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08 junho, 2023

GUIMARÃES, Julio -
O "AMOR DE PERDIÇÃO", EM VERSO
. Lisboa, Livraria Barateira, [192-]. In-8.º (19 cm) de 64 p. ; E.
1.ª edição.
Capa de Alberto de Sousa (1880-1961).
Importante peça camiliana com indubitável interesse histórico e bibliográfico, publicada, julgamos, na década de 20 do século passado. Trata-se da versão em verso do Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, por Júlio de Guimarães - o "poeta fadista".
Obra dividida em três partes, todas em verso: Introdução; A fisionomia dos principais personagens do Amor de Perdição, onde o autor traça o retrato psicológico das personagens; Amor de Perdição.
Em nota do antigo proprietário, numa folhinha batida à máquina, é-nos transmitido que a edição "deste curioso folheto em verso, feito pelo livreiro Julio de Guimarães (o poeta fadista) foi totalmente apreendida e destruída, tendo escapado uma meia duzia de exemplares", dando ainda conta do seguinte: "O nosso ostenta a capa de brochura ilustrada pelo mestre aguarelista Alberto de Sousa o que o torna mais valioso e raro." Só não explica porque foi dizimada esta edição, algo que também não conseguimos deslindar. No entanto, atestando a veracidade destas informações, as referências ao livro são praticamente inexistentes, tanto quanto foi possível apurar, com excepção de um artigo de Maria Aparecida Ribeiro, da Universidade de Coimbra, intitulado Amor de Perdição, de novela portuguesa a cordel brasileiro. A BNP dá notícia de um exemplar.

"O «Amor de Perdição»,
Que as desventuras revela
Dum amor intranquilo,
Foi escrito na prisão,
Na penumbra duma cela,
Pelo seu autor: - Camilo.

Por ventura existe alguem
Que não tenha lido ainda
Este episódio de amor;
Jóia a onde se retém
A fulguração infinda
Do primoroso escritor?!...

Não ha ninguem, certamente,
Que não tivesse chorado
Nas paginas dêste drama;
Fatal código, fremente,
De todo o ser desgraçado
Que na vida sofre e ama!"

(Excerto da Introdução)

"Domingos José Botelho,
Da alta nobreza o espelho,
Juiz de fóra em Cascaes,
Sentindo do amor a chama,
Contraiu com linda dama
Laços matrimoniais.

Dona Rita Preciosa
Era o nome da formosa
Esposa do nobe juiz;
Que a-pesar d'amor lhe ter
Nunca a conseguiu fazer
Inteiramente feliz.

[...]

Tendo apenas quinze anos,
Libertos de desenganos,
- Quadra em que a vida é vergel, -
Simão estudava em Coimbra :
- Cidade que encantos timbra! -
Com seu irmão Manuel.

Co´a enfusiante alegria
Da sua alma bravia.
Por esboçar desacatos;
Simão Botelho era tido
Por valente, destemido,
Entre os colegas pacatos

Com sua grande bravura
Honrava a nobre figura
Do seu bisavô paterno;
Porém, fremindo no peito
Tinha um coração perfeito,
Bondoso, simples e terno."

(Excerto do Cap. I - (1779 a 1802)

Encadernação em meia de percalina com cantos e ferros gravados a ouro na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível

21 fevereiro, 2016

DANTAS, Júlio - PÁTRIA PORTUGUESA. Ilustrações de Alberto Sousa. Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1914. In-4.º (23 cm) de 294, [2] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
Com um retrato do autor em extra-texto.
1.ª edição.
Belíssima edição impressa em papel encorpado e superiormente ilustrada pelos desenhos de Mestre Alberto de Sousa.
Conjunto de contos sobre personalidades e episódios da História de Portugal.
"Numa casa quadrada da alcáçova de Coimbra, junto de um lar montado sôbre cachorros de pedra, onde estalavam toros de castanho a arder, três figuras bárbaras de homem, debruçadas sôbre uma arca enorme coberta de guadamecins vermelhos, jogavam em silêncio, comendo pedaços de nata com as mãos e marcando os trebelhos doirados sôbre uma velha távola de xadrez. Um dêles, moço, ruivo, gigantesco, os cotovelos na arca, os dedos metidos pela barba revôlta, a expressão dura e selvagem, embrulhava-se num perponte de pano verde de Ruão e tinha os pés calçados em fortes balegões de ferro: era o conde Afonso Enriques, que os seus homens de armas já tratavam de rei."
(excerto de Dom Cardeal)
Contos: 
- Dom Cardeal. - O senhor do Paúl de Boquilobo. - Rei-Saudade. - O Prior do Hospital. - A carta de Roma. - Os doutores de Portugal. - O Tambor. - Cruz de sangue. - Frei António das Chagas. - A barba d'el-rei. - O Joanico. - Galaaz. - Mousinho. - O duelo. - Santa Isabel. - As violas de Alcácer-Kibir. - A sentinela. - A embaixada. - O chanceler Julião. - Epílogo. 
Júlio Dantas (1876-1962). "Nasceu em Lagos, a 19 de Maio de 1876.
Ingressou, em 1886, no Colégio Militar, onde se manteve até 1892.Foi admitido na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa onde, em 1900, se licenciou em Medicina. Médico militar, entre 1902-1903, desenvolveu posteriormente larga actividade como escritor e professor de arte dramática no Conservatório (1909-1930). Foi comissário do Governo junto do teatro D.Maria II entre 1906 e 1912, director da secção de arte dramática do Conservatório (1909-1912), inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, de 1912 a 1916, presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais (1925-1926), professor e inspector do Conservatório Nacional (1930-1935). Autor multifacetado – teatro, poesia, conto, romance, tradução e ensaio – viu, na época, alguns dos seus textos alcançarem grande êxito, mais tarde adaptados a óperas, operetas e cinema. O drama e o romance histórico, tendo como findo o século XVIII, grangearam alguma projecção, mas também a crítica acerada de autores modernos de que é paradigma Almada Negreiros através do conhecido Manifesto Anti-Dantas. Passou pelos partidos Reconstituinte, Progressista e Nacionalista. Convidado por Bernardino Machado, em 1914, para ministro dos Negócios Estrangeiros, só entraria para o executivo quando ocupou a pasta da Instrução entre 21 de Outubro e 20 de Novembro de 1920, experiência logo repetida entre 20 e 30 de Novembro do mesmo ano. Regressou ao Governo por mais duas vezes, agora à frente dos Negócios Estrangeiros: de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Efectuou diferentes missões ao Brasil e foi membro da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações entre 1933 e 1943. Sob o Estado Novo foi procurador à Câmara Corporativa (1935-1959). Faleceu em Lisboa a 25 de Maio de 1962."
(fonte: http://193.137.22.223/pt/patrimonio-educativo/museu-virtual/galeria-de-ministros/ministerio-da-instrucao-publica/1913-1920/)
Excelente encadernação inteira de carneira mosqueada com ferros a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado, com vestígios de assinatura de posse safada na capa e na f. anterrosto.
Invulgar.
35€

02 fevereiro, 2016

SOUZA, Alberto - ALFACINHAS : os lisboetas do passado e do presente. Plano e ilustrações de... Este livro é uma ideia de Alberto Souza e as suas ilustrações o testamento de Arte que o Mestre legou a Lisboa. Lisboa, [s.n. - imp. Litografia Amorim], [196-]. In-4.º (23x29 cm) de 209, [1] p. ; todo il. ; E.
1.ª edição.
Direcção literária de Artur Inez. Textos de Acúrcio Pereira; Alfredo Guisado; Alves Redol; Aquilino Ribeiro; Artur Inez; Ferreira de Castro; Jaime Lopes Dias; Joaquim de Oliveira; Julieta Ferrão; Maria Judite de Carvalho; Moreira das Neves; Urbano Tavares Rodrigues. Coordenou e editou Fernando Souza.
Publicada após a morte de Alberto de Sousa, em Dezembro de 1961, por seu filho, esta é uma obra de grande esmero e apuro gráfico, profusamente ilustrada com reproduções de belíssimas aguarelas representativas do trabalho etnográfico do Mestre.
                                             ...............
"Na síntese imposta pelo espaço disponível, dada a natureza da própria obra e até porque «Alfacinhas» é um livro que vive quase inteiramente das preciosas ilustrações que o enriquecem, o Povo de Lisboa está todo ele aqui, nas sugestivas aguarelas de Mestre Alberto Souza e nos admiráveis desenhos e apontamentos de artistas célebres, nossos e lá de fora, de Roque Gameiro a Delerive, a Noel e a L'Evêque."
(excerto de O Povo de Lisboa)
Alberto Augusto de Sousa (1880-1961). Ilustrador e aguarelista português. Nasceu em Lisboa, em 6 de Dezembro de 1880; faleceu em Lisboa em 1961. Aluno da Escola de Belas Artes de Lisboa e das Escola Industriais do Príncipe Real, Rodrigues Sampaio e Machado de Castro, estudou modelo vivo no Grémio Artístico e na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1897 foi admitido no atelier de desenho industrial que Roque Gameiro dirigia na Companhia Nacional Editora. Deixou o atelier em 1903 e entrou para a Ilustração Portuguesa, a revista semanal do jornal diário de Lisboa O Século, a convite do seu director, Silva Graça. Pouco tempo ficou na revista, passando a ilustrar para publicações como os jornais Mundo, Novidades, A Capital, República, entre outras. Colaborou também para publicações estrangeiras como o L'Illustration e o Illustrated London News. Como aguarelista expôs pela primeira vez em 1901, no Grémio Artístico. Em 1911 concorreu a uma exposição realizada em Madrid e em 1913 teve a sua primeira exposição individual, na redacção de A Capital, passando no começo dos anos 20 a expor regularmente. Em 1914 foi nomeado conservador artístico na Inspecção das Bibliotecas e Arquivos Nacionais.
Ilustrou obras conhecidas: Pátria Portuguesa, de Júlio Dantas, Olivença, de Rocha Júnior e Matos Sequeira, entre outros. Em 1916 fundou a revista Terra Portuguesa com D. Sebastião Pessanha e o Dr. Virgílio Ferreira, onde era dado um especial ênfase à etnografia e arqueologia artística. Alberto de Sousa abordou nos seus trabalhos temáticas bem portuguesas: os bairros típicos de Lisboa - Alfama e Mouraria -, retratou as figuras típicas e históricas do seu país bem como os seus usos e costumes. Em 1931 participou na Exposição Colonial de Paris com um conjunto de aguarelas dos monumentos portugueses em Marrocos. Dedicou-se também à ilustração de livros, tendo organizado muitas das obras da Enciclopédia pela Imagem.O Mestre aguarelista percorreu Portugal desenhando e pintando as comunidades rurais e urbanas, a sua faina, as festas e as romarias, pintou e desenhou capelas, pórticos, claustros e fontes."
(Fonte: Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura, Enciclopédia Verbo)
Encadernação editorial inteira de tela com figura em relevo na capa e ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva a guarda de brochura. Sem sobrecapa.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
45€

26 agosto, 2012

SEQUEIRA, Matos – NO LEILÃO AMEAL : 31 de Março a 16 de Abril de 1924, Crónica amena de uma livraria a menos. Desenhos de Alberto Sousa. Lisboa, Emprêsa Editora e de Publicidade A Peninsular, L.da, 1924. In-8.º (20,5 cm) de 65, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Exemplar da tiragem de 500 exemplares destinados a bibliófilos. (Foram editados mais 6 exemplares em papel couché que não foram postos à venda).
Ilustrado com belíssimas caricaturas de alguns conhecidos bibliófilos presentes no leilão, e a acompanhar, a sua descrição em verso.
"As crónicas que se vão ler foram publicadas de 3o de Marco a 16 de Abril último nas colunas de O Mundo e subscritas pelo nome já hoje aureolado de Matos Sequeira, o que dispensa bem qualquer apresentação ao público ledor. Convém porém aproveitar êste ensejo, que Matos Sequeira aliás não procurou e que outros entretanto sugeriram, para dizer que o presente volume visa a destacar e a arquivar, em condições de maior duração, as páginas singelas e bem humoradas em que o autor ilustre do TEMPO PASSADO anotou dia a dica, despretensiosamente, as fases de maior relêvo do recente leilão da livraria Ameal. As qualidades literárias de Matos Sequeira, comprovadas em dezenas de lances da sua vida de homem da pena, ressaltam, mais uma vez, nítida e brilhantemente nas suas crónicas que se seguem, e através das quais perpassa, num colorido espontâneo e gracioso de frase, a nota crítica, mordaz quand même, do grande acontecimento bibliográfico de 1924, que foi a liquidação da livraria Ameal*.
*Catálogo da Notável e Preciosa Livraria que foi do Ilustre Bibliófilo Conimbricense Conde do Ameal (João Correia Aires de Campos) redigida por José dos Santos. 774 págs. Pôrto 1924."
(Excerto da introdução de Luís Derouet)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

03 junho, 2012

CORTEZ, Alfredo - Á LA FÉ! : lenda da lealdade. Peça em Quatro Actos. De... Ilustrações de Alberto Souza. Lisboa, [s.n. - imp. Imprensa Libanio da Silva], 1924. In-8.º (18 cm) de 210, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrado com bonitos desenhos da autoria de Mestre Alberto de Sousa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

15 fevereiro, 2012

QUEIROZ, Eça de - O PRIMO BAZILIO : episodio domestico. Ilustrações de Alberto de Sousa. Porto, Livraria Chardron, de Lello & Irmão, L.da, 1927. In-4.º (23,5 cm) de 463, [1] p. ; il. ; E.
Com um retrato de Eça de Queiroz separado do texto.
Edição ilustrada com belíssimos desenhos a p.b. e a cores, no texto e em separado, do mestre aguarelista Alberto de Sousa.
Encadernação editorial inteira em percalina com ferros gravados a ouro e a seco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€