Mostrar mensagens com a etiqueta Invenções. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Invenções. Mostrar todas as mensagens

17 dezembro, 2025

JARDIM, Cypriano -
PROJECTO DE AEROSTATO DIRIGIVEL.
Inventado por... Extracto do Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes : N.º XLVIII - Lisboa - 1888. Lisboa, [s.l.], 1888. In-4.º (25x16 cm) de 26, [2] p. ; [4] f. desdob. ; B.
1.ª edição independente.
Separata factícia do Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, N.º XLVIII, 1888.
Importante projecto aeronáutico, pioneiro, com interesse para a história da aviação contemporânea portuguesa, o primeiro que entre nós se fez sobre este tema, na época ombreando com outros estudos do género desenvolvidos no estrangeiro, sobretudo em França, onde aliás, pela primeira vez, o invento foi testado pelo seu autor, sob o escrutínio atento e conhecedor de altas autoridades civis e militares internacionais.
Ilustrado com 4 folhas desdobráveis reproduzindo desenhos esquemáticos do aparelho.
Na primeira parte do livro, no I capítulo, o autor faz uma súmula dos vários projectos de aerostatos que antecederam o seu, apresentando de seguida, no II capítulo, o seu trabalho. A segunda parte do livro - págs 15/6 - dão lugar ao Supplemento ao Projecto de Aerostato Dirigivel, que contém um figura desdobrável não numerada. A terceira parte - a partir da pág. 17 até final - é preenchida pelo Additamento descriptivo ao Projecto de Aerostato Dirigivel, que inclui 3 figuras desdobráveis numeradas de 1 a 3.
Obra rara, histórica, e muitíssimo interessante. A BNP não menciona.
"Senhores. - Apesar de todos os esforços, até hoje empregados por tantos professores e sabios estrangeiros, a fim de ser resolvido o problema da navegação aerea, por meio pratico, e que previna todas as circumstancias calculadas pelas previsões feitas para cada experiencia, é certo, que ninguem chegou até hoje a uma solução cathegorica..."
(Excerto do Cap. I)
"Submetendo ao julgamento da Academia Real das Sciencias portugueza um projecto de aerostato, que porventura julguemos o mais pratico, e portanto o mais approximado do que em absoluto deve ser uma locomovel-aerea, não temos nós o assomo de achar a resolução definitiva de um problema, que ha tantos annos resiste aos esforços de quantos o têem atacado.
O nosso proposito é outro. Acceitando, como demonstrado, o principio de que a velocidade do aerostato será sempre alcançada para os ventos normaes, entendemos que, os que trabalham na solução pratica do problema, devem seguir novo caminho, e fazer convergir todos os seus esforços para a questão, principal hoje, de prolongar os meios de acção, tornando exequivel a viagem aerea, que deve ser feita, afinal, em condições de segurança e duração capazes de animar a todos a preferir este systema ao antigo até hoje praticado. [...]
Ninguem pensava nos effeitos, para a segurança da viagem, da perda do hydrogenio nas descidas, e da perda do lastro nas subidas.
Ninguem pensou que nunca se poderia fazer uma viajem longa, desde que os meios que lhes forneciam a força propulsiva se extinguiriam rapidamente, tornando inutil, ao cabo de poucas horas, a vantagem que lhes provinha da velocidade alcançada.
É isto que nós tentamos remediar As viagens aereas não podem limitar-se ao transporte de um ou mais individuos para um ponto desviado 10 ou 15 leguas do primeiro.
Uma tal descoberta não pode ficar nos limites, estreitos hoje, de uma viagem de caminho de ferro.
Ha ainda muitas regiões ignoradas, onde a navegação maritima não logrou até hoje chagar. Lá irá o descobridor do espaço, quando de dentro da sua barquinha poder dominar, como rei dos ares, as inconstancias da atmosphera, e aproveitar, como ser intelligente e sabedor, as leis immutaveis da atracção universal."
(Excerto do Cap. II)
Cipriano Leite Pereira Jardim (1841-1913). "Nasceu em Coimbra no dia 24 de setembro de 1841. Aos 19 anos, alistou-se no exército como voluntário. Já levava feito o liceu, onde aprendera inglês e francês, latinidade, filosofia, história natural, oratória, geografia, história e cronologia.
[Em 1887], quando já era major, será outro o seu caminho: em setembro, o Ministério da Guerra enviou-o a França para adquirir um parque de aeroestação. Cipriano resolveu estudar o assunto e aproveitar a oportunidade de expor as conclusões aos congéneres franceses, apresentando a sua invenção, materializada por Henri Lachambre a 28 de dezembro, dia do 16.º aniversário da atribuição do título de visconde Monte São a seu pai e que herdara uns meses antes.
Ciente da necessidade da aprovação pelos pares, apresentou uma memória à Academia Real das Ciências de Lisboa. Meses depois, deu uma conferência na Sorbonne, perante uma numerosa assistência saída dos dois mil convites enviados a toda a comunidade científica e à imprensa francesa. De regresso ao reino, fez uma demonstração no Teatro de S. Carlos, no dia 23 de abril de 1888. Tudo dez anos antes de o brasileiro Santos Dumont apresentar o seu dirigível.
Cipriano mostrou um balão revolucionário, graças ao hidrogénio e a um motor de propulsão. Pegou nas experiências do pioneiro francês Charles Renard, apurou-lhe a forma e sobretudo o sistema. Até à data, “não se conhecia meio de fazer subir um balão na atmosfera que não fosse o de lançar fora da barquinha uma porção de lastro” e de libertar gás para a descida. “Uma viagem no balão Jardim será feita nas condições de uma viagem em caminho de ferro”, afirmava a revista “Ocidente” em 1888.
O português, dando ao aeronauta a capacidade de manobra, inventara o modo de evitar o “terrível choque com o solo” que constituía a aterragem. Embora não se percebesse porque fora 'dar o ouro' ao estrangeiro, Cipriano triunfara num país que gastava ”milhões de francos em estudos e experiências” sem conseguir obter “a última palavra sobre o assunto”. O governo francês há de agraciá-lo com a Legião de Honra, mas no seu país será promovido de posto ao mesmo tempo que irá caindo no esquecimento até à sua morte, como general reformado, no dia 27 de outubro de 1913."
(Fonte: https://expresso.pt/sociedade/2018-05-28-Cipriano-Jardim-inventor-desprezado)
Exemplar m brochura, bem conservado. Interior apresenta oxidação.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
150€
 

17 janeiro, 2023

VITERBO, Sousa - INVENTORES PORTUGUESES.
Segunda Série (obra póstuma). Propriedade e edição da família do autor
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1914. In-8.º (22,5 cm) de [4], 38, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosa monografia sobre os inventores portugueses. Trabalho organizado por ordem alfabética de apelido, com descrição das novas criações - algumas verdadeiramente insólitas - e respectiva utilidade e aplicações.
Obra inicialmente publicada no vol. 61.º  do Instituto, vertida na presente separata.
Tiragem limitada a 50 exemplares, que não foram postos à venda.
"Teem aparecido há tempos entre nós bastantes indivíduos que pretendem ter inventado ou modificado para melhor diversos aparelhos e processos industriais e scientíficos.
Inegavelmente nem todos possuirão a mesma competência, embora não lhes falte habilidade. O curioso é um produto indigena muito frequente e pena é que ele, em vez de dar melhor rumo à sua aptidão, a consuma em futilidades e bugigangas, ou em produtos que só se tornam recomendaveis pelos extremos duma paciência chineza. Convêm da mesma forma joeirar os os ingénuos e os lunaticos, que ainda pensam na quadratura do círculo e no motu contínuo, e os charlatães, que procurar iludir a boa fé dos outros, envergonhando-nos aos olhos dos estrangeiros."
(Excerto do preâmbulo)
Francisco Marques de Sousa Viterbo (1845-1910). "Personalidade multifacetada, foi poeta, arqueólogo, historiador e jornalista. Nasceu em 1845, no Porto, e morreu em 1910, em Lisboa. De rígida educação religiosa, frequentou o seminário do Porto durante a sua adolescência. Formou-se depois em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica, mas logo abandonou o exercício daquela ciência para se dedicar a trabalhos históricos e arqueológicos, com os quais tanto se notabilizaria dentro e fora do país. Toda a sua obra revela-nos um historiógrafo defensor dos valores maiores da cultura portuguesa. De entre os títulos publicados, destacam-se Arte e Artistas em Portugal e Contribuição para a História das Artes e Indústrias Portuguesas. Graças ao seu labor incansável, muitos dados biográficos de personalidades como Damião de Góis e Gil Vicente vieram à luz. Sousa Viterbo foi ainda fundador da Associação de Jornalistas e Escritores Portugueses."
(Fonte: infopedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com sinais de humidade na capa, levando a um ligeiro "esboroamento" marginal.
Raro.
Indisponível

08 maio, 2022

"VIGORIZADOR ELECTRICO" (MARCA DE FABRICA) DO DR. McLAUGHLIN
. Lisboa, Imprensa de Libanio da Silva, 1904. In-8.º (20 cm) de 86 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro de propaganda a um aparelho - o Vigorizador Eléctico - apresentado como meio para a cura de diferentes maleitas por acção da corrente eléctrica, invento do Dr. McLaughlin, com consultório em meio mundo, incluindo Lisboa, na Rua Augusta, 188 - 2.º andar. Impresso nos primeiros anos do novo século, em período de franca expansão dos conceitos teórico-práticos do magnetismo animal, trata-se de um interessante exemplo de marketing americano, desenvolvido em época de poucas (ou nenhumas) restrições à imaginação e promoção da charlatanice, mais ou menos bem intencionada. Raro e muito curioso.
Ilustrado ao longo do texto com desenhos e gravuras, bem como diversas estampas em página inteira.
"Vivemos da edade electrica. Atravessamos um periodo e inventos no ramo da electricidade e nada mais justo que se façam grandes progressos na applicação do dito agente physico para a cura de muitos padecimentos que atacam o homem. [...]
A experiencia, acompanhada de um estudo conscencioso e cheio de fé; uma observação detida das necessidades dos enfermos e dos debeis, combinada com uma ambição ardente de applicar os meios que podessem combater mais efficazmente os elementos que originam o enfraquecimento do organismo, permittiram-me criar um dos methodos mais maravilhosos da applicação da electricidade ao organismo humano, e congratulo-me do meu exito por haver aperfeiçoado um apparelho que vence todos o inconvenientes inherentes no emprego da electricidade e que cura em absoluto em conformidade com a exposição de factos simples e sincera, para pessoas doentes, e por haver organizado o maior negocio de esta classe que ha no mundo.
Com milhares de curas que já se levaram a effeito, e milhares de pessoas agradecidas que expressam em voz alta a sua gratidão por havel-os livrado dos horrores da dôr e da decrépitude, como garantia de futuro exito, espero aimda maiores resultados dos meus sforços para demonstrar á verdade do xioma de toda a minha vida, «que a electricidade é a base de toda a vida animal e sem ella não poderiamos viver».
Estas palavas prestam-se a um profundo estudo, e a vós, os que buscaes a saude, as recommendo, assim como muitas outras verdades que encerra este livro."
(Excerto da Introducção pelo Dr. M. A. McLaughlin)
"É um facto demonstrado que a electricidade é o mais natural de todos os remedios para a cura das doenças que affligem o corpo human o. Todo o medico que professe idéas modernas advoga o tratamento electrico e reconhece a sua superioridade sobre todos os agentes medicos, sobre tudo na sua applicação ás doenças que se relacionam com o systema nervoso. Esta é a admissão pratica da força electrica sobre os nervos e orgãos vitaes, de onde resulta para toda a pessoa pensadora, a convicção de que o meio de applicar tão poderoso agente de uma maneira efficaz, deveria considerar-se como a maior fortuna para a humanidade enferma."
(Excerto de Discurso sobre os processos do Dr. McLaughlin)
"Quando nos detemos a considerar que o nosso systema nervoso é a fonte e vida para os rins, o figado, o estomago, o cerebro, os orgãos sexuaes, e as varias funcções organicas do corpo e que depende a sua existencia do elemento vivificador da electricidade, e que sem esta vida é impossivel que o corpo possa manter a sua condição normal... [...]
Era. por tanto, de imperiosa necessidade o averiguar ou descobrir um meio simples, economico, mas efficaz, que podesse produzir e applicar correntes electricas, sem que levasse juntos os inconvenientes que se experimentam no uso de remedios ordinarios; e este vasio é o que veio preencher o Dr. McLaughlin, ao inventar o seu Vulgarizador Electrico.
Attentos sempre ás necessidades de todos aquelles a cuja saude tem dedicado os seus maiores disvellos o Dr. McLaughlin, vem de anno em anno melhorando o seu invento, até que o consegio levar ao mais alto grao de perfeição, abarcando n'este simples apparelho um meio de saturar o organismo de electricidade de uma maneira suave e fortalecente, rodeando, a parte dorida ou lesionada por uma corrente galvanica suave e continua que terá que infundir n'aquella saude, dia por dia, sem interromper para nada os habitos usuaes do padecente, e proporcionando uma cura simples e de senso commum, que tem bem merecida a immensa fama que disfructa hoje em dia em todas as partes do mundo civilisado."
(Excerto de Alguns factos que demonstram que o Vigorizador Electrico do Dr. McLaughlin é uma cura ou remedio natural)
Matérias: Introducção.| Discurso sobre os processos do Dr. McLaughlin. | Alguns factos que demonstram que o Vigorizador Electrico do Dr. McLaughlin é uma cura ou remedio natural. | Algumas palavras acerca dos nossos famosos apparelhos. | Mal de Bright [Insuficiência Renal Crónica]. | A electricidade como curativo. | Algumas palavras aos que soffrem. | Dor nas costas. | Varicocele. | Os tres periodos de debilidade seminal. | Um regulador para graduar a força electrica. | Dores rheumaticas. | Vinte annos de progresso. | O systema nervoso. | Dyspepsia ou indigestão. | A força de vitalidade em diversas edades. | Recusem-se os apparelhos baratos e de nenhum valor. | Pode cada um curar-se a si mesmo? | Homens que parecem gigantes na sua estructura physica e que não obstante carecem de potencia sexual. | O Vigorizador Electrico combate as perdas seminaes. | Aos homens que trabalham. | Padecimentos femininos. | Lista dos Consultorios e Escriptorios do Dr. McLaughlin e Companhia. | Lista dos preços dos Vigorizadores Electricos do Dr. Mclaughlin, para ambos os sexos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

27 setembro, 2019

VITERBO, Sousa - INVENTORES PORTUGUESES. Segunda Série (obra póstuma). Propriedade e edição da família do autor. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1914. In-8.º (22,5 cm) de [4], 38, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Dêste opúsculo, primitivamente publicado no volume 61.º do Instituto, se tiraram 50 exemplares em Separata, que não foram postos à venda.
Importante subsídio para a história dos inventores portugueses. Anteriormente, em 1902, foi publicada a 1.ª Série.
Obra organizada por ordem alfabética dos apelidos, Sousa Viterbo dá notícia dos inventores do seu conhecimento, incluindo uma breve nota biográfica e os respectivos "inventos".
"Teem aparecido há tempos entre nós bastantes individuos que pretendem ter inventado ou modificado para melhor diversos aparelhos e processos industriais e scientificos.
Inegavelmente nem todos possuirão a mesma competência, embora não lhes falte habilidade. O curioso é um produto indigena muito frequente e pena é que ele, em vez de dar melhor rumo à sua aptidão, a consuma em futilidades e bugigangas, ou em produtos que só se tornam recomendaveis pelos extremos duma paciência chineza. Convêm da mesma forma joeirar os ingenuos e os lunaticos, que ainda pensam na quadratura do círculo e no moto contínuo, e os charlatães, que procuram iludir a boa fé dos outros, envergonhando-nos aos olhos dos estrangeiros. [...]
Seguem-se alguns nomes de inventores que pude respigar na reduzida ceara das invenções."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado, por abrir, em razoável estado de conservação. Capas apresentam sinais de humidade no corte lateral e pequenas falhas de papel do mesmo local.
Raro.
20€

23 novembro, 2018

AZEVEDO, José João da Silva - EXPLICAÇÕES ÁCERCA DA CITHRALIA E DO PARTIDO QUE PÓDE TIRAR-SE D'ESTE NOVO INSTRUMENTO DE CORDAS. Pelo seu organisador... Em 30 de Junho de 1867. Porto, Typographia Comercial, 1867. In-8.º (20,5 cm) de 15, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre a cithralia, um novo instrumento musical de 7 cordas derivado da guitarra, invenção do autor. Figurou na Exposição Musical de Milão, em 1881. Ao longo do opúsculo, José Azevedo descreve o instrumento, que reputa de "mais perfeito" que a guitarra, e expõe as informações técnicas e o modo de o afinar e tocar.
Ilustrado no texto com partituras, e em separado com uma gravura da Cithralia.
"Não é para fallar dos preceitos da musica theorica e pratica, que pego na penna; porque uma e outra cousa se acha tractada no maior gráu de claresa, em a arte que o professor de musica Antonio da Silva Leite, da cidade do Porto, fez imprimir, em cuja arte as pessoas que quizerem estudar musica como o mais exacto fundamento poderão adquirir todos os conhecimentos necessarios. Pego sim d'ella unicamente para fazer algumas explicações ácerca das difficuldades que o estudo e paciencia me fizeram vencer, depois que transformei a antiga guitarra em um outro instrumento, mais perfeito, que denominei = Cithralia = É pois este instrumento derivado da antiga guitarra, de que tracta aquella arte; mas é differente na figura, na encorduadura, e na afinação."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse (sumida) na f. rosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível