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27 outubro, 2026

REVISTA DE CULTURA AÇORIANA.
Lisboa, Ano I, n.º 1, 1989. Director Eduíno de Jesus. Lisboa, Casa dos Açores, 1989. In-4.º (23x16 cm) de 191, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação periódica, efémera, editada pela Casa dos Açores de Lisboa e dirigida pelo ensaísta, crítico literário e poeta açoriano Eduíno de Jesus.
Trata-se do primeiro número desta revista de assuntos açorianos que conheceria apenas mais dois números, publicados, respectivamente, em 1990 - o n.º 2, e 1991 - o n.º 3.
Ilustrado no texto com desenhos e reprodução de gravuras e fotografias antigas.
"A 3 de Novembro de 1534, pontificando em Roma Paulo III, foi criada a diocese de Sancti Savatoris, na cidade de Angra, Ilha Terceira (Açores), pela bula Aequum reputamos.
Para a sua consecução largamente contribuiu o espírito cristão e os meios diplomáticos do governo do grande Rei que foi D. João III, cognominado o «Piedoso».
Documentos antigos fundamentam a ideia de que uma diocese nas Ilhas atlânticas proviria, pelo menos, já desde o ano de 1528, em que fôra feita mercê régia a D. António de Azevedo Coutinho do bispado das ilhas Terceiras.
Eram estas parcelas na primeira metade do século XVI já tão povoadas de muitos fidalgos, cavaleiros e escudeiros, com muitas e grandes fazendas, mercadores, e de grande riqueza - assim se expressava o Rei D. João III ao seu enviado diplomático junto da Santa Sé D. Martinho de Portugal. - invocando ainda o «muito grande acrescentamento que é feito nas ilhas Terceiras que são tantas e tantas legoas de meus regnos»."
(Excerto de A diocese de Sancti savatoris dos Açores : sua origem)
Sumário:
Da diocese de Sancti Savatoris dos Açores. Sua origem, por Valdemar Mota | Dois textos de Luís Ribeiro e Francisco de Lacerda, sobre o Cancioneiro Açoriano, por J. M. Bettencourt da Câmara | Polícias e Ladrões, por Luiz Fagundes Duarte | Um Poeta Açoriano do séc. XVII: D. Fradique da Câmara e Toledo. Breve Notícia da sua vida e obra | Um jantar no séc. XVIII em casa do Morgado Açoriano José Street de Arriaga, em Carnide, contado por William Beckford | Emigração Clandestina dos Açores para o Brasil no séc. XIX, por José Guilherme Reis Leite | Antero de Quental e Sousa Martins, por Ana Maria Almeida Martins | Um poema açoriano de Junqueiro?, por António Manuel Couto Viana | Os Açores Vistos por Lady Brassey, por Maria dos Remédios Castelo Branco | Alice Moderno e a condição feminina, por Maria da Conceição Vilhena | Miguel Alvim, Biografia e alguns inéditos, por Eduíno de Jesus | Aspectos poéticos e Ontológicos de um poema de Vitorino Nemesio, por Eduardo Ferraz da Costa | Algumas considerações sobre a sociedade açoriana contemporânea, por António Brandão Moniz | Poesia | Oh. Zé Petinga, conto, por Diniz da Luz.
Exemplar em brochura, bem conservado. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e insular.
20€

16 outubro, 2026

COELHO, J. M. Latino -
VASCO DA GAMA.
Primeira Parte [Segunda Parte]. Por... Galeria de Varões Illustres de Portugal, N.º 2. Lisboa, David Corazzi - Editor : Empreza - Horas Romanticas, 1882. 2 vols in-8.º (19,5x13 cm) de [12], 282, [4] p. ; [1] f. il. ; (I) e [4], 371, [5] p. ; [1] mapa desdob. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Obra biográfica de fôlego - em 2 volumes - sobre o grande navegador português e seus feitos. Na primeira parte o autor escreve sobre o contexto pré-Descobrimentos e consagra o estudo aos navegadores que precederam Vasco da Gama. 
Ensaio muito completo, ilustrado com o retrato de Vasco da Gama no volume I e um  mapa desdobrável com o caminho marítimo para a Índia no volume II.
"Quando as sombras da edade média começavam de tingir-se com os primeiros arreboes do Renascimento, duas inspirações e dois anceios agitavam o espírito europeu, já porventura fatigado da sua via interior e domestica, já pesago da multiforme e dilatada civilisação, que ao pleno despertar da intelligencia haveria de converter a velha Europa em luzeiro de toda a humanidade e em soberana região do globo inteiro. [...]
A Europa sente no XV seculo  que mais altos destinos, que os da vida quieta e remansada, a estão appelidando para novas e grandissimas emprezas. Não lhe podem já bastar á nervosa actividade as guerras interiores e as contenções domesticas sem fructo e sem valor. Pressente que uma nova transformação, vagamente suspeitada, é já agora necessaria ao seu viver. É do Norte que desponta, com a imprensa, a primeira e grandiosa innovação, o instrumento precioso de cultura intellectual. Pois, ao contrario, será das terras europêas do Meio-Dia e Occidente que ha de brotar e florescer outra rama não menos inesperada da civilisação universal. Descobre Guttemberg o apparelho, em que se corporifica e perpetúa o pensamento. Mas é em Portugal que hão de nascer as mais assombrosas maravilhas, que o prelo e os typpos moveis hão de escrever e recontar."
(Volume I - Excerto de I. O seculo XV)
"Desde as primeiras navegações nas costas africanas nos primeiros annos do XV seculo, até á viagem memoravel de Bartholomeu Dias, tinham sido perseverantes e continuos os esforços da gente portugueza para traçar no Oceano o caminho ás remotas regiões do Oriente.
A Boa Esperança, figurada no cabo, que se havia alfim dobrado, não foi enganosa, nem mentida. O rei, a cuja ambição de descobrir a India e o seu famoso Preste, se devia como estimulo  ousada navegação, - o maior feito naval dos portuguezes até áquelle tempo, - desejava seguramente continuar a empreza começada, e para isso havia já mandado cortar e apparelhar as madeiras necessarias para os navios, que haviam de proseguir alem do Cabo o auspicioso descobrimento. [...]
A Bartholomeu Dias, que já tinha visto o pouco hospitaleiro recebimento, com que o velho Adamastor dava as boas vindas aos que ousavam affrontal-o, mandou el-rei que tivesse a seu cuidado o acabar a feitura dos navios, que haveriam de ir á nova expedição. O anno de 96 passou-se nos apercebimentos da frota, que ficou para sempre memoravel. E no anno seguinte de 1497, no mez de janeiro, estando el-rei D. Manuel em Extremoz, segundo a narrativa de Damião de Goes ou em Montemór o Novo, conforme a narração de Barros, mandou chamar a Vasco da Gama e lhe deu o governo da expedição depois de algumas palavras..."
(Volume II - Excerto de I. O novo caminho da India)
José Maria Latino Coelho (1825-1891). "Nasceu em Lisboa, a 29 de novembro de 1825, e faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891. Frequentou o curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, tendo sido promovido a alferes (1848), tenente (1851), coronel (1878), coronel (1878) e general de brigada do Estado Maior de engenharia (1888). Foi lente substituto de Mineralogia e Geologia na Escola Politécnica (1851); deputado (1854, 1857, 1860, 1862, entre outras) e candidato republicano (1889 e 1890); par do Reino e ministro da Marinha (julho de 1868 a agosto de 1869); integrou o diretório do Partido Republicano (1883; foi membro da comissão para a reforma da Academia das Belas Artes de Lisboa; escritor e jornalista, colaborou em diversos periódicos, tais como Revolução de Setembro (1849), A Revolução, A Emancipação, Revista Peninsular, Século e A Semana, por si fundado em 1851, e diretor do Diário de Lisboa (1859).
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio efetivo da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 18 de maio de 1855, tendo integrado a 3.ª Secção (Ciências Histórico-Naturais) e sido secretário entre 1856 e 1891, bem como secretário da classe, cujo cargo exercera durante o mesmo período."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/15)
Encadernações em tela com ferros gravados a seco e a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Ocasionais manchas de oxidação no interior.
Muito invulgar.
45€

