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25 outubro, 2026

AMARAL JÚNIOR, João - A SECRETA MISSÃO DE ANA VLADIA : romance-documentário
. Lisboa, João Romano Torres & C.ª : Livraria Editora, [1935]. In-8.º (19x12 cm) de 242, [14] p. ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Ramos Ribeiro (1888-?).
Romance histórico de espionagem entre guerras. Trata-se do sétimo (e último) volume da estimada Colecção Dramas da Espionagem, obra da autoria de João Amaral Júnior, que assina os romances anteriores WW1 com o pseudónimo George Lody. A acção do presente decorre no período pós Grande Guerra, quando Hitler assume o poder na Alemanha.
"Max Dulmine - matricula 93 - chegou finalmente a Paris... Caía a tarde quando entrou no gabinete privado do seu chefe, o coronel do Estado Maior francês, Ernesto de Vilancourt.
Achou-o num mar de papeis. Com os dedos magros e ageis numa dubadoura, uma chavena de chá a fumegar a seu lado, o monóculo a reluzir - trabalhava activamente... [...]
Dulmine alisou o cabelo despenteado e sentou-se numa cadeira que puxou para diante da secretária.
Mais sereno, Vilancourt estendeu-lhe por cima do tinteiro de prata a cigarreira aberta.
Sem proferir palavra, Max serviu-se; bateu o cigarro e acendeu-o.
Depois, na sua atitude autoritária,  queimando tambem um cigarro e desentalando o monóculo para logo o segurar melhor, o oficial atirou uma pergunta:
- Então?
- Recebeu o meu telegrama?
- Recebi.
Matricula 93 relanceou um olhar inquieto pelo gabinete.
- Posso falar?
-À vontade - disse Vilancourt após deitar um olhar à porta, que Dorteill fechára silenciosamente."
(Excerto de I - «Se quizerdes a paz, preparai a guerra!»)
"Quem era ao certo esta heroína loira que se chamava Ana Vladia?
Sabia-se que viera de Moscou, fugida numa caravana de exilados e que chegára a Paris no inverno de 1918. Dado o golpe de estado Lénine-Kerensky, participara no grande exodo de perseguidos pelas tropas revolucionárias do exercito vermelho.
Filha duma familia burguêsa, Ana vivera desde criança sósinha com seu pai, czarista ferrenho, dedicado oficial do imperador - e habitavam em Moscou, quando maximalistas e soldados do governador travaram entre si sangrentas batalhas. [...]
Fugindo à prisão e ao morticínio tinham feito a debandada trágica; mas, ao aproximarem-se de Paris, o antigo capitão, já muito doente, e molestado pelos solavancos de viatura, falecera.
Vladia viu-se então sósinha, a braços com a miséria. Passou fome para defender a sua dignidade."
(Excerto de II - Ana Vladia)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
15€
Reservado

15 setembro, 2026

LODY, George -
A RUSSIA NEGRA : romance.
Versão livre de João Amaral Júnior. Dramas da Espionagem. As aventuras dos mais célebres espiões internacionais III. Lisboa, João Romano Torres & C.ª : Livraria Editora, [193-]. In-8.º (21x14,5 cm) de 320 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico de espionagem cuja acção decorre durante o período da Grande Guerra. Trata-se do terceiro volume (de 7) da estimada Colecção Dramas da Espionagem.
Obra da autoria de João Amaral Júnior, o 'tradutor', que assina com o pseudónimo George Lody.
Livro ilustrado com 16 desenhos e fotogravuras, incluindo um mapa e retratos de personalidades da época, sendo 9 em pagina inteira. A capa e os desenhos são de Ramos Ribeiro (1888-?).
"Do mesmo modo que em fins de 1916 - ano em que uma conjura de patriotas chefiada pelo principe russo Felix Yussopoff procurou sarar os males da Rússia, suprimeindo trágicamente o celebre taumatugo Rasputine - em fins de 1917 a França, assim como os demais païses da Entente, continuava seguindo com olhos alarmados o desencadear dos extraordinarios acontecimentos internos que na imensa patria de Nicolau III iam reflectir-se na sua acção guerreira do front... [...]
Ora o alarme despertado pelo éco de tão graves e variadas ocorrencias, determinaram naturalmente um consequente serviço de informações mais desenvolvido e, assim, o tenente Jorge Dulac, que acabava de dar firme prova da sua dedicação à patria e da sua tactica sôbre diplomacia secreta, partiu para Petrogrado, incumbido de elaborar circunstanciado relatório. Devia observar tudo quanto se referia à comparticipação da guerra por parte da Rússia e mais o que houvesse de concreto sôbre o tão apregoado defectismo que visava o tratado de uma paz em separado, a paz da Russia com a Alemanha."
(Excerto de I - A «missão» do tenente Jorge Dulac)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos. Contracapa apresenta  falhas de papel nos cantos. Lombada reforçada com fita-cola. Páginas ligeiramente oxidadas.
Muito invulgar.
20€

09 agosto, 2026

LODY, George - BRAZEIRO ARDENTE : romance. Versão livre de João Amaral Júnior. Dramas da Espionagem. As aventuras dos mais célebres espiões internacionais. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [193-]. In-8.º (21 cm) de 228 p. ; il. ; B. Colecção Dramas da Espionagem ,IV
1.ª edição.
Romance histórico sobre espionagem durante o período da Grande Guerra. Quarto volume (de 7) da estimada Colecção Dramas da Espionagem.
Obra da autoria de João Amaral Júnior, o 'tradutor', que assina com o pseudónimo George Lody.
Livro ilustrado ao longo do texto com 14 gravuras, sendo 8 em pagina inteira. Capa e desenhos de Ramos Ribeiro (1888-?).
"Jorge Dulac voltou a Helsingfors...
Depois da sua piedosa visita à campa de Kaluga, no pequenino cemitério da aldeia nevada, apenas lhe restava abafar o desgosto causado pelo doloroso capítulo de amor que acabava de enlutar Rampov.
A missão oficial com que partira da França para a Rússia, achava-se retardada pelo grave incidente que no anterior volume narrámos.
As circunstâncias exigiam pois toda a inergia das suas faculdades, o absoluto desprendimento de entraves, para, exclusivamente, se entregar à dupla actividade com que esperava ganhar parte do tempo perdido."
(Excerto do Cap. I, Manhã de tiroteio)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos. Lombada fendida. Páginas ligeiramente oxidadas.
Invulgar.
20€
Reservado