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20 setembro, 2026

PINTO (Sacavem),
Alfredo - EM TERRAS DE PORTUGAL.
Recordações - Esbôços - Phantazias. (Illustrações photographicas do auctor). Lisboa, Livraria Ferin 1914. In-8,º (20x13,5 cm) de 84, [2] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Capa de Abel Santos (1888-1963).
Bonito álbum. Trata-se do olhar nostálgico e etnográfico do autor, enriquecido com os seus comentários e reflexões, sobre vilas, localidades campestres e seus monumentos, na incursão que empreendeu pelo centro do país, com especial relevo para as Caldas da Rainha e suas termas, Óbidos, e demais zonas circundantes.
Obra ilustrada no texto com belíssimas fotogravuras da responsabilidade de Alfredo Pinto.
"Passar algum tempo no campo é um habito que entra na massa do sangue desde o alvorecer da nossa mocidade, e assim, logo que a natureza se envolve com o manto variado das suas côres, pensamos logo em abandonar Lisbôa e vermo-nos livres, por alguns mezes, da vida buliçosa da capital, com tudo que ella possue de simulado na sua vida  ficticia e pouco hygienica.
Assim uns tempos no campo são um verdadeiro balsamo de conforto, de tranquillidade á nossa existencia physica e intellectual.
Na mór parte da gente não existe, infelizmente, a ideia nitida que se deve ter de uma estada no campo.
Geralmente todas as familias abandonam Lisbôa pelo espirito comesinho de seguirem a moda de: ir para fóra, e lá terem a mesma vida da cidade, com o mesmo luxo das toilettes, com todo esse rosario de ideias balofas e ridiculas que enche os cerebros das mães de familia, em que as thermas, praias, etc., são apenas pretextos para mostrarem as filhas e verem se as casam ricas o mais depressa possivel! 
Todas as infinitas belezas que a natureza lhes offerece n'essas terras para onde vão permanecer alguns mezes, passam desapercebidas como verdadeiras vulgaridades.
Por isso direi que sempre me faz pena não comprehenderem o campo para onde vão, e saberem gozar d'elle com aquelle amor e carinho que elle tanto merece.
Mas deixarei estas considerações, pois malhar em ferro frio é tempo sempre perdido, e entrarei no assumpto d'estas notas, d'estes esboços colhidos a esmo que apenas têm um fim - contar as minhas simples impressões de mero viandante por esses montes e valles d'esta nossa querida terra."
(Excerto do Cap. I)
Alfredo Pinto (1874-1945). Também conhecido por "Sacavém", foi um poeta português. A sua obra poética destaca-se pela sua originalidade e pela forma como abordou temas do quotidiano e da condição humana, muitas vezes com um olhar atento à realidade social. Foi uma figura marcante no panorama literário, deixando um registo poético singular."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/alfredo-pinto-sacavem)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva a capa de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com falta da f. ante-rosto.
Muito invulgar.
35€

09 maio, 2026

A LOUÇA DAS CALDAS DA RAINHA.
Publicação feita por um grupo de amigos de Rafael Bordallo Pinheiro. Lisboa, Typ. da Companhia Nacional Editora, 1899. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio bordaliano mandado publicar por um grupo de amigos do ilustrador, caricaturista e industrial de cerâmica, "espírito brilhante, ímpar de criatividade,", fundador da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.
"Se algum importante acontecimento deve assignalar a historia da arte portugueza no presente seculo, é elle por certo o vigoroso impulso dado á ceramica pelo talento prestigioso de Rafael Bordallo.
Nenhum industria artistica existe porventura mais caracteristicamente nacional do que esta. [...]
Dar a esta arte um impulso de revivescencia significava reatar a velha tradição, senão quebrada, pelo menos diluida nas seccessivas deformações, na passagem atravez de gerações de operarios pouco intelligentes.
Foi o que Rafael Bordallo comprehendeu e tratou de pôr em pratica, com um exito plenamente justificado pela vivacidade do seu talento e pela exuberancia da sua phantasia. As formas, sobre as quaes elle quiz modelar os seus maravilhosos motivos ornamentaes, foram as mesmas consagradas por um uso secular ininterrupto, os typos do vasilhame portuguez, derivados da arte mourisca e arabica, das variadas influencias do Oriente, da Persia, da India e China, ou longinquamente filiados na arte greco-romana, ou ainda espontaneamente surgidos da imaginação popular, fecundada pelas necessidades do nosso meio.
Por outro lado, o eminente artista submetteu a sua phantasia ás condições do caracter que desde tempos remotos fôra imprimido á ceramica portugueza, na escolha refletida dos motivos decorativos. Viram-se as rãs, os sapos, as cobras, rojando pelo bojo das bilhas e dos potes, pelo disco esmaltado dos grandes pratos, differenciando-se por um aperfeiçoamento de esculptura, um aprimorado gosto artistico na procura de attitudes, da antiga industria rotineira das Caldas da Rainha.
A fauna e flora maritimas deram um largo contingente para a ornamentação dos mais ricos e deslumbrantes productos de faiança, para que não esquecesse a nota caracteristica de um povo quem, acima de qualquer outro, deu impulso á navegação moderna."
(Excerto da Publicação)
Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905). "Revelou-se um espírito brilhante, ímpar de criatividade, que aplicou a uma contínua intervenção atenta e crítica à vida portuguesa. Permanecem de surpreendente atualidade os seus comentários à política, à economia, à sociedade da época, nas revistas de caricatura e humor que editou, atitude que não raro refletiu na cerâmica que, a partir de 1884, logra revitalizar nas Caldas da Rainha."
(Fonte: https://www.instituto-camoes.pt/activity/centro-virtual/bases-tematicas/figuras-da-cultura-portuguesa/rafael-bordalo-pinheiro)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

09 setembro, 2025

EXPOSIÇÃO "CERÂMICA DAS CALDAS"
. [Lisboa], Museu Nacional de Arte Antiga, Primavera 1978. In-4.º (24x17,5 cm) de [2], 47, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante catálogo, subsídio com indubitável interesse para a história da cerâmica caldense e seus artífices.
Ilustrado no texto a p.b. e a cores, e em página inteira com inúmeras colagens a cores reproduzindo peças das Caldas.
Inclui no final lista de marcas registadas de artistas ou fabricantes (65) e uma relação das colecções particulares e do Estado.
Junta-se recorte de jornal com artigo sobre a exposição de obras de Bordalo Pinheiro no Palácio das Galveias.
"Privilegiada pela qualidade cerâmica dos seus barros, Caldas da Rainha mantém uma persistente actividade cerâmica, cuja origem se perde nos tempos. Motivo de justificado orgulho dos caldenses, constitui um valor patrimonial que merece, carece e urge ser defendido, estudado e valorizado. [...]
Muito pouco se sabe quanto às origens e faltam exemplares, suficientemente documentados, que permitam definir tipológica e cronologicamente os primeiros produtos dos antigos barristas e oleiros. [...]
Procurou-se ainda, dentro do possível, deixar expressas algumas influências nítidas, nacionais ou estrangeiras, que atestam o poder de criatividade e actualização característico do labor das oficinas da região.
A cerâmica tem como atributo essencial a forma, já que é a arte do fogo esultante da manipulação da argila - matéria plástica por excelência. Nesta zona, com imaginação e conhecimento, os artistas cerâmicos têm sabido aproveitar as qualidades esplêndidas das argilas ferruginosas que abundam no solo. Desde o século XV, oleiros e barristas fizeram - com o prestígio do seu labor - de Caldas da Rainha um dos mais importantes centros de cerâmica popular portuguesa."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas vincadas.
Muito invulgar.
25€

