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22 abril, 2026

TARNOWSKI, Dr. B. -
O INSTINCTO SEXUAL E AS SUAS MANIFESTAÇÕES MORBIDAS.
Sob o duplo ponto de vista da jurisprudencia e da psychiatria. Pelo... Traduzido da edição ingleza. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1902. In-8.º (19x11,5 cm) de 238, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho publicado pela primeira vez na Rússia em 1885 (Inglaterra, 1898), pioneiro, e de certo modo precursor de outras tantas obras que se seguiram desde então em diferentes países, numa época em que estes assuntos principiavam a ser abordados e discutidos sob um ponto de vista metódico e científico.
"O Instincto Sexual e as suas Manifestações Mórbidas" (título original em inglês: The Sexual Instinct and its Morbid Manifestations from the Double Standpoint of Jurisprudence and Psychiatry) é uma obra de sexologia e psiquiatria forense escrita pelo Dr. Benjamin Tarnowski (1837-1906), um proeminente médico russo.
Publicado originalmente no final do século XIX, o livro aborda as perversões sexuais sob uma perspectiva médica e legal. Tarnowski investiga as causas das perversões sexuais não apenas como vícios, mas como manifestações mórbidas de um organismo degenerado, com forte ênfase na hereditariedade e no desenvolvimento interrompido. O autor estabelece uma distinção clara entre a perversão sexual e a depravação de carácter, abordando o tema sob o ponto de vista da jurisprudência e da psiquiatria." (IA)
Obra de referência sobre as taras - transtornos como a perversidade e a depravação - analisadas à luz da psiquiatria e do ponto de vista médico-legal.
"Esbocei, na presente obra, a largos traços os factos e observações, que me inspiraram a idéa de indagar a fundo as causas da perversão sexual, - e isto não sómente sob a influência da depravação e excessos licenciosos, mas de preferencia, e de facto posso dizel-o, principalmente, trato de examinar essas causas como dependentes d'uma condição morbida do organismo, quer sejam congenitas ou adquiridas depois
Fiz sobretudo toda a diligencia de lançar a maior luz possivel sobre o papel representado pela hereditariedade e pelos phenomenos de desenvolvimento imperfeito; assim como pelas varias causas morbida que dizem respeito á etiologia das perversões sexuaes, e de differenciar estas com a maior clareza da depravação de caracter provada - do vicio consciente e premeditado."
(Excerto de Prefacio da edição ingleza)
"Ha uns cinco annos, que fui chamado para dar a minha opinião como perito n'um caso de pederastia.
Recordando-me das minhas observações n'este assumpto e comparando-as com os capitulos correspondentes dos compendios mais completos de medicina forense, fiquei impressionado pela falta de concordancia entre as asserções da sciencia official de um lado e os factos clinicos do outro. Cada novo exame technico mais claramente me fazia reconhecer não só quão insufficiente era a sciencia contida nos livros ácerca da preversão da actividade genesica, mas ainda as incorrecções de muitos dos principios dirigentes aconselhados no exame do caso actual. [...]
A differença de opinião entre o medico jurista e o clinico tem-se tornado tão notavel, que parece ser altamente necessario, a fim de explicar estas contradicções, indicar os fundamentos sobre que devem ser baseadas as respostas aproximativamente correctas do medico forense, e preparar o caminho para estudos mais vastos, de mais unidade e mais fecundos sobre esta materia.
O medico jurista vê a depravação, a impudicia sobresaturada, o vicio inveterado, a immoralidade e outras coisas similhantes, onde o clinico observador reconhece sem a menor duvida os symptomas de um estado morbido com a sua evolução typica e as suas consequencias. Onde o primeiro puniria o vicio, o segundo requer pela necessidade de methodos therapeuticos."
(Excerto de Introducção)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

24 abril, 2025

SAAVEDRA, José -
OS SEMI-LOUCOS NA PSICHIATRIA, NA SOCIEDADE, NAS LETTRAS
. Coimbra, Composição e Impressão Gráfica Conimbricense, Limitada, 1922. In-8.º (19,5x14 cm) de 246, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante estudo psiquiátrico sobre os "semi-loucos" e a sua intervenção nas diferentes áreas socio-culturais na época.
Raro e muito curioso.
Trata-se da tese de doutoramento em Medicina que o autor apresentou à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O numero cada vez maior de casos de semi-loucura na sociedade con temporanea, só comparavel aos de syphilis - os dois maiores flagellos da humanidade e da raça - chamaram a minha attenção para o estudo deste capitulo da Psychiatria, tanto mais que a maior parte dos Tratados de Psychiatria ou a ella se não referem, ou a englobam no capitulo vago das degenerescencias, sem lhe precisarem os caracteres, nem salientarem a sua importancia, quer debaixo do ponto de vista medico, quer do ponto de vista social. [...]
Como julgar, realmente, de certas anomalias parciaes dos semi-loucos, se ellas se manifestam muitas vezes só na vida intima, conservando elles todas as suas faculdades intellectuaes, occultando com uma propositada e facil dissimulação durante o interrogatorio as taras de que o accusam?
O exame psychiatrico de um semi-louco tem de ser uma causa judicial em que o juiz é o medico especialisado nestes estudos e a acusação e defeza feitas pela sua entourage e peloo proprio doente.
Não basta pesquizar na sua historia taras mentaes e nervosas, tão frequentes em toda a gente, para justificar um diagnostico à outrance, de semi-loucura.
É mister attender a multiplos factores d'ordem moral, familiar, conhecer o meio em taes factos se passaram, curar de saber quaes as razões que possam justificar ou condenar esse acto.
A interdicção e internamento destes doentes nos manicomios em contacto com loucos completos, por simples certificado medico, as mais das vezes com conhecimento incompleto do doente, apaixonam vivamente a opinião publica, dando logar a pleitos, facilmente evitaveis com um conhecimento mais completo da semi-loucura e com a fundação de estabelecimentos proprios para estes doentes."
(Excerto do Prefacio)
"A semi-loucura é um estado mental intermedio á loucura e á saude mental.
A definição, com quasi todas as da biologia, não tem um rigor mathematico, nem limites precisos. O proprio nome, para designar os estado pathologicos que adeante descrevo é impreciso e incompleto.
Mas como poderá um nome composto de duas palavras exprimir exactamente o que leva muitas paginas a descrever?"
(Excerto de I - Demonstração da semi-loucura)
José Nevil de Ascensão Pinto da Cunha Saavedra (1895-1961). "Professor da Faculdade de Medicina. Naturalidade - Canidelo (Vila Nova de Gaia), 10.12.1895-?  Filiação - José Maria Rodrigues da Ascensão e Maria Emília da Ascensão Pinto da Cunha Saavedra. Matriculas - Medicina, 1912. Graus - Doutor, 20.7.1922. Cadeiras - Clínica e Policlínica Médicas (1919-1926), 2.º assistente. Observações - Abandonou a docência em 1926, para seguir a carreira de médico militar. Publicações - Os semi-loucos na psiquiatria, na sociedade e nas letras (Coimbra, 1922)."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/SAAVEDRA_josenevildeascensaopintodacunha)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral com excepção da lombada que se apresenta falha do revestimento. Em falta três folhas no início do livro: f. ante-rosto e a as que sucedem à f. rosto, sem prejuízo do ensaio propriamente dito, já que são folhas "menores", sem relevância para a obra.
Raro.
35€

