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12 outubro, 2026

OS BRASILEIROS ENTRAM EM AÇÃO (DOCUMENTÁRIO) -
Coleção "O Brasil na Guerra"
. Rio de Janeiro, Departamento de Imprensa e Propaganda, 1944. In-8.º (19,5x13 cm) de 126, [2] p. ; [16] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante documento coevo sobre a participação do corpo expedicionário brasileiro em Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.
Obra com interesse histórico e militar, publicado durante o conflito.
Ilustrada em separado com 16 fotografias impressas sobre papel couché.
"Com as Fôrças Expedicionárias Brasileiras no Norte da Itália, 22 (Por Sid Feder, da A. P.) - As tropas brasileiras romperam caminho através das fortificações externas da Linha Gótica, em meio a algumas das mais altas colinas da região ocidental dos Apeninos, depois de um avanço de mais de 11 quilômetros, conseguido desde que entraram em fogo.
Houve encontros de patrulhas, que resultaram em curtos e duros combates.
Os brasileiros perseguiram o inimigo, que se achava em retirada pelas montanhas, e não cessaram essa perseguição, embora sob a acção esporádica dos morteiros e do fogo de metralhadoras.
Avançando sôbre um pico de cêrca de 1.300 metros de altura (cujo nome não pode ser citado), os brasileiros enfrentaram com denodo um intenso fogo de barragem, de morteiros, num encontro de patrulhas, às últimas horas de ontem.
Os brasileiros responderam bravamente com suas próprias baterias de morteiros, com uma eficiência notavel, que causou grandes perdas no inimigo. [...]
Numa arrancada atrevida, através das nuvens que encobriam os picos do setor em que atuavam, dentro da ofensiva geral do 5.º Exército, em seu flanco esquerdo, os brasileiros fizeram, oito prisioneiros nazis, que vieram acrescentar o número já elevado do 5.º Exército. Coube ao soldado Wilson Abdala Maluf, de Curitiba, aprisionar o primeiro dêles, a pistola, depois de surpreendê-lo, pela madrugada, escondido e a sós numa casamata.
- "Saltei sôbre êle - disse Maluf - depois de me aproximar por dentro das motas próximas. Antes que êle visse o que se passava, minha pistola estava apontada para êle. Só lhe dei tempo para erguer um lenço branco, como sinal de rendição".
Ao longo das operações de que têm participado, os expedicionários brasileiros capturaram as cidades de Quiesa , Monte Magno e Camaiore, em sua avançada sôbre as fotalezas da Linha Gótica."
(Excerto de Detalhes da acção dos brasileiros na frente italiana)
Encadernação em tela com ferros gravados a outro na pasta anterior. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

09 setembro, 2026

CHERNOVIZ, Pedro Luiz Napoleão -
MODO DE CONHECER A IDADE DO CAVALLO, DO BURRO, DAS BESTAS MUARES, DO BOI, DO CARNEIRO, DA CABRA E DO PORCO, FUNDADO NAS OBSERVAÇÕES MAIS MODERNAS DOS MEDICOS VETERINARIOS.
Por.. Doutor em medicina, Cavalleiro da Ordem de Christo. Com 52 figuras intercaladas no texto. Pariz, Em Casa do Autor, 1866. In-8.º (21,5x14 cm) de 30, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual veterinário para identificação dos animais pela dentição. Metade da obra é dedicado ao estudo do Cavalo.
Ilustrado no texto e em página inteira com numerosos desenhos exemplificativos.
"A dentição offerece um meio certo de conhecer a idade do cavallo.
O cavallo tem 40 dentes, e ás vezes 44, quando tem os quatro molares supplemetarios; a egua 36, e ás vezes 40, quando tem as quatro presas. Achão-se estes dentes distribuidos symetricamente pelas duas queixadas, metade em cada queixada, e denominão-se da maneira seguintye: doze incisivos, que fechão n'um semi-circulo as extremidades anteriores das arcadas dentarias; quatro presas ou colmilhos, que faltão ordinariamente nas eguas, situado no espaço que separa os molares dos incisivos; vinte e quatro molares ou queixaes, repartidos pelos lados da bocca; e quatro molares supplementarios (quando os ha) situados antes dos primeiros molares.
Chamão-se dentes caducos ou de leite, aos que cahem em epocas certas, e são substituidos por outros; e dentes substituintes, dentes de cavallo ou de adulto, são os que vem occupar o lugar dos dentes caducos; finalmente dentes permanentes, são aquelles que depois de nascidos não cahem nem soffrem phase alguma de substituição.
É pelos seis dentes incisivos da queixada inferior que se obterm dados positivos para se conhecer com certeza a idade de um cavallo."
(Excerto de Idade do cavallo)
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz (Piotr Czerniewicz) (1812-1881). "Nasceu em 11 de setembro de 1812, em Lukov na Polônia. Filho de Francisco Czerniewicz e D. Tecla Przegalinska.
Iniciou os estudos em 1830, como estudante de medicina na Faculdade de Varsóvia, porém precisou sair de seu país, por ter participado de um levante contra o domínio russo. Assim como milhares de outros poloneses, recebeu abrigo em território francês, onde deu continuidade aos seus estudos, doutorando-se, aos 25 anos, em medicina pela Faculdade de Montpellier.
Com o intuito de expandir seus conhecimentos, em 1840, mudou-se para o Brasil. Em dezembro do mesmo ano, teve seu diploma reconhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi aceito como Membro Titular na Academia Imperial de Medicina com a memória intitulada “O uso de nitrato de prata nas doenças das vias urinárias”. No ano seguinte, em 1841, recebeu a comenda de “Cavalheiro da Ordem do Cristo”.
Entretanto, ao entrar em contato com as vivências e costumes da capital brasileira, percebeu que, para atingir seus propósitos de enriquecimento, o meio mais eficaz não seria clinicar ou dedicar-se a cirurgia. Isto porque já haviam muitos consultórios médicos e de cirurgiões renomados na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, o mesmo não se aplicava aos vilarejos interioranos, afastados dos grandes centros urbanos. A partir desta constatação, Chernoviz dedicou-se à ideia de produzir manuais em língua portuguesa, que tivessem explicações sobre o conjunto posológico e indicações de procedimentos básicos, que pudessem orientar leigos e acadêmicos nos atendimentos diários e nos primeiros diagnósticos. Faleceu em 31 de agosto de 1881 em Paris, na França."
(Fonte: https://www.anm.org.br/pedro-luiz-napoleao-chernoviz-piotr-czerniewicz/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais e junto à lombada. Protegido por capilha de papel vegetal.
Raro.
Peça de colecção.
50€
Reservado

