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18 maio, 2024

GOMES, Celestino - MARIA DA DÔRES. [S.l.], [s.n. - Tipografia "Beira-Mar" - Ilhavo], MCMXXII [1922]. In-8.º (16,5X11 cm) de 57, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante novela, algo densa, de cunho modernista. Maria das Dores, a moça que dá nome ao livro, definha por causa de um amor impossível.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao jornalista aveirense Manuel Lavrador.
"Lentamente, na indecisão de seu andar nostálgico, Maria das Dôres descera a velha escada de granito escuro. Estiraçada, a sombra desenhava arabescos de roixo-cinza nos lilaseiros floridos do jardim onde ela viera sentar-se.
Na candura suavíssima dos seus desaseis anos incompletos, Maria das Dôres, mimosa figurinha de iluminura a cujo oiro tostado do cabelo o sol arrancava scintilas, costumava distrair fenilmente os olhos côr de alecrim nos verdes canteiros bordados de primaveras e gardénias, emquanto no regaço lhe repousava, a tempos olvidado, o volume do romance predilecto.
Raro se topariam mágoas naquêles olhos sombreados dum lilás delido, que raro, também, na sua alma de menina entrara alguma contrariedade maior que o vestido com que a modista faltou.
Tudo, nela, era graça e sorriso. Tanto, que fôra de costume já os pobresinhos tristes de chagas e velhos aleijões conhecerem-na pelo alvorecer de chilreantes risos com que acolhê-los vinha, junto do nicho musgoso da sua casa solarenga, cada segunda-feira, a dar-lhes a piedosa esmola semanal."
(Excerto do Cap. I)
João Carlos Celestino Gomes (Ílhavo, 1899 - Lisboa, 1960). "Foi um médico, professor, escritor e pintor português. Pertence à segunda geração de artistas modernistas portugueses. Foi pintor e ilustrador, área em que utilizou o nome João Carlos; escreveu sobre medicina; dedicou-se à literatura de ficção, à crítica e história da arte, sob o nome Celestino Gomes."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação inteira de pele com cercadura dourada na pasta anterior e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas cansadas; impresso em papel de fraca qualidade.
Raro.
25€

30 setembro, 2020

GOMES, Dr. João Carlos Celestino - A FISIONOMIA DA MORTE. Conferência proferida na Sala nobre da Companhia Portuguesa Editora L.da, do Porto, na noite de 10-4-931. Capa desenhada por Cândido Craveiro. Porto, Companhia Portuguesa Editora, L.ᵈᵃ, MCMXXXII [1932]. In-4.º (24 cm) de 41, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante conferência do autor, tendo por base a sua tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa de Celestino Gomes ao Doutor Carlos Lopes.
Livro ilustrado ao longo do texto com desenhos esquemáticos, e fotogravuras reproduzindo "máscaras da morte" de conhecidas figuras nacionais, entre outros, Mousinho de Albuquerque, Sousa Viterbo, João Chagas, Alexandre Herculano e Guerra Junqueiro, e personalidades estrangeiras, como J. J. Rousseau, Marat, Napoleão, Wellington, Beethowen, etc.
"Diante da morte a gente descobre-se, a gente ajoelha, a gente chora. [...]
Em todo-o-mundo existe um fetichismo fúnebre. E a crença popular que tudo embruxa de sortilégios, criou todo o patético que urdiu a obra nevrótica de Poë: são vidros que se quebram, rumores que se produzem, no momento do trânzito, como avisos a distância. É o ar-dos-mortos, desprendendo-se do defunto a tolher quem quede à sua beira. É a convicção de que, quando o assassinado cai de bruços, o criminoso não pode afastar-se até que seja tomado pela Justiça e as mais que já andam nos provérbios, de que «quem com ferro mata, com ferro morre» e «quem morte alheia espera, a sua lhe chega».
Mas o que é a morte? [...]
O que dela se sabe é pouco para estabelecer uma segura definição e é muito o que se não sabe para que diante da incógnita venham curvar-se todas as frontes. E aqui se travam os combates os combates dos cientistas sempre em desacordo nos grandes problemas. Quando é que verdadeiramente se está morto? [...]
A chamada morte aparente é, também, um estado tão semelhante à morte rial, havendo tal dificuldade em os distinguir nitidamente... [...]
No que todos estão de acordo, não faltando mesmo o depoïmento de alguns enterrados vivos em morte aparente que regressaram à vida e puderam escapar à morte rial, é que nêste estado de morte aparente existe uma hiper-lucidês que permite sentir, compreender tudo quanto à volta do indivíduo se passa... [...]
Fisicamente, sabemos, o momento da morte é marcado de maneira bem diferente, mais ou menos longo em sofrimento. Mas esta fase de sofrimento físico cessa ainda antes da morte rial, do aniquilamento. Porém se aquela sensibilidade espiritual, consciente, vai além da Morte - aparente ou rial o substantivo é o mesmo - se, por outro lado, a contractilidade muscular e a vitalidade nervosa são um facto, não faltando para nós mais que a continuidade dinâmica, porque não há-de a fisionomia do morto ser a despedida plástica e extática do seu último sentir reprodutível?
Diante da Morte, certamente, cada homem há-de ter a sua psicologia e sua atitude, sua consciência. Daqui, que admiração se a máscara da morte estiver sujeita a êsses factores primordiais, se a fisionomia dos mortos revelar alguma coisa mais do que o adormecimento, a paz!"
(Excerto da Conferência)
João Carlos Celestino Gomes (Ílhavo, 1899 - Lisboa, 1960). "Foi um médico, professor, escritor e pintor português. Pertence à segunda geração de artistas modernistas portugueses. Foi pintor e ilustrador, área em que utilizou o nome João Carlos; escreveu sobre medicina; dedicou-se à literatura de ficção, à crítica e história da arte, sob o nome "Celestino Gomes".
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

03 julho, 2020

GOMES, Celestino - A EXPRESSÃO META-CROMÁTICA NA PINTURA DE EDUARDO MALTA. Lisboa, Editorial "Inquérito", 1937. In-8.º (21 cm) de [64] p. ; [13] f. il. ;  B.
1.ª edição.
Biografia artística de Eduardo Malta, emérito retratista português.
Ilustrada extratexto, sobre papel couché, com reproduções de belíssimos trabalhos do Mestre.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A técnica de Eduardo Malta não pertence a nenhuma escola, não usa de nenhuma das receitas académicas, e, a-pesar-dos seus prémios escolares, sente-se que não é feita dos conselhos didáticos mas completamente de estudo pessoal, self-made."
(Excerto do Cap. V, Da linguagem técnica)
Índice:
I. Da arte do retrato. II. Da realização da semelhança. III. Do sentido da elegância. IV. Da interpretação étnica. V. Da linguagem técnica. VI. Da expressão meta-cromática.
Reprodução de um auto-retrato e de outras obras de Eduardo Malta.
Eduardo Malta (1900-1967). Foi um pintor português de nomeada, sobretudo como retratista. Pela sua oposição à arte moderna, e pelos trabalhos que executava para as elites sociais, ficaria conhecido como "retratista do regime".
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Indisponível

22 dezembro, 2019

POETAS DE COIMBRA : recolha de algumas poesias coimbrãs de meio século de vida académica, compiladas por Silvina e Celestino Gomes, que ali também fizeram seus estudos. [S.l.], Edição da Comissão Organizadora do Salão dos Estudantes de Coimbra, em Lisboa, na Casa das Beiras, 1939. In-8.º (20,5 cm) de 66, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Antologia poética sobre Coimbra e o seu ambiente estudantil. Versos de Eugénio de Castro, António Feijó, Manuel da Silva Gaio, António Nobre, Alberto de Oliveira, Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoaes, D. Tomás de Noronha, Afonso Lopes Vieira, Mário Saa, Cabral do Nascimento, António Pedro, entre outros.

"Com a publicação dêste volume não tiveram os seus organizadores, nem a Comissão das «Festas de Coimbra em Lisboa», que de tal os incumbiu, a pretensão de realizar o justo e completo cancioneiro de Coimbra, a «meiga Dona dos choupos finos e das claras águas», «a da dôce païsagem», a «Coimbra sem par, flôr das cidades» no terno dizer dos Poetas.
Para melhor reacender o ténue fiosinho de lume sagrado que esmorece, propositadamente viemos até hoje, começando tão sòmente na mais antiga geração académica que ainda tem representantes vivos, quási onde termina o amoroso Cancioneiro de Afonso Lopes Vieira."
(Excerto do preâmbulo.)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

25 julho, 2011

GOMES, Celestino - OS MOTIVOS DE DECORAÇÃO ÍLHAVENSE : esboço para uma arte regional. Lido no Teatro Municipal na noite de 23-III-932. Ílhavo, Casa Minerva, MCMXXXII [1932]. In-4.º (23 cm) de 29, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa conferência sobre a arte decorativa ilhavense produzida por João Carlos Celestino Gomes, médico, professor, escritor e pintor português, natural de Ílhavo.
Opúsculo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Ás mães, às viúvas, às irmãs dos marinheiros ílhavos mortos tragicamente no Mar, sublimes mulheres compondo o friso lutuoso da Saüdade."
(dedicatória impressa)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. 
Invulgar.
Indisponível