07 outubro, 2024

AS BAIXAS DO FORO NEUROPSIQUIÁTRICO EM COMBATE -
Ministério do Exército : Estado Maior do Exército - 1.ª Repartição
. [S.l.], [Ministério do Exército], [196?]. In-8.º (20,5x16,5 cm) de 55, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Peça da Guerra Colonial. Exemplar batido à máquina e policopiado. Trata-se da tradução livre de duas publicações do Exército americano, obra empreendida por dois oficiais médicos do Exército português, preenchendo uma lacuna na literatura médica militar especializada relacionada com o stress pós-traumático.
"À semelhança do regulamento Norte-americano, o nosso "Regulamento para o Serviço de Campanha - Serviço de Saúde" concede especial importância ao ramo neuropsiquiátrico do Serviço de Saúde, fixando as linhas gerais da sua organização e funcionamento. Não entra, contudo, em detalhes de ordem técnica, quer no que se refere ao diagnóstico, quer no que diz respeito à triagem e ao tratamento das baixas desta categoria, assuntos que, pela sua índole, estão fora do âmbito duma publicação daquela natureza. Todavia, são esses assuntos da maior importância para os médicos das unidades e até mesmo para os oficiais das diferentes Armas, especialmente da Infantaria, pois que, como veremos, a recuperação destas baixas depende, em grande parte, do conhecimento que esse pessoal possa ter do que é uma baixa do foro neuropsiquiátrico e da assistência que deverá prestar-lhe. Por outro lado trata-se de conhecimentos especializados que, pela sua própria natureza, se nos afigura terem entre nós uma difusão muito limitada.
Com o presente trabalho temos principalmente em vista contribuir para a divulgação dos conhecimentos elementares necessários para que esta categoria de baixas receba, desde o início, a assistência conveniente; só assim poderá conseguir-se a sua rápida recuperação nas altas percentagens atingidas pelo Serviço de Saúde do Exército dos E. U. A. durante a última Guerra Mundial e a Guerra da Coreia."
(Excerto da Nota prévia)
Índice:
Nota prévia | I - As forças que afectam o combatente: 1 - A situação; 2 - As defesas contra a "tenção emocional"; 3 - A "quebra" das defesas contra a tenção emocional; 4 - A natureza da quebra das defesas. II - Quadro da exaustão pelo combate: 1 - Fase inicial; 2 - Fase de alteração parcial; 3 - Fase de alteração completa; 4 - Síndroma do posto de socorros de batalhão; 5 - Exame geral dos quadros psiquiátricos que se observam no posto de socorros de batalhão; 6 - Evolução do quadro; 7 - No posto de socorros divisionário; 8 - No centro de tratamento neuropsiquiátrico do Exército; 9 - Nos Hospital geral. III - Tratamento da exaustão pelo combete na zona de combate: 1 - Organização e funcionamento; 2 - Tratamento na unidade; 3 - Tratamento nos postos de socorros de batalhão e regimentais; 4 - Tratamento no posto de socorros divisionário e no Centro de Tratamento Neuropsiquiátrico do Exército.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

27 setembro, 2024

CEBOLA, Luís -
MEMÓRIAS DE ESTE E DO OUTRO MUNDO. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas Scarpa, Lda. - Lisboa], 1957. In-8.º (19x12 cm) de 98, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Livro de memórias do conhecido médico alienista Luís Cebola. Encontra-se organizado em duas partes: a primeira - Memórias deste mundo - diz respeito às suas memórias, desde rapaz novo até à sua situação de médico reputado; a segunda - Memórias do outro mundo - inclui as reflexões sobre o seu trabalho na área da psiquiatria.
Contém ainda referências ao poeta Fernando Pessoa, bem como a Egas Moniz, seu colega, por quem manifesta alguma aversão e antipatia.
"Quase todo este livro foi escrito em 1953, ao correr da pena, sob a forma de episódios, extraídos do subconsciente e de velhos papeis, guardados há muitos anos. Eis a razão de nem sempre seguirem a ordem cronológica.
Também lhes juntei breves recordações de viagens de estudo em vários países, iniciativas de progresso que criei no Hospital Psiquiátrico do Telhal, e alguns trechos das minhas obras, versando novos temas de Psicopatologia e Direito Penal, em relação com a loucura, porque as edições se encontram esgotadas."
(Excerto da Nota preliminar)
Índice:
Nota preliminar. | Primeira Parte - Memórias deste mundo. | Segunda Parte - Memórias do outro mundo.
José Luís Rodrigues Cebola Júnior (Alcochete, 1876 - Lisboa, 1967). "Foi um psiquiatra, director clínico da Casa de Saúde do Telhal e escritor português. Luís Cebola, médico alienista, estudou no Colégio Almeida Garrett, em Aldeia Galega (actual Montijo), onde completou os três primeiros anos do curso liceal, sendo depois transferido para o Liceu Nacional de Évora. De 1895 a 1900, realizou a preparação para os estudos médico-cirúrgicos na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa de 1899 a 1906. A decisão de seguir a especialidade de doenças nervosas ou psiquiatria surgiu, segundo Cebola, durante o 4.º ano do curso, após a leitura do livro, Les psychonévroses et leur traitement moral (1904), do neuropatologista suíço Paul Charles Dubois (1848-1918). Em 1906 defendeu a sua tese inaugural, A Mentalidade dos Epilépticos, sob a orientação do Professor Miguel Bombarda no Hospital de Rilhafoles. O objectivo do seu trabalho consistiu em investigar se havia alguma lei psicopatológica nos escritos e obras artísticas (desenhos, cartas, livros, etc.) dos epilépticos aí internados.
Luís Cebola foi nomeado director clínico da Casa de Saúde do Telhal (pertencente à Ordem Hospitaleira de São João de Deus), a 2 de Janeiro de 1911, por Afonso Costa em representação do Governo Provisório da República Portuguesa, cargo que desempenhou até 1948. Enquanto director clínico parece ter sido responsável pela introdução e desenvolvimento da ergoterapia ou laborterapia, que visava a recuperação dos pacientes através do trabalho dirigido. E ainda, pela prática de uma psiquiatria social ou comunitária, i.e., uma terapêutica humanitária que visava incentivar a interacção social entre pacientes, médicos, enfermeiros, irmãos e familiares, através da prática de ofícios e de actividades artísticas, lúdicas e desportivas.
Inspirado pelas muitas viagens de estudo que fez pela Europa, com o objectivo de se manter informado em relação às inovações teóricas e metodológicas que ocorriam na psiquiatria, Luís Cebola pretendia que a Casa de Saúde do Telhal se transformasse numa instituição moderna, estando na vanguarda das terapêuticas e apostando no melhoramento da qualidade dos pavilhões e espaços exteriores. Pretendia seguir o exemplo da assistência moral aos alienados e das colónias agrícolas que visitara na Bélgica, França e Inglaterra, onde observara resultados muito positivos na evolução dos pacientes. Por volta de 1925, fundou na Casa de Saúde do Telhal um museu ergoterápico ou “da loucura”, segundo as palavras do próprio Cebola, onde reuniu obras artísticas (esculturas, desenhos, pinturas, poemas, etc.) produzidas pelos seus pacientes. Cebola estimulou ainda, com o apoio dos Irmãos Hospitaleiros, a produção de periódicos manuscritos pelos pacientes nos quais estes relatavam eventos do quotidiano e publicavam os seus poemas, escritos e anedotas. Luís Cebola terá também proposto aos Irmãos de São João de Deus a criação de uma Escola de Enfermagem. Esta foi fundada em 1936 e ficou sob a direcção de Meira de Carvalho, clínico geral, que entrara na Casa de Saúde do Telhal em 1931, como médico assistente. No final do ano de 1936, Cebola iniciou um curso de psiquiatria que funcionava em paralelo às aulas de enfermagem geral, visando ensinar aos Irmãos os princípios modernos da assistência a alienados."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Primeiras páginas levemente amarelecidas na margem lateral por acção da humidade.
Muito invulgar.
25€

12 setembro, 2024

LÉPINE, Jean -
TROUBLES MENTAUX DE GUERRE. Par... Professeur de Clinique des Maladies Nerveuses et Mentales à l'Université de Lyon. Paris, Masson et Cie, Éditeurs : Libraires de l'Acádemie de Médecine, 1917. In-8.º (19x13 cm) de 203, [33] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio/guia médico publicado em 1917, durante a conflagração mundial. Trata-se de um importante subsídio para a história da Grande Guerra - no original, em francês - sobre as perturbações mentais e stress pós-traumático, sintomatologia evidenciada por grande número de soldados que participaram no conflito.
Obra rara, com interesse histórico.
“Sem lesões aparentes”. É assim que o Doutor Jean Lépine, Chefe do Centro de Psiquiatria da 14.ª Região Militar e do Asilo de Bron, descreve os soldados vítimas do que hoje se chama de stress pós-traumático… homens enlouquecidos pela guerra.
Em 1917, o Doutor Jean Lépine publicou Transtornos Mentais da Guerra, “uma espécie de guia para os médicos”, cujos estudos não eram especializados em neuropsiquiatria. Este iria ajudá-los desde a linha de fogo até ao interior do país. Jean Lépine não lista patologias, mas sim os fenómenos mentais observados em 6.000 casos desde 1914. Os capítulos descrevem grupos de pacientes que sofrem de “confusão mental alucinatória”, “narcolepsia”, “amnésia”, “perseguição” ou mesmo “estado depressivo”, etc., e fornece pistas para tratamentos químicos, dietéticos ou de balneoterapia…"
(Fonte: https://france3-regions.francetvinfo.fr/bourgogne-franche-comte/histoires-14-18-jean-lepine-psychiatre-blessures-apparentes-1449631.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

26 agosto, 2024

MATTOS, Prof. Julio de -
CURSO CLINICO DE DOENÇAS MENTAES E NERVOSAS.
Conferencias do... (Reportagem de Bartholomeu Severino). 1.ª Serie de 10 Conferencias. Porto, Livraria Editora de Lopes & C.ª - Successor, 1910. In-8.º (22,5x16 cm) de 109, [3] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Interessante e pouco conhecida série de conferências sobre transtornos mentais proferidas por Júlio de Matos, no Porto, pouco antes de se estabelecer em Lisboa para dirigir o Hospital Miguel Bombarda (1911-1923) e leccionar a cadeira de Clínica Psiquiátrica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Obra rara, porventura das menos conhecidas do iminente médico psiquiatra português, não vem mencionada na maioria das bio-bibliografias consultadas. Este conjunto de 10 conferências é tudo quanto foi publicado.
Ilustrada no texto com o "Schema [esquema] de Grasset", e em separado, com o retrato do Prof. Júlio de Matos.
Índice das conferências:
1.ª  - Evolução historica da loucura. 2.ª - Causas dos doenças mentaes e nervosas. Necessidade do estudo da psiquiatria. 3.ª - Causas endogenicas e exogenicas. A hereditariedade; traumatismo e infecções. A idiotia e a demencia. O que a psiquiatria espera da quimica organica. 4.ª - Uma incursão pela psicologia. 5.ª - Resumindo. 6.ª - O acto reflexo. 7.ª - Uma doente com alucinações auditivas e ilusões visuaes. 8.ª - Como se constitue uma percepção. 9.ª - Os dez grupos de delirios e a sua redução a cinco. 10.ª - Uma mulher atacada da fobia dos contatos, em seguida a uma infeção puerperal e enfraquecimento organico.
Encadernação em sintético com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Júlio Xavier de Matos (1856-1922). "Cirurgião médico pela Escola Medico Cirúrgica do Porto, diretor do Manicómio do Conde de Ferreira, depois diretor do Manicómio Bombarda, e vice reitor da Universidade de Lisboa. Nasceu no Porto a 26 de janeiro de 1856, sendo filho do distinto advogado Joaquim Marcelino de Matos. Fez o curso com muita distinção, e defendeu tese a 24 de julho de 1880. Nomeado médico adjunto do hospital de alienados do Conde de Ferreira, foi depois seu diretor, vindo para Lisboa, mais tarde, por morte do dr. Miguel Bombarda, tomar a direção do Manicómio de Lisboa, onde se tem conservado. Quando ultimamente se estabeleceram as universidades de Lisboa e do Porto, foi também nomeado vice-diretor da de Lisboa. Como alienista, o sr. dr. Júlio de Matos adquiriu uma grande e merecida reputação, dentro e fora do país. Como escritor, alia à sua correção pouco vulgar, notável brilho de expressão. As suas conferências sobre psiquiatria marcaram época em meio tão avesso a estes cometimentos. Professor muito distinto, foi eleito para presidir ao congresso do professorado do ensino secundário do Porto."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/xaviermatosjulio.html)
Exemplar em bom estado de conservação. Capa frontal apresenta assinatura de posse e pequenas falhas de papel à cabeça.
Raro.
120€

