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16 maio, 2025

CAMARA, A. Freitas da -
COSTA DO SOL : Romance Rialista
. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, [1932]. In-8.º (18,5x13 cm) de 346, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Alfredo Cândido (1879-1960), conhecido ilustrador limiano.
Curioso romance, levemente erótico para os padrões da época, o suficiente para, sujeito à censura do Estado Novo, ser proibido de circular. Posteriormente, em 1933, Freitas da Câmara viria a publicar o romance Vampiro lúbrico : estudos literário-sexuais, que, tal como este, foi banido pelo regime.
Obra invulgar e muitíssimo interessante.
"Ás oito e meia, como de costume, a Leonor bateu levemente á porta do quarto de Maria Luisa. Não obtendo resposta, voltou a bater as tres pancadinhas habituaes com os nós dos dedos, a inquirir:
«Posso entrar, menina?»
De dentro, a voz musical de Maria Luisa preguntou, com aquela intonação propria de quem acaba de ser despertada de improviso;
«Quem é?»
«Sou eu, menina. São horas do pequeno almoço,» voltou a dizer a Leonor.
«Ah. Entra.»
A criada deu a volta ao fecho da porta e penetrou no aposento imerso em quasi completa escuridão. Distinguiam-se vagamente os objectos que adornavam aquele lindo aposento de mulher: o mobiliario de estilo, o lavatorio a um canto onde abundavam os sabonetes de boa marca, o psyché repleto de frasquinhos de capitosos perfumes, a escrivaninha, tudo disposto com muita arte e indiscutivel bom gosto.
ALeonor deu os bons dias e, pousando numa mesinha de centro a salva com a chicara de café com leite que fumegava e as torradas macias e tépidas, dirigiu-se á janela e abriu as portas de madeira.
Um jorro de luz barnca, coada pelos cortinados de tule penetrou no quarto onde flutuva um indifenivel perfume, grato á narina, de essencias de preço e de cheiro a carne feminina bem cuidada."
(Excerto de I - Virgindade inquieta)
"Deitada na chaise, a fumar com volupia uma cigarrilha turca, Maria Luisa lia atentamente a secção «Praias e Termas» do jornal.
Um dos pés descançava sobre o tapete emquanto o outro, apoiado no rebordo do movel, brincava indolentemente com a sapatilha suspensa pelas pontas dos dedos.
A tarde estava quente o que a forçava a afastar as bandas do pijama para refrescar a pele, afogueada a despeito da caricia fresca do sedoso tecido.
Crusou as pernas, ageitou-se melhor na posição horisontal em que estava e pousou o jornal sobre o joelho saliente; em seguida poz-se a observar com curiosidade o movimento ascensional do fumo do seu cigarro até deter a vista num ponto fixo do tecto. Meditava em que praia ou estancia termal lhe conviria veranear nesse ano, parecendo-lhe sentir uma inexplicavel inclinação pelo Estoril.
No ano anterior estivera na Figueira da Foz. Não voltaria lá tão cedo.
Das restantes localidades que a gente chic habita na época calmosa eram-lhe familiares a Curia, o Bussaco, Vila do Conde, a Nazare e outras estancias de verão mais ou menos atraentes desde os tempos em que o papá ia a Vizela todos os anos para as suas massagens mercuriaes. De forma que hesitava na escolha."
(Excerto de II - Meditações)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

21 setembro, 2023

CERÂMICAS ANTIGAS DAS CALDAS E DE BORDALO PINHEIRO.
[Exposição organizada pela Junta de Turismo da Costa do Estoril e Museu de Cerâmica nas Caldas da Rainha]. [S.l.], Junta de Turismo da Costa do Estoril, 1984. In-4.º (26x16,5 cm) de [66] p. ; [22] p. il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da exposição que teve lugar no Pavilhão dos Congressos do Estoril, em Agosto de 1984, na Galeria das Arcadas.
Junta-se folheto das peças extra-catálogo.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado no texto com desenhos das marcas registadas e, no final, em separado, com inúmeras fotografias distribuídas por 22 páginas.
"Apesar do prestígio que o centro cerâmico de Caldas da Rainha conquistou ao longo dos séculos, até hoje não se esclareceu o enigma que constitui o primeiro período da sua história e da sua produção. Através de raros documentos e por uma sólida tradição oral, sabemos que no séc. XVII esta produção já era florescente, mas não existia nenhuma obra assinada até à segunda metade do séc. XIX e nem se conservaram os raros fragmentos de cerâmica recolhidos no final do século passado em escavações efectuadas nos locais de uma antiga olaria e então estudados pelo ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra."
(Excerto de I - Introdução)
"Manuel Mafra, novo proprietário da fábrica que comprou a Maria dos Cacos, introduziu rapidamente inovações que revolucionaram os costumes dos seus parceiros aplicando do reverso das peças um carimbo comercial gravado no barro; já não se trata então de iniciais tímidas, meio apagadas pela espessura do vidrado. O primeiro carimbo de Manuel Mafra é constituído por uma âncora enquadrada nas quatro iniciais formadas pelo seu nome e alcunha M. C. G. M. "Manuel Cipriano Gomes, O Mafra", iniciais como já referimos, que se encontram nalgumas peças da Escola de Maria dos Cacos da qual O Mafra fez parte. Maia tarde, o interesse e a protecção dispensados pelo rei D. Fernando permitiram-lhe a introdução da coroa real no novo carimbo acrescentado mais tarde da inscrição "Portugal", signo do desenvolvimento comercial a nível internacional, facto raro e talvez único na história da cerâmica portuguesa do séc. XIX."
(Excerto de II - A Olaria das Caldas da Rainha: De Manuel Mafra a Rafael Bordalo Pinheiro)
"Rafael Bordalo Pinheiro tinha 38 anos e encontrava-se no apogeu da sua brilhante carreira de caricaturista quando, por 1883, o irmão Feliciano que andava, então, interessado na constituição duma sociedade para fundar uma fábrica de faianças nas Caldas da Rainha, o indigitou para director artístico da futura empreza, apostando, naturalmente, no seu já firmado prestígio de artista. Aceita, em princípio, sem hesitação, dispondo-se, desde logo, a submeter-se às primeiras provas.
Tratava-se duma empolgante experiência a que o seu temperamento dispersivo, sempre sedento de novas emoções, não podia ficar indiferente."
(Excerto de III - Rafael Bordalo Pinheiro e as Faianças das Caldas)
Índice:
I - Introdução. II - A Olaria das Caldas da Rainha: Das Origens até Manuel Mafra. De Manuel Mafra a Rafael Bordalo Pinheiro. III - Rafael Bordalo Pinheiro e as Faianças das Caldas. IV - Produção mais Antiga: Maria dos Cacos(?). Manuel C. G. Mafra. Oleiros e Ceramistas de Meados do séc. XIX. V - Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha e Fabricantes da Época. VI - Início do séc. XX. VII - Figuras de Engonço ou de Movimento. VIII - Olaria. IX - Algumas Marcas Registadas. Fabricantes Representados. Abreviaturas. X - Fotos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bordaliano.
30€

06 abril, 2022

MARKL, Dagoberto L. - XEQUE-MATE NO ESTORIL. A morte de Alexandre Alekhine. Porto, Campo das Letras, 2001. In-8.º (21cm) de 238, [2] p. ; [8] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante relato dos últimos dias de vida de Alexandre Alekhine.
Grande figura do xadrez mundial, personagem algo polémica, este russo naturalizado francês viria a falecer em circunstâncias misteriosas num hotel do Estoril, em Portugal, enquanto se preparava para o match de defesa do título mundial contra Botvinnik.
Livro ilustrado com fotografias a p.b., onde se destaca 'Alekhine morto, no quarto do Hotel do Parque, no Estoril', e com diversos fac-símiles, incluindo o registo de óbito do Mestre.
"Abordar a figura de Alexandre Alekhine é uma tarefa complexa, se tivermos em conta a sua personalidade contraditória e a aura de mito e lenda que a envolveu. Qualquer dos seus principais biógrafos - Kotov, Pawelczac, Pablo Morán e Dimitrje Bjelica - comete erros e omissões, em virtude de se debruçar sobre o campeão sempre no intento de fazer o seu panegírico. Esta atitude faz com que se perca a necessária objectividade ao traçar a biografia do grande mestre russo-francês. [...]
Se passarmos à investigação dos testemunhos documentais que, eventualmente, possam existir entre nós relacionados com a estadia e a morte de Alekhine em Portugal, cria-se uma verdadeira cortina de fumo que dificulta o trabalho do investigador.
A dificuldade na abordagem das instituições onde deve existir documentação essencial para um estudo sério é, talvez, o maior dos obstáculos. Referimo-nos, em especial, aos arquivos da PIDE-DGS, Instituto de Medicina Legal e à biblioteca, já muito desfalcada, do primeiro campeão nacional Dr. António Maria Pires, que se encontra, por catalogar, no Ateneu Comercial de Lisboa. [...]
Todos estes factos conduziram a que o nosso trabalho, primeiro livro no qual nos limitamos a abrir - ou reabrir - o Processo Alekhine, mais não seja que um levantar de dúvidas, procurando, em alguns casos, apresentar uma ou mais soluções possíveis para a melhor compreensão da personalidade de Alekhine e dos acontecimentos dramáticos ocorridos no final da sua vida, em especial no seu trágico fim, num quarto do Hotel do Parque, na noite de 23 para 24 de Março de 1946.
Foi, precisamente, a sua misteriosa morte que nos levou a esta pesquisa.
Para o entendimento deste trágico desenlace há, porém, que ter em conta uma série de acontecimentos que marcaram a vida de Alekhine a partir do começo da II Guerra Mundial, em Setembro de 1939.
Entendemos que, de algum modo, valorizaríamos este trabalho incluindo, em apêndice, os célebres artigos anti-semitas que Alekhine alegadamente publicou, em 1941, no Pariser Zeitung, jornal alemão editado em Paris durante os anos negros da ocupação da capital francesa. Nenhum deles, foi ainda, publicado em português."
(Excerto da introdução)
Dagoberto Markl (1939-2010). "Historiador, museólogo, escritor, jornalista e dirigente associativo. Membro do Partido Comunista Português, estava organizado na célula do Património do Sector Intelectual de Lisboa. Nascido a 27 de Junho de 1939, Dagoberto Markl era Historiador de Arte e membro da Academia Nacional de Belas Artes. Autor de muitos trabalhos de investigação, colaborou nas mais recentes publicações de História e História de Arte, sendo um dos colaboradores do Dictiomary of Art, publicado em Londres. Em 1984 foi distinguido com o Prémio José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas Artes, e em 1989 faz no Centro de Trabalho Vitória uma comunicação sobre as fontes iconográficas da obra de Gil Vicente, destaca a DORL. Colaborou assiduamente com o jornal O Diário, e com as revistas Vértice O Militante. Apaixonado pelo Xadrez, Daboberto Markl foi, para além de praticante daquela modalidade e dirigente do Grupo de Xadrez Alekhine, responsável pela publicação de várias obras sobre a matéria, impulsionador em Portugal do Dia Mundial do Xadrez e o dinamizador da Comissão de História da Federação Portuguesa de Xadrez."
(Fonte: www.avante.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Indisponível

22 fevereiro, 2021

LEDUC, Jean - VIA MACAU.
Argumento original de Jean Leduc, para o filme do mesmo nome, com Roger Hanin, Anna Gafi e Françoise Prévost
.
Um livro confidencial. Lisboa, Edições de Bolso - Luís S. Campos, editor, 1966. In-8.º (16 cm) de 145, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance cinematográfico. Trata-se do argumento da longa-metragem franco-portuguesa Via Macau (1966) cuja acção decorre sobretudo entre o Estoril e Macau. O filme foi rodado em Lisboa, Estoril, Estúdios Tobis, Macau e Hong Kong. Além da direcção de fotografia de João Moreira, foram atribuídos papeis secundários a actores portugueses, com destaque para Varela Silva.
Releva-se ainda, e sobretudo, a presença de Amália Rodrigues, que interpretou na tela o tema principal da banda sonora do filme - o fado Le premier jour du monde.
Livro ilustrado com cenas do filme a p.b. - distribuídas por 4 páginas - impressas sobre papel couché.
"É «Via Macau» um livro apresentado em moldes diferentes dos habituais, dado que nesta publicação desejámos oferecer ao Leitor a obra tal como a escreveu Jean Leduc para o filme que viria a realizar, e que será brevemente exibido entre nós.
Trata-se, portanto, de um «guião», um «argumento cinematográfico» em todo o sentido da expressão, e como tal desenvolvido numa linguagem extremamente concisa. Linguagem em que ressalta a arte de fazer diálogo.
Esse, o grande mérito desta forma literária - traduzir sentimentos e imagens, não pela exposição, mas pela expressão da linguagem falada: o diálogo."
(Nota do Autor)
"Outono no Estoril. Um carro da polícia atravessa a vila. Pelo altifalante a população é prevenida de que, nesse mesmo dia, às 18 horas, vai ser provocada uma explosão na zona Norte, para abrir o traçado na nova auto-estrada, pelo que a circulação será interrompida.
O carro roda lentamente. Seguindo-o descobrimos os aspectos característicos do Estoril e Cascais: o porto, as colinas que o rodeiam, o Hotel Estoril-Sol, magnífica construção ultra-moderna, cuja fachada se encontra decorada com bandeiras de diferente nacionalidades, pois que uma importante Conferência Internacional está a ter aí lugar. O carro da polícia é, a dada altura, obrigado a parar por momentos para deixar passar dois ou três carros ostentando pequenas bandeiras oficiais, onde se exibem alguns diplomatas. Recomeça a andar dirigindo-se para uma rua na zona comercial."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

29 setembro, 2015

QUINTA PATINO : ESTORIL. Fotografia: Manuel Gomes da Costa. [S.l.], Espart-Grupo Espírito Santo, [s.d.]. In-fólio (30cm) de [18] p. ; todo il. ; E.
Tiragem exclusiva de 1.000 exemplares numerados, para oferta de Quinta Patino, Sociedade de Investimentos Turísticos e Imobiliários, S.A. (O presente exemplar leva o N.º 237).
Edição de prestígio. Obra luxuosa de promoção ao conhecido empreendimento imobiliário, famoso pelas festas memoráveis aí realizadas nos anos 60 do século passado pelo seu proprietário - Antenor Patiño - que, em 1968, pôs Portugal no roteiro do jet-set internacional, com a organização da "festa das festas", um baile referenciado em todo o mundo que contou com a presença de 1500 convidados.
Trata-se de um conjunto de rara beleza gráfica ilustrado superiormente com fotografias a cores dos mais belos recantos da quinta.
"Parada no tempo, cercada por vales e montes onde crescem pinheiros, cedros e oliveiras, tendo por horizonte o brilho prateado do mar, ergue-se a casa outrora construída por Antenor Patiño, em que a riqueza arquitectónica aliada ao encanto luxuriante dos jardins formam um conjunto onde viver é um dom e convidar um orgulho.
A arquitectura de Leonardo Castro Freire, de raíz portuguesa com laivos renascentistas, revela promenores que demonstram uma incessante procura de perfeição."
(excerto de A História da Quinta)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro, aplicação manual de uma fotografia e estojo executado artesanalmente.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível