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26 outubro, 2026

LIÇÕES D'OPTICA. Coimbra, Imprensa Litteraria, 1880. In-8.º (20x13 cm) de 340 p. ; [16] estampas ; E.
1.ª edição.
Manual de óptica oitocentista, não assinado.
Ilustrado com 16 estampas extra-texto, albergando 107 "figuras" (desenhos esquemáticos).
Nada foi possível apurar acerca destas Lições ou do seu autor por não existirem referências bibliográficas, incluindo na BNP, mas por certo, será obra de um professor da Universidade de Coimbra.
"É de todos conhecido, que somos dotados de julgar da existencia e apreciar as propriedades dos objectos, collocados a distancia de nós; o orgão dos sentidos, que nos habilita a ter estas percepções, é o orgão da vista, o olho.
Mas, para que isto assim seja, é necessario que haja alguma cousa, que sirva de communicação entre esse orgão e os objectos exteriores: de facto, sem esta communicação, não se comprehende como os objectos nos impressionassem a distancia. Ora, chama-se visão a percepção dos objectos por meio do sentido da vista; e luz é essa relação ou communicação, que ha entre o olho e o objecto, ou melhor, a causa d'essa communicação: por isso se define
Luz é a causa externa da visão.
Optica é a parte da physica que se occupa do estudo da luz."
(Excerto da Primeira Lição - Introducção ao estudo da Optica)
Encadernação meia de percalina com lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado mas sólido. Assinatura de posse na f. rosto. Apresenta apontamentos a lápis à cabeça, nas margens e em rodapé. Em falta estampa 5 (fig. 39).
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Raro.
20€
Reservado

28 setembro, 2026

À NAÇÃO - ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA-COIMBRA. [Coimbra], Associação Académica de Coimbra, 1969. In-fólio (34x22,5 cm) de 10 p. (inc. capa) ; B.
1.ª edição.
Folheto histórico, policopiado. Trata-se do comunicado-protesto justificativo dos estudantes de Coimbra face aos acontecimentos que tiveram início a 17 de Abril de 1969, e que abalaram o Estado Novo. A 6 de maio o governo mandou encerrar a Universidade e cancelar a Queima das Fitas. O cerco incluía carros e GNR a cavalo. O presente opúsculo foi concebido e distribuído em 7 de Maio - no dia seguinte a estes eventos.
"A crise começou no dia 17 de Abril de 1969. Os estudantes pretendiam intervir durante a inauguração do edifício das matemáticas e o presidente da Direção Geral da Associação Académica, Alberto Martins, pediu a palavra, mas foi impedido de o fazer.
Os estudantes, que já estavam em protesto exigindo a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, tomaram conta da sala onde decorria a inauguração. A crise agudiza-se nas horas e dias seguintes com a prisão de vários dirigentes académicos e a ocupação de Coimbra por forças militares e policiais.
O Ministro da Educação e o reitor acabariam por se demitir, mas vários estudantes da academia seriam forçados a integrar as forças armadas, seguindo para a guerra do ultramar."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-crise-academica-de-1969-17-de-abril/)
"Acontecimentos de magna importância para a vida nacional ocorrem em Coimbra desde 17 de Abril do ano corrente.
A Nação, porém, só passados treze dias obtém do Governo, por intermédio do Ministro da Educação Nacional, uma informação que até o cidadão mais desprevenido considerou tardia, suspeita e tendenciosa.
Tardia porque a Nação tem o direito de ser informado diariamente não apenas das transferências futebolísticas mas, principalmente, daqueles acontecimentos que ferindo os seus órgãos vitais mais afectam a sua fisiologia dinâmica. A informação do País não mais pode ficar dependente de simples critérios de oportunidade política; de um simples "achar vantajoso-ministerial" sob pena de grave ofensa do direito à informação, sob pena do descrédito da nossa imprensa, sob pena de se facilitar o boato de tão graves consequências."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - Antecedentes. III - O dia 17 de Abril de 1969. IV - Conclusões de interesse nacional: 1.º - Reforma global do ensino; 2.º - Independência-autonomia; 3.º - Auto-gestão; 4.º - O reconhecimento da utilidade social do estudante; 5.º - Educação permanente; 6.º - Democratização do ensino.
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta vinco ao centro.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

20 janeiro, 2026

BRITO, Rozalino Candido de Sampaio e - O MUNDO NÃO SE ENDIREITA MAS EU NÃO LARGAREI NUNCA O MUNDO. Segunda edicção precedida d'uns bons bocadinhos, e seguida d'outros ainda melhores. (Mimozissimo presente, que o comprador pode fazer a qualquer... asno, por exemplo). Porto, Typ. de Antonio José da Silva, 1873. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], XXIV, 24 p. ; B.
Curiosíssimo opúsculo. Apesar de se tratar da segunda edição, esta poderia ser considerada uma 1.ª edição, tão grandes são as diferenças entre as duas  porque muito aumentada a presente, redigida com uma linguagem "terrível", conforme declara Rosalino: "talvez a mais terrivel que eu tenho escripto em toda a minha vida; mas é justa - é justissima". Assim, a primeira parte do livro (XXIV pp) é exclusivamente dedicada pelo autor à justificação da segunda edição, sendo a segunda parte preenchida com O mundo não se endireita.
Índice:
[Primeira parte]: Por conveniencia de futuro; Franqueza d'alma; Declarações muito necessarias; Uma attenção minha para com os criticos competentes; Prologo (tornado n'uma boa lição). [Segunda parte]: O mundo não se endireita mas eu não largarei o mundo. Vermes detestaveis ou viventes perigosos.
Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (? - 1904). "Poeta e polemista, falecido a 7 de Maio de 1904 na cidade de Lisboa, onde passou os últimos anos da sua vida, anteriormente havia residido no Porto até cerca de 1868 e, em seguida, em Coimbra, cidade na qual terá permanecido nas duas décadas seguintes e à qual ficou intimamente associado em virtude da enorme popularidade que aí adquiriu pela sua actividade nas letras ou pelas suas “extravagâncias literárias”, como melhor esclarece Cardoso Marta numa das suas anotações à obra Cartas de Camilo Castelo Branco (1918).
Embora não estando matriculado em qualquer instituição de ensino em Coimbra, onde terá apenas frequentado uma aula regida por Manso Preto a quem, num episódio que ficou célebre em toda a academia, chegou a pedir dispensa em verso por não ter estudado a lição, aí conviveu com inúmeros académicos e ficou na memória de várias gerações, incluindo alguns autores como Trindade Coelho, Brito Camacho, Sá de Albergaria, Mário Monteiro e António Cabral, que o mencionam nas suas obras, qualificando-o como um filósofo, humanitarista, precursor do nefelibatismo ou como um louco.
Publicando grande parte da sua obra na cidade de Coimbra, incluindo o jornal filosófico Luz da Razão, do qual foi o único redactor e que se imprimiu no Porto entre 1867 e 1868 e, em seguida, em Coimbra, onde obteve grande popularidade, a sua vasta produção literária, exceptuando o romance A observação e o homem orgulhoso (1876), é composta sobretudo por inúmeros opúsculos que ele próprio vendia, marcados por um tom inflamado e uma predilecção pelo grotesco.
Cultivando essencialmente a escrita poética e a prosa ensaística, fórmulas que por vezes integrou na mesma obra, da sua produção enquanto poeta conhecem-se, entre outras, as publicações O jovem ancião (1875), Camões: homenagem aos antigos heróis portugueses e sobre todos ao seu divino cantor Luís de Camões (1880), O legendário misterioso (1881), Uns pontos nos is à minha moda constituídos sempre (18--), Uns santos do céu: em verso (e prosa) amaldiçoados por um diabo da terra (1883), Espontaneamente vestir a pele do lobo e arranjar lenha para as suas costas ou quid pro quo em sonetos (1887), Cupido e Baco na rua do Ouro em dia de S. Martinho (1887) e Um sonetão, sim, capitão (1890).
Além destas obras, foi ainda autor dos opúsculos de carácter polémico ou filosófico O que é uma tourada perante a civilização (1870), O número terrível da luz da razão (1874), A pobreza e a mendicidade humana: remédio para aquela e a extinção absoluta de esta (1877), Processo académico oferecido aos estudantes: consagrado ao riso e dedicado ao Conselho de Decanos de todas as faculdades no outro mundo (1878), Discurso: para ser recitado no sarau literário à memória de Camões pelos estudantes de 1881 (1881), A carta (as touradas) do Ex.mo Sr. Dr. Luís de Magalhães e a resposta de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (1888), Algumas sandices de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito consagradas ao Sr. Emídio Navarro: não como ministro das obras públicas, mas sim como redactor-proprietário do jornal As Novidades (1888) e Um petisco! Um petisquinho! A novidade agora! Ou melhor Emídio Navarro com Rosalino Cândido de Sampaio e Brito não é tarea é um petisquinho, só um petisquinho! (1889)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=34&Itemid=122)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.

