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15 abril, 2026

COELHO, Trindade -
TRINDADE COELHO : cartas, com um prefacio e notas de Paulo Osorio
. Porto, Editadas por Paulo Osorio, 1908. In-8.º (19x12 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição. 
Publicação da correspondência de Trindade Coelho para Paulo Osório, forma de este, prefaciador e editor, homenagear o autor de Os Meus Amores e In Illo Tempore, recém-falecido. Importante subsídio - "precioso documento psycologico" - para melhor compreensão do homem e da sua obra, editado  pouco tempo após o regicídio.
"Em 1897, esse pobre Trindade Coelho, cuja face pallida eu vi ha pouco na serenidade muda do seu esquife de suicida, pontificava num pequeno grupo de praticantes em letras, ao qual eu, então em começo, pertencia. Seduzira a essa meia duzia de estreiantes, de aptidões mais ou menos definidas , a arte tão nova, tão difficil quanto apparentemente singela, enternecida, dôce, luminosa, que enche as paginas translucidas dos seus contos. Os Meus Amôres eram os amôres de nós todos, eram a nossa biblia; e, porque o Trindade, que sempre foi doido por creanças, nos aturava magnanimo, pelas paginas risonhas das nossa revistas, pelas dedicatorias dos nossos contos ou dos nossos livros, o seu nome andava sempre, illuminado e florido, como o de um padroeiro. [...]
Pobre Trindade! A dictadura, que tanto parecia opprimir o teu espirito e revoltar o teu raciocinio, foi derribada, espesinhada, apunhalada, vencida. E quando a causa que fôra a tua se erguia thriumphante, e a voz do paiz esturgia nas abobadas de S. Bento como tu perceituavas, e o imperio da lei augusta e poderosa se promettia, como era de tua ambição instante e apaixonada, e quando as cadeias da opressão se quebravam a tiros de carabina e o sol da felicidade parecia subir, embora laivado de sangue, a illuminar de novo a terra portuguêsa, tu, o combatente, o martyr, o propheta, o apostolo, só encontráste no teu destino uma solução - morrer! E d'essa dictadura e do homem que a representava tu tinhas, pouco antes do suicidio, esta impressão amarga e dolorosa que te trouxera ao espirito atormentado toda a contemplação amargurada da tua vida desfeita:
- Tenho na minha alma uma grande gratidão pelo João Franco. E gostava que elle o soubesse. Porque, quando alguem um dia lhe propôs que me demittisse, dizem-me que elle respondeu: não demitto esse homem porque tem uma mulher e um filho. E esses, agora, não se lembram sequer de que essa  mulher e esse filho existem!"
(Excerto do Prefacio)
Paulo Mendes Osório (1882-1965). "Activo partidário de João Franco, dedicou-se sobretudo ao jornalismo. Em 1911, na sequência da queda da Monarquia, fixou-se em Paris, onde se tornou colaborador de O Século e correspondente do Diário de Notícias, tendo dirigido a secção parisiense deste último. Da sua obra, podem salientar-se dois volumes de crónicas, Lisboa (1908) e No Fado (1911), para além do conto História dum Morto (1914), e Le Portugal et la Guerre (1918), livro editado em França com tradução de Philéas Lebesque. Dedica também vários estudos a Camilo Castelo Branco, de que se destaca uma biografia do escritor, Camilo. A Sua Vida, o Seu Génio, de 1908."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/p/706-paulo-mendes-osorio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
20€
Reservado

06 abril, 2020

OSORIO, Paulo - HISTORIA D'UM MORTO. Terceira edição. Porto, Magalhães & Moniz, Lim. - Editores, 1909. In-8.º (15 cm) de 74, [2] p. ; B.
Novela naturalista. Apesar de estarmos em presença de uma terceira edição, não existe qualquer referência a esta obra na Biblioteca Nacional. Teve tradução para francês.
"São paginas intensas e saccudidas de emoção, onde por vezes afflora a luz d'uma leve ironia ou scintilla a faiscação d'um sorriso. O typo de João Martins é minuciosamente estudado e erguido bem vivo e bem real n'um plano de flagrante verdade. Admiravel ainda Maria da Graça, uma creatura resignada e ingenua, mas tão humana e tão cheia de delicadezas e de ternuras."
"É mais que um observador o snr. Paulo Osorio. É um emotivo; e a vida interessa-o pela dóse de sentimento que ressuma, e que elle expõe repassando-o da sua propria vida, da commoção e do abalo dos seus proprios nervos.

Essa figura tragica de João Martins não esquece mais; nem ao pé d'ella, banhada de luar e de piedade, essa humilde creatura que é Maria da Graça, que diriamos enviada por Deus - sem resultado! - ao torvelinho que cêdo envolveu esse pobre João, e que por fim o arremessou ao nada..."
(Excerto de Opiniões da imprensa, em Aguilhadas, aquando da publicação da 2.ª edição desta obra, disponíveis em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Aguilhadas/1904/N11/N11_master/AguilhadasN11.PDF)
"Esse homem que vi ha pouco, embrulhado em trapos, sobre o marmore d'uma mesa do necroterio e que uns visinhos foram encontrar morto a um canto do pobre quarto d'esmola em que vivia, tinha os pés brancos, de fina epiderme, de quem não costuma andar descalço, e qualquer coisa de nobre no traço aquilino do nariz, no afusado dos dedos, na altivez aristocratica da fronte, que afasta a ideia d'uma figura banal de plebeu e certamente não denuncia a attitude d'um mendigo.
Eu tinha a ideia nitida de ter visto aquelle homem já em qualquer parte: cubri a sua face meia verde das côres rosadas de são, procurei vêr através da barba inculta, a linha d'arte das suas feições de gentilhomem, perscrutei no seu olhar vidrado, azul e gelatinoso, a expressão da vida que o animava outr'ora e, subitamente, alguem a meu lado pronunciou um nome que me revelou tudo num instante e, illuminando de chofre a minha memoria tarda, todo me fez tremer, numa vertigem, ante a violência do desfecho tragico d'um caso que eu não julgava pudesse vir tão cruel nem tão depresssa."
(Excerto do início do livro)
Paulo Mendes Osório (1882-1965). "Activo partidário de João Franco, dedicou-se sobretudo ao jornalismo. Em 1911, na sequência da queda da Monarquia, fixou-se em Paris, onde se tornou colaborador de O Século e correspondente do Diário de Notícias, tendo dirigido a secção parisiense deste último. Da sua obra, podem salientar-se dois volumes de crónicas, Lisboa (1908) e No Fado (1911), para além do conto História dum Morto (1914), e Le Portugal et la Guerre (1918), livro editado em França com tradução de Philéas Lebesque. Dedica também vários estudos a Camilo Castelo Branco, de que se destaca uma biografia do escritor, Camilo. A Sua Vida, o Seu Génio, de 1908."

(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/p/706-paulo-mendes-osorio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mercas de fita gomada; lombada com falhas de papel. Sem a última folha (em branco).
Raro.
15€

27 junho, 2014

OSORIO, Paulo - CRIMINOSOS LOUCOS. A criminologia moderna. A Medicina legal portuguêsa. As bases d'uma reforma. Porto, Empreza Litteraria e Typographica, 1906. In-8.º (19 cm) de 113, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo coevo de criminologia.
"Para a sciencia, o crime deixou de ser uma entidade abstracta e o criminoso um reprobo digno de ser flagellado sem dó. Porque, separada essa noção do crime, tanto quanto possivel, de todo o artificio de que o direito convencionalmnente a foi cercando, e deixar ficar nella tão sómente aquillo que, derivado das leis naturaes, o andar das civilizações, com o transmudado das epocas e dos costumes, nunca modificou, - o criminoso ficou sendo, perante o criterio scientifico, o producto naturalmente resultante de condições individuaes e mesologicas, acarretando ab ovo com taras ancestraes que, para um terreno prohibido, a fatalidade do meio, mais tarde, encaminhou. [...]
A condemnação, em face da moderna sciencia, perde pois o seu velho caracter de vingança, para ficar sendo apenas um instrumento de defesa. E eis porque o regimen das prisões deveria ser moldado em termos que não fizessem com as ideias modernas de sciencia do crime um triste e flagrantissimo contraste.
Ferri classificou os delinquentes em cinco cathegorias, differenciadas d'um modo nitido por caracteres essenciaes: o louco ou quasi louco (praticando o crime sob o imperio d'uma psycose), o nato ou instinctivo (fadado organico-psychicamente para o crime), o habitual (que do meio que o cerca e da pratica continuada do delicto foi adquirindo qualidades equivalentes ás do criminoso instinctivo), o occasional e o de paixão; e menciona correlativamente quatro classes de meios de defesa collectiva: os preventivos (policia, educação, etc.), os reparadores (indemnisações, multas), os repressivos (detenção, suspensão de direitos, desterro, etc.) e os eliminadores (morte, reclusão perpetua em estabelecimentos proprios, deportação com abandono em paizes selvagens)."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, manchadas de oxidação.
Raro.
Sem registo na BNP (Biblioteca Nacional).
Indisponível

19 janeiro, 2014

OSÓRIO, Paulo - QUANDO ESTÁVAMOS EM GUERRA. O que se desconhece ainda sôbre os soldados portugueses em França. Porto, Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, L.da, editores, 1920. In-8º (19cm) de XXII, 180, [2] p. ; il. ; B.
Ilustrado em separado com cenas do quotidiano militar.
Capa: foto de parada militar com a inscrição "Soldados portugueses na festa da Vitória".
“Os artigos que neste volume se reúnem pertencem ao número daqueles que a imprensa de língua francesa consagrou à intervenção de Portugal na grande guerra. Êsses artigos são quáse desconhecidos no nosso país. Quando eles foram publicados, alguns dos meus compatriotas residentes no estrangeiro tomaram a iniciativa de os enviar à maior parte dos jornais portugueses. Raros foram, porêm, entre esses jornais, aqueles que julgaram útil o esfôrço de os traduzir e divulgar. As intrigas que habitualmente ela fomenta e que tanto concorrem para a lamentável desorientação em que na sociedade portuguesa se tem vivido e está vivendo, as discussões estéreis duma política mesquinha, absorviam então, como absorvem sempre, as atenções da quase totalidade da nossa imprensa…”
(excerto do prefácio)
Matérias:
- O exfôrço português. - O soldado português. - Portugal. - Os nossos aliados e nós. - O nosso aliado Portugal. - Portugal e a França. - Portugal. - A lialdade portuguesa. - A intervenção de Portugal. - A Alemanha contra Portugal. - O corpo expedicionario português. - Portugal perante a Europa. - Ao contrário dos gregos. - Um valente pequeno estado. - A legião portuguesa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível