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26 outubro, 2024

VILARINHO, José -
ESPADAS E FLORETES : contribuição para a história do desporto em Portugal.
A esgrima portuguesa e as suas estórias de espadachins e atiradores, de duelos e assaltos, das justas aos Jogos Olímpicos e dos alfagemes às espadas eléctricas. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Gráfica Maiadouro, S. A. - Maia], 1993. In-4.º (24x17 cm) de 176, [2], [77], [1] p. il. ; [4] p. ; B.
1.ª edição.
Na capa, José da Costa Amorim, um dos grandes esgrimistas do princípio do século XX.
Importante subsídio para a história da Esgrima entre nós. Trata-se de um interessante contributo com interesse histórico e desportivo, ilustrado em separado com 77 estampas impressas sobre papel couché.
"A esgrima constituía nos últimos anos da Monarquia e nos primeiros da República uma das mais importantes disciplinas do desporto português e, a partir de finais da primeira década do século XX, foi-se tornando a nossa mais representativa modalidade a nível internacional, marcando posição de elevo em grandes torneios europeus e nos Jogos Olímpicos. Nesses anos, pouco depois da viragem do século, o desporto em Portugal era assunto das classes elevadas, actividades de tempos livres para quem os tinha. Talvez ainda mais do que outras modalidades, a Esgrima, "elegantíssimo género de sport", como se lhe referiam os periódicos da época, era uma das práticas favoritas de reis e príncipes, de moços aristocratas e da burguesia endinheirada, actividade obrigatória das escolas militares, passatempo de médicos e advogados, de engenheiros e artistas, de jornalistas e políticos, pares do reino ou deputados.
As festas da Esgrima, torneios, saraus ou mesmo assaltos como, por vezes, eram designados realizavam-se nos locais de maior prestígio de Lisboa ou do Porto e constituíam importantes acontecimentos mundanos, reunindo assistências numerosas das elites de então. [...]
Não se pense porém que, com a queda da Monarquia, a Esgrima perdeu as suas características e importância: Em Junho de 1910 D. Manuel II presidira à Semana das Armas e, pouco tempo depois, em Novembro, três ministros da República implantada um mês antes honraram, com Afonso Costa (um esgrimista) à cabeça, a sessão de reabertura dos trabalhos do Centro Nacional de Esgrima.
Os esgrimistas desse tempo, por vezes conflituosos e dados a grandes antagonismos e rivalidades, frequentemente caprichosos e nem sempre seguidores à risca das regras de fair play por eles próprios estabelecidas foram, não obstante, os grandes percursores do desporto de competição no nosso país e os primeiros a torná-lo conhecido e respeitado além fronteiras. Eram, também, desportistas ecléticos, como era de uso. Muito se surpreenderiam os praticantes de hoje se, para além de os encontrarem cruzando armas nas elegantes salas de outrora, quase todas situadas na zona do Chiado que era a mais nobre de Lisboa, com eles deparassem depois montando a cavalo no hipódromo de Belém, remando ou tripulando ágeis veleiros no Tejo, pedalando em provas ciclistas nas poeirentas estradas da periferia, procurando bater recordes em automóvel ou motocicleta, jogando futebol na Cruz Quebrada, lutando ou levantando halteres nos salões do Atheneu ou do Real Gymnasio Clube, atirando aos pombos na Ajuda ou mesmo pegando touros em Vila Franca ou Almeirim. Constituíam a juventude dourada da época e a imprensa designava-os por "distintos sportsmen"..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Dos Relevos Egípcios às Bandas Desenhadas. II - Dos Combates Medievais às Salas de Armas. III - Do Soldado Liberal ao Mestre da Corte. IV - Da Elegância dos Saraus às Rivalidades nas Pranchas. V - Do Desaire de Madrid à Vitória em Paris. VI - Da Tragédia dos Paredes ao Jogos de Estocolmo. VII - Do Sensacional Duelo da Ameixoeira aos Jogos de Anvers. VIII - Do Nascimento da Federação aos Jogos de Paris. IX - Do Torneio do Estoril à Medalha Olímpica de Amesterdão. X - Dos Grandes Encontros à Recusa aos Jogos de Los Angeles. XI - Dos Indícios da Decadência aos Jogos de Berlim. XII - Do Desinteresse pelas Competições ao Ocaso duma Época Brilhante. | Interrupção | Documentos Fotográficos [77 estampas].
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
45€

