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03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

25 setembro, 2026

FERNANDES, José Augusto -
GENTE DE CÔR
. Porto, [s.n. - Oficina Tipográfica do Hospital do Conde de Ferreira-Porto], 1933. In-8.º (21x14,5 cm) de 80 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas relacionadas com Timor (a maioria) e Macau, locais onde o autor terá prestado serviço militar.
Obra rara e muito curiosa, não mencionada na BNP. Nada foi possível apurar acerca do autor, a não ser, a indicação num outro livro seu, de pertencer à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
"Produto dum cruzamento, nascera em Macau. Tentaram educá-lo, mas, tôda uma longa série de taras, inutilizou essa tentativa... Cresceu ao Deus dará até que, já homem, foi parar à tropa... Percorreu tôda a escala dos castigos e, por fim, lá foi ter a Timor, com a chancela de incorrigível...
Como tinha um verniz de ilustração empregaram-no. Filho de chinesa e talvez de indio, tinha todos os defeitos destas duas raças. Abafava sob a nossa moral, e as nossas leis eram para êle duma iniquidade absoluta...
Podia lá ser que êle quizesse beber, que êle tivesse sêde, que a cerveja estivesse ali, à mão de semear, em casa do chinês ou do monhé, e êle a não bebesse porque não tinha dinheiro...? Podia lá ser?! E como não podia ser, bebia e não pagava..."
(Excerto de Um milagre)
"Envelhecera em Timor. Para ali veio de Angola, novo ainda, num contingente de africanos... Alto, forte, espadaúdo, ligára-se a uma indígena e, com o tempo, veio-lhe o esquecimento da sua terra...
Deixára a tropa quando a velhice e o alcool o inutilizara e ficára por lá fazendo recados aos monhés e aos chineses...
Alma simples de bom, fiel como um cão, a negrura da sua tez era o seu único orgulho... Chamassem-lhe preto que o Pipa, abrindo a larga bôca num sorriso de satisfação, prestes respondia «pronto siô»!... E, filosóficamente, juntava: africano-preto, português-branco. Porque só o português era para êle branco, os outros, as outras raças, essas designava-as pelo nome da sua terra...
O branco era sempre o português; a sua língua, uma algaraviada de português e angola, era a língua portuguesa..."
(Excerto de O Pipa...)
"Pelas encostas da serra - de quebrada em quebrada - ouve-se o som dos batuques. O tam-tam repete-se, multiplica-se, aumenta de tom e ao longe novos tam-tans se ouvem, dando vida à paisagem. Em plena montanha, fronteiriça ao mar que distante se espraia numa quietude de lago, o som cavo dos batuques é bem como que o som dessa montanha, indefinível, mixto talvez do marulhar das ondas e do vento batendo as Tranças do arvoredo...
Um som grave, qualquer coisa que nos entristece, que nos faz olhar em roda num movimento instintivo de defesa, como se as próprias arvores, a água que canta despenhando-se, fôssem inimigos, e a sua voz fosse aquela, êsse tam-tam insistente, monótono, sem côr...
Da eminencia onde estávamos, via-se ao longe a fita branca da espuma orlando rembrandescamente o sopé da montanha e a floresta de folhas largas, dum verde macío onde a luz forte se adoça.
Pouco a pouco vão chegando os batuques.
Mulheres levando sob a axila do braço pequenos tambores que os dedos ferem, começam a orquestrar-se, arregimentando-se, e, em filas, avançam num bater cadenciado, certo, emquanto na frente, tauxiadas lâminas ao sol os homens pulam e guincham..."
(Excerto de O batuque)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. "Enrugado" e com manchas marginais por acção da humidade, sem prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

26 julho, 2026

LISBÔA, Conselheiro -
RELAÇÃO DE UMA VIAGEM A VENEZUELA, NOVA GRANADA E EQUADOR.
Pelo... A. M. pela Universidade de Edimburgo, Membro Correspondente do Instituto Historico e Geographico Brasileiro. Bruxellas, A. Lacroix, Verboeckhoven e Cia, Editores - Rua Real, 3, Bêco do Parque - Com Casa em Leipzig e em Leorne, 1866. Direitos de reproducção e traducção reservados. In-4.º (23,5x15 cm) de 393, [1] p. ; 
[1] mapa a cores em 2 f. ; [11] plantas/mapas ; [17] estampas ; [4] f. partitura ; [1] quadro desdob. ; E.
1.ª edição.
Importante livro de viagens por países da América Latina, locais onde o autor - diplomata - esteve destacado.
Obra de fôlego, nunca reeditada, belamente ilustrada em separado com estampas, quadros, plantas e mapas, sendo alguns deles desdobráveis. Inclui partitura do hino patriótico colombiano "El 20 de Julio - Cancion nacional".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita de Miguel Lisboa ao "Ex.mo Senhor Almeida e Albuquerque". Assina "O Autor".
"Eu prevejo que a publicação em 1865 de uma relação de viagens escrita em 1853 dará logar a commentarios por ventura justos. Conheço que o interesse de taes narrativas como a que com tanta tardança apresento ao publico, depende em grande parte da sua novidade; e esse conhecimento com effeito fez-me por muito tempo hesitar si deveria ou não publicar o meu trabalho. [...]
O interesse que teem os brasileiros em conhecer o estado social das Republicas que com nosco limitam, longe de haver diminuido de 1853 para cá tem augmentado. Graça á abertura do rio Amazonas, nosso commercio com as que estão contiguas pelo Norte e Oeste váe-se desenvolvendo. A mesma ignorancia sobre o estado de civilisação dellas, sobre o que ahi ha de apreciavel, assim como dos elementos de desordem e decadencia que retardam os seus progressos, existe ainda. Acostumados, fazendo echo com escriptores europeos apaixonados e superficiaes, a só enxergar nas Republicas hespanholas as suas revoluções, a falta de garantias que em algumas dellas se manifesta, e a sua decadencia material, fazemos-lhes grande injustiça desconhecendo o muito que ha nellas de respeitavel e sympathico, já no caracter de seus habitantes, descendentes de uma raça nobre e cavalheresca, que apezar de 50 annos de desordens e máo governo, ainda possúe, a meu ver, elementos de futura prosperidade e grandeza, já nos monumentos historicos que ainda hoje attestam a energia dessa raça emprehendedora."
(Excerto de Advertencia)
"No dia 2 de Setembro de 1852, pelo meio dia, embarquei-me a bordo do vapôr Orinôco, capitão Hast, pertencente á Real companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes, com destino a Santomaz, uma das ilhas chamadas Virgens, situada quasi á vista da colonia hespanhola de Porto-Rico.
São bem conhecidos no porto do Rio de Janeiro os magnificos vapôres desta Companhia, uma das mais importantes da Gran Bretanha. Si ella tem tirado de seus esforços ampla remuneração, é preciso confessar que tem feito importantes serviços ao commercio e ás communicações do velho mundo com o Brasil e com as republicas hispano-americanas. [...]
De muitas commodidades gozam os passageiros a bordo destes vapôres: o aceio é igual ao que se encontra em todos os navios de guerra ingleses; a superioridade e abundancia de viveres frescos fazem esquecer que se navega no alto mar; o serviço dos despenseiros é tam regular quanto é possivel em uma reunião que nunca é menor de cem pessõas e frequentemente excede a duzentas; finalmente o systema de ventilação é muito estudado, e os camarotes e beliches a bordo do Orinôco são mais espçosos e commodos que os de fragatas e náos em que tenho viajado. Eu occupei só um camarote que tinha dez palmos de comprimentos, oito de largura e dez de altura, tendo uma abertura para o mar de pé e meio quadrado."
(Excerto de I - Viagem de Southampton a Santomaz; a real Companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes; Sombrero)
Miguel Maria Lisboa (1809-1881). "Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de maio de 1809 e faleceu em Lisboa a 28 de abril de 1881. Foi diplomata. Formou-se em artes pela Universidade de Edimburgo e seguiu a carreira diplomática, tendo cumprido missões em Londres, no Chile, na Venezuela, na Bolívia, no Equador na Nova Granada (atual Colômbia), no Peru, nos Estados Unidos, na Bélgica e em Lisboa.
Pertenceu ao Conselho do Imperador D. Pedro II, foi veador da Imperatriz Tereza Cristina, grande dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador da Ordem de Cristo, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da Ordem de Nossa Senhora Jesus Cristo (ambas de Portugal) e da Ordem Ernestina da Saxónia, da Casa Ducal da Saxónia. Recebeu o diploma de Artium Magister da Universidade de Edimburgo. Em 1° de janeiro de 1839 foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 28 de fevereiro de 1867."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20587)
Belíssima encadernação meia em pele com nervuras, rótulos e letras a ouro na lombada. Conservas as capas de brochura. Aparado e carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, alvo de pequenos restauros. Interior correcto.
Ex-libris de Aucindio Rodrigues da Silva na f. ante-rosto.
Raro.
250€

02 março, 2026

LOUREIRO, Augusto -
A BRUXA. Scenas Açorianas.
Com um prefacio de Armando da Silva. Lisboa, Antiga Casa Bertrand - José Bastos, 1901. In-8.º (19,5x13,5 cm) de [2], 208, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Romance curiosíssimo, cuja acção decorre na Candelária, pitoresca povoação localizada no interior da ilha de S. Miguel, Açores. Inicialmente, em 1876, foi incluído num livro de contos com o título O Cego. Mais tarde, em 1882, substancialmente aumentado, foi publicado em folhetins no Diário de Notícias. Finalmente, em 1901, foi dada aos prelos esta versão, corrigida e aumentada, que não deixa de ser uma primeira edição, tantas são as alterações, na forma e no conteúdo, entre cada uma das versões.
Obra ilustrada com o retrato do autor em folha separada do texto.
"A Bruxa é o romance da vida das nossas aldeias açorianas, que o auctor estudou conscienciosamente: Os seus typos, a sua linguagem, os seus costumes são lidimos açorianos. Porventura algum dos seus personagens - permitta-me o meu caro Loureiro a indiscripção, - viveu em carne e osso antes de ser transportado para o livro. O regedor foi professor de latim do auctor, o cura seu companheiro de caçadas; a doida e o cego existiram tambem.
Além d'isso, o theatro onde o drama se desenvolve é bem nosso conhecido. É uma pequena povoação interior da ilha de S. Miguel, a Candellaria, com pouco mais de um milhar de habitantes. Os montes que se elevam do lado direito, com a sua encosta coberta de Calluna e Sphagnos, vão terminar nas cumieiras das Sete Cidades, essa pérola de purissimo Oriente encravada n'um annel de elevadas paredes volcanicas, cuja rudesa amacia a vegetação luxuriante dos Chryptomerias.
Fóra dos typos, fóra da paizagem, temos ainda na Bruxa uma descripção de varios dos nossos costumes. A ethnologia michaclense está egualmente estudada com amoroso cuidado. As festas do Espirito Santo, transformação de velhos cultos polytheiistas, com o symbolo phallico da pomba, desapparecidos de todo no continente desde o fim do segundo quartel do seculo passado, mas mantendo-se ainda vivas, nas ilhas, no Brazil e na India portugueza os usos nupciaes locaes, restos mais caracteristicos da phase social primitiva, que como todos os usos que se referem á familia, se conservam pela lei da persistencia, resistindo tenazmente contra todos os obstaculos assimilações, lá estão fielmente descriptos, pela habil mão do escriptor que é Augusto Loureiro, no seu romance açoriano.
Tudo isso: typos, paizagens, costumes, entrelaça-se n'uma historia idyllica de amor. Não ha, não póde haver romance sem amor, porque o amor é que dirige o mundo e é o mobil da maior parte das acções humanas.
Effectivamente a Bruxa é um lindo romance, de um entrecho docemente commovedor, de linguagem agradavel, e cuja leitura se pode recommendar com affoutesa."
(Fonte: https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1902/N832/N832_master/N832.pdf) 
"Na aldeia havia um ancião, cuja idade, nem elle proprio sabia contar. Inquerido a este respeito, respondia:
- O que sei dizer é que quando entraram aqui os da Terceira, eu não fui obrigado a pegar em armas e a marchar para a acção da Ladeira da Velha, porque havia muito que eu passára da idade.
De tão severa moral e firmeza de caracter, como de bondoso coração, este homem era por todos estimado: iam consultal-o, não sómente em assumptos agricolas, mas em negocios e pendencias domesticas. Tratavamn'o sempre por tio Lourenço, nome pelo qual era geralmente conhecido.
O tio Lourenço estava invalido para todo o trabalho: alquebrara-lhe as forças, tolhera-lhe os membros, o maior inimigo dos velhos - o rheumatismo gottoso, molestia que muito tempo o havia prendido em casa, quasi sempre estatelado sobre o leito. Em quanto forças teve para lutar com tão implacavel inimigo, mesmo já adoentado, labutava sempre. Enviuvára cedo; e do matrimonio houvera uma unica filha a quem dedicava todos os affectos do seu coração."
(Excerto do Cap. II)
Augusto César de Sampaio Loureiro (1839?-1906). "N. Ponta Delgada, 2.1.1839 ? m. ibid., 4.9.1906]. Poeta e contista. Como poeta, deixou algumas líricas que o têm colocado entre os seus pares açorianos da última geração romântica. Como contista, foi o primeiro, nos Açores, a retratar ambientes e personagens predominantemente rústicos (cf. Silveira, 1977: 139). Tem prosa e poesia dispersas por jornais dos Açores e de Lisboa, onde viveu algum tempo.
Em Ponta Delgada e em Lisboa, dirigiu, redigiu ou foi proprietário dos jornais Gazetilha semanal (1864-?), Jornal de notícias (1871-1875), Revista universal: jornal dedicado aos interesses das ilhas adjacentes e provincias ultramarinas (1877), O figaro: diario portuguez e brazileiro (1881-1884), Os Açores (1904), e O Heraldo.
Era funcionário da Alfândega.
Obras. (1866), Chegada do Exmo. actor Francisco Alves da Silva Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1866), Adeus a Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1868), Justiça de Deus. Ponta Delgada, Typ. do Ecco Social [drama]. (1868), Hymno da banda marcial denominada Lealdade de Vila Franca do Campo [ms.], Ponta Delgada, s.e.. (1869), À Beira-Mar: contos, phantasias e digressões. Lisboa, Luso Britannica [contos]. (1872), Almanaque para todos para 1973. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1873), Almanaque para todos para 1974. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1874), Almanaque para todos para 1975. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1875), Á Mme. Marie Pavoni Moretti dans as fête: au theatro michaelense. S.l., s.e.. (1876), Serões de Inverno. Ponta Delgada, Ed. do Autor [contos]. (1895), Hymno dedicado ao exmo. snr. João Lourenço da Silva [ms.]. Rabo de Peixe, s.e.. (1897), Biografia do Dr. Caetano de Andrade, A Actualidade, Ponta Delgada, n.º 66, 4 de Abril. (1897), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901, Ibidem, 20 de Julho [Ponta Delgada, Typ. A Vapor de Ferreira]. (1897), Perfil de Francisco Peixoto da Silveira, Ibid., 24 de Outubro. (1898), Perfil de Maurício Bensaúde (Moisés Bensaúde), Ibid., 6 de Março. (1901), A Bruxa, scenas açorianas. Lisboa, José Bastos. (1901), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901. Ponta Delgada, Typo-Lyt. A vapor de Ferreira & Cª. Typ. A Vapor de Ferreira.
Traduziu: (1872), Pagem ou flor de Maio de Ponson du Terrail. Ponta Delgada, Imp. Commercial e (1890), Bianca Cappello de Thomaz Anquetill. Lisboa, Typ. Portugueza."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=8251)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Assinatura de posse data na capa frontal.
Raro.
Indisponível

16 fevereiro, 2026

CUNHA, António Cardoso -
S. CIPRIANO, PADROEIRO DE BRUXOS E FEITICEIROS
. [Por]... Bispo de Vila Real. Porto, [s.n. - Composto e impresso nas Ofic. Gráf. da Livraria Cruz - Braga], 1983. In-8.º (23,5x16 cm) de, [3], 28, [1] p. (252-279 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Humanística e Teologia» : Tomo IV - Setembro-Dezembro de 1983 - Fasc 3.
Interessante trabalho sobre superstição e crendice, e a influência que S. Cipriano teve nos rituais e práticas de bruxaria e feitiçaria.
"Os esforços feitos pelos Padres e homens da Igreja para extirpar na nova sociedade cristã hábitos supersticiosos longamente enraizados não foram totalmente coroados de êxito.
Para muitos cristãos era (e ainda hoje é) possível conciliar a prática da vida cristã com a credulidade supersticiosa. As proibições mais ou menos severas das autoridades civis e religiosas foram inúteis.
Na cristandade medieval, os profundos sentimentos religiosos que floriram nas artes, nas Sumas Teológicas, nas Cruzadas e em tantas outras manifestações de piedade individual e colectiva não puderam exterminar a cizânia da crendice que, por toda a parte, contaminava o povo cristão. A ignorância das massas populares, favorecida pela falta de cultura da grande maioria dos sacerdotes que tinham a missão de as orientar e esclarecer, tornava o terreno propício ao ressurgir de antigas superstições. [...]
Os germanos introduziram na cristandade medieval as ordálias ou juízos de Deus que já existiam em alguns povos da antiguidade pagã. Esse bárbaro costume, que floresceu na Alemanha e na França, era aceite como prova irrefutável nos tribunais.
Os suspeitos de crimes gravíssimos eram submetidos pelas autoridades a deter minadas provas (ou eles espontaneamente pediam) com o fim e se averiguar a sua inocência ou culpabilidade .
As modalidades mais frequentes eram o duelo, deitar sortes (sorteio), a prova de fogo, do ferro em brasa (ferro caldo) e a prova da água quente e fria.
Havia a ingénua convicção de que Deus intervinha milagrosamente na defesa dos inocentes e no castigo dos culpados."
(Excerto de A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento)
Índice:
Actas dos Santos Mártires Cipriano e Justina: I - Conversão; II - Confissão; III - Martírio. | Lenda ou História? Confusão de Cipriano de Antioquia com Cipriano de Cartago | A Magia Profundamente Enraizada na Sociedade Pagã não Desapareceu Subitamente com a Vinda do Cristianismo | A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento | As Actas de Cipriano e Justina Fazem Parte duma Literatura Característica dos Primeiros Séculos da Era Cristã | A Lenda de Cipriano Renasce e Renova-se Através dos Séculos | O Livro de S. Cipriano | Conclusão.
António Cardoso Cunha (Penso, Sernancelhe, 1915 - Chaves, 2004). "Foi um bispo português. Depois da instrução primária, bem como secundária e terminado o Curso de Teologia foi nomeado professor do seminário de Resende, por não ter idade canónica para ser ordenado sacerdote. A 16 de Abril de 1938 foi ordenado sacerdote por D. Agostinho de Jesus e Sousa, tendo sido nomeado pároco de Vila da Moimenta da Beira. Regressando ao Seminário de Resende como professor e Perfeito, foi depois estudar para Roma História Eclesiástica, na Universidade Gregoriana. Após ter voltado a Portugal, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário de Resende e, anos mais tarde, Vice-Reitor do Seminário de Lamego.
A 9 de Março de 1956 foi eleito Bispo Auxiliar de D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, com o título de Baris. A sua sagração episcopal celebrou-se na Catedral de Beja em 10 de Junho de 1956. Como auxiliar mostrou um grande acompanhamento do Seminário Diocesano (inaugurado em 1940), e uma grande proximidade com os sacerdotes, devendo-se a ele a formação qualificada de muitos deles. Foi também um dos padres conciliares portugueses no Concílio Vaticano II. Em 7 de Outubro de 1965 foi nomeado Administrador Apostólico de Beja, tomando posse por procuração. Ao morrer D. José do Patrocínio Dias em 24 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado para Bispo de Beja, a 18 de Dezembro, e D. António Cardoso Cunha foi nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real.
A 16 de Maio de 1966, D. António Cunha é nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real, com direito de sucessão a D. António Valente da Fonseca, tomando posse deste cargo a 3 de Julho de 1965. Com a resignação de D. António Valente da Fonseca a 10 de Janeiro de 1967, foi nomeado Bispo de Vila Real, resignando a 19 de Janeiro de 1991." Faleceu no Lar de Velhinhos das Irmãs dos Anciãos Desamparados, de Chaves, onde residia desde 1991, ano da sua resignação.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