21 setembro, 2023

CERÂMICAS ANTIGAS DAS CALDAS E DE BORDALO PINHEIRO.
[Exposição organizada pela Junta de Turismo da Costa do Estoril e Museu de Cerâmica nas Caldas da Rainha]. [S.l.], Junta de Turismo da Costa do Estoril, 1984. In-4.º (26x16,5 cm) de [66] p. ; [22] p. il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da exposição que teve lugar no Pavilhão dos Congressos do Estoril, em Agosto de 1984, na Galeria das Arcadas.
Junta-se folheto das peças extra-catálogo.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado no texto com desenhos das marcas registadas e, no final, em separado, com inúmeras fotografias distribuídas por 22 páginas.
"Apesar do prestígio que o centro cerâmico de Caldas da Rainha conquistou ao longo dos séculos, até hoje não se esclareceu o enigma que constitui o primeiro período da sua história e da sua produção. Através de raros documentos e por uma sólida tradição oral, sabemos que no séc. XVII esta produção já era florescente, mas não existia nenhuma obra assinada até à segunda metade do séc. XIX e nem se conservaram os raros fragmentos de cerâmica recolhidos no final do século passado em escavações efectuadas nos locais de uma antiga olaria e então estudados pelo ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra."
(Excerto de I - Introdução)
"Manuel Mafra, novo proprietário da fábrica que comprou a Maria dos Cacos, introduziu rapidamente inovações que revolucionaram os costumes dos seus parceiros aplicando do reverso das peças um carimbo comercial gravado no barro; já não se trata então de iniciais tímidas, meio apagadas pela espessura do vidrado. O primeiro carimbo de Manuel Mafra é constituído por uma âncora enquadrada nas quatro iniciais formadas pelo seu nome e alcunha M. C. G. M. "Manuel Cipriano Gomes, O Mafra", iniciais como já referimos, que se encontram nalgumas peças da Escola de Maria dos Cacos da qual O Mafra fez parte. Maia tarde, o interesse e a protecção dispensados pelo rei D. Fernando permitiram-lhe a introdução da coroa real no novo carimbo acrescentado mais tarde da inscrição "Portugal", signo do desenvolvimento comercial a nível internacional, facto raro e talvez único na história da cerâmica portuguesa do séc. XIX."
(Excerto de II - A Olaria das Caldas da Rainha: De Manuel Mafra a Rafael Bordalo Pinheiro)
"Rafael Bordalo Pinheiro tinha 38 anos e encontrava-se no apogeu da sua brilhante carreira de caricaturista quando, por 1883, o irmão Feliciano que andava, então, interessado na constituição duma sociedade para fundar uma fábrica de faianças nas Caldas da Rainha, o indigitou para director artístico da futura empreza, apostando, naturalmente, no seu já firmado prestígio de artista. Aceita, em princípio, sem hesitação, dispondo-se, desde logo, a submeter-se às primeiras provas.
Tratava-se duma empolgante experiência a que o seu temperamento dispersivo, sempre sedento de novas emoções, não podia ficar indiferente."
(Excerto de III - Rafael Bordalo Pinheiro e as Faianças das Caldas)
Índice:
I - Introdução. II - A Olaria das Caldas da Rainha: Das Origens até Manuel Mafra. De Manuel Mafra a Rafael Bordalo Pinheiro. III - Rafael Bordalo Pinheiro e as Faianças das Caldas. IV - Produção mais Antiga: Maria dos Cacos(?). Manuel C. G. Mafra. Oleiros e Ceramistas de Meados do séc. XIX. V - Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha e Fabricantes da Época. VI - Início do séc. XX. VII - Figuras de Engonço ou de Movimento. VIII - Olaria. IX - Algumas Marcas Registadas. Fabricantes Representados. Abreviaturas. X - Fotos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bordaliano.
30€

22 maio, 2022

LOUREIRO, Nicole Ballu - "O ANIMAL NA LOUÇA DAS CALDAS".
Exposição Itinerante da Cerâmica Caldense. Museu de Alberto Sampaio
. [S.l.], [s.n.], [1982?]. In-fólio (30x21,5 cm) de [26] f. ; B.
1.ª edição.
Capa assinada: "EL-82".
Trabalho em dactilotexto. Interessante subsídio para a indústria de Cerâmica das Caldas. Trata-se de um inventário de peças decoradas com motivos animais, elaborado a partir de um cuidadoso levantamento artístico, recorrendo a colecções privadas e instituições públicas.
"A escolha do tema "O Animal" foi decidida para cativar o interesse do público pela beleza do património tradicional que os rodeia muitas vezes nas suas próprias casas, sem que se apercebam do valor artístico que podem atingir os objectos mais humildes, e por representar a fonte de inspiração mais antiga dos oleiros caldenses. [...]
Em meados do sec. XIX a chegada Às Caldas da Rainha de Manuel Cipriano Gomes, barrista mafrense - que ficou rapidamente conhecido como "O Mafra", deu origem a um novo estilo de fabricação, pois este ceramista, em contacto com a Corte e os artistas estrangeiros que a rodeavam, descobriu e adoptou uma técnica renascentista muito apreciada e reproduzida naquela época na França e na Alemanha, mas transformando-a de maneira a torná-la genuinamente caldense, inconfundível, recolendo enfim os frutos deste esforço com importantes exportações de louça para o estrangeiro. [...]
A chegada de Rafael Bordalo Pinheiro em 1884 e o início da sua carreira barrista nos ateliers de Gomes d'Avelar - outro ceramista de grande evidência - coincidiu com o desaparecimento de Manuel Mafra, desencadeando assim a última viragem da evolução artística caldense."
(Excerto do preâmbulo)
Segue-se a lista de 250 peças "das mais importantes colecções habitualmente fora do alcance do público", com a respectiva descrição técnica, data e proveniência.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
35€