28 março, 2023

VITERBO, Sousa - A ESGRIMA EM PORTUGAL.
Subsidios para a sua historia. Seguidos de dois tratados, um inedito, de Diogo Gomes de Figueiredo, e outro reeditado, de Thomaz Luiz. Lisboa, Typographia Universal (Imprensa da Casa Real), 1897. In-4.º (23,5 cm) de 84 p. ; B.
1.ª edição independente.
Ensaio histórico e bio-bibliográfico sobre a esgrima em Portugal, trabalho originalmente publicado na Revista Militar, Tomo XLIX.
Tiragem de 50 exemplares fora do mercado.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Manuel de Oliveira Ramos (1862-1931), historiador e professor universitário.
"Não podendo dizer como Camões:
Para servir-vos braço ás armas feito
... ignorando por completo o jogo das armas, limitar-nos-hemos a apresentar este assumpto debaixo do ponto de vista historico e bibliographico. Fique a outros de provada competencia, que não faltam, o tratal-o sob o ponto de vista propriamente technico.
Houve tempo em que a espada e a penna eram emblemas inseparaveis dos homens de algum merecimento e de alguma reputação social. Camões e Cervantes, para não citar senão estes dois luminares da litteratura da peninsula, não são exemplos raros; pelo contrario, são numerosos os escriptores, que manejaram as armas. Fr. Luiz de Sousa, o mavioso cronista de S. Domingos, antes de entrar no claustro, foi um brilhante capitão de cavallaria. Diogo do Couto não se mostrava menos orgulhoso que o auctor dos Lusiadas, quando debaixo da sua effigie punha o seguinte distico:
Exprimit effigies, quod solum in Caesere visum est
Historiam calamo tractat, et arma manu.
Se foi o proprio Couto que dictou os versos, predoêmos-lhe a mentirosa vaidade com que se compara a Cesar, dizendo que só nas mãos do insigne capitão romano se vira cruzar o bastão do commando com o calamo do historiador. D. João de Castro, para não citar senão exemplos da casa, tanto nobilitou o seu nome nas homericas pelejas do cêrco de Diu, como nas paginas dos roteiros, em que tão exuberantemente deixou assignalados os seus conhecimentos nauticos. E que diremos de Lopo de Sousa Coutinho, o pae de fr. Luiz de Sousa? Seria interminavel a lista e quizessemos apontar mais exemplos.
Não seria só práticamente que entre nós, nos antigos tempos, se aprenderia o manejo das armas. Camões immortalisou n'um dos mais bellos episodios do seu poema o cavalheiroso Magriço, o paladino das offendidas damas inglezas. Mas antes do heroe camoneano, real ou poetico, fingido ou historico, as chronicas do tempo apontam nomes de cavalleiros portuguezes que deram provas da sua valentia e da sua destreza, tanto na côrte de Hespanha, como na côrte de França.
Antes do seculo XVI não conhecemos documentos que nos indiquem os nomes dos mestres de armas, e dos tratados da especialidade, quer impressos, quer manuscriptos, tambem não chegou até nós o conhecimento. O livro mais antigo em que se trata da materia, embora indirectamente, é o Leal Conselheiro e a Arte de cavalgar toda a sella, de D. Duarte."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Introducção. | [Catálogo dos mestres de esgrima em Portugal] (XXXII mestres). | Tratado inédito - Memorial Da Prattica do Montante Que inclue dezaseis regras simplez, e dezaseis Compostas. Dado em Alcantara Ao Serenissimo Principe Dom Theodozio q. Ds. g,de Pello Mestre de campo Diogo Gomes de Figueyredo, seu Mestre na ciencia das Armas. Em 10 de Mayo de 1651. [32 Regras: Simples (1) e Compostas (31)] | Tratado das liçoens da espada preta, e destreza, que hão de usar os jogadores della, por Thomaz Luiz, Rey de Armas, natural desta cidade de Lisboa. | Additamento final. | Indice.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falhas de papel. Sem contracapa e grande parte do papel da lombada. Deve ser encadernado.
Raro.
60€

23 outubro, 2016

JOSEPH-RENAUD, J. - L'ESCRIME. Par... Préface de Marcel Prevost. Ouvrage orné de 48 pages d'illustrations photographiques et cinématographiques hors texte. Paris, Pierre Lafitte & Cie, 1911. In-8.º (20x14,5cm) de XXIV, 332, [4] p. ; [48] p. il. ; il. ; E. Col. Sports-Bibliothèque
1.ª edição.
Tratado de esgrima em francês (no original).
Obra de referência, centenária, publicada no início do século passado. Ilustrada com desenhos nas páginas de texto, e 94 fotogravuras a p.b. dispersas por 48 páginas intercaladas no texto, representando as regras e os movimentos da esgrima.
"Le livre que voici est vraiment nouveau et tellement utile qu'on peut seulement s'étonner de le voir paraître si tard.
Il n'y a pas encore bien longtemps, à la fin du dix-neuvième siècle, le mot «escrime» voulait dire, sans plus, «escrime au fleuret», - c'est-à-dire un jeu élégant et arbitraire, qui se jouait avec des instruments à peu près aussi conventionells que ceux du golf ou du hockey. Jeu profitable d'ailleurs pour les muscles et d'adresse des joueurs, mais ne gardant qu'un rapport assez vague avec la défense personnelle, puisquíl mettait en présence deuz combattants fictifs, dont la téte, les bras, les jambes, etc... étaient supposés invulnérables.
On appelait alors «traité d'escrime» un ouvrage énonçant les règles de ce noble jeu, et les moyens de s'y perfectionner. [...]
Ouvrage unique en son genre, qui épargnera aux commençants biem des erreurs d'entraînement, bien des faux départs; qui accroîtra sensiblement la valeur des tireurs déjà entraînés, s'ils le pratiquent; qui, enfin, capable d'intéresseur même les non-escrimeurs par sa documentation et son allure littéraire, demeurera pendant de longues années le manuel complet de ce bel art, utile à la fois comme sport et comme moyen de défense personnel: l'Art de l'Épée."
(Excerto do Prefácio)
Jean Joseph-Renaud (1873-1953). “Foi um esgrimista francês. Competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1900 e 1908. Foi também um jornalista prolífico, autor e dramaturgo, cujos livros La Défense dans la rue (Autodefesa na rua, 1912) e L'Escrime (A Esgrima, 1911) são reconhecidos como uma importante contribuição para a literatura especializada do início do século XX. Joseph-Renaud era um proponente no campo de honra, tendo dito: "Sob todos os pontos de vista, combater em duelo é benéfico". Arbitrou muitos duelos (incluindo os que envolveram Clemenceau e Leon Blum) e combateu ele próprio em duelo, pelo menos 15 vezes, sendo que, 4 deles, foram travados com pistolas; saiu vitorioso em todos eles.”
(fonte: wikipédia)
Encadernação editorial com título e autor gravados a seco e a cinza e aplicação manual de uma fotogravura a p.b. do autor na pasta frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Miolo em bom estado, observando-se no entanto manchas de oxidação nas páginas ao longo do livro.
Raro e muito apreciado.
Indisponível