15 fevereiro, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do - O TRAJO NO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA. [Pelo]... Da Academia Brasileira de Ciências Sociais e Políticas. [S.l.], Edição do Autor, 1954. In-8.º (22,5x13cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o traje madeirense.
Obra com interesse etnográfico, ilustrada com fotogravuras no texto ao longo do livro.
"As Ilhas Atlânticas que formam o afamado Arquipélago da Madeira, descobertas por um feliz acaso, quando as naus portuguesas que seguiam com rumo à Guiné, sob o comando de Tristão Vaz e de João Gonçalves Zarco, fugiam à violência de terrível temporal, desde que Portugal as povoou e cultivou, logo chamaram as atenções e a cobiça dos demais Povos do velho mundo. [...]
Desde os começos do século XV até os meados do século XVI verifica-se, ao consultarem-se as crónicas e velhos documentos, que afluíram a estas paragens Povoadores de origens diversas. Desta variedade de elementos que, no entanto, iam sendo dominados e nacionalizados pela acção forte dos portugueses, resultou, como era inevitável, um «tipo» novo e original, com características próprias sem que se esbatesse o o fundo lusitano, que ainda subsiste. [...]
Assim, todos os elementos que constituíram a base da população e de vida do Arquipélago da Madeira, formaram a grande fonte de riqueza, de variedade de costumes e do colorido originalmente típico que apresenta o Folclore madeirense.
Com os costumes medievos, que tão fundamentalmente se radicaram nestas Ilhas, nota-se em certos sectores da vida regional as reminiscências árabes e até um vago sabor levantino que se mantém nas danças, na música, nos hábitos, nos contos fantasiosos e até na bizarria dos trages."
(Excerto do Ensaio)
Alfredo António de Castro Teles de Meneses de Vasconcelos de Bettencourt de Freitas Branco (1890-1962). Também conhecido por Visconde  do Porto da Cruz. "Nasceu a 1 de janeiro de 1890, no Funchal, onde veio a falecer a 28 de fevereiro de 1962. Foi 1.º visconde do Porto da Cruz, título legalmente autorizado por D. Manuel II, no exílio, em abril de 1921, e reconhecido pelo Conselho da Nobreza em 1949.
Foi jornalista, publicista, escritor, membro de várias associações culturais e um profícuo promotor da cultura madeirense. Fundou, dirigiu e colaborou em diversos periódicos de cariz político, literário e cultural. Ao longo da sua vida abraçou vários projetos, credos e ideologias: foi monárquico, integralista, regionalista, nacionalista, nacional-sindicalista, fascista, revelando ainda uma faceta germanófila e antissemita."
(Fonte: http://aprenderamadeira.net/cruz-visconde-do-porto-da/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
15€

22 outubro, 2025

FRANCO, A. Bento -
UM LIVRO DE "VISITAS E PASTORAIS" DA FREGUESIA DA ERICEIRA (1609-1752)
. Lisboa, [s.l. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos Afonso & Moita, Lda - Lisboa], 1960. In-4.º (26x19 cm) de 26, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo para a história da Inquisição na vila da Ericeira, e os usos e costumes dos seus habitantes, publicado em separata do Boletim Cultural - Junta Distrital de Lisboa : N.ºs 53-54 - Janeiro/Dezembro 1960 - II Série.
Ilustrado no texto com fac-símiles de documentos, e tabelas com a Relação dos Curas e Párocos e a Relação dos Visitadores.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor. (O nome do destinatário foi suprimido).
"Não se trata de uma raridade, que a muitos desperte interesse, porque livros de «Visita» todas as freguesias os possuem e bastantes estarão arquivados, ficando, é certo, os que hoje existem, pelos muitos que se terão perdido. A análise, ainda que rápida, de um livro deste género é de interesse principalmente para a história das localidades e para o conhecimento dos usos e costumes passados e por isso nos metemos a desbravá-lo. [...]
Ajuízadas, de uma maneira geral e rápida, as características deste livro de «Visitas e Pastorais» e o esquema a que obedecia a sua ordenação, vamos procurar dar nota de mais alguns capítulos e passagens, que de qualquer modo possam excitar a curiosidade. Algumas dessas passagens poderão ter interesse pela forma de dizer, outras porque denotam hábitos e costumes, muitos dos quais hoje nos chocam, outros ainda, porque nos podem permitir completar algum juízo das transformações por que passou, a pouco e pouco, a Igreja de S. Pedro, até ao estado actual e também uma ou outra característica referente à vila."
(Excerto do Estudo)
António Bento Franco (1890-1960). "Nasceu na Ericeira, concelho de Mafra, numa terça-feira, dia 11  de Fevereiro de 1890. Em 1916 termina o curso de Medicina e nesse mesmo ano foi chamado a prestar  provas em nome do país como militar. Em 1918, e a convite de Sidónio Pais, dirigiu os  serviços de saúde na Azambuja como comandante militar e administrador, exerceu medicina  numa clínica particular em Lisboa (em Belém). Só em 1921 sua atividade foi exercida no  Hospital da Misericórdia da vila que o viu nascer, a Ericeira. Acumulava também o cargo de  Diretor das Termas de Santa Marta. Socialmente, fundou o Museu da Misericórdia e fez parte da Junta de Turismo de que  foi presidente até 1953. Pertenceu à Comissão de Restauração do Pelourinho e ainda à  Fundação do Cruzeiro. António Bento Franco era um médico de província, um género de  “João Semana” e aos mais carenciados não cobrava a consulta e ainda lhes facultava os  medicamentos gratuitamente. Bento Franco exerceu a sua profissão nas seguintes  freguesias: Ericeira, Carvoeira, Santo Isidoro e Encarnação. Estudou a etnografia da região  da Ericeira, nesta área deixou diversos trabalhos redigidos. Nas horas de lazer dedicava-se à  pintura a óleo, pintava igualmente aguarelas e desenhava a tinta–da–china; por exemplo,  pintou temas tão diferentes como “A Última Ceia” e o retrato do seu amigo Jaime Lobo e  Silva. Musicalmente, tocou, ao piano, algumas obras clássicas de diversos compositores, na  escrita notabilizou-se como poeta. António Bento Franco tem uma rua com o seu topónimo, a dita rua situa-se na  Encosta da Franca. Bento franco destacou-se pela sua dedicação à comunidade. Além da rua  possui o seu nome numa Escola Básica no concelho de Mafra, o estabelecimento de ensino  foi inaugurado a 1 de Outubro de 1984, mas só em 1997 a escola obteve o nome do ericeirense António Bento Franco. O humanista faleceu no dia 30 de dezembro de 1960."
(Fonte: https://www.aeericeira.net/antonio-bento-franco-biografia/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
15€

04 outubro, 2025

CUNHA, D. António Cardoso -
ORIGEM E EVOLUÇÃO DE ALGUNS COSTUMES FUNERÁRIOS.
[Por]... Bispo de Vila Real. Porto, [s.n.], 1986. In-4.º (23x16 cm) de, [1], 25, [1] p. (226-249 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Humanística e Teologia».
Interessante estudo sobre a  morte e os rituais fúnebres.
"Na antiguidade, havia a convicção de que os defuntos levavam, no além, uma vida obscura, mas em tudo semelhante à que tinham experimentado durante a existência terrena.
Por isso, na sepultura eram colocados, ao lado do cadáver, os objectos que o defunto utilizara na vida quotidiana, sobretudo os de sua especial predilecção . Assim a um guerreiro não podiam faltar as armas; a uma mulher, os objectos de toilette; a uma criança, os brinquedos com que se entretinha.
Esta mentalidade e prática ainda se encontram hoje entre os povos de cultura primitiva."
(Excerto de I - Banquetes funerários - No paganismo)
Estes usos e costumes persistiram em Portugal e ainda hoje se encontram manifestações e vestígios em algumas terras.
As Constituições da Diocese do Porto, de 1585, no título 18 fl. 78, determinam: «E para tirar os ritos e costumes que mais são de gentios que de cristãos, ordenamos e mandamos que em nenhum tempo se coma nem beba sobre as sepulturas dos finados nem se consinta fazer sob pena de serem punidos segundo a tal superstição merecer».
(Excerto de I - Banquetes funerários - Em Portugal)
Índice:
I - Banquetes funerários: - No paganismo; - Na sociedade cristã; - Banquetes em honra dos mártires; - Em Portugal. II - A viagem depois da morte. III - Espectaculares manifestações de pesar.
António Cardoso Cunha (Penso, Sernancelhe, 1915 - Chaves, 2004). "Foi um bispo português. Depois da instrução primária, bem como secundária e terminado o Curso de Teologia foi nomeado professor do seminário de Resende, por não ter idade canónica para ser ordenado sacerdote. A 16 de Abril de 1938 foi ordenado sacerdote por D. Agostinho de Jesus e Sousa, tendo sido nomeado pároco de Vila da Moimenta da Beira. Regressando ao Seminário de Resende como professor e Perfeito, foi depois estudar para Roma História Eclesiástica, na Universidade Gregoriana. Após ter voltado a Portugal, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário de Resende e, anos mais tarde, Vice-Reitor do Seminário de Lamego.
A 9 de Março de 1956 foi eleito Bispo Auxiliar de D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, com o título de Baris. A sua sagração episcopal celebrou-se na Catedral de Beja em 10 de Junho de 1956. Como auxiliar mostrou um grande acompanhamento do Seminário Diocesano (inaugurado em 1940), e uma grande proximidade com os sacerdotes, devendo-se a ele a formação qualificada de muitos deles. Foi também um dos padres conciliares portugueses no Concílio Vaticano II. Em 7 de Outubro de 1965 foi nomeado Administrador Apostólico de Beja, tomando posse por procuração. Ao morrer D. José do Patrocínio Dias em 24 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado para Bispo de Beja, a 18 de Dezembro, e D. António Cardoso Cunha foi nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real.
A 16 de Maio de 1966, D. António Cunha é nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real, com direito de sucessão a D. António Valente da Fonseca, tomando posse deste cargo a 3 de Julho de 1965. Com a resignação de D. António Valente da Fonseca a 10 de Janeiro de 1967, foi nomeado Bispo de Vila Real, resignando a 19 de Janeiro de 1991." Faleceu no Lar de Velhinhos das Irmãs dos Anciãos Desamparados, de Chaves, onde residia desde 1991, ano da sua resignação.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

09 agosto, 2025

LIMA, Augusto César Pires de -
AS ARTES E OS OFÍCIOS NAS TRADIÇÕES POPULARES.
Edições de «Portvcale». Porto, [s.n. - Marânus - Empresa Industrial Gráfica do Porto, L.da - Porto], 1947 [1950]. In-4.º (23,5x17 cm) de 95, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das Artes & Ofícios entre nós, e as manifestações populares, crenças e tradições associadas aos misteres que os acompanham desde tempos imemoriais.
Ilustrado no texto com bonitos desenhos de Gouveia Portuense e Cândido da Cunha, reproduções de quadros e gravuras, fotografias e partituras de canções populares ligadas aos ofícios.
"Hoje o campo das forjas regionais sob o ponto de vista artístico é mais limitado, pois os ferreiros preocupam-se quase exclusivamente com o lado material,  dedicando-se ao fabrico de portões grosseiros, ferros para as ramadas e para os carros de bois (meias-luas, etc.), arados (relhas, cegas, etc.), grades (dentes), o aguçar dos picos, e o calçar dos sachos, sacholas e enxadas.
Além das forjas fixas, há também os ferreiros ambulantes, que, segundo me informa o distinto pintos aguarelista Gouveia Portuense  circulam na Beira Alta com a sua pequena bigorna que lixam fàcilmente em terra, improvisando uma oficina.
Os ditos satíricos contra os ferreiros, como veremos, não revelam desprezo, ao contrário do que sucede com as artes de alfaiate e de sapateiro, onde se admitem homens fracos e até mutilados, e, portanto, objecto de mofa."
(Excerto de II - Os Ferreiros)
Índice:
1 - Os Alfaiates. II - Os Ferreiros: 1. Ditados; 2. Cantigas; 3. Canções de Cinfães;4. Contos e lendas; 5. Anedota. III - Os Moleiros: I; II; III; IV Folclore: 1) Epigramas; 2) Orações ou mandamentos do moleiro; 3) Cancioneiro; 4) Adivinhas; 5) Brinquedos; 6) Comparações; 7) Ditados8) Contos e anedotas. IV - ["Desilusões" do autor] | Santos patronos ou Advogados, cujas imagens figuravam nas bandeiras dos ofícios: Santos Advogados: [10]; Santos: 1. Albardeiros; 2. Almocreves; 3. Barbeiros; 4. Bufarinheiro; 5. Caldeireiro; 6. Cantadores, cantadeiras e tocadores; 7. Carpinteiros; 8. Carvoeiros; 9. Cesteiros; 10. Mineiros; 11. Pedreiros; 12. Saleiros; 13. Sapateiros; 14. Taberneiros, vendeiros e tendeiros; 15. Tecedeiras; 16. Trolhas.
Augusto César Pires de Lima ComIP (Santo Tirso, São Tiago de Areias, 1883 - Caldas da Saúde, 1959). "Foi um professor liceal, etnógrafo e filólogo. Licenciado em Direito, dedicou-se ao ensino e à investigação histórica e etnográfica, campo em que se destacou."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas manchas de acidez à cabeça.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

03 agosto, 2025

LUZ, Ruy Acácio da Silva -
A FAINA DA PESCA E O SEU VALOR ETNOGRÁFICO NO LITORAL OESTE : Costa das Três Praias (Pedrogão, Vieira e S. Pedro de Moel).
Esta Comunicação foi apresenta ao X Congresso Beirão na IV Secção (Evolução Histórica, Etnográfica, Fauna e Flora), etc. Coimbra, Comissão Regional de Turismo de Leiria, Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós e Vila Nova de Ourém - Rota do Sol, 1965. In-4.º (24x17 cm) de 32 p. ; [6] p. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho com valia regional, histórica e etnográfica sobre o Litoral Oeste, publicado em separata do Arquivo Coimbrão, vols XXI-XXII.
Ilustrado no final, em separado, com 12 fotografias/desenho a p.b. distribuídas por seis páginas.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Quando vindo das estradas, quer do Norte, quer do Sul, e atravessando o famoso Pinhal do Rei, alusão a El-Rei D. Dinis, seu genial plantador, deparamos sùbitamente, por entre o rendilhado de ramagens contorcidas, selvagens e verdes, com o mar Atlântico, bramindo em melopeia de búzio, ora para Norte contra rochedos e arribas, ora para sul em areias vastas que se alcantilam em impressionantes dunas.
Olha-se para aquela maravilha, como se houvéssemos recorrido «in mente» à visão suprema duma gigantesca rosa azul, e pétalas a desfolharem-se, em cambiantes brancas e de acidulado enxofre.
É uma ideal costa de três praias salientes: Pedrogão, Vieira e S. Pedro de Moel. Por assim dizer, elas são a porta batimétrica, formada por largo fundo de areia, por onde se escoa o sistema hidrográfico da bacia do Lis."
(Excerto de 1.º Ambiência natural, meio geográfico)
Índice:
1.º Ambiência natural, meio geográfico e bosquejo histórico do Litoral-Oeste: - Terras; - Mar e pesca; - Rio; - Flora e Fauna. 2.º Vida e tipismo das suas gentes: - Demografia; - Sociologia; - Trabalho; - Habitação; - Santo Padroeiro; - Costumes; - Trajos. 3.º Ocupação específica da pesca: - Barcos; - Pesca. modos e artes; - Companha; - Pescado. 4.º Pituresco da região, e a sua projecção etnográfica: - Clima; - Contraste e dualidades; - Faceta e carácter litorâneo, no todo nacional, como projecção etnográfica.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com acidez nas capas.
Muito invulgar.
20€

13 julho, 2025

SEABRA, Serafim de -
PRESÁGIOS E ENGUIÇOS. Adaptação de... Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Soc. Nac. de Tipografia - Lisboa], 1941. In-8.º (19,5x14 cm) de 90, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Quim.
Obra muito curiosa. Trata-se de um trabalho de recolha de crenças populares, verdadeira bíblia dos presságios, agouros e mau-olhado.
Raro e muito interessante. A BNP não menciona.
"Ninguém se atreveria, na antiguidade, a empreender, fôsse o que fôsse, sem consultar os deuses.
Os nossos avós adoptaram o costume de ser conformarem com os preságios e não admitiam que se relegassem para o número das fábulas as advertências que assim lhes eram fornecidas. [...]
Nos nossos dias, ainda se acredita, não só nos campos, mas nas cidades, nos preságios que certos animais anunciam, e, entre êles, deve citar-se o facto de haver quem, embora esteja um tempo lindo, cheio de sol, não seja capaz de sair de casa sem levar guarda-chuva, só porque viu o gato a passar, repetidas vezes, uma pata pelas orelhas, o que é sinal de chuva...
No campo, alguns maridos põem em dúvida a virtude das espôsas, se, ao atravessarem uma mata, ouvem cantar um cuco, ou se, num carreiro, apercebem um caracol com os «corninhos à vista."
(Excerto de A crença dos preságios)
"Como devem explicar-se os preságios?
O primeiro germe que engendrou cada um dêles, o primeiro facto sôbre que repousam estas crenças populares, que muitos filósofos classificaram de superstições, é impossível de encontrar, através das idades.
A verdade é que muitos fenómenos que, actualmente, nos são explicados pela ciência, tinham, para os nossos antepassados, um carácter misterioso. Êles ignoravam-lhes a causa; e o povo, da mesma forma que as individualidades da mais elevada categoria, atribuíam-nos a advertências divinas.
O paganismo tem sobrevivido assim em muitos preságios, e a credulidade pública é ainda hoje a mesma que na antiga Roma ou em Atenas.
É por isso que ainda se acredita:
no bom e no mau olhado;
na influência nefasta de certos números.
Dêste, forçoso é colocar, em primeiro lugar, o 13."
(Excerto de A explicação dos preságios)
Índice:
Primeira Parte: I - A antiguidade das artes de advinhação. II - A crença dos preságios. Os preságios e a Igreja. III - A explicação dos preságios.
Segunda Parte: Os preságios fornecidos pelos animais: I - Os quadrúpedes e os réptis: O boi - O burro - O cão - O carneiro e a ovelha - O cavalo - O elefante - O gato - O lagarto - O sapo - A serpente - A tartaruga - A toupeira - A vaca. II - As aves: Os abutres - A águia - A andorinha - O avestruz - O canário - A cegonha - O cisne - A coruja - O côrvo - A cotovia - O cuco - O frango - A gaivota - A galinha - O galo - A gralha - O melro - O môcho - O papagaio - O pardal - A perdiz - O perú - A pomba - O rouxinol - A toutinegra. III - Os peixes: A azevia - O camarão - O caranguejo - A Lagosta - O linguado - O lúcio - A sarda - A sardinha. IV - Os insectos: As abelhas - As aranhas - As môscas - Os  mosquitos . As pulgas.
Terceira Parte: Os preságios fornecidos pelos elementos e os preságios celestes: I - A água - O fogo. II - Os preságios fortuitos. As palavras - Os tremores - Os espirros. III - Os preságios celestes. A chuva - As trovoadas - O vento - O raio - Os planetas - As nuvens - A lua - O sol - As estrêlas - Mercurio - Marte - Jupiter - Vénus - Saturno.
Quarta Parte: Os preságios fornecidos pelas coisas inanimadas. Os preságios fortuitos. I - As ávores - As flôres - Os frutos - Os ovos.
Quinta Parte: Diversos preságios de boa e má sorte: I - Preságios de boa sorte. II - Preságios de má sorte ou enguiços.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

31 março, 2025

SIGLAS POVEIRAS. Catálogo da Exposição Documental e Bibliográfica
. Póvoa de Varzim, Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, 1979. In-4.º (23x16 cm) de 88, [12] p. ; ul. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da exposição temporária sobre "siglas poveiras", organizado por ocasião da transferência do acervo do Museu para a Associação Comercial, com o intuito de ser levado a cabo obras de restauro e conservação no espaço original, sendo aproveitada a circunstância para divulgar o rico espólio povoense.
Ilustrado com fotografias a p.b. alusivas à exposição, ocupando 7 páginas inteiras.
"Entre os assuntos propostos e discutidos para se iniciar este projecto de exposições, mereceu prioridade o das marcas ou siglas poveiras. Contemplava-se desta forma uma das manifestações mais curiosas da comunidade marítima do burgo e simultaneamente haveria ocasião para se prestar homenagem a António dos Santos Graça, seu primeiro autorizado estudioso, e à própria classe piscatória que durante séculos fez destes sinais seus «brasões de família».
Signo convencional gravado num objecto e destinado a transmitir uma indicação de posse, sem deixar por vezes de estar conotado com a simbologia mítica, a marca ou sigla, é para o pescador poveiro uma espécie de emblemática genealógica com regras precisas na observância do seu uso e transmissão. Na verdade, da casa ao túmulo; dos objectos domésticos às alfaias marítimas; nos arcazes das igrejas locais onde a prática religiosa o levava e nas portas dos templos das terras onde arribava ou ia em devota romagem venerar a imagem de sua devoção; nas embarcações, em que ganhava e arriscava a vida, e até na lousa que no cemitério assinalava a campa quando seus restos  mortais adregavam aí ser recolhidos - esse sinal de figuração geométrica, inspirado no meio circundante, foi utilizado pelos varões da grei como indicativo de propriedade ou presença."
(Excerto do preâmbulo de João Marques)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena mancha.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
35€

16 fevereiro, 2025

TORRES, Francisco Pinheiro -
"ADEUS, SENHOR DOUTOR" (coisas de Coimbra).
2.ª Edição. Coimbra, Coimbra Editora, L.da (Antiga Livraria França & Arménio), 1923. In-8.º (18 cm) de 49, [1] p. ; B.
Interessante visão poética da Coimbra estudantil, originalmente publicada em 1898. Esta reedição, organizada por Alberto Pinheiro Torres, irmão do autor - estudante de medicina - é uma homenagem à sua memória, patente no comovente preâmbulo - Duas palavras - que precede o poemeto.
"Á familia do malogrado auctor do «adeus, Senhor Doutor», foi solicitada auctorisação para a sua reimpressão.
A principio hesitamos porque o poemeto nem revella, nem define a personalidade de meu irmão Francisco, dotade de invulgares qualidades de talento, sobejamente demonstradas n'uma vida infelizmente curta, mas fecunda, de trabalho intteligente e honrado. [...]
Francisco Pinheiro Torres que depois da formatura até à sua morte, que ainda hoje choramos, se consagrou quasi exclusivamente ao seu lar, aos seus doentes, de quem era médico e amigo, e aos pobres, numa obra superior de bondade e de beleza moral, viveu exaustivamente, como poucos, a vida pitoresca, poética, alegre e suave dessa incomparável Coimbra, para onde não raro se volvem nossos cansados e saüdosos olhos. [...]
Buliçoso, saltitante, em perpétua vibração, era um fósforo a arder, como de nosso Pai dizia Camillo.
Eu, que fui seu companheiro, durante alguns anos, na inolvidável casa da rua da Trindade, a que tão ternamente se refere, sei como é sincero, bem do coração e como se resume todo o poemeto o sentidíssimo verso
Tenho a alma pegada a tudo isto!! [...]
Dêsse amor a Coimbra brotaram estes versos, repassados de emoção e de saüdade. Dessa romagem de alguns anos pela Lusa Atenas, como então se dizia, ficou êste poético roteiro, que é ainda actual, apesar de volvido um quarto de século, como o revela a amável e penhorante insistência para esta segunda edição.
Nestas páginas, estuantes de seiva e mocidade a cantar, revive, deliciosa, a amável tradição de Coimbra."
(Excerto de Duas palavras)

"Partir, partir e nunca mais voltar!
Partir, dizer adeus e nem pr'a traz olhar!
Não vão meus olhos ficarem por ahi.
Antes ficassem. Que n'esta terra eu vi
correr sorrindo a minha Mocidade,
de Santa Clara ao Penedo da Saudade.
Coimbra, toda cheiinha d'estudantes,
que á guitarra choram seus descantes.
Toda cheia de tricanas pelo Rio
Onde as lagrimas d'Ignez correm em fio."

(Excerto do poemeto)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

15 fevereiro, 2025

CARVALHO, João Vasco de -
MONOGRAPHIA DA FREGUEZIA RURAL DE OVAR, CONCELHO DE OVAR, NO DISTRICTO DE AVEIRO. Pelo agronomo... Boletim da Direcção Geral da Agricultura. Undecimo Anno : N.º 5 - Ministerio do Fomento. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1912. In-4.º (24x16 cm) de 72, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo monográfico sobre Ovar e o seu concelho, com interesse histórico, rural, social, geográfico, etimológico e etnográfico.
Curioso. Invulgar e muito importante.
Ilustrado com tabelas e quadros estatísticos no texto.
"Quem ha ahi, em Portugal, que não conheça Ovar, ao menos por tradição?
Quem ao invocar aquelle nome não se recordará do typo caracteristico, inconfundivel, da ovarina que, de saias engueifadas, pé descalço, grandes arrecadas de oiro, giga á cabeça, moireja pelas ruas de Lisboa, atroando os ares com os seus pregões?
Quando o seu andar lesto e sacudido contrasta com o passo indolente e incerto da lisboeta.
É que é gente robusta, de admiravel arcaboiço, como a inglêsa, que assenta o pé com ar senhoril, em attitude de desafio. Adivinha-se nella uma força invejavel - a força que provém de uma saude de ferro. Ovarinas lhes chamam uns, varinas outros. [...]
A composição ethnica da população não tem soffrido alterações dignas de nota.
Por decreto de 24 de outubro de 1855 os limites do termo da freguezia soffreram uma importante alteração: a Costa Nova do Prado, povoação importante e frequentada praia de banhos, e o sitio da Gafanha que faziam parte da freguezia de Ovar, por decreto de 31 d e dezembro de 1853, foram por desistencia do bispo de Porto incorporados na freguezia de Ilhavo.
A propriedade rustica de ha 30 annos a esta parte tem-se dividido muito e continua a manifestar accentuada tendencia para o retalhamento. [...]
As culturas teem soffrido notaveis variantes de então para cá: o trigo, o centeio, a cevada, a aveia e o arroz e ainda as pastagens e pinhaes occupavam quasi exclusivamente o solo aravel da freguezia, salpicado aqui e alli, nos sitios mais lenteiros e fundaveis, por nesgas de hortas e alguns linhares.
Hoje a feição é mui diversa."
(Excerto de I - Introducção)
Indice:
I. Introducção. II. Estado actual da freguezia: 1.º - Situação topographica. 2.º - Territorio e clima. 3.º - População. 4.º - Predios urbanos. 5.º - Predios agricolas. 6.º - Agricultura: Culturas hortenses: - do milho; - do arroz; - da junça, bajunça e caniço; da vinha. Mattas; Gados; Apicultura; Caça; Pesca. 7.º - Exploração agricola. 8.º - Industria. 9.º - Commercio. 10.º - Exploração conjuncta. 11.º - Capitaes. 12.º - Trabalho. 13.º - Hygiene. 14.º - Instrucção. 15.º - Previdencia. 16.º - Assistencial. 17.º - Estado moral e social. 18.º - Conclusões.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, com pequenos cortes.
Raro.
25€

13 novembro, 2024

NORONHA, Eduardo de – DIARIO DE UM POLICIA.
Scenas da politica e da rua, anotadas pelos jornaes
. Lisboa, Guimarães & C.ª, 1919. In-8.º (18,5 cm) de 232 p. ; E.
1.ª edição.
Obra satírica e muito invulgar sobre a Lisboa "subterrânea" da época, das menos conhecidas da bibliografia do autor.
Trata-se do Diário do guarda 444, Bonifácio da Madre de Deus, da 12.ª esquadra de Lisboa.
Obra não mencionada na Biblioteca Nacional.
"Vejamos quem era essa prestante entidade policial, que, de indole curiosa, methodica, systematica, por inspiração sua ou por suggestão alheia, se lembrou de redigir um Diario onde, n'uma serie de apontamentos lançados á pressa, um tanto atabalhoadamente, sem preoccupações gramaticaes, é certo, registou todos os acontecimentos que presenceava ou de que tinha conhecimento. O seu espirito de ordem levou-o a authenticar, ou melhor, a condimentar esse Diario collando ao lado as noticias referentes a esses successos publicadas nos jornaes de maior circulação. O diario regorgitava de notas, de factos, de observações, constituia um vasto, um amplo repositorio dos incidentes e episodios da vida politica e social de Lisboa."
(Excerto do texto)
Indice:
I – Atroz desapontamento. II – Episodios e caricaturas. III – Gatunos e receptadores. IV – Larapios e rufias. V – Arruaças e arruaceiros. VI – Artistas de… cabeça. VII – Casamentos e lôgros. VIII – O «flirt» do animatographo. IX – Subsistencias e… falsificações. X – A nove I… XI – Somnambulas e videntes. XII – Superstições e candices.
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
30€