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16 março, 2026

CORREIA, Dr. Vergílio & GIRÃO, Dr. A. De Amorim & SOARES, Dr. Torquato de Souza – EXCURSÕES NO CENTRO DE PORTUGAL. [Paisagem - Arte - História]. Por... Professores da Faculdade de Letras. Instituto de Alta Cultura - Curso de Férias. Universidade de Coimbra : Faculdade de Letras. Coímbra, Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, 1939. In-8.º (19,5x12 cm) de 160, [2] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Bonito guia paisagístico e cultural da zona centro do país.
Invulgar e muito interessante.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 101 fotogravuras no texto e um mapa desdobrável da Região Centro do país.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
Indisponível

01 julho, 2025

MACEDO, Lino de -
A BANDEIRA.
(Estudo psychologico d'uma desequilibrada). Lisboa, Companhia Nacional Editora, 1897. In-8.º (19,5 cm) de 500 p. ; B.
1.ª edição.
Romance baseado numa história verídica, cuja acção decorre entre Lisboa e a Figueira da Foz. Escrito a partir de um manuscrito entregue ao autor por uma freira francesa, que num hospital do Rio de Janeiro cuidara de um português moribundo, proprietário do documento e participante directo na história, "fallecido havia poucos dias de febre amarella, no mesmo hospital" em que Lino de Macedo se encontrava internado.
Obra rara e muitíssimo interessante. Trata-se de um romance de análise psicológica com cariz realista. O subtítulo impresso na capa - Romance d'uma desequilibrada - difere da f. rosto - Estudo psychologico d'uma desequilibrada.
"Sahi do hospital e, no doce remanso do hotel de Paineiras, á beira estrada do Corcovado, onde fui convalescer, principiei a leitura, receiando ir deparar com banalidades sem proveito. Não succedeu assim: - o manuscripto revelava uma d'estas tragedias que se desenrolam em silencio, ao abrigo de todas as leis sociaes, sem merecer attenção á reportagem dos papeis diarios, nem á justiça dos nossos tempos de humanidade.
Dando-me a conversar o manuscripto, tal interesse me despertou a sua leitura que, regressando a Portugal curei de alcançar noticias e promenores que elle não atingia, mas que deixava antever. Em Lisboa e em outra viagem que fiz ao Rio de Janeiro colhi os materiaes necessarios não para architectar um romance cimentado de phantasia, mas para fazer uma narrativa, repugnante por descrever o vicio, mas interessante por ser verdadeira e repassada por lagrimas. [...]
Quem procurar paginas amenas, onde deseje vêr prepassar prados em flôr e amôres castos e serênos, quede-se por aqui porque não encontra o que deseja.
Se os viciosos farejam n'estas paginas sensações que lhes alimentem os seus instinctos degenerados, pódem tambem fechar o livro e escolher outra leitura. Aqui só se descreve o vicio para se pôr em relêvo a repugnancia que elle meréce a todos os cerebros equilibrados."
(Excerto  do Preambulo 
"Sete da noite; fim do mez d'agosto; praia da Figueira: - são os traços mais fortes do desenho.
Esbocemos:
- Não era assim - dizia Luiz de Mello, cofinado demoradamente o bigode. O Magalhães jogava regularmente as carambolas; tinha jogo variado, grande certeza em bolas de tabella; mas estava muito longe, muito, do Mayer, um francez que elle vira o inverno passado no Montanha, em Lisboa.
João Capella defendia o Magalhães, brazileiro adoptivo como elle, mas mais velho. Magalhães era um dos melhores tacos que elle conhecera aqui e no Rio, onde frequentara os principaes cafés e vira tudo quanto de bom a grande cidade tinha. [...]
Mello continuava combatendo contra os meritos do Magalhães. Tinha um jogo feroz, dizia, sempre a defender-se, atirando só pela certa, receiando ter de pagar a partida...
E questionando iam os dois descendo a rampa que deriva da rua da Concordia para a do conselheiro Silva.
Ao longo da praia, por entre a copa do arvoredo que se estendia a perder de vista, como uma fita negra posta sobre o escuro transparente do ceu sem lua, reinava silencio. [...]
Os dois pararam, discutindo opiniões sobre carambolas, fallando de jogadores e de bilhares, questionando, de rosto chegado e bengala em punho.
Na sobra, caminhando para elles, principiou a destacar-se um pequeno ponto negro, que pouco a pouco foi tomando corpo, avolumando-se e se revelou uma mulher. Era uma rapariga que apresentava os seus vinte e seis annos, baixa, rosto largo, olhos pretos e fulgurantes, cabello alourado e tez clara, - um d'estes typos de mulher em que o norte de Portugal é fertil. Por sobre um vestido de chita, esbranquiçado, levava um chaile castanho, de barra azul e branca, dobrado em bico. Na cabeça um lenço de seda azul com flores brancas. Caminhava apressada, occultando parte do rosto no chaile, que segurava com as duas mãos.
Luiz de Mello e João Capella estavam parados, discutindo na borda do passeio, quando a rapariga passou por elles.
- Adeus, como está? - interrogou Capella, pondo na voz ternuras de namorado.
- Adeus, sr. Capella, contestou a rapariga, a Mariquinhas da Bandeira, como vulgarmente lhe chamavam na Figueira."
(Excerto do Cap. I)
Lino de Macedo (1858-1919?). "Nasceu em Coimbra, em 1858, mas residiu quase toda a sua vida em Vila Franca de Xira, onde exerceu o seu trabalho de escritor, jornalista e político. Fundador e redactor principal do jornal “O Campino”, serviu-se dos jornais, livros, folhetins e outras publicações para expandir o ideal republicano em Vila Franca de Xira e Alhandra. “Em 1887 Lino de Macedo apresenta o Programa Republicano – Carta ao Sr. Dr. Teófilo Braga, acto que foi uma ousadia para a época. Era um programa pautado por ideais republicanos de esquerda, defendendo a justiça gratuita e a cultura para todos, o anti-militarismo, a abolição da carga fiscal, a autonomia municipal e a defesa dos direitos dos trabalhadores”."
(Fonte: https://omirante.pt/semanario/2010-11-04/cultura-e-lazer/2010-11-03-o-primeiro-centro-republicano-fundado-em-alhandra-nao-conseguiu-mais-que-16-socios)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel. Assinatura possessória na f. rosto.
Raro.
75€