Raro.
Sem registo na BNP.
25€

29 novembro, 2025

CASTRO, Americo de -
ULTIMOS ANOS DA MONARQUIA (memorias)
. Porto, Deposito: Livraria Fernandes de J. Pereira da Silva, 1918. In-8.º (19x12 cm) de 172, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Memórias do autor relativas aos anos que precederam a República, desde os tempos de estudante, até ao final da Monarquia e os anos que se seguiram.
Edição do autor, por certo com tiragem reduzida.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. rosto.
"Os ultimos anos da monarquia foram de descredito para o país,  de veniaga e corrupção da parte chamada intelectual e de miseria para o povo.
Os partidos politicos iam buscar aos bancos das escolas os seus mais fortes sustentaculos.
Coimbra, de madre forte e alentada,arremessava para o mundo politico quasi todos os bachereis.
Uma carta de formatura garantia uma administração do concelho.
Quando um estudante recebia das aristocraticas mãos da sua noiva a adorada pasta bordada a matiz ou a ouro, já tinha na sua terreola aquela benesse que servia para os primeiros anos de aflição.
Não era raro ouvir nos geraes da Universidade empomadados quintanistas referirem-se á sua vida politica futura e á votação que tinham na sua terra.
Ali, de ordinario, o futuro bacharel ou pensava em politica baixa e reles ou nos casamentos ricos.
Uma carta de bacharel era uma carta de alforria. Foi na Universidade, dêsse alcouce de Minerva, onde as consciencias sofriam verdadeiros tratos de polé, que sairam todos os males que nos legou a monarquia e de que tem enfermado a propria Republica. Recebido o grau, a borla de lente tonava-se o apagador do senso comum.
Lá vinha por aí fora o bacharel apelintrado e faminto.
Rodeado de esfaimados como êle, subornava consciencias, dominando as gentes tristes das fabricas e dos campos.
Ele infligia o castigo aos seus inimigos e semeavam o dinheiro do Estado por aqueles que apenas sabiam que as eleições davam a maioria a êste ou áquele, ao progressista ou ao regenerador.
Ele era então o terror e o bom deus."
(Excerto de IV - Fim da Monarquia)
Indice:
Ao leitor | I - Vida Academica no Porto. II - Os estudantes republicanos de Coimbra. III - Organisação revolucionaria dos estudantes republicanos de Coimbra (a sua acção em 28 de Janeiro). IV - Fim da Monarquia. V - Sete anos depois. VI - Post scriptum.
Américo da Silva Castro (1889-?). Natural de Santo Tirso, formado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1908, abriu banca de advogado no Porto. Fixou residência em Vila Nova de Famalicão desde Dezembro de 1943, exercendo o cargo de Conservador do Registo Civil, trabalhando em advocacia. No Porto, enquanto estudante liceal, fundou, com outros, a União Académica. Dele, já Bernardino Machado, num discurso no Porto, na inauguração do Montepio da Classe Comercial da mesma cidade, se refere nos seguintes termos: "esperançoso e simpático aluno da Faculdade de direito da nossa Universidade" (Bernardino Machado, Obras: Política - I, "A Reforma", p. 414). No Porto, foi vereador da Câmara Municipal, Conservador do Registo Civil no 2.º Bairro, Administrador do Concelho em Matosinhos, Presidente do Tribunal dos Árbitros Avindores, Presidente da Comissão Administrativa dos Bens da Igreja, Director do Instituto Industrial do Porto, Conservador do Registo Civil em Espinho, entre outros cargos. Foi deputado em 1921 pelo círculo de Santo Tirso e, em 1922, pelo Porto nas listas do Partido Democrático. Em 1907 escreveu no jornal "O Porvir" várias crónicas intituladas "Palavras Vermelhas".
Encadernação de amador com rótulo na lombada. Sem capas de brochura. Aparado à cabeça.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€
Reservado

28 novembro, 2025

SANTOS, Dr. Luís A. Duarte -
O NORMÓTIPO DO HOMEM DA ZONA DE COIMBRA E O NORMÓTIPO DOS PORTUGUESES.
Comunicação apresentada à 2.ª Secção do Congresso Nacional de Ciências da População pelo..., Assistente da Faculdade de Medicina de Coimbra. Comemorações Portuguesas de 1940. Pôrto, [Imprensa Portuguesa], 1940. In-4.º (24,5x19 cm) de 18 p. ; [XIV] mapas estatísticos ; [1] tabela desdob. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho curioso e muito interessante. Trata-se de um "método original de determinação do tipo constitucional", isto é, o padrão de uma determinada população.
Inclui 14 mapas estatísticos (1 por página), e 1 tabela em folha desdobrável de grande dimensões (24,5x70 cm): Tabela de graus centesimais do homem médio elaborada segundo os nossos resultados (Duarte Santos).
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Luís Duarte Santos.
"O homem médio de grupos profissionais, de certas posições sociais, de populações exclusivamente citadinas ou do meio rural, só tem interêsse em condições definidas para determinados fins, assim como o normótipo ideal que alguns como Hilderbrandt, Styratz, valorizam em prejuízo do homem médio estatístico, único de valor na ciência das constituïções.
Dever-se-ia dividir Portugal em várias regiões ou sub-regiões criteriosamente estabelecidas e determinar o normótipo de cada uma. Só assim evidentemente se poderia saber se há ou não possibilidade de aplicação generalizada dum normótipo a todo o país, pois só diferenças apreciáveis têm um valor prático, ou se a falta de identidade entre os caracteres antropométricos do homem médio em certas zonas do país obrigaria ao emprêgo de vários dêsses normótipos. [...]
O primeiro normótipo apresentado em Portugal vai ser o de uma parte do país delimitada com tal critério, e a que chamamos «zona de Coimbra», para evitar o têrmo região, de sentido científico e geográfico assente: Coimbra como centro urbano e ponto de atracção, tôda a sub-região do Baixo Mondego (Coimbra, Penacova, Arganil, Gois, Poiares, Louzã, Miranda do Corvo, Penela), todo o Mondego Litoral (Cantanhede, Montemor-o-Vélho, Condeixa, Soure, Figueira da Foz), o sul da Bairrada entre a serra do Buçaco e o mar (parte do concelho de Cantanhede, Anadia e Mealhada), as chamadas baixas de Mortágua (Mortágua, Santa-Comba) já no Baixo Dão mas situadas a 200 metros de altitude, com índole, e costumes além da constituïção geológica muito diferente do vale de Besteiros. [...]
Estudamos 775 homens, de 18 a 60 anos de idade, para determinarmos o normótipo, e dêsses, 375 pertencem a essa zona de Coimbra."
(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e antropológico.
15€

15 novembro, 2025

VAZ, Fernão -
Á GANDAIA.
Impressões e esbocetos d'um vadio. Coimbra, Typographia Operaria, 1893. In-8.º (17x12 cm) de 98, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Fernão Vaz é o pseudónimo de Joaquim Madureira (Braz Burity), que seria, nas décadas seguintes, reconhecidamente, um dos grandes panflefetários portugueses "anti-sistema".
Trata-se da edição original da primeira obra do autor, publicada em Coimbra, quando este contava apenas 19 anos de idade. Compõe-se de um conjunto de crónicas trocistas e irónicas - prenunciando já o que viria ser a sua carreira nas letras - redigidas enquanto aluno da Universidade, onde cursou Direito.
"Rapazes,
A vocês todos - um aperto de mão e o meu primeiro livro.
É fraca a offerta. Farrapos d'uma alma de intransigente, de revoltado, se algo tem que possa merecer-vos a attenção é... nem sei o que seja!
Se vocês o descobrirem, digam-m'o, mas em segredo.
Breve e sem esforço resaltará a minha norma de proceder:
Diante do talento descubro-me; - não me agacho...
Diante do pedantismo, dos frustes, dos purrios, que se nos deparam n'esta azinhaga da vida, ou passo indifferente, ou me agacho... para apanhar as pedras com que infligir-lhes o supplicio de Santo Estevão.
Bate-se nos homens; os cães correm-se á pedra."
(Excerto do Preâmbulo) 
"Compunge, dilacera a alma como a ideia d'um estupro, d'uma forca, d'uma hecatombe, a ingratidão bestial, torpe, mesquinha, com que os pequenos homens engrandecidos pelo vulgo, tratam os fructos primevos dos seus talentos, embryões reveladores, sãos, puros como a mocidade, impollutos como um sorriso de heroe, como a candura d'uma virgem. [...]
Perguntam vocês a que proposito vem tão longa catlinaria?...
Eu lhes digo: eu queria fallar-lhes d'uma tentativa de romance historico - o Phoebus Moniz - de Oliveira Martins que hontem comprei no meu ferro velho.
Queria...
Queria mostrar-lhes uma nova incoherencia do renegado, mas alguem me segreda que o não faça...
Ha homens que são como a merda... quanto mais se lhes meche mais fedem."
(Excerto de Infanticidios litterarios)
Indice:
Exordio | Madrugada | José Falcão | O Natal | Infanticidios litterarios | O Carnaval (Chronica coimbrã) | D. Ferrão | A Fonte dos Amores | Carlos de Lemos | O livro de Mr. Formont | A regia viajata | As correspondencias coimbrãs | Psychologia d'um larvado | Ultima pagina.
Joaquim Madureira (Braz Burity) (Lisboa, 1874 - Porto, 1954). "Joaquim Madureira Nunes Borges de Carvalho cursou Direito em Coimbra, mas desde sempre relegou o exercício da jurisprudência para um plano secundário, tomando a escrita muito mais a peito e usando-a como arma de intervenção na vida cultural e política do país.
Tendo adotado o pseudónimo de Braz Burity, dedicou-se, com brilho e combatividade, ao jornalismo e à crítica artística e teatral, encaixando ainda na categoria, muito da sua época, de polemista e panfletista.
A sua longa atividade jornalística teve início em maio de 1895, no Resistência, bi-semanário do Partido Republicano Português coimbrão, e prolongou-se por mais de quatro décadas, tendo passado por alguns dos mais conceituados periódicos de então, como O Mundo, O Paiz, A Luta, O Povo de Aveiro, O Intransigente, O Jornal e, finalmente, O Diabo, última publicação relevante em que colaborou (e dirigiu), tendo-se demitido por doença em 1937.
Embora se tenha mantido convictamente republicano e democrata pela vida fora, a sua personalidade insubmissa não se acomodava a servilismos partidários, pelo que conservou sempre um distanciamento crítico em relação aos vários partidos republicanos que se multiplicaram após a implantação da república. Esta, por demais imperfeita, tê-lo-á frustrado, não correspondendo aos seus ideais de justiça e equidade, mas também de progresso social. Assim, acabou por se render ao carisma sidonista, tendo sido eleito deputado em 1918 nas listas do Partido Nacional Republicano, liderado por Sidónio Pais – cargo que desempenhou brevemente, mas com a sua paixão característica."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/pessoas/joaquim-madureira-braz-burity.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, escurecidas. Lombada apresenta falha de papel nas extremidades.
Raro.
Indisponível

09 outubro, 2025

MARÇAL, Orlando & CÔRTE-REAL, Fernão. -
ESFOLHADAS (contos). Carta-prefacio de Abel Botelho. Coimbra, Edição da Livraria Moura Marques, 1907. In-8.º (18,5x12 cm) de XIII, [3], 114, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: A. Marçal.
Conjunto de 7 contos naturalistas. Segundo Henrique Marques Júnior (Occidente, 1058, 20.05.1908), destacam-se dos demais, Corações!..., comparado por este a Singularidades d'uma rapariga loura, de Eça de Queiroz, que "é a história de um rapaz que amava, pela sua indole de Tolstoiano, uma rapariga que mais  apreciava Mary e Belot, e que se entregou depois a um homem casado", e A mana do abbade, "uma phantasia profana em que figuram como protagonistas A Mana do abbade - titulo d'essa producção - e o menino Jesus do Altar, que é um sonho de doente e histerica, bem escripto".
Obra muito valorizada pelo extenso prefácio de Abel Botelho, onde este critica os romancistas portugueses e a sua tendência para a escrita "fácil", que pouco contribuiria para educar o gosto das massas: "Numa carta-prefácio ao livro de contos Esfolhadas (1907), de Orlando Marçal e Fernão Côrte-Real, adverte Abel Botelho que o escritor não deve mudar a sua arte só para agradar a um público insensível, ignorante, que não gosta de pensar e só quer um divertimento imediato." (Correia, Anabela Barros, O espelho deformante: Imagens do grotesco em Fatal Dilema, de Abel Botelho, UL, 2008)
Exemplar com dedicatória autógrafa dos autores "Aos nossos queridos amigos e companheiros José Julio e Julio Cesar d'Andrade Freire".
"Começou por me chamar - seu caro. E no café, quasi eserto áquella hora, entre o bocejo dos creados e o zumbido somnolento das moscas, foi desfiando, n'um desabafo prolongado, o segredo que lhe revolvia o coração. Tinha uma alma aberta para o soffrimento, um coração escancarado para o Amor. Um olhar d'uma mulher era para elle uma gloria; um sorriso uma vida nova, que se lhe infiltrava no Sêr. E na sua fronte avincada e triste, onde as linhas deslisavam sinuosas; nos seus olhos amortecidos, mas avivados de quando em quando por um clarão de febre; nos seus labios côr de terra, ávidos e famintos, rasgados n'um rir sacudido e cruel, lampejava um ar de doença, mixto de ironia e desespero, que penetrava na carne em extremeções de piedade e de terror. [...]
Haviam-no avisado já, dizendo-a - criminosa. Essa rapariga apparentemente ingenua, que todos julgavam honesta, havia desperdiçado o melhor do seu coração. Apegava-se a todos, parecendo querel-os com o mesmo ardor e a mesma vehemencia. Tinha encontros repetidos nas quebradas do valle. Toda a gente a abocanhava como uma desvairada que tinha artes diabolicas para se infiltrar nos corações ingenuos."
(Excerto de Corações!...)
"A egreja era sobre a elevada serra, muito arredada do logar, num severo ermo coroado de montanhas. [...]
O bronze do sino, alli, tinha um timbre mais cadenciado, de mais recolhida uncção. E parecia que nas pesadas trindades, soando rijamente pelas quebradas dos montes, nos vinha impressionar como que a magestade santa de uma augusta voz cançada de viver. [...]
O abbade era novo, de macios olhos azues e cabellos louros, garrido como um lenço tabaqueiro. Por intrigas politicas, fôra desterrado para a serra, como parocho, coberto da antipathia mesquinha de meia duzia de patricios pelintras. Mas, depois, não houve remedio, lá comprou tres fatos e poz-se a andar, na companhia da mana. Esperto, occupava os longos dias de verão a martellar sermões «d'estrondo», debaixo da sombra ondulante e dôce das nogueiras largas do passal.
Na quaresma ia espetál-os, numa irritante e anazalada pronuncia, á Porto, aos selvaticos parochianos das freguesias vizinhas, que o escutavam, de bôcca parva e grossos cajados poisados, numa boçal e forte admiração pela formidavel memoria do padre."
(Excerto de A mana do abbade)
Indice:
De Abel Botelho: Carta-prefacio. | De Orlando Marçal: - Corações!...; - Bohemia nocturna [Coimbra estudantil]; - Missa negra; - No enterro do suicida. | De Fernão Côrte-real: - A mana do abbade; - O meu namôro; - Coimbra pelo monóculo [Coimbra estudantil].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas. Contracapa apresenta pequeníssima falha de papel no canto superior esquerdo, que apanha a última folha do livro.
Raro.
Indisponível

10 setembro, 2025

CASTELLO BRANCO, Camillo - NOTAS Á SEBENTA DO DR. AVELINO CESAR CALLISTO,
Lente de Historia Ecclesiastica Portugueza. Por... Porto, Na Livraria de Ernesto Chardron, 1883. In-8.º (21,5x15 cm) de 15, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Polémica entre Camilo e um professor da Universidade de Coimbra, numa interessante querela que ficaria conhecida para a posteridade como "Questão da Sebenta".
Em 1883, o professor catedrático de História Eclesiástica Portuguesa na Universidade de Coimbra, Dr. Avelino César Calisto, numa das suas aulas, referindo-se ao prefácio do livro de Camilo, O Perfil do Marquês de Pombal (1882), ainda que sem referir o seu nome, classificou-o de “inteligência mercenária”. Avisado, por carta, Camilo pede explicações não tendo obtido resposta do Professor. Sentindo-se ultrajado, Camilo publica o opúsculo Notas á Sebenta dando origem à célebre polémica da "Questão da Sebenta", por vezes também referida como "Sebenta, Bolas e Bulas".
"No dia 23 de março proximo passado, enviei ao snr. doutor cathedratico acima referido a seguinte carta:
«Ill.mo e Ex.mo Snr doutor Avelino Cesar Callisto... [...]
Não respondeu. O silencio do snr Callisto é, a um tempo, resposta e desprezo. Mau expediente.
O professor escorrêra desbocadamente do alto da cathedra sobre os seus alumnos essas imundices da calumnia. Ellas entraram-me em caza com a Sebenta - uma sargêta dos esgotos do corpo docente. A disgestão intellectual dos capêllos em jurisprudencia, lá dentro, só se póde conhecer cá fóra pela Sebenta. A fama d'elles não sopra pelo clarim classico de prata refulgente. Assim que transpõe as barreiras, aquella Fama coimbran, maltrapilha, de tregeitos garotos, faz da Sebenta uma trombeta, e vem corneteando por ahi fóra. As lithographias, fecundadas pelos doutores, gemem uns partos sujos que, depois de grudados vinte e quatro horas nos cerebros, em formação e em formatura dos alumnos, são sacrificados é Venus cloacina"
(Excerto de Notas á Sebenta) 
Encadernação em tela vermelha com dourados na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas cansadas.. Rubrica de posse e número a tinta na f. rosto.
Muito invulgar.
25€

26 agosto, 2025

COELHO
, Trindade - IN ILLO TEMPORE. Estudantes, lentes e futricas. Desenhos de Antonio Augusto Gonçalves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud & Cia, 1902. In-8.º (19x12 cm) de [2], 422, [8] p. ; mto il. ; E.

Segunda edição - publicada no mesmo ano da primeira - de um clássico da literatura memorialista do meio estudantil coimbrão. Trata-se de uma das mais apreciadas e emblemáticas obras que se escreveram sobre o assunto, belissimamente ilustrada no texto com desenhos de Mestre António Augusto Gonçalves e fotografias coligidas em Coimbra por António Luís Teixeira Machado e Adriano Marques.
"In illo tempore - no tempo em que eu andava em Coimbra, andava lá tambem a estudar Direito um rapaz chamado Passaro. Elle não se chamava Passaro. Passaro, pozemos-lhe nós, porque além de ser alegre como um pintassilgo, e vivo como um ardal, - usava o cabello não sei de que modo, que parecia que lhe punha duas azas atraz das orelhas, e que a cabeça lhe ia a voar!
Elle não se zangava que lhe chamassem Passaro, e até gostava: - e como alcunha que se ponha em Coimbra, péga como se fôsse visgo, - desde o Camões que era lá em Coimbra o Trinca-fortes, até ao fallecido Alves da Fonseca, chamado o Chato José do Cão, por andar sempre com um cão atraz d'elle e ter um nariz muito chato, ou ao outro a quem por ter só metade do bigode passaram a chamar Gode, e ainda a outro o Sete Fallinhas, que por se desfazer em fifias quando fallava, - ninguem lhe chamava d'outra maneira: - «Ó Passaro, isto!» - «Ó Passaro, aquillo!».
A pontos que o rapaz addicionou a alcunha ao appellido..."
(Excerto de A festa das latas)
Indice:
A festa das latas. | Resurrexit non est hic. | O Saraiva das forças. | Lopes ou Bettencourt? | Poetas balneares. | O Orpheon Academico. | Balthazar, o lethargico! | D, Felicidade. | A Niveleida. | O Lusitano e o Anda a Roda. | A campanha do Ze Pereira. | A sebenta. | Na aula do Chaves. | O «Velho». | As fogueiras do S. João. | A Casaqueida. | Um homem não é de pau. | A récita dos quintannistas. | Alho! Alho! Alho! | A Cabra! | O Bólson das contas lisas. | «Á tabúa!». | «Viu bem?». | Os voluntarios... da Economia!... | O grande Damazio. | «Miserere nobis!». | Leão, rei dos animaes. | Sanches, o comilão.
José Francisco Trindade Coelho (1861-1908). "Escritor. Natural de Mogadouro, a sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa atividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar democraticamente o cidadão português. Era um homem inconformado. Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes. Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária. Algumas obras: «Manual Político do Cidadão Português», o «ABC do Povo», o «Livro de Leitura». A série «Folhetos para o Povo», onde se incluem, entre outros: Parábola dos Sete Vimes, Rimas à Nossa Terra, Remédio contra a Usura, Loas à Cidade de Bragança, e Cartilha do Povo, A Minha candidatura por Mogadouro. Como obras literárias deixou: «Os Meus Amores» (1891) e já inúmeras reedições de «In Illo Tempore» (livro de memórias de Coimbra-1902)."
(Fonte: Wook)
Bela encadernação meia de pele com cantos, nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Carminado à cabeça. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

23 agosto, 2025

PIMENTA, Belisário -
ANTÓNIO AUGUSTO GONÇALVES : polemista
. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da «Coimbra Editora, Limitada» - Coimbra], 1968. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante apontamento biográfico sobre o Prof. António Augusto Gonçalves, ilustre pensador, artista e historiador natural de Coimbra. Estudo publicado em separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIV, 1968.
"António Augusto Gonçalves nasceu em Coimbra, a 19 de Dezembro de 1848. Herdou de seu pai, pintor e decorador com alguns merecimentos, uma fina sensibilidade estética e um critério de apreciação que irá aplicar na pedagogia e na vulgarização artísticas. Concluídos os seus estudos secundários, frequentou na Universidade de Coimbra, o curso de Farmácia, que logo abandonou. A partir de então passa a dedicar-se ao ensino livre do Desenho e da Matemática, ao mesmo tempo que irá alargando o campo dos seus conhecimentos artísticos. Belisário Pimenta, que com ele de perto privou, traça-nos … o perfil da sua mentalidade: «tinha contra si a mácula das suas ideias ao tempo muito avançadas em política e a outra mácula não menor da falta de crenças religiosas; de modo que o seu atrevimento em não seguir os cânones pedagógicos oficiais em Arte, o seu tolerante republicanismo apenas de princípios embora firmes e o não menos tolerante livre-pensamento, teriam, na época ressonância verdadeiramente revolucionária». Neste testemunho falta apenas a alusão ao enternecimento que lhe mereciam as camadas populares mais humildes e o operariado carecido de instrução."
(Fonte: https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/coimbra-e-as-suas-personalidades-29734)
"Nas décadas dos meados do século passado, a seguir à implantação do sistema liberal em Portugal, nasceu uma série de gerações notáveis de que ùltimamente temos andado, com mais ou menos interesse, a celebrar os contínuos centenários. [...]
Coimbra foi então um centro de inquietadora rebeldia. A Universidade mantinha velho prestígio e velhas prerrogativas apesar do vendaval de 1834; a sua acção dominantemente conservadora exercia-se com relativa independência do poder central mas não acompanhava as elevadas intenções dos rapazes que, com a viveza dos 20 anos, sentiam o que havia de caduco na instituição dionisiana que impunha até à própria actividade cidadã bastante da sua gravidade e autoritarismo. [...]
Coimbra era pois um ambiente de inconformismo e de espírito de revolta - não aquela revolta que truculentamente surge nas ruas, de armas na mão quase sempre de origens duvidosas e sem finalidade de interesse elevado ou proveitoso, mas sim a revolta em que a inteligência domina e tem como armas a livre discussão e a livre intenção de progresso. [...]
Foi pois em ambiente de elevada aspiração idealista, de inconformismo raciocinado que muitas vezes se manifestava com algum entusiasmo, que se formara a mentalidade de António Augusto Gonçalves a cuja memória aqui deixo traçadas algumas linhas de impressões que vão ao correr da memória e ao sabor da velha amizade e da admiração que por ele sempre tive."
(Excerto do Estudo) 
António Augusto Gonçalves (Coimbra, 1848-1932). "Insigne arqueólogo, artista, crítico e historiador da Arte, e polemista vigoroso. De seu nome completo António Augusto Gonçalves Neves, era filho de um pintor conimbricense de merecimento. Completou os cursos liceal e de Desenho Filosófico, mas não chegou a obter qualquer grau na Universidade. Leccionou Matemática e Desenho, Professor de Desenho na Associação dos Ajustas de Coimbra e no Colégio dos Orfãos. Criou a Escola Livre das Artes do Desenho em Coimbra em 1878, que funcionou sob a sua direcção. Relator do Centro Operário de Coimbra em 1881. Secretário da Comissão Executiva da Exposição de Artefactos e Manufacturas do Distrito de Coimbra em 1884, tendo papel de relevo na organização do certame. Professor de Desenho na Escola de Desenho Industrial Brotero a partir de 1884, e desde 1889 na Escola Industrial Brotero, sendo então nomeado seu Director. Secretário da delegação de Coimbra da Associação Industrial Portuguesa em 1888. Por sua iniciativa, foi criado em Coimbra em 1890 um Museu de Arte Industrial. Embora filiado no Partido Republicano, obteve o apoio da Rainha D. Amélia e do Bispo-Conde D. Manuel de Bastos Pina para o seu plano de restauro da Sé Velha, cujas obras foram iniciadas em 1.1893. Reorganizou a partir de 1894 o Museu de Antiguidades do Instituto de Coimbra, que em 1911 deu lugar ao Museu Machado de Castro. Iniciado na Maçonaria em 1897 com o nome simbólico de “Fernão Vasques”. Superintendente dos Palácios Reais, nomeado pelo Governo Provisório em 24.10.1910. Sócio do Instituto de Coimbra e da Associação Liberal de Coimbra. Transitou para a Faculdade de Ciências em 12.5.1911. Professor da Faculdade de Ciências. Cadeiras - Desenho (1911-1928), prof. ordinário. Jubilação - Em 2.3.1929. Transitou da Faculdade de Filosofia como professor da cadeira de Desenho anexa às Ciências Biológicas. Pediu a aposentação em 7.1917, o que lhe foi indeferido. Vereador da Câmara Municipal de Coimbra. Membro do Conselho de Arte e Arqueologia de Coimbra em 1920."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/GONCALVES_antonioaugusto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam manchas de acidez.
Muito invulgar.
Indisponível

25 julho, 2025

CORRÊA, Fernando Calapez -
O AMERÍNDIO VISTO POR UM PORTUGUÊS DO SÉCULO XVIII: PONTES LEME
. Lisboa, Academia Portuguesa da História : Comissão Portuguesa de História Militar, 2002. In-4.º (25x18,5 cm) de 39, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo sobre a visão de um português de setecentos sobre o nativo brasileiro, que contradiz a visão europeia da época sobre o tema.
Obra invulgar, não mencionada na BNP, impressa em separata da «Preito e Reconhecimento», publicação patrocinada pela Academia Portuguesa de História.
No final do livro são reproduzidos três documentos relevantes para o assunto, relacionados com o biografado e a sua empresa ao serviço do Reino.
Tiragem limitada a 150 exemplares.
"António Pires da Silva Pontes Leme nasceu cerca de 1750 no município de Mariana, da capitania brasileira de Minas Gerais... [...] 
Se avô paterno, o Capitão paulista Francisco da Silva de Carvalho e Costa, prestou relevantes serviços de carácter militar à Coroa em 1711, quando uma esquadra corsária francesa sob o comando de de Du Guay Trouin cercou, tomou e saqueou a cidade do Rio de Janeiro, retirando após o pagamento de elevado resgate, facto inserido na Guerra de Sucessão de Espanha. [...]
Desconhece-se onde e como adquiriu a formação que lhe permitiu frequentar a Universidade de Coimbra; talvez com o Capelão de sua Casa, ou nalgum estabelecimento de ensino religioso, como era então usual em abastadas famílias brasileiras, particularmente de Minas Gerais. Notícias seguras datam de Coimbra, 24 de Dezembro de 1777, dia em que se doutorou em Matemática, na respectiva Faculdade da sua vetusta Universidade.
Dois anos mais tarde foi escolhido para integrar a expedição ao Brasil destinada a cartografar e marcar no terreno os limites entre este território e os da América Espanhola, expedição que ficou conhecida como a Terceira Partida do Tratado de Limites."
(Excerto de 1 - Resenha Biográfica)
"O Ameríndio foi sempre encarado como um ser arreligioso, possuidor de alma passível de conversão à Fé Cristã... [...]
Por outro lado, na Europa transpirenaica, influenciada pelas ideias iluministas desde a centúria anterior, acreditava-se que o ameríndio era a incarnação do "bom selvagem", ser que nascia naturalmente bom e que, ao entrar em contacto com o Europeu, rapidamente adquiria os vícios de que este enfermava. Portanto havia que protegê-lo, deixá-lo viver tal como os ancestrais e copiar-lhe os hábitos se se desejava solucionar os problemas da Europa, todos originados no egoísmo que o viver em sociedade produzia, e na educação europeia que não tinha em conta os valores do "bom selvagem".
Por seu turno, Pontes Leme, homem que nasceu no meio de ameríndios e que passou boa parte da sua vida entre eles, apresenta uma visão algo diferente desta última, tanto quanto três momentos significativos da sua vida deixam antever."
(Excerto de 5 - A visão do Ameríndio)
Índice:
Do Autor [Trabalhos do] | 1 - Resenha Biográfica. 2 - Formação intelectual. 3 - O Cientista. 4 - O Académico: 4.1. Da Academia Real das Ciências de Lisboa; 4.2. Da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica. 5 - A visão do Ameríndio. | Documento I - Memória Sobre os Homens Selvagens da América Meridional, que serve de introduçam às Viagens de António Pires da Silva Pontes Leme... Anno de 1792. Documento II - Observaçoens feitas na Academia dos Guardas da Marinha em 16 de Setembro de 1792. Documento III - Ofício do Governador da Capitania do Espírito Santo, António Pires da Silva Pontes Leme...
António Pires da Silva Pontes Leme (1750-1805). "Doutor na Faculdade de Matemática pela Universidade de Coimbra, Matemático ao serviço de Sua Majestade na Capitania de Mato Grosso; Professor de Matemática na Academia Real dos Guarda-Marinha; Capitão de Fragata da Armada Real; Governador da Capitania do Espírito Santo; Sócio da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/descriptions/1411)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

24 abril, 2025

SAAVEDRA, José -
OS SEMI-LOUCOS NA PSICHIATRIA, NA SOCIEDADE, NAS LETTRAS
. Coimbra, Composição e Impressão Gráfica Conimbricense, Limitada, 1922. In-8.º (19,5x14 cm) de 246, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante estudo psiquiátrico sobre os "semi-loucos" e a sua intervenção nas diferentes áreas socio-culturais na época.
Raro e muito curioso.
Trata-se da tese de doutoramento em Medicina que o autor apresentou à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O numero cada vez maior de casos de semi-loucura na sociedade con temporanea, só comparavel aos de syphilis - os dois maiores flagellos da humanidade e da raça - chamaram a minha attenção para o estudo deste capitulo da Psychiatria, tanto mais que a maior parte dos Tratados de Psychiatria ou a ella se não referem, ou a englobam no capitulo vago das degenerescencias, sem lhe precisarem os caracteres, nem salientarem a sua importancia, quer debaixo do ponto de vista medico, quer do ponto de vista social. [...]
Como julgar, realmente, de certas anomalias parciaes dos semi-loucos, se ellas se manifestam muitas vezes só na vida intima, conservando elles todas as suas faculdades intellectuaes, occultando com uma propositada e facil dissimulação durante o interrogatorio as taras de que o accusam?
O exame psychiatrico de um semi-louco tem de ser uma causa judicial em que o juiz é o medico especialisado nestes estudos e a acusação e defeza feitas pela sua entourage e peloo proprio doente.
Não basta pesquizar na sua historia taras mentaes e nervosas, tão frequentes em toda a gente, para justificar um diagnostico à outrance, de semi-loucura.
É mister attender a multiplos factores d'ordem moral, familiar, conhecer o meio em taes factos se passaram, curar de saber quaes as razões que possam justificar ou condenar esse acto.
A interdicção e internamento destes doentes nos manicomios em contacto com loucos completos, por simples certificado medico, as mais das vezes com conhecimento incompleto do doente, apaixonam vivamente a opinião publica, dando logar a pleitos, facilmente evitaveis com um conhecimento mais completo da semi-loucura e com a fundação de estabelecimentos proprios para estes doentes."
(Excerto do Prefacio)
"A semi-loucura é um estado mental intermedio á loucura e á saude mental.
A definição, com quasi todas as da biologia, não tem um rigor mathematico, nem limites precisos. O proprio nome, para designar os estado pathologicos que adeante descrevo é impreciso e incompleto.
Mas como poderá um nome composto de duas palavras exprimir exactamente o que leva muitas paginas a descrever?"
(Excerto de I - Demonstração da semi-loucura)
José Nevil de Ascensão Pinto da Cunha Saavedra (1895-1961). "Professor da Faculdade de Medicina. Naturalidade - Canidelo (Vila Nova de Gaia), 10.12.1895-?  Filiação - José Maria Rodrigues da Ascensão e Maria Emília da Ascensão Pinto da Cunha Saavedra. Matriculas - Medicina, 1912. Graus - Doutor, 20.7.1922. Cadeiras - Clínica e Policlínica Médicas (1919-1926), 2.º assistente. Observações - Abandonou a docência em 1926, para seguir a carreira de médico militar. Publicações - Os semi-loucos na psiquiatria, na sociedade e nas letras (Coimbra, 1922)."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/SAAVEDRA_josenevildeascensaopintodacunha)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral com excepção da lombada que se apresenta falha do revestimento. Em falta três folhas no início do livro: f. ante-rosto e a as que sucedem à f. rosto, sem prejuízo do ensaio propriamente dito, já que são folhas "menores", sem relevância para a obra.
Raro.
35€

16 fevereiro, 2025

TORRES, Francisco Pinheiro -
"ADEUS, SENHOR DOUTOR" (coisas de Coimbra).
2.ª Edição. Coimbra, Coimbra Editora, L.da (Antiga Livraria França & Arménio), 1923. In-8.º (18 cm) de 49, [1] p. ; B.
Interessante visão poética da Coimbra estudantil, originalmente publicada em 1898. Esta reedição, organizada por Alberto Pinheiro Torres, irmão do autor - estudante de medicina - é uma homenagem à sua memória, patente no comovente preâmbulo - Duas palavras - que precede o poemeto.
"Á familia do malogrado auctor do «adeus, Senhor Doutor», foi solicitada auctorisação para a sua reimpressão.
A principio hesitamos porque o poemeto nem revella, nem define a personalidade de meu irmão Francisco, dotade de invulgares qualidades de talento, sobejamente demonstradas n'uma vida infelizmente curta, mas fecunda, de trabalho intteligente e honrado. [...]
Francisco Pinheiro Torres que depois da formatura até à sua morte, que ainda hoje choramos, se consagrou quasi exclusivamente ao seu lar, aos seus doentes, de quem era médico e amigo, e aos pobres, numa obra superior de bondade e de beleza moral, viveu exaustivamente, como poucos, a vida pitoresca, poética, alegre e suave dessa incomparável Coimbra, para onde não raro se volvem nossos cansados e saüdosos olhos. [...]
Buliçoso, saltitante, em perpétua vibração, era um fósforo a arder, como de nosso Pai dizia Camillo.
Eu, que fui seu companheiro, durante alguns anos, na inolvidável casa da rua da Trindade, a que tão ternamente se refere, sei como é sincero, bem do coração e como se resume todo o poemeto o sentidíssimo verso
Tenho a alma pegada a tudo isto!! [...]
Dêsse amor a Coimbra brotaram estes versos, repassados de emoção e de saüdade. Dessa romagem de alguns anos pela Lusa Atenas, como então se dizia, ficou êste poético roteiro, que é ainda actual, apesar de volvido um quarto de século, como o revela a amável e penhorante insistência para esta segunda edição.
Nestas páginas, estuantes de seiva e mocidade a cantar, revive, deliciosa, a amável tradição de Coimbra."
(Excerto de Duas palavras)

"Partir, partir e nunca mais voltar!
Partir, dizer adeus e nem pr'a traz olhar!
Não vão meus olhos ficarem por ahi.
Antes ficassem. Que n'esta terra eu vi
correr sorrindo a minha Mocidade,
de Santa Clara ao Penedo da Saudade.
Coimbra, toda cheiinha d'estudantes,
que á guitarra choram seus descantes.
Toda cheia de tricanas pelo Rio
Onde as lagrimas d'Ignez correm em fio."

(Excerto do poemeto)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

04 fevereiro, 2025

VASCONCÉLLOZ, Dr. António Garcia Ribeiro de - O PECCADO ORIGINAL. Discurso pronunciado na Real Capella da Universidade na Festa da Immaculada Conceição a 8 de dezembro de 1895. Pelo... Lente Cathedrático da Faculdade de Theologia, Sócio Effectivo do Instituto de Coimbra e Correspondente da Academia Real de História de Madrid, etc. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1895. In-4.º (25x17 cm) de [2], 20, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Discurso-ensaio de história religiosa subordinada ao tema do "pecado original". Opúsculo raro e muito interessante, não consta das bibliografias do autor consultadas, nem no acervo da Biblioteca Nacional.
Tiragem: 400 exemplares.
"Entre os dogmas catholicos talvez nenhum tenha sido nos últimos tempos atacado mais cruamente do que o peccado original.
Pode lá admtitir-se um dogma, dizem os racionalistas, que é a completa negação do principio da responsabilidade individual, um dogma que affirma sermos cúmplices num acto, que se praticou, quando ainda não éramos nascidos? Poderá acceitar-se a doutrina, que nos mostra a justiça de Deos fazendo expiar a toda a humanidade um peccado commetido pelos primeiros paes, e deleitando-se em atormentar com castigos terriveis, homens innocentes? Em nome da própria religião natural, em nome da sã philosophia, tal doutrina deve ser rejeitada como absurda, cruel e nefasta.
Isto dizem os adversários da verdade revelada; e terám razão, quando assim fallam? Não, senhores. [...]
Deos por um acto de sua omnipotente vontade creou do nada a matéria. Mediante o concurso das causas segundas, operando em conformidade com as leis, que á sua infinita sabedoria aprouve dar á obra creada, formou no decorrer do tempo o universo. O espaço foi povoado de myríadas de astros, e a nossa terra, átomo insignificante perdido na immensidade da obra universal, viu as suas aguas e a sua atmosphera encherem-se de seres vivos, sapientíssima e providentìssimamente distribuidos em grupos, segundo uma economia admiravel.
Então Deos creou o homem, cidadão simultaneamente de dois mundos bem distinctos: o corpóreo e o espiritual."
(Excerto do Discurso)
António Garcia Ribeiro de Vasconcelos (S. Paio de Gramaços, 1860 – Coimbra, 1941). "Doutor em Teologia (1886) e Letras (1916) pela Universidade de Coimbra, sacerdote secular, «liturgista, filólogo, canonista, arqueólogo e historiador», na extensão da lápide evocativa colocada em 1944 na casa onde nasceu, foi uma personalidade vincada da diocese e da Universidade de Coimbra, onde exerceu o magistério entre 1887 e 1930, primeiro na Faculdade de Teologia e, depois da extinção desta, na Faculdade de Letras, onde se jubilou."
(Fonte: http://dichp.bnportugal.pt/imagens/vasconcelos.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
 
20€

30 janeiro, 2025

PRAÇA, Dr. José Joaquim Lopes - DAS LIBERDADES DA EGREJA PORTUGUEZA. O Catholicismo e as Nações Catholicas. Dissertação para o Concurso ao Magisterio na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pelo candidato... Coimbra, Imprensa Litteraria, 1881. In-8.º (22,5 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Catholicos e portuguezes, os nossos mais notaveis pensadores divergiam entre si, e não lhes repugnava ir d'encontro á doutrina que haviamos haurido no seio da Universidade, frequentando por alguns annos a Faculdade de Theologia, a de Philosophia, e muito especialmente a de Direito, a que de preferencia nos dedicamos, e da qual recebemos grandes, generosos e nunca esquecidos beneficios. [...]
Fizemos uma synthese das nossa idéas, e, se não nos illude a nossa boa fé, afigura-se-nos poder lançar alguns topicos para uma historia util, rigorosa e proficua da egreja portugueza, para a historia do direito patrio, e os fundamentos ao menos para que de futuro as nossas investigações sobre as relações entre Roma e Portugal, cheguem a um accôrdo em que progressivamente se manifestem com desassombro as aspirações legitimas dos dois poderes - espiritual e temporal."
(Excerto do preâmbulo)
José Joaquim Lopes Praça (Castedo, Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920). "Forma-se em Direito em 1868. Começa como professor do ensino secundário em Montemor-o-Novo, Viseu e Lisboa. Professor da Faculdade de Direito de Coimbra a partir de 1881, apresentando a tese O Catolicismo e as Nações. Da Liberdade da Igreja Portuguesa. Começa marcado pelo romantismo de Herculano e, por influência de Vicente Ferrer de Neto Paiva, adere depois ao Krausismo. Em 1904, foi nomeado aio do príncipe real, D. Luís Filipe, e do então infante D. Manuel. Abandona completamente a vida pública depois do regicídio de 1908."
(Fonte: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/classepolitica/pracalopes.htm)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa manchada com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
25€

05 janeiro, 2025

BRANDÃO, Mário -
O PROCESSO NA INQUISIÇÃO DE MESTRE JOÃO DA COSTA.
Publicado por... Vol. I. Coimbra, Publicações do Arquivo e Museu de Arte da Universidade de Coimbra, 1944. In-4.º (26x18 cm) de [8], 374, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a História da Inquisição Portuguesa. Este volume I é tudo quanto foi publicado a este respeito.
João da Costa (1511?-?). Natural de  Vila Nova de Portimão, Algarve. Mestre, proprietário de uma livraria. Estatuto social: cristão-velho. Acusado e preso a mando da Inquisição por heresia. Data da prisão: 13/08/1550. Sentença: auto-da-fé de 29/07/1551. Abjuração de veemente, ir para um mosteiro onde terá cárcere a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, pagamento de custas. O réu foi morador em Paris onde estudou Artes, Grego e Teologia, de onde se ausentou para Hubernia, "com licença de mestre Diogo de Gouveia", e Bordéus, onde esteve em Leis, graduou-se mestre em Artes e bacharel em Leis, foi doutor regente na universidade de Bordéus em Filosofia e presidente do Colégio de Bordéus e doutor e regente perpétuo da Universidade, onde era reitor três meses por ano. O rei escreve-lhe em 1546, para que viesse para Coimbra com mestre André. Regressou em 1547 e trouxe consigo alguns franceses. Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, processo n.º 9510.
(Fonte: https://digitarq.arquivos.pt/details?id=2309656)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

01 novembro, 2024

PRAÇA, J. J. Lopes -
ENSAIO SOBRE O PADROADO PORTUGUEZ.
Dissertação inaugural para o Acto de Conclusões Magnas. De... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1869. In-8.º (20x13,5 cm) de XIII, [1], 169, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Tese de final de curso do conhecido académico e professor da Universidade de Coimbra José Lopes Praça.
"O Padroado Português foi um acordo instituído entre a Santa Sé e Portugal em que o Papa delegava no Rei de Portugal o poder exclusivo da organização e financiamento de todas as atividades religiosas nos domínios e nas terras descobertas pelos portugueses." (Wikipédia)
"Incumbe-nos escrever sobre uma materia espinhosa e cheia de escolhos, attendendo quer ao padroado em si, quer ás suas diversas relações com outras materias. É coisa sabida e até palpavel que a doutrina do nosso padroado está dependente de conhecimentos profundos de Theologia Revelada, e de Direito Canonico, Publico, Internacional e Ecclesiastico. A Historia Geral da Egreja, as relações das disposições canonicas com as civis, e, sobre tudo, as lições da Historia da Egreja Lusitana são outros tantos elementos e que, do mesmo modo, não poderemos prescindir.
Infelizmente nem a Historia da Egreja Lusitana, nem o Direito Ecclesiastico Portuguez assumiram ainda a desejavel perfeição, e ainda até hoje não foi emprehendida entre nós uma verdadeira historia critica da nossa legislação e jurisprudencia. [...]
Alem disso, a materia do padroado é já de si bastante melindrosa para que, pondo de parte outras difficuldades, nos vejamos a olhal-a com prudencia e reflexão. As duas espheras da humana actividade melhor constituidas, e as mais impreteriveis condições do nosso desenvolvimento, interessam consideralvelmente na melhor solução das questões, que se têm ventilado a este respeito.
Hoje, principalmente, o estudo d'esta materia não se recommenda só pelo seu merito e importancia intrinseca; hoje corre-nos a estricta obrigação de verificar com escrupulo e imparcialidade a questão do padroado, a fim de não deixarmos correr á revelia a contestação apaixonada de uma das mais preciosas regalias da corôa portugueza."
(Excerto de Introducção Geral)
José Joaquim Lopes Praça (Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920). "É por vontade do pai destinado à vida eclesiástica, começa por estudar no Seminário de Braga antes de ingressar na Universidade de Coimbra em 1863. Estuda primeiramente Teologia e Direito, optando por estudar apenas Direito a partir do 4.º ano ao que parece por incompatibilidade de horário, demonstrando portanto maior interesse por uma área de estudos onde se desenrolavam grandes debates. Assistimos por estes anos a uma efervescência académica na Universidade de Coimbra, traduzindo-se esta pela contestação dos cânones estabelecidos, na procura por novas formas de expressão artística, por renovadas inspirações filosóficas e políticas, assim como um maior diálogo e abertura a outras realidades culturais. O jurista vai dedicar toda a sua vida ao ensino. Como professor, o seu discurso não vai ter um carácter polémico nem um tom de rotura. Enquanto professor de direito na Universidade de Coimbra começa por coligir material para a história do estado e do direito português. Além da sua Coleção de Leis e Subsídios para o Estudo do Direito Constitucional Português (1893-1894) temos ainda notícia de um mal logrado plano para escrever uma História do Direito Pátrio quando é chamado, como professor, para a corte (Mexia de Mendia, José Joaquim Lopes Praça (1844-1920) 1999, p.65-71). Devido ao facto de os seus escritos terem um aspecto de maior neutralidade e de se procurarem inserir num âmbito de cientificidade, vão atrair aceitação junto dos monárquicos moderados. Após terminar os seus estudos em 1869 com uma tese sobre o padroado português, procura seguir a carreira professoral na Universidade de Coimbra logo num concurso em 1870, esse desejo é no entanto sucessivamente adiado. Após o abalo do regicídio de 1908 a sua vida vai tomar no entanto um rumo semelhante à de Herculano, volta a Montemor-o-Novo, raramente sai de casa, divide o seu tempo entre a família e leituras. Mantém correspondência por exemplo com Ferreira Deusdado ou Tiago Sinibaldi e do que então escreveu limitou-o à sua esfera privada, sabemos tão só da repugnância que a sociedade lhe suscitava. Era desde 1904 com um sentido de missão, professor de filosofia do príncipe real. Os seus ensinamentos estão então mais próximos da religiosidade católica, na linha do neotomismo de Sinibaldi, cujo manual foi o guia para a educação do príncipe. A dedicação com que exerceu a carreira docente e a prudência de um homem de letras para com os problemas que Portugal atravessava, revendo-se na monarquia, levam-no até essa posição."
(Fonte: https://dichp.bnportugal.gov.pt/historiadores/historiadores_praca.htm)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Primeiras 15 folhas, incluindo f. rosto, com restauro no pé.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
45€