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13 setembro, 2026

AGUIAR, Asdrúbal António de -
VITRIOLAGEM.
[Por]... Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. [S.l.], [s.n. - Costa Carregal - Porto], 1953. In-4.º (23x16 cm) de 45, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a vitriolagem, acto de derramar ácido sulfúrico ou outra substância corrosiva no corpo de uma pessoa - quando propositado - para causar queimaduras graves e desfiguração permanente.
Ensaio invulgar e muito curioso, publicado em separata do Jornal Médico, XXI (519) 5-22, 1953.
"Os corpos químicos corrosivos, entrando em contacto com a pele, provocam queimaduras mais ou menos extensas em superfície e mais ou menos profundas. [...]
Entre as queimaduras por cáusticos que mais vezes se observam contam-se as motivadas pelo ácido sulfúrico concentrado. Porque a este ácido também se chama «vitríolo» ou «óleo de vitríolo», designam-se as queimaduras por ele criadas de efeitos de vitriolagem. [...]
A vitriolagem é acidental ou criminosa. A primeira, a acidental ou fortuita, sobrevém inesperadamente sem que a vontade de quem quer que seja intervenha. [...]
A vitriolagem criminosa é quase sempre passional. Os crimes são, em geral, executados por mulheres. O seu número excede bastante o dos casos em que o acto violento é lavado a cabo pelos homens.
Nas vitriolagens efectuadas pelas mulheres os pacientes são, quase constantemente, os amantes que as abandonam deixando-as grávidas, que casam com outras ou que com outras passam a viver, ou os próprios maridos por quem experimentam ciúmes extremos, ou que se lhes tornam igualmente odiosos por as trocarem por outras mulheres ou mulher, suas rivais que lhes pretendem roubar ou que de facto lhes roubaram os mesmo amantes ou esposos.
Também por vezes as mulheres, porque são invertidas, vitriolam outras da sua afeição para desforço destas se afastarem ou se inclinarem para mulheres diversas, se também forem homossexuais, ou para homens se forem heterossexuais.
A contar há ainda as vitriolagens, se bem que excepcionais, de «souteneurs», executadas pelas meretrizes, suas amantes predilectas, em presença de ameaças de abandono, de abandono real ou em face de interesse que outras companheiras de mester por eles mostrem.
As vitriolagens levadas a cabo por homens são, como já se registou, em número reduzido. No entanto, há casos de indivíduos atirarem ao rosto das mulheres suas amantes que os repelem, que se entregam a outros, que com outros pretendem casar ou que estão a ponto de o fazer, ou de mulheres que lhes não aceitam propostas amorosas.
Casos se verificam, ainda que muito raros, de maridos vitriolarem as esposas por estas os atraiçoarem. [...]
Na vitriolagem passional os lugares do corpo escolhidos para a efectivarem são, na sua quase totalidade, o rosto e o pescoço..."
(Excerto do Estudo)
Asdrúbal António de Aguiar (Lisboa, 1883-1961). "Foi um médico legista, professor universitário, pioneiro da sexologia em Portugal. Teve um papel fundamental no desenvolvimento científico e na estruturação da medicina legal no país durante a primeira metade do século XX. Foi docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e exerceu o cargo de diretor do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Foi considerado um dos maiores especialistas do país em patologia forense. Destacou-se pela abordagem científica e descomprometida (para a época) de temas fracturantes, escrevendo extensivamente sobre crimes sexuais, homossexualidade e a evolução dos costumes sob uma perspetiva médico-legal. Como perito forense, esteve envolvido em momentos marcantes da história portuguesa, incluindo a realização de exames periciais no cadáver do ex-presidente da República, Sidónio Pais, após o seu assassinato em 1918. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse científico e criminal.
20€
Reservado

22 maio, 2026

NEVES, Alexandre Antonio das -
COMPILAÇÃO // DE // REFLEXÕES // DE SANCHES, PRINGLE, MONRO, // VAN-SWIETEN, E OUTROS // ÁCERCA DAS // CAUSAS, PREVENÇÕES, // E REMEDIOS // DAS DOENÇAS DOS EXERCITOS // DEDICADA // AO // PRINCIPE DO BRAZIL // NOSSO SENHOR, // POR // ... //
E publicada de Ordem // da Academia Real das Sciencias // para distribuir-se ao Exercito Portuguez // LISBOA: 1797. // NA TYPOGRAFIA DA ACADEMIA. // Com licença de S. MAGESTADE. In-8.º (14x8 cm) de 82, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante tratado médico, para uso do Exército, baseado nos escritos de alguns dos mais conceituados médicos da época.
Ilustrado no final com desenho esquemático em página inteira.
Raro e muito curioso.
"He cousa tão perigosa, como ordinaria particularmente entre pessoas robustas, o não pôrem nenhumas cautelas, para não adoecerem: e se lhes são ordenadas, achão muitos modos de illudir essas ordens, porque se persuadem que nascem de extravagancia, ou de cobardia; como se tivessem huma particular natureza, ou não houvessem de morrer.
E nas doenças; bem se sabe, que huma grande difficuldade em curálas he o não se cumprirem exactamente as ordens, que dá o Medico; pois tudo alterão o enfermo appetitoso, e o Enfermeiro indulgente; torna o Medico, e dão-se-lhe partes falsas; expôe-se-lhe, por exemplo, ter havido aquelles symptomas, que a faltarem, elle disse seria preciso hum remedio mais violento; ou haver-se tomado todo o remedio, que ás vezes nem se chegou a ir buscar; ou deo-se comida differente da determinada, ou em maior quantidade. E fazendo isto de necessidade que vá a peior o doente, eis o Medico entendendo ser o doença mui grave, ou differente, e talvez que já o esteja. Não he preciso reflectir mais, para entender quantos danos daqui vem; e o peior he que estes desarranjos não se fazem só nas casas particulares, mas ainda nos mesmo Hospitaes; pois ahi, por exemplo, os conhecidos dos enfermos, a quem se precreveo dieta rigorosa, ouvindo-os lamentar de que lhes dão mui pouco de comer, e do que elles accusão a economia do Hospital, ou a malicia do Enfermeiro, esses conhecidos, digo, credulos a taes queixumes, levão ás escondidas de comer, de ordinario indigesto, aos seus doentes; e póde succeder que até lhes provênha dahi a morte.
Taes forão os motivos, que me resolvêrão a fazer esta Compilação das Obras de tão Célebres Medicos (na qual eu procurei conservar, quanto convinha, as proprias palavras de Sanches), mais das Reflexões de outros; a que somente fiz alguns pequenos accrescentamentos; e isto com o fim de que haja de servir aos Soldados  (e para o que tambem se reduzio a volume bem portatil), para elles conhecerem no estado de saude a utilidade das ordens, que se lhes prescrevem a beneficio della, quando se lhes determinem cousas semelhantes ás que vão indicadas nesta Obra."
(Excerto de Advertencia)
Encadernação em brochura da época, no geral bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
30€

