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15 maio, 2026

ADÃO, Cabral -
AS FLORES DO ARROZAL. [Por].... Médico. Setúbal, Tip. Simões, 1955. In-4.° (23x16 cm) de 13, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso "relatório" publicado em separata de «O Distrito de Setúbal», n.° 166, 8/IX/954, revista pelo autor.
Visita empreendida pelo autor aos arrozais do Posto Experimental do Vale do Sado, Setúbal, a convite do director do estabelecimento, Eng. Manuel Beija. Do passeio resultou este "relatório" onde o autor descreve o trabalho árduo das mondinas (ou mondadeiras) - as "flores do arrozal" - e o seu traje. Refere ainda os Cursos de Cultivo de Arroz, e as competições de destreza e rapidez na monda do cereal promovidas pelo Posto Experimental, que premeia as moças que mais se distinguem na função com valores pecuniários.
Opúsculo raro e muito interessante, com interesse histórico e etnográfico, ilustrado no texto com fotografias a p.b.
"São as as mondinas. No esmalte verde das folhas quadriculadas, engastam-se os coloridos vivos dos seus trajos como as policromias dum mosaico mourisco. São papoilas, são malvas, são hortênsias que se vão mexendo lentamente, sempre vergadas para o chão, na faina úitil de livrar a cultura, das ervas parasitas que a podem debilitar.
O trabalho das mondinas, visto de dentro, será muito natural, uma tarefa vulgar, como qualquer outro trabalho de campo. Mas visto de fora, visto com olhos de interessada análise, que espinhoso e duro é o trabalho das flores do arrozal!
Começo por dizer que me admiro como a bichagem dos charcos não lhes crava as pernas de mordeduras. Atascadas até ao joelho, com umas calças de ganga muito cingidas, mais ao serviço do pudor que da higiene, numa lama pegajosa onde saltitam rās aos milhares, onde rastejam minhocas, pequenos sáurios, pequenos ofídeos, larvas, sapos, formigões, é caso de valentia ali demorarem horas e horas, na posicão mais incómoda que o trabalho de pé conhece."
(Excerto do Relatório)
Luís Cabral Adão (Vila Flor, Bragança, 1910 - Almada, 1992). Poeta. Concluiu o curso de Medicina (1933) e especializou-se em Estomatologia (1938), lustro em que foi médico municipal de Vila Flor. Exerceu, depois, a sua especialidade em vários institutos, dispensários e sanatórios das áreas de Lisboa e Setúbal, aqui se radicando. Tem larga bibliografia no Jornal do Médico, no Jornal de Estomatologia e na Revista Portuguesa de Estomatologia. Fundador da tertúlia poética Arcádia da Fonte do Anjo (1953), a sua colaboração é, todavia, ainda mais vasta e variada em dezenas de publicações regionais de norte a sul do país, como a Gazeta do Sul, onde usou o pseudónimo Albino Eteu."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/luis-cabral-adao)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€

08 fevereiro, 2026

VASCONCELLOS, João de Carvalho e -
DE SAPAL A ARROZAL. (Estudo da vegetação na zona do Sado).
Por... Engenheiro-Agrónomo, Professor do Instituto Superior de Agronomia. Lisboa, Ministério da Economia : Secretaria de Estado do Comércio : Comissão Reguladora do Comércio de Arroz, 1960. In-4.º (24x16 cm) de 30, [6] p. ; [2] quadros desd. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre a transformação de sapais na região de Setúbal em áreas de cultivo de arroz. Trabalho com interesse para a história da cultura do cereal nesta zona do país conhecida precisamente por acolher esse tipo de prática agrícola.
Inclui dois quadros estatísticos desdobráveis (Quadros de presença) em folhas separadas do texto.
"Os terrenos de sapal são geralmente terrenos de aluvião, em muitos casos alagados, constituídos por materiais os mais diversos, como lodos, nateiros, areias e detritos de toda a ordem, que as águas foram carreando até aos troços inferiores dos rios e ribeiras e que são ou foram atingidos pelas marés. [...]
Em Portugal ainda não se efectuou uma avaliação precisa da superfície total dos sapais existentes. [...]
São sobretudo importantes os sapais no vale do Sado e no Algarve.
Só no Algarve, segundo Rodolfo (1953), a sua área total aproximada anda por 10 000 hectares.
A área de sapais no vale do Sado perece ser um pouco inferior.
Veloso (1954) calcula em 5 8000 hectares a área de sapais ainda não aproveitada no concelho de Setúbal e na zona dominada pelas Obras de Hidráulica Agrícola."
(Excerto de Sapais)
Índice:
Palavras prévias | Sapais | Método de trabalho | Quadros de presença | Comparação dos resultados | Relação das plantas citadas no presente estudo | Bibliografia | Agradecimentos | Summary.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€