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24 maio, 2026

REUTER, Dr.ª Abiah Elisabeth - 
DOCUMENTOS DA CHANCELARIA DE AFONSO HENRIQUES. (Obra subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura). Chancelarias Medievais Portuguesas : Volume I. Coimbra, Publicações do Instituto Alemão da Universidade de Coimbra, 1938. In-4.º (26x17,5 cm) de XXIII, [1], 420, [2] p. ; B.
1.ª edição.
A capa dêste livro foi desenhada por Hans Steinberg.
Importante contributo para a história da fundação da nacionalidade, e da documentação de chancela real produzida durante o reinado de D. Afonso Henriques, sendo alguns manuscritos de data ainda anterior. Trata-se da transcrição de documentos do Arquivo Nacional Torre do Tombo: Doações, Gavetas, Mosteiro de Refoios, Forais Antigos, Mosteiro de Vairão, Chancelarias, Colecção Especial (Mosteiros vários), Livro Preto da Sé de Coimbra, Cartório da Pendorada, Sé de Lamego, Mosteiro do Lorvão. Na sua maioria, Cartas de Doação, de Couto e Forais.
Obra muito invulgar, com indubitável interesse para a História de Portugal, traz a lume documentos referentes ao reinado do primeiro rei português. Este volume I foi tudo quanto se publicou sobre este assunto.
Exemplar de trabalho valorizado pela assinatura possessória de José Timóteo Montalvão Machado. Este encontra-se pejado de notas, comentários e interrogações a lápis, com partes do texto sublinhado (do punho do ilustre médico e historiador flaviense?).
"Aos estudos históricos em Portugal acaba de prestar relevantíssimo serviço uma ilustre senhora alemã, a Dr.ª Abiah Eliabeth Reuter.
Está impresso, e vai aparecer em público, o seu livro Documentos da Chancelaria de Afonso Henriques, de 420 páginas, não compreendidas as preliminares. Abrange 286 diplomas do primeiro monarca português, em regra saídos da sua chancelaria, antes e depois de principiar a denominar-se Rex Portucalensium. O mais antigo dos documentos publicados tem a data de 4 de dezembro de 1127, portanto anterior alguns meses à batalha decisiva do campo de S. Mamede; o mais recente é de novembro de 1185. A 6 de dezembro dêste ano exalava o último alento do grande fundador da nacionalidade portuguesa.
É pois uma vasta colecção. Os documentos, que ainda eram inéditos, aparecem transcritos na íntegra; igualmente o são os que já haviam sido publicados, quer mediante incorrecta leitura dos originais, quer em face de cópias defeituosas, tendo agora a coleccionadora corrigido aquela leitura, ou descoberto e transcrito cópias mais fiéis e autorizadas: quando porém a publicação era exacta, foram apenas sumariados. [...]
Cada diploma é precedido de preciosas notas elucidativas e críticas, de grande utilidade para os que manuseiam o livro."
(Excerto de Duo simplicia verba)
"O presente volume é a primeira parte das Chancelarias medievais portuguesas, série que abrangerá todos os documentos emanados do poder real desde 1128 a 1245. Neste período, Portugal desprendeu-se da monarquia leonesa, defendeu a sua independência, conquistou o seu território, formou-se em nação e constituíu-se em estado.
É, pois, esta, uma das épocas mais interessantes da história portuguesa. [...]
Vemos no meado do século XIII um reino já formado, conhecemos nas suas linhas gerais, as fases e lutas do período de formação dêsse reino, admiramos um resultado, mas queremos mais: saber como se consolidou o novo estado. Ora esta consolidação revela-se nos documentos da época e é a êles que devemos recorrer para adquirir conhecimento mais profundo.
Entre os documentos são de importância preponderante os públicos, os que, emanados do poder central, organizaram o país, distribuíram as terras, privilegiando-as e orientando a sua colonização material e moral. Estes documentos atraíram, pois, em primeiro logar, a atenção de quem desejava estudar a génese da nação portuguesa.
Para poder analisar no seu justo valor os documentos régios, era necessário conhecer as regras e os usos da chancelaria que os fêz. O estudo da chancelaria régia e a reünião de todos os documentos dela saídos era, portanto, tarefa que se impunha, tanto mais que alguns problemas históricos só poderão resolver-se depois de obtido o esclarecimento de certos problemas diplomáticos."
(Excerto da Introdução)
Tábua de matérias:
Dedicatória | Duo simplicia verba, pelo Professor Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos | Introdução | Textos e sumários | Lista de documentos particulares em que houve intervenção ou confirmação de Afonso Henriques | Erratas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, frágeis, com defeitos. Lombada destituída de papel. Interior correcto. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
85€

05 maio, 2026

PORTUGAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918).
Tomo I. As Negociações Diplomáticas até à Declaração de Guerra [Tomo II. As Negociações Diplomáticas e a Acção Militar na Europa e em África.]. Lisboa, Ministério dos Negócios Estrangeiros, 1997. 2 vols in-4.º (26x17 cm) de 449, [2] (I) e 383, [1] p. (II) ; B.
1.ª edição.
Obra em dois volumes (completa). Trata-se de um conjunto de documentos diplomáticos relevantes para o estudo das decisões políticas e militares tomadas antes e durante a participação portuguesa no conflito mundial, com influência nos diversos teatros de operações em que o país se viu envolvido militarmente - na Europa, em França, e nas colónias portuguesas africanas. Em 1920, fora já impressa uma parte bastante incompleta dos documentos que iam até à declaração de guerra, com a finalidade de ser apresentado nesse ano pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros ao Congresso da República.
Índice:
Tomo I - As negociações diplomáticas, os incidentes ocorridos nas colónias portuguesas e as pressões exercidas no sentido de levar Portugal a entrar na guerra.
Tomo II - As negociações preparatórias da entrada do Corpo Expedicionário Português na guerra da Europa e o desenrolar das operações militares em França e em África.
"Com a publicação destes dois volumes do Livro Branco sobre a primeira guerra mundial (1914-1918) realiza-se o propósito do Ministério dos Negócios Estrangeiros de trazer a lume o texto dos documentos respeitantes à acção diplomática desenvolvida por Portugal. [...]
No primeiro tomo desta obra, reproduz-se a documentação referente às diligências diplomáticas levas a efeito entre o nosso país e a Inglaterra no sentido de procurar definir, no quadro da Aliança Inglesa, a atitude a tomar pelo Governo português em vista da entrada da nossa aliada na guerra, e bem assim perscrutar a posição que aquela assumiria, no caso de virem a ser atacados os territórios portugueses em África.
Igualmente se alude, nesta primeira parte de tal colectânea, aos incidentes ocorridos nas nossas colónias do continente africano com as tropas da Alemanha e às decorrentes relações então estabelecidas entre os Governos dos dois países. A apropriação dos navios alemães surtos em portos portugueses e a reacção que tal medida provocou por parte do Governo de Berlim são também referidas nas comunicações na altura trocadas.
Assume ainda especial relevo a documentação alusiva ás pressões exercidas, quer interna quer internacionalmente, sobre o Governo no intuito de nos levar a participar nas hostilidades na Europa ao lado das potências aliadas A situação daí resultante veio a ser considerada insustentável,o que provocou a dissolução do Governo, aliás, explicitamente referida em carta dirigida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros cessante ao Ministro de Portugal em Londres.
Com a declaração de guerra, em 9 de Março de 1916,  e as suas repercussões imediatas no domínio internacional conclui-se a parte mais assinalável do primeiro volume da obra."
(A. de Paula Coelho, Nota Prévia do Tomo I)
"Conclui-se, neste segundo tomo do Livro Branco, a reprodução dos documentos respeitantes à actividade diplomática desenvolvida e, sobretudo, à acção exercida pelo Corpo Expedicionário Português no teatro das operações na Europa.
Sobreleva, de entre o acervo encontrado, a correspondência relativa a diversos aspectos da guerra de que se destacam:
As diligências destinadas a determinar o transporte e a participação das forças militares portuguesas nas hostilidades em França, e a sua integração nas tropas aliadas que combatiam naquele país.
Os incidentes militares ocorridos em Angola e Moçambique entre tropas portuguesas e alemãs.
A questão da administração dos territórios africanos conquistados pelas forças portuguesas aos alemães.
A reacção provocada entre os Aliados por uma proposta de paz apresentada pela Alemanha e seus aliados, bem como uma nota, também a favor da paz, enviada pelo Presidente dos Estados Unidos da América aos Governos dos países na guerra.
Tentativas inglesas no sentido de conseguir que os navios apropriados aos alemães passassem a participar do esforço de guerra da Grã-Bretanha.
Incidente resultante de uma declaração do «Labour Party» acerca dos territórios portugueses em África e posição a este respeito assumida pelo Governo britânico.
Diligências inglesas no sentido de ser autorizado o recrutamento de indígenas em Moçambique destinados a operarem com as forças inglesas em África.
Arranjos propostos  para a inserção das forças das forças militares portuguesas nos exércitos que combatiam em França.
Colaboração militar entra as forças portuguesas na África oriental."
(Excerto da Nota Prévia do Tomo II)
Exemplares em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
Com interesse histórico. 
50€

30 abril, 2026

MAGALHÃES, José Calvet de - A ATITUDE CHINESA PERANTE MACAU E O FUTURO DA NOSSA COLÓNIA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1946. MACAU E OS INTERÊSSES POLITICOS NO SUL DA CHINA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1947. Cantão, [s.n.], 1947-1948. In-4.º (27,5x19 cm) de [5], 100 f. ; il. e [6], 44 f. ; E.
1.ª edição.
Primeiros relatórios elaborados por iniciativa de Calvet de Magalhães, cônsul português em Cantão na época, com a chancela "Confidencial", sendo seu objectivo dar a conhecer aos "corredores do poder" em Lisboa - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Presidência do Conselho - a situação de Macau, pura e dura, sem "floreados". Descreve a conjuntura da colónia, a reivindicação chinesa sobre Macau e Hong Kong, e os interesses das outras potências presentes nesta zona do globo - sobretudo ingleses, franceses e americanos - sublinhando, no entanto, a perspectiva da China e a sua influência na Região Administrativa de Macau, não deixando o diplomata de apontar caminhos e recomendar formas de aproximação às autoridades chinesas, locais e centrais, tendo em conta o contexto político e militar, a sua cultura peculiar e objectivos estratégicos, para ajudar o poder central na tomada de decisões. O Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, que dava já como perdido o território, leu com interesse os relatórios, com os quais concordou quase na íntegra, felicitando o autor, que se regozijou com os elogios presidenciais na abertura do segundo relatório.
Exemplares batidos à máquina, policopiados, impressos na frente, com mapas reproduzidos no texto do segundo relatório. Por opção, o relatório mais moderno foi encadernado à frente.
Os Relatórios procedem do espólio de um embaixador português. Trata-se de documentação importante, praticamente desconhecida, com interesse para a história das relações sino-portuguesas do pós-Guerra (1945), coincidindo com o conflito civil chinês que opôs facções nacionalistas a comunistas, em tempos marcados por alguma conflitualidade regional entre Macau e as províncias chinesas vizinhas. Aborda questões centrais da política da colónia, como o jogo, o turismo, o comércio com a metrópole e a obra missionária.
"Êste breve relatório contém pontos de vista meramente pessoais e portanto sujeitos a discussão e rectificação. Para a sua elaboração procurei apoiar-me, todavia, nos elementos mais objectivos que pude lançar mão, não esquecendo a observação directa do ambiente local traduzido pelas pessoas e pela imprensa.
Os pontos fracos da nossa posição em relação ao problema de Macau não deixaram de ser registados, pois creio que o seu estudo é tanto ou mais importante que o estudo dos pontos que nos são inequìvocamente favoráveis. Nos estudos publicados acêrca da nossa soberania em Macau, tem-se naturalmente procurado tirar o maior número de conclusões a nosso favor, tentando-se, por outro lado, diminuir de tôda a forma os argumentos que possam ser utilizados pelos nossos adversários nesta questão. Num trabalho destinado à apreciação do Ministério dos Negócios Estrangeiros não creio que haja lugar para tiradas patrióticas ou pintura de problemas com côres róseas."
(Excerto de Duas palavras - Relatório anual referente ao ano de 1946)
Índice Relatório de 1946:
[Duas palavras] | I - A atitude chinesa perante Macau. II - A atitude portuguesa acêrca da soberania de Macau. III - O futuro de Macau.
Índice Relatório de 1947:
Introdução | § 1º Exame breve das condições económicas e estratégicas do Sul da China. § 2º A política chinesa no Sul da China. § 3º A política inglesa no Sul da China e a colónia de Hongkong. § 4º Os interêsses franceses no Sul da China. § 5º Haverá uma política americana no Sul da China? § 6º Esquema dos interêsses e da política portuguesa no Sul da China.
José Calvet de Magalhães (1915-2004). "Embaixador de Portugal (um dos principais e mais conhecidos diplomatas portugueses da segunda metade do século XX), foi um pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos grandes protagonistas na aproximação de Portugal à Europa enquanto participante activo em negociações que envolveram diversos organismos europeus. O embaixador Calvet de Magalhães não foi só um homem de acção. Possuidor de um consistente pensamento sobre a Europa e sobre as relações externas de Portugal, deixou-nos o seu ideário materializado num conjunto de obras que enriquecem o seu legado e juntam à sua actividade diplomática um acervo de ideias sobre as relações internacionais do seu tempo. Referência para uma geração de diplomatas, o seu ascendente provém da forma lúcida como a cada momento foi capaz de defender simultaneamente essas suas ideias e os interesses portugueses. Mais que atlantista, americanófilo, nunca deixou de estar atento ao carácter euro-atlântico de Portugal e, em particular, à importância da posição geoestratégica dos Açores e de Portugal como ponte entre a Europa e a América.
Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa, sob o signo da I Guerra Mundial. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1940, fez estágio de advocacia; em 1941 candidatou-se a um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e foi admitido – por essa altura entraram também para o Palácio das Necessidades Eduardo Brasão e Franco Nogueira. Ao longo da sua vida trabalhou com mais de duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros.
Estreou-se na direcção-geral dos Negócios Económicos, uma área da diplomacia em que veio a especializar-se. Em 1945 encontramo-lo como cônsul-adjunto em Nova York, de onde no mesmo ano seria transferido para Washington. Em 1946 foi enviado para Boston onde fica a gerir o consulado até que, volvidos poucos meses, é enviado para Cantão (onde acompanha o fim da guerra civil chinesa e a chegada de Mao Tsé-Tung ao poder), regressando a Lisboa em 1950. [...]"
(Fonte: https://ipri.unl.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r8/RI08_07MFRollo.pdf)
Encadernação contemporânea inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
250€

15 dezembro, 2025

PORTUGAL E ALEMANHA. Documentos relativos à decisão por via arbitral das divergências entre os dois Países acêrca das indemnizações por prejuízos causados a Portugal desde 31 de Julho de 1914 até à sua entrada na guerra - Ministério dos Negócios Estrangeiros. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1936. In-4.º (28x16 cm) de 340 p. ; B.
1.ª edição.
Edição bilíngue (português-francês).
Os documentos que integram o presente trabalho foram transcritos, na sua maioria, do original, em francês.
"Pelo artigo 232.º do Tratado de Versailles ficou a Alemanha constituída na obrigação de reparar determinadas espécies de prejuízos, e entre estes todos os causados pela agressão alemã à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e aos seus bens durante o período em que entre essa Potência e a Alemanha tivessem existido o estado de guerra.
Mas, porque Potências havia que, embora só tivessem passado ao estado de beligerância para com a Alemanha posteriormente a 31 de Julho de 1914, tinham, entre esta data e a da sua entrada na guerra, sofrido prejuízos por virtude de actos cometidos por aquele Estado, foi inserta também no Tratado de Versailles, no § 4.º do anexo aos artigos 297.º e 298.º, uma disposição segunda a qual os bens, direitos e interêsses dos nacionais alemãis no território de uma Potência aliada, assim como o produto liquido da sua venda, liquidação ou outras medidas de disposição podiam ser onerados por esta Potência pelo pagamento das reclamações apresentadas por actos cometidos pelo Govêrno alemão ou por qualquer autoridade alemã, posteriormente a 31 de Julho de 1914 e antes que a mesma potência tomasse parte na guerra; para fixar o quantitativo deste espécie de reclamações, o govêrno interessado poderia recorrer a um árbitro designado pelo Sr. Gustave Ador, antigo presidente da Confederação Helvética, ou ao Tribunal Arbitral Mixto previsto na secção VI da parte X do tratado de Paz..."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

05 outubro, 2025

CARTAS SOBRE AS NEGOCIAÇOENS PENDENTES ENTRE AS CÕRTES DE PORTUGAL, E HESPANHA A CERCA DE MONTE VIDEO E A MENSAGEM DO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS AO SENADO E CASA DOS REPRESENTANTES; SOBRE A NECESSIDADE DE TOMAR POSSE DAS FLORIDAS, EMQUE SE VÊM OS MESMOS ARGUMENTOS PARA POSSUIR AS FLORIDAS, QUE PRODUS O AUTHOR PORTUGUEZ PARAQUE
El Rey de Portugal retenha Monte Video. Londres: Na Impreçao de Mess. Coz e Baylis, Great Queen Street. [1818]. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo interessantíssimo, com relevante interesse histórico.
Trata-se da troca de argumentos nas páginas de dois jornais londrinos, entre um patriota português e um espanhol, a propósito da ocupação de Montevideu (actual Uruguai), pelo coroa portuguesa. É evidente a fragilidade de uma Espanha não recuperada ainda da sua coligação com a França no contexto da Guerra Peninsular (1807-1814), parceria amplamente derrotada nos campos de batalha. No final vem impresso a missiva do presidente americano James Monroe ao Senado e Câmara dos Representantes dos EUA, justificando a ocupação da Florida, outra colónia espanhola, com a necessidade de defesa das fronteiras contra as incursões dos índios, resultado da inércia das autoridades espanholas, decisão que, aos olhos do patriota português, justifica a ocupação de Montevideu, já que as razões apresentadas são as mesmas - protecção de fronteiras.
A carta do "patriota português" é muito interessante, bem redigida, pejada de factos históricos relacionados com a Guerra das Laranjas e seus antecedentes, pondo a descoberto a traição espanhola de conluio com a França, e a ocupação ilegal de Olivença (que perdura) - uma verdadeira aula de história!
"Senhor! - A chegada do Ministro Portugues à Paris, que diariamente se espera, se olha anxiosamente como um acontecimento politico da maior importancia, sendo bem sabido que as discussoens entre Hespanha, e Portugal, relativas á occupaçaõ do territorio de Monte-Video, estaõ ao ponto de ser decididas. Diz o rumor, que o Gabinete do Brazil naõ está disposto a prestar a devida attençaõ ás reclamaçoens de Hespanha neste ponto, nem ás pacificas recommendaçoens das Potencias mediadoras."
(Excerto de Carta dirigida ao Edictor do Times...)
"Senhor! Era apenas de suppor (depois do que se tem dito e publicado) que algum individuo tivesse ainda o arrojo de se dirigir ao publico, da maneiro que o fez "Philo Justitiae," no jornal Times. Esta tentativa para influir a opiniaõ publica, por mais fraca que sêja, naõ se deve tractar com demasiada indifferença. A occupaçaõ de Monte-Video tem-se justificado com varios argumentos; 1.º que a Côrte do Rio-de-Janeiro se naõ devia fiar nas promessas da Côrte de Madrid, vista a experiencia, que tam cara lhe custou em tempos passados: segundo, que o Governo Portuguez teve em vista, na occupaçaõ de Monte-Video, proteger as suas fronteiras contra os designios de Artigas."
(Excerto de Carta ao Edictor do Jornal Inglez Morning Chronicle...)
"Apresento agóra ao Congresso todas as informaçoens, que possue o Executivo, a respeito da guerra com os Seminoles, e medidas que julgou proprio adoptar, para segurança dos nossos considadaõs, na fronteira exposta as suas devastaçoens. Os documentos inclusos mostram, que as hostilidades desta tribu naõ fòram provocadas, que saõ parte de um espirito, por longo tempo fomentado, e muitas vezes manifestado contra os Estados Unidos, e que no presente caso se vai extendendo a outras tribus, e assumem diariamente aspecto mais sério.
Como toda esta tribu habita o paiz que está dentro dos limites da Florida, éra a Hespanha obrigada pelo tractado de 1795, a prevenir que elles commettessem hostilidades contra os Estados Unidos. Temos visto, com pezar, que aquelle Governo tem absolutamente deixado de cumprir com ésta obrigaçaõ, nem sabemos que tenha feito esforço algum para esse fim."
(Excerto de Mensagem do Presidente ao Senado sobre as Floridas)
Índice:
Carta dirigida ao Edictor do Times, e naquelle Jornal publicada, sobre a posse de Monte-Video pelas Tropas portuguesas, por Philo Justitiae. Paris, 14 de Fevereiro [1818] | Carta ao Edictor do Jornal Inglez Morning Chronicle, em resposta à antecedente, por Um Portuguez amante do seu Rey e da sua Patria. Paris 9 de Abril 1818 | Mensagem do Presidente ao Senado sobre as Floridas, por James Monroe. Washington, 25 de Março 1818.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

