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10 setembro, 2026

GOMES, Padre António -
VIAGEM QUE FEZ O PADRE ANT.º GOMES, DA COMP.ª DE JESUS, AO IMPERIO DE DE (SIC) MANOMOTAPA; E ASSISTENCIA QUE FEZ NAS DITAS TERRAS D.e ALG'UNS ANNOS.
Notes by E. A. Axelson. Lisboa, Centro de Estudos Históricos Ultramarinos : Portugal, 1959. In-4.º (23,5x16 cm) de [2] 88 p. (155-242 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Importante documento. Trata-se da transcrição fiel do manuscrito da viagem de evangelização empreendida e relatada pelo padre jesuíta António Gomes por terras de Moçambique no segundo quartel do século XVII.
O relato do Padre António Gomes é considerado uma joia da historiografia africana pela sua riqueza etnográfica e pelo seu tom surpreendentemente pragmático. O documento permaneceu praticamente esquecido na Biblioteca Nacional de Portugal até ser transcrito e publicado pela primeira vez em 1959 na revista académica Studia.
Ao contrário de muitos religiosos da época que viam as tradições africanas apenas sob a lente do "pecado" ou da "feitiçaria", Gomes descreve a sociedade local com um olhar quase antropológico. Explica como funcionavam as audiências perante o imperador ou os chefes locais (fumos), detalhando as leis consuetudinárias e o papel dos conselheiros. Descreve a poligamia, os dotes e os rituais de matrimónio, tentando traduzir o significado social destas alianças para a mentalidade europeia. Relata o uso de ervas medicinais e o papel dos curandeiros. O que mais impressiona os historiadores modernos são os registos das suas conversas diretas com os africanos, nas quais ele questionava as razões por trás das suas práticas. (IA)
"Nosso Gloriozo Patriarcha S. Ignacio, alumiado e illustrado p Ds N. S., vendo quanta necessid.e tinhão varias Regiõis de obreiros, p.ª cultiuaré a vinha da S. M.e Igr.ª, tratou a infancia, desta minima Comp.ª de Ihs, de mandar, Religiozos de vertude e Santid.e p.ª cultiuação, de tantas almas, rimikdas cõ preço, de vossa Redempção Christo Ihs Senhor nosso.
Este Diuino preço, fez abalar, aquelle Gloriozo Aplõ da India, p.ª este Oriente, Sam Fran.co Xauier, e depois de tantas marauilhas, quantas obrou, descorrendo per todos os mares delle, veio a acabar, cõ Gloriozos trofeus na ilha de Samchão, e dahy, trazido, e depozitado este Santissimo thezouro, na Igreía do Bom Ihs e caza Professa de Goa, onde he venerado de todo o Oriente, e obra de Deos nosso sõr pela sua intercesão muitas marauilhas."
(Excerto da Narrativa)
António Gomes (1595-16--). Foi enviado para a missão jesuíta no sudeste africano (vale do Zambeze, atual território de Moçambique e Zimbabué) no final da década de 1620 ou inícios da década de 1630. Ali realizou a sua "assistência" (residência e trabalho missionário) durante cerca de uma década. Foi um período de violenta instabilidade política, onde testemunhou as complexas alianças e guerras de sucessão no Império de Mutapa. A sua história confunde-se com os perigos das navegações da época. Ao regressar de África em direção à Índia (por volta de 1640), António Gomes sobreviveu a um naufrágio. Nesse desastre, perdeu todos os seus cadernos, diários de campo e anotações originais recolhidas ao longo dos dez anos em que viveu no Império de Mutapa. Após o naufrágio, fixou-se em Goa (o centro administrativo e religioso do Padroado Português no Oriente). Tornou-se Coadjutor da Sociedade em Goa e exerceu funções como pároco na Igreja de Varca, em Salsete. Em 1648, o seu superior jesuíta, Giovanni Maracci, ordenou-lhe que passasse para o papel as suas memórias da missão africana. Sem as notas que tinham afundado no mar, António Gomes redigiu todo o manuscrito com base nas suas recordações. É por este motivo que o texto não segue uma ordem cronológica rígida, assemelhando-se mais a um grande compêndio temático de memórias vivas, conversas gravadas na mente e descrições dos povos que conheceu. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico, etnográfico e religioso.
20€

28 junho, 2026

MONITA SECRETA - Instrucções secretas dos jesuitas. Segundo o exemplar authentico, existente no tribunal de Bruxellas, aprehendido aos jesuitas da casa de Ruremonde na occasião em que foram expulsos da Belgica. Publicação feita a expensas dum grupo de liberaes. Preço 50 réis. O producto d'este livro reverte a favor do Asylo de S. João fundado em Lisboa em 1862. Lisboa, Typ. - Rua da Escola Polytechnica, 89 e 91, 1901. In-8.º (19x13 cm) de 32 p. ; B.
Exemplar da Monita Secreta impresso no início do século XX, uma das edições deste best-seller anti-jesuítico, cujos editores afiançam provir do Tribunal de Bruxelas depois de apreendido à Companhia de Jesus no processo de expulsão destes da Bélgica.
Obra invulgar e muito curiosa.
"A 'Monita Secreta' é um texto falso, fabricado pela ativa campanha anti-jesuíta do século 18. Escrito em Latim, conheceu traduções em quase todas as línguas, que circularam de forma manuscrita. Pretendia parecer um manual elaborado pelo Superior dos Jesuítas para ensinar aos Padres como captar as heranças das viúvas, como atrair os jovens para a Companhia e outras malvadezes do género. É o que podemos chamar um “verdadeiro falso”, porque este exemplar foi dotado (para reforçar a ilusão) de uma encadernação de cinto ou “de batina”, muito frequente nos breviários e “livros de mão” de sacerdotes."
(Fonte: https://www.uc.pt/anossauc/centro-conhecimento/monita-secreta/)
"Veio Christo ao mundo e pretendeu regenerar a humanidade, prégando uma doutrina de brandura, de paz e de amor, que pudesse unir todas as creaturas no mesmo amplexo fraternal, incutindo-lhes uma crença divina, um sentimento de tolerancia e de liberdade que deviam constituir a felicidade suprema pelos laços da familia, na terra, e a esperança redemptora d'um ideal de justiça, no céo.
Por essa doutrina se sacrificou e morreu... [...]
Infelizmente, as doutrinas d'esse grande e divino espirito não poderam ainda arrancar de vez os defeitos damninhos que deformam as almas de tantos e tantos individuos que em todos os pontos da terra fazem sentir os males das primitivas condições, em que os homens, acorrentados ao obscurantismo, se debatiam na miseranda submissão da mais triste e desgraçada existencia.
Domina-os a sordida ambição dos gosos e das riquezas; offusca-os a paixão do predominio; cega-os a nefasta e secular pretensão de quererem avassalar o mundo e dispor dos seus destinos, sem hesitar nos meios a empregar, desde os mais violentos e inquisitoriaes até aos mais cavillosos e subrépticios.
Disfarçam-se, modificam-se, transformam-se, introduzindo-se assim nas camadas sociaes e confundindo-se com todas as classes; avança, recuam, occultam-se, comforme melhor convem aos seus tenebrosos planos, não perdendo a minima occasião de servirem a sua causa e de chegarem aos fins, sem que o mais leve escrupulo os detenha, sem que a menor inquietação lhes embargue o passo resoluto para vencer os obstaculos que se opponham aos seus designios.
Estes são os Jesuitas, a Seita Negra, a Companhia de Jesus.
Que desplante; que blasphemia; que hypocrisia! - Companhia de Jesus!"
(Excerto do preâmbulo - Jesuitas)
"1.º Para se tornarem agradaveis aos visinhos da povoação, muito importa explicar-lhes o objecto a Sociedade, tal como está prescripto nas regras, onde se diz que a Sociedade deve dedicar-se com tanto em penho á salvação do proximo, como á sua propria. Para este fim devem nos hospitaes desempenhar as funcções mais humildes, visitar os pobres, os afflictos e os presos. É preciso ouvir as confissões com benevolencia e ser muito indulgente com os peccadores, para que as pessoas mais importantes admirem os nossos e os estimem, tanto pela caridade extraordinaria que manifestam para com todos, como pela novidade da sua doçura.
2.º Que todos tenham presente que devem modesta e religiosamente pedir os meios de exercer os cargos da Sociedade e tratar de alcançar a benevolencia, principalmente dos ecclesiasticos e dos seculares que exercem authoridade, de que algum dia poderão necessitar. [...]
5.º Ao principio os nossos devem evitar o comprar propriedades; se porém o julgarem necessario, comprem-n'as em nome de amigos fieis, que prestem o nome apenas e que guardem segredo. Para que a nossa pobreza se veja melhor, convém que as terras que se possuam junto a qualquer collegio estejam em nome de outros afastados, o que impedirá que os principes e magistrados saibam a quanto montam as rendas da Sociedade.
6.º Que os nossos não percorram senão as cidades ricas com intenção d'ahi residir, em fórma de collegios; porque o fim da nossa Sociedade é  imitar Nosso Senhor Jesus Christo, o qual se demorava mais em Jerusalem e apenas passava pelos lugares menos importantes.
7.º Ás velhas viuvas ha que encarecer-lhes a nossa extrema pobreza, para lhe extorquir quanto dinheiro se possa."
(Excerto de I - De que modo deve proceder a Sociedade quando principia alguma fundação)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com cortes e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

22 janeiro, 2026

AZEVEDO, J. Lucio de -
OS JESUÍTAS E A INQUISIÇÃO EM CONFLITO NO SÉCULO XVII. Por...
Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.º (23x14,5 cm) de 29, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história das relações entre a Companhia de Jesus e a Inquisição, e o poder político no Portugal de seiscentos, consubstanciada em documentos, muito deles inéditos, - cartas, projectos, pareceres, etc.
"[...] Desde o tempo de D. João III se repartyia entre o Santo Ofício e a Companhia de Jesus, o predomínio da política e na pública administração. Na primeira entrada manifestou-se o Tribunal da fé infenso àqueles que se propunham participar na tarefa de zelas a pureza da crença e a autoridade da Igreja. Era o rosnar do mastim, cioso de outro adventício que se lhe aproxima do pôsto. [...]
No período dos Filipes a fusão de interêsses foi completa. O govêrno espanhol cometera a leveza de agravar o clero em geral, e particularmente o Santo Ofício, lesando um e outro nos bens materiais, de que sempre foram as corporações eclesiásticas assás ciosas; a êste exigindo-lhe tornas dos confiscos na fortuna dos hereges, àquele em lhe impôr tributos de que se cria privilegiado, e esbulhá-lo de propriedades, provenientes de legados e doações, insubsistentes perante a lei. É certo que o Santo Ofício se não manifestou de modo ostensivo; mas lá estavam por êle os domínicos, que de mão dada aos jesuítas prepararam em esfôrço comum o movimento de Évora em 1637, e em seguida a revolução restauradora."
(Excerto do Ensaio)
João Lúcio de Azevedo (1855-1933). "É considerado um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX, cuja obra continua a ser regularmente publicada. Viveu em Belém do Pará, no Brasil, e em Paris, França. Mas foi quando regressou a Portugal que dedicou mais tempo à escrita. Entre as suas obras contam-se os livros O Marquês de Pombal e a Sua Época, História de António Vieira, A Evolução do Sebastianismo, Histórias dos Cristãos-Novos Portugueses e Épocas de Portugal Económico."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

19 junho, 2025

MARTINS, Capitão Dorbalino dos Santos & SEIXAS, Furmil Miguel Beirão de Almeida -
O COLEGINHO : breve resenha histórica.
Cadernos de História Mulitar N.º 12. Lisboa, Direcção do Serviço Histórico-Militar, 1990. In-8.º (20,5x15 cm) de 39 f. ; [1] f. il. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre o Coleginho, "a primeira casa da Companhia de Jesus no mundo inteiro e o primeiro colégio para externos da Companhia, em Portugal", numa viagem histórica aos primórdios da Companhia entre nós.
Livro policopiado ilustrado com duas gravuras: em página inteira, com mapa da secção da cidade de Lisboa com o Coleginho assinalado; em separado, com um mapa desdobrável de generosas dimensões (29,5x35 cm): "Vista de Lisboa nos fins do século XVI", igualmente com a localização do colégio.
"Decorria o ano de 1540 e a epopeia dos descobrimentos já havia praticamente terminado. Nas terras recém-descobertas, a missionação avançava graças sobretudo à acção dos franciscanos e dos dominicanos. Já nesta data afligia a falta de pessoal evangelizador, quando D. João III recebe informações acerca de um novo instituto dedicado primordialmente à missionação: a futura Companhia de Jesus.
Mas num país de longa tradição católica teria lugar uma obra de missionação?  Aparentemente não. Como e onde se instala então a Companhia de Jesus em território nacional?
Era Principal do Colégio de S. Bárbara da Universidade de Paris, onde estudavam Inácio de Loyola e seus companheiros, o português Dr. Diogo de Gouveia. Por este motivo, o lente conhecia bem o fundador da Companhia. Mesmo após a partida dos sete companheiros para Itália, em finais de 1536, ele não lhes perdeu o rasto, tentando sempre saber novas acerca deles. Não é portanto de estranhar que Diogo de Gouveia, tendo tido conhecimento da conversão de sessenta mil indígenas malabares à fé católica, tenha escrito a D. João III para que tentasse atrair para a Índia os novos "soldados de Cristo" (os Jesuítas) que se encontravam sob as ordens directas do Papa. Para isso propunha que o contacto fosse feito ou por intermédio do Cônsul de Portugal em Veneza (onde se encontrava Inácio de Loyola com a intenção de irem para Jerusalém como peregrinos, o que só não aconteceu devido à guerra entre turcos otomanos e venezianos) ou do seu Embaixador em Roma, e que o próprio rei lhe escrevesse também. é esta carta que vai permitir a instalação da Companhia de Jesus em Portugal e determinar a sua futura e eminente obra missionária no Oriente e no Brasil."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

