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12 fevereiro, 2025

SARMENTO, Augusto -
CONTOS AO SOALHEIRO. Coimbra, Livraria Central de José Diogo Pires - Editor, 1876. In-8.º (19x12,5 cm) de [2], VII, [1], 295, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos cuja "trama" é desenvolvida a partir de ditados portugueses, que aliás dá o título a cada uma das narrativas, circunstância essa, muito curiosa, que o autor "usa e abusa" em cada uma das histórias.
Obra dedicada a Bernardino Pinheiro (1837-1896), escritor, publicista e político republicano natural de Coimbra.
Rara, interessante e muito bem redigida.
Ilustrada com bonita gravura no verso da f. ante-rosto assinada M. Macedo (Manuel de Macedo) e Alberto.
"Passava já de meia duzia de annos que mestre Vicente da Quelha, ferrador, recebera por legitima esposa, conforme ordena a santa madre egreja romana, a sr.ª Quiteria de Jesus, tecedeira.
Até aqui, dir-se-ha, nada ha que faça espanto; pois esperem, que até ao lavar dos cestos é vindima. Onde começa a coisa a ser falada, é que em todo aquelle tempo nem um nem outro tinham encontrado motivos parra torcer a orelha e não lhes deitar sangue. Aquillo é que era viver como Deus com os anjos! De dia, logo de madrugada, cada qual por seu lado, tractava do grangeio da vida mais por aqui ou mais por acolá; de noite era então a alegria das consciencias tranquillas, expandindo-se em volta da lareira, em que se amanhava o pão quotidiano, ganho com o suor do rosto e sem vergonha do mundo.
Um senão desdizia da perfeição d'aquelle quadro de felicidade domestica; era a falta d'uma cabecinha loira e d'um charlar infantil, que se tornasse o alvo e a provocação dos carinhos mal empregados no gatos maltez, que resonava no escabello, ou no cão perdigueiro, estendido no sobrado. Inda assim havia almas damnadas que diziam que isso era a maior fortuna d'aquelle ditoso par!"
(Excerto de Sapatos de defuncto)
Índice:
Quem conta um conto... | D'um argueiro, um cavalleiro | A gallinha da vizinha | Pela calha ou pela malha | Sapatos de defuncto.
Augusto César Rodrigues Sarmento (1835-dps 1881), escritor e jornalista, foi Governador de S. Tomé e Príncipe entre Agosto de 1886 Março de 1890.
Encadernação simples, lisa, em tela azul. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

27 maio, 2024

BOURBON, Francisco Peixoto P. da S. e - A OLIVEIRA E SEUS PRODUTOS NO RIFONEIRO POPULAR (II).
Separata da Junta Nacional do Azeite N.º 78 Ano XXIV - 1969. [Lisboa], JN do Azeite, 1969. In-4.º (23x16 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante trabalho sobre o azeite e a sua participação nos ditos populares, sendo este dedicado aos rifões menos usuais.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Alexandre de Almeida Santos.
Francisco de Paula Peixoto da Silva Bourbon (1908-1992) "Engenheiro agrónomo. Nasceu no seio de uma família da nobreza do Minho, sediada desde o século XIX na Casa de Melhorado, perto de Celorico de Basto. Concluiu os seus estudos em Lisboa, no Instituto Superior de Agronomia, tendo-se notabilizado principalmente na vida profissional como técnico de olivicultura. Foi funcionário superior do Ministério da Agricultura, exerceu cargos na Junta Nacional do Azeite e na Junta Nacional dos Lacticínios da Madeira e leccionou também em Agronomia. Deixou sobretudo obras de índole técnica, mas no ano da sua morte foi publicada uma edição bilingue do poema pessoano Inscriptions com uma introdução da sua lavra."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
15€

07 setembro, 2023

AFONSO, Belarmino -
O COZER DO PÃO. Aspectos de uma actividade artesanal transmontana. Semana Cultural. Bragança, [s.n. - Composto e impresso da Escola Tipográfica - Bragança], 1982. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 88 p. ; [1] f. desd. (bco) ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico e antropológico para a história da confecção artesanal do pão na província de Trás-os-Montes.
Ilustrado com quadros, tabelas e inúmeros desenhos e fotografias ao longo do livro, na sua maioria impressos em página inteira. Com uma folha desdobrável - em branco(?) - separada do texto.
Inclui rezas, benzeduras, mandamentos e canções que acompanhavam todas as fazes do processo de feitura do pão.
"O pão cozido adquire um certo valor mágico. Se cai ao chão, apanha-se, beija-se e come-se. Também é pecado espetar o garfo ou faca no pão. É como espetar o corpo de Cristo.
Se caísse uma criança ao lume ou à água, e o pão estivesse virado ao contrário, primeiro devia pôr-se o pão direito, e só depois é que se devia salvar a criança.
O pão é sagrado e deve ser a primeira coisa a colocar sobre a mesa, numa refeição. O pão dentro do forno não deve ser visto. Se for muito olhado, não cresce. Dizem que «lhe entrou a velha»."
(Excerto de Superstições e provérbios)
Sumário:
1 - O cereal: - Poesias e provérbios; - Apólogos. 2 - O moinho e o moleiro: - Localização do moinho; - Poesia satírica. 3 - O cozer do pão: 3.1 - O peneirar; ritmos musical e poético: - O fermento e o amassar; - Religião popular e orações; - Aquecer o forno e fingir; - Meter o pão ao forno e orações mágicas; - Superstições e provérbios. 3.2 - O forno e construção: - Fornos a cidade de Bragança. 3.3 - A farinha e a culinária. Derivados do pão: - Algumas receitas; - A farinha e o pão na medicina caseira. 3.4 - Jogos e adivinhas. 4 - Apêndice: 4.1 - Invocações de Santos. 4.2 - Orações ditas ao peneirar, amassar, depois de amassar, fingir, meter o pão ao forno, depois de meter o pão ao forno. 4.3 - Lírica e canções: - Algumas canções em dialecto mirandês. 4.4 - Glossário.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com uma rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
50€

11 julho, 2019

LUNA, M. João - CAMILO CASTELO BRANCO. [S.l.], F. Machado & C.ª, 1932. Oblongo (19,5x25cm) de [10] f. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de poemas (3, retirados de Nas Trevas) e máximas de Camilo em 10 folhas manuscritas com letra fina e bonita, sobre papel encorpado, cujo fundo desenhado (em rosa ou azul), imita mármore.
Exemplar N.º 45 (de 70?), subscrito por M. João Luna, De Condeixa, que também assina o desenho original da capa e o elogio inscrito na contracapa.
Belíssima encadernação artesanal trabalhada em couro.

"A Saudade é a poesia de todo o homem. O que melhores poetas teem dito, melhor o teem sentido pessôas que nunca fizeram versos."
C. C. Branco


(Máxima, pp 10)

Muito raro.
Sem qualquer referência bio-bibliográfica sobre o autor-mestre artesão.
Com indubitável interesse camiliano.
Peça de colecção.
Indisponível

08 dezembro, 2018

MORENO, Mateus - SINFONIA MACABRA. Da Guerra e da Paz. Máximas coligidas. Por... [3.ª edição]. [S.l.], Edição da "Alma Nova", 1925. In-8.º (15cm) de [2], XV, [1], 44 p. ; [5] f. il. ; il. ; B. "Colecção Ressurgimento"
Ilustrações de Roberto Nobre R. Migueis e Saavedra Machado.
Curiosa paródia do autor a personalidades alemãs das mais diferentes áreas, tendo a Grande Guerra como pano de fundo.
Livro ilustrado com duas fotogravuras em página inteira com o título "Flandres martir (1914-1918)", reproduzindo uma fotografia do autor - «A igreja de Richbourg S. Vaast, destruida pelos alemães» e o «desenho de um combatente», e 5 caricaturas intercaladas no texto.
"Esta colectânea de algumas das mais arrojadas afirmações da mentalidade alemã, principalmente do último meio século, e a que, dado o caracter de indiscutivel sinceridade com que na grande nação eram colectivamente admitidas, não podemos deixar de dar o titulo de "maximas", é não só uma fotografia, diga-se de passagem, execravel, da alma sanguisedenta da velha raça, mas a própria e insofismável demonstração de que a Alemanha, ao desencadear da recente guerra, estava de ha muito moral e e materialmente preparada para um grande conflicto de potências, de cuja victoria, que reputava "infalivelmente" sua, esperava sair "soberana" absoluta, não já sómente da Europa, mas "de todo o mundo"..." (Prólogo)
Mateus Martins Moreno Júnior (1892-1970). Natural de Faro. “A paixão pela cidade que o viu crescer e pelo Algarve revelaram-se logo na mocidade, através da participação na imprensa e no movimento associativo locais. Presidiu à Academia do Liceu de Faro, onde fez estudos preparatórios. Fundou, em Outubro de 1911, o quinzenário académico A Mocidade, sendo da sua lavra a rubrica «Horas líricas», onde publicou muita poesia.
Em finais de 1914, Mateus Moreno veio para Lisboa para frequentar o curso de Matemáticas da Faculdade de Ciências. Terá sido essa a razão da transição da redação, administração e impressão da Alma Nova para a capital.
Nem mesmo a sua mobilização, em 1917, e ordem de marcha para França, incorporado no C.E.P., como alferes miliciano de artilharia de campanha, conseguiram interromper a atividade como escritor e como diretor da Alma Nova. No entanto, não é de excluir que as dificuldades que a revista registou no cumprimento da periodicidade, no final de 1916 e início do ano seguinte, se ficassem a dever, entre outras causas, à ausência de Mateus Moreno.
Redigiu e publicou alguns livros sobre o conflito militar e estudos técnicos sobre a sua arma, que foram apreciados pela hierarquia do exército. No que se refere à Alma Nova aí foram publicadas 5 cartas com as suas impressões da viagem e da chegada a França.
Terminada a guerra, Mateus Moreno optou pela carreira militar frequentando a Escola de Guerra. Também fez o Curso Superior Colonial, em resultado do qual obteve algumas missões em Angola e desempenhou diversos cargos. Atingiu o posto de Major em 1942.”
(Fonte: https://research.unl.pt/files/3627477/CMF_Anais_de_Faro_2017_miolo_10_A._Paulo_Dias_Oliveira_1_1_1_.pdf)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Esta edição não se encontra recenseada pela BNP.
Indisponível

29 dezembro, 2016

BAETA, A. Alves - O BOM CAMINHO. O Adagio, o Proverbio e o Conselho em Verso... Não só podia ser a paz da tua casa, como tambem, de todo o Universo. Lisboa, Tipografia Lusitana, [1932]. In-12.º (13,5cm) de 76 p. , B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"O bom caminho só se compõe de regras de bom viver, sendo por isso útil a todas as idades e ambos os sexos."
Curioso livrinho oferecido pelo autor a seus filhos: Este livro foi originado unica e simplesmente, por querer deixar a meus filhos, todos os conselhos por escrito! Se procederes de egual forma, nunca te podes arrepender, de tudo quanto deixares dito.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel na margem lateral.
Invulgar.
10€

23 agosto, 2014

[BASTOS, José Joaquim Rodrigues de] - COLLECÇÃO DE PENSAMENTOS E MAXIMAS. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1845. In-4º (24cm) de VIII, 335, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Raríssima edição original da Colecção de Pensamentos e Máximas, à época, a obra mais notável no seu género. Foi muito divulgada em Portugal e no Brasil, contando-se inúmeras edições ao longo do século XIX. Esta 1.ª edição tem a particularidade de ter sido publicada sem o nome do autor. A partir da segunda edição (1847), o título foi aumentado, alcançando o nome definitivo - Colecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios.
"As maximas são como os numeros, que comprehendem grandes valores em poucos algarismos. Uma collecção dellas, ou de pensamentos que se lhes assemelhem, se corresponde ao fim moral e civilisador, a que devem dirigir-se collecções de tal natureza, é um deposito da sabedoria dos seculos; uma preciosissima mina, que cada um póde explorar, e que a todos póde enriquecer.
Aquelles, que não têem tempo para extensas leituras, acham ahi a unica leitura que lhes convem: e os que gostam de ler pouco, e reflectir muito, acham ahi os summarios dos mais apropriados capitulos que se podem, para os encher, propôr á sua reflexão.
A mocidade principalmente encontra um alimento sadio e solido que vai converter-se n'um excellente chylo; e o chylo n'um purissimo sangue, de que hade resultar a saude e o vigor de toda a sua vida. [...]
A maneira de ensinar por meio de sentenças curtas, destacadas, cheias de senso e de razão, é a mais antiga e a mais util, que se conhece. Era assim que os homens dos primeiros secilos se doutrinavam uns aos outros; e transmittiam á posteridade as regras de viver, e a sciencia dos costumes."
(excerto do prefácio)
José Joaquim Rodrigues de Bastos (1777-1862). Advogado e magistrado. Nasceu no lugar do Moutedo, Valongo do Vouga, Águeda, no dia 8 de Novembro de 1777 e faleceu a 4 de Outubro de 1862 na sua casa no Porto. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi uma notável figura política e literária. Adere à Revolta da Martinhada (11 de Novembro de 1820). Deputado em 1821-1822, sendo secretário das Cortes. Membro da junta incumbida de reformar a Constituição de 1822. Em 1827 foi nomeado Intendente Geral de Polícia pela Infanta D. Isabel Maria, aderindo assim à nova política. Teve funções de Juiz do Tombo da comarca de Barcelos. Serviu D. Miguel I em vários cargos, sendo afastado pela nova ordem governativa em 1833.
Encadernação recente inteira de skyvertex a imitar carneira, com ferros a ouro gravados na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa manchada, alvo de restauro nos cantos.
Raro.
50€