14 setembro, 2025

PIMENTA, Alfredo - O PROBLEMA DA GUERRA.
Commentarios por...
[S.l.], Edição e propriedade do auctor [imp. na Typographia Luzitania - Mario Antunes Leitão, Porto], 1916. In-8.º (21 cm) de 30, [2] p. ; B.

1.ª edição.
Interessante estudo, publicado pouco tempo antes da declaração de guerra da Alemanha a Portugal. O autor faz a análise do contexto nacional e internacional, pesando as várias opções do país num quadro de exigência política, diplomática e bélica.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O problema da guerra pode ser encarado sob dois aspectos fundamentais; sob o aspecto generico, independente dos nossos interesses e da nossa atitude; e sob o aspecto propriamente nacional, isto é, dizendo respeito ás suas consequencias internas.
No primeiro caso, fallam os homens que encaram os phenomenos friamente, e os analysam atravez do criterio philosophico sob que julgam os aontecimentos da vida social. No segundo caso, fallam os politicos, os homens que tem de manter sempre todos os interesse do paiz, as conveniencias do paiz."
(Excerto do Estudo)
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

07 junho, 2025

BESSA, Carlos -
A LIBERTAÇÃO DE TIMOR NA II GUERRA MUNDIAL.
Importância dos Açores para os interesses dos Estados Unidos : subsídios históricos. Pelo Académico de Número... Lisboa, Academia Portuguesa da História, 1992. In-4.º (25,5x19,5 cm) de 175, [9] p. ; [1] mapa desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo histórico sobre a ocupação de Timor durante a 2.ª Guerra Mundial e sua posterior libertação, e a relação que o interesse estratégico dos Estados Unidos nos Açores, teve para esse desfecho.
Valorizado pelo prefácio do Prof. Joaquim Veríssimo Serrão.
Livro ilustrado no texto com reprodução de documentos e quadros estatísticos, e fotografias a p.b. (em página inteira), e em separado, com um mapa desdobrável de Timor (25,5x30 cm).
"O livro do Senhor Coronel Carlos Bessa explica toda a trama dos episódios de 1941 a 1945, quando Timor passou a ser um dos teatro de guerra entre as potências em luta na II Guerra Mundial. A ilha não dispunha de grandes meios de defesa e nela o convívio das duas etnias era o exemplo de um oásis de paz no Extremo Oriente. Sem haverem recebido a autorização do Governo Português, tropas australianas e holandesas desembarcaram na ilha de 17 de Dezembro de 1941, a pretexto de a defender de um ataque nipónico. De imediato fez-se sentir a reacção do Doutor António de Oliveira Salazar, ministro dos Negócios Estrangeiros, que numa eficaz acção diplomática se opôs com a força do direito à injusta invasão. A Grã-Bretanha não tardou em reconhecer o atropelo cometido, aceitando a substituição das tropas invasoras por um corpo de forças portuguesas, o qual seguiu de Lourenço Marques e a 26 de Janeiro de 1942 desembarcou na ilha. Mas três semanas depois ocorria a invasão nipónica, que ocupou por inteiro a zona de Timor português, enquanto as tropas da Holanda e da Austrália se retiravam para a parte flamenga da ilha. [...]
Quase três anos durou o sacrifício da comunidade luso-timorense, sem que o Governo Português do tempo jamais a tivesse abandonado. A nossa diplomacia buscou apoios na Inglaterra e nos Estados Unidos, para impor os direitos de ordem internacional que nos eram devidos. O principal objectivo estava em garantir o reconhecimento da soberania nacional, logo que as circunstâncias políticas e militares a tornassem possível. Neste quadro se insere a importância estratégica dos Açores para apressar o fim do conflito. Sem trair os princípios da neutralidade de há muito assumido, o nosso país concedeu à Grã-Bretanha, no ano de 1943, facilidades para a utilização de bases naquele arquipélago. A 28 de Novembro de 1944, por meio de um acordo secreto assinado em Lisboa, era a vez dos Estados Unidos da América receberem outras facilidades para a sua aviação que descesse nos Açores. [...]
A trama global destes acontecimentos vem descrita na obra do Senhor Coronel Carlos Bessa, com a lógica articulação dos factos ocorridos nos planos diplomático, político e militar."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

02 maio, 2025

FORJAZ, Augusto – PORTUGAL E BRAZIL. Apontamentos para a historia do nosso conflicto com a republica dos Estados Unidos do Brazil. Por Lisboa, Typographia Castro Irmão, 1894. In-8.º (21,5 cm) de 105, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Relato documentado do conflito diplomático que opôs o Brasil a Portugal em 1894, consequência do pedido de asilo dos oficiais brasileiros revoltosos e seus homens após a Revolta da Armada, aceite pelo Comandante das forças portuguesas fundeadas na baía de Guanabara, Augusto de Castilho, que muito contrariou o governo brasileiro que havia pedido a sua entrega.
"A fuga dos refugiados brazileiros de bordo das corvetas portuguezas Mindello e Affonso d’Albuquerque e do vapor Pedro III foi, como se sabe, a causa das reclamações do governo argentino (felizmente já resolvidas sem desdouro para Portugal) e, também, uma das causas, talvez a principal, do nosso conflicto com a republica dos Estados Unidos de Brazil, para cuja solução o governo inglez aceitou ser o intermediário. Como consequência d’esses lamentáveis factos, o governo portuguez mandou levantar auto a fim de se conhecer da responsabilidade que possa caber aos comandantes d’aquellas corvetas, os srs, capitães de fragata Augusto de Castilho e Francisco de Paula Teves, e, principalmente, ao primeiro commandante das nossas forças navaes surtas na bahia do Rio de Janeiro, quer com relação á fuga dos refugiados de bordo do vapor Pedro III, quer com respeito ao asylo concedido ao almirante Sandanha da Gama e aos seus officiaes, ordenando mais que o sr. capitão de mar e guerra Lopes de Andrade fosse a Buenos Ayres fazer um rigoroso inquérito sobre todos esses acontecimentos.
[…] muitos dos factos ocorridos não são do dominio publico, uns, porque só d’elles se poderá saber no final do processo, outros porque ainda se não disse como os factos se tinham passado desde que as nossas corvetas sairam da bahia do Rio de Janeiro, e, ainda, porque entre uns e outros há muitas circumstancias que convém tornar conhecidas da opinião publica, para que, antecipadamente, se não façam apreciações menos justas.*
*O facto de haver em Portugal um jornal subsidiado, ou sustentado, por capitaes obtidos no território brasileiro, e de ter elle censurado asperamente o governo d’aquella republica e os actos praticados pelo seu chefe de estado, obrigou-nos também a formular este protesto que, certamente, terá o apoio da opinião sensata. Contudo, e apesar d’isso, este livro não representa antecipadamente manifestação alguma favoravel ao governo brazileiro, ou, principalmente, ao presidente d’aquella joven republica, porque, quando um dia, que necessariamente chegara, se conhecerem os actos por elle praticados durante a sua nefasta gerência, as barbaridades commettidas nos naturaes do paiz e nos extrangeiros ali estabelecidos, as vinganças mesquinhas e perseguições odiosas de que tem lançado mão, atulhando os carceres com innocentes e ordenando que, muitos, fossem passados pelas armas, esse homem há de merecer o epitheto de despota e de usurpador e, também, se não o odio, pelo menos o desprezo das populações civilizadas. Felizmente, porem, esse homem não é o Brazil, republicano ou monarchico, e, por isso, lastimaremos sempre a pouca, ou nenhuma energia,  de que démos provas evidentes, auctorizando, com essa manifestação de fraqueza, o seu insulto, e, terminado, pela falta de critério e seriedade da parte dos nossos representantes, por lhes dar azo a manifestar-nos o seu odio e, o que é mais, a desejar impor-nos a sua vontade! Podemos nós dizer isto, mas nunca os que, por simples intriga ou interesse mercenário, teem lançado mão de expedientes menos dignos, concorrendo, com a sua maneira de pensar e de proceder, para alimentar a corrente de opinião que, contra Portugal, se teem infelizmente manifestado nos Estados Unidos do Brazil e na republica Argentina."
(Excerto do Prologo)
Augusto de Castilho (Lx, 1841-Lx, 1912). "Contra-Almirante da marinha portuguesa. Comandava em 1893, surta no porto do Rio de Janeiro durante a revolta da armada, e recebeu a bordo o Almirante Saldanha da Gama e as guarnições dos navios insurrectos, transportando-os a Montevideo e salvando-os assim de morte certa. Por este facto, respondeu em Lisboa a um concelho de guerra, que o absolveu por unanimidade. Foi ministro da Marinha duas vezes.”
“Em 9 de fevereiro de 1894, a crise política transformou-se em conflito armado. Tropas rebeldes da Marinha desembarcaram em Niterói e tentaram cercar o Rio, mas foram derrotadas pelas forças legalistas. Saldanha da Gama e mais 525 revoltosos buscaram asilo em navios portugueses atracados na baía de Guanabara, o que provocou o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, reatadas apenas em 1895, já no governo de Prudente de Morais."
(Fonte: www.franklinmartins.com.br)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capa frontal. F. rosto apresenta mancha de humidade no canto superior direito.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

09 janeiro, 2025

TRATADO DE COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO ENTRE PORTUGAL E A GRÃ-BRETANHA -
Ministério dos Negócios Estrangeiros : Direcção-Geral dos Negócios Comerciais e Consulares
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1960. In-4.º (23,5x15 cm) de 29, [3] p. ; B.
Reprodução bilingue (português/inglês) do importante tratado de comércio assinado entre os dois países, pouco tempo após a instauração da República, em 12 de Agosto de 1914, subscrito pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros português Alfredo Augusto Freire de Andrade e pelo Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário britânico Lancelot Douglas Carnegie.
"Haverá entre os territórios das duas Partes contratantes plena e completa liberdade de comércio e navegação.
Os súbditos ou cidadãos de cada uma das Partes contratantes terão permissão de ir livremente com os seus navios e cargas a todos os lugares, portos  rios nos territórios da outra a que os súbditos ou cidadãos nacionais tenham ou possam ter acesso. Não estarão sujeitos, com relação ao seu comércio ou indústria nos territórios da outra, quer a sua residência tenha um carácter permanente ou temporário, a quaisquer direitos, taxas, impostos ou licenças de qualquer espécie diferentes ou mais elevados do que os que são ou podem ser impostos aos súbditos ou cidadãos nacionais, e gozarão os mesmos direitos, privilégios, liberdades, imunidades e outros favores em matéria de comércio e indústria que sejam ou possam ser gozados pelos súbditos ou cidadãos nacionais."
(Artigo I)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

21 setembro, 2024

FERREIRA, José Medeiros -
PORTUGAL NA CONFERÊNCIA DE PAZ : Paris, 1919
. Lisboa, Quetzal Editores, 1992. In-4.º (23x13 cm) de 115, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Rogério Petinga.
Ensaio histórico sobre o pós-Grande Guerra e as negociações de paz que se seguiram ao conflito, evento em que Portugal - país que integrou a aliança vitoriosa - participou como parte interessada.
"São muito discutíveis os objectivos que levaram o Governo português a entrar nas operações militares durante a Primeira Guerra Mundial. Mas um esses objectivos foi sempre claro e constante: Portugal ganhava, com o seu esforço militar ao lado dos Aliados, o direito de participar na futura Conferência de Paz que regularia a organização da sociedade europeia e mundial no pós-guerra.
Nesta obra distinguem-se os motivos da entrada na guerra dos objectivos pretendidos durante a Conferência de Paz realizada em Paris no ano de 1919. Para o efeito consultaram-se vários arquivos em Lisboa, Londres, Genebra, Madrid, Paris e Washington. Descrevem-se assim não só os objectivos proclamados pelas autoridades portuguesas como as percepções das estratégias nacionais por parte de outros Estados.
A política primeiro, e a historiografia... depois, consagram a manutenção da integridade dos domínios coloniais como a meta principal do esforço militar e diplomático durante a Grande Guerra. Todavia a história da participação portuguesa na Conferência de Paz revela como foram prosseguidos de facto, outros objectivos para além daquele praticamente assegurado."
(Excerto retirado da contracapa)
Índice:
Nota prévia e Agradecimentos | Introdução | I - Os objectivos iniciais. II - Da presidência de Egas Moniz à de Afonso Costa: Novos problemas e novos objectivos. III - Portugal e a criação da Sociedade das Nações. IV - A Fundação da Sociedade das Nações e as relações luso-espanholas. V - As Forças Armadas e os despojos de guerra. | Conclusão | Notas | Fontes: I. Manuscritas; II. Impressas. | Índice dos nomes.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

25 junho, 2024

TELLES, Bazilio -
O ESTATUTO DOS POVOS.
(Contra-projecto ao Pacto da Liga das Nações). Porto, Livraria Moderna de João Gonçalves, 1920. In-87.º (20x13 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Projecto-ensaio publicado pouco tempo após o final da Primeira Guerra Mundial. O autor contrapõe ao Pacto da Liga das Nações, que critica, por considerar cerceador das liberdades e soberania dos países, o seu projecto baseado no Estatuto dos Povos (que conta com 12 artigos) e no Congresso Universal dos Povos (com 7 atribuições), organismo a implementar, regulador das relações entre os estados.
Estudo raro e muito curioso, sendo digno de nota, entre outros, a "guerra legítima"(!) - possibilidade consagrada no artigo 6 do Estatuto e aceitável em cinco circunstâncias, devidamente justificadas por B. Teles.
"O commentário agora, o mais claro e breve possivel, dos doze números ou artigos que devem na minha opinião, talvez errónea mas absolutamente sincera e extranha a preconceitos ou préocupações de pátria, de doutrina ou de partido, constituir o código fundamental por que será lógico e opportuno regularem d'ora em deante os povos as suas relações internacionaes.
O direito público internacional que vigorava ao tempo em que a grande guerra deflagrou, creio que bastaria ainda por largos annos a dirigir aquella espécie de relações se tivesse havido mais aguda previsão das consequências, quer geraes quer no interior de cada Estado, a que o desencadeamento, e sobretudo o protrahimento e generalisação do tremendo recontro entre as principaes Potências da Europa poderiam dar logar."
(Excerto de Defeitos do Pacto e seus provaveis motivos)
Indice:
O Estatuto | O Congresso dos Povos (atribuições) | Defeitos do Pacto e seus provaveis motivos: - Incompetência habitual dos políticos; - Carência de baze histórica e scientífica da Liga; - O seu caracter confuso e chimérico; - A Europa e o Mundo; - Exclusões desastradas da Liga; - A parte XIII do Tratado de Paz; - Falta de definição de conceitos fundamentaes; - Wilson e Lenine; - Reacção e revolução. | Bazes do Estatuto dos Povos: - Primeira: «todo o povo é organisado; - Segunda: todo o Povo, de facto ou de direito, deve ter voz no Congresso Universal; - Terceira: a parte de soberania que cede tem de lhe ser devolvida em protecção e vantajens; - Quarta: essa parte cedida deve ser a mesma para todos, no quantum e na qualidade; - Quinta: os tres primeiros direitos do Estatuto são susceptiveis de restricção apenas temporária. | Definição de conceitos fundamentaes: a) soberania; b) direito; c) Povo e Nação; d) maioridade e menoridade. | Commentário aos artigos do Estatuto, especialmente aos: 2) Direito ao habitat; 3) Direito ao livre gozo dos mares; 4) Direito ao ajuste de cooperação e concorrência; 6) Direito á guerra; 7) Direito á neutralidade. | Programma d'inquérito aos Povos chamados inferiores.
Exemplar em brochura, bem conservado. Carimbo oleográfico na capa.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

24 abril, 2024

A HISTÓRIA DA I GUERRA MUNDIAL -
BBC HISTÓRIA.
O início da Grande Guerra - Gallipoli - Somme - Vida nas trincheiras - O impacto dos EUA - 1918: um ano crucial - O Armistício. Lisboa, Goody S.A., [2014?]. In-fólio (30x21 cm) de 160, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Número especial da BBC - História dedicado à Primeira Guerra Mundial.
Profusamente ilustrado com mapas, desenhos, croquis, retratos e fotografias a p.b. e a cores relacionadas com o conflito e os seus actores principais - políticos e militares - que de uma forma ou outra contribuíram e (ou) participaram na disputa.
"O assassinato de Francisco Fernando viria a acabar com um século de paz relativa na Europa e a dar origem a um dos conflitos com mais baixas registadas na história mundial. Durante quatro anos, exércitos enormes das principais potências mundiais enfrentaram-se violentamente.
É neste conflito que surgem os tanques e a utilização dos serviços secretos na obtenção de informação sobre as linhas inimigas. A tática e a estratégia militar desempenharam também um papel relevante para ambos os lados.
Nesta edição, vai encontrar os momentos cruciais deste conflito, explicados ao pormenor pelos mais conceituados especialistas. Desde já o referido assassinato do arquiduque austro-húngaro até ao Armistício, passando pelas batalhas sangrentas de Somme e Verdun, e tudo sobre o conflito que mudou o mapa europeu."
(Sinopse)
"Para os que a viveram, esta seria a "guerra que acabaria com todas as guerras". [...]
Aqui, mostramos-lhe todo o enredo da Primeira Guerra Mundial, desde o seu início sangrento até à sua difícil conclusão. [...] Além das batalhas e personalidades mais importantes, também analisamos a dimensão humana do conflito: o que os soldados comiam, como lidavam com os ataques de gás, porque é que visitavam prostitutas e como recearam o regresso a casa."
(Excerto do preâmbulo - Bem-vindo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 dezembro, 2023

DELABAYS, Joseph - DESTINO TRÁGICO DUM MONARCA PACÍFICO.
O Imperador-Rei Carlos da Áustria-Hungria (1887-1922)
. [Lisboa], Edições Gama, 1947. In-8.º (19 cm) de 296 p. ; [2] f. il. ; B.

1.ª edição.
Biografia de Carlos I, o último imperador do Império Áustro-Húngaro. Político moderado, sucederia no trono ao seu tio-avô, o velho Francisco José. Os seus esforços para ajudar a restabelecer a paz mundial resultariam infrutíferos, vindo a falecer aos 34 anos de idade, durante o seu exílio em Portugal, na ilha da Madeira.
Livro ilustrado em separado com duas fotogravuras: um retrato de Carlos e o monarca no leito de morte.
"Hoje não há que ser génio político para compreender que as condições da paz oferecidas em 1917 pelo chefe responsável do Império austro-hungaro, e expressas em cláusulas prudentes, realistas, teriam poupado quase certamente à França e à Inglaterra, bem como ao mundo inteiro, a horrível catástrofe de 1939.
Nas páginas que vão ler-se, será pois o destino trágico do Imperador-rei Carlos que eu contarei, o trágico destino desse príncipe deveras amigo da paz e a quem não devem ser imputadas culpas na declaração de guerra de 1914 pela Áustria-Hungria, porquanto em 1914 ele não era senão arquiduque herdeiro. Não participou no conselho da Coroa que decidiu a guerra. Mais: não hesitou em mostrar-se veemente adversário da guerra a partir de Junho de 1914. Tanto que os homens de Estado que nessa ocasião orientavam a política da Áustria-Hungria tudo puseram em jogo para contrariar a sua activa influência a favor da paz."
(Excerto do prólogo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga de humidade visível na capa e nas primeiras folhas do livro.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

09 outubro, 2023

CARNAXIDE, Visconde de - QUESTÕES JURIDICAS DA GUERRA E DA PAZ.
Direito Actual e Sua transformação necessaria e esperada
. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1915. In-4.º (24 cm) de 245, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho jurídico acerca das consequências da guerra no plano das indemnizações aos particulares.
Obra pioneira sobre o assunto, rara e muito interessante.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Cunha e Costa (1868-1928), conhecido advogado, escritor e jornalista.
"Por mais que se alongue ainda a duração da guerra, que no plano allemão deveria ter sido rapida, ou até, quanto as distancias o permittissem, quasi instantanea, pela incomensuravel grandesa e superioridade das suas forças n'um ataque precipitado e decisico, os projectos tão fóra de proposito do governo portuguez não viriam, certamente, a ter realisação antes de terminadas as hostilidades, e assim antes da questão dos armamentos ser posta perante um Congresso das nações, e d'esta vez para ser resolvida no sentido da pacificação geral.
Poucos mezes volvidos depois da guerra começada, já em artigos do «Monde Economique», da secção redigida pelo escriptor militar Meillet, se fazia quanto á victoria a previsão, de que ella virá a pertencer aos belligerantes, que forem os ultimos, a quem não venham a faltar nem mantimentos nem munições.
E se no principio em cada dia os aliados só fabricavam 82.000 granadas, fabricando os allemães 182.000, ao aproximar-se o fim do primeiro anno da guerra já os aliados teem a laboração das suas oficinas preparada para a producção quotidiana de 300.000. [...]
Quanto á conjunctura presente, ou no decurso ainda da guerra actual, a situação diplomatica de Portugal é de tal singularidade, que, não devendo deixar de ser referida por ter bom cabimento entra as questões de Direito Publico Internacional n'este livro versadas, mas não havendo nas declarações e publicações do governo a elucidação precisa a seu respeito pelas reservas proprias do assumpto, para o fazer, fundado em informações verosimeis em tão delicada materia, aproveito as que parecem ter sido obtidas com bastante segurança e publicadas com discreção por Jeam Anbry n'um artigo de maio do corrente anno, no n.º 3 de «La Grande Revue», o qual, tradusido, foi em alguns interessantes pontos transcripto pelo jornal «A Luta» de 5 de julho.
Transcrevendo por minha parte o que contenha elementos para a apreciação juridica d'uma situação tão amorpha e inominada em Direito Internacional Publico, aqui deixo utilmente consignadas as seguintes passagens:
«Pode estranhar-se que, dez mezes após a declaração de guerra entre a Inglaterra e a Alemanha, Portugal mantenha ainda uma neutralidade em desacordo com os seus tratados.
Se, porém, a neutralidade portugueza não foi quebrada desde o primeiro dia da guerra, se depois foi mantida, pode-se ter a certeza de que foi de pleno acordo com o Foreign Office e como consequencia d'um perfeito entendimento entre os dois governos. [...]
A atitude de Portugal na guerra actual é das mais nitidas e das mais louvaveis; concilia maravilhosamente as exigencias nacionaes com os desejos dos aliados; assegura a sua defesa nos limites, que lhe impõe o respeito da neutralidade.
Pelas razões politicas e sentimentaes, que deixamos enumeradas, os aliados não podem pôr em duvida a benevolencia d'esta neutralidade, pelo que lhes toca.
Se, daqui ao fim da guerra, a neutralidade portugueza tivér de ser quebrada, sel-o-á por meio e por causa da questão colonial. De todo o modo, Portugal achará por força na derrota alemã a garantia nova do seu imperio colonial pela ruptura do accordo anglo-alemão, ruptura que porá as suas colonias, como o seu territorio metropolitano, sob a salvaguarda unica da Grã-Bretanha amiga e aliada.
Quanto a nós, francezes, teremos achado nesta guerra a pedra de toque das simpatias portuguezas, ardentes e desinteressadas, e que não enfraqueceram mesmo nas horas incertas dos fins de agosto, em que outras nações visinhas farejavam os ventos, esperavam, confinadas n'um silencio prudente, ou já não escondiam a sua falta de confiança nos nossos destinos. A atitude de todo Portugal para comnosco, desde o inicio da guerra, merece devéras que a recordemos: pela sua repercussão nos paizes da mesma lingua, como o Brazil, e d'ahi em toda a America latina, a simpatia portugueza desempenhou na lucta, contra a influencia alemã, um papel muito mais consideravel do que se poderia acreditar no primeiro momento, e vale a homenagem, que lhe prestamos.»"
(Excerto do Prefacio)
António Baptista de Sousa, 1.º Visconde de Carnaxide (1847-1935). "Advogado, jurista, funcionário judicial, administrador de empresas, jornalista, político e poeta. Foi deputado às Cortes pelo Partido Progressista (1884-1893) e eleito par do reino (1894). O título de visconde foi-lhe concedido por D. Carlos em 1898. Publicou diversas obras jurídicas e cinco livros de poesia. Foi director da revista O Direito e sócio da Academia das Ciências de Lisboa."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=81346)
Encadernação em meis de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Miolo irrepreensível.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 setembro, 2023

HEADLAM, J. W. - AS CONDIÇÕES DOS ALLIADOS PARA A PAZ.
Por...
Londres: Eyre and Spottiswoode, Ltd, 1917. In-8.º (21,5 cm) de 32 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Os meandros diplomáticos da Grande Guerra. Opúsculo com significado histórico, político e diplomático.
"Os ultimos dias de 1916 e os primeiros de 1917 ficarão memoraveis na historia da guerra, não pelos acontecimentos desenrolados nos campos de batalha, porém, pelas subtilezas diplomaticas que tiveram lugar. É ainda demasiado cedo para discorrer sobe ellas com inteira precizão. A Allemanha não deu resposta clara á nota do presidente Wilson e agora mesmo, quando eu escrevo estas linhas, circula uma carta do imperador allemão que é talvez a mais extraordinaria por ser, no genero, a mais caracteristica mencionada na historia.
Mas si uma narrativa completa e rigorosamente commentada, de tudo quanto tem occorrido, não pode ser ainda offerecida ao publico, nós temos, pelo menos, um documento memoravel, no qual os Alliados declaram officialmente os motivos porque estão decididos a continuar a guerra. Trata-se de uma opportuna declaração que nós esperamos será encarada no futuro como o arauto de uma melhor e nova era, que vae raiar nos annaes da Europa, agora perturbada.
Que explicação é essa, recusada pelos Alliados ás potencias germanicas, porém, dada de boa vontade ao presidente da Republica dos Estados Unidos? Para o inimigo, que está ainda affectando uma confiança, difficilmente mantida, na continuação de seus successos militares, essa explicação é apontada como um acto de loucura, para outros, porém, ella é tida como um supremo acto de fé - fé que dá coragem no momento actual, robustecendo a confiança nos melhores tempos do porvir.
Si alguma coisa existe em que todos os homens estão de accordo, é que esta guerra não deve cessar em condições que permittam as hypotheses de conflictos similhantes no futuro."
(Excerto de As condições dos Alliados para a paz - Preâmbulo)
Índice:
As condições dos Alliados para a paz [Preâmbulo]. | Resposta dos Alliados á Nota Americana - [10 pontos]. | A Nota Allemã aos Neutros. | A resposta da Belgica.
James Wycliffe Headlam (1863-1929). "Foi um historiador inglês. Em 1918 alterou o seu nome para Headlam-Morley. Foi nomeado cavaleiro em 1929 pelo seu serviço público. Era o irmão mais novo de Arthur Cayley Headlam (1862–1947). Fgura influente, trabalhou na propaganda aliada durante a Primeira Guerra Mundial. Após o final do conflito, colaborou na preparação do tratado de Versalhes."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Indisponível

12 junho, 2023

LIMA, Durval R. Pires de - A EMBAIXADA DE MANUEL DE SALDANHA. Ao Imperador K'hang hi em 1667-1670 (Subsídios para a História de Macau). Lisboa, [s.n. - Tip. e Papelaria Carmona - Lisboa], 1930. In-4.º (24 cm) de 23, [1] p. ; [1] f. desd. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história de Macau e das relações sino-portuguesas.
Ilustrado no final do livro em separado com folha desdobrável (24x37 cm): Genealogia de Manuel Saldanha, segundo Andrade Leitão.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Com a devida vénia a João Botas, publicamos parte do seu artigo A Embaixada de Manuel de Saldanha inserto no blogue Macau Antigo, cujo link infra deixamos:
"Depois de Fernão Mendes Pinto e Tomé Pires esta terá sido a mais significativa tentativa de estabelecer relações diplomáticas com a China por parte de Portugal. Feita a pedido das gentes de Macau.
Os padres jesuítas - em Pequim muitos dos seus nomes perduram até hoje - foram esperar Manuel de Saldanha a Tianjin para, com o embaixador português, fazerem o último percurso do Grande Canal até Pequim, enquanto lhe ensinavam as regras do cerimonial chinês para ser recebido pelo imperador da dinastia Qing, Kangxi (1661-1722).
Inúmeras 'embaixadas' se seguiriam...
Eduardo Brazão (1907-1987), que cônsul de Portugal em Hong Kong, escreveu em 1948 um livro sobre o tema - Subsídios de para a historia das relações diplomáticas de Portugal com a China: a embaixada de Manuel de Saldanha - de que retirei este pequeno excerto:
"A vida não decorria tranquila no Império do Meio, o que era mau presságio para os comerciantes de Macau. Manuel de Saldanha, diplomata experiente, foi enviado a Pequim ao grande Kang-Si para trazer da boca do imperador garantias de estabilidade e as difíceis licenças para o comércio com a China. A morte colheu Manuel de Saldanha já no fim da sua melindrosa missão; no entanto, tinha conquistado de tal modo as boas graças de Kang-Si, que este o fez sepultar com todas as honras devidas aos mais distintos mandarins do seu império."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/11/a-embaixada-de-manuel-de-saldanha.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com cortes e pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

16 fevereiro, 2023

COSTA, Cunha e – A EGREJA CATHOLICA E SIDONIO PAES. Coimbra, Coimbra Editora, L.da (Antiga Casa França & Armenio), 1921. In-8.º (20 cm) de 157, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre as relações da Igreja Católica com o Estado durante a efémera presidência de Sidónio Pais.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa ligeiramente enrugada e oxidada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

07 janeiro, 2023

ESTRATÉGIA PORTUGUESA NA CONFERÊNCIA DE PAZ 1918-1919 : as actas da Delegação Portuguesa.
Pesquisa e introdução de Duarte Ivo Cruz. Lisboa, Fundação Luso-Americana, Outubro de 2009. In-4.° (24 cm) de 303, [1]p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Grande Guerra através das conversações de paz que tiveram lugar após o final do conflito.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. ante-rosto.
"Com a publicação integral das Actas das reuniões da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz de 1918-19 em que se aprovou o Pacto da Sociedade das Nações e se preparou o Tratado de Versalhes, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento pretende tornar acessível ao grande público um documento fundamental para a compreensão das nossas políticas externa e colonial na Primavera República, assim se associando às comemorações do centenário da sua implantação.
Precedem as Actas um valioso estudo introdutório do Dr. Duarte Ivo Cruz qua ajuda a situar as reuniões da Delegação nos contextos nacional e internacional da época.
Integraram a Delegação personalidades de primeiro plano da vida política republicana. As Actas dão-nos conta de grande convergência desses políticos e diplomatas quanto aos objectivos a atingir e do seu realismo,apesar das divergências no domínio interno e do que sabemos das suas posições partidárias muitas vezes antagónicas. As frequentes crises e mutações políticas repercutem-se na composição da Delegação, sem contudo alterar os princípios orientadores que a norteiam, fixados logo na primeira reunião em Lisboa, sob a presidência de Sidónio Pais, em 27 de Novembro de 1918."
(Excerto do Prefácio)
Índice
Prefácio. | 1 - Introdução à Negociação de Paz: as Opções Diplomáticas de Portugal. 2 - A Composição da Delegação Portuguesa e a Política Interna. 3 - Os Grandes Temas da Estratégia Portuguesa. 4 - A Questão Colonial. 5 - A Questão das Compensações Financeiras. 6 - As Questões Diplomáticas da Negociação de Paz: Relações Bilaterais e Multilaterais. 7 - Os Açores e a Visita de Franklin D. Roosevelt. 8 - A Guerra e a Paz: Historiografia e Memória. 9 - O Tratado de Versailles e suas Consequências. 10 - Portugal depois da Guerra: Política Africana. | Notas Bibliográficas. | Anexos. | A
ctas da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz. | Notas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado