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09 outubro, 2026

BARROSO, P.ᵉ Domingos - O PERGIGUEIRO PORTUGUÊS.
2.ª edição revista e aumentada
. Porto, Gazeta das Aldeias, 1962. In-8.º (19,5x14 cm) de 174, [4] p. ; [1+32] f. il. ; B.
Monografia sobre o Perdigueiro Português, uma das mais apreciadas, completas e emblemáticas obras de canicultura que sobre a raça se publicou entre nós. Trata-se da segunda edição, preferível à primeira porque mais aumentada em texto e gravuras.
Ilustrada em separado com o retrato do autor + 32 estampas reproduzindo desenhos e fotografias de magníficos exemplares da raça.
"A Paleontologia prova-nos que o cão existe sobre a terra pelo menos desde o tempo em que sobre a mesma terra existe o homem.
Mais: - que, já nas recuadas épocas da Pré-história, havia diferentes raças de cães, possìvelmente também com diversas utilizações.
Mas, donde nos veio ele ou, se alguém o prefere, donde nos vieram elas?
As opiniões dividem-se. Uns dizem-no oriundo do lobo."
(Excerto do Cap. I - A origem do cão)
"Quando nasceu o perdigueiro?...
Perguntar não custa muito. O responder é que às vezes tem as suas dificuldades. [...]
A acção do cão, na caça das aves como em qualquer outra, tem forçosamente que ser modelada por e para os nossos meios de ataque.
E o primeiro de todos os meios de ataque à disposição do homem que a nós, europeus, parece exigir um perdigueiro foi, com certeza, a altanaria. Podia, por isso, muito bem ter nascido com ela. A asa e a garra dos voláteis de presa são o complemento natural do olfacto do cão."
(Excerto do Cap. II - Se o cão foi logo o perdigueiro)

Índice: Uma conversa em família. | I - A origem do cão. II - Se o cão foi logo o perdigueiro. III - Se o perdigueiro nasceu na Ásia. IV - De quando e onde nasceu o perdigueiro. V - Da facilidade de certas transmutações. VI - De como o sabujo se porta na berlinda. VII - Em que o cão de água nos dá um ar da sua graça. VIII - De um fidalgo cem por cento, que não tem a certeza quem seja seu pai. IX - De um pobre de Cristo caído nas bocas do mundo e das queixas que o mundo alega. X - Em que se encontra um cavalheiro de nome podengo. XI - Em que o leitor pode descansar um bocadinho, a ver a paisagem. XII - Em que o podengo encarrilha, definitivamente, no caminho do perdigueiro. XIII - De uma pergunta, encontrada à ventaneira... XIV - ... e uma resposta pelo sistema de conta-gotas. XV - Duma boa cara e dum bom coração... XVI - Enfim, o nosso perdigueiro! XVII - Uma silhueta que se recomenda. XVIII - Aromas e cabeças. XIX - Cabeças e aromas. XX - Uma conformação robusta. XXI - Semelhanças ou diferenças? XXII - Esperteza e instinto. XXIII - Sua humildade e mais partes. XXIV - Da sua precocidade. XXV - Do ensino a dar-se-lhes. XXVI - Degenerescência ou falta de cuidado? XXVII - Cruzamentos estranhos. XXVIII - A origem do pointer. XXIX - O que há a fazer?
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
35€

