06 agosto, 2026

POLÍTICA IMPERIAL DE FOMENTO : Novas Directrises.
"Portugal Maior" - Cadernos Coloniais de Propaganda e Informação
. Luanda, Edição da "Casa da Metrópole", 1945. In-8.º (21,5x15 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de propaganda patriótica impresso em Luanda, Angola, publicado no último ano de guerra mundial. Trata-se do n.º 1 de uma colecção que atingiu 10 números, editada entre 1945-47.
Capa assinada "MCastelo".
A "Casa da Metrópole" em Luanda foi uma instituição colonial portuguesa de propaganda, informação e dinamização cultural ativa no século XX (com forte presença na década de 1940). A sua actuação baseava-se em frentes estratégicas bem definidas: Funcionava alinhada com as diretrizes do Estado Novo para projetar a presença e a herança portuguesa no território angolano. Foi responsável pela publicação de diversas obras e cadernos de propaganda colonial. O exemplo mais notório é a coleção "Portugal Maior: cadernos coloniais de propaganda e informação", que incluía ensaios e registos fotográficos históricos. Fazia a ponte de comunicação cultural e identitária entre a "Metrópole" (Portugal Continental) e os colonos radicados na então colónia de Angola. (IA)
Opúsculo ilustrado com retrato do Prof. Marcelo Caetano, Ministro das Colónias, colado na folha que sucede ao rosto.
"A idéia imperialista assenta sôbre princípios básicos, entre os quais é de maior vulto o que traduz uma forte unidade espiritual que se repercute na comunicação da língua, de sentimentos e de afectos, de esperanças e de aspirações.
Recebendo do passado as lições da expansão e da expressão de Portugal no Mundo, conhecendo do presente as inconfundíveis realizações materiais e espirituais que dignificam e enaltecem a política do Govêrno, a gente lusíada torna, acima de tudo em realidade, a unidade imperial portuguesa, agora servida por uma doutrina que se expande progressivamente por tôdas as terras do Império, animadas pelas precisas oportunas e justas resoluções do ilustre titular da Pasta das Colónias, cuja figura revela uma inteireza de carácter que se oferece ao desenvolvimento ordenado das nossas terras ultramarinas na mais rasgada visão imperial e humana."
(Excerto da Abertura) 
"«Quem conheceu a África tropical há 50 anos e a conhece hoje; quem há meio século viveu nas colónias portuguesas e por elas hoje transita - há-de verificar que consoante é voz corrente dos velhos coloniais «a África mudou muito» e até porventura aventurará (embora com excessivo optimismo) o paradoxo de que «a África já não é África».
Tais conceitos exprimem a admiração pela mudança operada nas condições de vida do branco, parece que nas próprias condições e ambiente, em virtude da ocupação europeia, que ousadamente rasgou estradas pelo coração dos sertões, assentou vias férreas, lançou cabos telefónicos e ergueu cidades e vilas no litoral e no interior, desbravou o mato, afastou as feras e cultivou fazendas em sítios outrora inóspitos. O que se fêz, alenta esperanças sôbre o muito que se pode fazer."
(Excerto de Discurso do Prof. Marcelo Caetano aqui reproduzido)
Índice:
[Abertura ] | [Reprodução de discurso do Prof. Marcelo Caetano] | Política de Fomento | Inspecção Superior de Fomento Colonial | A urbanização nas colónias africanas | O Gabinete de Urbanização Colonial - Sua orgânica e funções | A missão dos técnicos em África e a juventude escolar | O novo espírito a instaurar no fomento das colónias | A valorização do trabalho indígena | O auxílio do Estado às actividades privadas | A utilidade social da coordenação económica | «Tenha confiança no futuro do nosso império Colonial» | Apêndice: A «Casa da Metrópole» em Luanda e a sua actuação: - Finalidade; - Meios de acção.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

05 agosto, 2026

PIMENTA, Alfredo -
A REVOLUÇÃO MONARCHICA. Por...
Lisboa, Edição do Autor , 1919. In-8.º (18x12 cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio doutrinário publicado pouco tempo após a efémera tentativa de restauração monárquica, que ficaria para a história como a 'Monarquia do Norte'.
Publicado no rescaldo dos acontecimentos da Monarquia do Norte (a tentativa de restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro em janeiro de 1919), o livro funciona como um estudo crítico e uma apologia ideológica. Nele, o autor analisa a instabilidade da Primeira República Portuguesa e defende a solução monárquica como a alternativa lógica contra a desordem política da época.
Alfredo Pimenta, que no início da sua vida pública teve simpatias anarquistas e republicanas, já se tinha convertido nesta altura a um monarquismo convicto e contra-revolucionário, posicionamento que reflete diretamente nas páginas desta obra de cariz doutrinário. (IA)
"A questão política continúa em equação, á espera de uma resolução positiva, normal e definida. O Equívoco nacional, aggravado com o advento do regime republicano, mantem-se. [...]
A situação republicana gerada pelos intuitos e pela vontade de Sidonio Pais, fracassou e morreo estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impotencia das intelligencias attingio a sua maxima evidencia. Não ha Governo. Não ha Lei.
E no entretanto, um momento houve em que seria fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella comcórdia, àquella calma que são as condiçoens essenciais da sua vida normal.
Uma vez assassinado o Presidente Sidonio Pais, o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um: o da restauração das instituiçoens tradicionais portuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham em 5 de outubro de 1910. [...]
No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde, estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com um dos mais combativos e decididos jornalistas da Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar do dia seguinte, quando o governo de Tamagnini Barboza de apresentasse, como esperávamos, ás Câmaras, a relatar os acontecimentos sediciosos de Santarem. As nossas palavras e os nosso projectos não eram de quem presumia que meia hora depois, no Porto, se restaurasse a Monarchia."
(Excerto de 26, Fevereiro
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, manchadas. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

04 agosto, 2026

MACHADO, Julio Cesar -
MIL E UMA HISTORIAS. Por... Empreza Litteraria de Lisboa - Officina Typographica da Empreza Litteraria de Lisboa, 1888. In-4.º (22,5x14 cm) de 335, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de pequenos contos e crónicas bem humoradas, não ficcionadas, pela pena de Júlio César Machado, conhecido jornalista e romancista lisboeta.
Obra ilustrada com o retrato do autor em página inteira precedendo a f. rosto.
"Publicada originalmente em 1888, esta coleção de contos oferece um retrato vívido e multifacetado da sociedade portuguesa do século XIX. Com uma escrita elegante e perspicaz, Machado tece narrativas curtas que exploram o quotidiano, os costumes e as idiossincrasias da época.
Cada história é uma janela para um mundo de personagens memoráveis e situações inusitadas, repletas de humor e reflexões sobre a condição humana."
(Fonte: Amazon)
"Que outros mettam hombros a grandes historias, romances em largos volumes, contos da proporção de romances; vamos, nós, a entreter-nos, se isto se puder conseguir, com os casos, os ditos, os feitos e gestos, de Pedro, de Paulo, de Sancho, de Martinho... Tudo é grande agora, bem se sabe, lettras, artes, politica, e coisas; deixem, todavia, que um fiel, que sempre foi dado á alegria e á sensibilidade, venha recitar, a meia voz, as suas oraçõesinhas, perante o altar da anedocta!"
(Preâmbulo)
"De uma occasião, cavaqueando o Innocencio e o Meréllo, na loja do livreiro Rodrigues, da rua do Crucifixo, farejaram um livro de valia; cuidando qualquer dos dois, que, o outro, não houvesse dado por elle.
Principiaram então, como que ao desafio, em espertezas, procurando mutuamente afastar o competidor do logar da maravilha.
Já um chamava o outro para a porta, e lhe narrava não sei que historia em grandes ares de confidencia; - já o outro consultava o relogio e lhe dizia a hora, adiantando-a, ao passo que lhe perguntava qual fosse a sua hora de jantar... Nem o Meréllo nem o Innocencio arredavam um passo da baiuca do livreiro, recinto encantado da ambicionada joia.
N'isto, não se atrevendo nem um nem o outro a desampararem a caça, nem, tão pouco, a separarem-se, sairam juntos.
Innocencio, morava n'esse tempo, ao Rato, na rua de S. Filippe Nery; o Meréllo, como que deleitando-se com a sua conversação, foi indo até lá.
Uma vez chegado, disse-lhe o auctor do Diccionario Bibliographico:
- Você onde vae?
O Meréllo, titubiando, denunciou, porventura, na sua hesitação, o designio que guardava em seu animo? Chi lo sá?!
Respondeu conforme poude:
- Eu agora... estou capaz de ir... tenho por força de ir agora...
- Para cima?
- Não; ali, para aquelle lado...
Innocencio fixava-o no branco dos olhos."
(Excerto de Crónica)
"Porque em pequenita, o maior gosto d'ella fosse acompanhar com a voz as pancadas de um relogio de parede, que havia em casa, um d'aquelle antigos e grande relogios chamados de caixa, puzera-lhe a familia, por brincadeira, a alcunha de Ti-ki-ni.
O nome d'ella é... Deixemos. É melhor ficar-mos chamando chamando-lhe como em pequena a tratavam... Ti-ki-ni.
Nunca o sól illuminou mais alegre creaturinha, nem houve ainda pintor que conseguisse toques mais finos que as duas pregas pequeninas, que se lhe desenhavam nas faces quando ella ria.
Apparentou-lhe sempre o seu genio travesso um quê de diabrete; quebrar por gosto, rasgar para se entreter: demonio bom, - e mais vale isso do que anjo mau. Cresceu-me deante dos olhos...
De domingo para domingo, fazia differença na altura. Com que ufania nos contou, de uma occasião, haver feito a bainha da sáia mais estreita, para o vestido ficar mais comprido!
N'uma bella manhã, encontrando-a no Chiado, disse-me sorrindo.
- Caso-me amanhã."
(Excerto de Conto)
Júlio César da Costa Machado (Lisboa, 1835-1890). "Nasceu numa família de posses e conviveu desde cedo, pela mão do pai, no meio literário e teatral lisboeta. Foi jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, destacando-se como um dos mais célebres folhetinistas e cronistas do seu tempo. Publicou o seu primeiro romance, Estrela d’Alva, com apenas 14 anos, na revista A Semana, de Camilo Castelo Branco, de quem se tornaria amigo íntimo. O seu pai morreu em 1852, deixando-lhe dívidas que o obrigaram a obter, desde jovem, rendimento da escrita. Tornou-se tradutor, folhetinista, cronista, colaborando em dezenas de periódicos: A Revolução de Setembro, Revista Universal Lisbonense, Diário de Notícias, Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, Revista Ocidental, Ilustração Portuguesa, Eco Literário, este último cofundado por si em 1886. Os seus textos eram simultaneamente populares e apreciados pelos pares, que lhe admiravam o humor, o estilo coloquial e ligeiro, a atenção aos temas do quotidiano. Publicou vários livros, nomeadamente Cláudio (1852), A Vida em Lisboa (1858), Contos ao Luar (1861), Cenas da minha Terra (1862) e Contos a Vapor (1863). Muitos dos seus folhetins e crónicas de viagem, entre os quais Do Chiado a Veneza, foram reunidos em volume. Em 1890, na sequência do suicídio do seu filho único, Júlio César Machado pôs termo à vida."
(Fonte: Wook)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
35€

03 agosto, 2026

NETTO, Antonio Lino -
A QUESTÃO AGRARIA.
Por... Licenciado em direito, secretario geral do governo civil de Portalegre e socio effectivo do Instituto de Coimbra. Estudos de Renascença Nacional I. Porto, Typ. a Vapor da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (18,5x12 cm) de 349, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio agrário, político, económico e sociológico, publicado pouco tempo após o regicídio, quando o país vivia tempos conturbados, de instabilidade e incerteza, marcado por uma profunda crise política, económica e social.
Trabalho académico, pioneiro. Nas palavras do autor, trata-se de um "assumpto profundamente patriotico e momentoso, bastante complexo, sem duvida; mas, por isso mesmo, susceptivel de revelar a capacidade trabalhadora e as poucas ou muitas luzes intellectuaes de quem tome a peito o seu estudo".
"Ha em Portugal, como em outros paizes, uma profunda questão social caracterisadamente agraria, isto é, uma questão que está implicando com a organisação juridica sobre a propriedade rustica, sobre a forma de distribuição dos diversos productos, e sobre a representação do valor d'estes em competencia com o dos productos de outra natureza."
(Excerto de Introducção - I. O que é a questão agraria)
"A theoria do valor, - annota sensatamente o sr. dr. Marnoco e Sousa -, embora preocupe os economistas ha mais de um seculo, não se póde considerar ainda constiuida; é bem o dragão que, no dizer figurativo do economista Costa- Rossetti, está guardando a entrada da sciencia economica. Ahi se encontra a principal razão da desordem que domina nos nossos tempos o mundo economico. É, pois, na theoria do valor que teem de concentrar-se os principaes cuidados e attenções dos economistas; de outra formas os estudos da sciencia economica redundarão em estirilidade e serão como pedras n'um edificio sem alicerces. Vamos tambem, para a logica das nossas considerações, referir-nos a essa theoria, e ver como ella, por mal formulada, tem affectado, provocando-a, a questão agraria."
(Excerto de I - A verdadeira theoria do valor)
António Correia Lino Leitão Neto (1873-1961). "Nasceu em Mação a 30 de janeiro de 1873 e faleceu em Lisboa a 16 de novembro de 1961. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde terminou, em 1899, a Licenciatura em Direito. Foi professor universitário, tendo ensinado no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, no Instituto Superior de Comércio de Lisboa (depois, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, integrado na Universidade Técnica de Lisboa) e na Escola Politécnica (futuro Instituto Superior Técnico). Dirigiu o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e foi vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Exerceu advocacia e exerceu diversos cargos públicos e políticos, entre os quais o de Câmara Municipal de Lisboa e deputado.
Foi membro da Sociedade de Estudos Pedagógicos e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Católico militante, esteve ligado ao Centro Católico Português, que presidiu.
Foi condecorado pela Santa Sé com a grã-cruz da Ordem de São Gregório Magno.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Letras a 10 de março de 1938."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21232)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

02 agosto, 2026

ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES DO INSTITUTO SUPERIOR D'AGRONOMIA.
Fundada em 21 de Novembro de 1911. Lisboa, Typographia e Papelaria Academica de Pires & Cta., 1911. In-8.º (19x14 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Documento histórico. Trata-se dos estatutos da Associação dos Estudantes do Instituto Superior de Agronomia (AEISA), agremiação fundada em 21 de Novembro de 1911, pouco tempo após a implantação da República, sendo uma das associações de estudantes mais antigas do país, foi constituída com a finalidade de representar os seus associados e promover a cultura académica.
"A Associação dos Estudantes do Instituto Superior d'Agronomia, fundada em 21 de novembro de 1911, é constituida por professores, alumnos e ex-alumnos do referido Instituto, e não tem caracter politico nem religioso."
(Excerto de I - Organisação geral)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta sinais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
10€

01 agosto, 2026

O LIVRO DAS CREANÇAS : Portuguezas e Brazileiras.
Coordenado por D. João da Camara, José Antonio de Freitas, Maximiliano de Azevedo e Raul Brandão. Lisboa, Livraria Ferreira, Editora, 1909. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 370, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Capa assinada "Candido" (Bento Cândido da Silva?).
Obra dirigida ao público mais jovem, pretende celebrar a união fraterna entre Portugal e o Brasil através da língua e da história comum. A colaboração de ilustres personalidades de primeira água da cena literária nacional valoriza e muito abrilhanta o livro, incidindo em episódios e locais históricos, monumentos e figuras públicas de ambos os países.
Inclui dois textos dedicados a Camilo: Camillo Castello Branco (apontamento biográfico) e A infancia de Camillo (por ele mesmo).
Livro muito ilustrado no texto com belíssimos desenhos e fotogravuras, sendo alguns reproduzidos em página inteira.
Ha n'este mundo uma força incomparavelmente mais poderosa que a da materia - é a do espirito.
Nascer, por acaso, na mesma terra não prende tão estreitamente os homens como a fé, o amor, o ideal. A idêa de patria está sem duvida ligada á idéa material de terra; mas patria não é só isso; é o trabalho, a intelligencia, o amor, o heroismo dos que n'ella nasceram e por ella soffreram.
Portuguezes e brazileiros são irmãos, embora nascidos em paizes distantes; irmãos pelo sangue, pela lingua e pelas aspirações. E se os portuguezes olham orgulhosos gente da mesma raça caminhar na frente d'uma grande civilisação, e vêem o Brazil, pais uberrimo, seguir n'uma larga e radiosa estrada de prosperidades, de certo existe nos brazileiros o mesmo sentimento por uma ascendencia illustre e tão farta de glorias como esta. Prende-nos ainda a formosa ligua de Camões, que os portuguezes enriqueceram, e que hoje tantos brazileiros illustres opulentam."
(Excerto do Preâmbulo)
"Fui educado n'uma aldêa, onde tenho uma irmã casada com um medico, irmão de um padre, que foi meu mestre. O mestre podia ensinar-me muita coisa que me falta; mas eu era refractario á luz da gorda sciencia do meu padre. Fugia de casa para a serra, dava muitos tiros ás gallinholas e perdizes; porém, louvado seja Deus, não me dóe o remorso de ter matado uma!
O meu gosto era pascer o rebanho de casa por aquelles saudosos valles. Todavia, minha irmã oppunha-se a este humilde serviço. Dizia-me coias que eu não percebia ácerca da minha dignidade; reprehendia os meus baixos instinctos; attrahia ao seu voto o marido e o padre, e cortava-me o rasteiro vôo escondendo de mim a clavina, o polvorinho, e os salpicões e a brôa, e a cabacinha da agua-ardente."
(Excerto de A infancia de Camillo)
Encadernação do editor em tela policromada com letras gravadas e negro e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
50€
Reservado