17 agosto, 2024

CABRAL, Cezar Amadeu da Costa -
A ACÇÃO REPUBLICANA MILITAR NA PROVINCIA (Região central do paiz).
[Por]... Tenente d'Infanteria. Apontamentos para a Historia da Republica Portugueza. [Prefácio de Álvaro de Castro]. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1911. In-8.º (19 cm) de 66, [2] p. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Relatório sobre o movimento conspirativo militar que desencadeou a revolução republicana no centro do país, com epicentro em Coimbra. Trata-se de um raro e importante subsídio para a história da implantação da República em Portugal.
Prefácio de Álvaro de Castro, "jovem turco" da República.
Ilustrado em separado com folha desdobrável do autógrafo cifrado de J. A. Pereira de Vasconcelos "relativo á detenção dos militares manifestamente adverso à Republica no movimento revolucionario de 28 de janeiro". É muito interessante esta cifra, onde "os numeros que estám a seguir aos «sinais» indicam os individuos encarregados das respetivas detenções e outros trabalhos ali marcados", seguindo-se a exposição alfanumérica dos estudantes insurgentes, bem como outros revolucionários "estranhos á academia" - artistas, comerciantes, caixeiros e empregados públicos.
Inclui correspondência entre Costa Cabral e alguns dos insignes revolucionários republicanos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa - curiosa - do autor ao conhecido professor e arqueólogo viseense Dr. José Coelho (1877-1977).
"O teu livro ficará sendo um precioso documento para a futura historia do movimento revolucionario.
E aqui tens o que necessitava dizer-te com toda a franqueza de amigo. [...]
Se procuras simplesmente o camarada que comtigo teve as mesmas decepções, as mesmas dores e eguaes esperanças isso é outra cousa, mas então este prefacio não é mais do que uma pagina de recordações.
O escrevel-a seria roubar-te uma parte dum futuro livro, onde descreverás os meios principaes da perseguição monarchica, a atmosphera politica de Coimbra antes da morte do rei Carlos e ainda as figuras comicas que constituiam os elementos de defeza do throno."
(Excerto do Prefacio)
Ao começar a escrever estas linhas, varias difficuldades se nos deparam.
Que nome deveremos pôr ao conjuncto destes apontamentos?
Relatorio! - não será fatuoso este nome, quando nelle se não descreve nenhum feito ostensivo, quando não tomámos parte, nem assistimos a nenhum dos combates, que tiveram por fim proclamar a Republica no paiz?
A Republica na Provincia! - Não será alargar demais a esphera d'acção que praticamente desconhecemos?
Não será abusar um pouco d'um vão personalismo, quando são exclusivamente collectivos os esforços empregados num mesmo trabalho?
A acção republicana militar na provincia (Região central do paiz).
Parece-me ser este o nome mais adequado, porquanto, se vão demonstrar os esforços praticados por um punhado de militares republicanos, e embora o seu campo de acção seja principalmente em Coimbra, elles irradiaram, como conhecemos, por outros pontos, taes como Figueitra da Foz, Thomar, Aveiro, e, portanto, podemos dizer região central do paiz. [...]
Com estes apontamentos, podemos ainda dar elementos a quem quizer fazer a historia completa do movimento republicano em Portugal. [...]
Estes apontamentos, que tenho a certeza, serão acolhidos com interesse no meio republicano, sê-lo-hão tambem no exercito, quer entre os camaradas que, tendo sido sempre liberaes (e essa era a maioria do exercito), só por uma noção mal comprehendida não collaboraram com os republicanos, mas que depois contribuiram para a completa consolidação da Republica, e pelos nossos camaradas revolucionarios de Lisboa e Porto."
(Excerto do Cap. I)
César Amadeu da Costa Cabral. Pouco se sabe acerca do autor deste relatório. A BNP dá notícia de, para além da presente obra, uma outra - Aleluia Portuguêsa! Alocução proferida... em homenagem aos Herois Desconhecidos da Grande Guerra (1921) e o jornal publicado em Aveiro A Portugueza : jornal republicano independente (1912-1913), de que foi director.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Ex-libris do Dr. José Coelho na f. ante-rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

