FIGUEIREDO, Presbytero J. Santos - FACTOS NOTAVEIS DA HISTORIA DA EGREJA LUSITANA. 2.ª edição refundida, augmentada e illustrada.. [Por].... Presidente do Synodo da Egreja Lusitana. Porto, Typographia Mendonça (a vapor), 1910. In-8.º (21x15,5 cm-capas) de 52 p. ; il. ; B.
Importante subsídio para a história da Igreja Anglicana entre nós, religião que antes se desenvolveu a partir das práticas, liturgia e identidade da Igreja da Inglaterra após a Reforma Inglesa, no contexto da Reforma Protestante na Europa.
Opúsculo raro e muito curioso. Trata-se de uma obra de propaganda agressiva, a que não será alheio o advento da República, recém-implantada, com o intuito evidente de passar, para dentro e para fora, os princípios orientadores, diferenças e ideais da Igreja Anglicana face à Igreja Católica Apostólica Romana.
Ilustrado no texto com desenhos, fotogravuras e retratos de diversas personalidades, onde se contam, entre outros, os de Damião de Góis, Alexandre Herculano e o Duque de Saldanha.
A Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica é a representante oficial da Comunhão Anglicana em Portugal. Trata-se de uma igreja cristã de cariz sinodal, estabelecida como uma alternativa reformada e de língua portuguesa à rigidez do catolicismo romano do século XIX. A igreja nasceu oficialmente a 8 de março de 1880, em Lisboa, durante o seu primeiro Sínodo Constitutivo. A sua criação resultou do descontentamento de vários clérigos e leigos católicos portugueses face à centralização e ao absolutismo papal - intensificados após o Concílio Vaticano I (1870), que declarou o dogma da infalibilidade do Papa. Apoiados pelo capelão anglicano em Lisboa, Thomas Pope, e presididos pelo bispo episcopal norte-americano Henry Riley, os fundadores uniram pequenas congregações independentes que já operavam em Sintra e Lisboa. O termo "Lusitana" foi escolhido porque os fundadores pretendiam restaurar a autonomia da antiga igreja cristã ibérica (da época da Lusitânia), antes de esta ficar sob a total tutela de Roma. (IA)
"Desde a implantação n'este paiz do systema constitucional a Egreja de Roma tem vindo a remar contra a maré. É um facto. E mais ainda: de anno para anno a corrente tem-se tornado mais forte, e a Egreja romana cada vez mais fraca já não póde marchar ávante!
Para que pois querer continuar na mesma direcção com prejuizo da felicidade do povo portuguez e da salvação de Portugal?
Não seria razoavel dar outra orientação á Egreja official, libertando-a do seu pesado dogmatismo?
Não seria melhor emfim deixar a Egreja de Roma que é extrangeira, e seguir a Egreja Lusitana que é toda nossa?
O clero catholico-romano vê bem que o povo o vae abandonando. Geralmente falando, os que seguem a egreja de Roma, ou o fazem por politica ou por costume. Rarissimos por convicção! E acontece isto assim apesar da Egreja de Roma ter toda a protecção do Estado e estar cercada de toda a sorte de privilegios, vendo-se a influencia ultramontana em todas as instituições portuguezas. [...]
Ora com todos estes favores a Egreja de Roma está n'uma situação lamentavel. Não tem força moral ou força religiosa para dirigir espiritualmente o paiz.
Que fazer?
É preciso escolher entre a morte e a vida.
A morte é a continuação da Egreja como está.
A vida é recorrer ao Christianismo puro.
Foi o Christianismo que, com o crear uma individualidade forte, salvou a sociedade, vencendo o collectivismo do Imperio romano: foi ainda o Christianismo que no século XVI salvou os povos, desfazendo a centralisação da Egreja papal; e hoje tambem só o Christianismo é que póde salvar Portugal, ensinando o melhor caminho da paz, da justiça e do amor."
(Excerto de Duas palavras ao clero catholico-romano)
Índice:
Duas palavras ao clero catholico-romano | I - Origem da Egreja Lusitana. II - Os primeiros concilios na Peninsula. III - Egreja Wisigothica - Sua independencia. IV - Egreja Mosarabe. V - Restauração das monarchias christãs e introdução do romanismo em Hespanha. VI - A Egreja Lusitana escravisada: os nossos primeiros reis são excommungados: D. Affonso Henriques; D. Sancho I; D. Afonso II; D. Sancho II-D. Affonso III-D. Diniz; D. Afonso IV-D. Pedro I-D. João I. VII - Da Egreja portugueza: Um sonho de reforma da Egreja no reinado de D. José.VIII - Restauração da Egreja Lusitana.
Rev. Joaquim dos Santos Figueiredo (Coimbra, 1865 - Lisboa, 1937). "Nasceu em Coimbra a 5 de janeiro de 1865, tendo nessa mesma cidade
estudado no seu seminário diocesano, com vista à carreira eclesiástica.
Lecionou no ensino particular enquanto aguardava a idade da ordenação ao
presbitério católico, sendo nesta época que tem o primeiro contacto com
os evangélicos, na cidade do Porto. Mais tarde, viria a frequentar em
Lisboa o Curso Superior de Letras, concluindo com êxito o exame de
Grego. Ordenado em 1887, ao regressar a Coimbra foi nomeado coadjutor da
igreja de Santa Cruz, onde se destacou como pregador. Consta que um
colportor da Sociedade Bíblica, natural dos Açores, aquando da sua
estada em Coimbra, ofereceu uma Bíblia a um dos hóspedes do local em que
se instalara, o qual não pretendendo ficar com a mesma a ofereceu à
dona da hospedaria; esta por sua vez acabaria por entregá-la a Joaquim
dos Santos Figueiredo para a queimar. Não o tendo feito, o presbítero
católico passou a analisá-la no intuito de procurar as diferenças de
tradução. Republicano convicto, os seus escritos na imprensa coimbrã
mereceram a censura do seu bispo que o convidou a retratar-se. Recusando
a invetiva, despediu-se dos seus leitores, renunciado ao húmus
sacerdotal e abjurando do catolicismo romano, a 28 de fevereiro de 1892.
No mesmo ano, regressou ao Porto na perspetiva de voltar a dedicar-se
ao ensino; porém, ao aderir aos metodistas, a 27 de março tornou-se
pastor assistente da «Igreja do Mirante». Em 1894 transferiu-se para
Lisboa, onde ficou a colaborar na igreja presbiteriana, que se reunia
então no antigo convento dos Marianos. Tendo este edifício sido vendido à
igreja lusitana quatro anos mais tarde, Santos Figueiredo, juntamente
com outros membros da comunidade, acabaria por se integrar nesta igreja,
tornando-se ministro na congregação de S. Paulo, em dezembro de 1898.
Em maio de 1905, foi pela primeira vez nomeado presidente do sínodo
nacional da igreja a que pertencia. Em 1922 tornou-se o primeiro bispo
eleito da igreja lusitana, embora nunca tenha sido sagrado como tal. Foi
ainda diretor do Colégio Evangélico Lusitano durante 38 anos e o
primeiro presidente da Aliança Evangélica Portuguesa, desde as suas
primeiras reuniões organizativas, em 1919, confirmado como tal na
primeira sessão plenária desta instituição, em 1921, tendo cessado estas
funções em 1925. Destacou-se no campo literário, desde os tempos de
presbítero católico; mas foi já como pastor das igrejas metodista e
presbiteriana que publicou sob o pseudónimo de J. S. Pereira do Lago e,
passando para a igreja lusitana, como P. L., desde 1911, e como Paulo
Lutero após 1922. Traduziu várias obras para a língua portuguesa,
destacando-se o Dicionário Bíblico Universal, de Buckland, e História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, de Joseph Angus. Colaborou regularmente em órgãos da imprensa evangélica como Portugal Novo, O Evangelista, O Bom Pastor, Luz e Verdade, Portugal Evangélico, sendo ainda diretor de O Cristão Lusitano. Foi casado desde 20 de abril de 1896 com Lavínia Augusta de Lemos. Faleceu em Lisboa a 18 de agosto de 1937."
(Fonte: https://aliancaevangelica.pt/site/rev-joaquim-dos-santos-figueiredo-1919-1925/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€
Reservado


