31 março, 2024

MANUAL DE PSIQUIATRIA FORENSE.
Coordenação: Fernando Vieira; Ana Sofia Cabral; Carlos Braz Saraiva. Lisboa, Pactor, 2017. In-4.º (24x16,5 cm) de XXVIII, 572 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a área da Psiquiatria Forense dirigido, sobretudo, aos estudantes e profissionais da Saúde e do Direito, mas também aos simples interessados e curiosos.
Ilustrado no texto com esquemas, quadros e tabelas.
"O presente Manual de Psiquiatria Forense vem preencher uma necessidade que se vem sentindo, particularmente entre os profissionais que lidam no seu dia a dia com a interface do sistema saúde mental/justiça. Efetivamente, são escassos os artigos científicos disponíveis em língua portuguesa nesta área e, sobretudo, não existia um corpus organizado de textos que permitisse uma melhor estruturação de conhecimentos e uma aprendizagem consolidada do saber em Psiquiatria Forense, importa criar um manual que funcione como referência e sirva de suporte pedagógico a cursos de pós-graduação nesta área.
Este livro destina-se, assim, a estudantes, a psiquiatras e a internos de Psiquiatria, que nele podem encontrar, de uma forma concisa mas completa, tudo o que é fundamental saber em Psiquiatria Forense, mas também se dirige aos profissionais de Direito, incluindo magistrados judiciais, do Ministério Público e advogados, que, no seu quotidiano, se defrontam com problemáticas para as quais a Psiquiatria Forense pode dar um auxílio importante, aos psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e a outros técnicos que exerçam, ou simplesmente, tenham genuíno interesse por esta área tão sensível como mediática.
Os 32 capítulos, organizados em três partes, abordam diferentes temas que encontram lugar entre a História e o Direito, e entre a realidade pragmática atual e o futuro, que se adivinha pleno de áreas de interface. Fala-se nesta obra de Psiquiatria Forense em Direito Criminal, Civil, do Trabalho e da Família e, após uma abordagem que poderemos chamar generalista, focam-se contextos específicos, como os das enfermarias de segurança, dos estabelecimentos prisionais e da Psiquiatria Forense n o âmbito da Segurança Social. Finalmente, não são esquecidas temáticas ou realidades especiais tão diversas como a Neurobiologia, a Neuropsicologia e a Neuroimagiologia, a simulação, a criminalidade e o suicídio, e a ética e a responsabilidade profissional."
(Nota dos Coordenadores)
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
20€

07 fevereiro, 2024

MACHADO, Julio Cesar - DA LOUCURA E DAS MANIAS EM PORTUGAL : estudos humoristicos. Por... Segunda edição. Lisboa, Livraria de A. M. Pereira - Editor, 1872. In-8.º (18x12 cm) de IX, [1], 244, [2] p. ; E.
Incursão do autor no Hospital de Rilhafoles (desde 1911, Hospital Miguel Bombarda), em visita ao "mundo" da loucura humana, aproveitando a "deixa" para se satirizar, nos capítulos seguintes, as "manias" relacionadas com a superstição popular. Obra invulgar e muito curiosa.
"Propunha-se este livro a dois fins: chamar a attenção dos governos para esse hospital de Rilhafoles em que ninguem pensava; e chamar a attenção do publico - a parte sã, a parte com juiso de entre elle - para castigar, rindo, as superstições, que com o invadirem de mais o paiz tornam Portugal uma nação de enguiçados. [...]
No que respeita ás crendices, diz tudo o acolhimento que teve este livro, a alegria com que foi saudada a idéa de combater pelo ridiculo este reviver dos oraculos - embaraço maior na vida do que os que a vida naturalmente dá."
(Excerto do preâmbulo)
"Tudo é alegre, á entrada: flores e arvores. D'ali a nada, - da porta para dentro parece já que passou o outomno por cima da primavera d'aquelle jardim!... Apagam-se as côres, escurece o céo, ouve-se estalar a casca das arvores... Principiam as physionomias a transtornar-se; já os olhos não são outra cousa senão buracos luzidios; cavam-se as faces, parecem caretas os sorrisos, não teem os gestos significação, as feições são vagas, a fórma tem contornos indecisos; tudo são personalidades phantasticas, existencias ficticias; linguagem que não se entende: gente estranha, que dá idéa dos habitantes da lua!...
Alguns dançam, e cantam; e passa a tristeza n'aquella alegria, e transpõem-se effeitos de claro e escuro na musica e na voz d'elles, envolvendo-lhes a idéa como n'um crespusculo!... [...]
Ás vezes chega a parecer-nos que é natural tudo aquillo; que o ser como nós somos e portar-se como nos portamos - é ser afectado, é ser pedante... [...]
Ha ali, hoje, quinhentos e onze d'esses infelizes; duzentas e cincoenta e sete mulheres, duzentos e cincoenta e quatro homens; tres creanças idiotas. [...]
Os doentes entram ali por ordem da auctoridade publica, ou a requerimento de particular, - com attestado do medico, auto de investigação, e, se são pobres, certidão do parocho, - e ficam quinze dias em observação; findos elles, ou a doença não se verifica e são immediatamente despedidos, ou, verificada a alienação, colloca-se o doente na repartição que o director lhe destina, e segue o tratamento.
O tratamento! Isto é, - o estudo, a observação constante, as experiencias, mil tentativas, o diligenciar permanente de chamar á razão e ao sentimento das cousas aquelas pobres cabeças cançadas de sonhos, de lutas, de prazer ás vezes, de amarguras, de esperanças, de enganos!... Vêl-os como medico, como philosopho, e como  morralista, - unica maneira de poder assenhorear-se-lhes dos segredos."
(Excerto de Rillhafoles - I. Os doidos)
Indice dos capitulos:
I - Os doidos. II - As doidas. III - Os idiotas. IV - Os furioso. V - Telha. VI - Enguiços. VII - Agouros. VIII - Feitiços. IX - Encantos. X - Sonhos. XI - Sinas. XII - Coisa má. XIII - As mulheres de virtude.
Júlio César Machado (Lisboa, 1835-1890). "Foi um escritor português do século XIX. Jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, um dos mais destacados da segunda metade do seu século. Salientou-se, sobretudo, como folhetinista e cronista. Escreveu biografias, comédias, contos, crónicas, dramas e romances. Trabalhou como folhetinista no Diário de Notícias e colaborou com alguns textos da sua autoria no Paquete do Tejo (1866-1867), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Renascença (1878-1879?), Ribaltas e Gambiarras (1881) e Lisboa creche: jornal miniatura (1884). Nas suas obras retratou a vida lisboeta, da sua época, de forma crítica e humorística. Foi iniciado na Maçonaria, entre 1853 e 1856 na Loja União Independente, do Grande Oriente Lusitano Unido, tendo como nome simbólico Balzac. Ironicamente, a sua vida, consagrada à escrita humorística do quotidiano, terminaria num ambiente de tragédia familiar. Dois meses depois do suicídio do filho único, Júlio da Costa Machado, no mesmo ano da morte do seu grande amigo Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado, não resistindo à dor provocada pelo suicídio do único filho, pôs termo à vida na sua casa, terceiro andar do número 2 da Travessa do Moreira ao Salitre, em Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação inteira de pele - executada nas oficinas do Estabelecimento Prisional de Coimbra - com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

21 dezembro, 2023

HENRIQUES, F. de Carvalho - A QUARTA DIMENSÃO OU A TRAGÉDIA FISIOLÓGICA. Lisboa, Livraria Ferin, 1927. In-8.º (19,5 cm) de 133, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Romance-ensaio sobre o comportamento humano face às coincidências/fatalidades da vida, contrariando de certa forma as teorias hereditárias. Tomás e Dora são muito diferentes, ele educado, ela degenerada. Esta é a história da sua "viagem", uma viagem atribulada, com incursão no mundo das drogas e da loucura, no final invertem-se os papéis.
"Bateram à porta. Madalena que costurava, sorriu docemente, porque já sabia quem era. Pôs de lado a camisa de homem à qual adaptava uns punhos novos, pegou no pequeno candeeiros e foi abrir.
- Lena, querida Lena! gritou Jorge ao entrar. Novidades magnificas, catitas!... Um beijo ao seu marido, vá.
- Mas que é isso?... Então que aconteceu? perguntava Madalena admirada e contente, retribuindo os beijos do esposo, mas felizmente não esquecendo de que ter na mão um candeeiro de petroleo aceso, enquanto nos abraçam efusivamente, representa uma não pequena responsabilidade e uma grandissima inoportunidade.
- Vais saber, meu amor, dizia Jorge brandindo um embrulho branco. Enfim!... Eu não te dizia?... Mas, com franqueza, tanta felicidade junta confesso que não esperava.
- Conta, conta depressa... E êsse embrulho? exigia Madalena cheia de curiosidade."
(Excerto do Cap. I)
Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques (Lisboa, 1897-1962). "Com 15 anos, a 12 Junho de 1912, fez o exame de entrada no Liceu Camões, que frequentaria até 10 Julho de 1917, altura em que, com 20 anos, concluiu os estudos liceais através do Exame do Curso complementar de Sciencias, aprovado com 12 valores.3 Nos anos lectivos de 1917/18 e 1918/19, frequentou o Curso Geral no então recém-criado Instituto Superior Técnico. Pouco sabemos sobre a sua vida profissional. No documento do Processo de liquidação do imposto sobre sucessões e doações do seu pai, em 1953, é dito que ele seria ‘empregado no comércio’, o que faz sentido tendo em conta que esta era a área de actividade não só do seu pai, mas da sua família de um modo geral, e que, pelo menos, duas das suas obras técnicas visam o sector comercial. [...] Assim, parece não ter exercido enquanto engenheiro, mas não fica claro qual seria, exactamente, a sua ocupação profissional. Sabemos, no entanto, que, devido principalmente à sua família materna, teria
disponibilidade financeira que lhe permitia ser um homem viajado e de grande cultura."
(Fonte: http:/dx.doi.org/10.21747/21832242/litcomp40v4)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sólido, mas com falha na lombada, e cantos das pastas "esfolados". Carimbo oleográfico na f. rosto.
Raro.
Indisponível