12 outubro, 2021

ELIAS , Herculano - TÉCNICAS TRADICIONAIS A CERÂMICA DAS CALDAS DA RAINHA
. [S.l.], Património Histórico - Grupo de Estudos, 1996. In-4.º (24 cm) de 31, [1] p. ; il. ; B. Colecção «Testemunhos», 1
1.ª edição.
Interessante monografia sobre Herculano Elias, conhecido artífice das Caldas, e o trabalho que desenvolveu ao longo de décadas numa zona conhecida pela olaria e faiança de autor.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado com fotografias a cores da oficina de trabalho, alfaias e diversas peças de faiança/olaria.
Tiragem: 600 exemplares.
"Herculano Elias é um ceramista caldense que intentou  passar ao papel a memória que conserva dos procedimentos e técnicas correntes na olaria e na faiança caldenses anteriores às grandes transformações industriais dos anos 50 deste século. Nascido em 1932, numa família com estreitíssimas ligações à actividade cerâmica, o jovem Herculano recebe na oficina de seu avô, de quem também herdou o nome, o baptismo do barro.
Herculano Elias presta-se aqui a descrever-nos os modos de fazer adoptados nas olarias e nas oficinas de faiança caldense do tempo da sua juventude. Na sua maior parte, as práticas que indica observou-as directamente, utilizou-as pessoalmente ou testemunhou os seus resultados."
(Excerto da Nota Prévia)
Matérias:
Nota Prévia. | Introdução. | As oficinas (fábricas) de Olaria. | As oficinas (fábricas) de Faiança. | O barro para a Olaria. | O barro para  Faiança. | Técnica da olaria - para começar o trabalho na roda de oleiro. | Faianças. | Moldes. | Fornos. | Cor do fogo. | O mobiliário para a enforma. | Técnica das caixas em refractário. | Técnica da enforma. | Combustível. | Queima de chumbo. | Vidrados. | Técnicas de decoração na Olaria. | Técnicas de decoração da Faiança. | Verguinha. | Miniaturas em barro. | Comercialização. | Nota final. | Glossário.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

16 agosto, 2021

PESSANHA, D. José - A IGREJA DE NOSSA SENHORA DO POPOLO DAS CALDAS DA RAINHA EM 1656. Descripção e inventarios publicados por... Socio effectivo da Real Associação dos Archeologos Portuguezes e correspondente do Instituto de Coimbra. Proprietaria e editora, a Real Associação. Separata do Boletim da Real Associação dos Archeologos Portuguezes. Lisboa, Typ. da Caza da
Moeda e Papel Sellado, 1910. In-4.º (27 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo situada nas Caldas da Rainha.
"A Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, também referida como Igreja Matriz das Caldas da Rainha (1500), integra o conjunto do Hospital Termal Rainha D. Leonor na freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, cidade e concelho das Caldas da Rainha, distrito de Leiria, sub-região do Oeste, Portugal. Foi classificada como Monumento Nacional em 1910 (Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910) e é hoje um dos elementos patrimoniais mais significativos do município.
A povoação de Caldas da Rainha, tal como a sua Misericórdia e Hospital, foram fundados pela rainha D. Leonor em 1485. Dez anos mais tarde o Papa autorizou a fundação de uma capela anexa, também ela sob a invocação de Nossa Senhora do Pópulo; em comunicação direta com o hospital através de um corredor abobadado, destinava-se ao acompanhamento espiritual dos doentes (no dia de chegada, era aí que se confessavam e comungavam para depois iniciarem os tratamentos).
Os elementos essenciais da igreja (nave e capela-mor) ficaram concluídos em 1500; o templo seria elevado a Igreja Matriz em 1510, ano em que foi terminada a torre sineira e instalaram a pia batismal. Diversas obras de beneficiação e reabilitação teriam lugar ao longo dos anos, entre as quais a construção do coro-alto (1544-46), a inclusão de elementos decorativos em talha, pinturas e esculturas (1518, 1533, 1639, 1659, 1675, 1732, 1750, etc.), o revestimento em azulejo (1658-59), ou a instalação de um novo órgão, doado por D. João VI (1825)."
(Fonte: wikipédia)
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
José Maria da Silva Pessanha (Lisboa, 1865-1939). Aristocrata. Académico, professor, historiador de arte e arqueólogo. Publicou, entre outros trabalhos, A História das Indústrias Artísticas em Portugal (1904) e a conferência A Porcelana em Portugal -.A Fábrica da Vista Alegre (1924). Leccionou na Escola de Belas Artes de Lisboa e exerceu funções de conservador da Torre do Tombo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, ligeiramente oxidado.
Raro.
15€