03 maio, 2025

PEREIRA, Isaías da Rosa -
CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA CARTA DE LEI DE D. JOSÉ I, DE 1773, RELATIVA À ABOLIÇÃO DAS DESIGNAÇÕES DE "CRISTÃO-VELHO" E "CRISTÃO-NOVO"
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Rádio Renascença, Lda. - Lisboa], 1988. In-4.º (24x17 cm) de 75, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico sobre a Inquisição e a proibição real das designações "cristão-velho" e "cristão-novo".
"Analisa a Carta de Lei que aboliu a distinção social entre "cristãos-novos" (descendentes de judeus e muçulmanos convertidos) e "cristãos-velhos". Esta Carta de Lei, assinada em 1773, tinha como objetivo eliminar a discriminação e estigma que pesavam sobre os descendentes de judeus e muçulmanos convertidos, reconhecendo-os como cidadãos de igualdade." (in Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo, Direcção de José Eduardo Franco, Imprensa Nacional, 2018)
"No dia 28 de Maio de 1773, D. José I promulgou uma Carta de Lei, Constituição Geral ou Édito Perpétuo, pela qual suprimia a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
Nos considerandos que pretendem justificar a dita Lei apoia-se o rei absoluto, pela boca do seu ministro omnipotente, nas «consultas e pareceres da Mesa do Desembargo do Paço, do Conselho-Geral do Santo Ofício e da Mesa da Consciência e Ordens», bem como nos pareceres do Conselho de Estado e Gabinete.
Manda outrossim, anexar a esta Carta de Lei duas outras leis, uma de D. Manuel I, expedida no dia 1 de Março de 1507, e outra de D. João III, datada de 16 de Dezembro de 1524, nas quais, segundo diz textualmente o diploma real, se «proibiram a sediciosa e ímpia distinção de cristãos-novos e cristãos-velhos». Estas duas leis quinhentistas eram «de novo publicadas e impressas com esta (de 1773), para fazerem parte dela, como se nela fossem inteiramente incorporadas».
João Lúcio de Azevedo, o historiador que melhor penetrou nos segredos da Inquisição e a estudou sem paixão, refere-se a estes documentos e enquadra-os no processo legislativo da época de Pombal.
Pareceu-nos, apesar de tudo, que o assunto poderia ser retomado, que valia a pena juntar todos estes documentos que não são facilmente acessíveis e acrescentar outros, fazendo algumas considerações críticas, de ordem histórica e jurídica.
A supressão da distinção: cristão velho/cristão-novo, foi uma medida acertada. Ninguém o contestará. Mas os fundamentos invocados pelo Marquês de Pombal - porque foi ele quem preparou tudo e ditou pelo menos o essencial dos documentos - são totalmente fantasiosos, histórica e juridicamente errados. Pairava no ânimo de Pombal um ódio verdadeiramente mórbido contra os jesuítas. Todas as calamidades, todos os regimentos da Inquisição até aí publicados, a própria distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, os Autos-da-Fé, os «horrores da Inquisição», eram maquinações inventadas pelos jesuítas. Estes até entregaram a Coroa portuguesa ao domínio estrangeiro no ano de 1580 («calamitosos tempos», lhe chama Pombal)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Considerandos da Carta de Lei | Decisões Régias | Crítica do documento | Facto que deu origem à Carta de Lei | Conclusão |  Documentos: - Carta de Lei de 1773; - Cópia da carta de D. Manuel I de 1507; - Cópia da carta de D. João III de 1524; - Conclusão da Mesa do Desembargo do Paço; - Assento do Conselho de Estado; - Consulta da Mesa da Consciência e Ordens; - Nota de Salvador S. Cotrim sobre o número de penitenciados desde 1536 a 1732; - Alvará de 1601 que proíbe chamar-se a alguém cristão-novo; - Filipe III, em 1633, manda cumprir as leis que proibiam aos «homens de nação» receber honras e exercer cargos públicos.
Isaías da Rosa Pereira (1919-1998). "Nasceu a 1 de Dezembro de 1919 na freguesia de Salão, concelho da Horta, ilha do Faial, nos Açores. Concluído o ensino primário na escola da sua freguesia, frequentou os estudos secundários sucessivamente no liceu da Horta e no de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Em Setembro de 1940 rumou ao Continente para dar entrada na escola de Sargentos Milicianos de Penafiel. A seguir continuou o serviço militar na Terceira nesse período de movimentação acrescida de tropas nos Açores devido às operações da II Guerra Mundial. Foi desmobilizado a 14 de Janeiro de 1946 depois de quase cinco anos e meio de quartel. Entretanto já tinha decidido consagrar-se ao ministério sacerdotal. Logo a 30 de Janeiro seguinte, contando 26 anos, matriculou-se no Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa, onde as “vocações tardias” começavam a aparecer. Terminou o curso de Teologia em1950, com 16 valores, e a 29 de Junho desse ano foi ordenado presbítero na sé de Lisboa pelo Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira.
Paralelamente à sua actividade no Patriarcado, o cónego Isaías da Rosa Pereira exer ceu a docência na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1973 a 1993.
O Prof. Isaías da Rosa Pereira deixou uma produção bibliográfica muito avultada: mais de 150 estudos de investigação, dos quais uma dezena de livros, e uma centena de artigos e opúsculos de divulgação. Frequentador assíduo e criterioso de arquivos e bibliotecas, pôs a descoberto vasta documentação inédita, indispensável para o melhor conhecimento do nosso passado medieval e moderno. O seu trabalho científico de pesquisa documental e análise histórica privilegiou três áreas: manuscritos canónicos tanto de carácter geral como próprios de autores e dioceses portuguesas na Idade Média; visitações dos arcebispos de Lisboa ou seus delegados às paróquias da diocese nos séculos XV-XVIII; e legislação e actividade do tribunal da Inquisição."
(Fonte: Lusitania Sacra, 2.ª série, 12 (2000) - Crónica: Prof. Isaías da Rosa Pereira (1919-1998), In Memoriam)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

20 abril, 2025

VIEIRA, P. Antonio -
SERMAM // DE S. IOAM // BAPTISTA. // NA PROFISSAM // Da Senhora // MADRE SOROR MARIA DA CRVZ, // Filha do Excellentissimo // DVQUE DE MEDINA SYDONIA, // SOBRINHA DA RAINHA N. S. // Religiosa de Sam Francisco. // No Mosteiro de Nossa Senhora da // Quietaçaõ das Framengas. // Em Alcantara. // Esteue o SANCTISSIMO SACRAMENTO exposto. // Assistiraõ suas MAGESTADES, & ALTEZAS. // PREGOVO O P. ANTONIO VIEIRA // da Companhia de IESV. Prégador de S. Magestade. //
EM LISBOA. COM TODAS AS LICENC,AS // Na Officina de Domingos Lopes Rosa. Anno 1644. In-8.º (19,5x14 cm) de [32] p. (inc. frontesp.) ; B.
1.ª edição.
Sermão do Padre António Vieira escrito a propósito da Profissão Perpétua de Soror Maria da Cruz, abadessa do Convento de Nossa Senhora da Quietação, sobrinha da rainha D. Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV.
São muito raros e apreciados os sermões do insigne jesuíta, sobretudo os que, como é o caso, foram proferidos (e publicados) no contexto e sequência da Restauração da independência nacional.
"No dia em que nace a Voz de Deos, justamente emudecem as vozes dos homês. Admiraçoês emudecidas saõ a retorica deste dia: mirati sunt unisersi. Pasmos, & assombros saõ as eloquêcias desta acção: Factus est timor super omnes vicinos eorum. He dia hoje de falarem os coraçoês, & de callarê as ,lingoas: por isso a lingoa de Zacharias emudeceu, por isso os coraçoens dos Montanhezes fallauaõ. Posuerunt in corde suo discentes. E se em qualquer dia do grande Baptista he perigoso o fallar, & os discursos mais discretos saõ os que se remetem ao silencio; que sera hoje no concurso de tantas obrigaçoens em que as causas do temor, & os motivos da admiração se vem taõ crecidos? Se toda a razão dos assombros no nacimento do Baptista era verem que daua Deos a hua alma a mão de amigo. Et enim manus Domini erat cum illo; Quanto mais deue assombrar hoje nossa admiração ver q dà Deos a outra alma a mão de Esposo: Et enim manus Domini erat cû illa?"
(Excerto do Sermão)
Soror Maria da Cruz nasceu algures no final da década de 1620, provavelmente, em ou perto de Sanlúcar (Andaluzia), a sede dos duques de Medina Sidónia. O seu pai era Gaspar de Guzmán y Sandoval, 9.º Duque de Medina Sidonia (1602-1664), mas a identidade da sua mãe permanece desconhecida. A tia paterna dela foi Luísa de Guzmán (1613-1666), Rainha de Portugal 1640-1666. Irmã Maria juntou-se à tia quando esta foi para Portugal em 1633 para se casar o duque de Bragança, futuro rei de Portugal. Em Vila Viçosa (Alentejo), Luísa de Guzmán foi viver para o palácio ducal e Soror Maria da Cruz foi estudar para o vizinho convento franciscano das Chagas. Em Dezembro de 1640, Soror Maria mudou-se para Lisboa com a recém-proclamada família real onde ingressou no convento franciscano de Nossa Senhora da Quietação em Alcântara (BELÉM 1758: 546). Ela fez a sua profissão perpétua em 1644 com a presença da família real e em que o Padre António Vieira, o célebre jesuíta, pregou (VIEIRA 1644). Este convento recebeu fundos reais e confinava com a Quinta de Alcântara, uma das residências privilegiadas do novo família real (CASTELLO BRANCO 1971: 50-79; COSTA, CUNHA 2008: 169; COSTA 1712: 650). A própria Soror Maria recebia 40 mil réis por ano da Casa de Bragança - o património dos duques de Bragança (BA, Homem., 51-X-17: fls. 214). Foi dentro deste convento que provavelmente a Irmã Maria passou algum tempo com duas das suas primas, as infantas Dona Joana (1635-1653) e Dona Catarina (Catarina de Bragança 1638-1705, Rainha-consorte de Inglaterra (1662-1685), e onde ela acabaria por acolher diplomatas estrangeiros e dignitários. Foi neste convento que ela acolheu a rainha consorte francesa Maria Francisca de Sabóia (1646-1683) quando chegou em 1666 para casar com Afonso VI (1643-1683), Rei de Portugal (1656-1683)."
(Fonte: James, Ben - Two Marias: Illegitimacy and Agency on the fringes of  the Restoration Cour, Palácio Nacional de Sinta, 2024)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Aparado, porém, nunca atingindo o texto. Mancha amarelada de humidade, desvanecida, transversal a todo o opúsculo. Com falhas e pequenos defeitos marginais. Protegido por capas lisas em papel celofane.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
150€

17 março, 2025

AZEVEDO, P. Candido Mendes de -
O COLLEGIO DE S. FIEL.
Resposta ao Relatorio do advogado Sr. José Ramos Preto. Pelo... da Companhia de Jesus, professor, ultimo ministro e prefeito dos estudos no collegio. Com um prologo do R. P. Antonio Cordeiro, penultimo director do mesmo collegio. Madrid, Imprenta de Gabriel López del Horno, 1911. In-8.º (22 cm) de XXIV, 86, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Contestação do Padre Mendes de Azevedo, reitor do Colégio de S. Fiel, Louriçal do Campo (Castelo Branco), ao relatório de Ramos Preto, advogado encarregado por Afonso Costa, na época Ministro da Justiça, de "desancar" a Companhia de Jesus e o ensino jesuíta, e S. Fiel em particular. Livro importante, publicado em Madrid, com indubitável valia histórica, política e religiosa dado o contexto tumultuoso que se vivia em Portugal, cerce de liberdades e garantias, onde o último reitor do Colégio rebate as acusações imputadas aos religiosos jesuítas ponto por ponto.
Obra com interesse para a história da Companhia e da sua expulsão do país pelos vencedores da Revolução de 5 de Outubro.
"O Colégio de São Fiel (1863-1910) foi um estabelecimento de ensino básico e secundário, a cargo da Companhia de Jesus, situado na freguesia de Louriçal do Campo, nas faldas da Serra da Gardunha. O Colégio de São Fiel foi uma das mais prestigiosas instituições de ensino portuguesa nas últimas décadas do século XIX, tendo sido extinto em 1910 em resultado da confiscação dos bens da Igreja Católica após a implantação da República."
(Fonte: Wikipédia)
"Como os leitores talvez não desconheçam, vai para 3 meses, que o Sr. Dr. José Ramos Preto publicou por ordem, ou a convite do Sr. Ministro da Justiça da Republica Portuguesa, Affonso Costa, um Relatorio, que desde a primeira á ultima folha não é mais que um libello accusatorio contra a Companhia de Jesus, em geral, e contra o Collegio de S. Fiel mais directa e particularmente.
A leitores superficiaes e que de animo leve tenham passado os olhos pelas paginas do dicto Relatorio; ou ainda áquelles  que, por desconhecerem os factos, que ahi se narram, tenham tomado a vulto as affirmações do Dr. Dr., sem as examinarem miuda e imparcialmente, poderá parecer, que taes affirmações, não tendo sido até hoje contestadas pelos accusados, devem passar em julgado, e que o illustre causidico se saiu airosamente do encargo, que de sua competencia profissional confiou o sobredicto Ministro da Justiça.
É principalmente para leitores d'estes e em geral para aquelles, que de boa fé podem ter sido illudidos pela leitura do citado Relatorio. [...]
Notemos antes de mais nada, que muito infelizmente andou o Sr. Affonso Costa em confiar a composição de referido Relatorio ao Sr.  Dr. Ramos Preto, e mais ainda este em lh'a acceitar.
Em trabalhos d'esta natureza pede a boa razão e justiça, que seja d'elles encarregada pessoa imparcial, em quem não possa caber suspeição, e muito menos a quasi certeza de odio ou affeição apaixonada para com o suspeito reu, que tôlham a lucidez, sangue frio, inteireza e hombridade necessarias para apreciar devida e desapaixonadamente pessoas e factos incriminados, jámais se tanto umas, como os outros respeitam uma Corporação tão contradictoriamente julgada, como o é e foi sempre a Companhia de Jesus."
(Excerto do Prologo)
Cândido de Azevedo Mendes, S.J. (Torres Novas, 1874 - Ceará, Brasil, 1943). "Ingressou na Companhia de Jesus no dia 17 de setembro de 1888. Estudou Humanidades no Noviciado do Barro em Torres Vedras e no Colégio de São Francisco em Setúbal (1890-1893) e Filosofia e Ciências Naturais no Colégio de São Fiel em Louriçal do Campo (1893–1896). Entre 1896 e 1902, foi professor de Matemática, Física, Química e Ciências Naturais em São Fiel, onde fundou em 1902, com Joaquim da Silva Tavares, S.J. (1866-1931) e Carlos Zimmermann S. J. (1871-1950), a revista científica Brotéria: Sciencias Naturaes. Entre 1902 e 1906, estudou Teologia na Universidade Gregoriana em Roma, tendo sido ordenado sacerdote no ano de 1905. Em 1906, regressou a Portugal para terminar a sua formação na Companhia de Jesus. Esteve um ano no Noviciado do Barro e depois regressou a São Fiel como professor de Matemática, Física, Química e Ciências Naturais.
Azevedo Mendes foi um dos autores mais profícuos da Brotéria, tendo publicado ao longo da sua carreira 48 artigos. A maioria dos seus trabalhos incidiu sobre a identificação e classificação de novas espécies de lepidópteros em Portugal, Espanha, Moçambique, Angola e Roma. Entre 1902 e 1913, o jesuíta publicou na Brotéria os seus primeiros trabalhos de classificação sobre os lepidópteros da região de São Fiel. [...]
Após a expulsão dos jesuítas em 1910, as suas coleções de lepidópteros foram confiscadas pelo Governo Provisório da República Portuguesa e enviadas para a Universidade de Coimbra. Exilado em Salamanca, Azevedo Mendes ainda se empenhou em recuperá-las, mas não teve sucesso. Entre 1911 e 1913, publicou dois importantes opúsculos: A Brotéria no exílio e O Collegio de São Fiel: Resposta ao Relatório do Sr. Advogado José Ramos Preto. Centrados na expulsão republicana, estes textos pretendiam rebater as principais acusações sobre o ensino dos jesuítas em Portugal e ilustrar a indignação da comunidade científica nacional e internacional em relação ao destino das coleções científicas dos jesuítas portugueses."
(Fonte: https://dicionario.ciuhct.org/mendes-candido-de-azevedo/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa ligeiramente oxidada com rasgão (sem perda de suporte). Contracapa e duas últimas folhas apresentam falha de papel no canto inferior esquerdo, atingindo apenas, na penúltima folha, a parte do índice correspondente à numeração, e mesmo assim estarão em causa apenas duas linhas.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

23 dezembro, 2024

RAU, Virgínia -
O PE. ANTÓNIO VIEIRA E A FRAGATA FORTUNA. Por... (Separata de Stvdia - Revista semestral - N.º 2 - Julho de 1958). Lisboa, Centro de Estudos Históricos Ultramarinos : Portugal, 1958. In-4.º (23,5x16,5 cm) de [12] p. (91-102 p.) [1] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho histórico. Curioso subsídio vieiriano sobre uma faceta pouco conhecida do notável religioso jesuíta.
Ilustrado extra-texto no final com fac-símile: "Contrato de fretamento da nau Fortuna".
"A vida do Pe. António Vieira tem sido estudada com carinho e em profundidade por investigadores do melhor quilate, mas a sua actividade como negociador de navios na Holanda tem parcialmente escapado à argúcia da pesquisa em fontes portuguesas. [...]
Desde bem novo o Pe. António Vieira demonstrou possuir uma funda intuição da importância do predomínio marítimo e da evolução da táctica naval. Conhecedor da arte de construir navios e apreciador sagaz dos méritos e qualidades relativas das fragatas holandesas, francesas, ou dunquerquesas, se os seus planos para a construção e compra «of a fine fleet of frigates» tivessem sido adoptados, «Portugal might well have recovered more of her colonies than Angola and Pernambuco» nesse tormentoso período subsequente à Restauração de 1640.
Adversário convicto das caravelas, escolas de fugir como ele lhes chamava, aconselhou sempre a compra de fragatas bem armadas, pois só com navios grandes e bem artilhados poderiam os portugueses dominar os inimigos no mar como o faziam em terra e preservar o seu império ultramarino."
(Excerto do Estudo)
Virgínia Roberts Rau (1907-1973). "Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorando-se em 1947. Professora Catedrática na mesma instituição durante vinte anos, fundou, em 1958, o Centro de História da Universidade de Lisboa, então Centro de Estudos Históricos. Foi, também, a primeira mulher a assumir a direcção da Faculdade de Letras (1964-1969). A sua obra como historiadora, transversal cronológica e geograficamente, é balizada por um lado pela formação medieval do reino e por outro pelo seu processo moderno de atlantização, sem nunca perder de vista uma escala de comparabilidade europeia. Uma concepção moderna da oficina do historiador, baseada no trabalho colectivo, numa precoce internacionalização assim como na articulação entre a investigação e o ensino, garantem-lhe uma posição singular na historiografia portuguesa. "
(Fonte: http://www.centrodehistoria-flul.com/virginia-rau.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

23 novembro, 2024

AMZALAK, Moses Bensabat -
AS TEORIAS MONETÁRIAS DO PADRE JOÃO DE MARIANA.
[Por]... Professor da Universidade Técnica de Lisboa. Lisboa, [s.n. - Impresso na «Gráfica Lisbonense» - Lisboa], 1944. In-4.º (26x19,5 cm) de 57, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo bio-bibliográfico sobre este religioso jesuíta quinhentista, e reprodução da sua obra maior - o Tratado y discurso sobre la moneda de vellon.
Tiragem limitada a 200 exemplares.
"O Tratado y discurso sobre la moneda de vellon quási que ia sendo fatal ao seu autor. Foi-lhe instaurado um processo pelo crime de lesa-magestade. [...]
«No relatório do Fiscal contra o Pe. Mariana êste ilustre autor é acusado do crime de lesa-magestade por ter ousado afirmar no seu tratado de monatae mutatione, sem o menor respeito devido a S. M. e aos seus Ministros, que a mudança operada no valor da moeda constituía um golpe pernicioso vibrado ao crédito do Estado e que os representantes da nação não tinham em vista senão o seu interêsse pessoal, não se importando com as calamidades públicas, desde que êles continuassem a têr a graça do Príncipe. Que mais adiante, no capítulo XIII do mesmo tratado, êle se ter referido injuriosamente contra o govêrno inculpando-o de venal.»
«Como consequência destas acusações, o Pe. Mariana foi prêso no convento dos religiosos franciscanos de Madrid, onde redigiu uma vigorosa e firme defesa na qual diz entre outras coisas que com a idade de 73 anos, quando esperava receber algum retribuïção pelas suas grandes fadigas padecidas no espaço de 56 anos empregados no serviço da religião e do Estado, êle só encontrara como recompensa o rigor duma prisão. [...]
«Por uma carta de Sua Magestade Católica dirigida a D. Francisco de Castro, cuja cópia se encontra no dito manuscrito, o rei havia ordenado que se comprassem e recolhessem com cuidado e sem barulho todos os exemplares dessa obra, com a ordem expressa de os queimar.»
O livro monetae mutatione publicado primeiramente em latim e depois em espanhol contém as teorias do Pe. João de Mariana sôbre a moeda. É dêle que nos ocuparemos no presente estudo. Como porém a edição latina é da maior raridade e a edição espanhola se acha esgotada, julgamos fazer um serviço aos estudiosos reproduzindo-o no capítulo seguinte, para depois o comentar à luz da história das doutrinas económicas."
(Excerto de I - Da vida e dos trabalhos científicos do Padre João de Mariana)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

