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23 março, 2024

DIAS, Manuel - MILAGRES E CRENDICES POPULARES : visões - aparições - revelações. Porto, Brasília Editora, 1985. In-8.º (20 cm) de 192, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Armando Alves. Fotografias de Américo Diegues, Armando Moreira (Marco), Henrique Moreira e Pereira de Sousa, da equipa de Reportagem Fotográfica do "Jornal de Notícias".
Curioso estudo-reportagem do autor sobre as crenças religiosas em Portugal, e a forma como este fenómeno popular é aproveitado por "actores" menos escrupulosos. "Ilustrada com muitas fotografias [em página inteira], esta obra é, em si mesmo, o testemunho verdadeiro de uma realidade dos nossos dias, do nosso tempo."
"País proclamado "essencialmente católico", Portugal tem sido cenário, ao longo dos séculos, das mais primárias manifestações de religiosidade popular. Desde corpos incorruptos de pessoas que se diz terem morrido "em cheiro de santidade", a homens e mulheres, com algumas crianças à mistura, que apregoam visões celestiais  e "revelam" dons sobrenaturais mercê das aparições que seus olhos (e os de mais ninguém...) contemplam, é um desfile imenso de "escolhidos" a que se assiste, de Norte a Sul, com amplas faixas de um povo entregando-se por inteiro, ou ingenuamente confiando-se aos exploradores da crendice.
Ante os rumores que em determinado local alguém viu uma "senhora muito linda", regra geral, "a sair de uma nuvem"; de que em certa localidade uma jovem, normalmente doente e presa ao leito, é acometida de êxtases e dialoga com Nossa Senhora; de que naquele cemitério foi posta a descoberto um cadáver em "perfeito estado de conservação, apesar de já estar enterrado há dezenas de anos - ante tais rumores acaba por consolidar-se a história imediatamente posta a correr pelos arautos dos milagres, de que o sobrenatural montou "ali" arraiais e está ao alcance de todos...
Como testemunhos mudos, mas convincentes, das maravilhas operadas pelas novas santas (ou santos), são exibidas dádivas dos crentes e, até, "miraculados". Algum dinheiro sobre bandejas (as grossas maquias vão sendo postas a bom recato...) e, para impressionar ou arrebanhar os candidatos a devotos, bonecos ou cabeças, troncos e membros, em cera, fazem parte do mostruário organizado em função das contribuições dos "pagadores de promessas". [...]
Não foi por acaso que Portugal se transformou num viveiro de "santas" reconhecidas por "legiões de fiéis". De modo mais sensível nas zonas do Centro e Norte, surgem, periodicamente, "casos" que dão que falar e que, ao mobilizarem as atenções da opinião pública, provocam o nascimento de novos "santuários".
(Excerto da introdução, Porta aberta à crendice)
Índice:
[Introdução]. Porta aberta à crendice. | Corpos incorruptos. | O "Santo" de Beire. | A "Princezinha da Calçada". | "Santa" Maria Adelaide. | Cristina de Bragança. | "Santa de Anreade". | Dois pastorinhos "videntes" em Vila Nova à Coelheira. | O "Salve Rainha" sonhou e a capelinha nasceu. | Guilhermina - a leiteira "vidente". | "Santos Mártires". | "Industriais de Milagres". |  "Estigmatizada" de Lamego: no reino do masoquismo. | "Estigmatizada" de Vilar Chão - até onde vai o engenho e a arte... | "Santa da Ladeira do Pinheiro" - um mundo alucinante... | "Santinha de Tropeço" - uma história exemplar... | Na peugada de Balazar. | Testemunho de uma parapsicóloga. | O tribunal foi apenas um acidente de percurso. | Cansou-se de ser "Santa" e fez a si própria um "milagre".
Manuel Dias. É natural do Porto. Em 1953, começou a colaborar no vespertino «Diário do Norte», em cujo quadro redactorial depois ingressou. Transferiu-se de seguida para «O Comércio do Porto», de onde saiu em 1974 a fim de passar para o «Jornal de Notícias». Também é colaborador do «Diário Popular». Como jornalista, deslocou-se a vários países da Europa e da África, assim como ao Brasil.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