18 dezembro, 2020

SALAMONDE, Eduardo - BORDALLO PINHEIRO. Rio de Janeiro, [s.n. - Typographia Aldina, Rio], 1899. In-8.º (18,5 cm) de 48, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Folheto mandado imprimir por um grupo de amigos de Rafael Bordalo Pinheiro residentes no Rio de Janeiro, pretendendo desta forma homenagear o homem e o artista.
A obra divide-se em duas partes, sendo a primeira dedicada a Bordalo Pinheiro, o caricaturista - e a segunda, a Bordalo Pinheiro, o oleiro, com alusões históricas à indústria das Caldas.
Ilustrado com um retrato do homenageado em página inteira.
"Eça de Queiroz e Bordallo Pinheiro parecem ser os mais claros e poderosos representantes da arte portugueza ao findar este seculo febril, em que a nivelação das intelligencias, o derramamento da cultura, a aproximação cada vez mais intima dos corações e dos cerebros vão desnacionalizando a arte, dando a todas as expressões de sensibilidade e de pensamento como que um unico typo de emoções e de idéas. [...]
Ora, em Portugal um dos dois grandes homens, que comprehenderam o povo, que sentiram a sua tradição, que a accomodaram ás exigencias do seculo, que lhe descobriram os grande veios emocionaes, que deram á obscuridade da sua força productora a fascinação de uma admiravel renascença, foi Raphael Bordallo Pinheiro.
Quando ha vinte annos nos deixou, elle era simplesmente, mas inimitavelmente, um caricaturista."
(Excerto do Cap. I, O caricaturista)
"A esse sentimento da tradição, profundo em Raphael Bordallo Pinheiro, se deve o renascimento da industria ceramica das Caldas, de que tão curiosos vasos, tigelas, pucaros, malgas, infusas e panellas, com o seu relevo tão vivo e o seu esmalte tão alegre, attestavam a excellencia do barro e o gosto dos antigos oleiros. A região das Caldas é de velha data um viveiro de obscuros artistas, em que a aptidão technica e o senso profissional se desenvolvem, tornando-se como innatos, á força de passar de pais a filhos, no correr de seculos, esse officio da fabricação de louça. [...]
Dar alento a uma industria que modorrava; crear uma grande fonte de actividade e de producção; estabelecer ao mesmo tempo com essa manufactura de tanto prestimo e tão superior belleza um fóco de alta educação artistica."
(Excerto de O oleiro)
Encadernação editoria em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse bordaliano.
Peça de colecção.
Indisponível

20 setembro, 2019

SEGURADO, Jorge - BOYTAC E A CAPELA DE NOSSA SENHORA DO PÓPULO. [Por]... Da Academia Nacional de Belas-Artes. Lisboa, [s.n.], 1977. In-4.º (28,5 cm) de [4] p. ; [1] f. il. (15-18 pp) ; B.
1.ª edição independente.
Separata de Belas-Artes N.º 31.
Ilustrada extratexto com uma bonita estampa da capela impressa sobre papel couché.
"É na verdade uma sucinta comunicação que faço no intuito de contribuir para o esclarecimento da génese da Capela que a Rainha D. Leonor mandou erguer na notável instituição do Hospital das Caldas da Rainha. [...]
Havendo como há, bem patentes duas unidades de traças com díspares escalas, feições e até de espírito criador, é lógico deduzir-se que dois homens, duas distintas personalidades de artistas, aqui actuaram. O primeiro, naturalmente estabeleceu a traça do conjunto, nas duas fazes de trabalho, quer da planta quer de alçados e ainda, ergueu a Capela-mor como habitualmente se fazia ao iniciar-se a fábrica de uma igreja.
É de supor que esse primeiro mestre do serviço régio de D. João II tenha sido de facto, Mateus Fernandes... [...]
Na realidade, a obra do Hospital de D. Leonor iniciou-se em 1485. Dois anos depois já funcionava. E entretanto Mateus Fernandes em 1497 já está a dirigir as obras do Mosteiro da Batalha. Assim nas Caldas até o final da construção em 1500, alguém na ausência de Mateus Fernandes continuou a ordenar e a erguer o que faltava à capela de Nossa Senhora do Pópulo. Boytac deve ter sido esse alguém e até com autoridade de superintendência nas obras do Rei e completando o que faltava fazer: o corpo da nave e todos os acabamentos exteriores. [...]
Em conclusão: A Capela de Nossa Senhora do Pópulo foi obra, presumivelmente traçada pelo Mestre Mateus Fernandes, tendo tido interferência complementar de Diogo Boytac, patenteando o seu conjunto de personalidades, bem distintas dos dois mestres."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível