o padre era grande pândego e se tivesse alguma cultura, não havia de ser parvo de todo.
Pinho Leal é mais generoso ainda assim do que Camilo, ao apreciar os dotes intelectuais do guerrilheiro tonsurado. [...]
Mas que razões tinha Camilo, para desembestar contra o Padre Casimiro, depenado herói, a quem amargurou a velhice do sexagenário?"
(Excerto de O Padre Casimiro e Camilo)
Índice:
O Padre Casimiro e Camilo. | O Defensor das Cinco Chagas. | Camilo, Visconde de Correia Botelho. | Os Brasileiros de Camilo. | A minha Terra.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação.
Pouco comum.
Indisponível

23 outubro, 2017

A INTERVENÇÃO OU DOCUMENTOS HISTORICOS Relativos á interferencia armada de França, Hespanha, e Inglaterra nos negocios internos de Portugal em 1847. Lisboa, Typographia de Borges, 1848. In-8.º (21 cm) de [4], 162 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de documentação relevante sobre a Patuleia, guerra civil portuguesa entre Cartistas e Setembristas, que teve a duração de aproximadamente oito meses, conhecendo o seu epílogo em 30 de Junho de 1847, com a Convenção de Gramido. Esta guerra deu sequência à Revolução da Maria da Fonte (Maio de 1846) e ao golpe palaciano conhecido por Emboscada, ocorrido alguns meses depois, a 6 de Outubro de 1846. O desfecho da Patuleia só foi possível após a intervenção estrangeira protagonizada pelos países que constituíam a Quádrupla Aliança que desequilibraram os pratos da balança em favor dos Cartistas, partidários de D. Maria II. O compilador deste livrinho terá sido o editor, Joaquim Ribeiro de Faria Guimarães, conhecido empresário do Porto, e proprietário de uma tipografia.
"O Editor da Intervenção vendo um opusculo, que o Ex.ᵐᵒ Sr. Conde das Antas publicou, com  o titulo - Correspondencia entre o Conde das Antas e os Ministros Plenipotenciarios e outros Agentes das Potencias signatarias do Protocolo de 31 de Maio de 1847, acompanhado de varios actos officiaes da Junta Provisoria do Governo Supremo do Reino no Porto, e outros documentos, - o qual distribuiu pelos seus amigos; sollicitou, e obteve, de S. Ex.ª a permissão de transcrever a dita Correspondencia n'esta obra, que d'esta maneira se torna interessantissima, e digna de ser lida por todos os Portuguezes que devidamente apreciarem a liberdade da sua patria; não só por se convencerem da veracidade de certos factos, que, sendo adulterados, poderiam prejudicar a honra dos primeiros homens, que se puzeram á testa do pronunciamento popular; mas ainda para ficarem com perfeito conhecimento d'alguns acontecimentos bastante notaveis que se não deram ainda a publico."
(Introdução do Editor, Ao Publico)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada reforçada.
Raro.
Com interesse histórico.
35€