15 outubro, 2026

BRAGA, General José da Silva -
INVASÕES ALLEMÃES E ANTECENTES HISTORICOS.
Pelo... A Grande Guerra Universal de 1914 á 1918. Rio de Janeiro, P. Briguiet & Cia : Paris, L. Jablonski & Fils, 1922. In-8.º (18,5x12 cm) de [2], XVII, [1], 238, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Visão da Grande Guerra pouco tempo após o cessar das hostilidades. O autor, militar de carreira, analisa com detalhe o panorama geopolítico, as estratégias e as invasões que desencadearam a Primeira Guerra Mundial, o desenrolar do conflito e suas consequências.
"O mundo inteiro assistio, sob as dolorosas impressões dos maiores terrores imaginaveis, a mais terrivel guerra que a humanidade terá de consignar na sua historia, como se fosse um cataclisma universal, que, convulsionando a terra, abalou os mais profundos alicerces das melhores organisações sociaes, destruindo outras que existiam em situações instaveis!...
Os solos das diversas nações principaes, foram transformados em verdadeiros campos de batalha, onde se chocaram  grandes massas humanas em sangrento furor, se alinhando nessa pavorosa cruzada, de um lado, as ambições de dominio, de uma raça orgulhosa, concretisadas na pessõa de um chefe, que dirigia de facto, um grande partido militarista, o qual conservava ainda, em seus habitos hereditarios, os resaibos das remotas eras; de outro lado, os povos civilisados que se bateram gloriosamente, reagindo contra essas mesmas ambições, revestidas de caracter vandalico, em uma época que não mais comportava a acção conquistadora dos tempos passados, principalmente porque, áquelles, deviam antes considerar, os que lhes proporcionaram a assimilação da grande cultura e consequente progresso, que apresentaram, depois de 15 seculos de evolução, a partir de Clovis!... [...]
Foi assim, que a Allemanha, conduzida pelo pensamento Prussiano, acastellada no seu orgulho militar, procurando tragar o universo, sem medir as consequencias dos crimes que commeteu, rompendo tratados como se fossem farrapos de papel (papiers Chiffonnés), lançando seu desafio num gesto audacioso ás nações civilisadas, depois do crime de Serajewo, infundindo o terror sem respeitar as leis convencionaes da guerra moderna, viu cahir por terra todos os seus gigantescos castellos de conquistas, para se abater deante da espada da justiça brandida pelos Alliados, tendo como principal baluarte a França, e a Inglaterra com seu formidavel bloqueio naval!..."
(Excerto do Prefacio)
Indice das materias:
Primeira Parte: Prefacio | I - O Kaiser. II - A Declaração de Guerra e seus principaes Antecedentes Diplomaticos. III - Sobre a Austria, etc. III bis - A Guerra. IV - A Capitulação. V - Conferencia de Paz.
Segunda Parte: I - Antecedentes Allemães. II - A Russia Bolchevista. III - Augusto Comte. IV - Conclusão.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade visível na contracapa e derradeiras páginas do livro junto ao festo.
Raro.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

06 outubro, 2026

SALGADO, Heliodoro - O CULTO DA IMMACULADA.
Estudos criticos e historicos sobre a mariolatria. Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, editora, 1905. In-8.º (20x13 cm) de LXIV, 380, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do culto mariano sob o ponto de vista "republicano", o do autor, de oposição à autoridade religiosa.
A obra organiza-se em nove capítulos principais e apêndices que abordam temas como as origens da figura da Virgem antes do Cristianismo, a análise à face dos livros sagrados, a evolução histórica do culto, a dogmática da Imaculada Conceição e da virgindade, festas, milagres e o fenómeno de Lourdes, culminando nas manifestações reacionárias de 1904, além de apêndices dedicados a Pio IX e ao Syllabus. (IA)
"Na obra dum propagandista - e a esse modesto papel tem de se limitar quem, como o que isto escreve, não dispondo de uma profunda erudição, apenas póde cooperar  no progredir mental dos  seus concidadãos, estudando os fructos do labor alheio, resumindo-os e vularisando-os - na obra dum propagandista, dizia eu, não é de todo indifferente  attender-se a quaes foram os motivos, quaes as circumstancias que lhe determinaram a actividade cerebtral, no sentido do apostolado a que se dedicou.
Um pouco talvez fóra da razão, eu sou tido na conta de padrophobo. Isso resulta de, no nosso pequeno meio intellectual, após as violentas campanhas contra o clericalismo promovidas pelo grupo saudoso do antigo Diario da Tarde, não ter havido quem tão systematica e persistentemente tenha estada na brecha, a guerrear a Fé em nome da Razão, a Egreja em nome da Liberdade, o Christianismo em nome da Justiça.
Mas, afinal, como pude eu fazer-me livre-pensador? Como foi que, filho de paes catholicos, creado na fé catholica, educado num collegio, não dos que poderemos classificar clericaes, mas, emfim, religioso pelo menos, como foi que a duvida primeiro, a descrença em seguida, mesmo até certo ponto a impiedade leviana, puderam abalar-me o espirito, penetrar-me no coração, e accender-me na mente todos os impetos de revolta?
Como foi que isto occorreu?...
(Excerto de Conversa preambular - I)
"A Humanidade teve sempre, mais ou menos, p gosto pela metaphysica. Onde a sua falta de saber positivo obstou a que ella chegasse ao conhecimento da verdade, idealizou, fantasiou, e como a fantasia, qualquer que seja a sua potencia creadora, não póde deixar de trabalhar com elementos preexistentes, começando indirectamente por si a demonstração de que «do nada, nada se cria», succede muitas vezes que a Humanidade tem attribuido ao que se passa fóra de si o que em si lhe mostrou a observação realisar-se, e assim faz do Universo qualquer coisa de animado em que se reproduz, engrandecido ainda, todo o drama da nossa vida.
«Porque vivemos nós?...»
(Excerto de I - A Virgem antes do Cristianismo - 1.º)
Indice:
Conversa preambular | I - A Virgem antes do Cristianismo. II - Crença actual relativa á Virgem. III - A Virgem á face dos livros santos. IV - Evolução da superstição marinista até Pio IX. V - A Immaculada Conceição e a Virgindade de Maria. VI - As festas da Virgem. VII - Milagres da Virgem. VIII - Lourdes, - Culto das grutas e das fontes. IX - As manifestações reaccionarias de 1904. | Appendice: I - Pio IX;II - O «Syllabus».
Heliodoro Salgado (Santiago de Bougado, Trofa), 1861 - Lisboa, 1906). "Foi um intelectual, jornalista e publicista republicano e livre-pensador, que se notabilizou como militante anticlerical e propagandista dos ideais republicanos. Foi descrito como "protótipo do proletário intelectual" e considerado "um dos progenitores do anarquismo intervencionista". Foi iniciado na Maçonaria em 1890."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com rótulo e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Ostenta ex-libris de Luís Alberto Pinto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
40€
Reservado

03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

19 setembro, 2026

NUNES, Coronel J. Lúcio -
AS BRIGADAS DA CAVALARIA PORTUGUESA NA GUERRA PENINSULAR.
Separata da Revista 'Ocidente'. [Por]... Director da Biblioteca do Exército. Lisboa, Edição de Álvaro Pinto, 1954. In-4.º (25x18,5 cm) de 57, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Estudo de referência centrado na reestruturação táctica e regulamentar da arma de cavalaria, e nas doutrinas de combate adoptados na época para face aos exércitos de Napoleão, durante as Invasões da Península (1807-1814).
"Quando Junot invadiu Portugal e entrou em Lisboa no dia 30 de Novembro, o nosso exército encontrava-se num período crítico de transformação em consequência da reorganização decretada em 1806. A cavalaria achava-se quase sem homens e sem cavalos.
A 19 de Maio de 1806 publicaram-se dois decretos que foram já de grande utilidade prática, sendo um deles relativo aos uniformes. O outro, com o fim de evitar confusões, mandava organizar o exército em divisões e brigadas e ordenava a numeração dos Regimentos. E, assim, os Regimentos de Cavalaria ficaram numerados de 1 a 12, deixando de ser designados pelo nome das localidades de guarnição ou dos seus comandantes."
(Excerto de II - Organização e situação da Cavalaria Portuguesa durante a Campanha - Ano de 1807)
Índice:
I. - Considerações prévias. II. - Organização e situação da Cavalaria Portuguesa durante a Campanha. III. - Acções em que tomaram parte a as brigadas de Cavalaria: a) Campanha de 1810; b) Campanha de 1811; c) Campanha de 1812; d) Campanha de 1813. IV. - Curiosidades. V. - Considerações finais. VI. - Documentos.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Sem capas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

06 setembro, 2026

PEREIRA, Isaías da Rosa -
AS CONSTITUIÇÕES SINODAIS DE ANGRA DE 1559
. [S.l.], [s.n. - Gráfica Maiadouro], 1983. In-8.º (201,5x16 cm) de [16] p. (809-824 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo histórico publicado em separata do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLI (1983).
"A diocese de Angra foi erecta pela bula Aequum reputamus, de 3 de Novembro de 1534, fará dentro em pouco 450 anos. [...]
O primeiro bispo da nova diocese foi D. Agostinho Ribeiro, nomeado pela bula Gratie divine premium,  também de 3 de Novembro de 1534, cujo texto adiante se transcreve.
Nesta bula, como em outros documentos da Santa Sé referente à criação da diocese, vem sempre errada a posição geográfica da igreja de S. Salvador, que seria a catedral. Na verdade, esses documentos situam a dita igreja na ilha de São Miguel. É certo, porém, que o bispo das ilhas dos Açores recebeu como título, e assim se deve chamar, Bispo de S. Salvador de Angra, com jurisdição em todas as Ilhas que ficaram constituindo o bispado novamente erecto."
(Excerto de As Constituições Sinodais de Angra de 1559)
Isaías da Rosa Pereira (1919-1998). "Nasceu na Horta, a 1 de Dezembro de 1919. Entrou para o Seminário dos Olivais em 1946, saindo presbítero em 1950. Recebeu todas as ordens sacras na Sé Catedral de Lisboa, conferidas por D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, estudou na Faculdade de Direito Canónico da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica), de onde saiu licenciado em 1954. Em 1965, matriculou-se na Universidade Pontifícia de Salamanca onde concluiu o curriculum ad lauream e apresentou tese de doutoramento com o título Sínodos medievais portugueses (séculos XIII-XV), obtendo a mais alta classificação. Em 1988 prestou provas de Agregação na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor de Teologia no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa (1961-1964). Especialista em história do Direito Canónico Medieval, foi convidado para Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1973, onde leccionou durante 20 anos, jubilado como Professor Associado. Todavia, foi como professor de Paleografia e Diplomática medievais que a sua actividade docente se mostrou mais produtiva. Deixou colaboração dispersa por jornais açorianos. Com os resultados da sua investigação publicou cerca de duas centenas de títulos em revistas nacionais e estrangeiras, muitos deles sobre a história da Inquisição em Portugal. Aos Açores interessam alguns estudos sobre a Inquisição e as Constituições Sinodais do bispado de Angra."
(Fonte: https://www.goodreads.com/author/show/14089540.Isa_as_Rosa_Pereira)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 setembro, 2026

PEREIRA, Frederico A. - OS ELEPHANTES. Por... Consul de Portugal em Siam. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, 1890. In-8.º (19x13 cm) de [2], 104, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre o elefante asiático, primeira (e única) obra que sobre o assunto se publicou entre nós.
Raro e muito curioso.
Ilustrado com uma estampa do animal em separado.
"Não vamos fazer um estudo profundo sobre este assumpto. O nosso intuito é sem pretensões e visa simplesmente a fazer conhecer o quanto o elephante é um animal util ao homem pela sua intteligencia."
(Excerto de O elephante historico e de guerra)
"A Africa possue elephantes, mas não têm até hoje sido utilisados como animaes domesticos e de grande beneficio para quem os educasse, como acontece na Asia. No continente negro ignora-se mesmo um modo qualquer de os apanhar vivos, o que é de certo uma grande falta que se fosse remediada poderia ser um bom elemento de riqueza e de progresso. Oxalá que o meu trabalho, no que diz respeito á sua utilisação na Asia, possa contribuir para que de futuro se olhe para este pachiderme em Africa, como mais necessario como simples animal de caça: O seu marfim cujo valor augmenta com a edade, é nada comparado com os valiosos serviços que elle póde prestar á humanidade.
O elephante póde viver de 160 a 200 annos. Porém está sujeito a muitos contratempos que lhe abreviam a existencia: O homem mata-o quando póde; os animaes ferozes fazem-lhe uma guerra constante; entre si acontece em certas circumstancias que entram em lucta e sempre um dos contendores morre e ás vezes o outro pouco lhe sobrevive; a natureza apresenta grandes obstaculos á sua enorme massa, produzindo accidentes que acabam por matal-os, além de impedirem a sua reproducção. D'ahi resulta que a sua existencia está calculada na media de 70 annos. [...]
Os elephantes no estado selvagem andam sempre em rebanhos e obedecem ao mais velho ou ao mais forte, áquelle que melhor os póde guiar. Estes rebanhos compõem-se geralmente de 100 a 150. Obedecem ao seu chefe e é raro haver desintelligencia entre elles. A boa harmonia cessa quando um, menos soffredor, ou por ciumes, ou mais exigente que os outros, ou porque foi perturbado nos seus amores ou nas suas affeições, se mostra descontente e começa a maltratar os camaradas. O agressor vê então todos ligarem-se contra elle e depois de terriveis combates, humilha-se, mas altamente irritado; a companhia torna-se-lhe odiosa e para occultar a sua vergonha, sepára-se e refugia-se nas florestas. Este isolamento reage sobre o seu humor e azeda-lhe o caracter a tal ponto que se torna altamente perigoso para os seus semelhantes, para os outros animaes e para o homem; então mata tudo o que encontra. D'ahi provêm os nomes que lhes dão na Asia, de solitarios - matadores -; por isso é que o governo da India Ingleza dá um premio a todo aquelle que matar um de estes terriveis desertores."
(Excerto de O elephante selvagem)
Índice
:
- O elephante historico e de guerra. - O elephante selvagem. - Como se apanham elephantes. - Um captivo por amor. - A educação dos ellephantes. - O elephante em diversos serviços. - O elephante galante. - O elephante na familia. - O elephante combatente. - O elephante branco. - O elephante branco na Birmania. - O elephante branco em Siam.
Frederico António Pereira. Foi um diplomata, administrador colonial e escritor português do final do século XIX, cuja carreira ficou marcada pela sua prolongada missão no Sudeste Asiático. Exerceu as funções de cônsul de Portugal no Reino do Sião (atual Tailândia) entre 1886 e 1898. Geriu as complexas relações jurídicas e comerciais decorrentes dos tratados luso-siameses, lidando diretamente com o estatuto de proteção consular concedido a súbditos portugueses e a milhares de imigrantes chineses protegidos pelo consulado. O seu mandato foi caracterizado por posições firmes e controversas; chegou a entrar em conflito direto com o governo siamês devido à jurisdição sobre trabalhadores locais, o que gerou pedidos de sindicância e acesos debates epistolares com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Manteve uma articulação constante com o Governador de Macau, pedindo com frequência apoio naval (como o envio de canhoneiras) para reforçar a influência diplomática portuguesa na região do rio Chao Phraya.
Como a maioria dos diplomatas nessa época, Frederico António Pereira acumulava as funções de representação com o estudo científico, geográfico e etnográfico das regiões onde estava colocado. A sua estadia permitiu-lhe recolher material para tratados pioneiros em língua portuguesa sobre a fauna, as tácticas militares locais e as tradições asiáticas. Publicou Georgina : poema sentimental (1885), seguido pelo seu tratado etnográfico Os Elephantes (1890), e mais tarde, uma obra de fôlego sobre as relações entre o Sião e a Birmânia - The political intercourse between Siam and Burmah (1895). (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem as capas originais. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
50€

28 agosto, 2026

GOMES, Joaquim da Conceição - O MONUMENTO DE MAFRA : descripção minuciosa d'este edificio.
Idéa geral de sua origem e construcção e dos objectos mais importantes que constituem esse grande todo. Por... Empregado no mesmo edificio. Mafra, [Editor - Augusto Taveira Pinto] - Typographia Mafrense, 1866. In-8.º (20,5x12,5 cm) de 108, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta obra singular sobre o Convento de Mafra, multiplamente replicada ao longo dos anos, sobretudo no século XIX, mas também no século XX, por Joaquim da Conceição Gomes, antigo conservador da Real Basílica de Mafra.
"A 35 kilometros ao norte de Lisboa e 20 ao nordeste de Cintra está situada Mafra, povoação antiquissima tomada por D. Affonso Henriques aos mouros em 1146. D. Diniz lhe deu o foral de villa em 1304, e foram d'ella senhores os condes de Penella. [...]
É ahi que existe o mais gigantesco edificio de Portugal, e talvez um dos mais bellos e gigantescos a Europa. Comquanto seja fria e melancholica, a primeira impressão que o viajante recebe ao vêr aquella massa descommunal, não póde todavia eximir-se de prestar-lhe homenagem, quando passa a examinar os seus pormenores. Parece impossivel como apesar da força de vontade inexcedivel do monarcha, e dos muitos milhões de crusados ali empregados, se póde no curto espaço de 13 annos concluir uma construcção  tão grandiosa e soberba."
(Excerto de I - Mafra)
Indice:
I - Mafra. II - O edificio de Mafra - começo as obras - inauguração - continuação das obras - sagração - conclusão dos trabalhos. III - Frontispicio - torres - relogios e carrilhões - torreões - faces lateraes - parallela da linha de frente - exterior do templo - zimborio. IV - Atrio e vestibulo do templo - templo e cupula do zimborio - acessorios do templo - jogo de luz. V - Sachristia - casa do lavatorio - casa da fazenda - corredor das aulas - sala d'actos - casa do capitulo - campo santo - refeitorio - cosinha - enfermaria - portaria-mór - escada do convento - jardim. VI - Vestibulos do palacio - escada principal - mezzaninos - palacio - aposentos reaes - bibliotheca - cerca - jardim. VII - Reflexões - pára-raios - canalisação - considerações - notas. VIII - Inauguração e sagração - (festejos).
Bonita encadernação contemporânea meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta pequeno restauro no pé das primeiras seis folhas.
Raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
40€

27 agosto, 2026

FELGAS, Hélio Esteves -
A REVOLTA MILITAR NO CONGO.
[Por]... Major de Infantaria. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G. - Lisboa], 1960. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 107, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo coevo, muito completo, acerca da emancipação do Congo Belga, e tudo o que se seguiu, questão melindrosa que muito interessava a Portugal, potência colonizadora vizinha (com extensa linha de fronteira no norte/nordeste de Angola), pelo perigo de contágio independentista que representava, e que muito preocupava o regime. A proclamação da independência do Congo Belga (actual República Democrática do Congo) ocorreu a 30 de Junho de 1960, marcando o fim de 80 anos de domínio colonial da Bélgica. A Guerra Colonial eclodiria 9 meses mais tarde, precisamente no norte de Angola.
Esta é a obra de um oficial experiente do Exército Português, conhecedor do contexto, que olha para o assunto com as mesmas dúvidas e receios do Estado face aos ventos de mudança em África.
Ilustrada no texto com mapas e fotografias a p.b.
"Cinco dias apenas após a Proclamação da Independência, a República do Congo viu-se sùbitamente sacudida por uma inesperada revolta geral da «Force Publique» manifestada em uma tremenda explosão de xenofobia.
Sem meios para se fazerem obedecer , sem prestígio, sem coesão, sem qualquer maturidade política ou administrativa, os governantes congoleses desorientaram-se e assistiram impotentes ao resvalar do País para a anarquia e para o caos. Resvalamento esse que era há muito aguardado por quem, como nós, estudou e evolução dos acontecimentos que precederam a concessão da Independência pelos belgas, e conhecia o atraso geral das populações indígenas completamente inaptas para se governarem por si próprias.
Ao mundo atónito a nova República do Congo mostrou com exuberância o que sucede quando meia dúzia de políticos inexperientes, sobressaindo de uma massa ignara e primitiva e desejosos de satisfazer os seus interesses pessoais guindando-se aos altos postos da governação, exigem para o seu País uma independência que ele está longe de poder usufruir.
E mostrou também a tremenda responsabilidade das nações civilizadoras que não podem - sejam quais forem as pressões que sobre elas se exerçam - abandonar levianamente os seus territórios coloniais concedendo-lhes uma Independência para a qual elas sabem que eles não estão preparados."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Início da revolta | Impotência e desorientação do governo congolês perante o alastramento da revolta | O êxodo dos europeus | A intervenção das forças belgas | A independência da Katanga | Os apelos à O. N. U. | A internacionalização da questão | A tentativa de intromissão da Rússia | O corte de relações com a Bélgica | O restabelecimento da ordem no Congo | Dificuldades políticas internas | A O. N. U. e a República do Congo | A entrada das forças da O. N. U. na Katanga.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e colonial.
30€

11 agosto, 2026

NÃO FALAR NA POLÍCIA
: dever revolucionário
. [S.l.], Edições Avante, 1972. In-8.º (17x11 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto clandestino de propaganda comunista. Trata-se de um manual de "sobrevivência" para instruir os simpatizantes e activistas do PCP a resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS sem comprometerem o partido e os camaradas.
Não falar na polícia : dever revolucionário é um opúsculo clandestino editado pelas Edições Avante! em 1972. O texto orientava os militantes do Partido Comunista Português (PCP) e os opositores ao Estado Novo sobre como resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS. Publicado em plena fase final do regime, funcionava como um guia prático de contra-informação e segurança na clandestinidade. Estabelece a recusa absoluta em prestar declarações à polícia política como um princípio ético e político essencial. Orientações Principais: Silêncio total - Encarar o silêncio perante os agentes como a única defesa coletiva da organização; Resistência à tortura - Desmistificar a ideia de que a violência ou os métodos da PIDE eram invencíveis para justificar confissões; Proteção partidária - Evitar que a queda de um militante comprometesse a rede clandestina e a segurança dos camaradas. (IA)
Documento histórico, sem menção na BNP.
"A ditadura fascista, ontem com Salazar e hoje com Marcelo Caetano, procura sobreviver e retardar o seu inevitável derrubamento, insistindo em recorrer ao arbítrio e à violência. A ascensão do movimento popular de massas em Portugal e o alargamento da heróica luta dos povos das colónias portuguesas, bem como as vitórias dos mundo socialista e das forças anti-imperialistas acentuam as debilidades e contradições do regime fascista. Quanto maior é o seu enfraquecimento, maior é o seu desespero. Isso explica a intensificação da repressão e o crescente furor das torturas policiais aos comunistas e a outros patriotas presos.
É certo que não é de hoje a crueldade dos torturadores policiais durante os interrogatórios. Ela vem muito de trás, desde a instauração a ditadura em 1926. Desde então milhares de presos políticos foram torturados e dezenas de comunistas e outros antifascistas foram assassinados com torturas por se recusarem a trair os seus ideais.
Sucede, entretanto, que a experiência da polícia é maior. E, se considerarmos os últimos anos, é indubitável que tem vindo a aplicar torturas cada vez mais refinadas, generalizando-as a quase todos os presos e prolongando-as até ao limite da resistência física."
(As torturas policiais aumentam)
Índice:
1 - As torturas policiais aumentam: - As responsabilidades dos comunistas; - Pode ser que sejas preso.
2 - Defende-te e defende o Partido: - A prisão e o 1.º interrogatório; - Os interrogatórios; - A polícia procura conhecer-te e demolir a tua resistência; - Os agentes «bons» e os «maus»; - Mentiras, calúnias, tentativas de suborno; - O isolamento - a incomunicabilidade.
3 - As torturas; - A «estátua»; - A tortura do sono; - As alucinações; - As montagens da polícia; Outras formas de tortura; - Tem coragem e vencerás!
4 - O que a polícia pretenderá de ti: - As «histórias»; - Deves ou não declarar ser membro do Partido? - Não fazer confissões ou declarações; - A polícia «sabe tudo» - as armadilhas; - Os «apóstolos» da traição.
5 - O que decide de um bom comportamento: - Todos podem resistir à polícia; - O Partido e os pseudo-revolucionários; - Os bons e os maus portes na polícia; - Heróis do Partido e do Povo; - Preocupação essencial: defender o Partido.
Exemplar em brochura, com os cadernos por abrir (presos por agrafo), em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
75€

08 agosto, 2026

CRAVEIRO, T. A. -
ENSAIO ÁCERCA DA TRAGEDIA.
Por... Membro do Instituto de França, e do Instituto do Brazil. Lisboa, [s.n. - Typ. da Soc. Propagadora dos Conhecimentos Uteis - Lisboa], 1843. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo histórico e contemporâneo sobre o teatro do género clássico - o drama. Trata-se de uma obra de crítica literária escrita pelo terceirense Tibúrcio António Craveiro. Publicada em Lisboa em 1843, aborda a estética teatral e analisa a tragédia clássica, destacando-se por ser um dos primeiros textos portugueses a utilizar o termo "ensaio". (IA)
"Não nos propomos acompanhar passo a passo o adiantamento da arte dramatica d'esde o seu berço, e mantinhas: já n'este assumpto se gastaram lucubraçoens, e vigillias. Não indagâmos tambem que fins teve, se os satisfaz, se he nociva, ou proficua, se finalmente tocou o seu fastigio, ou se ainda lhe é dado o subir. Limitâmo-nos ao genero tragico, e seguindo-o desde a puberdade, ou d'esde o seu estado viril, buscâmos indagar qual a sua origem, e fim na antiga eschola; se a sua essencia he uma, limitada, e invariavel, ou multiplice, ampla, e livre; em que se fundaram as alteraçoens da nova eschola; e se finalmente ellas aperfeiçoaram ou deterioraram o genero."
(Excerto do Ensaio)
Tibúrcio António Craveiro (Angra do Heroísmo 1800 - Velas, 1844). "Poeta, historiador e ensaísta, com uma obra que inclui temáticas de história, teoria da literatura e poesia. Também se dedicou à tradução de obras de autores franceses e ingleses. Ficou conhecido pela morbidez da sua poesia e pelo seu gosto pelo horror e pela magia negra. (IA)
"Nasceu em Angra do Heroísmo, cidade onde frequentou as aulas de Teologia Moral, revelando-se um aluno estudioso e aplicado. Terminados os estudos empregou-se como professor régio da instrução primária na cidade de Angra.
Em consequência da sua adesão ao liberalismo, após a Abrilada de 1824 exilou-se em Londres. Em 1826 fixou-se na cidade do Rio de Janeiro, onde encontrou emprego como professor de Retórica.
No Rio de Janeiro, cidade onde permaneceria até 1842, foi um fundadores e bibliotecário do Real Gabinete Português de Leitura, envolvendo-se activamente na vida literária e política da cidade. Durante este período produziu a maior parte da sua obra publicada. Foi lente do Imperial Colégio de Pedro II, do Rio de Janeiro.
Considerado um árcade tardio, dedicou-se à poesia, à historiografia, ao ensaios e à tradução, tendo publicado uma versão lusófona das obras Mérope de Voltaire (1826), Mitrídates de Jean Racine (1828) e Lara de Byron (1837). Foi autor da primeira tradução de Byron no Brasil. Deixou alguns textos publicados na imprensa brasileira e no periódico lisboeta O Panorama (1837-1868).
Em 1842 deixou o Brasil e durante algum tempo viveu em Lisboa. Em 1844 voltou aos Açores. Morreu nesse ano a bordo de um navio, aparentemente vítima de suicídio, em condições que nunca ficaram esclarecidas. O seu cadáver foi desembarcado nas Velas, São Jorge, onde foi sepultado.
Segundo os relatos da época, o escritor teria a sua sala de trabalho decorada com aparelhos de tortura, múmias e gravuras macabras. As paredes seriam salpicadas de sangue e a sua mesa de trabalho, uma lousa de mármore negro, roubada da sepultura de uma donzela."
(Fonte: Wikipédia)
Tibúrcio António Craveiro foi um poeta que dedicou a sua obra à exploração da condição humana e à crítica social, frequentemente utilizando um tom irónico e mordaz. As suas poesias caracterizam-se pela linguagem cuidada e pela capacidade de evocar imagens fortes, abordando temas universais como o amor, a morte e a busca por sentido. A sua produção literária reflete um profundo conhecimento da alma humana, explorando as complexidades das relações interpessoais e as contradições da sociedade. Craveiro destacou-se pela originalidade do seu estilo e pela forma como soube aliar a profundidade temática à expressividade formal, deixando um legado poético notável pela sua autenticidade e pela sua força expressiva."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/tiburcio-antonio-craveiro)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas manchadas, alvo de restauro. Com pequeno orifício a partir da segunda parte do livro até final.
Raro.
Indisponível

27 julho, 2026

CABRAL, Fred. A. de Vasconcellos Pereira -
VESTIGIOS GLACIARIOS NA SERRA DA ESTRELLA.
Rochas striadas, penedos erraticos, morenas. Por... Engenheiro adjuncto da Secção geologica. Lisboa, Imprensa Nacional, 1884. In-8.º (23x13 cm) de 26 p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante estudo geológico, pioneiro, dedicado à Serra da Estrela.
Trabalho invulgar e muito interessante, com interesse histórico e bibliográfico. Trata-se do "Extracto da  Revista de Obras Publicas e Minas n.ºs 177 e 178, de setembro e outubro de 1884".
"A circumstancia de estarmos encarregados pelo digno chefe da secção de trabalhos geologicos, o sr. Nery Delgado, do estudo dos terrenos quaternarios do paiz, determinou a excursão, que em agosto de 1883 fizemos á Serra da Estrella, para verificar, se aquella montanha tinha estado glaciada n'uma epocha geologica a que já uma vez tivemos de chamar plio-pleistocenica, por querer d'este modo abranger o periodo pliocenico, e o que se lhe seguiu.
Já em 1879 tinhamos sido levados a concluir, que as nossas montanhas mais elevadas deviam ter estado no periodo pleistocenico cobertas de neves perennes, que tivessem dado origem a gelos fluentes... [...]
Tendo, porém, esta serra, attrahido muito a attenção, e tendo sido bastante visitada por nacionaes e estrangeiros, sobretudo n'estes ultimos tempos, não sabemos, que até ao dia em que a ella subimos, e alli observámos os factos, de que vamos dar breve noticia, pessoa alguma tenha feito referencia a vestigios glaciarios ali encontrados. Assim, era ardente o nosso desejo de a percorrer tambem, porque, a pezar de tudo, era firme a nossa convicção, de que ali deviam existir ainda pelo menos algumas provas do trabalho de gelos fluentes; e a verificação d'este facto, alem de não a dispensar a sciencia, era de grande alcance para a explicação da origem, até agora obscura, de muitos dos depositos superficiaes conhecidos no paiz.
Para procurar estas provas, e colher exemplares, que pozessem fóra de toda a duvida a antiga glaciação da serra, a ella subimos, pois, no dia 15 de agosto, com a intenção de por lá permanecer alguns dias.
O nosso intento era visitar primeiro as origens de alguns dos valles, em que correm as ribeiras affluentes do Alba; valles, que começam a definir-se nos planaltos mais elevados da serra, e seguem direcções entre as de noroeste a sudoeste, cortando profundamente as encostas, por vezes alcantiladas da montanha, e separando assim os diversos contrafortes, que com maiores altitudes se prolongam para aquelle quadrante.
Fomos pois acampar n'um estreito valle, chamado Covão Grande da Lagoa Comprida, por n'ella haver uma pequena lagoa perenne, que comtudo é a maior da serra, e cujas aguas vão engrossar a Ribeira da Caniça, affluente do Alba; e démos-lhe a preferencia, não só por ella offerecer melhores condições para acampar, como pela sua proximidade do grupo de lagoas da encosta noroeste da serra, perto das quaes esperavamos encontrar com mais facilidade alguns dos vestigios que buscavamos."
(Excerto do Estudo)
Frederico Augusto de Vasconcelos Pereira Cabral (1820-1886). "Pioneiro na investigação da Geologia do Quaternário e da Pré-História em Portugal. Engenheiro de Minas ligado ao Ministério das Obras Públicas, esteve ao serviço da Comissão dos Trabalhos Geológicos de Portugal e procedeu a observações nos depósitos quaternários da Foz do Douro com interesse arqueológico, as quais se destacam pelo rigor da descrição e interpretação. Desenvolveu uma aproximação metodológica e conceptual inovadora para a época, relacionando conhecimentos de origem e índole muito diversas: geomorfológicos, geológicos e arqueológicos."
(Fonte: https://www.researchgate.net/publication/375759624_Frederico_de_Vasconcelos_Cabral_pioneiro_da_Geologia_do_Quaternario_e_da_Pre-Historia_portuguesas)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Alvo de restauro nas capas e no interior, visando suster a humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

23 julho, 2026

INVENTÁRIO DOS CÓDICES ALCOBACENSES
. Lisboa, Biblioteca Nacional de Lisboa, 1930-1938. 6 vols in-8.º (22,5x19 cm) de 575, [5] p. ; [15] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante repositório dos manuscritos existentes na BNP com origem no Mosteiro de Alcobaça, organizados em 6 volumes publicados entre 1938 e 1938 (colecção completa), sendo o último dedicado aos índices.
Obra ilustrada em separado com 3 estampas - impressas sobre papel couché - por cada um dos 5 primeiros volumes, reproduzindo partes dos códices.
"Coleção constituída por [456] códices provenientes da livraria do mosteiro cisterciense de Santa Maria de Alcobaça, e integrados na Biblioteca Nacional após a extinção das ordens religiosas em 1834. Com datas compreendidas entre os sécs. XII e XVIII, são, na sua maioria, medievais, sendo muitos deles iluminados e com encadernação original.
De entre os códices latinos medievais, destaca-se uma cópia do séc. XIII das Etimologias de Santo Isidoro, bispo de Sevilha (600-636), uma das primeiras obras enciclopédicas do saber medieval. Dos códices portugueses destacam-se Vidas e Paixões dos Apóstolos, cópia de 1442-1443 contendo a versão portuguesa de uma obra perdida, elaborada no scriptorium do rei Afonso X de Castela; e, de entre os códices portugueses dos sécs. XVI a XVIII, os originais de Monarquia Lusitana, obra maior da historiografia alcobacense."
(Biblioteca Nacional de Portugal - Reservados - Manuscritos - Códices Alcobacenses)
"Constituem os códices, cujo inventário agora se inicia, a mais preciosa colecção, hoje existente, dos trabalhos manuscritos de Alcobaça, em que tantos materiaes se acumulam para a investigação do vasto campo da literatura e da história.
Remonta ao século XII, como é sabido, a fundação cisterciense de Alcobaça, que, atravez dos tempos, alcançou renome mundial pelos trabalhos de tantos entre os seus monges."
(Excerto da Introdução)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa anterior de todos os volumes, bem como a capa posterior do último volume.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
45€

20 julho, 2026

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e -
A COMENDA DE SANTA MARIA DE TERROSO
. Póvoa de Varzim, [s.n. - Tip. da Livraria Povoense - Póvoa de Varzim], 1965. In-4.º (23,5x16 cm) de 11, [1] p. ; E.
1.ª edição independente.
Trabalho interessante e muito curioso, com relevância para o concelho poveiro, publicado em separata do Boletim Cultural, Póvoa de Varzim - vol. IV, n.º 1.
Ilustrado com duas estampas em página inteira:
Igreja Matriz de Terroso - Imagem de N.ª S.ª da Purificação ou das Candeias (1.ª metade do século XVI);
Igreja Matriz de Terroso - Crucifixo do século XVII.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Jorge de Moser (1906-1971).
A Comenda de Santa Maria de Terroso, localizada no concelho da Póvoa de Varzim Terroso, foi uma antiga unidade jurisdicional e eclesiástica vinculada à Ordem de Cristo. (IA)
"A Comenda de Santa Maria de Terroso, na Ordem de Cristo, era uma das chamadas Comendas novas, criadas por El-Rei D. Manuel, em virtude da Bula do Papa Leão X, de 15 de Junho de 1517, aplicando-lhe os rendimentos de 50 igrejas do padroado real.
Não pude averiguar quais foram os seus primeiros comendadores.
O mais antigo, de que tenho conhecimento, foi Francisco de Figueiredo, Cavaleiro do Hábito de Cristo, Adail em Mazagão, a quem foi passada carta da Comenda, em 18 de junho de 1568.
Também não sei até quando a logrou, nem qual foi o seu imediato sucessor.
Em 1607, desconhecia-se quem era o Comendador, constando apenas que fora avaliada, havia então muitos anos, em 80.000 rs.
Ainda nos primeiros dois decénios do século XVII, o comendador era Lucar Giraldes, dos Giraldes de Florença, gente nobre e de grande negócio no reino e na Índia."
(Excerto do Estudo)
Eugénio Eduardo de Andrea da Cunha e Freitas ComIH (Lisboa, 1912 - Vila do Conde, 2000). "Foi um advogado, historiador e genealogista português. Era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Ocupou cargos públicos e institucionais importantes: pertenceu ao Ministério Público no Tribunal de Lisboa, foi nomeado Administrador do Concelho de Sesimbra em 1935, posteriormente nesse ano ocupou o lugar exercendo as funções de Secretário da Câmara dos Administradores de Falências na Comarca do Porto,[3] onde permaneceu até à sua reforma, em 1982, foi Vogal da Comissão de Etnografia e História da Junta de Província do Douro Litoral de 1947 a 1980, foi o primeiro Director do Boletim da Associação Cultural "Amigos do Porto" entre 1951 e 1959, Delegado da Junta Nacional da Educação no Concelho de Vila do Conde, Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Azurara, e Director da estimada revista "O Tripeiro" entre 1961 e 1973. Dedicou-se a estudos históricos. Pertenceu a inúmeras e diversas instituições culturais: a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Academia Portuguesa da História, onde foi Académico de Mérito a partir de 1992, a Associação Cultural dos Amigos do Porto, a The American International Academy, a Academia Nacional de Belas-Artes, a Associação Portuguesa de Genealogia, a Sociedade de Estudos Medievais, a Associação Portuguesa de Ex-Libris, entre outras."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela verde com com rótulo e letras a ouro na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

19 julho, 2026

CAMARA, Manuel da -
ANTERO DE QUENTAL E A SUA MORTE
. Ponta Delgada, Edição do Diario dos Açores, 1930. In-8.º (22,5x17 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo anteriano sobre o grande vate micaelense, na vida e na morte. O autor testemunhou as derradeiras aparições do poeta em casa do avô, médico, o último que Antero, em desespero, consultou, e que coincidiram com os seus últimos dias de vida. Manuel da Câmara reproduz os diálogos de Antero com um seu amigo, retido na cama em casa do médico, dando expressão sentida às as suas desesperações e amarguras, e finalmente, na véspera, à ideia madura do suicídio que viria a cometer horas depois.
"Antero de Quental e a sua Morte (1930) é uma obra ensaística de Manuel da Câmara, que analisa as circunstâncias e o pensamento filosófico que culminaram no trágico desfecho do poeta. O livro reflete sobre a depressão e a "filosofia da morte" do autor Antero de Quental. A 11 de setembro de 1891, após regressar à sua ilha natal e mergulhar num profundo estado de depressão (agravado por distúrbios de saúde mental), o poeta pôs termo à vida num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. A obra contextualiza esse acto voluntário não apenas como um drama pessoal, mas como o culminar da evolução intelectual e espiritual de Antero, figura cimeira da Geração de 70." (IA)
Obra rara e muito interessante, ilustrada no texto e em página inteira com fotogravuras reproduzindo retratos do Poeta e locais relacionados com o assunto.
"[...] Os amigos e quantos privaram com Antero nunca duvidaram do inalterável equilíbrio entre as suas ideias e os seus actos, e sempre lhe reconheceram os altos "sentimentos correspondentes á evolução do pensamento", numa lógica seqüência incompatível com a loucura, ainda que qualificada de genial. E, se a sua vida, enquanto a dispepsia o poupou, foi espelho do mens sana in corporo sano, como é possível classifica-lo nos quadros da neurologia e da psiquiatria?
Ora êste pobre opúsculo - onde, a par das velharias algumas coisas novas se dizem, umas e outras indispensáveis ao nosso propósito - pretende demonstrar:
1.º - Nenhuma enfermidade mental ou nevrasténica de nascença influiu na vida ou na morte do Poeta;
2.º O Poeta contraíu uma dispepsia com conseqüências nervosas, profundamente neurastenizante nos últimos dias que viveu, donde resultou o suïcídio.
Mas, para Antero se decidir ao suïcídio, duas grandes batalhas se travaram:
A do pessimismo - relativo á incurabilidade da doença, visionada a caminho da loucura - contra o experimentado estoicismo do gigante,, vencido pela primeira e última vez; a do gigante contra os seus sentimentos morais, irreconciliáveis com a ideia de se matar, batalha da qual, infelizmente, saiu vencedor.
Isto me proponho provar..."
(Excerto da Dedicatória)
"Certo dia, verão de 1891, atravessava eu a saleta da casa de meu Avô materno quando divisei na transparência da porta envidraçada, entrada principal do edifício, um vulto de gigante a estender a mão para a campainha que não chegou a soar, por eu ter acudido lesto a abrir.
O gigante entrou.
Nunca o tinha visto, em carne e osso, mas logo o reconheci, pois o seu retrato, inconfundível, andava em ilustrações e nos albuns da minha família.
Era Antero de Quental - alto como um choupo; fronte desafogada e espaçosa; a cabeleira, que já não era a juba da leonina da juventude a encurtecer-lhe a testa, ainda loura; a barba, loura também, virgem de navalha, apenas retocada pela tesoura; a expressão severa, adoçada pelo azul puríssimo dos olhos onde resplandecia uma ascese de santidade.
E, enquanto eu o encarava, numa admiração pasma, o gigante quebrou o silêncio com estas palavras sonoras:
- "Conheci-te pelo olhar, por outra coisa não". és filho de João Luís. Vai chamar teu avô, o doutor José Pereira Botelho."
(Excerto do Cap. I)
Manuel da Câmara Velho de Melo Cabral (Lagoa, São Miguel, 1869 - Ponta Delgada, 1939). "É principalmente conhecido com o nome abreviado de Manuel da Câmara, com que publicou muita da sua obra. Funcionário da Fazenda Pública e Secretário de Finanças na Horta. Foi jornalista, escritor e político sendo hoje conhecido como contista. Deu início à vida literária nos jornais da sua cidade natal, no fim do século e foi, em Lisboa, redator do Jornal de Lisboa, dirigido pelo micaelense Armando da Silva, frequentando na capital a boémia elegante. Acabou por regressar às ilhas e ingressar no funcionalismo público, na área das Finanças. Na Lagoa, onde foi administrador do concelho, fundou o Vigilante, em 1905 e em Ponta Delgada, O Distrito. Parte da sua vida foi passada na cidade da Horta, onde foi nomeado governador civil durante o consulado sidonista (1918-1919).
Na sua obra literária é-lhe reconhecida uma prosa elegante e esmerada que usou nos contos e narrativas de temática regional. J. G. Reis Leite (Mar.2001)"
(Fonte: https://arquivos.azores.gov.pt/descriptions/1813203)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenos cortes de papel marginais.
Raro.
30€