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16 outubro, 2026

COELHO, J. M. Latino -
VASCO DA GAMA.
Primeira Parte [Segunda Parte]. Por... Galeria de Varões Illustres de Portugal, N.º 2. Lisboa, David Corazzi - Editor : Empreza - Horas Romanticas, 1882. 2 vols in-8.º (19,5x13 cm) de [12], 282, [4] p. ; [1] f. il. ; (I) e [4], 371, [5] p. ; [1] mapa desdob. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Obra biográfica de fôlego - em 2 volumes - sobre o grande navegador português e seus feitos. Na primeira parte o autor escreve sobre o contexto pré-Descobrimentos e consagra o estudo aos navegadores que precederam Vasco da Gama. 
Ensaio muito completo, ilustrado com o retrato de Vasco da Gama no volume I e um  mapa desdobrável com o caminho marítimo para a Índia no volume II.
"Quando as sombras da edade média começavam de tingir-se com os primeiros arreboes do Renascimento, duas inspirações e dois anceios agitavam o espírito europeu, já porventura fatigado da sua via interior e domestica, já pesago da multiforme e dilatada civilisação, que ao pleno despertar da intelligencia haveria de converter a velha Europa em luzeiro de toda a humanidade e em soberana região do globo inteiro. [...]
A Europa sente no XV seculo  que mais altos destinos, que os da vida quieta e remansada, a estão appelidando para novas e grandissimas emprezas. Não lhe podem já bastar á nervosa actividade as guerras interiores e as contenções domesticas sem fructo e sem valor. Pressente que uma nova transformação, vagamente suspeitada, é já agora necessaria ao seu viver. É do Norte que desponta, com a imprensa, a primeira e grandiosa innovação, o instrumento precioso de cultura intellectual. Pois, ao contrario, será das terras europêas do Meio-Dia e Occidente que ha de brotar e florescer outra rama não menos inesperada da civilisação universal. Descobre Guttemberg o apparelho, em que se corporifica e perpetúa o pensamento. Mas é em Portugal que hão de nascer as mais assombrosas maravilhas, que o prelo e os typpos moveis hão de escrever e recontar."
(Volume I - Excerto de I. O seculo XV)
"Desde as primeiras navegações nas costas africanas nos primeiros annos do XV seculo, até á viagem memoravel de Bartholomeu Dias, tinham sido perseverantes e continuos os esforços da gente portugueza para traçar no Oceano o caminho ás remotas regiões do Oriente.
A Boa Esperança, figurada no cabo, que se havia alfim dobrado, não foi enganosa, nem mentida. O rei, a cuja ambição de descobrir a India e o seu famoso Preste, se devia como estimulo  ousada navegação, - o maior feito naval dos portuguezes até áquelle tempo, - desejava seguramente continuar a empreza começada, e para isso havia já mandado cortar e apparelhar as madeiras necessarias para os navios, que haviam de proseguir alem do Cabo o auspicioso descobrimento. [...]
A Bartholomeu Dias, que já tinha visto o pouco hospitaleiro recebimento, com que o velho Adamastor dava as boas vindas aos que ousavam affrontal-o, mandou el-rei que tivesse a seu cuidado o acabar a feitura dos navios, que haveriam de ir á nova expedição. O anno de 96 passou-se nos apercebimentos da frota, que ficou para sempre memoravel. E no anno seguinte de 1497, no mez de janeiro, estando el-rei D. Manuel em Extremoz, segundo a narrativa de Damião de Goes ou em Montemór o Novo, conforme a narração de Barros, mandou chamar a Vasco da Gama e lhe deu o governo da expedição depois de algumas palavras..."
(Volume II - Excerto de I. O novo caminho da India)
José Maria Latino Coelho (1825-1891). "Nasceu em Lisboa, a 29 de novembro de 1825, e faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891. Frequentou o curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, tendo sido promovido a alferes (1848), tenente (1851), coronel (1878), coronel (1878) e general de brigada do Estado Maior de engenharia (1888). Foi lente substituto de Mineralogia e Geologia na Escola Politécnica (1851); deputado (1854, 1857, 1860, 1862, entre outras) e candidato republicano (1889 e 1890); par do Reino e ministro da Marinha (julho de 1868 a agosto de 1869); integrou o diretório do Partido Republicano (1883; foi membro da comissão para a reforma da Academia das Belas Artes de Lisboa; escritor e jornalista, colaborou em diversos periódicos, tais como Revolução de Setembro (1849), A Revolução, A Emancipação, Revista Peninsular, Século e A Semana, por si fundado em 1851, e diretor do Diário de Lisboa (1859).
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio efetivo da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 18 de maio de 1855, tendo integrado a 3.ª Secção (Ciências Histórico-Naturais) e sido secretário entre 1856 e 1891, bem como secretário da classe, cujo cargo exercera durante o mesmo período."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/15)
Encadernações em tela com ferros gravados a seco e a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Ocasionais manchas de oxidação no interior.
Muito invulgar.
45€