13 agosto, 2024

THOMAZ, Pedro Fernandes - CANÇÕES POPULARES DA BEIRA. Acompanhadas de 52 melodias recolhidas directamente da tradição oral, e arranjadas para piano. Com uma introducção por J. Leite de Vasconcellos. Figueira, Imprensa Lusitana, 1896. In-8.º (20,5x13,5 cm) de XXXIII, [3], 221, [7] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original deste importante repositório de canções da "pitoresca" província da Beira.
Obra de referência, publicada na Figueira da Foz, com interesse regional, histórico e etnográfico.
Ilustrada com inúmeras partituras no texto.
"Iniciamos com a publicação do presente volume o archivo da poesia e da musica do nosso povo, que de ha muito vimos recolhendo em differentes pontos do paiz. [...]
Começamos, na vasta colheita regional que temos feito, pela publicação das canções populares da pittoresca provincia da Beira, uma das mais originaes e caracteristicas do paiz, e onde se conservam ainda vivas e persistentes na memoria do povo innumeras lendas, canções e outros contos tradiccionaes, offerecendo ao explorador dedicado largo campo de investigação na litteratura e arte popular.
A facilidade de communicações que actualmente põe em contacto directo a população das aldeias com as cidades, a emigração crescente para os centros populosos, tem influido d'uma maneira desastrosa nas canções do nosso povo, que vae abandonando as formosas e singelas cantigas tradiccionaes, e as suas caracteristicas danças tão variadas e originaes, trocando-as pelas pretenciosas danças de sala, ou pelos «motivos» mais ou menos deturpados da «operetta» em voga, pelo «fado», transportado pelas vielas escuras das cidades para os campos e para as aldeias, com a substituição da antiga «viola d'arame» pela moderna guitarra...
Urge pois archivar o que ainda resta de verdadeiramente original nas ingenuas canções do nosso povo, e são esses os intuitos d'este livro."
(Excerto do preâmbulo)
Pedro Fernandes Tomás (1853-1927). "Era sobrinho-neto do jurisconsulto e político liberal Fernandes Tomás, tendo-se notabilizado por mérito próprio. Filho de João Pedro Fernandes Tomás e de Maria José Baptista Fernandes Tomás, nasceu no município português da Figueira da Foz a 30 de abril de 1852. Viria a falecer na sua terra natal, vítima de doença, a 4 de agosto de 1927. Passou pelo liceu e pelo seminário de Coimbra, não tendo seguido estudos superiores. Além de Coimbra, residiu alguns anos na Lousã. A partir de 1875 habitou e trabalhou regularmente na Figueira da Foz.
Foi professor do ensino particular, professor e diretor da Escola Industrial Bernardino Machado, da Figueira da Foz, jornalista, recoletor musical, estudioso e temas de arqueologia, epigrafia, história e etnografia. Foi sócio do Instituto de Coimbra e um dos fundadores da Sociedade Arqueológica da Figueira da Foz, a que também pertenceu o Dr. António dos Santos Rocha.
Como autor deixou vasta obra dispersa em páginas de jornais e escreveu monografias e memórias, algumas das quais ainda hoje trabalhos de referência que podem ser consultados através do catálogo da Biblioteca Pública Municipal da Figueira da Foz (BPMPFT). Teve ligações ao ideário republicano e maçon. Foi ainda conservador da Biblioteca Pública Municipal da Figueira da Foz, de que é patrono.
Interessado pela música popular, iniciou na década de 1890 a publicação de recolhas realizadas em diversas localidades de Portugal e de repertório que lhe foi sendo enviado por amigos e colaboradores. PFT procurou notar as melodias como eram interpretadas pelas comunidades de prática, sem recorrer à moda burguesa das harmonizações para piano. Deixou vasta obra no âmbito da música popular e foi um dos poucos musicólogos que não hesitou em incluir a Beira Litoral e Coimbra no mapa musical de Portugal. Pena é que nas suas viagens de campo não se tenha feito acompanhar de fonógrafos e gramofones de suporte ao registo sonoro."
(Fonte: https://guitarradecoimbra4.blogspot.com/2016/03/pedro-fernandes-tomas.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam desgaste, sobretudo nos cantos. Escrito coevo em verso na f. guarda. Com assinatura de posse - Pe. Antonio Vaz Barreiros - na f. rosto, e decalques a cores espalhados pelo livro, incluindo na folha antes referida.
Raro.
50€

02 novembro, 2023

NOGUEIRA, R. de Sá -
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM DAS SALINAS.
Por... (Separata de "A Língua Portuguesa", Vol IV). Lisboa, [s.n.], 1935. In-4.º (23,5 cm) de 70, [2] p. (75-144 pp.) : [8] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio filológico e etnográfico sobre a "linguagem" dos salineiros. Trata-se do glossário de termos, parte de um plano mais vasto que o autor nunca viria a concretizar.
Livro ilustrado em 4 páginas com:
- Mapa de Portugal, em página inteira, com a indicação por meio de setas, das regiões onde há salinas.
- Plantas de localidades salineiras distribuídas por 3 páginas:
• Aveiro, Figueira da Foz e Buarcos;
• [Vila Franca de Xira] - marinhas localizadas a norte e sul de Ponta d'Erva, Póvoa de Santa Iria e Unhos;
• Setúbal, Álcacer do Sal e Montalvo.
Ilustrado ainda no final, em separado, com 12 fotogravuras de momentos da faina espalhadas por 8 páginas.
"«O Dicionário da Língua», completo e seguro, é das obras mais urgentes e meritórias que podem ocupar o espírito dos nossos investigadores da matéria filológica. Êsse dicionário, porém, completo e seguro, é inexqüível, enquanto não forem publicados trabalhos parciais, que sirvam de base ao lexicógrafo. [...]
É necessário, pois, que trabalhos subsidiários apareçam. Dêstes, os mais preciosos e urgentes são glossários parciais, como o do presente estudo, sobretudo se forem feitos com escrúpulo e minuciosidade.
Calcule-se o que será a tarefa do lexicógrafo no dia em que houver um glossário perfeito da linguagem das salinas, outro da linguagem da pesca, outro a das cortiças, outro da dos lacticínios, etc., etc.
Quanto não vale mais publicar um trabalho dêsses, completo e substancioso, do que artigos dispersos e superficiais sôbre muitos e variados assuntos.
Foi com esta convicção que me levou a empreender o estudo da linguagem das salinas."
(Excerto da Introdução)
Rodrigo de Sá Nogueira (1892-1979). "Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi 1.º oficial da Academia das Ciências de Lisboa. Doutor de Capelo e Borla pela Universidade de Coimbra, foi autor de várias publicações sobre filologia: Contribuição para o estudo das onomatopeias (1948), Elementos para um tratado de fonética portuguesa (1989), Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1995), Guia Alfabética de Pontuação: acompanhada com os termos gramaticais conexos com a pontuação (1989), Estudos sobre as onomatopeias (1950), Dicionário Ronga-Português (1960), entre outras obras."
(Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/autores/rodrigo-de-sa-nogueira/169/pagina/1 [consultado em 18-08-2023])
Exemplar brochado em bom estado de geral conservação. Ligeiramente oxidado.
Raro.
45€

12 abril, 2021

RELATORIOS SÔBRE PESCA MARITIMA NAS CAPITANIAS DE CAMINHA, VIANNA DO CASTELLO, FIGUEIRA DA FOZ E POVOA DE VARZIM -
Ministerio da Marinha e Ultramar : Direcção Geral da Marinha - 1.ª Repartição. Pescarias
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1890. In-4.º (23 cm) de 58 p. ; B.
1.ª edição.
Relatórios pioneiros, redigidos no final do século XIX, sobre o estado das pescas em quatro pontos do litoral nortenho servidos por portos. Informação relevante, conseguida a custo pelos responsáveis das capitanias, dada a fraca colaboração dos pescadores, sendo evidente, também, a impreparação de alguns dos capitães dos portos. Raro e muitíssimo interessante.
Livro ilustrado ao longo do texto com quadros estatísticos.
"De difficil tarefa fui encarregado, pois, em virtude dos poucos conhecimentos que eu tinha sobre o assumpto de que vou tratar, e sem a nenhuma ajuda dos pescadores, vi-me obrigado a procurar em tratados especiaes, principalmente inglezes, esses conhecimentos que me faltavam, e visitando este rio, estudando-o e comparando-o com os seus congeneres de Inglaterra, habilitar-me por este meio a responder o melhor que me for possivel aos quesitos apresentados por v. ex.ª.
A impressão dolorosa que senti ao ver as conclusões que era obrigado a tirar, quer pela simples inspecção dos documentos que das differentes alfandegas recebi, quer das informações, embora muito deficientes, que dos velhos pescadores me deram, póde v. ex.ª avalial-a ao findar a leitura d'este modestissio relatorio, para o qual peço toda a benevolencia de v. ex.ª.
Este rio, outr'ora tão povoado pelas tres especies ichthyologicas, salmão, savel e lampreia, seguramente das mais ricas que frequentam os nossos rios acha-se hoje quasi abandonado por ellas, e tudo leva a crer completamente falto d'ellas n'um praso bastante curto."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto de Caminha, José da Cunha Lima)
"A industria da pesca na area da capitania do porto de Vianna do Castello, que tem por limites; ao norte, o extremo norte do litoral do concelho de Vianna do Castello; ao sul, o extremo sul do litoral do concelho de Espozende, exerce-se no mar até á distancia de 12 milhas de terra, e nos rios Lima, Cavado e Neiva; a pesca, porém, n'este ultimo rio é de muito pequena importancia."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto de Viana, Eduardo Augusto de Andrade e Sousa)
"Com referencia ao assumpto de que tratam os officios circulares n.º 561 de 20 de agosto e n.º 569 de 24 do mesmo mez, acompanhando esta copia do officio-circular n.º 204 de 29 de março, passo a relatar tudo quanto pôde colligir relativamente á vida do peixe no districto maritimo da Figueira da Foz, e tudo quanto tenha relação immediata com relação ao assumpto em questão."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto da Figueira, Jayme Pereira de Sampaio Forjaz de Serpa Pimentel)
"Em cumprimento de ordens superiores, sou obrigado a fazer um relatorio sobre a arte da pesca na area d'esta delegação maritima da Povoa de Varzim; os escassos meios scientificos de que disponho, a variedade de artes de pesca que aqui existem, e as difficuldades que ha em obter esclarecimentos dos pescadores, que estão sempre de opinião antecipada para responderem a qualquer pergunta que se lhe faça para ajuizarem que, respondendo, estão a lavrar a sua sentença condemnatoria para lhes serem lançados novos tributos faz com que eu não possa fazer um serviço que preencha as formulas a que deve estar sujeito um relatorio, no emtanto direi o que tenho estudado sobre tal assumpto."
(Excerto do Relatório do Delegado Marítimo do porto da Póvoa, Accacio Soares Loureiro)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Miolo correcto.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
50€

17 dezembro, 2020

EXTRACTOS DAS ANALYSES SCIENTIFICAS E PRATICAS DO CARVÃO DE PEDRA DAS MINAS DO CABO MONDEGO SITUADAS NA FREGUEZIA DE BUARCOS, CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ, DISTRICTO DE COIMBRA.
E de varios relatorios officiaes de engenheiros nacionaes e estrangeiros sobre a extensão e importancia d'aquelles jazigos, cujos extractos acompanharam o relatorio que foi presente á assembléa geral ordinaria da Companhia Mineira e Industrial do Cabo Mondego em sessão de 31 de agosto de 1880
. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1880. In-8.º (21,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das Minas do Cabo Mondego.
"A mina de carvão Cabo Mondego é a mais antiga exploração desta natureza em território português, fazendo recuar a tradição da lavra carbonífera organizada ao início da segunda metade do século XVIII. O seu histórico de exploração encontra-se amplamente documentado, assim como o seu papel no desenvolvimento industrial do país, desde o dealbar da Revolução Industrial. Não obstante as numerosas dificuldades técnicas e económicas pelas quais passaram os seus concessionários, aliadas a custos de extração elevados e da má qualidade do carvão, que dificilmente podia competir com as hulhas importadas do Reino Unido, a mina laborou quase ininterruptamente até à década de sessenta do século passado, altura em que um incêndio ditou o seu encerramento definitivo."
(Fonte: https://www.researchgate.net/publication/286252959_A_mina_de_carvao_do_Cabo_Mondego_200_anos_de_exploracao)
"Temos julgado desnecessario, até hoje, a publicação de documentos importantes que possuimos sobre a qualidade de carvão das nossas minas do Cabo Mondego, bem como a riquesa dos seus jazigos.
Os elevados fretes do porto da Figueira para Lisboa e Porto impediam-nos de poder concorrer com o carvão inglez, que n'estes ultimos annos se tem vendido, nos nossos principaes mercados, por baixo preço.
Os consumidores da localidade e proximidades conheciam, de sobra, as boas qualidades industriaes d'este combustivel e os que as ignoravam tinham para attestar o seu emprego constante nas forjas, fornos de fabricação de vidraça e garrafas, maquinas a vapor, fornos de tijolo, telha e cal, das fabricas que possuimos junto d'aquellas minas.
Como porém, dentro d'alguns mezes, ficaremos ligados á principal rede dos caminhos de ferro do paiz, devemos desenterrar dos nossos archivos esses preciosos documentos, não só para fazer luz sobre uma parte importante da historia mineralogica e industrial d'esta importante região, mas tambem para desvanecer qualquer suspeita, de algum espirito sceptico ou pouco patriotico, que só julga bom o que é de proveniencia estrangeira."
(Excerto do Relatório)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