15 agosto, 2026

O DESCOBRIMENTO  DO BRAZIL : narrativa de um marinheiro.
Edição popular. Commemorativa do 4.º Centenario do Descobrimento do Brazil
. Lisboa, Empreza do «Occidente», [1900]. In-8.º (19,5cm) de 135, [1] p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Capa litografada: desenho intitulado "Cidade do Rio de Janeiro", assinada R. Christino - Ribeiro Cristino da Silva (1858-1948), conhecido mestre pintor e professor português.
Descrição da viagem da armada capitaneada por Pedro Álvares Cabral rumo a Terras de Vera Cruz.
Parte da narrativa sobre a expedição pertence a Pero Vaz de Caminha, vertida da famosa carta que este escreveu a D. Manuel I.
Livro muito ilustrado com bonitas gravuras abertas em metal, mapas e fotogravuras, na sua maioria, ocupando uma e(ou) duas páginas inteiras.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Em segunda feira nove de março do anno de 1500 largámos da praia do Restelo, em Belem, e no sabado seguinte, entre as oito e nove horas da manhã, nos achámos no mar das Canarias, um pouco mais perto da Grande Canaria, e ahi andámos todo aquelle dia em calma, á vista das referidas ilhas, na distancia de umas tres ou quatro legoas.
No domingo 22 do mesmo mez ás dez horas, pouco mais ou menos, demos com as ilhas de Cabo Verde, a começar pela de S. Nicolau, segundo me disse o piloto Pero Escobar.
Na noite seguinte, de segunda feira, perdeu-se da frota a náo de Vasco de Athayde sem que o tempo fosse forte ou contrario para justificar tal acontecimento. Cheio de cuidados mandou logo o capitão a um outro lado fazer dilligencias para havermos noticias, mas foram sem resultado porque a náo não appareceu mais."
(Excerto do Cap. III - Começa a narrativa da viagem - fala Pero Vaz de Caminha)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Falha da lombada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

12 agosto, 2026

CASTRO, Vieira de -
DISCURSO SOBRE A CARIDADE.
Recitado aos 26 de janeiro de 1867, no salão do theatro lyrico do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Typ. - Perseverança - Rua do Hospicio n. 91. 1867. In-8.º (21x13,5 cm) de 70, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Discurso proferido no Rio de Janeiro, Brasil, nunca republicado, pouco tempo antes de Vieira de Castro celebrar o seu casamento com Claudina Adelaide Guimarães, filha de um rico empresário português radicado no Brasil, união que terminaria tragicamente em Maio 1870, com a morte violenta da moça às mãos do marido.
Autógrafo do autor(?) na capa.
"(Sorrindo e passeando a vista pelo publico). E o meu discurso está feito!E a Caridade sois vós! E a Caridade é isto: é este condescender incessante com todos os appêlos; é esta concurrencia offegante e apressada a todos os chamamentos! E a sua influencia são ámanhã as enfermidades saradas, os pobres consolados, e as tristezas sem dôr!
(Pausa)
(Com enthusiamo). Mas deixem-me antes de tudo, meus Senhores, alevantar o espirito neste paiz que talhou a pique as sua fórmas esculturaes, e recortou, como de polo a polo, as suas feições gigantescas n'uma montanha immensa, que atira com a sua testa para o meio das nuvens para que as estrellas lhe emmoldurem lá em cima thiara explendida, e cá em baixo assenta as suas bases n'um mundo immenso... [...]
Paiz selvagem lhe chamam! Paiz selvagem, de certo é! Paiz selvagem, sim; e quem ha ahi que possa offender-se do titulo?
Selvagem como tudo quanto é grande de mais para caber nos moldes acanhados de qualquer convenção! Selvagem como tudo quanto ha de gigantesco e de herculeo, assim nas variadas manifestações do mundo phisico, como nas manifestações variadissimas do mundo moral."
(Excerto do Discurso)
José Cardoso Vieira de Castro (1837-1872). "Nasceu no Porto a 2 de janeiro de 1837 e faleceu em Luanda a 7 de outubro de 1872. Foi escritor e político. Orador dotado e polémico, teve um percurso atribulado durante os seus estudos na Universidade de Coimbra, que frequentou intermitentemente entre 1853 e 1864, ano em que se formou em Direito. Foi vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e deputado. 
Foi agraciado com a Comenda de Carlos III (Espanha) e com o grau de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa (Brasil).
Passou um período no Brasil, onde se relacionou com os intelectuais daquela nação e foi nomeado presidente honorário do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Ali casou, no Rio de Janeiro, com Claudina Adelaide Gonçalves Guimarães, filha de um abastado empresário e banqueiro. Suspeitando que a cônjuge lhe fora infiel, assassinou-a, corria o ano de 1870, e foi por isso condenado a 10 anos de degredo em Angola, onde faleceu cerca de dois anos depois, com a idade de 35 anos. 
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 12 de julho de 1866."
(Fonte:  https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20577)
Belíssima encadernação meia de pele com dourados gravados na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, algo sujas, com defeitos. Capa anterior alvo de restauro. F. ante-rosto apresenta mancha no cantos inferior direito. Foi acrescentado ao corpo do livro outro tanto de páginas em branco para "engrossar" o volume.
Raro.
Peça de colecção.
50€