16 maio, 2026

CORRÊA, António de Albuquerque Jácome -
UMA VIAGEM AO ORIENTE.
[Prefácio de J. Almeida Pavão]. Ponta Delgada, Edição e Propriedade do Autor, 1984. In-8.º (22x15 cm) de 79, [1] p. ; [14] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa da viagens que o autor empreendeu pelo Oriente "português" e outras paragens visitadas pelos portugueses nessa zona do globo.
Livro publicado em Ponta Delgada, por certo com tiragem reduzida, valorizado pelo extenso preâmbulo do Prof. José de Almeida Pavão (1919-2003), vulto incontornável da cultura micaelense.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com 14 fotografias a cores dos locais visitados em folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché.
"O nosso velho e muito apreciado Amigo, Dr. António de Albuquerque de Jácome Corrêa, homem muitíssimo viajado e culto, quis distinguir-nos com a honra de prefaciar este livro, que intitulou Uma Viagem ao Oriente.
Concebida em hora feliz a ideia de tal publicação, devemos confessar que o interesse que nos suscitou a sua leitura se transformou em entusiasmo, de molde a o termos «devorado» quase de uma só vez. E, ao chegarmos ao fim, um só pesar nos ficou: o de ter sido tão curta a narrativa de uma matéria tão rica e tão variada de cambiantes, qual deles o mais curioso e original. É que o Oriente se constitui, na verdade, num alfobre inesgotável de exotismo que, sem excluir certos aspectos negativos, que o autor não deixa por vezes de salientar, aparece nimbado de uma beleza estranha - mas é sempre beleza - à sensibilidade do ocidental. E o exótico - não é preciso reafirmá-lo - é fonte perene de encantamento, correspondente àquela atracção natural do homem pelo que é diferente do seu mundo, daquele mundo em que vive, no espaço e no tempo."
(Excerto do Prefácio)
António de Albuquerque Jácome Correia (Ponta Delgada, 1922-1996). "Foi um veterinário, dirigente corporativo da lavoura e político. Veterinário municipal do Concelho da Lagoa até à sua aposentação, foi durante muitos anos presidente do Grémio da Lavoura do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi vogal da Junta Regional dos Açores para a agricultura, pesca e indústria e deputado à Assembleia Regional dos Açores (1976-1980) eleito nas listas do CDS pelo círculo eleitoral da ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Ex-libris do autor impresso no verso da folha de dedicatória.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

05 dezembro, 2025

ABREU, G. de Vasconcellos - A LITERATURA E A RELIJIÃO DOS ÁRIAS NA ÍNDIA. Por... Lente de Língua e Literatura sâmscrítica no Curso Superior de Letras, Officier d'Académie, Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, do Instituto de Coimbra, da Société Asiatique. Membro honorário e correspondente de outras Sociedades científicas e Academias. Paris : Guillard, Aillaud e Cia., 1885. In-8.º (15,5x10 cm) de [4], XXXII, 171 p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo oitocentista sobre a presença ariana na Índia, a sua dispersão e influência sobre os outros povos do Oriente.
"O conceito de raça ariana teve seu auge do século XIX até à primeira metade do século XX, uma noção inspirada pela descoberta da família de línguas indo-europeias. Alguns etnólogos do século XIX propuseram que todos os povos europeus de etnia branca-caucasiana eram descendentes do antigo povo ariano. Correntes europeias, de caráter nacionalista da época, abraçaram essa tese. Esta, foi, talvez, tratada com maior ênfase pelo Partido Nacional Socialista da Alemanha. Estes, associaram o conceito de identidade nacional à raça ariana do povo germânico, através do princípio da unidade étnica, com a finalidade de elevar o moral e orgulho nacionais do povo alemão, destroçados pela derrota na Primeira Guerra Mundial e das condições consideradas humilhantes da rendição, impostas pelo Tratado de Versalhes. A palavra ário (do sânscrito arya, "nobre"), está associada à discussão sobre a existência de um povo ariano diferenciado, modernamente denominado de proto-indo-europeu, e que deu origem às primitivas línguas indo-europeias."
(Fonte: wikipédia)
"A velha questão sobre a origem da raça ariana, que tantas fogueiras acendeu no meio académico de oitocentos e no início do séc. XX, como ateou copiosos fachos entre as forças políticas da Europa nacionalista, foi matéria que inspirou a imaginação de muitos especialistas. […]
A controvérsia da superioridade de uma “raça ariana” indo-europeia e da “invasão ariana” na Índia, baseou-se essencialmente num pressuposto estabelecido por vários académicos anglo-saxónicos e missionários dos séculos XIX-XX, em que os arianos originários da Europa central tinham sido responsáveis pelas culturas de civilização celta, helénica, persa e indiana, pois só assim se explicaria como as suas línguas (o saxónico, o grego, o zenda e o védico) tinham surgido; a teoria da invasão ariana na Índia era a explicação mais lógica que se podia oferecer para justificar a expansão dos Europeus arianos no oriente e no mundo e uma civilização altamente evoluída na Índia. […] Muitos defensores da superioridade rácica ariana pretendiam basear as suas teses no Antigo Testamento, e partindo deste livro sagrado para todos os cristãos, justificaram a eliminação dos povos indianos como um bem prestado à humanidade - leia-se, aos europeus. […]
Entre os investigadores ocidentais como Max Müller (que se opôs frontalmente à teoria do evolucionismo), que defenderam a teoria ariana, esteve o português Vasconcellos Abreu, eminente matemático da Academia das Ciências, que desde novo se interessou pela língua e cultura clássica indiana, tendo aprendido integralmente de forma autodidacta o protocolo da língua sânscrita assim com a a história da sua literatura clássica, e de tal forma o fez que os seus mestres Abel Bergaigne e Martin Haug, a quem se dirigiu em Paris para continuar os estudos, viram ser impossível aprender mais, pois o seu conhecimento era já completo. Vasconcellos Abreu, em 1885, escrevia sobre os árias o que uma grande parte dos orientalistas defendida no seu tempo:
É muito provável que alguns ramos de gente árica, vivessem entre a Europa e a Ásia, desde o começo da constituição glotológica do proto-árico, percorrendo, ainda depois da determinação dos centros, como hoje os Quirguizes em hordas na Europa e na Ásia, e os Tajiques, por tráfico e indústria, na Ásia Central, as terras que se estendem pelo norte do Cáspio desde o Mar Negro, e mesmo norte do Danúbio até o Pamir. Seriam eles os mais inquietos dos Árias, e os que no século XV antes da n.e. faziam o tráfico marítimo do Mediterrâneo e comerciavam com povos estranhos nas bandas orientais do Arquipélago. (…)
Os Árias que imigraram na Índia desenvolveram ali a sua linguagem e a civilização que levavam já em grau notável. A estes Árias damos o nome de Árias Hindus. Modificados, física e intelectualmente, por cruzamentos e influências geográficas, constituíram as sociedades antigas mais civilizadas do vale do Ganges. A estes povos assim modificados (e ainda aos seus descendentes) damos o nome de Hindus."
(Fonte: http://www.academia.edu/2043728/A_Origem_dos_%C3%81rias._Hist%C3%B3ria_de_uma_Controv%C3%A9rsia_Salom%C3%A3o_Reinach_intr._e_notas_de_JC._Calazans)
Guilherme de Vasconcelos Abreu (1842-1907). "Orientalista e escritor. Formou-se em Matemática na Universidade de Coimbra e, mais tarde, concluiu o curso de Engenharia Naval. O seu interesse pelas línguas e culturas orientais levou-o a fundar em 1873, juntamente com o Marquês de Ávila e Possidónio da Silva, a Associação Promotora dos Estudos Orientais e Glóticos. Em 1875, a convite de Andrade Corvo, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Fontes Pereira de Melo, visitou alguns países europeus tendo como objetivo aprofundar os seus conhecimentos de sânscrito. Foi nomeado professor da cadeira de sânscrito do Curso Superior de Letras. Fez parte de várias instituições científicas de renome nacional e internacional, como a Academia das Ciências de Lisboa e a Société d’Anthropologie, de Paris. Dos inúmeros trabalhos que publicou, destacam-se Princípios elementares da gramática da língua Sãoskrita, Manual para o estudo do Sãoskrito clássico e Bases da Ortografia Portuguesa, este último em colaboração com Gonçalves Viana."
(Fonte: http://albertosampaio.no-ip.org/details?id=28717)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas manchadas.
Raro.
Com interesse histórico. 
25€