05 novembro, 2024

PROLA, P. Joseph Maria - NOVENA // DO // GLORIOSO PATRIARCA //  S. JOSEPH, // CASTISSIMO ESPOSO DA SEMPRE // VIRGEM MARIA, // COMPOSTA // PELO P. JOSEPH MARIA PROLA, // Da Companhia de Jesus. // Que principia a I0 de Março. // E agora resumida, por hum Devo- // to, nesta ultima impressaõ. //
LISBOA // Na Off. de Francisco Luiz Ameno. // M. DCC. XCI. // Com licença da Real Mesa da Commissaõ Geral // sobre o Exame, e Censura dos Livros. In-8.º (15x9,5 cm) de 93, [3] p. ; E.
Novena setecentista ilustrada no texto com partituras de hinos em honra de S. José.
Obra rara e muito curiosa.
"O Dia festivo, que com principal, e universal solemnidade celébra a santa Igreja á honra de S. Joseph, he a 19 de Março. Para honrallo com dignidade mais agradavel ao Santo, e mais proporcionada á vossa utilidade, vos proponho o exercicio daquelles dois efficacissimos ensinados pelos Santos Padres, a fim de conservar o necessario, e proveitoso commercio com o Ceo: isto he a Oraçaõ mental , e a vocal. Huma para illustrar o entendimento com a noticia dos sagrados mysterios, e affervorar a vontade com os motivos das verdades bem penetradas; e a outra para impetrar do thesouro da Divina beneficiencia as graças convenientes á vossa necessidade. A meditaçaõ nos faz vêr o que nos falta, a Oraçaõ o impetra."
(Excerto do preâmbulo).
Encadernação inteira de pele com dourados na lombada.
Exemplar em razoável estade de conservação. No interior, algumas das páginas foram cortadas junto às margens, sendo que num ou noutro caso, prejudica o texto. Com rabiscos a lápis, nas folhas de guarda, anteriores e posteriores.
Raro.
Indisponível

15 agosto, 2024

MURY, Padre Paulo - 
HISTORIA DE GABRIEL MALAGRIDA DA COMPANHIA DE JESUS.
Apostolo do Brazil no seculo XVIII estrangulado e queimado no Largo do Rocio de Lisboa aos 21 de setembro de 1764. Auctor... Da mesma Companhia. Trasladado a portuguez e prefaciado por Camillo Castello Branco. Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, 1875. In-8.º (18,5x12 cm) de XXIX, [1], 188, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Biografia de Gabriel Malagrida, padre jesuíta mandado executar pelo Marquês de Pombal no Rossio, Lisboa, em 1764.
Obra com interesse histórico e biográfico, muito valorizada pelo extenso prefácio de Camilo Castelo Branco.
Com a reprodução integral do opúsculo de Malagrida sobre as causas divinas do terramoto de 1755, em Lisboa, tendo sido este um dos principais motivos para o rancor que a partir daí lhe votou o Marquês, além da sua relação com a Família Távora, concorrendo ambas para o fim trágico do religioso italiano.
"A Historia de Gabriel Malagrida, que trasladamos a vernaculo, fou publicada ha dez annos em Paris. É um livro sem ambições de laureis litterarios, descultivado de flores de estylo. Narra simplesmente, sem ataviar as descripções, dignas aliás de penna mais acurada,e estudos mais largos dos paizes que Malagrida alumiou com a luz da sciencia abrilhantada por virtudes e alta piedade.
O padre Paulo Mury, da Companhia de Jesus, manuseou os impressos e ineditos que relembravam o martyrio do apostolo do Brazil. Urdiu com elles a sua historia, tecida com exemplar sinceridade, seguindo o jesuita desde o berço até á fogueira da Inquisição. Accusa moderadamente a iniquidade de Sebastião José de Carvalho: compadece-se da sua memoria, como os jesuitas, em 1829, se compadeceram dos seus ossos ainda então insepultos na egreja  dos franciscanos da villa de Pombal.
Não nos daremos em particularidades da vida operosissima de Malagrida. Nenhuma das mais e menos essenciaes descurou o biographo. Pareceu-nos, porém, vir de molde n'este prefacio a reimpressão de um rarissimo opusculo da innocente victima do marquez de Pombal. Duas vezes, em sua obra, allude o padre Mury ao folheto que Malagrida publicou na occasião do terramoto de 1755. Este folheto motivou o desterro de Malagrida para Setubal, fez parte no processo da sua condemnação, e enfureceu por tanta maneira o rancor do ministro omnipotente, que todos os exemplares apprehendidos e voluntariamente entregues foram queimados pelo algoz, na Praça do Commercio, em 8 de maio de 1771, por edital da Meza Censoria de 30 de abril, dez annos depois do supplicio do seu auctor!"
(Excerto do Prefacio)
Gabriel Malagrida (Menaggio, Milão, 18 de setembro de 1689 – Lisboa, 21 de setembro de 1761)."Nascido Gabriele Malagrida, foi um padre jesuíta italiano. Tendo sido missionário no Brasil e pregador em Lisboa, veio a ser condenado como herege no âmbito do Processo dos Távora. Foi garrotado e queimado na fogueira após um auto-de-fé realizado no Rossio de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação recente em meia de percalina com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
60€

06 agosto, 2024

ABBADE*** - O JESUITA. Traductor Francisco Luiz Coutinho de Miranda (sobre a ultima edição). [S.l.], Miranda & Sousa - Editores, 1865. In-8.º (20,5x12,5 cm) de XV, [1], 407, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Romance anónimo escrito por um sacerdote. Obra controversa, claramente anti-jesuítica, que pretende ser um "aviso à navegação" sobre o poder e influência que a Companhia de Jesus assumiu no mundo.
Livro raro e muito interessante.
"Eu comprehendi, como as turbas, que a alma humana não vive sem religião; e ellas viram commigo, a explicação do enigma que as atormentara em face d'uma Egreja depositaria official do christianismo, que parecia não querer guia-las nos seus destinos espirituaes, senão escravisando-as sob o jugo de uma theocracia, com a qual a liberdade não pode alliar-se. [...]
Não espero menos d'este novo livro: O Jesuita. É inutil dizer que os personagens que n'elle figuram são ficticios, e que a acção é imaginaria. O que ha de verdade são os factos e as idéas, que formam a parte substanciosa do livro.
Declaro perante Deus que não me animam sentimentos de rancor ou odio contra um unico membro da Companhia de Jesus. Os que conheci, considero-os honrados, individualmente; entre elles ha homens de verdadeiro talento, e de certo alguns virtuosos. Nunca me queixei de nenhum Jesuita em particular, nem da Ordem. Julguei-me assim com muito mais força para escrever este livro. Não era a minha causa, era a da Egreja, a do clero secular, a do espirito moderno de liberdade e progresso, que me cumpria vingar contra o seu espirito de denominação absoluta, e absorvente theocracia.
Está para mim exuberantemente demonstrado, que a Companhia de Jesus, união hybrida do clero secular e monacal, mesmo pela sua constituição de ordem militante, pela sua ambiciosa pretensão a ser o centro da Egreja, afim de distribuir o movimento aos corpos hierarchicos, sem exceptuar o proprio papado, é a associação mais perigosa que se tem formado no mundo moderno; que, pelo seu systema, pelo seu ardor impetuoso, mesmo pelo talento e virtude dos seus membros, prejudica consideravelmente a Egreja, cujas forças divide; que ha interesse e necessidade para a Egreja, em dissolver um corpo, que espalhado pela superficie do globo, como uma vasta agencia de negocios, a desvia necessariamente do seu trilho pacifico, mudando-a n'uma instituição bellicosa, destinada, para maior gloria de Deus, a perturbar a paz dos povos; que ha emfim urgencia para todas as nações civilisadas, de se prevenirem, por todos os meios legaes, contra uma corporação, cujo principio dogmatico é a theocracia feroz, destruidora da liberdade humana, que intenta, e não por muito longe, fazer reinar visivelmente um só rei sobre a terra, o Papa, ou antes, sob esta designação veneranda, a Companhia de Jesus."
(Excerto do Prefacio)
Francisco Luís Coutinho de Miranda (?-1883). "Jornalista e escritor. Era um jornalista violento, um exaltado partidário do conde de Peniche, depois marquês de Angeja, e um acérrimo partidário também dos progressistas. Pertencera ao partido reformista do bispo de Viseu. Em diversos jornais foi crítico dramático. Colaborou no Progresso e Correio da Noite, etc. Traduziu numerosas peças que se representaram, na maior parte, no teatro do Ginásio."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/mirandafranciscol.html)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Apresenta carimbo oleográfico na f. anterrosto com brasão de armas encimado por coroa com a divisa: Poder - Crer - Querer - Sam.
Raro.
20€

10 fevereiro, 2024

PIRES, A. de Oliveira -
OS JESUITAS.
Romance historico do seculo XVIII. Por... Lisboa, Empreza Editora de Romances Instructivos, 1873. In-8.º (18,5x11,5 cm) de [2], XIII, [1], 314, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Romance anticlerical cuja acção decorre na época pombalina, no período pós terramoto de 1755, sendo intenção do autor mostrar a influência nefasta da Companhia de Jesus na sociedade da época e as perseguições que o Marquês moveu contra a instituição. Raro. Inocêncio não menciona este romance na sua lista de obras de Oliveira Pires.
"Não cuide o leitor que este livro seja um tratado sobre os jesuitas
É apenas um romance, cuja acção se passa n'uma época extraordinaria da nossa historia; época de luz e de sombras, em que sobresáe o vulto quasi épico do marquez de Pombal.
O assumpto mais particularmente escolhido para elle é a guerra movida pelo marquez contra a companhia de Jesus, e as culpas de que esta sociedade foi universalmente accusada."
(Excerto do Prefacio)
"Tinham decorrido trez annos depois que a catastrophe do 1.º de novembro de 1755 reduzira Lisboa a um montão de ruinas.
Pelas abas dos montes da antiga Olisyppo estendiam-se pedaços de cornijas, fragmentos de cunhaes, restos de paredes derrocadas, e outros destroços de edificios, que a grande convulsão subterranea derrubara
No sopé dos montes do Castello, ou antes no valle que fica entre esses montes e os de S. Roque e S. Pedro d'Alcantara, appareciam já bastantes predios symetricamente alinhados, ruas direitas e largas, praças magestosas. Era a nova cidade que surgia de entre as ruinas ao impulso do ministro potente de el-rei D. José. [...]
Quando no dia de todos os santos Lisboa foi abalada pelo terramoto, estava a familia real no palacio de Belem, que D. João 5.º comprara ao conde de Aveiras.
A catastrophe poupou a residencia real. Mas o susto, a desconfiança de que o sinistro acontecimento se repetisse, os ligeiros abalos que por algum tempo continuaram depois da grande convulsão, fizeram com que D. José abandonasse immediatamente o palacio e fosse habitar em barracas de lona, armadas no meio da quinta.
Carvalho mandou logo edificar no alto da Ajuda uma habitação para o rei, de fórma abarracada, e onde a madeira se empregou como elemento principal da construcção.
É n'esta casa que nós vamos entrar, eu e o leitor, no dia 3 de setembro de 1758.
Era ao cair da tarde. O sol, mergulhando-se no occidente, innundava de clarões rubros as janellas da habitação real, parecendo, atravez dos vidros, que no interior crepitavam as chammas de um grande incendio.
D. José aproximara-se da janella e lançára o olhar para o lado do rio, admiramdo o panorama esplendido, que do alto da Ajuda se disfructa. Atraz do rei estava um homem de pé, vestido de velludo preto, como que aguardando que D. José lhe dirigisse a palavra.
Era este homem o valido Pedro Teixeira."
(Excerto de I - A conspiração)
Alfredo de Oliveira Pires (Lisboa, 1840 - Suiça) funcionário público, empregado na secretaria do Conselho de Estado e na Secretaria da direcção da Associação Protectora do Asilo de Infância Desvalida e dos Pobres do Lumiar. Foi jornalista e escritor. Além de grande número de artigos em diversas publicações periódicas da época escreveu cerca de 22 romances publicados em folhetins nos referidos periódicos, cujos títulos são registados por Brito Aranha continuador de Inocêncio, sem referir datas.
(Inocêncio Vol. XX, pp. 338 e 339)
Encadernação recente em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
55€

29 novembro, 2023

DINIS, Baptista -
OS CRIMES DOS CONVENTOS. Romance em dois volumes. Original portuguez. Volume I [Volume II]. Lisboa, Empreza Editora - Fernandes & C.ª, [18--]. 2 vols in-8.º (19x12,5 cm) de 277, [9] p. ; [4] f. il. (I) e 285, [3] p. ; [4] f. il. (II) ; E. num único tomo
1.ª edição.
Interessantíssimo romance antijesuítico, não datado, publicado no final do século XIX.
Ilustrado com 8 belíssimos desenhos (4 por volume) assinados Nascimento, alguns com abreviatura "Nas".
"A cella da pobre Aurora era escura, lobrega, com a apparencia horrorosa d'uma prisão.
Das paredes, mal caiadas, gottejava constantemente a humidade, como com o rocio matinal gottejam os caules das flôres. A luz exterior entrava, a custo, por uma pequenina fresta ao pé do tecto, com um grosso varão de ferro ao centro. A unica porta do aposento, baixa e estreita, era interiormente chapeada de ferro, com fortes gonzos e enorme fechadura. Das paredes amarellecidas pendiam quadros d'assumptos mysticos, emoldurados em madeira negra. Um representava Maria Magdalena no supedaneo da cruz, olhos em alvo, cabellos cahidos, chorando copiosamente pelo Martyr do Calvario, outro appresentava, num dos seus extasis de histerica, santa Thereza.
Um Christo crucificado conservava-se rodeado de flôres sobre uma tosca meza, allumiado pallidamente por uma  modesta lamparina d'azeite.
O leito, um humilde catre de madeira carunchosa, estava a um canto do aposento, que apenas tinha 6 metros quadrados.
O conjuncto d'aquella habitação punha no espirito a nota triste dos desalentos, a melancholia dos tumulos. Os carceres da Inquisição não eram mais pavorosos.
No  momento em que fazemos penetrar os nossos leitores n'uma das cellas do convento de ***, acabavam de soar sete horas. A noute era fria, noute cruel de Dezembro. O vento assobiava pelos corredores umas canções estranhas e a chuva fustigava despiedosamente as vidraças. No coro, as servas do Senhor, que ali se achavam, umas violentadas pela inexorabilidade dos parentes, outras para poderem a coberto manter as suas relações impuras e peccaminosas com padres d'olhares libidinosos e beiços de satyros devassos, erguiam a Deus umas orações em voz alta, com o acompanhamento funebre do orgão."
(Excerto do Cap. I - O envenenamento)
Eduardo Baptista Dinis (1859-1913). Autor e empresário, e, de acordo com Ricardo Revez em A Evolução do Pensamento Político, artigo inserto nas Actas do Colóquio Fialho de Almeida : cem anos depois (2011), um "escritor de comédias e revistas de feição algo pornográfica".
"Foi autor de várias peças de teatro, muito populares e bastante representadas no século passado, levadas à cena em quase todas as associações recreativas do país. São da sua autoria, por exemplo, “Um erro judicial” ou “O louco da aldeia”, “O veterano da liberdade”, “O segredo do pescador”, “Os gagos”, “A santa inquisição”, entre outras." (in https://geneall.net/en/forum/156798/eduardo-baptista-dinis-1859-1913/)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
85€

13 março, 2023

GORJÃO, Dr. Edmundo - DECRETOS E LEIS SOBRE JESUITAS E CONGREGAÇÕES RELIGIOSAS.
Coordenados pelo... N.º 1 : Preço 120 réis. Lisboa, Composto e Impresso na Typographia do Commercio, 1910. In-8.º (19x11 cm) de 32 p. ; B. Col. O Mensageiro Juridico da Republica Portugueza : Periodico de Legislação - 1
1.ª edição.
Importante legislação anticlerical - e jesuítica em particular - publicada no advento da República, poucos dias após a instauração do regime, sendo o preço do livrinho cobrado ainda na moeda antiga - em reis.
De referir, a título de curiosidade, a "apropriação" pelo governo republicano de legislação pombalina relativa à expulsão dos jesuítas, bem como - imitando o governo absolutista - o confisco pelo Estado do património da Companhia de Jesus.
"O governo provisorio da Republica Portugueza, faz saber que, em nome da Republica, se decretou, para valer como lei, o seguinte:
Artigo 1.º - Continua a vigorar como lei da Republica Portugueza a de 3 de setembro de 1759, promulgada sob o regimen absoluto e pela qual os jesuitas foram havidos por desnaturalisados e proscriptos, e se mandou que, effectivamente, fossem expulsos de todo o paiz e seus dominios «para n'elles mais não poderem entrar».
Artigo 2.º - Continua tambem a vigorar como lei da Republica Portugueza, a de 28 de agosto de 1767, egualmente promulgada sob o regimen absoluto, que «explicando e ampliando» a referida lei de 3 de setembro de 1759, determinou que os membros da chamada Confraria de Jesus ou jesuitas, fossem obrigados a sahir immediatamente para fóra do paiz e seus dominios.
Artigo 3.º - Continua tambem a vigorar, com força de lei, na Republica Portugueza, o decreto de 28 de maio de 1834, promulgado sob o regimen monarchico representativo, o qual extinguiu, em Portugal, Algarve, Ilhas Adjacentes e dominios portuguezes, todos os conventos, mosteiros, collegios, hospicios e quaesquer casas de religiosos de todas as ordens regulares, fosse qual fosse a sua denominação, instituto ou regra."
(Excerto de Jesuitas e Congregações Religiosas - Decreto de 8-10-910 - Artigos 1.°; 2.°; 3.°)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

20 fevereiro, 2023

VIEIRA, Alves - DE ARTILHARIA 1 A CAXIAS.
Sentido protesto de uma victima que a demagogia tratou como réu
. Guimarães, Edição do Auctor, 1918. In-8.º (19 cm) de 185, [3] p. ; B.

1.ª edição.
Relato dos "agitados e tormentosos dias" que tiveram início a 5 de Outubro de 1910, com a implantação da República, por um religioso jesuíta do Colégio de Campolide, prisioneiro dos revolucionários.
"Em 5 d'Outubro de 1910, Lisboa presenceiava a dentro de seus muros um espectaculo jámais visto, e que pela novidade fez pulsar de jubilo e esperança mais de uma alma de patriota. A cidade como despertada de longo e pesadissimo lethargo, movimentava-se numa ancia febril, e das mãos «callejadas» das creanças e.. dos que nada fazem, cahiam alfim as gargalheiras da ominosa escravidão. Podia-se respirar livremente, agora. Raiara na rainha do Tejo a aurora brilhante da Republica, que no seu cofre inexhaurivel trazia riqueza, amor e felicidades para todos... e para mais alguem.
E era bello de ver, logo nas primeiras horas da manhã, as creanças em pé de guerra, trauteando o hymno redemptor e fitando de lagrimas nos olhos (o caso era triste!) um farrapo verde e encarnado, emquanto que os cidadãos de pé descalço, pouco teres e muito pouca vergonha, de carabina a tiracollo, pistola ou espada á cinta, se aventuravam por casas religiosas e companhias da Guarda Municipal á cata da infallivel recompensa.
Foi um delirio, aquella triumphal jornada.
Havia porém nos heroes, quando a multidão da Travessa da Palha e alfurmas similares os acclamava delirante, uns longes de sombra que inquietavam as potencias todas de terra e mar. O seu triumpho não fôra completo; o seu gozo fôra cerceiado pelos abutres: nas horas pavorosas e negras, quando a fuzilaria recrudescia innocente e inoffensiva, em obediencia ao programma de comedia que era a «sangrenta» revolução, vós podereis ver, de batina arregaçada, de olhar furibundo e tragico, uma legião de Jesuitas encaminhando as hostes monarchicas. Fôram elles, os terriveis Jesuitas, que puzeram em fuga, na rua Ferreira Borges, os heroes de mar e terra, que até «por esquecimento» deixaram alli duas peças de artilharia; elles, que montaram no Pateo do Thorel a artilharia de Queluz e armaram o braço «ás armas feito», de Paiva Couceiro; elles, que tomaram em plena Rotunda, a 3 metros dos heroes, duas peças d'estes; elles, que teriam abortado o movimento, se nessa hora não vem ordem do Quartel General para cessar fogo."
Indice:
Anteloquio. | Servindo de prologo. | A desforra. | Uma pergunta. | No nosso Colegio. | Em Artilharia 1. | Os meus companheiros. | Os nossos guardas. - Como passavamos o tempo. | O tigre. - Noite tragica. | Porque não fomos fuzilados. | As meretrizes no quartel. - Attentado nefando de um heroe. | Factos e considerações. |  Ordinario, marche! | Em Caxias. | Em Caxias (continuação). | Confrontando. |  Favores do Céu. | Bons amigos e maus inimigos. | Eis-nos livres!. | Appendice.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, levemente oxidadas.
Raro.
Indisponível