Mostrar mensagens com a etiqueta Edições da «Renascença Portuguesa». Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Edições da «Renascença Portuguesa». Mostrar todas as mensagens

04 março, 2026

MARTINS, Augusto -
TRIGONOMETRIA PLANA. Porto, Edição da Renascença Portuguesa, 1914. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 152, [8] p. ; E.
1.ª edição.
Proposta pioneira do autor para o ensino da matemática, obra publicada na estimada Renascença Portuguesa, editora de referência na época.
Livro ilustrado no texto com equações e desenhos esquemáticos.
"Num artigo de A Águia dizia eu que não achava razão alguma para que se continuasse a considerar a trigonometria com o um ramo à parte das sciências matemáticas. Isto, referindo-me ao ensino secundário onde a dificuldade de pôr barreiras aos diferentes ramos aumenta constantemente. Nêsse artigo propunha eu a distribuição das diferentes partes da trigonometria pela geometria e pela álgebra.
Era, portanto, uma alteração completa do plano seguido entre nós n o ensino da matemática.
Este livro é uma primeira tentativa da acomodação proposta."
(Excerto do Prefácio)
Encadernação flexível com rótulo carmim e letras a dourado na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Algumas (poucas) páginas apresentam apontamentos a lápis em rodapé.
Muito invulgar.
25€

16 maio, 2024

PORTUCALE, Antonio de -
O ENCANTADO.
Versos de... (Com desenhos, capa e vinhetas de Eduardo Malta). Porto, Tipografia da Renascença Portuguesa, [1919]. In-8.º (16,5x12 cm) de 98, [6] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
Obra poética magnificamente ilustrada por Eduardo Malta que assina as capas, as vinhetas no texto e as 8 estampas em separado impressas sobre papel couché.

"Oh! meu Anto! meu «Só» de triste sorte!
Pelos teus Olhos vi tão bem o Ceu
Que, se o meu Sônho sobrevive á morte,
O que de mim estar será só teu!

Nasci; sorri; sonhei... Amei, um dia,
(Sonhava ainda...) e nunca fui amado!
E a minh'alma ficou, sósinha e fria,
Na indiferença do Mundo regelado.

E nunca mais esta Melancolia,
Que ao cahir da noitinha sinto ao lado,
Deixou de atormentar na mão esguia
Meu pobre Coração de torturado!...

Os meus castelos - Torreões de Sônho
Que em horas brancas, aureoraes ergui -
Vi-os ruir ao vendaval medonho!

Então, sobre a ruina, á tempestade,
Com prantos de Alma e Sangue, contruí
Uma Fonte de Magua e de Saudade."

(Da minha Magua - Á memoria de Antonio Nobre, poeta e martyr.)

Índice:
Inscripção | Da Minha Magua | Da Minha Terra | Do Meu Amor | Da Minha Saudade | Fecho.
António de Sousa (1898-1981). "Poeta português, nascido em 1898, no Porto, e falecido em 1981, em Oeiras, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, colaborou em Ícaro, Byzancio, Tríptico, Presença, Portucale, O Diabo, Revista de Portugal, Vértice, Litoral. Autor de obras poéticas situadas na confluência de várias correntes estéticas (O Encantado foi editado pela Renascença Portuguesa; Caminhos, pelas edições Seara Nova e Ilha Deserta, pelas edições Presença), mas filiadas num lirismo tradicional de cunho intimista, revelando a influência de António Nobre, perpassadas por isotopias marítimas onde se plasma o destino irremediavelmente degredado de um sujeito poético que se autoanalisa irónica ou dolorosamente nas suas contradições."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos
Raro.
Indisponível

30 julho, 2023

COIMBRA, Leonardo - A MORTE. Conferencia da «Renascença Portuguesa» pronunciada no Centro Commercial do Porto, na noite de 23 de Julho de 1913. Pôrto, Edição da Renascença Portuguesa, 1913. In-8.º (19x12,5 cm) de 114, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio filosófico sobre a Morte em forma de conferência.
"Se começo por vos falar da face da Morte é para que, afastando a sua inconsciente e habitual imagem feita de horrores acessorios e acusações irreflectidas, possa a minha palavra encontrar almas atentas ao murmurio das suas ultimas, longinquas camadas. Desvende eu a face da Morte para que o seu nome não apodreça os meus labios, não caricature em esgare o meu sorriso confiado, não descarne o meu corpo em petulante cadaver que se erguesse a prelecionar a lição de anatomia.
A linguagem da Morte, que é incontestavelmente a mais importante para o comportamento da nossa vida, forma-se em nosso espirito, ao sabôr das mais baixas solicitações. São, com efeito, o mêdo e a repugnancia animal os principaes elementos dessa imagem. E vai tão longe a cegueira e cobardia dos homens, neste ponto, que á propria criança, absolutamente indiferente e estranha á ideia da Morte, se lhe impõe uma imagem com elementos de mêdo. [...]
Prefiro olhar o problema pelo lado da coragem e erguer a alma acima das solicitações dos sentidos.
Acho preferivel que o homem, pela espontaneadade do seu espirito, destile esses horrores instinctivos, em heroicas plantas, que, das profundesas da alma, venham abrir em labios dagua a inocencia da sua branca alegria.
Os nossos cemiterios, habitados de esqueletos, podem sêr jardins cristãos, se a alma tiver coragem de descobrir o além dos sentidos.
O nosso corpo a arder em chama purificadôra, será beleza, libertação, cosmico abraço instantaneo. Sim, será a onde do eter, que, em Romaria pagã, vá beijar as praias dos mundos."
(Excerto de A face da Morte)
Matérias:
A face da Morte. | O Sêr. | A transnaturesa. | A Memoria.
Leonardo Coimbra (1883-1936). "Filósofo, ensaísta, político e professor universitário português. Nasceu a 30 de dezembro de 1883, na Lixa, concelho de Felgueiras, e morreu a 2 de janeiro de 1936, no Porto. Formou-se em Letras em Lisboa, no ano de 1912. Um dos mais importantes nomes da cultura portuguesa da primeira metade do século XX, Leonardo Coimbra foi, no Porto, juntamente com Jaime Cortesão, um dos mentores e dinamizadores do projeto de intervenção cívica e cultural "Renascença Portuguesa", no âmbito do qual coeditou a revista Nova Silva e A Águia, promoveu a criação de Universidades Populares (onde se distinguiria como orador) e, como Ministro da Instrução Pública, fundou a Faculdade de Letras do Porto, onde viria a lecionar e a dirigir (com Hernâni Cidade e Mendes Correia) a Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1920-1922). É nas edições Renascença Portuguesa que edita grande parte de uma bibliografia (O Criacionismo: Esboço de um Sistema Filosófico, 1912; A Morte, 1913; A Alegria, A Dor, A Graça, 1916; A Luta pela Imortalidade, 1918; Adoração: Cânticos de Amor, 1921; Jesus, 1923; Guerra Junqueiro, 1923; A Filosofia de Henri Bergson, 1932)."
(Fonte: infopedia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas. Falha de papel nas extremidades da lombada.
Raro.
25€

