16 fevereiro, 2026

CUNHA, António Cardoso -
S. CIPRIANO, PADROEIRO DE BRUXOS E FEITICEIROS
. [Por]... Bispo de Vila Real. Porto, [s.n. - Composto e impresso nas Ofic. Gráf. da Livraria Cruz - Braga], 1983. In-8.º (23,5x16 cm) de, [3], 28, [1] p. (252-279 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Humanística e Teologia» : Tomo IV - Setembro-Dezembro de 1983 - Fasc 3.
Interessante trabalho sobre superstição e crendice, e a influência que S. Cipriano teve nos rituais e práticas de bruxaria e feitiçaria.
"Os esforços feitos pelos Padres e homens da Igreja para extirpar na nova sociedade cristã hábitos supersticiosos longamente enraizados não foram totalmente coroados de êxito.
Para muitos cristãos era (e ainda hoje é) possível conciliar a prática da vida cristã com a credulidade supersticiosa. As proibições mais ou menos severas das autoridades civis e religiosas foram inúteis.
Na cristandade medieval, os profundos sentimentos religiosos que floriram nas artes, nas Sumas Teológicas, nas Cruzadas e em tantas outras manifestações de piedade individual e colectiva não puderam exterminar a cizânia da crendice que, por toda a parte, contaminava o povo cristão. A ignorância das massas populares, favorecida pela falta de cultura da grande maioria dos sacerdotes que tinham a missão de as orientar e esclarecer, tornava o terreno propício ao ressurgir de antigas superstições. [...]
Os germanos introduziram na cristandade medieval as ordálias ou juízos de Deus que já existiam em alguns povos da antiguidade pagã. Esse bárbaro costume, que floresceu na Alemanha e na França, era aceite como prova irrefutável nos tribunais.
Os suspeitos de crimes gravíssimos eram submetidos pelas autoridades a deter minadas provas (ou eles espontaneamente pediam) com o fim e se averiguar a sua inocência ou culpabilidade .
As modalidades mais frequentes eram o duelo, deitar sortes (sorteio), a prova de fogo, do ferro em brasa (ferro caldo) e a prova da água quente e fria.
Havia a ingénua convicção de que Deus intervinha milagrosamente na defesa dos inocentes e no castigo dos culpados."
(Excerto de A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento)
Índice:
Actas dos Santos Mártires Cipriano e Justina: I - Conversão; II - Confissão; III - Martírio. | Lenda ou História? Confusão de Cipriano de Antioquia com Cipriano de Cartago | A Magia Profundamente Enraizada na Sociedade Pagã não Desapareceu Subitamente com a Vinda do Cristianismo | A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento | As Actas de Cipriano e Justina Fazem Parte duma Literatura Característica dos Primeiros Séculos da Era Cristã | A Lenda de Cipriano Renasce e Renova-se Através dos Séculos | O Livro de S. Cipriano | Conclusão.
António Cardoso Cunha (Penso, Sernancelhe, 1915 - Chaves, 2004). "Foi um bispo português. Depois da instrução primária, bem como secundária e terminado o Curso de Teologia foi nomeado professor do seminário de Resende, por não ter idade canónica para ser ordenado sacerdote. A 16 de Abril de 1938 foi ordenado sacerdote por D. Agostinho de Jesus e Sousa, tendo sido nomeado pároco de Vila da Moimenta da Beira. Regressando ao Seminário de Resende como professor e Perfeito, foi depois estudar para Roma História Eclesiástica, na Universidade Gregoriana. Após ter voltado a Portugal, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário de Resende e, anos mais tarde, Vice-Reitor do Seminário de Lamego.
A 9 de Março de 1956 foi eleito Bispo Auxiliar de D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, com o título de Baris. A sua sagração episcopal celebrou-se na Catedral de Beja em 10 de Junho de 1956. Como auxiliar mostrou um grande acompanhamento do Seminário Diocesano (inaugurado em 1940), e uma grande proximidade com os sacerdotes, devendo-se a ele a formação qualificada de muitos deles. Foi também um dos padres conciliares portugueses no Concílio Vaticano II. Em 7 de Outubro de 1965 foi nomeado Administrador Apostólico de Beja, tomando posse por procuração. Ao morrer D. José do Patrocínio Dias em 24 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado para Bispo de Beja, a 18 de Dezembro, e D. António Cardoso Cunha foi nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real.
A 16 de Maio de 1966, D. António Cunha é nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real, com direito de sucessão a D. António Valente da Fonseca, tomando posse deste cargo a 3 de Julho de 1965. Com a resignação de D. António Valente da Fonseca a 10 de Janeiro de 1967, foi nomeado Bispo de Vila Real, resignando a 19 de Janeiro de 1991." Faleceu no Lar de Velhinhos das Irmãs dos Anciãos Desamparados, de Chaves, onde residia desde 1991, ano da sua resignação.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

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