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16 julho, 2026

VACCHI, Dante -
PENTEADOS DE ANGOLA
. [S.l.], Dante Vacchi, 1965. In-4.º (23x20,5 cm) de [76] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico sobre os ornamentos e arranjos capilares femininos em Angola.
Trata-se de um photobook etnográfico e antropológico da autoria de Cesare Dante Vacchi, jornalista e aventureiro, famoso pela paternidade (atribuída) da formação e preparação dos Comandos, tropa de elite portuguesa, pouco tempo após o início da Guerra Colonial. A obra regista os elaborados penteados tradicionais de várias tribos angolanas.
Obra trilingue (português/francês/inglês), executada com grande sentido estético e apuro gráfico, ilustrada a cores com fotografias de dezenas de modelos femininos pertencentes a diversas etnias da ex-colónia portuguesa, captadas em diversos estágios da sua vida.
"Nem uma voz humana, guincho, gritos, sussurros, rugidos cavos, melopeias e tam-tans. A alma da noite africana envolve-nos como longos braços frenéticos e um medo primordial surge nos nossos corações. O homem forte é ali redimencionado pela barreira impenetrável do arvoredo que o cerca e a escuridão da noite que repentinamente cai.
Treme, o homem, e teme.
Rasga a escuridão no meio de um Kimbo, uma fogueira, ou o rebrilhar aceso dos olhos de um felino.
No Kimbo a música e a dança, que aqui são verdadeiramente qualquer coisa de outro mundo, seguem leis imutáveis, atávicas; o mais pequeno gesto tem um significado bem definido, cuja origem se perde na noite dos tempos.
Um simbolismo verdadeiramente impenetrável acompanha todas as manifestações de vida negra. Exteriorizadas através de pulseiras, argolas, tatuagens, penteados, pela música e pela dança, pelas fogueiras, por melopeias e feitiços, estas manifestações compõem um quadro completo da vida quotidiana do povoado. [...]
E é a cerimónia da puberdade que dá início aos fantasmagóricos penteados, cerimónia que se reveste, quase sempre, de um carácter ritual pròpriamente dito.
Neste período, mal começam as festas, liberta-se a imaginação em complicados desenhos, arranjo de contas coloridas enfiadas nos cabelos, mantidos compactos e tintos com uma mistura de barro, resina e gordura vegetal ou animal. Então, os penteados mostram se a rapariga celebrou o rito da puberdade antes, durante ou depois da cerimónia ritual. Noutras mulheres, é indicativo apenas da tribo a que pertencem.
Hoje em dia é difícil distinguir, pelo penteado, a tribo à qual a negra pertence, pois as diferenças são tão pequenas que deixam perplexos mesmo os mais conhecedores. Outras vezes indica se é casada ou tem filhos, enquanto que o luto é representado por um penteado simples ao qual faltam os ornamentos vistosos do tempo das festas.
Os cabelos das mulheres são mantidos brilhantes e duros pelo contínuo uso da manteiga e óleos vegetais finíssimos, misturados com substâncias corantes: pó vermelho tirado da casca de certa árvore ou de uma pedra do rochoso planalto, ou de folhas pulverizadas que conservam a cor natural dos cabelos."
(Excerto do Preâmbulo)
Cesare Dante Vacchi (1925-?). Foi um jornalista e aventureiro italiano, considerado o "pai fantasma" e impulsionador da criação dos Comandos, a notável tropa de elite do Exército Português. Nascido em Itália, pouco se sabe da sua infância. Apresentou-se como voluntário no Exército italiano aos 15 anos de idade. No entanto, a sua verdadeira experiência como combatente e líder militar desenvolveu-se mais tarde, na década de 1940, quando comandou milícias em cenário de guerrilha na Itália ocupada. Foi toda essa bagagem adquirida em solo europeu, que o capacitou para preparar os soldados portugueses para esse tipo de confronto no palco africano mais de vinte anos depois.
Na década de 60, viajou como repórter fotográfico para Angola com a foto-jornalista Anne Gauzes, documentando a realidade da Guerra Colonial. Devido ao seu passado militar e tácticas de contra-guerrilha, foi convidado em 1962 a instruir as primeiras unidades de combate do CI 21 em Zemba, Angola, que viriam a dar origem aos Comandos. A sua personalidade e o seu desaparecimento repentino após o treino inicial conferiram-lhe um estatuto lendário e misterioso na história militar portuguesa. Deixou publicada obra multifacetada como autor e fotógrafo, destacando-se livros como Angola 1961-1963 (1964), Penteados de Angola (1965) e Porto (1965), sobre o Douro vinhateiro. Publicou ainda uma reportagem interessantíssima sobre a pesca longínqua portuguesa nos bancos da Terra Nova, redigida a partir do Gil Eannes, na revista Eva do Natal. (1967) (IA)
Encadernação editorial em tela branca com letras a seco e a negro na pasta anterior e na lombada. Vem revestida com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) no interior. Sobrecapa apresenta desgaste marginal, manchas e restauro.
Raro.
45€

29 junho, 2026

ARAGÃO, Maximiano d' -
ESTUDOS HISTORICOS SOBRE PINTURA.
Por... Socio correspondente da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes e de Instituto de Coimbra... etc. Vizeu - Typ. Popular da Liberdade, 1897. In-8.º (21,5x13,5 cm) de [2], VIII, 159, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico sobre a pintura universal e portuguesa, dedicado pelo autor ao Conselheiro José Dias Ferreira.
Estudos Históricos sobre Pintura é uma obra de referência sobre a história da arte portuguesa, publicada originalmente em 1897 pelo historiador e intelectual português Maximiano Pereira da Fonseca e Aragão (1853-1929).O livro foca-se na origem e no desenvolvimento da pintura em Portugal, estabelecendo importantes pontes e paralelismos com a evolução artística europeia. Escrita e impressa na cidade de Viseu, a obra destaca-se tanto pela sua relevância historiográfica e raridade. (IA)
"A apparição d’este livro, cujo auctor nunca soube desenhar e muito menos pintar o mais simples e vulgar dos objectos da natureza ou animada ou inanimada, é um d’aquelles factos que, para comprehender-se, precisa de ser explicado. [...]
 Embrenhado nestes estudos, pelos quaes começou a adquirir um certo gosto, naturalmente recuou da Italia e da Flandres a Roma, á Grecia e ao Egypto, e passou depois á Hollanda, á Alemanha, á França, á Hespanha e a Portugal, para expôr, quanto ao nosso paiz, todas as vicissitudes da pintura desde os primitivos tempos até á actualidade."
(Excerto de Porque escrevi este livro?)
Maximiano Pereira da Fonseca e Aragão (Fagilde, 1853-1929). "Foi um estudioso da cidade e do distrito de Viseu. Nasceu na quinta de Fagilde, em Fornos de Maceira Dão, freguesia do concelho de Mangualde. Aos doze anos mudou-se para Viseu, onde faz a instrução primária e o curso trienal do Seminário, e, mais tarde, para Coimbra onde se licencia em Direito e tira o bacharelato em Teologia. Passou então a exercer a profissão de advogado. Foi ainda administrador de alguns concelhos, professor e reitor do Liceu de Viseu, várias vezes vereador da Câmara Municipal de Viseu, provedor da Santa Casa da Misericórdia, primeiro vice-presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Viseu, presidente da Junta Liberal e um dos sócios fundadores e presidente do Instituto Etnológico da Beira. Em 1914 foi viver para Lisboa onde leccionou no Liceu Camões e trabalhou no Ministério da Instrução. Pertenceu ainda à Junta Geral do Distrito de Viseu e foi um dos fundadores do Asilo da Infância Desvalida. Era considerado um homem bom e um incansável investigador. Maximiano de Aragão teve o mérito de iniciar a investigação sobre Grão Vasco, pintor viseense do século XVI e figura tutelar da cidade e da região, apresentando a primeira prova documental da sua existência."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Folhas escurecidas dada a fraca qualidade do papel.
Muito invulgar.
25€

28 abril, 2026

HISTORIA DO FADO. Versos de Avelino de Sousa. Musica de Alves Coelho. Lisboa, Valentim de Carvalho Editor, [s.d.]. In-fólio (31,5x27 cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.

1.ª edição.
Capa de Stuart Carvalhais (dedicada ao Cap. Menezes Ferreira).
Canção patriótica, cujos versos exaltam o fado, a canção nacional, companheira na gesta portuguesa, - "Soluçou a sorrir nas caravelas (...) Gemeu chorando N'Alcacer Kibir - Cantou vibrando lá nas trincheiras em França."
A Biblioteca Nacional não dá notícia desta obra. O Museu do Fado possui uma cópia digitalizada, sendo no entanto diferente o desenho da capa, também da autoria de Stuart, mas sem a Grande Guerra por tema.
Pela sua beleza, interesse e raridade deve ser encadernado ou emoldurado.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Discreta assinatura de posse.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção. 
35€
Reservado

16 março, 2026

CORREIA, Dr. Vergílio & GIRÃO, Dr. A. De Amorim & SOARES, Dr. Torquato de Souza – EXCURSÕES NO CENTRO DE PORTUGAL. [Paisagem - Arte - História]. Por... Professores da Faculdade de Letras. Instituto de Alta Cultura - Curso de Férias. Universidade de Coimbra : Faculdade de Letras. Coímbra, Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, 1939. In-8.º (19,5x12 cm) de 160, [2] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Bonito guia paisagístico e cultural da zona centro do país.
Invulgar e muito interessante.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 101 fotogravuras no texto e um mapa desdobrável da Região Centro do país.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
Indisponível

26 agosto, 2025

COELHO
, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (19x12 cm) de [2], 422, [8] p. ; mto il. ; E.

Segunda edição - publicada no mesmo ano da primeira - de um clássico da literatura memorialista do meio estudantil coimbrão. Trata-se de uma das mais apreciadas e emblemáticas obras que se escreveram sobre o assunto, belissimamente ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(Excerto de A festa das latas)
Indice:
A festa das latas. | Resurrexit non est hic. | O Saraiva das forças. | Lopes ou Bettencourt? | Poetas balneares. | O Orpheon Academico. | Balthazar, o lethargico! | D, Felicidade. | A Niveleida. | O Lusitano e o Anda a Roda. | A campanha do Ze Pereira. | A sebenta. | Na aula do Chaves. | O «Velho». | As fogueiras do S. João. | A Casaqueida. | Um homem não é de pau. | A récita dos quintannistas. | Alho! Alho! Alho! | A Cabra! | O Bólson das contas lisas. | «Á tabúa!». | «Viu bem?». | Os voluntarios... da Economia!... | O grande Damazio. | «Miserere nobis!». | Leão, rei dos animaes. | Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: Wook)
Bela encadernação meia de pele com cantos, nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Carminado à cabeça. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

05 junho, 2025

SEIXAS, J. M. da Cunha - O PANTITHEISMO NA ARTE : canticos e poesias. Por... Advogado em Lisboa, socio do Instituto de Coimbra, etc. Lisboa, Typographia da Bibliotheca Universal, 1883. In-8.º (17x13 cm) de XL, 279, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante obra em termos literários e filosóficos, cujo objectivo - ambicioso - o autor procura transmitir através da sua devoção ao pantiteísmo, corrente filosófica derivada do sistema de Krause, que reconhece a presença de Deus em tudo.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Manuel J. Teles, cujo carimbo de posse é visível na f. rosto.
"Este livro é nos dominios da arte a expressão de um novo systema de philosophia. Tendo por fito uma obra d'este, aspira a divinisar tudo o que é bello na natureza e na socidade sob a idea pantitheista. [...]
O apostolado de uma idea, se tal fosse a minha mira, poderia consistir, não no convencimento mas ao menos em se conseguir desvio á corrente contraria.
Se eu, solitario e melancholico lidador, conseguir, no pobre outono da minha vida, que alguem pense, já alcanço muito."
(Excerto do Ante-prologo)
José Maria da Cunha Seixas (Trevões, São João da Pesqueira, 1836 - Lisboa, 1895). "Foi um intelectual e filósofo, criador e adepto do pantiteísmo, uma dissidência do krausismo (panenteísmo) que tem por doutrina reconhecer a presença de Deus em todos os lugares e em tudo, mas propondo que apesar de Deus estar em tudo, Deus não se identifica com a coisa criada. [...] Com apenas 14 anos de idade, em 1850, tomou ordens menores iniciando de seguida estudos de teologia. O isolamento em que cresceu e estrita educação católica a que foi submetido parecem ter influenciado a sua personalidade, deixando-o solitário e com poucas aptidões sociais. Manuel António Ferreira Deusdado, que privou com ele, descreve-o assim: "O José Maria da Cunha Seixas não foi nem poderia ser um político, porque lhe faltavam qualidades de adaptação; não poderia ser um dramaturgo, um romancista, porque na sua abstracção não tinha o jeito da observação social. Era excêntrico, ingénuo de mais; muitas coisas não as via, a sua boa-fé quase infantil prejudicou-o muitas vezes e gravemente." Apesar de se ter matriculado no ano de 1858 nos cursos de teologia e filosofia da Universidade de Coimbra, aparentemente para ser eclesiástico, transferiu-se para a Faculdade de Direito daquela Universidade, onde se formou em 27 de Junho de 1864, aprovado Nemine discrepante, com honras de accessit, distinção que já obtivera nos três últimos anos do curso. Ainda estudante em Coimbra iniciou-se como publicista, colaborando com artigos de crítica literária e de política em diversos periódicos, entre os quais O Viriato (Viseu), Comércio de Portugal, Jornal de Lisboa, Académico de Coimbra, Comércio de Lisboa, Jornal do Comércio, Distrito de Beja e muitos outros periódicos, em especial de Lisboa. Terminado o curso, fixou-se em Lisboa, com banca de advogado e como professor de filosofia no Instituto de Ensino Livre de Lisboa. Manteve a sua intensa colaboração com periódicos diversos e fez-se sócio de diversas agremiações científicas, estabelecendo a sua reputação de intelectual."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com duas assinaturas de posse na f. rosto, sendo uma em carimbo oleográfico.
Raro.
Indisponível

24 março, 2025

MAÇARICO, Luís Filipe -
ALDRABAS E BATENTES DE PORTA: Uma Reflexão sobre o Património Imperceptível
. [S.l.], Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular, 2009. In-8.º (21x15 cm) de 64 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história das ferragens - batentes e aldrabas - que estiveram a uso nas portas das casas de há muito até um passado não muito distante.
Ilustrado com 49 fotografias a cores de portas e artefactos objecto do estudo distribuídas por 8 páginas.
"A necessidade de contactar os outros estimulou o ser humano a inventar utensílios, inseridos em sistemas que permitissem comunicar.
Colocados estrategicamente à entrada das portas, batentes e aldrabas, "zelaram" pela tranquilidade e segurança das habitações durante séculos.
A  aldraba abre e fecha a porta, pois está ligada a um trinco que é accionado ao ser rodada, ou chama alguém (tarefa esta similar à do batente, impedindo todavia - pela manifesta impossibilidade em rodar - de facilitar o acesso às casas...). Através do batimento sobre um círculo metálico conhecido por "espera", ambos os objectos contribuem para difundir alegria e desgosto, boato ou segredo.
Para lá da utilização funcional, aflorada nestas linhas, os artefactos mencionados cumpriram - em sintonia - um desempenho simbólico, na medida em que integraram um segundo sistema de protecção, salvaguardando os locatários de espíritos nocivos e maus-olhados, segundo algumas crenças. Ambos participam da ritualização quotidiana de uma convicção ancestral, comum aos povos da bacia mediterrânea.
Efectivamente, estes artefactos, em número significativo, surgem nas portas das ruas de diversas aldeias, cidades e lugares, com um "design" maioritariamente agregado à representação da mão, que se crê incorporada num poder benéfico e protector, na esfera do Sagrado."
(Excerto de 1.1 Aldrabas e batentes. Semelhanças e diferenças) 
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

13 março, 2025

NOBREGA, Padre Silvino Rodrigues da & HOMEM, Francisco de Barros F. Cabral Teixeira - ALVES CARDOSO.
Homenagem da Povoação de Samaiões - (Chaves)
. Chaves, Tipografia Gutenberg, 1930. In-4.º (23,5 cm) de 10 p. ; [8] p. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem de dois insignes flavienses a um filho adoptivo da terra - o pintor Alves Cardoso (1883-1930). Livrinho publicado a expensas dos autores assinalando a morte do artista que havia ocorrido poucas semanas antes.
Obra ilustrada em separado com um fotografia do homenageado em página inteira e 16 reproduções de alguns dos seus quadros mais emblemáticos distribuídos por 7 páginas.
Exemplar n.º 291 de uma tiragem declarada de 400 exemplares numerados e rubricados pelos autores.
"Poucas semanas são passadas sobre a catastrofe nacional, que foi a morte de Alves Cardoso e a sua lembrança pesa ainda sobre aqueles, que o estimaram, como uma abobada de chumbo.
Fazia precisamente dois meses que com a familia deixara esta casa, que para meu deleite espiritual e proveito desta terra costumava quasi todos os anos visitar por alguns meses.
Aqui pintou a maior parte das suas paisagens e quadros de costumes a partir de 1912, ano em que pela primeira vez por aqui veio, ainda solteiro a convite do Snr Manuel M. Alves da Nobrega, que com ele travara conhecimento em Lisboa."
(Excerto de O amigo intimo - Pe. Silvino Nobrega)
"Morreu ha precizamente um mez em plena pujança do seu formosissimo talento, uma das mais fortes organisações de artista que jamais se creou em Portugal.
Artur Alves Cardoso, vitimado por uma septicemia, deixa nas regiões da arte um vácuo que só muito tarde poderá ser preenchido. [...]
Quem escreve estas linhas sem brilho, mas com as lagrimas a mourejarem-lhe os olhos e a pena mal segura na mão trêmula, relembra o seu vulto gentilissimo perpassando em quasi vinte annos de convivencia amiga; é que Alves Cardoso adoptára como sua esta doce minha terra, e no verão anciosamente o esperavamos sendo certa a sua permanencia de meses n'esta freguezia."
(Excerto de Pintor Alves Cardoso - Francisco de Barros)
Artur Alves Cardoso (1883-1930). "Foi discípulo dos pintores Carlos Reis, Cormon e Jean-Paul Laurens. Demonstrando, no início, ainda fortes influências académicas da Pintura de História, foi posteriormente seguidor do Naturalismo ar-livrista e de género, integrando-se no Grupo Silva Porto. Tratou essencialmente temas paisagísticos, animalistas e de costumes populares, caracterizados por um cromatismo vivo e luminoso, de que são exemplo as telas Poeirada de Luz (Museu do Chiado), Outono, O Rebanho e A Merenda (coleção particular dos herdeiros do artista). Tocou, por vezes, o Realismo, tal como atestam Sagrado Viático (coleção particular) e A Morte do Boi (coleção particular). Pintor de cavalete, dedicou-se pontualmente a decorações de interiores como em São Bento e na Maternidade Alfredo da Costa. Foi condecorado com a medalha de honra em Pintura na Sociedade Nacional de Belas-Artes e com a medalha de ouro na Exposição Internacional Panamá-Pacífico."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/Paginas/BiogAlvesCardoso.aspx)
Exemplar em brochura, bem conservado. Ilustrações algo oxidadas.
Muito invulgar.
20€

26 fevereiro, 2025

SOUSA, José Miguel Franco de -
IMAGENS DE CAÇA.
Desenhos e Aguarelas. [S.l.], Prodgraf, 2009. In-fólio (30,5x21,5 cm) de [96] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Belíssima edição impressa em papel de superior qualidade, de grande esmero e apuro gráfico, totalmente devotada à Caça. Livro profusamente ilustrado em página inteira - a p.b. e a cores - com a reprodução de desenhos e aguarelas alusivas ao tema, notando-se sobretudo a omnipresença canina - perdigueiros, podengos, galgos e outros, dos caçadores, e das presas, estando representados cervos, corças, cabras montesas, lebres, patos, perdizes, faisões, javalis, raposas, e até linces e lobos.
Peça artística, muito bela, não mencionada na BNP. Obra de coleccionador. A apresentação ficou a cargo, respectivamente, do autor - em dedicatória, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro de Lancastre.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Dedico este trabalho a quem comigo caçou ao longo de cinco décadas, bem como, a todos os amantes da natureza e da sua fauna. Àqueles que não tiveram a minha sorte de poder viver tão em contacto com o campo e seus animais, quero deixar em imagens essa vivência da forma como eu a vi e vejo. Os caçadores, ao contrário do que muita gente julga, são os maiores defensores da fauna cinegética, pois sem ela não poderiam praticar este desporto. Pena é que muitos dos que se dizem caçadores, não passem de atiradores - caçar não implica matar, tudo o que se passa até à morte da caça, é muito mais bonito que essa morte. [...]
Tentei mostrar a caça do modo que a vejo, poderá ser criticada uma ou outra figura não duvido, mas, são desenhos e aguarelas, não fotografias. No entanto, procurei ser o mais fiel e realista possível."
(Excerto da Dedicatória)
José Miguel Franco de Sousa. "Convivendo com animais durante toda a sua vida, tornaram-se a base do seu trabalho. A sua dedicação à precisão e aos detalhes advém do seu conhecimento da anatomia dos animais, o que torna o seu trabalho muito realista. Tenta sempre transmitir a sensação de movimento e de características o mais próximo possível da realidade.
Por ser caçador, está bem familiarizado com as armas de fogo e com todos os artefactos utilizados neste desporto, bem como com a forma como os cães são utilizados nas diferentes formas de caça. Sendo um cavaleiro apaixonado, sabe também tudo sobre o animal, as diferentes selas e rédeas a utilizar, e os inúmeros movimentos do cavalo, como andar, trotar, galopar ou saltar."
(Fonte: https://artparks.co.uk/artist/jose-miguel-franco-de-sousa/)
Encadernação editorial em tela verde, assinada F. Sousa a seco e bordeaux, revestida de sobrecapa policromada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

15 janeiro, 2025

GOMES, Paulo Varela -
VIEIRA PORTUENSE
. Lisboa, Círculo de Leitores, 2001. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 140, [2] p. ; mto il. ; E.
Importante subsídio biográfico sobre Vieira Portuense, figura de proa da pintura portuguesa, um dos maiores pintores da sua geração, introdutor do neoclassicismo na pintura nacional.
Edição luxuosa, muitíssimo preferível à da Inapa, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com trabalhos emblemáticos do mestre pintor - esboços, desenhos e pinturas.
"Francisco Vieira Portuense (1765-1805) ocupou o lugar português por excelência: o das esperanças frustradas. Falecido aos 40 anos de idade, atravessou como um cometa a cena artística de Portugal entre dois séculos e duas idades do mundo, deixando atrás de si um rasto de brilho e amargura por ter partido tão cedo depois de ter feito tanto e deixado tanto por fazer. Biógrafos e admiradores choraram a sua morte percebendo muito bem que o pintor era muito melhor que a pintura portuguesa da época e que esta, sem ele, dificilmente seria tão boa como a dele fora. [...]
Vieira Portuense continua popular entre nós porque a sua carreira foi singular no meio artístico português. No entanto, a primeira coisa que é necessário perceber é que Vieira foi um de entre centenas de artistas do mesmo género em toda a Europa que, por estarem hoje votados ao esquecimento, não foram menos importantes e significativos. [...]
A segunda prevenção necessária à abordagem da obra de Vieira é que,  mais que português, ele foi um pintor plenamente europeu, o mais europeu de toda a pintura portuguesa entre o século XVII e o final do século XIX, mais que Vieira Lusitano, Sequeira, António Manuel da Fonseca e até Henrique Pousão. Europeu pelos sítios onde trabalhou, os patronos que teve, os temas que escolheu, a maneira como os tratou. Vieira vivem em Itália, sim, mas também em Inglaterra. Trabalhou, embora brevemente, na Áustria e na Prússia. Foi patrocinado por ingleses do Porto e por grand tour(istas) ingleses em Itália. Foi artista real em Parma. Deu-se com o meio cosmopolita da Royal Academy em Londres onde circulavam pintores e gravadores italianos, franceses e ingleses. [...]
Sem  tal génio, sem estar na vanguarda de coisa nenhuma, Vieira Portuense, pintor europeu à moda da sua época, foi um pintor correcto, um desenhador muito sensível e hábil. A sua pintura, os seus desenhos, as suas ilustrações, não suscitam perturbação, não aquecem os ânimos, não levantam grande dúvidas sobre o que é a pintura, o olhar, a história. Comentam tranquilamente o decorrer dos tempos e das modas. Os quadros são bonitos, os desenhos argutos e por vezes engraçados. Mesmo quando, quando por conveniência do momento ou dos patronos."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Apresentação | Introdução | Um viajante na Europa do fim dos tempos | A Natureza e o mito | A pintura de história | A pintura sacra | Rostos e figuras | Vieira Portuense, pintor neoclássico | Notícia biográfica | Bibliografia.
Encadernação em tela do editor com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. ante-rosto.
Invulgar.
20€

26 abril, 2023

UM ROSTO PARA FERNANDO PESSOA -
Obras de trinta e cinco artistas portugueses contemporâneos. [Textos de apresentação deJosé Sommer Ribeiro e José Saramago]. Lisboa, Centro de Arte Moderna : Fundação Calouste Gulbenkian, Julho 1985. In-4.º (24x22 cm) de [80] p. ; mto il. , B.
1.ª edição.
Catálogo sobre diversas representações de Fernando Pessoa publicado por ocasião das comemorações do cinquentenário da  morte do poeta. "O catálogo apresenta trabalhos de trinta e cinco artistas portugueses, [onde se contam, entre outros, Almada Negreiros, Mário Cesariny, Martins Correia, José de Guimarães, Lagoa Henriques, Júlio Pomar e Cruzeiro Seixas]. Contém um texto de apresentação, um ensaio e biografia de cada artista representado acompanhado de uma obra. Editado em português."
Livro esmerado e graficamente atraente, ilustrado com 35 imagens de Pessoa a p.b. - umas mais singelas, outras mais elaboradas.
"Neste ano de 1985, em que se comemora o cinquentenário da morte do poeta Fernando Pessoa, o Centro de Arte Moderna não podia deixar de homenagear a figura maior da Poesia do nosso século, a quem o Modernismo português tanto ficou a dever. É que Pessoa também se interessou pelas artes, e já em 1913 publicava, na revista A Águia, uma crítica à exposição de Almada, que aliás foi o primeiro artista a retratar o poeta, em 1915.
O Centro de Arte Moderna entendeu que a melhor forma de celebrar esta comemoração seria apresentar trabalhos de artistas influenciados pela obra e figura de Fernando Pessoa."
(Excerto da apresentação José Sommer Ribeiro)
"Que retrato de si mesmo pintaria Fernando Pessoa se, em vez de poeta, tivesse sido pintor, e de retratos? Colocado de frente para o espelho, ou de meio perfil, obliquando o olhar  três-quartos, como quem, de si escondido, se espreita, que rosto escolheria e por quanto tempo? O seu, diferente segundo as idades, assemelhado a cada uma das fotografias que dele conhecemos, ou também o das imagens não fixadas, sucessivas entre o nascimento e a morte, todas as tardes, noites e manhãs, começando no Largo de S. Carlos e acabando no Hospital de S. Luís? O de um Álvaro de Campos, engenheiro naval formado em Glasgow? O de Alberto Caeiro, sem profissão nem educação, morto de tuberculose na flor da idade? O de Ricardo Reis, médico expatriado de quem se perdeu o rasto, apesar de algumas notícias recentes obviamente apócrifas? O de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na baixa lisboeta? Ou um outro qualquer, o Guedes, o Mora, aqueles tantas vezes invocados, inúmeros, certos, prováveis e possíveis? Representar-se-ia de chapéu na cabeça? De perna traçada? De cigarro apertado entre os dedos? De óculos? De gabardina vestida ou sobre os ombros?... [...]
De uma pessoa que se chamou Fernando Pessoa começa a ter justificação que se diga o que de Camões já se sabe. Dez mil figurações, desenhadas, pintadas, modeladas ou esculpidas, acabaram por tornar invisível Luíz Vaz; o que dele ainda permanece é o que sobra: uma pálpebra caída, uma barba, uma coroa de louros. É fácil de ver que Fernando Pessoa também vai a caminho da invisibilidade..."
(Excerto da apresentação José Saramago)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse pessoano.
Indisponível

18 fevereiro, 2023

TRIGOSO, Falcão - "AR LIVRE".
De...discipulo de Carlos Reis
. Lisboa : Março de 1948. [S.l.], [s.n. - imp. A Rápida - Lisboa], 1948. Folheto in-8.º (22 cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Encarte da exposição intitulada "Ar Livre", do conhecido pintor lisboeta Falcão Trigoso, realizada em Março de 1948. Inclui 102 obras do artista, tendo impresso à cabeça o endereço do seu atelier e respectivo número de telefone.
Folheto muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do Mestre a uma sua ex-aluna.
João de Melo Falcão Trigoso (1879-1956). "Pintor contemporâneo, nascido em Lisboa a 4 de Março de 1879. Em 1897 matriculou se no Curso de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa, licenciando se em 1902. Discípulo de Carlos Reis, Veloso Salgado e Simões de Almeida. Desde muito cedo e com verdadeira paixão iniciou a pintura ao ar livre, manifestando grande predilecção pelas paisagens algarvias, ricas de cor e de intensas tonalidades. Após concluir o curso de pintura, inicia a sua vida profissional na posição de director da Escola Técnica Vitorino Damásio, em Lagos. Exerceu, posteriormente, como director nas Escolas Fonseca Benevides e de Arte Aplicada António Arroio, em Lisboa. Foi membro do Grupo «Silva Porto», dirigido por Carlos Reis. Realizou várias exposições individuais, e apresentou as suas obras em diversas exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde foi galardoado, em 1948, uma medalha de honra. Recebeu, igualmente, o 1.º Prémio Silva Porto, em 1954, uma medalha de ouro na Exposição do Panamá-Pacífico, em São Francisco, nos Estados Unidos da América, e em 1900, o Prémio Anunciação. Falcão Trigoso faleceu em 23 de Dezembro de 1956, com 78 anos de idade. As suas obras encontram-se expostas no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, Museu Grão Vasco, em Viseu, Casa-Museu Egas Moniz, em Avanca, Museu Malhoa, nas Caldas da Rainha, Museu Soares dos Reis, no Porto. Museu da Quinta de Santiago / Centro de Arte de Matosinhos e em várias colecções particulares."
(Fonte: https://serralvesantiguidades.com/lote/falcao-trigoso-1879-1956-3)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

25 dezembro, 2022

M
OITA, Tiago Alexandre Asseiceira - O MISTÉRIO DO NATAL NA PINTURA PORTUGUESA. Lisboa, Paulus Editora, 2009. In-4.º (24,5 cm) de 172, [4] p. ; mto il. ; C.
1.ª edição.
Belíssimo livro, impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com fotografias de alta resolução reproduzindo pinturas religiosas de mestres portugueses.
"Uma recolha apurada das principais obras (pinturas) de artistas portugueses de diferentes épocas e estilos que tenham como tema o Natal (visitação, nascimento, apresentação, reis magos etc.). Livro colorido, com um comentário histórico-teológico de cada obra. «Este é um livro de descobertas, histórias do "maravilhoso", atestados de fé, de mãos dadas com algumas das melhores formas artísticas geradas pelos mestres portugueses de ontem e de hoje. É um livro de crenças seculares mas também de afirmação de discursos estéticos aptos a gerar emoções, sem deixar de sensibilizar para a arrebatação mística. Como afirma o autor, Tiago Moita, do que se trata é de «avaliar como a arte cristã enfrentou a dificuldade de representar o mistério do Verbo feito carne», numa dimensão com visibilidade histórica e poder salvífico: «para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o mundo». A escolha das obras não podia ser mais poderosa e certeira(…)»."
(Excerto do Prefácio)
Encadernação editorial, cartonada, policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

13 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - O CONDE DE FARROBO E A SUA EPOCA
. Lisboa, João Romano Torres & C.ª - Editores, [191-]. In-8.º (18,5 cm) de 373, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Biografia romanceada do Conde de Farrobo, conhecido filantropo português do século XIX. Trata-se do 1.º volume da série (em 4 volumes) a si dedicada por E. Noronha.
Livro ilustrado com inúmeros retratos - busto e de corpo inteiro - de Farrobo, seus familiares e a aristocracia da época, incluindo D. Miguel I e seu irmão, o imperador D. Pedro IV, e família.
"- Mais bonito e elegante não ha!
- Que extravagancia!
- Repara, mas repara bem. Quantas belezas apresenta! Tem simultaneamente a pequenez microscopica da cabeça do dedo mindinho de uma criança priveligiada, o lançamento aiteroso da pirueta de uma dançarina, a curva artistica de uma Venus de  Praxiteles, um peito...
- Homem, detem-te...
- Ah! o peito!... Que altura e convexidade! Arredonda-se como uma taça de marfim cinzelada por qualquer incognito artista das extremas da Mongolia, ou antes, como o calix túmido de uma camelia subtilmente rosada, quando nú...
- Onde vais parar?!...
- Ao seu peito... Para depôr lá o mais fervoroso, entusiasta e puro dos osculos.
- Perdeste totalmente o juizo.
- Não perdi. Vê e admira.
Quem proferira estas ultimas palavras, num movimento nervoso, sacudido, tira da algibeira do interior da casaca um feminimo sapato de cetim, que, sem ser o similar do lendario chapim da «Cendrillon» ou da portugueza «Gata Borralheira», merecera do artista que o arquitectara, talvez o percursor da casa Stelpflug, tal soma de cuidados, que das suas mãos saíra um adorno precioso."
(Excerto do Cap. I - Acarinhada reliquia)
Joaquim Pedro Quintela (Conde de Farrobo) (1801-1869). "Não foi uma figura banal do seu tempo e não pode separar-se da história da sumptuosa propriedade que lhe engrandeceu a sua personalidade de artista.
O palácio Farrobo* recebeu de si a divisa «OTIA TUTA», isto é «Toda Prazeres», os prazeres colhidos das manifestações artísticas. Aqui o repouso era absoluto, e as preocupações terrenas diluíam-se no ambiente celestial da arte. Rodeou-se de imensa grandiosidade e organizou sumptuosos festejos, de um viver opulento que deram origem à expressão popular «farrobodó», derivada do seu título nobre. Na sua época foi considerado um grande mecenas sobretudo da arte musical portuguesa e a quem todas as fantasias musicais eram permitidas. Cantor e excelente executante de orquestra, perito em trompa, Farrobo foi ainda presidente da Academia de Música e segundo empresário do Teatro Nacional de S. Carlos, em 1838. A sua gerência tornou-se principalmente notável pelos artistas célebres que contratou, entre os quais se contavam os de maior renome de então. Quando faleceu em 1869, estava à beira da ruína. Perdera uma importante demanda comercial, e nos últimos dias vivia duma pensão do Estado, tendo renunciado ao título.
O empobrecimento do conde de Farrobo determinou a venda dos seus bens em hasta pública."
(Fonte: www.mctes.pt)
*O palácio Farrobo, mais conhecido por palácio das Laranjeiras, está edificado na Quinta com o mesmo nome, em Lisboa, onde se instalou, em 1905, o Jardim Zoológico. É uma construção seiscentista, restaurada e embelezada na primeira metade do século XIX.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta desgaste evidente nas extremidades.
Invulgar.
15€

15 junho, 2022

SANTOS, Manuel Farinha dos - SOUSA LOPES. Exposição de homenagem à memória do mestre pintor Adriano de Sousa Lopes promovida pela Liga dos Combatentes sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian. Dezembro de 1962. [Prefácio de Reynaldo dos Santos]. [S.l.], [s.n. - Neogravura, Lda - Lisboa], 1969. In-4.º (24,5cm) de 69, [3] p. ; mto il.  ; B.
1.ª edição.
Importante catálogo biográfico e retrospectivo da obra de Sousa Lopes, com especial incidência para a sua produção artística ao longo da Grande Guerra onde, com risco da própria vida, pintou telas inesquecíveis dos combates e do dia a dia dos soldados nas trincheiras.
Livro impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado a p.b. com reproduções da obra do Mestre (duas delas em página inteira), numa tiragem de apenas 1200 exemplares.
"Esta Exposição, cuja iniciativa se deve à Liga dos Combatentes da Grande Guerra, é um acto de justiça e gratidão à memória do pintor português que, pela sua obra na zona dos Exércitos, melhor evocou os sacrifícios e o heroísmo da nossa participação no passo histórico que marca o novo rumo da Europa e do Mundo na transfiguração, mais feliz na ciência que na moral, da vida de hoje.
Sousa Lopes, pelo seu nobre patriotismo e amor à França, à qual devia tantas sugestões renovadoras da sua Arte, era o pintor que com a força dos meios técnicos e expressivos próprios, melhor podia evocar os lances a cujas vicissitudes e tragédias assistiu.
Este aspecto de Sousa Lopes, um dos grandes pintores da Guerra europeia, representa uma força inspiradora e renovadora nos temas da sua obra de grande mestre, cuja visão plástica se exaltou no ambiente heróico em que viveu."
(Excerto do prefácio)
Adriano de Sousa Lopes (1879-1944). Pintor português. “Nasceu no lugar de Vidigal, freguesia de Pousos, concelho de Leiria, em 20 de Fevereiro de 1879. Matriculou-se na Escola de Belas Artes de Lisboa, em 1898, seguindo para Paris como pensionista do Legado Valmor, em 1903. […] Fez parte do C. E. P., na qualidade de capitão-graduado (1914-1918) durante a Grande Guerra, documentando a acção do exército português nas Batalhas da Flandres, de cujos trabalhos realizou grandes decorações no Museu de Artilharia e fez preciosa colecção de gravuras a água-forte. Expôs muitas vezes no «Salon» de Paris, e realizou exposições individuais em Portugal. […] Faleceu em Lisboa no dia 21 de Abril de 1944.”
(Fonte: SOUSA LOPES : Exposição (obras doadas ao Estado) – Academia Nacional de Belas Artes, 1945)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e artístico.
Indisponível