09 julho, 2023

MALHEIRO, Alexandre - POR VIA DA GUERRA
(contos). Porto, Edição de A «Renascença Portuguesa», 1923. In-8.° (18,5 cm) de 124, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de pequenas novelas relacionadas com a Grande Guerra, aparentando serem verídicas todas elas.
Obra invulgar e muito interessante, com relevância para a bibliografia WW1.
"O capitão Sales era o meu companheiro favorito, nêsses passeios circulatórios, em que, contando, distraïdamente, voltas sem fim, nós contornávamos, não raro, silenciosos, a agressiva vedação de arame farpado formado pelo Campo de Prisioneiros de Breesen, no Gran Ducado de Mecklemburgo, onde então nos encontrávamos.
Decorria caricioso o mês de junho de 1918; e, naquele dia, um domingo, se me não engano, o sol doirava as vastíssimas searas de Roggendorf, onde gritava uma verdadeira constelação de papoilas. [...]
Dizia-se que naquele dia, seria distribuído um grande maço de correspondência. Eu e o meu companheiro procurávamos obter a confirmação de tão agradável boato, quando o sargento alemão Pells, encarregado da censura, se nos depara, casualmente, saindo da secretaria do comando.
- Muitas cartas não é verdade? - inquiriu o capitão.
Oh! sim! muitas cartas da Suzana... - informou, sorrindo, o nosso intérprete."
(Excerto de Suzana)
Índice:
Alexandra | O Dever | Alvorada sinistra | O cabo Mário | Suzana | Viagem de Núpcias.
Alexandre José Malheiro Madeira (1870-1948). Militar e escritor. "Nasceu em Martim, do concelho de Murça, em 1870, falecendo em Lisboa, em 1948. Seguiu a carreira militar, a partir de 1889, chegando ao posto de General. Concluiu o Curso de Oficial de Infantaria e foi promovido a Alferes em 1893, a Capitão em 1906 e a General em 1932. Durante a I Guerra Mundial comandou a 6.ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português, em França. Participou na Batalha do 9 de Abril, ficando prisioneiro dos alemães. Foi libertado em 1918 com o armistício. Regressado a Portugal desempenhou os cargos de Comandante da Escola Central de Oficiais, de Inspector de Infantaria da l. ª e 2.ª Regiões Militares, Comandante Geral da Guarda Fiscal e de Inspector Geral Interino dos Fósforos. Recebeu algumas das mais importantes condecorações: Grã Cruz da Ordem de Aviz, Medalha da Vitória e do Oficialato de Santiago."
Encadernação simples em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Indisponível

24 janeiro, 2023

A ÁGUIA -
PORTUGAL E A GUERRA
. Pôrto, Renascença Portuguesa, 1916. In-4.º (25 cm) de 104 (109-212), [4] p. ; [6] f. il. ; B.
1.ª edição.
Número especial desta conceituada revista literária, - abarcando três números (52-53-54), - dedicado na sua quase totalidade à grande conflagração mundial.
Livro preenchido com crónicas de alguns dos mais conceituados autores portugueses, ente outros, Teixeira de Pascoaes, Teófilo Braga, Gomes Leal, Alberto de Oliveira, Mayer Garção, João de Barros, Jaime Cortesão, Marcelino Mesquita, Raul Proença, Augusto Casimiro e Leonardo Coimbra.
Ilustrações fora do texto, belíssimas, de conhecidos artistas nacionais: Rocha Vieira; Crisitiano de Carvalho; António Carneiro; Stuart Carvalhais.
"Por varias vezes temos defendido n'esta revista a cauda dos alliados. Temos affirmado este facto banal á força de evidente: - que a sorte de Portugal está ligada á sorte da Inglaterra e da França. Se era assim desde o principio do conflicto, agora muito mais, depois que a Allemanha nos considerou blligerantes. A nossa situação é identica á da Belgica e da Servia, áparte os morticinios e ruinas que soffreram estes Povos sagrados pelo mais divino espirito de heroismo, por um amor sobrenatural á Liberdade, á Independencia, á Justiça. [...]
Sim: Portugal não podia deixar de ser beligerante. Exigia-o a situação da Inglaterra n'este conflicto; da Inglaterra, secular garantia da nossa independencia. Exige-o tambem a França, cuja existencia é essencial á nossa existencia, á existencia de toda a raça latina e da propria Humanidade.
Como portugueses devemos amar a França até ao sacrificio, porque a França é a nossa maior irmã; como latinos devemos amar a França até ao sacrificio, porque a França é a grande depositaria do espirito latino; como homens devemos amar a França até ao sacrificio, porque foi ela a emancipadora dos homens, foi ela que lhes deu liberdade, amor proprio, a justiça, o direito, a consciencia da sua pessôa autonoma. Foi ela que lhes deu vida, que o elevou de cousa escrava a um ser livre.
Exigem-no ainda os gritos de duas Patrias crucificadas: a Belgica e a Servia!
Tudo exige a nossa beligerancia, desde o nosso instincto de conservação até aos mais puros e elevados sentimentos da alma humana.
Tudo o exige... a não ser que os portugueses queiram deixar de ser..."
(Excerto de A Guerra, de Teixeira de Pascoaes)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 dezembro, 2018

MALHEIRO, Tenente-coronel Alexandre - O AMOR NA BASE DO C. E.P. Peça em 3 actos representada em 27-X-918 pelos oficiais portugueses, prisioneiros de guerra no Campo de Breesen in Mecklenburg (Alemanha), e expressamente escrita pelo autor para êste fim. [Pelo]... Pôrto, Edição da «Renascença Portuguesa», [1919]. In-8.º (18,5cm) de 158, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Rara e apreciada peça da bibliografia da Grande Guerra.
Teatro dedicado pelo autor a Cristiano de Carvalho. A acção passa-se em França, nas praias de Tréport e Paris-Plage, pelo Verão de 1917.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com mancha e pequenos defeitos marginais.
Raro.
30€

27 dezembro, 2016

CORTESÃO, Jaime - ...DAQUEM E DALEM MORTE. Com ilustrações de Cristiano de Carvalho e Cervantes de Haro. Pôrto, Edição da Renascença Portuguesa, 1913. In-8.º (19 cm) de 204, [4] p. ; [6] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de reflexões sobre a morte que servem de base a curiosas histórias fantásticas contadas pelo autor na 1.ª pessoa, algumas por si vivenciadas, uma dos quais, - que dá o título à obra, - dedicada ao poeta Fernando Pessoa.
Livro belissimamente ilustrado com dois desenhos nas páginas do texto e seis gravuras em separado impressas sobre papel couché.
"Como um cego (pobre dêle!) que vai a cantar direito a um abismo, assim nós vamos a caminho da Morte, rindo, cantando, presos de mil pequenos nadas e descuidosos do Todo, numa cegueira e inconsciência de fantoches.
Se por vezes o pensamento da Morte nos assalta, desviamo-lo cuidadosamente com o pretexto de que ha tempo para nele pensar, de que nada ganhamos em tal ou então que as coisas tristes bastam já na vida para que ainda as procuremos.
Superficiais e cobardes que nós somos!
Meditei nisso e breve me libertei dêsse temor de escravos. Não. Bem sei que estou à beira do abismo; apenas ignoro o tempo em que essa atitude se ha de dilatar.
E demais, atitude passageira; mas como o peor mal é a ociosidade do Espírito, procuro tirar da minha forçada posição todas as vantagens e deito-me a medir a altura dêsse abismo, procurando averiguar se, em verdade, a Morte é a profundidade da superfície que habito."
(Excerto de De como eu fui armado cavaleiro)
Índice:
- O fantasma do enforcado. - A morte da entrevada. - O pedreiro cantadôr. - De como eu fui armado cavaleiro. - O incendio no carro dos mortos. - O psicoscópio. - Senhôr Daquem e Dalem...
Jaime Zuzarte Cortesão (1884-1960). Médico, político, escritor e historiador português. “Formou-se em Medicina em 1909, depois de ter estudado em Coimbra, Porto e Lisboa. Foi professor no Porto de 1911 a 1915. Tendo sido eleito deputado em 1915, defendeu a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial onde participou como capitão-médico voluntário do Corpo Expedicionário Português, tendo publicado as memórias dessa experiência. Com Leonardo Coimbra e outros intelectuais, fundou em 1907 a revista Nova Silva. Em 1910, com Teixeira de Pascoaes, colaborou na fundação da revista A Águia, e em 1912 dá início à Renascença Portuguesa, que publicava o boletim A Vida Portuguesa. Em 1921, separando-se da Renascença Portuguesa, é um dos fundadores da revista Seara Nova. Em 1919 foi nomeado director da Biblioteca Nacional, cargo que exerceu até 1927. Devido a ter participado numa tentativa de derrube da ditadura militar foi demitido, exilou-se acabando por viver em França, donde saiu em 1940, devido à invasão daquele país pelo exército alemão. Foi para o Brasil, passando por Portugal, onde foi detido por um curto espaço de tempo. No Brasil residiu no Rio de Janeiro, tornando-se professor universitário, especializando-se na história dos descobrimentos portugueses e na formação do Brasil. Em 1952, organizou a Exposição Histórica de São Paulo, para comemorar o 4.º centenário da fundação da cidade. Regressou a Portugal em 1957.
Encadernação simples cartonada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

16 dezembro, 2016

CORTESÃO, Jaime - EGAS MONIZ : drama em IV actos representado pela primeira vez em Dezembro de 1918 no «S. Luiz», de Lisboa. Capa de António Cardoso. Porto, Edição da Renascença Portuguesa, 1918. In-8.º (16cm) de XV, [2], 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Estas lendas são a história idealisada pelo sonho colectivo; a imagem tosca da realidade, esculpida e afeiçoada pela nação, segundo as suas mais altas virtualidades.
Não é, pois, de estranhar, no que se refere a Egas Moniz, que a lenda exceda em beleza o que a história já averiguou. A sua formosura moral explende aí a toda a altura, em meio da  turpidade medieval. Maior que Guilherme Tell, o heroi nacional da Suiça, êle ergue-se sôbre todos os seus rudes contemporaneos, como a mais heroica e cavaleirosa figura no drama do nascimento de Portugal.
É o primeiro e mais venerando patriarca da bíblia portuguesa.
E, porque nele fulgem algumas das mais belas virtudes que foram apanágio da grei, das que mais fundo desenharam na tela do tempo o nosso perfil de povo livre, é que entendemos bem acender diante do seu esquecido e apagado retábulo esta pequena lâmpada votiva."
(excerto do prefácio)
Jaime Zuzarte Cortesão (1884-1960). Médico, político, escritor e historiador português. “Formou-se em Medicina em 1909, depois de ter estudado em Coimbra, Porto e Lisboa. Foi professor no Porto de 1911 a 1915. Tendo sido eleito deputado em 1915, defendeu a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial onde participou como capitão-médico voluntário do Corpo Expedicionário Português, tendo publicado as memórias dessa experiência. Com Leonardo Coimbra e outros intelectuais, fundou em 1907 a revista Nova Silva. Em 1910, com Teixeira de Pascoaes, colaborou na fundação da revista A Águia, e em 1912 dá início à Renascença Portuguesa, que publicava o boletim A Vida Portuguesa. Em 1921, separando-se da Renascença Portuguesa, é um dos fundadores da revista Seara Nova. Em 1919 foi nomeado director da Biblioteca Nacional, cargo que exerceu até 1927. Devido a ter participado numa tentativa de derrube da ditadura militar foi demitido, exilou-se acabando por viver em França, donde saiu em 1940, devido à invasão daquele país pelo exército alemão. Foi para o Brasil, passando por Portugal, onde foi detido por um curto espaço de tempo. No Brasil residiu no Rio de Janeiro, tornando-se professor universitário, especializando-se na história dos descobrimentos portugueses e na formação do Brasil. Em 1952, organizou a Exposição Histórica de São Paulo, para comemorar o 4.º centenário da fundação da cidade. Regressou a Portugal em 1957.”
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas e lombada oxidadas, com falhas e defeitos. Pequeno rasgão na contracapa.
Invulgar.
Indisponível

29 outubro, 2016

COIMBRA, Leonardo - JESUS. Porto, Edição de a «Renascença Portuguesa», 1923. In-12.º (12,5cm) de 88, [4] p. ; [1] f. il. ; E. Edições escolhidas, II
1.ª edição.
Curioso estudo filosófico sobre Jesus Cristo.
Ilustrado em extratexto com o «Cristo no horto», estampa que sobejamente falta nos raros exemplares que vão aparecendo no mercado.
"Uma noite imensa caíra sôbre as almas e começara a fazer cinza com o lume vivo dos astros do firmamento...
Frio e dúvida nas almas, degradação e morte na viva luz dos mundos originários...
No princípio era o Verbo criador e as entranhas dos mundos e dos sêres eram o próprio fogo dêsse Verbo: a alma era luz, os olhos eram luz e as próprias rochas eram ainda línguas de fogo vivo e criador.
O Universo era a torrente luminosa e candente do Verbo originário.
Os mundos não se emprestavam uns aos outros o calor duns momentos de vida; eram o desenvolvimento musical da palavra criadora.
Todos ao mesmo nível térmico, perdiam-se num Oceano de imaculada brancura; não havia mundos; era o Eden."
(excerto de A Criação e a Queda)
Cristo é a redenção: é, pois, o encerrar do vôo das almas no puro amôr de Deus, o termo da queda dos mundos físicos no aniquilamento duma espiritualização integral.
Aniquilamento da sua fragmentária realidade actual, sem que se perca o que nêles há de vida, antes aumentando essa vida, que é a unidade de sua diversidade, pela eliminação integral do que nêles era a marca do Morte.
Nos mundos actuais, o sêlo divino, o sinal da Unidade, que os contém, é essa mesma tendência única da queda até ao equilíbrio.
Aí desapareceriam os fenómenos físicos e as suas possíveis apreensões por uma sensibilidade como a do homem actual.
É a marca da Criação, porque é a prova de que os acidentes da Matéria se não bastam, antes, entregues a si,  de pronto se sumiriam no Nada; mas é também a marca da queda, ou melhor, da ressonância material da queda, pois que a unidade dos sistemas siderais com uma energia útil sem diminuição, teria sido a primeira obra de Deus.
Essa unidade dos mundos, a harmonia dos seus movimentos revelando a Mão que lhes riscou as órbitas, seria a sua vida sem morte; a unidade de suas órbitas, como linhas de maior declive, revela as órbitas desviadas do seu concêrto primitivo para a fatalidade duma queda em comum até ao aniquilamento de todo o movimento ou o encerrar dos tempos, que as almas não produzam por suas obras de amôr.
A espiritualização da matéria será o seu regresso a uma perfeita e pronta obediência às ordens do espírito."
(excerto de Cristo é a Beleza)
Índice:
- A Criação e a Queda. - A Saudade no Exílio. - A Vinda de Cristo. - Cristo é a Verdade. - Cristo é a Beleza. - Cristo é a Bondade.
José Leonardo Coimbra (1883-1936). “Dedicou a vida à filosofia e ao  ensino, tendo desenvolvido, em especial na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, por ele criada, uma notável acção pedagógica que, directamente ou através dos discípulos, marcou o ambiente cultural português. Bem cedo o seu pensamento atingiu uma enunciação definitiva e sistemática (O Criacionismo - esboço de um sistema filosófico, Porto, Renascença Portuguesa, 1912). As obras posteriores, ou desenvolveram certos tópicos desse sistema, ou o esclareceram na perspectiva existencial dos grandes temas antropológicos, designadamente o do Mal e o da Morte.”
(SOVERAL, Eduardo Abranches, Análise de «O Criacionismo» de Leonardo Coimbra (1883-1936))
Encadernação editorial, cartonada, revestida de tecido estampado com motivos abstractos. Rótulo com título e autor aposto na pasta frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas e lombada cansadas. Rótulo identificativo da obra parcialmente suprimido. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
35€