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26 junho, 2025

AS DANÇAS DO ENTRUDO - Teatro Popular na Ilha Terceira.
Texto das Danças: Chico Roico. Organização e Notas: Carlos Enes. [S.l.], Editorial Ilhas, 1980. In-8.º (21x15 cm) de 83, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante repositório do carnaval terceirense, publicado em homenagem a Chico Roico (1896-1935), conhecido poeta popular da Ilha, revertendo o produto da venda do livro para as vítimas do terrível terramoto ocorrido na Terceira meses antes, a 1 de de Janeiro desse ano.
Com reprodução de inúmeras canções - "modas".
"Quando no século XV se inicia o povoamento dos Açores, chegam de vários pontos do continente nobres, burgueses, artesãos e camponeses para desbravarem estas ilhas virgens do Atlântico. Da Flandres, muita gente sedenta de riqueza, em busca do ouro que não pareceu, acabou por se fixar nestas paragens. O tráfico de escravos trouxe para a região muitos negros comprados pelos senhores locais, para prestarem os serviços mais variados. Situados na rota da índia, os Açores, mantiveram durante muito tempo contactos com gentes dos mais variados pontos do mundo, que ancoravam nos portos para o comércio legal ou contrabando. Vem depois o Brasil. Os comerciantes locais têm privilégios especiais para comerciar com essa colónia. A emigração da Terceira desde o século XVII para algumas das capitanias brasileiras, e o provável regresso de alguns emigrantes à terra natal, permitiu desde cedo a troca de relações culturais entre dois mundos diferentes. Durante a dominação filipina, os espanhóis assentam também arraiais por estas bandas. No século XIX, devido à sua posição estratégica no meio do Atlântico, os Açores são porto de abrigo e apoio à intensa navegação marítima internacional.
Sem dúvida alguma que o peso da tradição cultural dos Açores está ligado aos povoadores que do Minho ao Algarve transportaram consigo os seus usos e costumes. Mas, o contacto com gente de fora, a saído e o regresso de emigrantes permitiu, nalguns casos, a introdução de novos e variados elementos nessa mesma cultura popular.
Tudo isto vem a propósito das Danças de Entrudo, na Terceira."
(Excerto de Nota explicativa)
Índice:
Nota Explicativa | As «Danças» do Entrudo - Breve apontamento | Chico Roico: um poeta popular | A revolta dos deportados - 1931 | Textos das Danças: «Dança de Ladrões e Fidalgos» - 1931; «Dança dos Deportados» - 1932; «Dança dos Pretos» - 1933; «Dança do Estudantezinho» - 1934; «Dança de Carpinteiros» - 1935.
Exemplar em brochura, bem conservado. Com dedicatória na f. rosto (não relacionada com a edição do livro).
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

26 julho, 2021

FERREIRA, Rafael - DA FARSA À TRAGÉDIA.
Teatros, circos e mais diversões de outras épocas
. Pôrto, Domingos Barreira - Editor, 1943. In-8.º (19 cm) de 207, [3] p. ; mto il. ; B.

1.ª edição.
Importante subsídio para a memória do entretenimento, das actividades lúdicas e passatempos populares de outros tempos. Livro que trata dos divertimentos antigos - desde o teatro do tempo de Gil Vicente ao teatro de revista, magia, oratórias, circos, ilusionismo, entre outros." (Museu da Marioneta). Obra com interesse histórico, cultural e etnográfico.
Muito ilustrado ao logo do texto e em página inteira com bonitos desenhos e fotogravuras a p.b.
"As minhas recordações dos saltimbancos vêm de muito criança, dos tempos em que êles se exibiam por essas ruas de Lisboa, onde estendiam velhos tapetes para realizarem exercícios de acrobacia, no que se mostravam não menos peritos, durante os entrudos, certos elementos das celebradas «danças da luta».
Grupos de ciganos, ou «domadores» isolados, faziam bailar macacos, cães e ursos, ao som de tambores e de pandeiros e, na praça do Campo de Santana, em tardes em que não havia touradas, «troupes» de árabes se exibiam também em vistosos trabalhos acrobáticos.
Quanto a circos, especialmente construídos para apresentação dêsses trabalhos, de números eqüestres, de animais amestrados e de intermédios cómicos e pantomimas - os «cavalinhos», como muitas pessoas lhes chamavam, - as minhas reminiscências conduzem-me ao do Price, à esquina da praça da Alegria para a rua do Salitre..."
(Excerto de Coliseus, palhaços e «cavalinhos»)
Índice:
As peças de costumes populares (De Gil Vicente a Gervásio Lobato e D. João da Câmara). | Monólogos e Cançonetas (De Taborda e Santos Pitorra a Adelina, Alegrim e Amarante). | O velho Gimnásio (Os seus grandes cómicos e a sua camaradagem). | As antigas revistas (Os seus «compères» e as suas «estrêlas». | O «dramalhão» (Nos teatro populares e no normal). | Reinado das Operetas em Portugal (Da «Gran-Duquesa» à «Viúva Alegre»). | Teatro romântico (O que êle foi em França e em Portugal). | As mágicas (Alegria das crianças e distracção dos adultos). | O teatro histórico em Portugal (Ilustres escritores o dignificaram). | As oratórias ( Santo António e outros Santos através os palcos). | O «vaudeville» e as peças num acto (Artistas portugueses que lhe emprestaram todo o seu talento. | Tragédias e paródias. | A alegria dos artistas (Nos palcos e nas «tournées»). | Os teatros particulares e os «furiosos» dramáticos. | Coliseus, palhaços e «cavalinhos». | A psicologia dos palhaços. | Bonifrates ou Fantoches. | Animais sábios. | Ilusionismo e prestidigitação. | O Carnaval português de outras épocas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

11 janeiro, 2020

BRETÃO, José Noronha - "NA ALEGRIA VOS SAUDAMOS" - Danças e Bailinhos no Entrudo de 1985. [Angra do Heroísmo], Comissão Executiva das Comemorações do 450.º Aniversário de Elevação de Angra a Cidade, 1985. In-4.º (24 cm) de 8 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa: pintura de Van der Hagen. 
Curiosa monografia sobre o carnaval na Ilha Terceira. Ilustrada com 4 fotografias a p.b. ao longo do texto.
Tiragem: 500 exemplares.
"Com maior ou menor rigor aí estão, uma vez mais e no seu "tempo próprio", as Danças de Entrudo e Bailinhos do Carnaval da Ilha Terceira.
"Presença" do Povo a quem, prioritáriamente, se destinam, umas e outros vem cumprir o seu papel no maio Festival (ou encontro, ou convívio, como queiram) de Teatro Popular que nestas ilhas se realiza e desde há muitos anos. Sem convites, sem prémios, sem anúncios, as Danças e Bailinhos como que "explodem" em tudo quanto é lugar de convivência. E quem percorrer (como milhares percorrem) as Sociedades Recreativas desta ilha nos três dias de Carnaval, há-de encontrar em todas elas um público atento e participativo que ainda se não cansou de ver e aplaudir as saudações de um Mestre, os ditos picantes de um Ratão, as falas graves ou alegres de um rei, de um Santo de altar ou emigrante de torna viagem. E não se cansará nunca de bater os pés ao ritmo dos dançarinos das alas que, a abrir e a fechar, "marcarão" o tom que o Mestre pontuará de espada em riste.
É assim todos os anos e não há que procurar explicações difíceis ou rebuscadas: o Teatro, aqui e assim, é Festa do Povo e não tem que pedir licença. Acontece tão naturalmente como acontecem os dias do ano, as chuvas e as trovoadas, as manhãs de Sol e as tardes de calmaria."
(Excerto do texto, Festa da Fraternidade)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível