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10 setembro, 2024

NEVES, Dr. Vítor M. L. Pereira -
APELIDOLOGIA POPULAR PORTUGUESA
. Lisboa, [s.n. - Gráfica S. José - Castelo Branco, Outubro de 1990], 1991. In-8.º (20x15,5 cm) de 92, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro. Trata-se de um curioso repositório dos apelidos portugueses com origem na província.
"A Onomatologia, por ser mais rica e curiosa do que a Antroponímia, desde há muitos anos que, em contacto directo e quotidiano com gentes do campo, despertou a minha curiosidade e comecei a elaborar listas de apelidos em páginas mortas da minha agenda.
A breve trecho, resolvi arranjar bloco exclusivo para esse efeito, pois interessei-me cada vez mais pelo caso, quando há cerca de uma década voltei para a Amadora a trabalhar como médico-veterinário municipal da Neo-Cidade. Concelho onde habitam cerca de trezentas mil pessoas, grande parte proveniente das mais diversas terras e regiões de Portugal, encontrei aí uma amostragem propícia para desenvolver mais a minha curiosidade.
A maior parte das vezes, só pelos apelidos, sei logo donde a pessoa é, ou os seus ascendentes são naturais. Mais me entusiasmei quando, procurando em ficheiros, não encontrei quem em Portugal, se tivesse debruçado sobre o assunto de modo a fazer um estudo exaustivo sobre o caso, poder tirar conclusões e até fazer opinações.
Ao mesmo tempo julgo que prestarei algum serviço aos portugueses, à cultura e à posteridade, pois à tendência, felizmente, para maior erudição, para maior instrução e cultura e naturalmente os Pais e Padrinhos terão o bom senso de não dar ao Registo Civil nomes que possam ser utilizados pejorativamente.
As ascendências não podem prejudicar alguém, porque cada um é, o que é por si próprio. Mas para que se há-de colocar um estigma negativo, logo à nascença, se é um dos Direitos Humanos nascermos todos livres e iguais?
Para quê a família pôr logo à nascença o nome de "Marranita" ou "Burrica" à menina e "Boirão" ou "Cornicho" ao menino?!..."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado. Com sublinhados a lápis no índice.
Muito invulgar.
25€

29 julho, 2024

FARIA, Maria do Céu Novais -
PASSAGEM DE NOMES DE PESSOAS E NOMES COMUNS EM PORTUGUÊS.
Por... Suplementos de "Biblos" - Série Primeira : 1 : Filologia Românica. Coimbra, Faculdade de Letras, 1943. In-4.º (24x17,5 cm) de [8], 91, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Ensaio etimológico, académico, pioneiro entre nós.
"Êste trabalho não tem a pretensão de ser completo e de satisfazer cabalmente a intenção da autora, que era registar todos os nomes próprios de pessoas que passaram à categoria de comuns; terá, no entanto, o mérito de servir de base a futuros trabalhos, visto ser o primeiro, que, no género, se faz em relação ao português. [...]
Os nomes registados são do português dos nossos dias; só acidentalmente foram recolhidos alguns, empregados por escritores de séculos passados, que se nos deparavam por acaso. [...]
Quando tratámos dos nomes de pessoas célebres, procurámos determinar, tanto quanto possível,a linguagem a que pertencem, bem como indicar o grau do seu emprêgo. Todos os outros nomes pertencem à linguagem corrente e popular e são, na maior parte dos casos, de emprêgo dialectal. O facto de se indicar para o uso de certos nomes esta ou aquela localidade, tal ou tal região, não quere de modo algum significar que tais palavras não possam ser empregadas em outras terras com o mesmo sentido, ou sentido diferente, dentro da mesma categoria de nome comum; quere simplesmente dizer que é dessas apenas que temos conhecimento.
Sempre que nos foi possível, procurou-se também apontar as condições em que os nomes registados neste trabalho são empregados, isto é, se têm em vista efeitos determinados, como, por exemplo, a ironia ou o humor - o que é muito difícil de fazer-se, por falta de informações seguras, sempre que se trata de emprêgos regionais."
(Excerto do Prefácio)
Índice geral:
Duo uerba (pelo Prof. Dr. J. Providência Costa) | Prefácio | Introdução - Nomes próprios e nomes comuns | Parte primeira - Nomes de pessoas aplicados a pessoas: I. Nomes célebres que designam o atributo que as celebrizou: A) Nomes de personagens reais: a) Nomes portugueses; b) Nomes de outras origens. B) Nomes de personagens fictícias: a) Nomes de origem literária; b) Nomes de origem clássico-mitológica. II. Nomes célebres que não designam o atributo que os celebrizou. III. Outros nomes de pessoas que designam uma qualidade. IV. Nomes de pessoas que designam uma profissão. V. Nomes de pessoas aplicados a indivíduos indeterminados. Parte segunda - Nomes de pessoas aplicados a animais. Parte terceira - Nomes de pessoas aplicados a animais. Parte quarta - Nomes de pessoas aplicados a coisas e idéias abstractas. ! Conclusões | Lista alfabética dos nomes próprios de pessoas passados a comuns que constam dêste trabalho | Principais obras consultadas | Adenda e corrigenda | Índice geral.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta oxidação.
Muito invulgar.
15€

12 julho, 2023

DICIONÁRIO DAS ALCUNHAS ALFACINHAS.
Introdução e notas de Francisco Santana. Lisboa, Livros Horizonte, 2001. In-4.º (24x17 cm) de 132, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso repositório (anónimo) de alcunhas referentes aos "nativos" de Lisboa, com evidente interesse olisiponense.
"De autor anónimo e fazendo parte do arquivo dos "Amigos de Lisboa", é constituído por cerca de 1250 entradas, todas manuscritas num milhar de folhas de bloco de pequeno formato, sendo repositório de variada e interessante informação.
Dando à alcunha uma latitude de sentido hoje de todo inusitada, vemos aparecerem ao lado de autênticas alcunhas, nomes e sobrenomes, apelidos e cognomes, pseudónimos e títulos nobiliárquicos, que recuam vários séculos dentro da nossa história.
É para um olisipógrafo um passatempo e um prazer percorrer as diversas entradas e tomar conhecimento do retrato pitoresco de Lisboa do princípio do século que findou."
(Texto retirado da contracapa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

28 dezembro, 2022

MENGO, Francisco da Silva - DICCIONARIO DE NOMES DE BAPTISMO.
Comprehendendo mais de quatro mil nomes de ambos os sexos. Colligidos dos Registos Officiaes, da Mythologia, da Historia, dos «Flos Sanctorum», etc. Por... Com um prefacio do Dr. Theophilo Braga, professor do Curso Superior de Lettras
. Porto, Typographia Elzeviriana annexa á Livraria Civilisação, 1889. In-8.º (18 cm) de XIV, 136 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso repositório/"dicionário" de nomes de baptismo, obra pioneira que sobre este assunto se publicou entre nós.
Sobre a presente obra, com a devida vénia, reproduzimos texto do excelente post publicado do blogue "Genealogia sem segredos"cujo link disponibilizamos no final.
"Anunciado como tendo "mais de quatro mil nomes de ambos os sexos" não só coligidos dos "registos officiaes", mas também "da Mythologia, da Historia, dos «Flos Sanctorum»", este dicionário publicado em 1889 é particularmente curioso. Por um lado, foi a primeira publicação do género em Portugal e - no seu propósito e no formato em que foi feita - seria também a última. Por outro lado, a obra poderá ter favorecido a grande diversificação de nomes de baptismo dados em Portugal em finais do século XIX e no início do século XX, sobretudo em zonas urbanas.
Prefaciado por Teófilo Braga, o Dicionário de Nomes de Baptismo de Francisco da Silva Mengo apresenta ainda outras curiosidades, como o facto de o autor ter elencado mais do dobro de nomes masculinos, face aos nomes femininos, quando a prática de escolha de nomes de baptismo, na época, revela-nos maior diversidade nos nomes dados a meninas. Outro detalhe curioso é a inclusão, na lista de nomes masculinos, de alguns nomes que hoje associamos ao sexo feminino, como Abigail ou Amarilis.
Quem era Francisco da Silva Mengo? Estabelecido no Porto como editor e livreiro (tendo chegado a ser dono da célebre Livraria Moré), era um erudito que privou com alguns dos mais importantes pensadores e romancistas portugueses da época, nomeadamente Camilo Castelo-Branco. À época em que escreveu o seu Dicionário de Nomes de Baptismo, encontrava-se já cego. Nesta obra compilou os nomes alfabeticamente, incluindo não só os que haviam sido "sanccionados pela Egreja", mas também muitos outros, que não correspondiam a santos ou beatos. A estes, o autor teve o cuidado de adicionar asteriscos, talvez para prevenir os leitores que a sua atribuição em baptismo poderia ser recusada.
Apesar de alguns milhares de nomes compilados, o Dicionário de Nomes de Baptismo de Francisco da Silva Mengo não abrangeu todos os nomes de baptismo que, na época, estavam a ser dados em Portugal. Aliás, numa das suas notas finais ao dicionário, o autor escreveu: "É sobrenome, assim como: Sertorio, Murillo, Cicero, Nelson, Cincinnato, Petrarca, Linneu, Collatino e outros, que actualmente estão sendo impostos como nomes de baptismo". Por conseguinte, Francisco da Silva Mengo omitiu alguns nomes de baptismo que entendia não serem apropriados para tal função. Contudo, não ficam claros os critérios seguidos pelo autor para a inclusão ou a exclusão de vários nomes. Basta referir que o dicionário inclui Elisabeto como nome masculino, mas omite Elisabete como nome feminino, embora este tenha passado a ser relativamente comum em Portugal várias décadas mais tarde. Apesar disto, o Dicionário de Nomes de Baptismo não deixa de ser uma obra interessante para quem se interessa pelo tema dos nomes dos seus antepassados, e para a Genealogia e História da Família em geral."
(Fonte: https://genealogiasemsegredos.weebly.com/blog/o-dicionario-de-nomes-de-baptismo-de-francisco-da-silva-mengo-1889)
"Para fazer um Diccionario de Nomes proprios, ha dois processos, que não se excluem, antes mutuamente se cosdjuvam; o primeiro é scientifico, applicando os methodos da Glottologia aos nomes individuaes ou locaes, estabelecendo os themas e modificações phoneticas e que derivam, segundo as linguas e épocas sociaes que contribuiram para a civilisação actual, e determinando as fórmas por que esses nomes passaram, segundo os cruzamentos das raças que constituem um dado povo. O segundo processo é empirico; consiste em colligir a maior somma de nomes, quer do uso vulgar, quer dos documentos, inscripções ou escripturas, para, diante, de séries completissimas, fixar as correlações e os themas ethnolinguisticos por onde esses nomes generativamente se agrupam.
Em Portugal, como parte da peninsula hispanica, um perfeito Diccionario onomatologico exigiria um estudo particular dos nomes bascos, celticos, romanos, germanico e arabes. Em relação aos nomes locaes, esse estudo leva, a importantes descobertas sobre o conhecimento das raças e sua distribuição topographica, como ensaiou Guilherme Humboldt; pelo seu lado, os nomes individuaes são magnificos elementos de uma paleontologia social."
(Excerto do Prefacio)
"Em razão do seu objectivo especial, nenhum Diccionario da Lingua Portugueza dá á estampa os nomes de baptismo.
Seguindo rumo differente, outros porém, destinados ao estudo de linguas extrangeiras, addicionam uma lista d'estes nomes, mas essa lista — evidentemente reproduzida, apenas com leves variantes, de umas para outras edições — deixa muito a desejar por deficiente, ou incorrecta. Demais, o elevado preço d'estes diccionarios e o facto de serem, como já dissemos, destinados a linguas extranhas, nem a todos permittem possuil-os, ou consultal-os; assim, a maioria das pessôas não tem para onde recorrer em casos de duvida, infelizmente frequentissimos, quer elles digam respeito á nomenclatura, quer á orthographia.
Preencher (pelo menos, diminuir em grande parte) uma tão sensivel  lacuna e facilitar ao mesmo tempo, de conformidade com as fontes mais auctorisadas, o conhecimento dos nomes sanccionados pela Egreja, - eis o intuito do presente opusculo, o primeiro no seu género até hoje publicado em Portugal.
Que esta circumstancia, sobretudo, desperte nos leitores alguma indulgencia para os defeitos do livro, e o auctor dará por bem empregadas as longas horas que consumiu na elaboração do seu trabalho.
Elle fez o que pôde, e não foi muito; outros virão talvez que, com menor esforço e maior applauso, farão mais e melhor."
(Preâmbulo - Duas palavras)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Selo de biblioteca da Freguesia de Santa Maria de Cintra na lombada, e carimbo e identificação manuscrita da mesma na f. rosto.
Raro.
Indisponível

23 março, 2016

NEVES, Dr. Vítor M. L. Pereira - APELIDOLOGIA POPULAR PORTUGUESA. Lisboa, [s.n. - imp. Gráfica de S. José, Lda., Castelo Branco], 1991. In-8.º (20cm) de 92, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo onomástico pioneiro sobre os apelidos dos portugueses.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A Onomatologia, por ser mais rica e curiosa do que a  Antroponímia, desde há muitos anos que, em contacto directo e quotidiano com gentes do campo, despertou a minha curiosidade e comecei a elaborar listas de apelidos em páginas mortas da minha agenda. A breve trecho, resolvi arranjar bloco exclusivo para esse efeito, pois interessei-me cada vez mais pelo caso, quando há cerca de uma  década voltei para a Amadora a trabalhar como médico-veterinário municipal da Neo-Cidade. Concelho onde habitam cerca de trezentas mil pessoas, grande parte proveniente das mais diversas terras e regiões de Portugal, encontrei aí uma amostragem propícia para desenvolver mais a minha curiosidade.
A maior parte das vezes, só pelos apelidos, sei logo donde a pessoa é, ou os seus ascendentes são naturais. Mais me entusiasmei quando, procurando em ficheiros, não encontrei quem em Portugal, se tivesse debruçado sobre o assunto de modo a fazer um estudo exaustivo sobre o caso, poder tirar conclusões e até fazer opinações.
Ao mesmo tempo julgo que prestarei algum serviço aos portugueses, à cultura e à posteridade, pois há tendência, felizmente, para maior erudição, para maior instrução e cultura e naturalmente os Pais e Padrinhos terão o bom senso de não dar ao Registo Civil nomes que possam ser utilizados pejorativamente."
Matérias:
- Apelidos ligados à aparência. - Apelidos ligados com o comportamento. - Apelidos relativos a povoações. - Apelidos ligados ao tipo constitucional. - Apelidos que sugerem proveniência. - Apelidos com nomes de utensílios. - Apelidos relativos a profissões. - Apelidos ligados ao mar. - Apelidos ligados à flora. - Apelidos de produtos hortículas. - Apelidos com o nome de ervas. - Apelidos com o nome de arbustos. - Apelidos com o nome de árvores. - Apelidos de florestas. - Apelidos relativos a flores. - Apelidos aristocráticos. - Apelidos relativos à vida militar. - Apelidos relativos às estações e meses do ano. - Apelidos relativos a frutos. - Apelidos com nomes de côres. - Apelidos relativos à habitação ou urbanismo. - Apelidos relacionados com água. - Apelidos relativos à idade. - Apelidos relativos a parentesco. - Apelidos relativos à culinária. - Apelidos relativos à ocupação árabe. - Apelidos mais antigos que Portugal. - Apelidos telúricos. - Apelidos relativos à divisão da propriedade. - Apelidos ligados à ruralidade. - Apelidos relativos à fauna. - Apelidos relativos a animais domésticos. - Apelidos relacionados com a lareira. - Apelidos relativos a metais. - Apelidos relativos à indústria têxtil. - Apelidos relativos a dinheiro. - Apelidos relativos ao amor. - Apelidos que evocam serras. - Apelidos relativos a números. - Apelidos de cereais. - Apelidos relativos à categoria das povoações. - Apelidos bem ligados a Lisboa. - Apelidos ligados à época medieval. - Apelidos relacionados com o trajo. - Apelidos de chefes guerreiros. - Apelidos ligados à vinicultura. - Apelidos relacionados com a infância. - Apelidos de imperadores romanos. - Apelidos bizarros. - Outros apelidos curiosos. - Apelidos ligados ao cristianismo. - Apelidos ligados à saúde. - Apelidos elogiosos. - Apelidos ligados a defeitos físicos. - Apelidos relacionados com prisões. - Apelidos pejorativos. - Apelidos tétricos. - Apelidos que exprimem juízos de valor. - Apelidos compostos. - Apelidos populares quase exclusivos do Norte. - Apelidos populares quase exclusivos do Sul.
Discussão. Conclusões. E para terminar.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
Indisponível