22 julho, 2023

MENDES, J. M. Fragoso -
PSICOSES SINTOMÁTICAS.
Estudo clínico e análise estrutural de 509 casos. Lisboa, Edição do Autor, 1959. In-4.º (24,5x18,5 cm) de 389, [3] p. ; [1] f. desd. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio psiquiátrico elaborado com casos recolhidos pelo autor no Hospital Júlio de Matos, e outros resultantes da sua observação pessoal.
Obra de fôlego. Trata-se da dissertação de candidatura ao grau de Doutor apresentada por Fragoso Mendes à Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Estudo realizado na Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina de Lisboa, com a colaboração do Centro de Estudos Egas Moniz e do Laboratório de Química Fisiológica da F. M. L.
Ilustrado com inúmeros gráficos, esquemas e tabelas, sendo uma delas em folha desdobrável separada do texto.
"O problema das alterações da vida psíquica implica sempre o estudo das suas causas e o papel que desempenham na manifestação dos diferentes síndromes psicopatológicos.
Dos vários grupos da nosologia psiquiátrica actual, as psicoses sintomáticas, que se manifestam noutras doenças, com autonomia clínica, e dentro destas as formas confusionais, são as que maior contribuição têm dado para a compreensão biometabólica das doenças mentais. Consideram-se as perturbações psicóticas como as «mais internistas» de todas, colocadas no limiar da Psiquiatria para a Medicina Geral, entre o funcional e o orgânico, representando estas formas confusionais um elo da cadeia de processos de dissolução da personalidade."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Prefácio | I - Parte Geral: Introdução. Evolução histórica do conceito. Etiopatogenia. Predisposição para as psicoses somáticas. Análise estrutural. Pródomos. Formas de início. Análise dos sintomas. Análise sindromática. Sintomas somáticos. Estudos laboratoriais. Electroencefalografia. Anatomia patológica. Prognóstico e evolução. Tratamento das psicoses sintomáticas. Estados pós-psicóticos, tempo de doença e resultado final. II - Parte Especial: Análise das psicoses sintomáticas segundo os grupos etiológicos. Psicoses nas doenças infecciosas. Psicoses nas parasitoses. Psicoses nos estados carenciais e de esgotamento. Psicoses nas doenças do aparelho circulatório. Psicoses nos estados de uremia. Psicoses nas hemopatias. Psicoses no pós-operatório. Psicoses nas doenças pulmonares. Psicoses nas neoplasias malignas. Psicoses nas doenças gastrintestinais. Psicoses nas doenças hepáticas e das vias biliares. Psicoses na gravidez, puerpério e lactação. | Resumo e conclusões | Alguns casos clínicos | Bibliografia.
João Manuel Fragoso Mendes (1922-1981). "Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa, de Psiquiatria, tendo sido o introdutor em Portugal, dos estudos sistemáticos e da linha de investigação em psicopatologia clínica."
(TEIXEIRA, J. Marques, Em Memória de... Paes de Sousa, Leituras/Readings - Vol.VI n.º 3 Maio Junho 2004)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

26 junho, 2023

PINA, Luís de - ASPECTOS MÉDICO-LEGAIS DA LIBERDADE CONDICIONAL. Braga, Livraria Cruz - Colecção «Sciencia Ivridica», 1960. In-4.º (24 cm) de 45, [3] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista Sciencia Ivridica, Tomo IX : n.os 45/45, Janeiro-Junho de 1960.
Ensaio médico-legal sobre a elegibilidade da liberdade condicional, considerando os aspectos psicológicos e psiquiátricos dos criminosos.
Livro ilustrado no final com 34 figuras, entre desenhos, quadros, gráficos, tabelas e fotogravuras, distribuídas por 20 páginas separadas do texto, sendo uma delas em folha desdobrável.
"O estudo do criminoso, para efeitos de liberdade condicional, embora se baseie na investigação ou pesquisição pluridimensional, morfo-psicomoral, deixa margem a muito insuficientes diagnósticos e prognósticos, originados na reacção defensiva do examinado, na impotência de muitos sistemas científicos da propedêutica psicológica e psiquiátrica, na perplexa interpretação dos elementos recolhidos, mercê da variedade, discordância e até adversidade de tantas doutrinas em que se poderiam basear a análise e valorização desses resultados analíticos.
Um prognóstico e uma terapêutica são o que, afinal e no fundo, se solicita ao perito.
Uma tarefa já de si dificílima - e é-o sempre, quando referida a indivíduos considerados vulgares, comuns, normais, não delinquentes; mas se o examinando for um criminoso, geralmente anormal ou desfavoràvelmente não comum em sua complexa personalidade psicomoral, então redobra de dificuldade a empresa, quando ao perito se solicite parecer acerca da concessão de liberdade condicional e se não atender, apenas, ao índice de um bom comportamento (tão impreciso!) e à circunstância de se encontrar o proposto emendado (não menos imprecisa!), condições de garantia, estas, exigíveis e indispensáveis."
(Excerto do estudo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse criminal.
20€

15 abril, 2023

AMARAL, Dr. M. Almeida -
O TRATAMENTO CIRÚRGICO DAS DOENÇAS MENTAIS.
Pelo... Director da Casa de Saúde de Idanha (Hospital Psiquiatria), Director da Clínica de Neuro-Psiquiatria do Hospital da Marinha, Ex-Assistente da Psiquiatria da Faculdade de Medicina. Prefácio do Prof. Egas Moniz. Manuais Práticos de Medicina e Cirurgia. Lisboa - Barcelona, Livraria Luso - Espanhola, 1945. In-4.º (24 cm) de XV, 147, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre a leucotomia - técnica operatória que notabilizou Egas Moniz - que prefacia o livro -, método "perfilhado", estudado e desenvolvido pelo autor, seu discípulo e admirador.
Trata-se de um trabalho baseado na sua tese de licenciatura - apresentada um ano antes à Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa - intitulada O tratamento cirúrgico das doenças mentais : contribuição para o estudo dos resultados terapêuticos da leucotomia pré-frontal. Inclui relatório de 12 "casos" que o autor acompanhou de perto.
Livro ilustrado no texto com desenhos esquemáticos e fotografias de pacientes, antes e (ou) depois de submetidos à polémica cirurgia.
Exemplar muito valorizado pela extensa dedicatória autógrafa de Almeida Amaral, datada de 1945, ao seu colega e condiscípulo Dr. Américo de Assunção.
"O sr. Dr. Almeida Amaral tem sido, em Portugal, o grande paladino da leucotomia pré-frontal.
Desde que a realizámos acompanhou os nossos trabalhos com entusiasmo, procurando indagar os resultados obtidos.
Passou a dar aturado labor ao estudo psiquiátrico dos operados, seguindo-os com meticuloso cuidado, em repetidas e longas observações. Foi assim que se convenceu da importância do novo tratamento cirúrgico, cujos resultados não ofereciam dúvidas em certos casos. Com grande imparcialidade e justa apreciação, também verificou que, em alguns doentes, os benefícios não correspondiam à nossa expectativa. Fêz assim trabalho honesto e seguro, tendo-nos dado valiosa colaboração. Concorreu, ao nosso lado e de Almeida Lima, para que a operação merecesse, entre nós, a divulgação possível."
(Excerto do Prefácio)
Sumário: I - Introdução e história do método psicocirúrgico de Egas Moniz. II - Generalidades sobre a anatomia do lobo frontal: A) Limites macroscópicos; B) Arquitectura do cortex frontal; C) Substância branca. III - Generalidades sobre a fisiologia do lobo frontal: A) Experiências e observações em animais; B) Lesões traumáticas dos lobos frontais; C) Doenças dos lobos frontais; D) Tumores dos lobos frontais; E) Amputações do lobo frontal; F) Leucotomias e lobotomias pre-frontais: a) sintomas gerais; b) sintomas neurológicos; c) sintomas psíquicos. IV - Técnica operatória da leucotomia pre-frontal de Egas Moniz: A) Leucotomia; B) Técnica operatória de leucotomia; C) Injecções de alcool; D) Nova técnica de leucotomia frontal (Lobotomia de Freeman, bases de técnica; técnica operatória). V - Casos clínicos. VI - Sumário dos resultados. VII - Discussão e crítica do método empregado. VIII - Conclusões e considerações finais.
Manuel Almeida Amaral (1903-1960). "Médico, natural de Lisboa, nasceu a 12-03-1903 e faleceu a 15-05-1960. Formou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1926 com a tese de licenciatura "Tratamento Cirúrgico das Doenças Mentais". Dedicou-se à psiquiatria, tendo sido Assistente da respectiva cadeira em 1927.
Discípulo do Professor Sobral Cid, frequentou as mais importantes clínicas da especialidade em França, Espanha, Suíça, onde estudou a aplicação da ergoterapia nos hospitais de doenças mentais.
Médico da Armada, foi Chefe de Neuropsiquiatria do Hospital da Marinha em 1933 e instituiu a selecção psicotécnica na admissão dos futuros marinheiros. Director do Hospital Miguel Bombarda (hoje com o seu nome), onde imprimiu profundas transformações que muito melhoraram as condições de hospitalização e tratamento dos doentes alienados. Doutorou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1944. Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria."
(Fonte: "Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa")
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam falhas de papel marginais.
Raro.
Com interesse histórico e clínico.
35€