22 maio, 2020

ALMEIDA, Fausto de - O CONDE DE FERREIRA. (Exaltação da sua Filantropia e esboço da alta valia desta). Palestra proferida em sessão comemorativa da Morte do Grande Benemérito e efectuada a 27 de Março de 1966, na cidade da Figueira da Foz. [S.l.], [s.n.], [1966]. In-8.º (19 cm) de 27, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Com um retrato do autor em página inteira, pelo pintor José Contente.
Homenagem a Joaquim Ferreira dos Santos, 1.º Conde de Ferreira (1782-1866), conhecido empresário comercial e filantropo português.
Opúsculo valorizado pela dedicatória autógrafa de Fausto Almeida.
"De seu nome completo Joaquim Ferreira dos Santos, nasceu este preclaro cidadão e grande benemérito, a 4 de Outubro de 1782, em Vila Meã, arredores do Porto e nessa cidade faleceu a 24 de Março de 1866, contanto, portanto, 83 anos de idade.
De origem modesta, seus pais, pequenos proprietários agrícolas, destinavam-no à carreira eclesiástica. Para isso ainda chegou a estudar latim, lógica e retórica. Outras eram no entanto as suas tendências. E, pretendendo enveredar pela via comercial, consentiram os seus progenitores que emigrasse para o Brasil, no rio Douro embarcando para tal efeito na barca «Nova Aurora». Esta naufragaria, porém, ao sair da barra, por encalhe nos perigosos rochedos que a rodeiam. Foi grande o risco. Perdeu-se totalmente o carregamento, mas salvaram-se todas as vidas. E Joaquim Ferreira dos Santos, persistindo no seu intento, não tardou a seguir para Lisboa, onde obteve passagem para o Rio de Janeiro."
(Excerto da Palestra)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
10€

20 abril, 2020

CAJÃO, Luís - A ESTUFA : romance. Lisboa, Sociedade de Expansão Cultural, 1964. In-8.º (19 cm) de 299, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance neo-realista cuja acção decorre na ilha do Príncipe, no arquipélago de S. Tomé. Inclui no final do livro um glossário dos termos indígenas. Obra "maldita" pelo Estado Novo, foi proibida de circular em S. Tomé e Príncipe, sendo que tal não terá sido possível no continente dada a rapidez com que esgotou.
"Para ele Filipe, a família iniciava-se com o avô Bernardo. Esse avô de barba um tanto híspida, olhinhos míopes e irónicos, mento perfeito, no qual pressentia o homem capaz de, sózinho, enfrentar legiões, mitos e procelas.
Infortunadamente já mal o recordava: de uma queda em que galgando até ao fundo a escada o velho se quedara leso, murchamente a pender para um lado (se o esquerdo, se o direito, não lhe seria fácil precisá-lo); e das já raras vezes em que num Minerva ia a Sintra colher (soubera-o mais tarde) as ternuras parisienses de «mademoiselle» Juliette.
Sim, com que dramática rapidez se desvanecia o avô desse período! Pouco mais, afinal, que um fantasma!
No empenho de reconstituir o velho, dera-se Filipe, inequívoco, a um longo escavar sentimental, sujeito, já se vê, a muito de poético e de subtil desdobramento. Seria até inevitável. Sobretudo na medida em que ambicionava poder um dia repeti-lo.
Verberando os tempos de hoje - «tempos de loucura e de impiedade!» -, asseverava a tia Olímpia que homens como ele, bravos, inflexíveis, quase heróicos, muito poucos ou já nenhum haveria."
(Excerto do Cap. I)
José Luís Cajão (1920-2008). Natural da Figueira da Foz. Escritor português cuja obra se insere na corrente do neo-realismo. "Contista, romancista, ensaísta e musicólogo. Diplomado pela Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra foi, durante cerca de dois anos, administrador de uma roça na Ilha do Príncipe, São Tomé (1958), altura em que escreveu o romance A Estufa e Panorâmica de São Tomé e Príncipe. A propósito de A Estufa, Luís Cajão seria por Agostinho Veloso, na Brotéria, situado «entre os melhores mestres da novelística contemporânea», ao passo que As Escarpas do Medo ganharia especial popularidade ao ser adaptado por Jorge Brum do Canto a episódios televisivos. João Gaspar Simões (cf. Crítica IV) escreve a respeito de Luís Cajão: «Devem-se-lhe algumas páginas de ficção muito dignas de figurar entre as melhores que se escreveram no nosso tempo.»"
(in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998)
Exemplar brochado em bom estado deconservação.
Invulgar.
15€

15 agosto, 2018

CALADO, Rafael Salinas - MEMÓRIAS DUM FERRO-VELHO. [Por]... Director Honorário do Museu e Biblioteca Municipais de Torres Vedras. Lisboa, Portugália Editora, [1947]. In-8.º (22,5cm) de 207, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de interessantes crónicas versando os mais diversos assuntos, vivenciadas ou do conhecimento do autor.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa de Salinas Calado.
"A reincidência na elaboração de novas memórias, nasce em mim dum defeito congénito: a tendência para juntar velharias ou arquivar na memória factos passados do meu conhecimento, ou a que assisti no ultrapassado meio século da minha vida.
Assim, tenho trazido, aglomeradas e até talvez mal arrumadas na memória, recordações de acontecimentos, algumas de interesse, ainda que pequeno, que, juntas a impressões colhidas em viagens no nosso país, me animaram a encetar este esvaziar de reminiscências. [...]
E assim porque neste livro se entrelaçam recordações emotivas com assuntos de tempos passados, no revolver de uma memória que não foi má, eu entendi que poderia baptizá-la com o nome com que o apadrinho de «Memórias dum Ferro-Velho»."
(Excerto do preâmbulo, Breves Palavras)
Índice:
Breves Palavras. - História dum livro de arte. - Um móvel histórico no Museu Municipal de Torres Vedras. - A cadeirinha dourada do Paço do Cardido. - Lenda sobre a Arrábida. - O Manuel Pedro. - Uma grande dama portuguesa. - Autógrafos. - O coração do antiquário. - Aquilino Ribeiro e o arroz de caril. - Maria das Dores Pintora. - Comezainas nacionais, discursatas e menús. - O protes dental. - Um passeio maravilhoso à Senhora do Socorro. - A visita do «Richelieu» e a galantaria dum oficial da armada francesa. - Um mês de férias em Santa Comba Dão. - Quem pintou os quadros de Santa Maria do Castelo de Torres Vedras? - João Neves da Fontoura. - Tipos castiços de torrenses. - Dois velhos de espírito moço. - Um grande português. - A revolução do 19 de Outubro e a vila de Torres Vedras. - Atentados políticos: Regicídio e magnicídios. - O meu primeiro despacho. - A exposição de Henrique Pousão em Lisboa. - Um autógrafo em verso de Júlio Mardel de Arriaga. - O Album dos visitantes da Quinta de Mira-Mar na Figueira da Foz. - Vencer na vida. - Casa paterna.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Lombada apresenta falha de papel na extremidade superior.
Invulgar e muito curioso.
20€

24 abril, 2017

MORAIS, Carlos de - BUARCOS. Figueira da Foz, Escola Gráfica, Abril de 1944. In-8.º (21cm) de [12] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de poesias sobre Buarcos, homenagem do autor a esta bonita vila piscatória do concelho da Figueira da Foz.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Carlos de Morais ao poeta Silva Tavares.
"Buarcos é uma terra encantadora que se olha sempre com deleite de alma. / Batida pela luz puríssima das alvoradas,lembra uma filigrana urdida por lavrante de amorosos geitos; aureolada pelos reflexos doirados dos poentes recorda um esmalte precioso, emoldurado por nuances de Arco-Irís onde o azul cobalto do mar predomina, realçando-lhe as belezas naturais."
(excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom esdtado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível