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22 fevereiro, 2026

MATTOSO, José -
O REINO DOS MORTOS NA IDADE MÉDIA PENINSULAR.
Sob a direcção de... Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996. In-4.º (24x16,5 cm) de 239, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de estudos históricos sobre a morte e a forma como esta era encarada na Península Ibérica pelo homem medievo.
Obra dirigida pelo Prof. José Mattoso, que aliás assina a maioria dos trabalhos, ilustrada no texto com quadros, tabelas e fotografias, sendo alguns em página inteira.
"O conjunto de artigos que aqui se publica constitui o primeiro resultado palpável de um projecto de investigação iniciado em 1989 e que nessa altura surgia sob o título de «Representações mentais do invisível em Portugal medieval». [...] De facto, pareceu-me desde logo que a representação mental do mundo dos mortos constituía, porventura, o principal lugar do imaginário do invisível: aquele núcleo a partir do qual se organiza o pensamento simbólico e discursivo acerca das forças e entidades invisíveis a que se atribuía uma acção real ou imaginária sobre a vida dos homens. Assim acontece, principalmente, para a cultura e religião populares, onde a acção dos deuses ou de Deus tem um lugar secundário, e em que, pelo contrário, se verifica uma evidente contiguidade entre a acção dos mortos, a influência das forças anímicas da natureza, e a intervenção dos anjos e santos (potências benéficas) e dos demónios (potências maléficas)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
José Mattoso: Introdução | Cláudio Torres e Santiago Macias: Rituais funerários paleocristãos e islâmicos nas necrópoles de Mértola | Maria do Rosário Bastos: Testemunhos hispânicos sobre o mundo dos mortos nos séculos IV a VIII | José Mattoso: Os rituais da morte na litúrgia hispânica (séculos VI a XI) | José Mattoso: O culto dos mortos no fim do século XI | José Mattoso: O culto dos mortos em Cister no templo de São Bernardo | Maria do Rosário Bastos: Prescrições sinodais sobre o culto dos mortos nos séculos XIII a XIV | Isabel Castro Pina: Ritos e imaginário da morte em testamentos dos séculos XIV e XV | Hermínia Vasconcelos Vilar: Rituais da morte em testamentos dos séculos XIV a XV (Coimbra e Santarém) | Adelaide Pereira Millán da Costa: O espaço dos vivos e o espaço dos mortos nas cidades da Baixa Idade Média | José Mattoso: A morte dos reis na crónica pré-afonsina | José Mattoso: O pranto fúnebre na poesia trovadoresca galego-portuguesa | José Mattoso: O imaginário do além-túmulo nos exempla peninsulares da Idade Média | José Mattoso: A utilização dos Diálogos de Gregório Magno pelo Libro de los exemplos.
José Mattoso (1933-2023). "Foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal."
(Fonte: https://www.almedina.net/autor/jos-mattoso-1563855594)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

11 julho, 2021

MATTOSO, José - SEIA NA IDADE DAS TREVAS. [Seia], Edição da Câmara Municipal de Seia, 1987. In-8.º (21 cm) de 23, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência proferida no dia 4 de Abril de 1987, no Cine-Teatro Jardim, integrada no Programa das Comemorações dos 850 Anos do 1.º Foral de Seia (1136-1986/7).
"As origens de Seia perdem-se num tempo obscuro que nos aparece efectivamente repleto de lutas, de sangue e de morte.
Fora dos tempos de guerra, pouco ou nada sabemos. Mal podemos imaginar os começos desta vila senão como os de uma povoação onde os guerreiros determinavam quase em absoluto a vida colectiva. [...]
Reportemo-nos, antes de mais, à época da fundação do reino, ou meados do século XII, quando o fragor das armas começa a deslocar-se mais para sul, a seguir à conquista de Lisboa, em 1147. Os intensos combates que antes se concentravam em torno de Coimbra e obrigavam o monarca, antes príncipe, a rodear esta cidade de um aro de fortalezas que ele próprio mandou construir desde que aí se fixou, em 1131, transferiram-se então para a linha do Tejo. Durante algumas dezenas de anos, raramente atingiram a rectaguarda, uma vez que a agressividade de D. Afonso Henriques pouco descanso deixava às guarnições almóadas mais próximas da linha de fronteira. [...]
É muito provável que Seia fosse um lugar habitado desde tempos remotos. Assim nos persuade o facto de, no seu foral, Afonso Henriques lhe chamar civitas, o que sugere uma origem anterior à ocupação muçulmana. É possível que corresponda a uma das antigas paróquias suévicas que nessa época pertenciam à diocese de Viseu, quem sabe à de Osania. [...]
O lugar tinha, portanto, uma organização colectiva, muitos anos antes de ser sancionada pelo nosso primeiro rei, em 1136, no foral que esta vila hoje mesmo comemora. Este diploma confirma efectivamente a predominância do ambiente militar e a autonomia dos seus cavaleiros vilãos face ao poder senhorial, aqui exercido directamente pelo rei, ou pelo senhor da terra seu representante. [...] De facto, mencionam-se no foral as expedições de ataque, com o nome de fossado de Maio, a que todos os cavaleiros estavam obrigados a ir, assim como as operações de defesa, aqui chamadas de apelido, e que envolviam todos os habitantes, mesmo os peões. [...]
O foral sanciona, portanto, a autonomia do concelho. Esta, por sua vez, baseia-se na supremacia dos cavaleiros sobre toda a vida social da vila."
(Excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com os cadernos completos, no entanto, a numeração das páginas tem início na "3", tratando-se, por certo, duma gralha.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
15€