30 dezembro, 2022

CORRÊA, Antonio Augusto Mendes - O GENIO E O TALENTO NA PATHOLOGIA
(esboço critico)
. Porto, Imprensa Portugueza, 1911. In-8.º (20 cm) de [6], 184 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio dedicado à análise das capacidades artísticas evidenciadas por pacientes internados em instituições consagradas às doenças do foro psiquiátrico, e outras patologias que, não se enquadrando nessas, eram tratadas como tal.
Primeira obra do autor, tendo servido de dissertação final ao curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Livro ilustrado com 17 figuras, sendo a maior parte em página inteira, reproduzindo trabalhos de doentes, os mais variados: desenho; pintura; artefactos de madeira, partituras, etc., produzidos em Rilhafoles, mais tarde Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), e no Hospital do Conde Ferreira (Porto).
"São velhos e banaes os conceitos de que «não ha grandes homens para os seus creados de quarto» e de que creaturas de mentalidade superior «não teem o juizo todo». A não ser que uma idolatria apaixonada, motivada as mais das vezes por uma conformidade de opiniões, venha suspender um tal criterio depreciativo, a cada passo de apontam, a meia voz e entre risinhos ironicos, excentricidades, manias bizarras, singularidades intimas, extravagancias ridiculas de creaturas notaveis, o que se leva tudo á conta de perturbações de saude mental. [...]
O medico moderno abandonou o papel restricto dos seus antecessores e, firmado na somma enorme de conhecimentos que a sciencia lhe fornece, entrou de alargar legitimamente o seu campo de acção. A medicina hoje tem, por exemplo, um importante aspecto social e ao medico exige-se em muitos casos que seja doublé de sociologo. Na hygiene, em medicina legar, etc., o medico não é o physico antigo, o remoto cirurgião, o humillimo curandeiro archaico, mas um verdadeiro sociologo, que põe em jogo factos sociaes e intervem poderosamente na vida colectiva das sociedades humanas.
Um campo novo se lhe abriu tambem na psychologia. O fôro da consciencia era antigamente quasi do exclusivo dominio do ministro da religião. A actividade do espirito não era devassada habitualmente pelo medico; nas proprias perturbações mentaes, nos casos de loucura, chamava-se o padre para com bençãos e exorcismos expulsar o espirito maligno do desventurado possesso, ou, com um pittoresco optimismo e uma crendice suprema, cuidava-se - noutras épocas - de adorar as victimas de taes perturbações como se uma inspiração divina sobre ellas tivesse baixado."
(Excerto de A medicina e a critica)
Matérias: A medicina e a critica. | Conceitos do genio e do talento. | A historia da questão da morbidez do genio e do talento. | As doutrinas de Moreau ( de Tours) e de Max Nordau. | A doutrina de Lombroso. | O genio e o talento nos alienados. | Conclusões.
António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960). "Antropólogo português, nasceu a 4 de abril de 1888, no Porto, e morreu a 7 de janeiro de 1960, na cidade de Lisboa. Licenciou-se em Medicina em 1911 e foi nomeado assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde começou a ensinar Antropologia. Dois anos mais tarde, em 1913, fez provas públicas nesta mesma faculdade, apresentando a dissertação: "Os Criminosos Portugueses (Estudos de Antropologia Criminal)".
Apesar de ser licenciado em Medicina, António Mendes Correia dedicou-se sobretudo ao ensino e à investigação científica. Foi professor de Geografia e Etnologia na Faculdade de Letras do Porto e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da mesma cidade. Para além da docência, Mendes Correia ocupou diversos cargos diretivos, tendo sido Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto (1923), Diretor da Escola Superior Colonial, que mais tarde se veio a chamar Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1946), e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), entre outros.
António Mendes Correia ajudou ainda a fundar diversos institutos, sociedades, museus e laboratórios científicos tais como o Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. No âmbito da política, foi Presidente da Câmara Municipal do Porto de 1936 a 1942 e Deputado da Assembleia Nacional a partir de 1945.
António Mendes Correia foi um dos nomes mais importantes da Antropologia portuguesa do século XX. Para além de professor de Antropologia, Mendes Correia soube acompanhar as mais relevantes correntes do seu tempo e contribuir para a sedimentação desta ciência em Portugal.
Conhecedor de múltiplos saberes, Mendes Correia publicou inúmeros estudos no âmbito da Antropologia, Arqueologia, Criminologia e História. Da sua vastíssima obra destacam-se as seguintes publicações: 1911, O Génio e o Talento na Patologia; 1913, Criminosos Portugueses; 1915, Crianças Delinquentes; 1915, Antropologia; 1919, Raça e Nacionalidade; 1921, Homo; 1924, Os Povos Primitivos da História; 1925, A Antropologia nas suas relações com a Arte; 1931, A Nova Antropologia Criminal; 1932, Origens da Cidade do Porto; 1934, Da Biologia à História; 1940, Da Raça e do Espírito; 1946, Uma Jornada Científica na Guiné Portuguesa; 1954, Antropologia e História.
(Fonte: infopédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

05 outubro, 2022

CID, Sobral - O CASO DE FRANZ PIECHOWSKI, PERSEGUIDO, PERSEGUIDOR E MAGNICIDA.
Por...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1930. In-4.º (25,5x20,5 cm) de 80, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Relatório clínico do marinheiro Franz Piechowski, psicopata de origem alemã, cujo delírio atingiu o seu auge em Lisboa, em Junho de 1930, com um crime que chocou o país - o assassinato a sangue frio de um diplomata alemão.
Estudo com interesse para história da psicose em Portugal por um dos seus expoentes máximos da época - o Prof. Sobral Cid.
Este processo contempla o percurso de Franz Piechowski, desde a adolescência (com passagem pelo reformatório), aos anos de embarcadiço - durante e após a Primeira Guerra Mundial -, onde se manifestaram as primeiras crises psicóticas, até à sua prisão, em Lisboa.
"No dia 7 de Junho de 1930, no momento em que saía do cruzador alemão Koenisberg, já acostado ao cais de Lisboa, o Ministro de Alemanha, Barão Von Baligand, foi alvejado a tiro por um seu compatriota - Franz Piechowski -, falecendo horas depois."
(Fonte: facebook.com/lisboadeantigamente)
Livro ilustrado em duas folhas separadas do texto reproduzindo fotogravuras do criminoso - vestido e sem roupa - segundo fotografias do Serviço de Identificação e Registo Policial - Pôsto Antropométrico de Lisboa.
"Manifestamente inspirado pelo delírio, e só por êle, o atentado perpetrado na pessoa do Barão von Baligand por Franz Piechowski integra-se lògicamente na fase decorrente da evolução a sua psicose, como um dos possíveis desfechos - aquele que as circunstâncias tornaram viável - da idea mórbida que, desde a vinda para a Península, se apossara da sua consciência com a persistência e o potencial energético que caracteriza as ideas fixas dentro e fora do campo psiquiátrico. [...]
Em primeiro lugar, a título de precedentes imediatos: a escolha da ocasião, a preparação minuciosa do atentado e a visita prévia ao teatro das operações - sem falar no cenário grandioso: troca de cumprimentos oficiais, marinheiros em parada, salvas, etc. - que o lugar e a ocasião escolhida lhe proporcionaram.
No que toca à execução do acto, a sua atitude fria, impassível só é comparável à do caçador de espera que, à espreita da peça de caça que há-de passar, concentra toda a sua atenção no seu objectivo, de modo a realizar o máximo de calma e domínio e si próprio no momento crítico em que tem de intervir. Chegada a ocasião propícia: ataque brusco e de surprêsa, por forma a assegurar-se do êxito, caindo inopinadamente sôbre a sua vítima."
(Excerto de Características do atentado)
Matérias: [Apresentação]. | Parte I - História pregressa. I - Antecedentes pessoais. II - História do delírio: A) - Eclosão e rápida sistematização do delírio. Estada em Londres. Viagem de retôrno a New-York (Estados Unidos). Regresso a Hamburgo e Danzig; B) - Estada em Danzig. Primeiras reacções agressivas sôbre supostos perseguidores. Tentativa de homicídio. Internamento no Manicómio de Lauenburg.; C) - Evasão do Manicómio de Lauenburg. Migração através da Alemanha ocidental. Queixas e telegramas de protesto. Primeiras manifestações do perseguido-reivindicador; D) - Regresso à actividade profissional. Viagem ao Mar do Norte, Mediterrâneo e Mar Negro. Episódio de Nápoles. Ocorre-lhe a idea de se refugiar na Rússia. Evasão a nado de bordo do «Arscheneim», no canal de Kiel. Estada em Rotterdam e Antuérpia; E) - Embarque clandestino para o Rio de Janeiro. Múltiplas tentativas de envenenamento. A idea do atentado aparece na consciência sob a forma de alucinações. Novas cartas e telegramas de protesto. Regresso à Europa; F) - Aquisição em Antuérpia da pistola «Liberty» - Migração para a Península - Pre-figuração alucinatória do atentado, na cena delirante de Bordéus - O magnicídio convertido numa idea fixa. G) - Instalação e expansão do complexus magnicida; H) - Lisboa - Indeterminação na escolha da vítima. Chegada da esquadra alemã - O atentado; I) - Características do atentado. | Parte II - Status praesens. A) - Exame morfológico; B) - Exame médico e neurológico; C) - Exame psiquiátrico. Parte III - Discussão. A) - Caracteres gerais do delírio; B) - O acontecimento provocador - Transmutação catatímica - Génese do «complexus»; C) - Projecção afectiva do «complexus» - Delírio de auto-relacionação sensitiva; D) - Episódio alucinatório intercalar; E) - Alucinações psíquicas; F) - Reacções: a) Generalidades; b) Reacções asténicas; c) Reacções esténicas; d) Elaboração sub-consciente da idea do atentado e sua pre-figuração alucinatória; e) O magnicídio, expressão de uma idea fixa ou prevalecente; f) Características psicológicas do atentado. | Conclusões.
José de Matos Sobral Cid (Cambres, Lamego, 1877 - Lisboa, 1941). "Mais conhecido por Sobral Cid, foi um médico e professor de Psiquiatria da Universidade de Coimbra. Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Coimbra (1903-1904) e foi Ministro da Instrução Pública em dois dos governos da Primeira República Portuguesa (1914). Como professor universitário, criou a escola portuguesa de psicologia clínica, fundamentada na semiologia psiquiátrica, na definição de conceitos psicológicos, assente numa prática de clínica humanizada que valoriza a relação entre médico e doente sem perder o sentido médico da psiquiatria e as suas bases biológicas."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€