01 agosto, 2026

O LIVRO DAS CREANÇAS : Portuguezas e Brazileiras.
Coordenado por D. João da Camara, José Antonio de Freitas, Maximiliano de Azevedo e Raul Brandão. Lisboa, Livraria Ferreira, Editora, 1909. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 370, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Capa assinada "Candido" (Bento Cândido da Silva?).
Obra dirigida ao público mais jovem, pretende celebrar a união fraterna entre Portugal e o Brasil através da língua e da história comum. A colaboração de ilustres personalidades de primeira água da cena literária nacional valoriza e muito abrilhanta o livro, incidindo em episódios e locais históricos, monumentos e figuras públicas de ambos os países.
Inclui dois textos dedicados a Camilo: Camillo Castello Branco (apontamento biográfico) e A infancia de Camillo (por ele mesmo).
Livro muito ilustrado no texto com belíssimos desenhos e fotogravuras, sendo alguns reproduzidos em página inteira.
Ha n'este mundo uma força incomparavelmente mais poderosa que a da materia - é a do espirito.
Nascer, por acaso, na mesma terra não prende tão estreitamente os homens como a fé, o amor, o ideal. A idêa de patria está sem duvida ligada á idéa material de terra; mas patria não é só isso; é o trabalho, a intelligencia, o amor, o heroismo dos que n'ella nasceram e por ella soffreram.
Portuguezes e brazileiros são irmãos, embora nascidos em paizes distantes; irmãos pelo sangue, pela lingua e pelas aspirações. E se os portuguezes olham orgulhosos gente da mesma raça caminhar na frente d'uma grande civilisação, e vêem o Brazil, pais uberrimo, seguir n'uma larga e radiosa estrada de prosperidades, de certo existe nos brazileiros o mesmo sentimento por uma ascendencia illustre e tão farta de glorias como esta. Prende-nos ainda a formosa ligua de Camões, que os portuguezes enriqueceram, e que hoje tantos brazileiros illustres opulentam."
(Excerto do Preâmbulo)
"Fui educado n'uma aldêa, onde tenho uma irmã casada com um medico, irmão de um padre, que foi meu mestre. O mestre podia ensinar-me muita coisa que me falta; mas eu era refractario á luz da gorda sciencia do meu padre. Fugia de casa para a serra, dava muitos tiros ás gallinholas e perdizes; porém, louvado seja Deus, não me dóe o remorso de ter matado uma!
O meu gosto era pascer o rebanho de casa por aquelles saudosos valles. Todavia, minha irmã oppunha-se a este humilde serviço. Dizia-me coias que eu não percebia ácerca da minha dignidade; reprehendia os meus baixos instinctos; attrahia ao seu voto o marido e o padre, e cortava-me o rasteiro vôo escondendo de mim a clavina, o polvorinho, e os salpicões e a brôa, e a cabacinha da agua-ardente."
(Excerto de A infancia de Camillo)
Encadernação do editor em tela policromada com letras gravadas e negro e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

26 julho, 2026

LISBÔA, Conselheiro -
RELAÇÃO DE UMA VIAGEM A VENEZUELA, NOVA GRANADA E EQUADOR.
Pelo... A. M. pela Universidade de Edimburgo, Membro Correspondente do Instituto Historico e Geographico Brasileiro. Bruxellas, A. Lacroix, Verboeckhoven e Cia, Editores - Rua Real, 3, Bêco do Parque - Com Casa em Leipzig e em Leorne, 1866. Direitos de reproducção e traducção reservados. In-4.º (23,5x15 cm) de 393, [1] p. ; 
[1] mapa a cores em 2 f. ; [11] plantas/mapas ; [17] estampas ; [4] f. partitura ; [1] quadro desdob. ; E.
1.ª edição.
Importante livro de viagens por países da América Latina, locais onde o autor - diplomata - esteve destacado.
Obra de fôlego, nunca reeditada, belamente ilustrada em separado com estampas, quadros, plantas e mapas, sendo alguns deles desdobráveis. Inclui partitura do hino patriótico colombiano "El 20 de Julio - Cancion nacional".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita de Miguel Lisboa ao "Ex.mo Senhor Almeida e Albuquerque". Assina "O Autor".
"Eu prevejo que a publicação em 1865 de uma relação de viagens escrita em 1853 dará logar a commentarios por ventura justos. Conheço que o interesse de taes narrativas como a que com tanta tardança apresento ao publico, depende em grande parte da sua novidade; e esse conhecimento com effeito fez-me por muito tempo hesitar si deveria ou não publicar o meu trabalho. [...]
O interesse que teem os brasileiros em conhecer o estado social das Republicas que com nosco limitam, longe de haver diminuido de 1853 para cá tem augmentado. Graça á abertura do rio Amazonas, nosso commercio com as que estão contiguas pelo Norte e Oeste váe-se desenvolvendo. A mesma ignorancia sobre o estado de civilisação dellas, sobre o que ahi ha de apreciavel, assim como dos elementos de desordem e decadencia que retardam os seus progressos, existe ainda. Acostumados, fazendo echo com escriptores europeos apaixonados e superficiaes, a só enxergar nas Republicas hespanholas as suas revoluções, a falta de garantias que em algumas dellas se manifesta, e a sua decadencia material, fazemos-lhes grande injustiça desconhecendo o muito que ha nellas de respeitavel e sympathico, já no caracter de seus habitantes, descendentes de uma raça nobre e cavalheresca, que apezar de 50 annos de desordens e máo governo, ainda possúe, a meu ver, elementos de futura prosperidade e grandeza, já nos monumentos historicos que ainda hoje attestam a energia dessa raça emprehendedora."
(Excerto de Advertencia)
"No dia 2 de Setembro de 1852, pelo meio dia, embarquei-me a bordo do vapôr Orinôco, capitão Hast, pertencente á Real companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes, com destino a Santomaz, uma das ilhas chamadas Virgens, situada quasi á vista da colonia hespanhola de Porto-Rico.
São bem conhecidos no porto do Rio de Janeiro os magnificos vapôres desta Companhia, uma das mais importantes da Gran Bretanha. Si ella tem tirado de seus esforços ampla remuneração, é preciso confessar que tem feito importantes serviços ao commercio e ás communicações do velho mundo com o Brasil e com as republicas hispano-americanas. [...]
De muitas commodidades gozam os passageiros a bordo destes vapôres: o aceio é igual ao que se encontra em todos os navios de guerra ingleses; a superioridade e abundancia de viveres frescos fazem esquecer que se navega no alto mar; o serviço dos despenseiros é tam regular quanto é possivel em uma reunião que nunca é menor de cem pessõas e frequentemente excede a duzentas; finalmente o systema de ventilação é muito estudado, e os camarotes e beliches a bordo do Orinôco são mais espçosos e commodos que os de fragatas e náos em que tenho viajado. Eu occupei só um camarote que tinha dez palmos de comprimentos, oito de largura e dez de altura, tendo uma abertura para o mar de pé e meio quadrado."
(Excerto de I - Viagem de Southampton a Santomaz; a real Companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes; Sombrero)
Miguel Maria Lisboa (1809-1881). "Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de maio de 1809 e faleceu em Lisboa a 28 de abril de 1881. Foi diplomata. Formou-se em artes pela Universidade de Edimburgo e seguiu a carreira diplomática, tendo cumprido missões em Londres, no Chile, na Venezuela, na Bolívia, no Equador na Nova Granada (atual Colômbia), no Peru, nos Estados Unidos, na Bélgica e em Lisboa.
Pertenceu ao Conselho do Imperador D. Pedro II, foi veador da Imperatriz Tereza Cristina, grande dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador da Ordem de Cristo, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da Ordem de Nossa Senhora Jesus Cristo (ambas de Portugal) e da Ordem Ernestina da Saxónia, da Casa Ducal da Saxónia. Recebeu o diploma de Artium Magister da Universidade de Edimburgo. Em 1° de janeiro de 1839 foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 28 de fevereiro de 1867."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20587)
Belíssima encadernação meia em pele com nervuras, rótulos e letras a ouro na lombada. Conservas as capas de brochura. Aparado e carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, alvo de pequenos restauros. Interior correcto.
Ex-libris de Aucindio Rodrigues da Silva na f. ante-rosto.
Raro.
250€

19 maio, 2026

AGUIAR, Joaquim Duarte de Souza e -
ROTEIRO DA COSTA NORTE DO BRASIL,
Desde o Cabo de S. Agostinho até a Cidade de Pará indicando a maneira de fundiar no abrigo que offerece a Costa; e bem assim as marcas de navegar por dentro do Canal de S. Roque, a derrota que se deve seguir por fora dos baixos e finalmente as marcas e maneira de entrar em todas as barras e bahias da referida Costa. Pelo... Piloto, ptratico da costa e do numero da Barra do Maranhão. S. Luiz, Typ. Maranhense - Imp. por J. A. Pires, 1857. In-8.º (20x14 cm) de [6], 70, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio oitocentista para a navegação costeira brasileira. Trabalho pioneiro. Trata-se da rara edição original desta obra, não mencionada pela BNP, Lisboa, nem tão pouco pela Biblioteca Nacional do Brasil (FBN), Rio de Janeiro. A segunda edição - de 1880 - está classificada como "Obra Rara" na FBN, IGBE, etc.
Obra com interesse histórico e científico, tem impressa dedicatória do autor "A S. M. I.  o Senhor Dom Pedro II. Augusto protector da navegação".
"Bem sabe o vosso subdito que a offerta é inferior aos Augustos Merecimentos de V. M. Imperial: mas porque o occeano tem tributarios caudalosos, não poderá o mesquinho regato levar-lhe tambem as suas escassas aguas? [...]
He mesquinha a offerta, não pelo seu objecto, e importancia, mas pelo individuo que confeccionou o trabalho, e pela falta de habilitações scientificas do seu autor.
Bem necessitava porem o Paiz de um roteiro sobre as suas costas maritimas do cabo de Santo Agostinho até a cidade do Pará: e é o que fez o Vosso subdito, Senhor."
(Excerto da Dedicatória)
"Este cabo está na Lat. Sul 8. 20 41 e longitude ao oeste do meridiano de Greenwich 34º 56' 42".
É uma ponta de terra saliente, de moderada altura, com algum mato por cima e adelgaçando para a ponta; sôbre a dita ponta está edificada uma igreja de carmelitas descalços que a torna muito notavel, e acaba em barreiras vermelhas junto á praia.
Abaixo da igreja, na continuação da terra, ha uma bateria com o nome de Forte de Nazareth que parece destinada a defender uma das entradas que o recife offerece neste lugar, onde só podem entrar pequenas embarcações.
Apparece por terra dentro uma serra que é vista por quem vem do mar em fóra primeiro do que o cabo, á qual chamão Serra Sellada."
(Excerto de Cabo de Sancto Agostinho)
Índice:
Cabo de Sancto Agostinho | Derrota que se deve seguir saindo do Rio Grande do Norte, para passar por fora dos baixos e canal de S. Roque | Descripção da costa do Ceará até o Maranhão | Derrota por dentro do canal vindo para o este | Derrota que deve seguir quem vai do Ceará para o Maranhão | Derrota que se deve seguir para a sahida do Maranhão | Descripção da Costa de Itacoromy até o Pará | Signaes de noite | Derrota que devem seguir os navios que vão do Maranhão para o Pará | Derrota que se deve fazer das Salinas para o Pará | Derrota que se deve fazer sahindo a Cidade do Pará | Errata | Lista dos Srs. Assignantes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas; apenas uma capilha frontal, simples, de protecção (cansada). Cadernos toscamente aparados no pé. Deve ser aparado e encadernado.
Muito raro.
Peça de colecção.
85€

02 maio, 2026

ALMANACH DAS SENHORAS Para 1926 PORTUGAL E BRASIL.
Fundado em 1871 por Guiomar Torrezão. Illustrado com os retratos de Escriptores e escriptoras de diversas nacionalidades. [...] Directora: Julieta de Luna. Anno LVI. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1925. In-8.º (17x13 cm) de 3.82, [2] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Almanaque das Senhoras, estimada publicação de referência no género. Vem revestido de capa belíssima, muito ilustrado no texto, nalguns casos em página inteira, e em separado com o retrato do actor recém-falecido Eduardo Brasão. Inclui farta colaboração de conhecidos autores portugueses, e algumas singelas homenagens a: Camilo Castelo Branco (com duas cartas e alguns textos da sua autoria), Luís de Camões, Sacadura Cabral (desaparecido no Mar do Norte em Nov. 1924), e aos combatentes portugueses da Grande Guerra, em França, reproduzindo imagem do icónico Cristo de Neuve Chapelle, acompanhado de pequeno texto.
Contém ainda, ao longo do livro, publicidade dirigida às senhoras e aos cavalheiros, e fotogravuras de paisagens, locais históricos, monumentos relevantes e "tipos" do nosso país.
"Embora as cartas de Camillo não possuam aquela admiravel e doce filosofia que se evola das de Anthero - o primorosissimo e transcendente sonetista e admiravel prosador - ou o estilo sono e austerissimo de Herculano, as epistolas de Camillo Castello Branco são, contudo, para mim, das mais expressivas e belas da literatura portuguesa.
Por elas perpassa, ora num tomo ironico, ora em frase polida e grandiosa, todo o cortejo de desditas que, sem fim, lhe roubaram carinhos, socego e vida, levando o Torturado de Seide aos tresloucado gesto do suicidio."
(Excerto de Duas cartas de Camillo)
"Troava o canhão, chovia a metralha, nos já devastados campos da Flandres; as ultimas casas ruiam com fragor, não deixando uma parede sequer com um metro de altura!
Depois, o silencio, a paz, o socego, a devastação!
E o Christo, unica elevação na desolada região arrasada, absolutamente indemne, sorria ainda tristemente, como a perdoar a ferocidade humana."
(O Chisto de Neuve-Chapelle)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito invulgar.
25€

12 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
COMO LI HISTÓRIA DE PORTUGAL NOS HOMENS, MONUMENTOS E PAISAGENS DO BRASIL.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.º série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, 1966. In-4.º (25,5x19 cm) de [2], 11, [3] p. (351-361 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante comunicação do autor a propósito de uma viagem empreendida ao Brasil, e dos locais e monumentos históricos da era colonial que teve oportunidade de visitar.
"Duma viagem, que recentemente fiz ao Brasil, trouxe inolvidáveis recordações, que aqui quero traduzir, uma vez que levei representação da Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Quero acentuar desde já que muito me entusiasmaram as belezas naturais, a flora pujantíssima, os edifícios gigantescos. Mas, para além dessas grandezas, naturais ou humanas, o que mais chamou a minha atenção, obrigando-me a meditar e a venerar, foi um vasto conjunto de lugares, monumentos e memórias, que representavam o folhear de muitas páginas da nossa História gloriosa."
(Excerto do Preâmbulo)
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

21 fevereiro, 2026

MAW, Henrique Lister -
NARRATIVA DA PASSAGEM DO PACIFICO AO ATLANTICO, A TRAVEZ DOS ANDES NAS PROVINCIAS DO NORTE DO PERU, E DESCENDO PELO RIO AMAZONAS, ATÉ AO PARA.
Por... Traduzida do inglez. Liverpool, Impressa por F. B. Wright. 1831. In-8.º (22x14 cm) de [6], viii, 318, [2] p. ; [2] mapas ; E.
1.ª edição.
Relato de viagem do Tenente Henry Maw através da América do Sul, de costa a costa, - ente o Perú e o Brasil, - ligando oceanos - Pacífico e Atlântico. Trata-se de um documento histórico, importante manancial de informação sobre as terras percorridas, os seus habitantes, história e costumes, versando sobretudo sobre os índios do Perú e do Brasil. A tradução para o português é da autoria de Antonio J. da Costa, Cônsul de Portugal em Liverpool, que também se encarregou da nota de abertura, evidenciando nesta o objectivo primordial do seu trabalho - abrir a porta ao comércio entre o reino e os países americanos.
Ilustrado no texto com inúmeros quadros e tabelas estatísticas e, em separado, com 2 desdobráveis:
- Plano do Amazonas que deve acompanhar a Narrativa do Tenente Maw (21,5x47 cm);
- Mapa-resumo estatístico (21,5x22 cm).
"Saõ taõ poucas as publicaçoens que existem na nossa lingoa sobre as differentes producçoens da America do Sul, e mesmo sobre as do Brasil, que julguei seria de alguma utilidade a traducçaõ da narrativa do Tenente Maw, e confio que o leitor a achará instructiva e interessante.
O consideravel commercio que quasi todas as naçoens hoje fazem com as antigas colomnias Hespanholas, e a certeza que tenho de que muitos dos generos de industria e cultura Portuguesa podiaõ ter vantajosa extracçaõ naquelles mercados, exigem o chamar a attençaõ do Governo á necessidade de fazer augmentar para aquelle vasto Continente o valor das nossas exportaçoens , e ainda que esta narrativa só trate limitadamente das producçoens d'algumas partes do Peru, e do Brasil, nenhuma existe, que hum commercio lucrativo e valioso se offerece taõbem á naçaõ Portuguesa com o Chili, Buenos Ayres, Columbia, Mexico &cª., promovendo o Governo que se obtênhaõ aquellas prévias informaçoens que se fazem necessarias, e alterando os Regulamentos que obstaõ á admissaõ dos nossos generos naquelles mercados, e á dos productos destes differentes paizes em Portugal."
(Excerto do Preâmbulo)
Conteudo:
[Preâmbulo] | I - Causas que motiváraó a expediçaõ. II - Chego a Campana, ou Campainha de Huanchaco, o pôrto de Truxillo. III - Deixo Caxamarca. IV - Deixo Chachapoyas. V - Jornada a pé a Balsa Puerto. VI - Embarcâmos em Canôas. VII - Deixâmos Laguna. VIII - Desembarcâmos em Tabitinga. IX - Sahimos de Tabitinga. X - Deixámos Egas, e procedêmos pelo Amazonas abaixo. XI - Procedêmos pelo Amazonas abaixo. XII - Chegâmos ao Pará. | Conclusaõ | Appendice.
Henry Lister Maw (Warmsworth Hall, Doncaster, Yorkshire, Inglaterra, 1801 - Birkenhead, Wirral, Cheshire, Inglaterra, 1874). "Foi um tenente da Marinha Britânica que explorou a Amazónia em 1827, publicando mais tarde, em 1829, Journal of a passage from the Pacific to the Atlantic : crossing the Andes in the northern provinces of Peru, and descending the River Marañon or Amazon. Durante esta viagem reuniu apreciável coleção de objectos das regiões atravessadas, que doou ao Museu Britânico em 1831."
(Fonte: https://www.britishmuseum.org/collection/term/BIOG126078)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Páginas escurecidas por oxidação devido à fraca qualidade do papel.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Peça de colecção.
Indisponível

23 novembro, 2025

LEAL, J. da S. Mendes -
INFAUSTAS AVENTURAS DE MESTRE MARÇAL ESTOURO : victima d'uma paixão
. Lisboa, Livraria de A. M. Pereira, 1863. In-8.º (17,5x11,5 cm) de VII, [1], 322, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção se divide entre Portugal e Brasil, reportando ao período de ocupação filipina do país.
"Mestre Marçal, que mal apparecia dava alegrão ao rapasio e vadiagem desde as portas de Alfôfa até ao arco dos Escudeiros, era em 1622 um individuo esguio, sinuoso, engoiado, alluido e desengonçado, cujo esqueleto, mal cosido n'uma rede de musculos por uns restos de membrana fibrosa, dançava um bolero desregrado e perpetuo no amplo interior do corpete e calções de estamenha, que fluctuavam ironicamente pelos contornos angulosos d'aquella mumia ambulante. O arcabouço, equilibrado nos fusos a que elle por basofia chamava as suas pernas, tinha por bases dois pés, que davam quatro, todos recortados de promontorios, e por cupula uma cara empastada em pergaminho, que poderia servir ás descripções analyticas do proprio Flourens e ás mais minuciosas observações de osteologia comparada.
Por que successivas degradações chegara mestre Marçal a este extremo de tenuidade, de esvasiamento, de exhaustação, de quasi transparencia? Aprenderá o mundo o que faz uma sina fatal, o que pode um affecto obstinado, e em que abysmos precipitam as cegueiras da paixão violenta e contrariada. [...]
Os gaiatos do sitio, afferrados á onomatopeia como todos os gaiatos de todas as épocas, tinham-lhe posto por alcunha: «mestre Estouro.»
Não podia o mestre sair á rua que o não seguisse um coro turbulento, grunhindo, guinchando, latindo, chiando e ganindo-lhe uma acclamação burlesca e estrepitosa, com taes variedades imitativas, que abrangiam o diapasão completo do reino animal.
- «Lá vae mestre Estouro, lá vae mestre Estouro!» - vozeava a turba maltrapilha apenas o avistava. E logo investia atraz d'elle, engrossando a cauda á sua popularidade alfamista.
Mestre Marçal porém ia seu caminho com a magestade dos graves infortunios, e só respondia com a silenciosa e magnanima superioridade, que dá o costume das catastrophes, deixando berrar a mó dos garotos, como hoje em dia um estadista impavido, que leu Horacio em pequeno, deixa trovejar as tempestades parlamentares.
- Mas por que motivo chamavam os gaiatos a mestre Marçal «mestre Estouro?» [...]
Era mestre Marçal natural de Lisboa, onde exercera em tempos elizes a profissão de fogueteiro, com tamanho applauso, que não havia festa ou romaria, um par de leguas em redondo, na qual se não invocasse o seu valioso auxilio, como se diz na actualidade."
(Excerto de I - De como mestre Marçal tomou estado)
José da Silva Mendes Leal (Lisboa, 1820 - Sintra, 1886). "Foi um escritor, jornalista, diplomata e político português. Trabalhou na Biblioteca Nacional de Lisboa, de que foi diretor, e dedicou-se ao jornalismo, colaborando na Revista Universal e em O Panorama, entre outras. Foi deputado, par do Reino e ministro de um dos governos de Costa Cabral, tendo terminado a sua carreira como ministro plenipotenciário de Portugal em Madrid e Paris. Foi grão-mestre da Maçonaria. Escritor ultra-romântico, notabilizou-se como dramaturgo de sucesso, embora tenha também publicado poesia, ficção e história e se tenha dedicado à tradução. O seu sucesso no teatro teve início em 1839 com o drama histórico O Homem da Máscara Negra."(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Pastas apresentam cantos esfolados. Se, f. ante-rosto.
Raro.
Indisponível

31 outubro, 2025

CANTOS, Prof. Paulo -
BRASIL belo 💚 do mundo.
Pelo...
 / CANTOS, Prof. Paulo - PORTUGAL boa 💥 da Europa, na ponta da unha. Pelo... [S.l], [s.n. - Paulo Cantos], [1956]. In-8.º (17,5x11 cm) de 48 p. ; [7] p. il. ; il. + 16 p. ; [1] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apreciada obra de Paulo de Cantos, autor de culto, sendo esta uma espécie de "2 em 1", - dois livros Brasil /Portugal - no mesmo volume, cada país apresentando o texto invertido em relação ao outro.
Brasil: O mê coração é doce, o teu é amargozinho, havemos di juntar eles, prá fazê um guizàdinho!
Portugal: único país maxo da Europa, + velho e q' + filhos semeia Neste Vale d' Gargalhadas!
(Reproduzido do pé das respectivas capas)
Livro(s) ilustrado(s) no texto, e em separado com 8 estampas, sendo 7 pertences ao "Brasil" e 1 referente a "Portugal".
"Vossa Excelência faz-me a fineza de me dizer se aqui é o Brasil?
- Si sinhô. Vòssioria é sem duvida o sinhô Pedro Alvares de Cabral em pissoa, o nosso bom descobridô...
- Eu própria, para vos amar!
- Nêsse caso, caso. Permitia vòssioria qui nos consideremos dés cobertos.
A cousa passar-se-ia como canta tan bem humorado historiadô?... Assim ou assada, é mais claro q'frasco-di-tinta-preta q'o Brasil, como «a pescada, antes de ser já o era». *
* «O descobrimento secreto» antes do acto público em 1500, tal como o reconhecimento «pré-colombiano» da América do Norte pelos portugueses, são factos cada vez menos contestados. A Carta Régia a 22-10-1443 desvenda o mistério, proibindo q'alguém se atreva a passar além do Bojador, indo «áquelas terras, sem meu mando ou licença, assi prá a guerra como prá mercadoria». (Documento in Torre do Tombo)".
(Excerto de Brasil belo [coração] do mundo)
"Portugais, uma bandeira duma só Família engraçada, a...9:
(verde'sprança) (cor vermelha, sangue rubro, ao sol da glória)!
Portugal Continental, único grande país masculino da Europa, mais velho e que mais filhos faz na orbe!
O insular: Açores, Madeira, Cabo Verde, S. Tomé, mé!
Recortada Veneza tropical, Guiné teza, tez, teza!
Tamanhão D'Angola, oi ó!... oi ó!!... oi ó!!!...
Ubérrima Moçambicana duma cana, duma cana só!
Goa, Damão, Diu, Daqui fala a Índia Portuguesa!!!
A pérola O riental: Macau? - Chin, chin chin shinhô!
I gente ti Mor heroico, um beijo pra Ti(a) morzinho!
Saudade e orgulho-mór de Portugal: o Brasil independente [coração] do mundo, e mór nação católica, ó s'é!
(Excerto de Portugal boa [estrela] da Europa, na ponta da unha)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

19 outubro, 2025

RELATÓRIO ANUAL DA PANAIR DO BRASIL S. A. - RIO DE JANEIRO BRASIL : 1950 -
Relatório da Directoria Relativo ao Exercício de 1950, a ser Apresentado à Assembléia Geral Ordinària, em 24 de Abril de 1951. [Rio de Janeiro], [Panair], 1951. In-8.º (22,5x16 cm) de 43, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas da Panair, icónica"companhia aérea [brasileira] que dominou o setor de aviação nacional entre as décadas de 1940 e 1960 e teve a licença de operar retirada pelo regime militar sem aviso prévio, sendo, em seguida, liquidada judicialmente. À época, a Panair era a mais importante companhia aérea do país, concessionária exclusiva das rotas para a Europa, África e Oriente Médio, além de operar em vários países da América do Sul e em todo o Brasil, executando um serviço único de integração em 43 localidades da Amazônia. No dia 10 de fevereiro de 1965, sem que antes fosse instaurado um processo administrativo regular, todas as suas concessões de linhas aéreas foram suspensas, por meio de um curto despacho assinado pelo Presidente da República, o marechal Castello Branco, e pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes." (Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2015/02/caso-panair-completa-50-anos-ainda-sem-desfecho-judicial.html)
Obra de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com belíssimos desenhos  a duas cores e multi-cores, no texto e em página inteira, com layou e desenhos de W. Heitinger e A. Turack. Contém informações relevantes para a análise da situação económico-financeira da empresa, rotas, frota aeronáutica, etc.
Inclui CDV de Paulo Sampaio, Presidente-Gerente Geral da Companhia tendo manuscrito na frente "Com os cumprimentos de".
"A Panair do Brasil S.A. foi uma companhia aérea brasileira sediada no Rio de Janeiro, fundada em 22 de outubro de 1929, por Ralph Ambrose O'Neill, como NYRBA do Brasil. Foi uma das companhias aéreas pioneiras do Brasil. A NYRBA foi incorporada pela Pan Am em 1930, e teve seu nome mudado para Panair do Brasil, em referência ao código telegráfico da Pan American World Airways, "PANAIR", controladora da empresa. Foi a principal empresa aérea brasileira entre 1930 e 1950, e perdeu mercado - principalmente o doméstico - na década de 1950, com o crescimento da Varig e da Real." (Wikipédia)
"Cumprindo o que determinam a lei e os estatutos, o Conselho Administrativo, tem o prazer de submeter à sua apreciação o Relatório, Balanço Geral e Conta de Lucros e Perdas relativos ao exercício findo em 31 de dezembro de 1950.
Foi o ano de 1950 assinalado por importantes acontecimentos para a Companhia sendo-nos grato destacar e louvar a acção do Govêrno que, compreendendo a grave situação que vinha sendo atravessado pelas linhas internacionais, estendeu às quatro emprêsas brasileiras, que as operam, o amparo financeiro indispensável à sua continuidade. A Lei n.º 1.181, de 17 de agosto de 1950, constitui, certamente, um dos mais importantes marcos na história da Aviação Comercial Brasileira, uma vez que, não fôra a mesmo promulgada, impossível seria continuar a manter o tráfego regular, além fronteiras. Só se pode ter uma idéia do seu alcance quando se focaliza o fato de que, em menos de cinco anos, aeronaves da Panair, para só falar das nossas, atravessaram 1.736 vêzes o Oceano Atlântico, proporcionando um intercâmbio político-comercial de grande interêsse para o Brasil."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Capital e Acionistas | Tráfego Efetuado | Novos Horários e Linhas |  Aeronaves | Pessoal | Receita | Despesa | Situação Econômica-Financeira | Conclusão | Balanço | Conta de Lucros e Perdas | Parecer do Conselho Fiscal.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
35€