14 maio, 2026

NOGUEIRA, Braz -
ESTUDO SOBRE O SEGREDO MÉDICO. Trabalho feito no Instituto de Medicina Legal de Lisboa a apresentado como dissertação inaugural á Faculdade de Medicina de Lisboa. Lisboa, Tipografia Tejo : Barros & Mourão, 1916. In-4.º (23x17 cm) de 148 p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico sobre o sigilo profissional em medicina. Trata-se de um ensaio pioneiro desenvolvido no Instituto de Medicina Legal de Lisboa, dedicado aos aspectos deontológicos e jurídicos do sigilo profissional, questão momentosa no seio da classe médica na época, alvo de preocupação dos profissionais do sector. Representa uma análise sobre a ética médica em Portugal, abordando o dever de confidencialidade dos médicos.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor datada de 15-5-916.
"Uma das mais interessantes e delicadas questões de deontologia é incontestavelmente a matéria do segredo profissional, que directa e imediatamente diz respeito aos médicos, aos advogados e aos eclesiásticos. Na verdade as outras profissões têm no caso um interesse mais secundário visto que o médico, o advogado e o padre estão em intimo contacto com os males que affligem a humanidade.. O primeiro provê de remédio as imperfeições e irregularidades do nosso organismo, o segundo é ouvido em todos os casos provenientes da violação do direito e o terceiro é o confidente espiritual das dôres.
E assim, por causa do livre e amplo exeercicio destas três profissões, é que principalmente se tem discutido se o principio do dever profissional se deve manter ou eliminar.
Os deveres impostos aos médicos pelo código do trabalho,as leis sobre a higiene, a assistencia e beneficiencia públicas,as mutualidades etc. transformaram o exercicio da nossa profissão. Tudo isto portanto trouxe aos médicos deveres novos. A nossa profissão está, a cada passo, sofrendo remodelações.
Uma outra causa e das mais preponderantes nessa modificação é a concorrencia. O médico de hoje é inteiramente diferente do médico de hontem... e depois actualmente a vida privada modificou-se; tudo se conta, toda a gente discute, tudo se publica.
Hoje ao lado do cliente que propala que os seus têm sido vitimas do médico, encontram-se sempre outras pessoas que excitam o sentimento de protesto sem procurar a razão, que auxiliam a mal-crença sem avaliar os prejuizos. O presumido erro clinico não é referido apenas no seio da familia ou entre os amigos; espalha-se na sociedade, chega a publicar-se na imprensa.
E quem tem a culpa de um facto destes?
Quem é, principalmente, o culpado do descrédito?
Diriamos como diz o professor Brouardel:
Le le dis sans réserve c'est le corps médical lui même.
E infelizmente assim é.
Quantos! quantos não têm ouvido em plena rua,  ás portas dos cafés, nas reúniões, em jantares e até nos hospitaes, os próprios médicos avaliando a moralidade, a habilidade dos colegas no meio de gargalhadas e de frases pouco lisonjeiras para a seriedade da profissão."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas, com pequenos pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

22 abril, 2026

TARNOWSKI, Dr. B. -
O INSTINCTO SEXUAL E AS SUAS MANIFESTAÇÕES MORBIDAS.
Sob o duplo ponto de vista da jurisprudencia e da psychiatria. Pelo... Traduzido da edição ingleza. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1902. In-8.º (19x11,5 cm) de 238, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho publicado pela primeira vez na Rússia em 1885 (Inglaterra, 1898), pioneiro, e de certo modo precursor de outras tantas obras que se seguiram desde então em diferentes países, numa época em que estes assuntos principiavam a ser abordados e discutidos sob um ponto de vista metódico e científico.
"O Instincto Sexual e as suas Manifestações Mórbidas" (título original em inglês: The Sexual Instinct and its Morbid Manifestations from the Double Standpoint of Jurisprudence and Psychiatry) é uma obra de sexologia e psiquiatria forense escrita pelo Dr. Benjamin Tarnowski (1837-1906), um proeminente médico russo.
Publicado originalmente no final do século XIX, o livro aborda as perversões sexuais sob uma perspectiva médica e legal. Tarnowski investiga as causas das perversões sexuais não apenas como vícios, mas como manifestações mórbidas de um organismo degenerado, com forte ênfase na hereditariedade e no desenvolvimento interrompido. O autor estabelece uma distinção clara entre a perversão sexual e a depravação de carácter, abordando o tema sob o ponto de vista da jurisprudência e da psiquiatria." (IA)
Obra de referência sobre as taras - transtornos como a perversidade e a depravação - analisadas à luz da psiquiatria e do ponto de vista médico-legal.
"Esbocei, na presente obra, a largos traços os factos e observações, que me inspiraram a idéa de indagar a fundo as causas da perversão sexual, - e isto não sómente sob a influência da depravação e excessos licenciosos, mas de preferencia, e de facto posso dizel-o, principalmente, trato de examinar essas causas como dependentes d'uma condição morbida do organismo, quer sejam congenitas ou adquiridas depois
Fiz sobretudo toda a diligencia de lançar a maior luz possivel sobre o papel representado pela hereditariedade e pelos phenomenos de desenvolvimento imperfeito; assim como pelas varias causas morbida que dizem respeito á etiologia das perversões sexuaes, e de differenciar estas com a maior clareza da depravação de caracter provada - do vicio consciente e premeditado."
(Excerto de Prefacio da edição ingleza)
"Ha uns cinco annos, que fui chamado para dar a minha opinião como perito n'um caso de pederastia.
Recordando-me das minhas observações n'este assumpto e comparando-as com os capitulos correspondentes dos compendios mais completos de medicina forense, fiquei impressionado pela falta de concordancia entre as asserções da sciencia official de um lado e os factos clinicos do outro. Cada novo exame technico mais claramente me fazia reconhecer não só quão insufficiente era a sciencia contida nos livros ácerca da preversão da actividade genesica, mas ainda as incorrecções de muitos dos principios dirigentes aconselhados no exame do caso actual. [...]
A differença de opinião entre o medico jurista e o clinico tem-se tornado tão notavel, que parece ser altamente necessario, a fim de explicar estas contradicções, indicar os fundamentos sobre que devem ser baseadas as respostas aproximativamente correctas do medico forense, e preparar o caminho para estudos mais vastos, de mais unidade e mais fecundos sobre esta materia.
O medico jurista vê a depravação, a impudicia sobresaturada, o vicio inveterado, a immoralidade e outras coisas similhantes, onde o clinico observador reconhece sem a menor duvida os symptomas de um estado morbido com a sua evolução typica e as suas consequencias. Onde o primeiro puniria o vicio, o segundo requer pela necessidade de methodos therapeuticos."
(Excerto de Introducção)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

28 novembro, 2025

SANTOS, Dr. Luís A. Duarte -
O NORMÓTIPO DO HOMEM DA ZONA DE COIMBRA E O NORMÓTIPO DOS PORTUGUESES.
Comunicação apresentada à 2.ª Secção do Congresso Nacional de Ciências da População pelo..., Assistente da Faculdade de Medicina de Coimbra. Comemorações Portuguesas de 1940. Pôrto, [Imprensa Portuguesa], 1940. In-4.º (24,5x19 cm) de 18 p. ; [XIV] mapas estatísticos ; [1] tabela desdob. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho curioso e muito interessante. Trata-se de um "método original de determinação do tipo constitucional", isto é, o padrão de uma determinada população.
Inclui 14 mapas estatísticos (1 por página), e 1 tabela em folha desdobrável de grande dimensões (24,5x70 cm): Tabela de graus centesimais do homem médio elaborada segundo os nossos resultados (Duarte Santos).
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Luís Duarte Santos.
"O homem médio de grupos profissionais, de certas posições sociais, de populações exclusivamente citadinas ou do meio rural, só tem interêsse em condições definidas para determinados fins, assim como o normótipo ideal que alguns como Hilderbrandt, Styratz, valorizam em prejuízo do homem médio estatístico, único de valor na ciência das constituïções.
Dever-se-ia dividir Portugal em várias regiões ou sub-regiões criteriosamente estabelecidas e determinar o normótipo de cada uma. Só assim evidentemente se poderia saber se há ou não possibilidade de aplicação generalizada dum normótipo a todo o país, pois só diferenças apreciáveis têm um valor prático, ou se a falta de identidade entre os caracteres antropométricos do homem médio em certas zonas do país obrigaria ao emprêgo de vários dêsses normótipos. [...]
O primeiro normótipo apresentado em Portugal vai ser o de uma parte do país delimitada com tal critério, e a que chamamos «zona de Coimbra», para evitar o têrmo região, de sentido científico e geográfico assente: Coimbra como centro urbano e ponto de atracção, tôda a sub-região do Baixo Mondego (Coimbra, Penacova, Arganil, Gois, Poiares, Louzã, Miranda do Corvo, Penela), todo o Mondego Litoral (Cantanhede, Montemor-o-Vélho, Condeixa, Soure, Figueira da Foz), o sul da Bairrada entre a serra do Buçaco e o mar (parte do concelho de Cantanhede, Anadia e Mealhada), as chamadas baixas de Mortágua (Mortágua, Santa-Comba) já no Baixo Dão mas situadas a 200 metros de altitude, com índole, e costumes além da constituïção geológica muito diferente do vale de Besteiros. [...]
Estudamos 775 homens, de 18 a 60 anos de idade, para determinarmos o normótipo, e dêsses, 375 pertencem a essa zona de Coimbra."
(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e antropológico.
15€

21 novembro, 2025

COSTA JUNIOR, José Duarte da - BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O VESTUARIO DE HYGIENE. Dissertação inaugural de... 24 de Julho de 1905. Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Lisboa, Imprensa de Libanio da Silva, 1905. In-8.º (22x15 cm) de [16], 60, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho académico, pioneiro, sobre a influência do vestuário e da moda no comportamento humano, com aplicação teórico-prática à Medicina Legal.
Pela distinção e reconhecimento público, a título de curiosidade, nomeiam-se os insignes Professores que compuseram o júri que avaliou a tese de Costa Júnior: Presidente: Salazar de Sousa; Vogais: Pedro Bettencourt Raposo; Alfredo da Costa; Ricardo Jorge; Francisco Soares Branco Gentil.
Raro e muito interessante. A BNP não menciona.
"A visão totalizadora da medicina induziu alguns alunos a apresentarem teses sobre temas muito variados. Costa Júnior, apresenta um curioso trabalho sobre a composição dos diferentes tecidos «com inegável interesse para a Medicina Legal» estabelecendo relações entre aquela, as cores e as formas e o estado de saúde individual; de caminho, não deixou de enfatizar, naturalmente, a irracionalidade da moda feminina."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/Downloads/miguel_bombarda_e_singularidades_de_uma__poca__2006__garnel.pdf)
Exemplar valorizado pela oferta na capa e dedicatória autógrafa no interior do autor a sua irmã - D. Maria José Duarte Costa.
"O homem, diz-nos a physiologia, maravilhosamente organizado, mantem a sua temperatura nas proximidades de 37 graus centigrados. E no entanto forçoso é não esquecer, que a sua demasiada nudez, expondo-o quasi por completo ás intemperies do mundo exterior, contrasta singularmente com a dos restantes animaes que portadores de pellos, pennas, escamas ou outros productos da epiderme, encontram em si mesmo outros tantos agasalhos, os mais legitimos e higyenicos vestidos. [...]
Como é sabido, o corpo humano em repouso perde diariamente cêrca de 2:700 calorias das quaes, uma grandissima maioria, 2:572 são abandonadas pela pelle da seguinte forma: 558 por evaporação do suor, 803 por conductibilidade e 1181 por irradiação. Equivale isto a dizer que o vestuario, visto elle cobrir os quatro quintos da nossa superficie cutanea, ha-de por força ir actuar sobre as trocas thermicas reduzindo-as consideravelmente.
Qual o vestuario mais adequado e quaes as desvantagens que resultam da falta de observancia relativa ao seu emprego, subordinando-se por ventura a caprichos eventuaes, aos da moda por exemplo, tudo isto verêmos nós, quanto possivel, no decorrer do nosso estudo."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | Tecidos, sua proveniencia e principaes propriedades: Proveniencia: - Reino mineral; - Reino animal; - Reino vegetal. Caracteres microscopicos: - Algodão; - Linho; - Lã; - Seda. Conductibilidade. Propriedades hygrometricas. Propriedades electricas. | Da fórma e escolha do vestuario | De alguns artigos do vestuario em especial: - Do espartilho; - Do chapeo; - Do calçado; - Das meias. | Da cama: - O leito; - Os colchões; - Os enxergões; - Os travesseiros; - Os lençoes; - Os cobertores; - As colchas e as cobertas; - Os cortinados; - Os mosqueteiros. | Conclusões | Proposições | Jury | Bibliographia.
Encadernação coeva inteira de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
40€

17 outubro, 2025

CARVALHO, Avelino Cardoso Ferreira de -
SOBRE O EXERCICIO ILLEGAL DE MEDICINA EM VILLA NOVA DE FAMALICÃO. (A proposito de um caso de obstetricia). Dissertação Inaugural. Porto, [s.n. - Impressa em machina "Marinoni" na Typographia Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão - V. N. de Famalicão], 1906. In-8.º (22,5x16,5 cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
A propósito de um caso de obstetrícia, o autor ataca a classe farmacêutica de Famalicão que acusa de charlatanice e prática ilegal da medicina, aproveitando o desconhecimento e crendice da população.
Trabalho insólito, raro e muito curioso.
"De todas as artes liberaes, a que mais tendencias manifesta para se tornar presa do charlatanismo, certamente é a medicina a que se mostra mais favorecida.
As tendencias verdadeiramente extraordinarias que na humanidade se manifestam para tudo o que é maravilhoso, phantastico e rodeado de mysterio, tornam-se inexplicaveis; a necessidade de phantasia é tendencia tão propria da natureza do homem, que se é forçado a convir que corresponde a uma das leis da nossa organisação, que é um dos attributos da nossa natureza e, por assim dizer, uma das condições da nossa existencia.
Os prejuizos que para a sciencia medica se manifestam numerosos e variados, exercem grande predominio entre todas as classes da sociedade, na média e burgueza, na rica e aristocratica, na popular e ignorante, se bem que se possa admittir que os camponezes, gente simples, cujo duro mister não deixa repoiso para trabalhos de intelligencia, sejam facilmente seduzidos por chimeras que, mesmo rodaeadas dum véu de religiosidade, não têm mais credito. [...]
Que differença existe entre o homem civilisado d'hoje, que consulta as mezas rolantes e comsigo traz amuletos e medalhas, para o preservar de doenças e de outro qualquer accidente, e os antigos que consultavam o vôo das aves e adoravam os fétiches?
As tendencias que manifestam ainda agora homens de espirito nivelado pela evolução dos mais solidos predominios da mentalidade moderna para as mesmas aberrações, que são de todas as épocas e de todas as latitudes, nada mais é que o resurgir da velha historia das obsessões, dos encantos, dos exorcismos e de toda a bagagem magica, que para sempre parecia sepultada nas ruinas da idade média.
É uma observação triste, um dos phenomenos dos mais inexplicaveis da historia da humanidade esta credulidade incuravel, esta facilidade de admittir, sem exame e sem contestação, tudo o que tenha alguma apparencia de sobrenatural, ao passo que a verdade não é acceita senão com a maior lentidão e a maior reserva."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Capas ligeiramente sujas.
Raro.
45€

18 setembro, 2025

SALDANHA, Marechal Duque de - O SENHOR DR. BERNARDINO ANTONIO GOMES E O SEU FOLHETO. Pelo... Lisboa, Imprensa Nacional, 1859. In-4.º (23 cm) de 61, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica entre o Marechal Saldanha e o médico da Família Real, Bernardino António Gomes, a propósito do folheto Estado da Medicina em 1858, publicado pelo primeiro, defendendo o lugar da homeopatia na medicina, e que  provocou a reacção do médico através do opúsculo O Sr. Duque de Saldanha e os Médicos. O presente trabalho é a réplica a esse opúsculo.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória manuscrita do Marechal Saldanha na capa, à cabeça.
"Antes de entrar na analyse do folheto, que o Sr. Dr. Bernardino Antonio Gomes acaba de publicar, com o titulo «O Sr. Duque de Saldanha e os Medicos» não posso deixar passar desapercebido o titulo do referido folheto.
Eu não escrevi sobre os medicos, escrevi sobre a medicina. Não me passou pela mente discutir as pessoas; discuti a sciencia, os systemas, as cousas. Por mais respeitaveis que possam ser os membros de qualquer corporação, medicos, legistas, militares; por mais importantes que devam reputar-se os serviços que elles prestem, os escriptos que publiquem, ou os trabalhos que emprehendam, os homens significam muito pouco diante do complexo dos factos, diantes das verdades eternas, diante da obra de Deus."
(Excerto da introdução)
João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun GCTE • GCC • GCSE • GCNSC (Lisboa, 1790 – Londres, 1876). "1.º conde, 1.º marquês e 1.º duque de Saldanha, também conhecido por Marechal Saldanha, foi um oficial do Exército Português, no qual atingiu o posto de marechal, diplomata e um dos políticos dominantes do século XIX em Portugal, com uma carreira política que se iniciou na Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) e só terminou com a sua morte em 1876. A sua longa carreira política, e os cargos de relevo que exerceu, fizeram dele o mais importante homem de estado do período da monarquia constitucional portuguesa, influenciando de forma substancial o rumo dos acontecimentos políticos em Portugal ao longo de meio século. Entre outros cargos e honrarias, foi marechal general do exército, par do reino, conselheiro de estado efetivo, ministro plenipotenciário em Londres, mordomo-mor da Casa Real, vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar, vinte e quatro vezes ministro,[carece de fontes] assumindo designadamente as pastas da Guerra e dos Negócios da Fazenda, e, por quatro vezes, presidente do Conselho de Ministros de Portugal (em 1835, 1846–1849, 1851–1856 e em 1870). Dedicou-se ao estudo de temas filosóficos e foi um dos pioneiros da homeopatia em Portugal.
"
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, empoeiradas, com pequenos defeitos; com dois selos postais incompletos no pé.
Raro.
45€

14 agosto, 2025

PEREIRA, Rodrigo de Boaventura Martins -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A ESPECIE MORBIDA.
Precedidas de algumas considerações sobre a especie em geral. Dissertação apresentada para ser defendida em Julho de 1867. Pelo alumno... Escola Medico-Cirurgica de Lisboa - 2.ª série : Numero 13. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1867. In-8.º (20x12,5 cm) de 92, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa tese académica, inspirada em Darwin e na sua Origem das Espécies, aborda diversos temas médico-científicos, que, por vezes, parecem não ter ligação entre si.
Ilustrada no texto com tabelas, expressões numéricas e equações.
"O planeta que habitamos, lançado com probabilidade ao mesmo tempo que os demais planetas do nosso systema na sua ellypse, com a mesma ou mui proxima temperatura inicial, e tendo composição analoga, senão identica, resultado da segmentação da nebulosa primitiva, que lhe correspondia, tem percorrido sensivelmente no mesmo tempo a sua orbitra; e digo sensivelmente, porque a existencia do ether, que não é licito deixar de admittir perante os phenomenos do calorico e da luz, deve tel-o atrazado no seu giro. [...]
Todos os planetas, pois, podem n'uma de suas phases resolver nos espaços celestes organisações comparaveis ás da terra, e tanto mais quanto mais estreitas forem as relações entre sua massa, volume, gravida e velocidade de rotação. [...]
Ora só a um certo periodo de uma d'essas phases de evolução correspondem as organisações ou machinas vivas, porque estas exigem para funccionar limites estreitos de temperatura, como muito bem diz Henri de Paville no seu annuario de 1866: «Evidentemente um organismo não pode existir, sem que seja constituido por solidos e liquidos. Os liquidos são geralmente os vehiculos da vida. [...]
Mais adiante, o auctor das linhas que acima trascrevi, depois de analysar tanto quanto é possivel  as circumstancias em que se acham os differentes planetas, dá-lhes como provaveis as seguintes phases:
«Sol - inhabitado.
Mercurio - habitado, seres inferiores analogos das especies futuras terrestres.
Venus - habitada, seres completamente analogos aos da terra. Fauna e Flora correspondentes.
Terra - habitada ha muito, sel-o ha por muito tempo ainda.
Lua - Não é habitada: foi.
Marte - habitado, seres analogos aos da terra, mais pequenos e inferiores.
Saturno, Neptuno e Uranus - organismos rudimentares.
Jupiter - não habitado ainda.»
Com este ligeiro desvio eu só pretendo abalar os animos d'aquelles, em que não sejam arreigada as crenças, de que o universo foi creado para lhes lisonjear os sentidos, a terra para os embalar e deixar crescer, e n'esta tudo preparado para lhes satifazer as necessidades."
(Excerto de I - A terra e os demais planetas)
Índice:
Capitulo I: §§ I - A terra e os demais planetas. §§ II - Unidade de materia. §§ III - Unidade de força. §§ IV - Reino organico. §§ V - Transformação das forças geraes em forças vitaes. Capitulo II: §§ I - A especie dos seres organisados. §§ II. §§ III - Provas tiradas da distribuição geographica. §§ IV - Especie humana. §§ V. Capitulo III: Especie morbida: §§ I. §§ II. | Proposições.
Rodrigo Boaventura Martins Pereira (1842-1897). Médico, professor e publicista, colega e íntimo amigo do Dr. Sousa Martins de quem foi condiscípulo. Cedo cegou, deixando a meio uma carreira que muito prometia. "Filho de José Martins Pereira, nasceu em Aldeia Galega da Merceana, no concelho de Alenquer, em 1843. Foi médico cirurgião pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde chegou a ser lente da Secção Cirúrgica. A partir de 1873 desempenhou o cargo de cirurgião ordinário no Banco do Hospital de São José, em Lisboa, e o de facultativo da Associação dos Ourives da Prata de Lisboa."
(Fonte: https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/1cdf360df53849cfbba77241cb2e4be5)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

27 maio, 2025

OLIVEIRA, J. Domingues d' -
OS CANCROS E O RADIO. Subsidios para a diagnose precoce d'alguns e para a sua curietherapeutica. Por... Combate do Cancro e Protecção aos Cancerosos (Congresso luso-hespanhol - Porto 1921). Porto, Typographia Pereira, 1923. In-4.º (23x15 cm) de XXI, [3], 189, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre o cancro, o seu diagnóstico e combate, por José Domingues de Oliveira, pioneiro na luta contra o cancro no nosso país, introdutor da prática da radioterapia.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a seu amigo Joaquim Pacheco.
"Dezenas de milhares de pessoas morrem de cancro.
Calcula-se a proporção de 1 para 10. As estatisticas de todos os paizes civilisados marcam-lhe o seu graphico ascendente; em algumas regiões, e em idades para além dos quarenta annos, já elle vae acima do da tuberculose. [...]
Dos meus apontamentos, colhidos das lições e das observações dos professores de Paris, seguidas em muitos mêses de assistencia hospitalar, desfiados e annotados no remanso das férias na minha Leça compuz quinze capitulos a que dou publicidade. [...]
N'estes capitulos vão elementos d'uma therapeutica nova que, emaranhada ainda nas incognitas de tantas hesitações dão aos primeiros passos, se firma já, com confiança, em acquisições obtidas na experiencia, vindas de tentativas, que não têem sido sempre estereis, e que no seu esforça trazem o segredo da resistencia a oppôr á impetuosa acção da critica e á dissolvente reacção da invidia medicorum."
(Excerto da introdução - Os porquês)
José Domingues de Oliveira (1865-1925). "Natural de Leça da Palmeira. Foi um médico notável. Exerceu atividade, durante muitos anos, na Estação de saúde de Leixões. Através do seu estudo em Paris de Curieterapia (tratamento por aplicação de radio) e pela sua ação vem a ser criado no Hospital Geral de Santo António, no Porto, um serviço pioneiro de Curieterapia. Foi autor de vários livros de medicina de relevo. Em 1907 foi presidente, no Porto da Cruz Vermelha. Em 1921 fez parte da comissão de combate ao cancro e à proteção dos doentes oncológicos. Foi condecorado pelo governo português com o grau de “Cavaleiro da Ordem de Cristo” e com o grau da “Ordem de Santiago d’ Espada”. Foi também condecorado pelo governo francês com a “Cruz da Legião de Honra” pelos serviços que prestou à esquadrilha francesa ancorada no Porto de Leixões durante a Primeira Guerra Mundial."
(Fonte: https://www.cm-matosinhos.pt/frontoffice/pages/1468?poi_id=8414)
Exemplar brochado em bom estado geral e conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas manchas.
Muito invulgar.
20€

01 maio, 2025

CAMPOS, João Manuel Saraiva de - POSTO PILOTO DE MEDICINA DO TRABALHO MONTADO NA FÁBRICA DA CERVEJA DE COIMBRA. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Trabalho sugerido e orientado pelo Excelentíssimo Senhor Professor Doutor Luís Augusto Duarte-Santos. Coimbra, Secção de Textos, 1968. In-8.º (21,5x16,5 cm) de 236, [4] p. ; [10] doc. desdob. ; [1] env. c/ 2 cartões perfurados ; il. ; B.
1.ª edição.
Tese académica inovadora, teve por finalidade estudar as condições de trabalho dos operários da Fábrica da Cerveja de Coimbra (1930-2002), unidade industrial que esteve na génese da Central de Cervejas, tendo o autor privado durante um mês com os seus funcionários, recolhendo inúmeros e preciosos testemunhos.
Saraiva de Campos não se limita à parte médica do trabalho, antes percorre a fábrica descrevendo os vários departamentos, procedimentos e funcionamento da mesma em pormenor, desde a recepção do malte, passando pela linha de enchimento até ao produto final.
Livro ilustrado no texto com desenhos esquemáticos, quadros e tabelas, e em separado, com uma planta da fábrica de grande dimensões (29,5x106 cm) evidenciando todas as secções que a compunham, inúmeros desdobráveis com gráficos e propostas/projectos para um "Dossier Médico" que incluiria exames aos trabalhadores, e no final, um envelope da FCC contendo 2 cartões perfurados - proposta de ficha médica para computador, antecipando o advento da informática aplicada à saúde, e em particular às consultas preventivas.
Trabalho policopiado, raro e muito curioso. A BNP dá suma notícia desta obra com a indicação "Sem informação exemplar".
"A aplicação dos conhecimentos médicos, dos seus métodos, dos seus métodos às diferentes actividades, tornou-se uma necessidade dos nossos dias. Razão do aparecimento da Medicina do Trabalho, Medicina Desportiva, da novel Medicina Especial, etc.
Em toda a actividade industrial a protecção do operário tornou-se indispensável, actividade essa que sentiu a necessidade de uma organização não só científica, mas também humana, que a conduzisse tanto quanto possível a uma correcção de produção.
Sendo o trabalho "o esforço que se dispende para fazer uma coisa" encontra-se rodeado de aspectos de ordem física, social, moral e económica. Podemos considerar nesse trabalho qualquer que seja a tarefa ou profissão:
- O esforço Intelectual (compreensão, reflexão e inteligência).
- O esforço Sensorial (atenção, paciência, habilidade e precisão).
- O esforço Físico (movimento e resistência à fadiga).
Mas, para além disso, o trabalho actualmente representa até certo ponto uma agressão ao operário; mesmo que este se encontre preparado fisiológica e tecnicamente, o perigo do Stress persiste, persegue e acompanha o trabalhador. [...]
É inegável que o desenvolvimento industrial e técnico surgiu para minorar para minorar o trabalho humano, mas também não é menos certo que com a máquina vieram acidentes. Assim como novos produtos químicos passaram a ser utilizados pela própria máquina para o seu funcionamento ou manutenção, acarretaram intoxicações profissionais igualmente inexistentes nessa data.
Além dos acidentes de trabalho da máquina inerentes à sua cada vez maior utilização não é de desprezar os menos aparatosos mas mais frequentes problemas que o automatismo e a grande cadência condicionam; uma fadiga precoce, tanto muscular como nervosa, encaminha o operário incauto e não dirigido para a "surmenage", acarretando esta:
- Menor rendimento
- Maior fadiga
- Mais acidentes
- Maior morbilidade geral
Poderíamos mesmo afirmar, que a máquina criada para beneficiar o homem acabou por o escravizar.
Se o emprego da máquina em regime de elevada cadência, parece num primeiro relance, beneficiar a entidade patronal, veremos que se nos debruçarmos mais atentamente, isso não corresponde à verdade. Pois o prejuízo próximo da saúde do operário, é o prejuízo a mais longo prazo da empresa."
(Excerto da Introdução)
Indice:
Prefácio | Introdução | Fabrico da Cerveja | Apresentação do Dossier Médico | Aspecto geral dos exames efectuados | Exame de entrada tipo | Caso J. A. P. | Alguns casos clínicos | Visitas aos postos de trabalho | Acidentes de Trabalho e Prevenção | Conclusões | Prólogo | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas vincadas. Com vestígios de traça na última folha (em branco).
Muito raro.
Com interesse histórico, sociológico e industrial.
Peça de colecção.
200€

24 abril, 2025

SAAVEDRA, José -
OS SEMI-LOUCOS NA PSICHIATRIA, NA SOCIEDADE, NAS LETTRAS
. Coimbra, Composição e Impressão Gráfica Conimbricense, Limitada, 1922. In-8.º (19,5x14 cm) de 246, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante estudo psiquiátrico sobre os "semi-loucos" e a sua intervenção nas diferentes áreas socio-culturais na época.
Raro e muito curioso.
Trata-se da tese de doutoramento em Medicina que o autor apresentou à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O numero cada vez maior de casos de semi-loucura na sociedade con temporanea, só comparavel aos de syphilis - os dois maiores flagellos da humanidade e da raça - chamaram a minha attenção para o estudo deste capitulo da Psychiatria, tanto mais que a maior parte dos Tratados de Psychiatria ou a ella se não referem, ou a englobam no capitulo vago das degenerescencias, sem lhe precisarem os caracteres, nem salientarem a sua importancia, quer debaixo do ponto de vista medico, quer do ponto de vista social. [...]
Como julgar, realmente, de certas anomalias parciaes dos semi-loucos, se ellas se manifestam muitas vezes só na vida intima, conservando elles todas as suas faculdades intellectuaes, occultando com uma propositada e facil dissimulação durante o interrogatorio as taras de que o accusam?
O exame psychiatrico de um semi-louco tem de ser uma causa judicial em que o juiz é o medico especialisado nestes estudos e a acusação e defeza feitas pela sua entourage e peloo proprio doente.
Não basta pesquizar na sua historia taras mentaes e nervosas, tão frequentes em toda a gente, para justificar um diagnostico à outrance, de semi-loucura.
É mister attender a multiplos factores d'ordem moral, familiar, conhecer o meio em taes factos se passaram, curar de saber quaes as razões que possam justificar ou condenar esse acto.
A interdicção e internamento destes doentes nos manicomios em contacto com loucos completos, por simples certificado medico, as mais das vezes com conhecimento incompleto do doente, apaixonam vivamente a opinião publica, dando logar a pleitos, facilmente evitaveis com um conhecimento mais completo da semi-loucura e com a fundação de estabelecimentos proprios para estes doentes."
(Excerto do Prefacio)
"A semi-loucura é um estado mental intermedio á loucura e á saude mental.
A definição, com quasi todas as da biologia, não tem um rigor mathematico, nem limites precisos. O proprio nome, para designar os estado pathologicos que adeante descrevo é impreciso e incompleto.
Mas como poderá um nome composto de duas palavras exprimir exactamente o que leva muitas paginas a descrever?"
(Excerto de I - Demonstração da semi-loucura)
José Nevil de Ascensão Pinto da Cunha Saavedra (1895-1961). "Professor da Faculdade de Medicina. Naturalidade - Canidelo (Vila Nova de Gaia), 10.12.1895-?  Filiação - José Maria Rodrigues da Ascensão e Maria Emília da Ascensão Pinto da Cunha Saavedra. Matriculas - Medicina, 1912. Graus - Doutor, 20.7.1922. Cadeiras - Clínica e Policlínica Médicas (1919-1926), 2.º assistente. Observações - Abandonou a docência em 1926, para seguir a carreira de médico militar. Publicações - Os semi-loucos na psiquiatria, na sociedade e nas letras (Coimbra, 1922)."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/SAAVEDRA_josenevildeascensaopintodacunha)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral com excepção da lombada que se apresenta falha do revestimento. Em falta três folhas no início do livro: f. ante-rosto e a as que sucedem à f. rosto, sem prejuízo do ensaio propriamente dito, já que são folhas "menores", sem relevância para a obra.
Raro.
35€

03 janeiro, 2025

MESQUITA, Abílio de -
O DIVÓRCIO E A MEDICINA (êrros e crimes da Lei do Divórcio portuguesa)
. Pôrto, Casa Editora de A. Figueirinhas, 1924. In-8.º (17,5x12 cm) de [2], 77, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Tese de doutoramento do autor apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
"O estudo da legislação dum povo deve andar sempre ao lado do da biologia porque aquela depende de esta. Daí, o papel preponderante da Medicina legal nas várias questões sociais, a qual, além de fornecer os conhecimentos médicos aos problemas jurídicos, trata das relações entre os factores biológicos e as leis dum povo, constituindo parte da sócio-biologia.
Sendo o casamento a base da sociedade pela segurança na continuação da espécie e o divórcio a destruição, em parte, dessa mesma segurança, entram na sócio-biologia os estudos do casamento e do divórcio; é êste que constitue o nosso trabalho."
(Excerto do Prefácio)
"O casamento é a união consciente entre dois indivíduos de sexo diferente com deveres de fidelidade, de assistência e de auxílio mútuos. O risco conjugal é o conjunto de circunstâncias agradáveis ou desagradáveis a que os conjuges estão sujeitos durante a vida matrimonial.
O divórcio é a cessação consciente do matrimónio, depois dêste consumado, em vida de ambos os conjuges, com a possibilidade de novo casamento; quando esta regalia não existe, a dissolução não é completa. Pode ser por mútuo acôrdo ou independentemente dele, tendo-se em vista actualmente os interesses do outro conjuge.
A nulidade faz com que não exista o matrimónio que o divórcio pressupõe.
Repúdio é a separação por vontade de um só dos conjuges, em geral o homem. Na evolução histórica do casamento, como veremos, o repúdio antecede o divórcio. Pelo repúdio o homem é senhor absoluto no lar conjugal. O divórcio destroe esse autoritarismo marital, igualando os direitos do homem aos da mulher e emancipando esta em parte."
(Definições)
Indice:
Dedicatórias | Prefácio | Definições | I Parte - História e evolução do divórcio. II - Parte - O divórcio na actualidade. III Parte - A loucura como causa de divórcio. IV - Parte - Doenças contagiosas e aberrações sexuais como causas de divórcio. V Parte - Conclusões | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

28 dezembro, 2024

TAVARES, Amandio Joaquim -
ESTUDOS SOBRE AS VARIAÇÕES MUSCULARES DO THORAX.
Tese de Doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina do Pôrto. [Por]... 2.º Assistente de Anatomia da Faculdade de Medicina do Pôrto. Pôrto, Tipografia Sequeira, Limitada, 1924. In-4.º (24x16,5 cm) de 147, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Tese de Doutoramento do ilustre Professor Amândio Tavares, reitor da UP entre 1945 e 1961.
Livro ilustrado com desenhos, quadros e esquemas.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao seu amigo e colega Ulisses da Silva Canijo".
"As minhas investigações incidiram principalmente sôbre a região muscular ântero-lateral do tórax da Anatomia descritiva, mas com carácter sistemático apenas foi feito o estudo do preesternal, esta curiosa anomalia que desde longos anos tem atraído a atenção de muitos anatomistas, empenhados na resolução dos variados problemas que, directa ou indirectamente, com ela se prendem."
(Excerto do Preâmbulo)
Amândio Joaquim Tavares (Valpaços, 1900 - Senhora da Hora, 1974). "Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e doutorou-se em Medicina e Cirurgia pela mesma Escola em 1924. Foi professor catedrático de Anatomia Patológica. Homem de forte personalidade, austero, de carácter firme, dinâmico, criou escola, formou alunos e publicou numerosos trabalhos de referência na sua área científica, sobretudo sobre Anatomia Patológica e a sua aplicação à clínica. Desde muito cedo valorizou a internacionalização da pesquisa científica e o seu prestígio fora de portas é comprovado de diversas formas, incluindo condecorações de governos estrangeiros. Foi nomeado reitor da Universidade do Porto em 1945 e apenas cessou funções em 1961. A ação reitoral que protagonizou, além de prolongada no tempo, ficou marcada pelo dinamismo e foi um período muito fecundo da Universidade do Porto que viu crescer o seu prestígio interna e externamente."
(Fonte:https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=reitores%20da%20u.porto%20-%20am%c3%a2ndio%20joaquim%20tavares)
Exemplar brochado em bom estado gerall de conservação. Interior correcto. Capas frágeis com cortes marginais. Contracapa apresenta falha de papel no canto superior esquerdo. Mancha de humidade desvanecida à cabeça, acompanha parte do livro.
Raro.
30€

12 setembro, 2024

LÉPINE, Jean -
TROUBLES MENTAUX DE GUERRE. Par... Professeur de Clinique des Maladies Nerveuses et Mentales à l'Université de Lyon. Paris, Masson et Cie, Éditeurs : Libraires de l'Acádemie de Médecine, 1917. In-8.º (19x13 cm) de 203, [33] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio/guia médico publicado em 1917, durante a conflagração mundial. Trata-se de um importante subsídio para a história da Grande Guerra - no original, em francês - sobre as perturbações mentais e stress pós-traumático, sintomatologia evidenciada por grande número de soldados que participaram no conflito.
Obra rara, com interesse histórico.
“Sem lesões aparentes”. É assim que o Doutor Jean Lépine, Chefe do Centro de Psiquiatria da 14.ª Região Militar e do Asilo de Bron, descreve os soldados vítimas do que hoje se chama de stress pós-traumático… homens enlouquecidos pela guerra.
Em 1917, o Doutor Jean Lépine publicou Transtornos Mentais da Guerra, “uma espécie de guia para os médicos”, cujos estudos não eram especializados em neuropsiquiatria. Este iria ajudá-los desde a linha de fogo até ao interior do país. Jean Lépine não lista patologias, mas sim os fenómenos mentais observados em 6.000 casos desde 1914. Os capítulos descrevem grupos de pacientes que sofrem de “confusão mental alucinatória”, “narcolepsia”, “amnésia”, “perseguição” ou mesmo “estado depressivo”, etc., e fornece pistas para tratamentos químicos, dietéticos ou de balneoterapia…"
(Fonte: https://france3-regions.francetvinfo.fr/bourgogne-franche-comte/histoires-14-18-jean-lepine-psychiatre-blessures-apparentes-1449631.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

15 julho, 2024

DOUSSIN-DUBREUIL, J. L. - CARTAS ÁCERCA DOS PERIGOS DO ONANISMO (Masturbação) e conselhos relativos ao tratamento das molestias de delle resultão. Por... Passadas do francez a portuguez para uso da mocidade brasileira pelo Dr. João Candido de Deos e Silva, Natural do Pará, Dignitario da Imperial Ordem do Cruzeiro, etc. Rio de Janeiro, Em Casa dos Editores-Proprietarios Eduardo & Henrique Laemmert, [1842]. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 134, [2] p. ; E.
1.ª edição brasileira.
Livro curiosíssimo. Decidiu-se o autor pela sua publicação após tomar conhecimento "dos espantosos e rapidos progressos que faz diariamente o vicio da masturbação", e os malefícios para a saúde associados a tais práticas.
Obra rara, originalmente editada em Paris (1813) com o título Lettres sur les dangers de l'onanisme. A BNP tem recenseado 1 exemplar desta obra, sem no entanto nomear editor, data e local de edição.
"No século XVIII europeu, o onanismo - termo utilizado à época para designar a patologia associada à prática da masturbação - recebeu distintas interpretações para alertar o que a medicina e a religião consideravam ser um flagelo social prejudicial à saúde e uma profanação aos preceitos cristãos. Enquanto o discurso religioso condenou o praticante em nome de uma pretensa moral, o campo médico buscou descrever incessantemente todos os desvios. Durante dois séculos, pôde se observar a existência de publicações que enunciavam sádicas perseguições e condenações na tentativa de reprimir a prática da masturbação. [...]
A tradução dessas obras para o português, nos séculos subsequentes aos originais ingleses e franceses, possibilitou que o discurso sobre a sexualidade e, especificamente, o combate ao onanismo repercutisse no espaço luso-brasileiro. Não obstante, estes discursos religiosos e médicos atuavam na constituição de uma sociedade profundamente cristã devota que, em grande medida, era guiada pelos “bons costumes” manifestados por representações dos protocolos sociais aplicados nos grandes centros urbanos europeus.
Para o século XIX, identificamos a existência de dois manuais médicos franceses, ambos traduzidos para o português, que alertavam implacavelmente os perigos do onanismo em crianças e jovens. O primeiro, composto por epístolas masculinas, foi publicado na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1842 pelo jurista João Cândido de Deus e Silva (1787-1860). Tratar-se-ia de uma versão traduzida da obra Lettres sur les dangers de l'onanisme (1813), divulgada em Paris pelo médico francês Jacques-Louis Doussin-Dubreuil (1762- 1831)."
(Ripe, Fernando, Sobre o “funesto hábito” da masturbação infantil, in Revista Brasileira de História & Ciências Sociais - RBHCS, Vol. 14 Nº 28, Janeiro - Junho de 2022)
"As cartas, que aqui apresento, vão taes quaes as escrevi a um mancebo, que se destinava ao estudo da medicina, e que se havia entregado ao onanismo, mas que m'o declarou a tempo ainda proprio para o curar. [...]
Admirarão talvez o ter eu tratado de tão importante materia com um mancebo que se deve suppôr de vinte annos de idade, quando muito, e de o haver eu feito medico de seus camaradas; mas, por pouco que se haja reflectido, ter-se-ha notado que os rapazes confião uns aos outros de bom grado aquillo que encobrem a pessoas mais velhas. [...]
Neste momento recebo eu noticia da morte de um filho unico de quinze annos de idade, cuja residencia não dista da minha. Este desgraçado moço não declarou que usava da masturbação, senão quando se vio proximo a perder a vida."
(Excerto de Discurso Preliminar)
Taboa das Materias:
Discurso Preliminar | Primeira Carta. Ao Sr. ***, Estudante em Bordéos. Carta II. Carta III. Descripção dos signaes que dão a conhecer o individuo que se dá ao onanismo. Carta IV. Indica o Autor novos signaes por onde se conhecem os mancebos que se entregão ao onanismo, e reputa menos equivoco a magreza diaria apezar do muito comer. Carta V. Reflexões do Autor ácerca dos temperamentos. | Conselhos sobre o modo de tratar os masturbadores | Factos que provão quão difficultoso é deixar o habito do onanismo; frequentes e involuntarias perdas de liquido seminal | Dieta | Do uso dos purgativos na cura destas enfermidades ! Se póde ser util a sangria para combater os effeitos do onanismo? | Se podem, os que se dão a esses excessos, usar de clysteres contra longa constipação? | Se podem colher grande utilidade do uso do leite? | Do uso dos banhos quentes | Do uso dos banhos frios | Do exercicio | Conselhos de Willaume a respeito do onanismo | Explicação de alguns termos que se encontrão | Nomes dos autores citado no decurso esta obra.
Jacques-Louis Doussin-Dubreuil (Saintes, 1762 - Paris, 1831). "Foi um médico e cirurgião francês. Pioneiro na vacinação, foi o fundador da Société Royale Académique des Sciences de Paris (dissolvida em 1826), da Société d'Encouragement pour l'Industrie Nationale e da Société Galvanique et de Recherche Physique. Aprendeu cirurgia com o pai, então em Paris, tendo sido um dos primeiros a declarar-se a favor da vacinação (vacinou os próprios filhos). Membro da Société Centrale de Vaccine, propôs depósitos de vacinas por toda a França, o que ajudou a reduzir os efeitos de uma epidemia de varíola. Foi médico-chefe do gabinete de caridade do 10.º Bairro de Paris."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravado a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

07 julho, 2024

NEVES, Correia das -
VIOLAÇÃO DO SIGILO MÉDICO E EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA.
Estudo de Direito Criminal: I - Comentário; II - Legislação. [Por]... Juiz de Direito. Beja, Minerva Comercial, 1963. In-4.º (23,5x16 cm) de 83, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo jurídico, pioneiro e muito interessante.
"Um certo contacto que, durante a nossa passagem pela Judiciária, mantivemos com a legislação médica, e, por outro lado, o manifesto interesse teórico e prático de alguns aspectos criminais do exercício da medicina, trouxeram-nos a ideia e o estimulo para a elaboração de um trabalho jurídico - e sempre modesto ele havia de ser! - onde se focassem os variados problemas criminais relacionados com aquela prática.
Porém a pouca disponibilidade de tempo não nos permitiu, por agora, ir mais além...
Pensámos, entretanto, haver alguma utilidade em publicar, para já, o estudo que temos concluído sobre dois de tais problemas - a quebra do sigilo médico e o exercício ilegal da medicina - deixando para outra oportunidade o estudo do mais.
O interesse prático do primeiro não está tanto na frequência da infracção; raramente mesmo terá surgido nos tribunais processos-crime por violação do segredo profissional médico. Mas não é menos certo que o problema tem criado embaraços e perturbação, mormente na fase de instrucção e investigação criminais, onde surge com frequência a necessidade de ouvir os médicos e de proceder a outras diligências, como, por exemplo, a apreensão de documentos clínicos. É que, muitas vezes acontece não ser devidamente interpretado o tratamento legal do segredo médico, as condições e os casos em que, à face da lei actual, pode ou deve ser violado, particularmente quando o médico é chamado a depor em processo criminal. Uma palavra esclarecedora sobre tal assunto será, por certo, útil aos médicos, à polícia, aos tribunais.
Quanto ao exercício ilegal da medicina é manifesto interesse de um estudo sério, já pelas dúvidas e questões que levanta a sua disciplina jurídica e legislativa, já pela relativa frequência de prática de tal crime."
(Duas palavras)
Índice:
Duas palavras | Primeira parte - Comentário. § 1.º Violação do segredo profissional médico. 1 - Legislação actual. Os elementos típicos do crime. 2 - Os elementos da infracção: revelação de segredo. 3 - Os elementos da infracção: o prejuízo.-. 4 - 0s elementos da infracção: ausência de justa causa; a apreensão de documentação médica. 5 - Os elementos da infracção: a culpabilidade. § 2.º Exercício ilegal da medicina. 6 - Considerações gerais. 7 - Legislação actual. Os elementos do crime. 8 - O título e a inscrição. 9 - Continuação do n.º anterior: conclusão. 10 - O título de especialista. 11 - O acto médico e actos próprios da profissão médica. 12 - Sanções aplicáveis. 13 - - O § 2.0 do art.º 236.º do Código Penal. 14 - O art.º 15.0 do Decreto-Lei 32.171: charlatanismo: seus elementos típicos. 15 - O art.º 15.º do Decreto-Lei 32.171 e o exercício ilegal da profissão médica. 16 - Os elementos típicos do charlatinismo (continuação). Segunda parte – Legislação. Decreto-Lei n.º 32.171. de 29 de Julho de 1942 (Exercício ilegal da medicina). Estatuto da Ordem dos Médicos I Aprovado pelo Dec.º.-Leí n.º 40.651, de 21 de Junho de 1956). Código Penal (art.ºs 236.0 e 290.º).
Francisco Correia das Neves (Oliveira do Hospital, 1929 - Beja, 2017). "Magistrado. Licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra; Curso complementar de Ciências Jurídicas pela Universidade de Coimbra. Carreira profissional: Delegado do Procurador da República; Inspector da Polícia Judiciária; Secretário do Ministro da Justiça, em comissão de serviço; Vice-presidente da Comissão Distrital de Beja da União Nacional (1969); Em 1969 era Juiz de Direito na Comarca de Beja, passando à situação de licença ilimitada ao ser eleito deputado; Após a carreira parlamentar (1973), voltou ao exercício da sua profissão em Beja, até 1995; Foi docente do Instituto Politécnico de Beja."
Exemplar em brochura, bem conservado. Rubrica de posse na f. rosto.
Invulgar.
15€