11 julho, 2012

CARVALHO, Alberto Antonio de Moraes – APHORISMOS E PENSAMENTOS MORAES, RELIGIOSOS, POLITICOS E PHILOSOFICOS. Por... Lisboa, Imprensa Nacional, 1850. In-8.º grd. (21,5cm) de 212 p. ; E.
1.ª edição.
Alberto António de Morais Carvalho (1801-1878). “Advogado e político (Vouzela, 22.11.1801 - Lisboa, 15.04.1878). Bacharel em Cânones na universidade de Coimbra, político de ideias liberais, em 1828 comparticipou na revolução que chegou a implementar a Junta do Governo Provisório do Porto e, em consequência do insucesso da intentona, emigrou, com a divisão liberal, para a Galiza, passou a Inglaterra e estabeleceu-se no Rio de Janeiro. Regressou a Portugal em 1848, cumulando o exercício da advocacia com a actividade política. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Lisboa no biénio 1852-1853; membro da Junta Geral do Distrito de Lisboa e Governador Civil em 1859. Deputado em várias legislaturas, tomou parte no Ministério do Duque de Loulé, encarregado da pasta dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, que sobraçou até 21.02.1862, já no Ministério de Sá da Bandeira. Par do Reino por carta régia de 30.12.1862, foi dignitário da Ordem da Rosa do Brasil, por mercê do Imperador D. Pedro II, em 1872.” 
O antigo ministro António Alberto Morais de Carvalho, ilustre jurista e liberal, em Aphorismos e Pensamentos Moraes, Religiosos, Politicos e Philosophicos, publicados em Lisboa, no ano de 1850, utilizou a irregular técnica da generalidade e abstracção, para insinuar o seguinte:  
O empregado com pequeno ordenado, que vive com luxo, se não herdou, furtou (293)
Os cargos do Estado, em mãos de probidade, dão proveito, e honra: em mãos de corrupção, dão proveito sem honra (300).
A probidade do empregado público não pode viver, nem com o luxo, nem com a miséria (297).
Os escritores assalariados, de ordinário, são como as rameiras; prostituem-se a quem lhes paga (312).
Se a honra de representar a nação pela deputação fosse estéril de empregos, e distinções, haveria menos quem a ambicionasse (220).
Aos déspotas nunca faltam mandarins, que sejam vis executores dos seus decretos (235).
Os mais elevados estadistas dificilmente se conservam, e morrem no poder (315).
Qualquer grumete se reputa habilitado a dirigir o leme da nau do Estado; por isso, ela, muitas vezes, sofre avarias (317).
O bom exemplo dos grandes vale mais que os códigos criminais (326).
Um governo sábio deve criar homens para empregos e não empregos para homens (384).
Há honras sem honra, assim como há honra sem honras (437).
As maiorias parlamentares são muitas vezes minorias nacionais (607).
Os partidos de princípios podem ser razoáveis; os de pessoas são, de ordinário, execráveis (779).
Ordinariamente os maiores inimigos dos homens que se acham no poder são aqueles que desejam subir a ele (804).”
Encadernação em meia de pele com ferros a ouro na lombada. 
Exemplar em bom estado geral de conservação. Falha de pele na parte inferior da lombada. Rasgão na f. guarda sem perda de papel.
Muito invulgar e curioso.
Indisponível