22 julho, 2016

OS MISTÉRIOS DA LADEIRA DO PINHEIRO. (Breves apontamentos dos factos de ordem sobrenatural verificados, desde há 10 anos, no local das aparições de Nossa Senhora das Graças, situados na Ladeira do Pinheiro; entre Torres Novas e Entroncamento) : Portugal. Zaragoza, Editorial Círculo, 1971. In-8.º (18 cm) de 284, [8] p. ; [16] p. il. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada em Espanha, certamente para contornar a censura do Estado Novo.
Ilustrada com 16 páginas extratexto, reproduzindo actuações da mística, e outras.
Não existem referências à autoria do livro, e este não se encontra recenseado na base de dados da Biblioteca Nacional.
"Natural de Riachos, Torres Novas, Maria da Conceição Mendes Horta tinha 39 anos quando, internada no Hospital da Misericórdia, na Golegã, com uma leucemia, viu uma imagem do Senhor dos Passos a mexer-se. Terá ficado curada, afirmando desde então que tinha visões e falava com os Santos, reunindo ao seu redor um grupo de fiéis que chegou a trazer à Ladeira do Pinheiro pessoas do outro lado do Atlântico. Morreria em 2003, aos 72 anos, poucas semanas depois de ter sido excomungada por um ramo da Igreja Ortodoxa polaca, a única que apoiou o culto.
É uma história feita de vários episódios e uma certa mística de mártir que sempre rodeou Maria da Conceição, conhecida entre os fiéis por “Mãe Maria” ou “Santa da Ladeira” e pelos céticos como “bruxa da Meia Via”. Casada por duas vezes, tendo ficado viúva do primeiro marido, teve as suas primeiras visões nos anos 60, procurando desde então que o seu culto fosse aceite pela Igreja Católica. Não só nunca foi aceite como Maria da Conceição entrou em litígio com o pároco local.
A sua casa foi fechada pela GNR em 1972 e só depois do 25 de Abril, e com o fim do Estado Novo, a Igreja Católica Ortodoxa de Portugal deu o seu apoio a Maria da Conceição, criando-se o início da institucionalização do culto."
(Fonte: www.mediotejo.net)
"Antes de iniciar a descrição sucinta dos factos, que, por força das circunstâncias, estão de antemão sujeitos a criticas tão injustas como disparatadas, devo advertir, seriamente, que toda a matéria exposta foi investigada e comprovada em termos de não deixar dúvidas, como poderá certificar-se aquele que o desejar, pois está aberto a todos o campo da investigação. Não se trata, portanto, de «fantasias», «contos» ou «romances», cheios de enfeites, ornamentos ou poesias, que dão à leitura o encanto e deleite, segundo a imaginação  e o génio do autor. Mas aqui, apenas encontrarão a verdade intangível, crua e nua, como Deus a deitou ao mundo, sem uma brisa, suave e amena,  que a harmonize com os conceitos da mentalidade ou beleza da arte de escrever."
(excerto da introdução)
"Tudo quanto fica escrito relativamente às aparições de Nossa Senhora das Graças da Ladeira do Pinheiro, há-de, com certeza, merecer juízos diversos , segundo a condição de cada pessoa, porque uns acreditam em aparições, outros apenas crêem na Bíblia Sagrada, alguns só têm fé na existência de Deus, e uma grande parte não acredita em nada; de tal sorte que é impossível conciliarem-se as opiniões, a não ser que se transigisse até ao ponto de se atingir o alto nível intelectual do sábio que disse: «Só sei que nada sei...»
Mas o que importa é saber, se é ou não é possível a existência de um movimento de salvação sobrenatural, se os factos apontados têm ou não foros de verdade, e se a condição humana é ou não a causa de todas as controvérsias?!"
(Excerto do Cap. XII, Considerações finais)
Matérias:
Introdução. I - O princípio das revelações. II - O Mistério da Divina Eucaristia. III - A cura ou diagnóstico de doenças. IV - A translação misteriosa da vidente. V - Mistérios materializados. VI - Visões celestiais. VII - Prenunciação da mística. VIII - Martírios e angústias. IX - Milagre dos «40 dias». X - Extractos de êxtases. XI - Sincronismo de outras aparições. XII - Considerações finais.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Sem registo na BNP.
Indisponível