03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

21 setembro, 2026

ROSA, Marques - TRES MULHERES (novelas historicas). Prefácio de Julio Dantas. Lisboa, Depositaria a Empreza Portugal-Brazil [Composto e impresso na Tip. do Instituto - Sernache do Bonjardim], [1921]. In-8.º (17x11,5 cm) de [4], 203, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três novelas históricas tendo como protagonistas, cada uma delas, uma mulher "lendária" em diferentes épocas da história nacional, reportando a primeira à lenda de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros, cavaleiro templário, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, e a sua amada Oureana (Fátima). Livro interessante, de leitura agradável.
Ilustrado com três bonitas capitulares, uma por novela.
Inclui no final um glossário dos termos antigos utilizados pelo autor.
"Do alto do minarete da masejad (mesquita) de Al-Kassr-bun-abu-Danés (Salatia, Urbs Imperatoria - Alcacer do Sal) o muezzin debruçado nos balustres, rodeando a bôca escancarada com as mãos em campânula, lançou o apêlo, gritado na sua lingua, vagaroso e cantante:
«Só Deus é Deus e Mahomét o seu profeta: - Orai.»
Como se apenas esperasse que os ultimos écos do brado se apagassem, ondulando pelas quebradas do rio e pelos recôncavos da várzia, o sol espreitou por cima das cumiadas da Serra das Chagas e da Serrinha os corucheus da mesquita e dirigiu para as glaucas e arrepiadas aguas do Chetawir (Sado) as primeiras flechas de luz.
N'este comenos desaportilhou-se lentamente, com estrépito de trancas e guinchos de roldanas, a porta de ferro aberta ao Leste da muralha; e uma alegre cavalgada irrompeu e serpeiou, descendo a congosta que vinha dar á veiga extendida a montante do rio, ao Norte e ao Oriente da povoação.
Mancébos e donzelas, a jovial mocidade da opulenta capital de Al Kassbr vozeavam, parolavam, trocavam salamaleks e cortesias, vibrando o ar ambiente de ruidos d'estribilhos e saturando-o de perfumes de laranjeira e nardo. [...]
Acoudelava a turba das mulheres, a filha do kaid d'Al Kassr.
Quinze anos. Estatura esbelta. Busto onduloso. Contornos amplos. Na côr mate da pele a bôca fendia-se curta, abrindo os lábios rubros sobre os dentes pequeninos, brancos de nacar. [...]
Em tôrno d'ela agruparam-se os moços almuades enamorados e volteiros.
E a joven castelã ria d'êles, com um riso sonoro e soluçado, desnorteando-os com a sua irónica desenvolvura."
(Excerto de Fátima)
"Na sexta feira 17 de janeiro de 1578, o senhor bispo conde D. Manuel de Menezes voltou-se a meio na grande cadeira de jacarandá com o assento e o alto espaldar de coiro lavrado de Córdova, tauxiado de prata. Acomodôu sôbre as rebeldes farripas de cabêlo já grisalho, o solideu roxo. Sofraldou um pouco a samarra e puxou de leve os cordões da murça.
Antes de falar, fixou sucessivamente a queixosa e o arguido. Depois tornou a medir com o olhar a queixosa.
Era ela uma destas criaturas de idade imprecisa, tanto aparentando 25 como 40 anos, que nunca tiveram ao menos aquêle período de frescura que caracteriza os primeiros tempos seguintes á puberdade.
Não tinha contornos.
Toda a figura era angulosa, dura de linhas, espalmada. [...]
Era esta criatura filha do grande matemático Pedro Nunes, lente de Prima nos Estudos Gerais de Coimbra."
(Excerto de Guiomar)
"Acabára tempestuosamente a refeição da manhã.
Tinham as madres do convento de Santa Clara de Vila Real começado apenas a dispersar do refeitório para o lavabo erguido com a sua dupla concha no claustro, quando a garria de bronze entrou de tanger a capítulo.
Em volta do tanque, as freiras dividiram-se imediatamente em dois bandos. As mais velhas, com as mãos metidas nas mangas dos habitos cinzento, sorriam irónicamente. As mais novas e as noviças, torcendo as mãos brancas, quasi diáfanas, cheias de aneis, e gesticulando com violencia, batiam de quando em quando o lagêdo polido com os sapatinhos de tacão de perdiz, altos tacõis pintados de vermelho, fivelados de oiro ou prata com pedras preciosas, e arremessavam para a nuca os veus negros da Regra."
(Excerto de Soror Clara)
Índice:
Fátima. (Século XIII) | Guiomar. (Século XVI - 4.º Quartel) | Soror Clara. (Século XVIII - 1.º Quartel).
Policarpo Marques Rosa (1864-1927?). "Natural de Pederneira, Nazaré. Ilustre filho adoptivo de Alvaiázere. Apesar de não ter nascido no concelho de Alvaiázere, adoptou Alvaiázere como sendo a sua terra natal, pois foi aqui que viveu a maior parte da sua vida. Desempenhou vários cargos, entre eles, presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho de Alvaiázere, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.
Como activista republicano fundou, na vila de Alvaiázere, os semanários “O Combate” e o “Pátria Livre”, dos quais foi seu director e seu principal redactor, sendo colaborador nos semanários “A Voz da Justiça” e “Gazeta da Figueira”, ambos da Figueira da Foz.
Marques Rosa foi um escritor erudito, escreveu vários romances históricos sobre diversas personagens de épocas diferentes, o que o obrigou a fazer muita investigação no Arquivo Nacional/Torre do Tombo, Lisboa. No entanto, o seu estilo literário na época estaria muito longe do modernismo emergente, pois estava muito próximo dos escritores Júlio Brandão e em particular de Júlio Dantas.
Este nosso conterrâneo foi um nome sonante no seu tempo, viveu uma vida intensa e multifacetada, foi um republicano convicto, advogado, notário, solicitador, arquitecto, politico, investigador, escritor, prosador, ensaísta, jornalista e poeta."
(Fonte: https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/category/policarpo-marques-rosa/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

20 setembro, 2026

PINTO (Sacavem),
Alfredo - EM TERRAS DE PORTUGAL.
Recordações - Esbôços - Phantazias. (Illustrações photographicas do auctor). Lisboa, Livraria Ferin 1914. In-8,º (20x13,5 cm) de 84, [2] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Capa de Abel Santos (1888-1963).
Bonito álbum. Trata-se do olhar nostálgico e etnográfico do autor, enriquecido com os seus comentários e reflexões, sobre vilas, localidades campestres e seus monumentos, na incursão que empreendeu pelo centro do país, com especial relevo para as Caldas da Rainha e suas termas, Óbidos, e demais zonas circundantes.
Obra ilustrada no texto com belíssimas fotogravuras da responsabilidade de Alfredo Pinto.
"Passar algum tempo no campo é um habito que entra na massa do sangue desde o alvorecer da nossa mocidade, e assim, logo que a natureza se envolve com o manto variado das suas côres, pensamos logo em abandonar Lisbôa e vermo-nos livres, por alguns mezes, da vida buliçosa da capital, com tudo que ella possue de simulado na sua vida  ficticia e pouco hygienica.
Assim uns tempos no campo são um verdadeiro balsamo de conforto, de tranquillidade á nossa existencia physica e intellectual.
Na mór parte da gente não existe, infelizmente, a ideia nitida que se deve ter de uma estada no campo.
Geralmente todas as familias abandonam Lisbôa pelo espirito comesinho de seguirem a moda de: ir para fóra, e lá terem a mesma vida da cidade, com o mesmo luxo das toilettes, com todo esse rosario de ideias balofas e ridiculas que enche os cerebros das mães de familia, em que as thermas, praias, etc., são apenas pretextos para mostrarem as filhas e verem se as casam ricas o mais depressa possivel! 
Todas as infinitas belezas que a natureza lhes offerece n'essas terras para onde vão permanecer alguns mezes, passam desapercebidas como verdadeiras vulgaridades.
Por isso direi que sempre me faz pena não comprehenderem o campo para onde vão, e saberem gozar d'elle com aquelle amor e carinho que elle tanto merece.
Mas deixarei estas considerações, pois malhar em ferro frio é tempo sempre perdido, e entrarei no assumpto d'estas notas, d'estes esboços colhidos a esmo que apenas têm um fim - contar as minhas simples impressões de mero viandante por esses montes e valles d'esta nossa querida terra."
(Excerto do Cap. I)
Alfredo Pinto (1874-1945). Também conhecido por "Sacavém", foi um poeta português. A sua obra poética destaca-se pela sua originalidade e pela forma como abordou temas do quotidiano e da condição humana, muitas vezes com um olhar atento à realidade social. Foi uma figura marcante no panorama literário, deixando um registo poético singular."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/alfredo-pinto-sacavem)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva a capa de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com falta da f. ante-rosto.
Muito invulgar.
35€

31 agosto, 2026

ACÔRDO A QUE CHEGARAM OS GOVERNOS DE PORTUGAL E DA AUSTRÁLIA PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E DARWIN.
Por troca de notas de 11 de Dezembro de 1940 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
e
ACÔRDO ENTRE OS GOVERNOS PORTUGUÊS E JAPONÊS PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E PALAU. Assinado em Lisboa em 13 de Outubro de 1941 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Acordos históricos subscritos entre Portugal - por Oliveira Salazar - e a Austrália e o Japão para a abertura de rotas aéreas entre o território timorense e esses dois países. Apesar da política de não-alinhamento portuguesa, de que são exemplo estes tratados firmados em plena 2.ª Guerra Mundial, em Dezembro de 1941 a Austrália enviou a Força Pardal (Sparrow Force) para ocupar Timor - violando a neutralidade portuguesa - para criar uma barreira defensiva contra o Japão que, pouco tempo antes, atacara Pearl Harbor. Finalmente, a 20 de Fevereiro de 1942, o Japão invadiria Timor, repelindo para as montanhas a força expedicionária australiana.
Ambas as edições são bilingue: Português/Inglês na primeira, e Português/Francês na segunda.
Exemplares em brochura, bem conservados.
Raro conjunto.
Com interesse histórico.
20€

24 agosto, 2026

BASTOS, J. T. da Silva -
DITOSA PATRIA, MINHA AMADA. (Nova edição actualizada com os acontecimentos da Revolução até á proclamação da Republica). Educação Civica. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1911. In-8.º (21x14,5 cm) de XVI, 274 p. ; il. ; B.
Ditosa Pátria, minha amada é um livro de índole patriótica e educação cívica da autoria de José Timóteo da Silva Bastos, dirigido ao público juvenil. Trata-se da reedição deste livro que saiu originalmente em 1909, sendo esta a versão actualizada já com os momentosos acontecimentos da revolução de 5 de Outubro de 1910 até à proclamação do regime republicano. O autor inspirou-se no conhecido trecho do Canto III de Os Lusíadas de Luís de Camões - "Esta é a ditosa pátria minha amada" - para intitular a obra.
Livro ilustrado no texto com bonitos desenhos e retratos de insignes figuras da história nacional, sendo alguns em página inteira.
"Cinco meses esteve o dr. Bondade ausente da sua escola, retido em Lisboa pelos acontecimentos de 4 e 5 de outubro de 1910. Só queria voltar á sua aldeia, depois de vêr em bom caminho os negocios do novo regime politico, proclamado após uma revolução, decidida em pouco mais de 30 horas.
(Excerto de Proclamação da Republica Portugueza)
José Timóteo da Silva Bastos (1852-1939). "Foi um destacado publicista, historiador, ensaísta e tradutor português. É amplamente reconhecido no meio académico pelo seu valioso contributo para o estudo da liberdade de expressão e da história institucional em Portugal. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

03 agosto, 2026

NETTO, Antonio Lino -
A QUESTÃO AGRARIA.
Por... Licenciado em direito, secretario geral do governo civil de Portalegre e socio effectivo do Instituto de Coimbra. Estudos de Renascença Nacional I. Porto, Typ. a Vapor da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (18,5x12 cm) de 349, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio agrário, político, económico e sociológico, publicado pouco tempo após o regicídio, quando o país vivia tempos conturbados, de instabilidade e incerteza, marcado por uma profunda crise política, económica e social.
Trabalho académico, pioneiro. Nas palavras do autor, trata-se de um "assumpto profundamente patriotico e momentoso, bastante complexo, sem duvida; mas, por isso mesmo, susceptivel de revelar a capacidade trabalhadora e as poucas ou muitas luzes intellectuaes de quem tome a peito o seu estudo".
"Ha em Portugal, como em outros paizes, uma profunda questão social caracterisadamente agraria, isto é, uma questão que está implicando com a organisação juridica sobre a propriedade rustica, sobre a forma de distribuição dos diversos productos, e sobre a representação do valor d'estes em competencia com o dos productos de outra natureza."
(Excerto de Introducção - I. O que é a questão agraria)
"A theoria do valor, - annota sensatamente o sr. dr. Marnoco e Sousa -, embora preocupe os economistas ha mais de um seculo, não se póde considerar ainda constiuida; é bem o dragão que, no dizer figurativo do economista Costa- Rossetti, está guardando a entrada da sciencia economica. Ahi se encontra a principal razão da desordem que domina nos nossos tempos o mundo economico. É, pois, na theoria do valor que teem de concentrar-se os principaes cuidados e attenções dos economistas; de outra formas os estudos da sciencia economica redundarão em estirilidade e serão como pedras n'um edificio sem alicerces. Vamos tambem, para a logica das nossas considerações, referir-nos a essa theoria, e ver como ella, por mal formulada, tem affectado, provocando-a, a questão agraria."
(Excerto de I - A verdadeira theoria do valor)
António Correia Lino Leitão Neto (1873-1961). "Nasceu em Mação a 30 de janeiro de 1873 e faleceu em Lisboa a 16 de novembro de 1961. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde terminou, em 1899, a Licenciatura em Direito. Foi professor universitário, tendo ensinado no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, no Instituto Superior de Comércio de Lisboa (depois, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, integrado na Universidade Técnica de Lisboa) e na Escola Politécnica (futuro Instituto Superior Técnico). Dirigiu o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e foi vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Exerceu advocacia e exerceu diversos cargos públicos e políticos, entre os quais o de Câmara Municipal de Lisboa e deputado.
Foi membro da Sociedade de Estudos Pedagógicos e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Católico militante, esteve ligado ao Centro Católico Português, que presidiu.
Foi condecorado pela Santa Sé com a grã-cruz da Ordem de São Gregório Magno.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Letras a 10 de março de 1938."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21232)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

05 julho, 2026

ESTABELECIMENTOS HOTELEIROS DE PORTUGAL -
Hotels : Hotéis - 1963 : Portugal
. Lisboa, SNI, 1963. In-8.º (23x20 cm) de 55, [1] p. ; [1] mapa Portugal ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Paulo-Guilherme (1932-2010).
Curioso roteiro dos estabelecimentos hoteleiros disponíveis e "certificados" no ano de 1963 em Portugal continental, Açores e Madeira. Muito completo e organizado, composto por quadros com as localidades/endereço e o nome dos espaços; inclui o telefone dos estabelecimentos, o tipo de alojamento, estadia e as refeições, e respectivos preços.
Guia quadrilíngue (português/francês/inglês/alemão), editado pelo SNI - Secretariado Nacional da Informação - Cultura Popular e Turismo, não mencionado na BNP.
Nos anos 60, o turismo em Portugal registou um crescimento explosivo e de massas, forçando o Estado Novo a transitar de uma lógica puramente propagandística para uma atividade económica vital. Pressionado pela necessidade de divisas para financiar a Guerra Colonial, o regime abriu as fronteiras ao turismo internacional. (IA)
Inclui mapa do território nacional com dimensões generosas (32,5x20 cm) em separado: "Portugal : Edições SNI Lisboa".
"O presente guia indica os hotéis, pousadas, estalagens e pensões oficialmente classificados. Todos estes estabelecimentos, com preços visados pela Direcção dos Serviços de Turismo, possuem as comodidades indispensáveis, satisfazendo, de um modo geral e dentro da sua categoria, os clientes a que se destinam.
Além dos incluídos neste guia, outros estabelecimentos existem tais como pensões, de 3.ª classe e hospedarias.
Há, também, estabelecimentos não classificados pela Direcção dos Serviços de Turismo, os quais, pela modéstia das suas instalações e serviços, são considerados sem interesse para o turismo.
À entrada dos estabelecimentos hoteleiros encontra-se afixado um quadro com os preços que lhes correspondem. Sobre estes preços o hóspede pagará 10% para o serviço e, nas zonas de turismo, uma sobretaxa de 3%. Nas refeições a preço fixo estão incluídos 3 dl de vinho comum.
Os preços referidos neste guia são indicados em escudos."
(Excerto de Informação geral)
Exemplar em brochura bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

24 maio, 2026

REUTER, Dr.ª Abiah Elisabeth - 
DOCUMENTOS DA CHANCELARIA DE AFONSO HENRIQUES. (Obra subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura). Chancelarias Medievais Portuguesas : Volume I. Coimbra, Publicações do Instituto Alemão da Universidade de Coimbra, 1938. In-4.º (26x17,5 cm) de XXIII, [1], 420, [2] p. ; B.
1.ª edição.
A capa dêste livro foi desenhada por Hans Steinberg.
Importante contributo para a história da fundação da nacionalidade, e da documentação de chancela real produzida durante o reinado de D. Afonso Henriques, sendo alguns manuscritos de data ainda anterior. Trata-se da transcrição de documentos do Arquivo Nacional Torre do Tombo: Doações, Gavetas, Mosteiro de Refoios, Forais Antigos, Mosteiro de Vairão, Chancelarias, Colecção Especial (Mosteiros vários), Livro Preto da Sé de Coimbra, Cartório da Pendorada, Sé de Lamego, Mosteiro do Lorvão. Na sua maioria, Cartas de Doação, de Couto e Forais.
Obra muito invulgar, com indubitável interesse para a História de Portugal, traz a lume documentos referentes ao reinado do primeiro rei português. Este volume I foi tudo quanto se publicou sobre este assunto.
Exemplar de trabalho valorizado pela assinatura possessória de José Timóteo Montalvão Machado. Este encontra-se pejado de notas, comentários e interrogações a lápis, com partes do texto sublinhado (do punho do ilustre médico e historiador flaviense?).
"Aos estudos históricos em Portugal acaba de prestar relevantíssimo serviço uma ilustre senhora alemã, a Dr.ª Abiah Eliabeth Reuter.
Está impresso, e vai aparecer em público, o seu livro Documentos da Chancelaria de Afonso Henriques, de 420 páginas, não compreendidas as preliminares. Abrange 286 diplomas do primeiro monarca português, em regra saídos da sua chancelaria, antes e depois de principiar a denominar-se Rex Portucalensium. O mais antigo dos documentos publicados tem a data de 4 de dezembro de 1127, portanto anterior alguns meses à batalha decisiva do campo de S. Mamede; o mais recente é de novembro de 1185. A 6 de dezembro dêste ano exalava o último alento do grande fundador da nacionalidade portuguesa.
É pois uma vasta colecção. Os documentos, que ainda eram inéditos, aparecem transcritos na íntegra; igualmente o são os que já haviam sido publicados, quer mediante incorrecta leitura dos originais, quer em face de cópias defeituosas, tendo agora a coleccionadora corrigido aquela leitura, ou descoberto e transcrito cópias mais fiéis e autorizadas: quando porém a publicação era exacta, foram apenas sumariados. [...]
Cada diploma é precedido de preciosas notas elucidativas e críticas, de grande utilidade para os que manuseiam o livro."
(Excerto de Duo simplicia verba)
"O presente volume é a primeira parte das Chancelarias medievais portuguesas, série que abrangerá todos os documentos emanados do poder real desde 1128 a 1245. Neste período, Portugal desprendeu-se da monarquia leonesa, defendeu a sua independência, conquistou o seu território, formou-se em nação e constituíu-se em estado.
É, pois, esta, uma das épocas mais interessantes da história portuguesa. [...]
Vemos no meado do século XIII um reino já formado, conhecemos nas suas linhas gerais, as fases e lutas do período de formação dêsse reino, admiramos um resultado, mas queremos mais: saber como se consolidou o novo estado. Ora esta consolidação revela-se nos documentos da época e é a êles que devemos recorrer para adquirir conhecimento mais profundo.
Entre os documentos são de importância preponderante os públicos, os que, emanados do poder central, organizaram o país, distribuíram as terras, privilegiando-as e orientando a sua colonização material e moral. Estes documentos atraíram, pois, em primeiro logar, a atenção de quem desejava estudar a génese da nação portuguesa.
Para poder analisar no seu justo valor os documentos régios, era necessário conhecer as regras e os usos da chancelaria que os fêz. O estudo da chancelaria régia e a reünião de todos os documentos dela saídos era, portanto, tarefa que se impunha, tanto mais que alguns problemas históricos só poderão resolver-se depois de obtido o esclarecimento de certos problemas diplomáticos."
(Excerto da Introdução)
Tábua de matérias:
Dedicatória | Duo simplicia verba, pelo Professor Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos | Introdução | Textos e sumários | Lista de documentos particulares em que houve intervenção ou confirmação de Afonso Henriques | Erratas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, frágeis, com defeitos. Lombada destituída de papel. Interior correcto. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
85€

03 abril, 2026

LIVRO DE ORIGENS PORTUGUÊS (L. O. P.).
Registos n.os 18001 a 23000. Volume X- CLUBE PORTUGUÊS DE CANICULTURA. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Oficina Gráfica, Lda. - Lisboa], 1977. In-8.º (21,5x15 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante repositório de dados caninos - raças, campeões, etc., - e estrutura administrativa, - com interesse para a história e organização do Livro de Origens Português (LOP).
Índice:
Clube Português de Canicultura: Direcção; Comissões; Membros de Honra; Membros Natos; Vogais | Raças por Grupos | Juízes do C. P. C. | Afixos - Prefixos e Sufixos | Campeões de Beleza Portugueses | Abreviaturas | Notas Importantes | Registos N.os 18 001 a 23 000 - Por ordem alfabética | Raças e Variedades - Ordem alfabética dos registos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

16 março, 2026

CORREIA, Dr. Vergílio & GIRÃO, Dr. A. De Amorim & SOARES, Dr. Torquato de Souza – EXCURSÕES NO CENTRO DE PORTUGAL. [Paisagem - Arte - História]. Por... Professores da Faculdade de Letras. Instituto de Alta Cultura - Curso de Férias. Universidade de Coimbra : Faculdade de Letras. Coímbra, Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, 1939. In-8.º (19,5x12 cm) de 160, [2] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Bonito guia paisagístico e cultural da zona centro do país.
Invulgar e muito interessante.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 101 fotogravuras no texto e um mapa desdobrável da Região Centro do país.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
Indisponível

22 fevereiro, 2026

MATTOSO, José -
O REINO DOS MORTOS NA IDADE MÉDIA PENINSULAR.
Sob a direcção de... Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996. In-4.º (24x16,5 cm) de 239, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de estudos históricos sobre a morte e a forma como esta era encarada na Península Ibérica pelo homem medievo.
Obra dirigida pelo Prof. José Mattoso, que aliás assina a maioria dos trabalhos, ilustrada no texto com quadros, tabelas e fotografias, sendo alguns em página inteira.
"O conjunto de artigos que aqui se publica constitui o primeiro resultado palpável de um projecto de investigação iniciado em 1989 e que nessa altura surgia sob o título de «Representações mentais do invisível em Portugal medieval». [...] De facto, pareceu-me desde logo que a representação mental do mundo dos mortos constituía, porventura, o principal lugar do imaginário do invisível: aquele núcleo a partir do qual se organiza o pensamento simbólico e discursivo acerca das forças e entidades invisíveis a que se atribuía uma acção real ou imaginária sobre a vida dos homens. Assim acontece, principalmente, para a cultura e religião populares, onde a acção dos deuses ou de Deus tem um lugar secundário, e em que, pelo contrário, se verifica uma evidente contiguidade entre a acção dos mortos, a influência das forças anímicas da natureza, e a intervenção dos anjos e santos (potências benéficas) e dos demónios (potências maléficas)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
José Mattoso: Introdução | Cláudio Torres e Santiago Macias: Rituais funerários paleocristãos e islâmicos nas necrópoles de Mértola | Maria do Rosário Bastos: Testemunhos hispânicos sobre o mundo dos mortos nos séculos IV a VIII | José Mattoso: Os rituais da morte na litúrgia hispânica (séculos VI a XI) | José Mattoso: O culto dos mortos no fim do século XI | José Mattoso: O culto dos mortos em Cister no templo de São Bernardo | Maria do Rosário Bastos: Prescrições sinodais sobre o culto dos mortos nos séculos XIII a XIV | Isabel Castro Pina: Ritos e imaginário da morte em testamentos dos séculos XIV e XV | Hermínia Vasconcelos Vilar: Rituais da morte em testamentos dos séculos XIV a XV (Coimbra e Santarém) | Adelaide Pereira Millán da Costa: O espaço dos vivos e o espaço dos mortos nas cidades da Baixa Idade Média | José Mattoso: A morte dos reis na crónica pré-afonsina | José Mattoso: O pranto fúnebre na poesia trovadoresca galego-portuguesa | José Mattoso: O imaginário do além-túmulo nos exempla peninsulares da Idade Média | José Mattoso: A utilização dos Diálogos de Gregório Magno pelo Libro de los exemplos.
José Mattoso (1933-2023). "Foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal."
(Fonte: https://www.almedina.net/autor/jos-mattoso-1563855594)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

21 fevereiro, 2026

MAW, Henrique Lister -
NARRATIVA DA PASSAGEM DO PACIFICO AO ATLANTICO, A TRAVEZ DOS ANDES NAS PROVINCIAS DO NORTE DO PERU, E DESCENDO PELO RIO AMAZONAS, ATÉ AO PARA.
Por... Traduzida do inglez. Liverpool, Impressa por F. B. Wright. 1831. In-8.º (22x14 cm) de [6], viii, 318, [2] p. ; [2] mapas ; E.
1.ª edição.
Relato de viagem do Tenente Henry Maw através da América do Sul, de costa a costa, - ente o Perú e o Brasil, - ligando oceanos - Pacífico e Atlântico. Trata-se de um documento histórico, importante manancial de informação sobre as terras percorridas, os seus habitantes, história e costumes, versando sobretudo sobre os índios do Perú e do Brasil. A tradução para o português é da autoria de Antonio J. da Costa, Cônsul de Portugal em Liverpool, que também se encarregou da nota de abertura, evidenciando nesta o objectivo primordial do seu trabalho - abrir a porta ao comércio entre o reino e os países americanos.
Ilustrado no texto com inúmeros quadros e tabelas estatísticas e, em separado, com 2 desdobráveis:
- Plano do Amazonas que deve acompanhar a Narrativa do Tenente Maw (21,5x47 cm);
- Mapa-resumo estatístico (21,5x22 cm).
"Saõ taõ poucas as publicaçoens que existem na nossa lingoa sobre as differentes producçoens da America do Sul, e mesmo sobre as do Brasil, que julguei seria de alguma utilidade a traducçaõ da narrativa do Tenente Maw, e confio que o leitor a achará instructiva e interessante.
O consideravel commercio que quasi todas as naçoens hoje fazem com as antigas colomnias Hespanholas, e a certeza que tenho de que muitos dos generos de industria e cultura Portuguesa podiaõ ter vantajosa extracçaõ naquelles mercados, exigem o chamar a attençaõ do Governo á necessidade de fazer augmentar para aquelle vasto Continente o valor das nossas exportaçoens , e ainda que esta narrativa só trate limitadamente das producçoens d'algumas partes do Peru, e do Brasil, nenhuma existe, que hum commercio lucrativo e valioso se offerece taõbem á naçaõ Portuguesa com o Chili, Buenos Ayres, Columbia, Mexico &cª., promovendo o Governo que se obtênhaõ aquellas prévias informaçoens que se fazem necessarias, e alterando os Regulamentos que obstaõ á admissaõ dos nossos generos naquelles mercados, e á dos productos destes differentes paizes em Portugal."
(Excerto do Preâmbulo)
Conteudo:
[Preâmbulo] | I - Causas que motiváraó a expediçaõ. II - Chego a Campana, ou Campainha de Huanchaco, o pôrto de Truxillo. III - Deixo Caxamarca. IV - Deixo Chachapoyas. V - Jornada a pé a Balsa Puerto. VI - Embarcâmos em Canôas. VII - Deixâmos Laguna. VIII - Desembarcâmos em Tabitinga. IX - Sahimos de Tabitinga. X - Deixámos Egas, e procedêmos pelo Amazonas abaixo. XI - Procedêmos pelo Amazonas abaixo. XII - Chegâmos ao Pará. | Conclusaõ | Appendice.
Henry Lister Maw (Warmsworth Hall, Doncaster, Yorkshire, Inglaterra, 1801 - Birkenhead, Wirral, Cheshire, Inglaterra, 1874). "Foi um tenente da Marinha Britânica que explorou a Amazónia em 1827, publicando mais tarde, em 1829, Journal of a passage from the Pacific to the Atlantic : crossing the Andes in the northern provinces of Peru, and descending the River Marañon or Amazon. Durante esta viagem reuniu apreciável coleção de objectos das regiões atravessadas, que doou ao Museu Britânico em 1831."
(Fonte: https://www.britishmuseum.org/collection/term/BIOG126078)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Páginas escurecidas por oxidação devido à fraca qualidade do papel.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Peça de colecção.
Indisponível

26 janeiro, 2026

PAPE, Estevão -
GUIA DO CAÇADOR
. [S.l.], Exame - B.A&N, Comunicação e Imagem, 1992. In-8.º esguio (22x10 cm) de [48] p. ; il. ; B.
1.ª edição. 
Interessante guia do caçador, manancial de informações relevantes sobre, onde, quando e como caçar no território nacional.
Elaborado com a colaboração de Estevão Pape, conhecido médico de Medicina Interna e Diabetologia, caçador de longa data e presidente do Clube Português de Monteiros.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada no interior com fotografias a cores, mapas, publicidade, quadros e tabelas cinegéticas.
"Há, nos últimos anos, uma clara evolução na forma como em Portugal se encara a caça. Particularmente no passado mais recente, têm surgido nos meios de comunicação numerosos artigos onde claramente se reconhece que a exploração racional dos recursos silvestres é indispensável - muito especialmente naqueles países em que a exploração agrícola é pouco rentável por razões de pobreza dos solos e das dificuldades do clima - sendo considerada a caça como uma das formas mais rentáveis dessa exploração. [...]
O aparecimento de um Guia do Caçador como este, ao qual desejo o maior êxito futuro, é já uma evidência de que a caça é um recurso natural renovável de grande importância económica, que poderá envolver a actividade competente de muitas centenas de empresários e de milhares de agricultores, para benefício directo de mais de trezentos mil caçadores e de muitos milhares de apaixonados pela Natureza e pela fauna bravia."
(Excerto de Agricultura, Caça e Conservação da Natureza, por João Bugalho)
Índice:
Agricultura, Caça e Conservação da Natureza | Regime Cinegético Especial: Organizar a actividade venatória e gerir o património cinegético nacional | Onde caçar em Portugal: 21 herdades, reservas de caça e coutadas, com respectiva foto e ficha técnica | Mapa espécies.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
30€

17 dezembro, 2025

JARDIM, Cypriano -
PROJECTO DE AEROSTATO DIRIGIVEL.
Inventado por... Extracto do Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes : N.º XLVIII - Lisboa - 1888. Lisboa, [s.l.], 1888. In-4.º (25x16 cm) de 26, [2] p. ; [4] f. desdob. ; B.
1.ª edição independente.
Separata factícia do Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, N.º XLVIII, 1888.
Importante projecto aeronáutico, pioneiro, com interesse para a história da aviação contemporânea portuguesa, o primeiro que entre nós se fez sobre este tema, na época ombreando com outros estudos do género desenvolvidos no estrangeiro, sobretudo em França, onde aliás, pela primeira vez, o invento foi testado pelo seu autor, sob o escrutínio atento e conhecedor de altas autoridades civis e militares internacionais.
Ilustrado com 4 folhas desdobráveis reproduzindo desenhos esquemáticos do aparelho.
Na primeira parte do livro, no I capítulo, o autor faz uma súmula dos vários projectos de aerostatos que antecederam o seu, apresentando de seguida, no II capítulo, o seu trabalho. A segunda parte do livro - págs 15/6 - dão lugar ao Supplemento ao Projecto de Aerostato Dirigivel, que contém um figura desdobrável não numerada. A terceira parte - a partir da pág. 17 até final - é preenchida pelo Additamento descriptivo ao Projecto de Aerostato Dirigivel, que inclui 3 figuras desdobráveis numeradas de 1 a 3.
Obra rara, histórica, e muitíssimo interessante. A BNP não menciona.
"Senhores. - Apesar de todos os esforços, até hoje empregados por tantos professores e sabios estrangeiros, a fim de ser resolvido o problema da navegação aerea, por meio pratico, e que previna todas as circumstancias calculadas pelas previsões feitas para cada experiencia, é certo, que ninguem chegou até hoje a uma solução cathegorica..."
(Excerto do Cap. I)
"Submetendo ao julgamento da Academia Real das Sciencias portugueza um projecto de aerostato, que porventura julguemos o mais pratico, e portanto o mais approximado do que em absoluto deve ser uma locomovel-aerea, não temos nós o assomo de achar a resolução definitiva de um problema, que ha tantos annos resiste aos esforços de quantos o têem atacado.
O nosso proposito é outro. Acceitando, como demonstrado, o principio de que a velocidade do aerostato será sempre alcançada para os ventos normaes, entendemos que, os que trabalham na solução pratica do problema, devem seguir novo caminho, e fazer convergir todos os seus esforços para a questão, principal hoje, de prolongar os meios de acção, tornando exequivel a viagem aerea, que deve ser feita, afinal, em condições de segurança e duração capazes de animar a todos a preferir este systema ao antigo até hoje praticado. [...]
Ninguem pensava nos effeitos, para a segurança da viagem, da perda do hydrogenio nas descidas, e da perda do lastro nas subidas.
Ninguem pensou que nunca se poderia fazer uma viajem longa, desde que os meios que lhes forneciam a força propulsiva se extinguiriam rapidamente, tornando inutil, ao cabo de poucas horas, a vantagem que lhes provinha da velocidade alcançada.
É isto que nós tentamos remediar As viagens aereas não podem limitar-se ao transporte de um ou mais individuos para um ponto desviado 10 ou 15 leguas do primeiro.
Uma tal descoberta não pode ficar nos limites, estreitos hoje, de uma viagem de caminho de ferro.
Ha ainda muitas regiões ignoradas, onde a navegação maritima não logrou até hoje chagar. Lá irá o descobridor do espaço, quando de dentro da sua barquinha poder dominar, como rei dos ares, as inconstancias da atmosphera, e aproveitar, como ser intelligente e sabedor, as leis immutaveis da atracção universal."
(Excerto do Cap. II)
Cipriano Leite Pereira Jardim (1841-1913). "Nasceu em Coimbra no dia 24 de setembro de 1841. Aos 19 anos, alistou-se no exército como voluntário. Já levava feito o liceu, onde aprendera inglês e francês, latinidade, filosofia, história natural, oratória, geografia, história e cronologia.
[Em 1887], quando já era major, será outro o seu caminho: em setembro, o Ministério da Guerra enviou-o a França para adquirir um parque de aeroestação. Cipriano resolveu estudar o assunto e aproveitar a oportunidade de expor as conclusões aos congéneres franceses, apresentando a sua invenção, materializada por Henri Lachambre a 28 de dezembro, dia do 16.º aniversário da atribuição do título de visconde Monte São a seu pai e que herdara uns meses antes.
Ciente da necessidade da aprovação pelos pares, apresentou uma memória à Academia Real das Ciências de Lisboa. Meses depois, deu uma conferência na Sorbonne, perante uma numerosa assistência saída dos dois mil convites enviados a toda a comunidade científica e à imprensa francesa. De regresso ao reino, fez uma demonstração no Teatro de S. Carlos, no dia 23 de abril de 1888. Tudo dez anos antes de o brasileiro Santos Dumont apresentar o seu dirigível.
Cipriano mostrou um balão revolucionário, graças ao hidrogénio e a um motor de propulsão. Pegou nas experiências do pioneiro francês Charles Renard, apurou-lhe a forma e sobretudo o sistema. Até à data, “não se conhecia meio de fazer subir um balão na atmosfera que não fosse o de lançar fora da barquinha uma porção de lastro” e de libertar gás para a descida. “Uma viagem no balão Jardim será feita nas condições de uma viagem em caminho de ferro”, afirmava a revista “Ocidente” em 1888.
O português, dando ao aeronauta a capacidade de manobra, inventara o modo de evitar o “terrível choque com o solo” que constituía a aterragem. Embora não se percebesse porque fora 'dar o ouro' ao estrangeiro, Cipriano triunfara num país que gastava ”milhões de francos em estudos e experiências” sem conseguir obter “a última palavra sobre o assunto”. O governo francês há de agraciá-lo com a Legião de Honra, mas no seu país será promovido de posto ao mesmo tempo que irá caindo no esquecimento até à sua morte, como general reformado, no dia 27 de outubro de 1913."
(Fonte: https://expresso.pt/sociedade/2018-05-28-Cipriano-Jardim-inventor-desprezado)
Exemplar m brochura, bem conservado. Interior apresenta oxidação.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
150€
 

15 dezembro, 2025

PORTUGAL E ALEMANHA. Documentos relativos à decisão por via arbitral das divergências entre os dois Países acêrca das indemnizações por prejuízos causados a Portugal desde 31 de Julho de 1914 até à sua entrada na guerra - Ministério dos Negócios Estrangeiros. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1936. In-4.º (28x16 cm) de 340 p. ; B.
1.ª edição.
Edição bilíngue (português-francês).
Os documentos que integram o presente trabalho foram transcritos, na sua maioria, do original, em francês.
"Pelo artigo 232.º do Tratado de Versailles ficou a Alemanha constituída na obrigação de reparar determinadas espécies de prejuízos, e entre estes todos os causados pela agressão alemã à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e aos seus bens durante o período em que entre essa Potência e a Alemanha tivessem existido o estado de guerra.
Mas, porque Potências havia que, embora só tivessem passado ao estado de beligerância para com a Alemanha posteriormente a 31 de Julho de 1914, tinham, entre esta data e a da sua entrada na guerra, sofrido prejuízos por virtude de actos cometidos por aquele Estado, foi inserta também no Tratado de Versailles, no § 4.º do anexo aos artigos 297.º e 298.º, uma disposição segunda a qual os bens, direitos e interêsses dos nacionais alemãis no território de uma Potência aliada, assim como o produto liquido da sua venda, liquidação ou outras medidas de disposição podiam ser onerados por esta Potência pelo pagamento das reclamações apresentadas por actos cometidos pelo Govêrno alemão ou por qualquer autoridade alemã, posteriormente a 31 de Julho de 1914 e antes que a mesma potência tomasse parte na guerra; para fixar o quantitativo deste espécie de reclamações, o govêrno interessado poderia recorrer a um árbitro designado pelo Sr. Gustave Ador, antigo presidente da Confederação Helvética, ou ao Tribunal Arbitral Mixto previsto na secção VI da parte X do tratado de Paz..."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€