12 junho, 2024

BRAGANÇA-CUNHA, T. -
ESCRAVATURA HIPÓCRITA. Por... [S.l.], Editor: O advogado Venctexa V. Sar Dessai, Com o curso do liceu. [Composto e Impresso na Tip. Bragança & C.ª - Nova Goa], [1929]. In-8.º (20x13 cm) de [2], 36 p. ; B.
1.ª edição.
Protesto do autor contra os abusos e arbitrariedades da administração portuguesa de Goa, que reputa de medieval, e acusa de enganar e escravizar os naturais da colónia.
Opúsculo clandestino, raro, sem menção bibliográfica na Biblioteca Nacional.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor à Redacção do jornal República.
"Emquanto os senhores congressistas e conselheiros do govêrno entretinham-se em esboçar planos de valorização do emigrante e outros projectos destinados a ficar no papel, chegou ao nosso conhecimento um facto escandaloso e revoltante que vem fazer luz sôbre a triste realidade do problema da nossa emigração, e temos por dever levá-lo ao conhecimento do público.
Em Maio de 1926, alguns curumbins de Vernã e Cortalim fôram engajados por um cavalheiro, funcionário do Estado, residente em Carambolim, a irem trabalhar naquela aldêa do Concelho das Ilhas e daí fôram enviados pelo mesmo cavalheiro para um destino desconhecido. As familias dêsses desgraçados - pais, mães, maridos, mulheres, - ignoram desde então o seu paradeiro. Possuimos os nomes dum certo número dessas pessoas, algumas delas menores de idade, de cuja ignorância se abusou no propósito evidente de ganhar dinheiro fornecendo mão de obra barata a alguma empresa estrangeira. O engajador recusa-se obstinadamente a dizer para onde elas foram enviadas. Pensa-se que foram para uma dessas plantações em Assam ou em Ceilão, onde os fazendeiros ingleses que cultivam o chá e o ópio, costumam enriquecer-se explorando gente pobre e reduzindo-a á escravidão.
Não teria êste facto chegado ainda ao conhecimento dos nossos governantes?"
(Excerto de Uma agência de escravatura)
Índice:
Nota introdutória | Uma agência de escravatura | Goa, mercado de escravos | Tráfico de escravos | Escravatura encoberta de Assam | Cidadãos-escravos | Resposta á imprensa oficiosa | Novos escravos de Goa | Libertados! | Páginas suplementares: O catolicismo, instrumento de dominação política.
Tristão Bragança Cunha (1891-1958). Herói da resistência goesa. "Nascido a 2 de Abril de 1891, o jovem Tristão estava destinado a liderar o movimento patriótico dos goeses que almejavam a libertação de Goa do domínio português. Quando a Índia se tornou independente da Grã Bretanha em 1947, tornou-se incongruente que um minúsculo território integrado nas fronteiras físicas da Índia pudesse continuar sob o domínio de Portugal.
Tristão completou os seus estudos franceses em Pondicherry e em Paris, onde se envolveu em actividades anti-imperialistas conduzidas pelo Comité Pro-indiano da Agência de Informação fundada por Romain Rolland na capital francesa. Deu publicidade à causa da Índia e de Goa num conjunto de artigos em jornais franceses e publicou em episódios um estudo biográfico de Mahatma Gandi, antes de Romain Rolland elaborar o seu.
Em 1926, Tristão de Bragança Cunha voltou a Goa onde, como seria de esperar, era um homem marcado, e foi perseguido pelo Governo por causa dos seus escritos nacionalistas. Em 1929 lançou uma campanha contra os produtores britânicos de chá de Assam, que tinham aliciado kunbis (membros de castas inferiores) goeses a trabalhar nas plantações como trabalhadores escravizados e, por volta de 1940, conseguiu que fossem repatriados para Goa. Angariou fundos para ajudar o povo de Salcete e Mormugão atingidos por chuvas torrenciais de monção em 1941.
Publicou diversas brochuras de propaganda, tais como Índia Portuguesa e Desnacionalização dos Goeses, tendo o Governo Português pedido ajuda ao Governo Britânico para confiscar as cópias distribuídas em Bombaim. Todavia, revertendo a decisão do procurador MC Chagla do Supremo Tribunal de Bombaim, a proibição foi levantada.
Seguiu-se uma sistemática perseguição em Goa a Tristão Bragança da Cunha. Foi preso, espancado, e encarcerado na prisão de Aguada. Foi julgado e condenado a oito anos de detenção no Forte de Peniche, em Portugal. Foi libertado dois anos mais cedo, graças a uma amnistia, em 1952, mas não foi autorizado e regressar a Goa.
Tendo porém obtido meio de chegar a Paris, com um passaporte de turista, foi daqui até Bombaim, onde recomeçou, com redobrado vigor, a militar na causa goesa, publicando textos no quinzenário concani Azad Goem, e noutros periódicos, até à sua morte em 26 de Setembro de 1958. Foi condecorado a título póstumo pelo Conselho para a Paz em Estocolmo com a medalha de ouro da paz.
Os seus restos mortais repousam no memorial T. B. Cunha erguido nos Monumento aos Mártires em Panjim."
(Fonte bibliográfica: J. Clement Vaz, Profiles of Eminent Goans. Past and Present. Nova Delhi, Concept Publishhing Company, 2016 & Wikipedia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
85€

04 outubro, 2023

GOA E O GRÃO-MOGOL. Editores Jorge Flores e Nuno Vassallo e Silva. [Lisboa], Fundação Calouste Gulbenkian em colaboração com Scala Publishers, London, 2004. In-4.º (28x23 cm) de 240 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo publicado por ocasião da exposição Goa e o Grão-Mogol, realizada no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, Galeria de Exposições da Sede, entre  9 Junho e 5 de Setembro de 2004.
Belíssima peça da bibliografia oriental portuguesa, elaborada com grande apuro gráfico e sentido estético, impressa em papel de superior qualidade e profusamente ilustrada a cores.
"Goa e o Grão-Mogol pretende pôr em evidência as diversas facetas da relação que se estabeleceu nos séculos XVI e XVII entre a Índia portuguesa e o império mogol. Para os mogóis, os portugueses são mais um vizinho, seguramente menos perigoso que os safávidas, os uzbeques ou os otomanos. Menos perigoso mas algo “exótico”, tanto mais que os portugueses foram os primeiros firangis com que o imperador Akbar privou. A escrita dos cronistas mogóis não reflecte o fenómeno, mas, em contrapartida, o trabalho dos artistas da corte não se alhearia tão cedo da presença desses estrangeiros no império. Já para os portugueses, com capital em Goa desde 1510 e mantendo um rosário de estabelecimentos marítimos que se prolongava até ao Gujarat, do sucesso da relação com oMogor dependia a sua própria sobrevivência na Ásia do Sul. Tal é o pano de fundo de uma relação que durou mais de dois séculos e se corporizou em diversos domínios. Relação comercial, construída nos portos do Gujarat e do Bengala. Relação política e diplomática, de que dá testemunho um vasto corpo documental relativo a embaixadas, tratados, mediadores e espiões. Relação religiosa, indelevelmente marcada pela influência dos jesuítas na corte de Akbar e Jahangir. Relação cultural e artística, assente nas múltiplas contaminações de objectos, ideias, gostos e estilos.
Os dez ensaios escritos, por um conjunto de especialistas internacionais, expressamente para esta obra, exploram as diferentes facetas de uma relação que durou mais de dois séculos e se corporizou em diversos domínios (comercial, político e diplomático, religioso, cultural e artístico). Todos os ensaios são profusamente ilustrados com magníficas miniaturas mogóis, livros, pinturas europeias e diversos objectos seus contemporâneos que, entre outros, integram a exposição com o mesmo título. O livro contém ainda uma relação exaustiva das peças presentes na exposição, acompanhada pela respectiva bibliografia específica."
(Fonte: https://gulbenkian.pt/museu/agenda/goa-e-o-grao-mogol/)
"O presente ensaio foi concebido como um modesto contributo para a história da complexa relação multilateral que existiu em finais do século XVI e inícios do século XVII entre quatro potências um tanto desiguais: a primeira, o império mongol em crescimento na Índia Setentrional, que conheceria uma expansão avassaladora nas décadas que se sucederam a 1560; a segunda, os sultanatos do Decão, mais a sul, e especialmente os reinos de Bijapur e Ahmadnagar; a terceira, o Estado Português da Índia, com o seu centro político em Goa, e posições subsidiárias em Damão, Diu e na Província do Norte; e, por fim, o estada safávida no Irão, o qual, desde o seu início por volta de 1500, mantivera relações privilegiadas com os soberanos muçulmanos do Decão."
(Excerto do ensaio A expansão mongol no Decão, 1570-1605: perspectivas contemporâneas)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 janeiro, 2023

PIRES, Phillipe Neri - GRAMMATICA MARATHA EXPLICADA EM LINGUA PORTUGUEZA.
Compilada das mais abalizadas que ate o presente se tem dado á luz, por... Vaki'l [Advogado] no Sadar Adalat [Supremo Tribunal de Justiça], e traductor publico nas linguas Maratha e Guzerate
. Bombaim: Na Typographia da Missão Americana. T. Graham, Impressor. 1854. In-8.º (22 cm) de [10], xiv, [2], 106 p. ; B.
1.ª edição.
A Gramática de Marata foi uma obra importante, parte de um plano linguístico da administração portuguesa no Estado da Índia, e em particular na colónia de Goa, em meados do século XIX.
Marathi (inglês: / m ə r ɑː t i / ; Marāṭhī, Marathi: [məˈɾaːʈʰiː] (ouvir)). "É uma língua indo-ariana predominantemente falada pelo povo Marathi do estado indiano de Maharashtra. É a língua oficial de Maharashtra e língua oficial adicional no estado de Goa. É um dos 22 idiomas oficiais da Índia, com 83 milhões de falantes em 2011. O Marathi ocupa o 11.º lugar na lista de idiomas com mais falantes nativos do mundo. O Marathi é a terceira língua com maior número de falantes nativos na Índia, depois do Hindi e Bengali. A sua literatura é uma das mais antigas das línguas indianas modernas. Os principais dialetos do Marathi são o Marathi padrão e o dialeto Varhadi."
(Fonte: Wikipédia)
Felipe Neri Pires, que trabalhava como tradutor e advogado no tribunal de Bombaim, escreveu ao Secretário do Governador-Geral, J. H. da Cunha Rivara, que os milhares de migrantes goeses em Bombaim estavam em estado desesperador. A cidade foi incapaz de absorver todos eles, e seu estado de penúria e miséria de fato motivou as mais "vergonhosas" representações da comunidade em alguns dos jornais de Bombaim.  [...] Para remediar esta situação, Neri Pires sugeriu a Rivara que o ensino em inglês e marataser fornecido, e recomendou que ele publicasse uma gramática para auxiliar os estudantes goeses.
(Fonte: https://academic-oup-com.translate.goog/book/9052/chapter/155575805?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=sc)
"Havendo, mercé de Deos, concluido a presente Grammatica, encetada em circumstancias pouco favoraveis, cumpre-me confessar que naó me teria aventurado a emprehender a confeccáo della, superior certamente as minhas forças intellectuaes se por ventura naó tivera a fortuna de pertencer á um Tribunal, onde estão reunidos, como no um foco, os Nativos mais versados nas differentes linguas vernaculas da India, como saó os Traductores de Profissaó, os Xeristedárs [interpretes], os Xastrís, e Mólvís ou Kazís (peritos em Leis dos Hindús e Mahometanos respectivamente, possuindo ao mesmo tempo, vasto conhecimento de Sanskrit, do Persiano e do Arabico). Estribado pois na coadjavaçáo, e auxilio que delles esperava, e que effectivamente me prestaráo franca e promptamente quando consultados, náo hesitei estrear a empreza, e traze-la ao fim tal como a appresento ao Publico."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Carimbo de biblioteca na capa e f. rosto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado

13 outubro, 2021

GRACIAS, Bernardino - MÚSICA INDU
. Lisboa, [s.n. - "Tipografia Universal", Lisboa], 1917. In-4.º (25 cm) de 43, [1] p. ; il. ; B. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa - Julho a Setembro de 1917
1.ª edição independente.
Raro e interessante ensaio sobre a música hindu.
Opúsculo ilustrado ao longo do texto com escalas e partituras.
No estudo das civilizações antigas ocupa sem dúvida um lugar importante a história dos indus, povos áricos, de grandes ideas filosóficas e religiosas, que, levado pelo instinto de migração, deixaram a sua sede primitiva, em busca duma nova pátria, a Índia, emquanto outros da mesma família davam origem aos povos irânicos, e outros ainda atravessaram o Cáucaso, ocuparam a Ásia Menor e se espalharam pela Europa. [...]
Desde então os estudos de orientalismo tem apaixonado os sábios de quási todas as nações: ingleses, franceses, alemães, americanos, etc., e até os próprios indus, procurando cada qual contribuir com a sua quota para  publicação dos textos antigos ou védicos ou sânscritos, sua tradução, interpretação, comentário, a fim de, por todos os meios, se esclarecer, elucidar e refazer - digamos assim - a história da civilização dos indus, sob os seus múltiplos aspectos.
Um dêsses aspectos - a música - excitou a nossa curiosidade e chamou a nossa atenção, pelo importância capital que ela tem na literatura indo-árica, em íntima conexão com a poesia, género literário tão predilecto e e dominante entre os indus. [...]
O estudo da música indiana é particularmente interessante na sua feição religiosa, pois, unindo-se íntimamente à poesia mística dos Vedas, tornou-se um instrumento precioso na vulgarização dos hinos védicos, cantados por munis e jogues, que foram sempre os mais hábeis músicos da Índia."
(Excerto de Considerações gerais)
Matérias:
Considerações gerias. | Sistema da música indu. | Victoria Samrajyan. Tradução. | Ragas e Ráginis. | Bháirava. | Málava. | Xriraga. | Híndola. | Dipaca. | Megha. | O cancioneiro indiano. | Instrumentos de música: - Sarangi, sarodá, chikará. - Tamburá. - Xitára. - Rubad. - Viná. - Mridang, dholki, tubla. - Dapha, dháyara. - Munjira, curtar, jhang. - Bansuli ou bunsi. - Xinga. - Tuturi. - Karna. - Holar cha sonai. - Pungui.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Selo de biblioteca na capa.
Raro.
15€

21 janeiro, 2021

ÍNDIA : DISTRITO DE GÔA - Boletim da Agência Geral das Colónias.
Ano 5.º - Julho de 1929 - N.º 49
. In-4.º (23 cm) de 345, [1] p. ; mto. il. ; B.
1.ª edição.
Número especial dedicado à Índia Portuguesa, - Goa, Damão e Diu -, editado pela Agência Geral das Colónias cujo apreciado Boletim se publicou entre 1925 e 1969.
Livro ilustrado ao longo do texto com tabelas, mapas e inúmeras fotogravuras do territórios - paisagens, locais e imóveis e monumentos com interesse.
Sumário:
O distrito de Damão, por Constâncio Roque da Costa. | A acção missionária da índia, pelo padre Castilho de Noronha. | Memória sôbre as condições agrícolas, florestais e pecuárias da Índia Portuguesa, apresentada pela Direcção dos Serviços da Agricultura, por Fernando César Corrêa Mendes. | Resumido relato das condições financeiras da Índia Portuguesa, por António A. Pacheco. | Notas sôbre o movimento do comércio externo e da navegação da Índia Portuguesa, por Daniel da Silva Bastos. | Importantes obras ùltimamente executadas na Índia Portuguesa, por Afonso Z. de Mendonça. | Resumido relato sôbre os resultados financeiros da exploração do caminho de ferro e pôrto de Mormugão, movimento do pôrto, tráfego de mercadorias, comércio, etc., por Luís Birmark Dias. | Notas sôbre o desenvolvimento dos correios e telégrafos da Índia Portuguesa, por António Felipe Pereira. | Relatório sucinto do desenvolvimento dos serviços de agrimensura e minas, por Luís Miranda. | Elementos Gramaticais da Língua Concani, pelo Cónego José de Santa Rita e Sousa. | Lugares Selectos da Biblioteca Colonial Portuguesa. | Memoranda do Jardim Colonial de Lisboa. | Serviços da Agência Geral das Colónias. | Legislação Colonial. | Cotações dos produtos coloniais na praça de Lisboa. | Informações e Notícias. | Revista da Imprensa Colonial (Secção Estrangeira). | Bibliografia. | English Section. | Section Française.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

10 novembro, 2020

LOPES, David & PEREIRA, F. M. Esteves - A PEÇA DE DIU. Memoria destinada á X Sessão do Congresso Internacional dos Orientalistas. Por... Sociedade de Geographia de Lisboa. Lisboa, Imprensa Nacional, 1892. In-4.º (25 cm) de [4], 18 p. ; [2] desd. il. ; B.
1.ª edição.
A Peça de Diu, também conhecida por «Tiro de Diu», é um impressionante canhão em bronze do século XVI com cerca de 6m de comprimento e um peso aproximado de 20 toneladas. Fundido em 1533, pertenceu a Bahâdur, sultão de Cambaia, tendo sido encontrado pelos portugueses, nos armazéns da cidade de Diu, durante a sua ocupação.
Opúsculo ilustrado com duas litografias desdobráveis extratexto:
- A Peça de Diu (Alçado e Planta). Escala 1:20.
- Inscrições em caracteres arábicos reproduzidos da parte superior da bolada da Peça.
"Tem de comprimento 27 palmos e 3 pollegadas: a sua circumferencia na culatra é de 9 palmos e 9 pollegadas, e na parte mais grossa da moldura da bôca 7 palmos e 7 pollegadas. Póde levar balas de ferro de 110 arrateis, tendo de diametro na bôca 8 pollegadas e 8 linhas. A sua materia é uma liga de cobre e estanho: vê-se que não foi torneada depois de fundida, porque apresenta vestigios da fôrma; porém a fundição está excellentemente feita. Esta peça foi achada pelos portuguezes em Diu, quando tomaram posse da cidade, tendo morto o sultão Badur. Eis o que a este respeito diz o historiador João de Barros no livro 8.º da sua 4.ª Decada.
"Os artilharia assi dos navios, como dos almazens, era de grande numero de peças de metal mui grandes, em que havia tres basiliscos de admiravel grandesa, dos quaes um que fôra do Sultão de Babylonia, que Rumechan trouxe quando veio a Dio, por ser peça notavel, Nuno da Cunha mandou a el-rei a Portugal, e as peças de ferro eram sem numero, e dellas mui fermosas e grandes."
Segundo uma nota de João Baptista Lavanha, editor da 4.ª Decada de Barros, este basilisco estava no castello de Lisboa, em tempo dos Philippes. Murphy, na viagem a Portugal, refere que estando para se fundir a estatua equeste d'elrey D. José, fôra esta peça trazida com outras, para ser derretida: mas que um embaixador de Tunes, então residente em Lisboa, vendo-a, fizera notar ao interprete, Fr. João de Sousa, a inscripção arabe que está sobre a peça, e que assim foi salva e depositada no arsenal do exercito, onde hoje está."
(Fonte: O Panorama, Vol. I - 24 Junho, 1837)

"A bocca de fogo, conhecida pelo nome de Peça de Diu, que actualmente está depositada no pateo do Museu do Commando Geral de Artilharia com o n.º 18, é um basilisco segundo a antiga denominação, e segundo a moderna nomenclatura é classificada como peça de sitio e de praça. [...]
A peça é de carregamento pela bocca, e pode arremessar balas de ferro de 110 libras (50 kilogrammas).
Esta peça, formada de uma liga de cobre e estanho, está bem fundida; mas não foi depois torneada, conservando ainda as escabrosidades da fôrma. Proximo da extremidade anterior do refôrço a peça tem dois munhões, que entram em uma caixa de forma especial, e permittem dar inclinação ao eixo da peça no plano vertical."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

07 novembro, 2019

COLLIS, Maurício - NA TERRA DA GRANDE IMAGEM. (Aventuras de um Religioso português no Oriente). Tradução do inglês e notas de António Álvaro Dória. Pôrto, Livraria Civilização, 1944. In-8.º (22 cm) de 336 p. ; [16] p. il. ; [1] mapa desdob. ;  il. ; E.
1.ª edição.
Deambulações aventurosas de um frade agostinho por terras portuguesas da Índia na primeira metade do século XVII.
Livro ilustrado em extratexto com 16 bonitas gravuras, e com 5 mapas - quatro no texto e um desdobrável.
"A nossa narrativa prende-se com parte das viagens feitas por Fr. Sebastião Manrique, monge agostinho. Êste notável português nasceu no Pôrto entre 1590 e 1600. Em criança - não se sabe precisamente quando - ligou-se à Ordem dos Agostinhos e foi, mais tarde, mandado para Goa, capital da Ásia portuguesa, nome porque eram conhecidos os domínios de Portugal no Oriente. Nessa estranha e bela cidade indiana permaneceu largos anos, primeiro como noviço e mais tarde como frade, residindo no mosteirro da sua Ordem, esplêndida construção barroca, ou melhor grupo de construções, que, além do mosteiro pròpriamente dito, incluía capela, colégio e noviciado.
Em 1628, entre os 30 e os 40 anos, transferiram-no para Bengala, onde, em Ugulim (Hugli), perto de Calcutá de hoje, os portugueses possuíam uma feitoria e os Agostinhos outro mosteiro. Bengala é adjacente ao Arracão (Arakan), regido actualmente pertencente à Birmânia, mas então reino independente habitado por uma raça mongol muito semelhante à dos birmanes.
Manrique foi obrigado, no ano seguinte, a ir àquêle reino, e as suas aventuras, narradas nas Viagens, abriram as portas a um mundo que apenas se encontra nos romances. Êle só compôs as Viagens após o regresso à Europa em 1643; escreveu-as, não na sua língua natal, mas num castelhano muitas vezes obscuro e pretensioso, um castellano desastroso, como escreveu Vela, historiador da Ordem dos Agostinhos."
(Excerto da Introdução)
Encadernação em meia dele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado. Correcções do texto a tinta ao longo do livro.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

19 setembro, 2019

RODRIGUES, Augusto - NA INDIA REVOLUCIONÁRIA. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [19--]. In-8.º (19,5 cm) de 438 p. ; [8] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção principal decorre em Goa. Obra muito rara, acerca da qual não existem referências bibliográficas, incluindo na Biblioteca Nacional.
Livro ilustrado com capitulares e bonitos desenhos assinados por Silva e Souza assinalando o início e final de cada capítulo, e ainda oito belíssimas estampas impressas sobre papel couché intercaladas no texto.
"Encostadas á amurada do brigue «Senhora do Livramento», a baroneza de Pedronelo e Ermelinda contemplam com os olhos razos de lagrimas a linda paisagem de Lisbôa, da qual se afastam lentamente.
Ermelinda, limpando os olhos, diz numa voz repleta de saudade:
Não tornarei a vêr o meu querido Portugal!
Por detrás dela, uma voz masculina, responde-lhe:
- Quem poderá determinar o futuro?
As duas senhoras voltaram-se surpresas, e maior foi a admiração de Ermelinda ao deparar com a insinuante figura do senhor de S. Martinho."
(Excerto do Cap. VII, A caminho da India e do amôr).
Índice dos capitulos: I - O misterio da simpatia. II - A casa do misterio. III - Em carcere privado. IV - Nas garras do bandido. V - Emparedado vivo. VI - Preparativos de viagem. VII - A caminho da India e do amôr. VIII - Mãe e filho. IX - Para que serve um cadaver? X - Salvo! XI - A dama do veu negro. XII - Sepultura reveladora. XIII - Na cela de Ermelinda. XIV - O cinismo de Raul Castro. XV - Planos que falham. XVI - O sósia de Raul Castro. XVII - Entrevista. XVIII - O ciume. XIX - A hora tragica. XX - Um tiro. XXI - A grande infamia. XXII - Sinistra revelação. XXIII - Instante de horrôr. XXIV - O olhar de veludo. XXV - Compromisso forçado. XXVI - A obra do fogo. XXVII- A ameaça. XXVIII - Casanova desconfia. XXIX - O desejo carnal. XXX - Amor á força. XXXI - Mafoma tem vocação para a policia. XXXII - O ataque. XXXIII - Mafoma outra vez em campo. XXXIV - Surpreza. XXXV - Outra surpreza. XXXVI - O Segredo do cofre. XXXVII - O cavaleiro da Sombra. XXXVIII - Subtileza. XXXIX - Os conjurados. LX - A Miragem da Independencia. XLI - A caminho do templo. XLII - Ancia de liberdade. XLIII - A fuga. XLIV - Ante o perigo. XLV - Á merçê do sátiro. XLVI - Estranhas revelações. XLVII - O segredo do Kala-Xan. XLVIII - Os Deuses Vivos. XLIX - Pal-War, o sem mêdo. L - Uma paixão singular. LI - A paixão cresce. LII - Intervenção misteriosa. LIII - Raul de Castro e a sua sombra. LIV - A tragedia do barão. LV - Negocio urgente. LVI - Onde Jania começa a ser derrotada. LVII - O reforço. LVIII - Por um triz. LIX - A vingança de Calir. LX - Gigantes e bruxas. LXI - A obra de Raul de Castro. LXII - Boa nova. LXIII - A Reconciliação. LXIV - Os alcaides de Faria.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

05 julho, 2019

SANTOS, S. J., Domingos Mauricio Gomes dos - A MISSA A BORDO DAS NAUS DA INDIA. Por... Publicado em la Revista Las Ciencias, de Madrid, Año XVII, Núm. 4. Madrid, C. Bermejo, Impresor, [195-]. In-4.º (24cm) de [36] p. (729-761 pp) ; B.
1.ª edição independente.
Interessantíssimo estudo histórico sobre a celebração eucarística a bordo dos navios da Carreira das Índias. Separata publicada em Espanha (Madrid), encontra-se no entanto redigida em português.
"A celebração dos mistérios eucarísticos, nos princípios do Cristianismo, não conhecia as limitações de lugar e tempo que lhe impôs o Direito Canónico em épocas posteriores.Como diz Duchesne, as igrejas primitivas foram, apenas, habitações comuns especialmente destinadas ao culto cristão, ou, antes, ao conjunto dos serviços da comunidade dos fiéis - ecclesia. [...]
No século XV, em Portugal, a primeira referência que encontramos a propósito da Sagrada Eucaristia a bordo é a que nos oferece Azurara, ao relatar, na Crónica de D. João I, a conquista de Ceuta. Pouco antes do desembarque, Martim Pais, capelão-mor do Infante D. Henrique, quando este «com a prancha prestes e todos os seus armados» estavam «pera sair» a terra «tomou o corpo do Senhor nas mãos e pouzou-se diante de todos», fazendo um fervoroso colóquio a Cristo Sacramentado e exortando os soldados à vitória. «Entonce, agrega o cronista, se levantou o infante d'onde estava em giolhos, e fazendo sua oração ante o corpo do Senhor, foi beijar o pé d'uma custódia muy rica em que ele (o Santíssimo Sacramento) sempre estava, depois que partiram de Portugal». «E depois que o infante foi fora sempre Martim Pais acompanhado de muitos capelães ali esteve com o corpo do Senhor, rezando muitos salmos e orações  de grande virtude até fim de todo o feito».
(Excerto do texto)
Domingos Maurício Gomes dos Santos, assinando frequentemente como Domingos Maurício (Perafita, Matosinhos, 1896 - Lisboa, 1978) foi um sacerdote católico da Companhia de Jesus, que se destacou como escritor, ensaísta e historiador.
Jesuíta desde 1910, doutorou-se em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma. A partir de 1929 integrou a redacção da revista Brotéria, da qual foi director (1935-1949).
Como sacerdote, desenvolveu variada actividade pastoral e social e foi um brilhante conferencista e orador. Desempenhou funções de assistente junto de vários organismos da Acção Católica Portuguesa: assistente geral da Liga Universitária Católica Feminina (LUCF) e da Liga Estudantil Católica Feminina (LECF), assistente diocesano da Juventude Universitária Católica (JUC).
Ensaísta e historiador, escreveu, entre outras obras, D. Duarte e as Responsabilidades de Tânger (1433-1438) (1931) e O Mosteiro de Jesus de Aveiro (6 vols., 1963-1967). Foi presidente da Secção de História da Associação dos Arqueólogos Portugueses e vogal do Conselho Académico da Academia Portuguesa de História, em representação da qual integrou a Câmara Corporativa nas X e XI legislaturas (1969-1974) do Estado Novo. Dirigiu a secção de História da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, começada a publicar em 1963 pela Editorial Verbo.
Participou na fundação da Revista Portuguesa de Filosofia, em 1945, cabendo-lhe a autoria do texto programático de abertura.
Foi professor do Instituto do Serviço Social de Lisboa."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
30€

12 abril, 2019

BAIÃO, Antonio - AFFONSO D'ALBUQUERQUE. Por... Director do Arquivo da Torre do Tombo e Secretario da Comissão Academica dos centenarios de Ceuta e Albuquerque. Lisboa, Livraria Ferin, Editora : Baptista, Torres & C.ᵀᴬ, 1913 [na capa, 1914]. In-8.º (18,5cm) de 158, [2] p. ; [2] f. il. ; E. Col. Grandes Vultos Portuguêses, III
1.ª edição.
Biografia de Afonso de Albuquerque (1452-1515), líder militar e o 2.º Vice-Rei e Governador da Índia Portuguesa, cujas ações guerreiras, políticas e religiosas foram determinantes para o estabelecimento do Império Português no Oriente.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado em extratexto com um retrato do biografado reproduzido das «Lendas da India» e um fac-símile "do único documento conhecido todo do punho de Albuquerque".
"No principio de Abril de 1503 sahia de Belem uma armada, composta de seus náos, convenientemente providas de gente, artilharia e munições de guerra, pertencendo a capitania-mór de tres velas a Affonso d'Albuquerque e das tres restantes a seu primo Francisco. As suas instrucções são-nos hoje conhecidas, se bem que os Commentarios nos digam apenas serem a edificação de uma fortaleza em Cochim. Façamos o seu resumo, porque na verdade bem interessantes são: economia nas provisões, mas não miseria, devendo, por causa d'isso, ter na mão a chave da dispensa dos paioes; quanto a vinho, só dar a cada marinheiro tres quartilhos por dia. Se a agua que leva não chegar, não deve parar em Cabo Verde, e, sendo assim, deverá ir fazer aguada á costa de Biziguiche, com pequena demora. Para os navios se não perderem uns dos outros devem dar salvas ao capitão-mór e, quando quizér o seu navio fa-lo-ha saber, dando dois tiros, ao que os outros corresponderão e outros sinaes identicos assim são determinados.
Se antes de chegarem ás Canarias o vento fôr demasiado e não poderem pairar, voltem á costa de Portugal, tentando aportar ao Restello, ou, sendo isso impossivel, a Setubal. Se depois de atravessarem as Canarias, alguma náo não responder aos sinaes, déve o capitão-mór ir direito a Biziguiche para a esperar ahi, ainda que não precise de agua; no caso d'ella não aparecer deixará sinaes da sua estada, assim como em Moçambique, onde ficará algum degradado d'isso encarregado. Ainda o caso de extravio de alguma náo: se a náo perdida chegar primeiro a Biziguiche deve esperar ahi oito dias e a sua derrota são pontos forçados, Melinde, Angediva e Cananor.
Se a fróta pudér tocar em Melinde deve o capitão-mór dizer ao rei que D. Manoel I d'elle muito se lembrava, entregando-lhe uma carta e um presente. Da mesma forma amistosa procederá com o rei de Cananor, a quem entregará a carta e encommendas e dir-lhe-ha como el-rei com elle estava contente, fallando-lhe ao mesmo tempo nas mercadorias. Para as náos mouras, ou do rei de Calicut, não deve haver contemplação, embora este queira dar explicações. Quando porém chegar a Cochim deve Albuquerque entregar as encommendas cujo portador é, com protestos de amizade, fazendo com elle a compra e venda de mercadorias, conforme a combinação com o almirante.
Finalmente, se em Calcoulão houver alguma carga devia mandar recebê-la.
Como se vê, tinham procurado prever todas as hypotheses e eventualidades."
(Excerto do Cap. III, Na India - A primeira expedição)
Indice:
I. A Familia. Ascendentes e Descendentes. II. A aprendizagem do grande capitão. III. Na India. IV. O Governador da India. V. A memoria de Albuquerque. O seu testamento - Onde param os seus restos mortaes e a urna que os encerrou? // - Bibliographia. - Tentativa chronologica. - As nossas gravuras. - Indice alfabetico.
Bonita encadernação em meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

18 outubro, 2017

NORONHA, Dom Thomas de - TALES OF INDIA. By... Madras: Higginbotham & Co., 1910. In-8.º (18,5cm) de [6], 142, [2] p. ; B.
1.ª edição inglesa.
Publicado originalmente em português (1905), a presente obra é composta por quatro contos sobre a Índia portuguesa, tendo conhecido grande sucesso na época, culminando com a presente tradução para inglês.
D. Tomás de Noronha (1870-1934). "Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, professor e escritor, etc. Fez o Curso Superior de Letras, de que foi aluno distinto. Em 1901 partiu para a Índia a ocupar o seu lugar de professor de alemão no liceu de Nova Goa. O sr. D. Tomás de Noronha tem colaborado em vários jornais, e nas Novidades de 25 de julho de 1906 publicou: Dois perfis (D. Maria Amália Vaz de Carvalho e Teófilo Braga). Em Coimbra é o seu nome muito conhecido, tendo ganho ali as gerais simpatias desde o seu tempo de estudante laureado. Foi ele o autor da peça de despedida do seu ano, A Barca dos RR, e nessa época publicou o Umbrano (Lisboa, 1899) elegia, em tercetos quinhentistas, e mais tarde outro livro de versos: Tempos perdidos. Quando esteve na Índia publicou (em 1905) um livro, com o título de Contos da Índia, que mereceu lisonjeiros artigos de toda a imprensa. O livro encerra quatro contos: O meu guia, O bacharel Crisóstomo, Milagres de S. Francisco e Rucuminó. Em 1906 publicou a sua Carta aos portugueses da Índia, sobre a «Assistência Escolar»."

(fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/noronhatomas2.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada apresenta pequenas falhas de papel.
Raro.
30€