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14 novembro, 2024

CRESPO, Gonçalves - NOCTURNOS. Lisboa, 18, Rua Oriental do Passeio [Imprensa Nacional], 1882. In-8.º (19 cm) de 164, [ ] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais apreciadas obras do autor, dedicada a Maria Amália Vaz de Carvalho, sua mulher.

"Aquelle que alli vae triste e cançado
E mais tremente que os juncaes do brejo
Foi outrora o mais bello e o mais amado
Entre os moços do antigo logarejo.

Nas fitas d'esse labio desmaiado
Quantas mulheres tremulas de pejo
Não sorveram os néctares do beijo
Dos trigaes sobre o leito perfumado!

Hoje é velhinho, e falla dos francezes
Aos rapazes da eschola, e ás raparigas
Que não cançam de ouvil-o... As mais das vezes

Sobre a ponte, sósinho, ouve as cantigas
Das que lavam no rio, e o olhar extende
Ao sol que ao longe na agonia esplende..." 

(O Velhinho)

António Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro, 1846 - Lisboa, 1883). Natural do Rio de Janeiro, Brasil. Veio residir para Portugal aos 10 anos de idade. Inscreveu-se na Universidade de Coimbra onde se viria a formar em Direito. Aí iniciou-se nas lides literárias, como colaborador de A Folha, fundada em 1868 por João Penha, por muitos considerado o introdutor do «Parnasianismo» em Portugal,  corrente a que aderiu. Foi o autor de Miniaturas (1870) e Nocturnos (1882), expressando-se em poemas com reminiscências da vida familiar e cenas do quotidiano. Gonçalves Crespo foi ainda deputado pela Índia, nas legislaturas de 1879 e 1882, e trabalhou no Diário da Câmara dos Pares, assim como colaborou no Jornal do Comércio, Artes e Letras, Cenáculo e na revista Ocidente. Ainda estudante, em 1874, casou-se com a conhecida escritora Maria Amália Vaz de Carvalho cuja tertúlia literária frequentava. Escreveram em conjunto Contos para os Nossos Filhos (1886).
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Escritos numa página no interior do livro e pequenas manchas de acidez. Dedicatória coeva (não do autor) na f. ante-rosto.
Raro.
Indisponível

14 fevereiro, 2017

LIMA, Ignacio d'Abreu e - BAILATAS. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & Cta., 1907. In-8.º (19cm) de 118, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais apreciadas obras de António Feijó, que assina com pseudónimo.
"Em Bailatas, obra publicada em 1907 sob o pseudónimo de Inácio de Abreu e Lima, parece ter a intenção de parodiar o Decadentismo, mas a verdade é que muitas dessas poesias atingem consonância com a própria sensibilidade simbolista. As suas últimas obras, particularmente a coletânea póstuma Sol de inverno, editada em 1922, espelham o lirismo sóbrio, o simbolismo depurado, os motivos melancólicos, outonais, e os temas da saudade e da morte, que são algumas das características da obra de António Feijó."
(fonte: infopédia)


"Na minha dôr immensa
Andei perdido pelo mundo;
E ouvi por toda a parte esta sentença,
D'um conceito profundo:


O Amor é uma doença
Que pelos olhos se contrae;
Dos olhos desce aos labios, e dos labios
No coração descae.
Mas depois, não ha medicos, nem sabios;
De lá nunca mais sae!
"


(Aphoristica)


A
ntónio Joaquim de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1859 - Estocolmo, Suécia, 1917). “Poeta e diplomata português. Formou-se em Direito em Coimbra, tendo exercido a advocacia por um breve período de tempo e seguido depois a carreira diplomática. Foi cônsul no Brasil (1886) e, até à data da sua morte, ministro de Portugal na Suécia, onde veio também a casar. Poeta ligado ao parnasianismo, é considerado o representante português, por excelência, deste movimento estético. Destacou-se pela sua destreza formal, recorrendo aos mais variados tipos de verso, e por um certo exotismo, patente, por exemplo, na adaptação de poemas chineses em Cancioneiro Chinês (1890). Os seus temas estão frequentemente ligados a um certo desencanto, a um sentimento de decadência e mágoa (também devido ao afastamento de Portugal), e ainda de pessimismo. Ao tema recorrente da morte associa um ideal de beleza fria e mórbida. O seu estilo contido e requintado, reflectindo, apesar da sua temática obsessiva, um distanciamento aristocrático, coloca-o num lugar singular da poesia do seu tempo.
Estreou-se com Transfigurações (1882), publicando ainda Líricas e Opulentas (1884), À Janela do Ocidente (1885), Ilha dos Amores (1897) e Bailatas (1907). Postumamente, foram editados Sol de Inverno (1922), Novas Bailatas (1926), Sol de Inverno Seguido de Vinte Poesias Inéditas (1981). Saíram, em 1940, as Poesias Completas de António Feijó."
(fonte: www.escritas.org)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
25€

13 fevereiro, 2017

LIMA (António Feijó), Ignacio de Abreu e - NOVAS BAILATAS. Paris - Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1926. In-8.º (18,5cm) de 148 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Edição póstuma desta apreciada obra do poeta português.
Ilustrada com um retrato de António Feijó em extratexto.

"Das minhas 33 amantes
Apenas três me não trahiram;
Mas d'essas três, sempre constantes,
Duas por fim tambem partiram.

D'amor eterno, alto modêlo,
Foi uma só, das trinte e três...
Mas essa, em paga do seu zêlo,
Sou eu que a engano muita vez..."

(Canção tzigana)

António Joaquim de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1859 - Estocolmo, Suécia, 1917). “Poeta e diplomata português. Formou-se em Direito em Coimbra, tendo exercido a advocacia por um breve período de tempo e seguido depois a carreira diplomática. Foi cônsul no Brasil (1886) e, até à data da sua morte, ministro de Portugal na Suécia, onde veio também a casar. Poeta ligado ao parnasianismo, é considerado o representante português, por excelência, deste movimento estético. Destacou-se pela sua destreza formal, recorrendo aos mais variados tipos de verso, e por um certo exotismo, patente, por exemplo, na adaptação de poemas chineses em Cancioneiro Chinês (1890). Os seus temas estão frequentemente ligados a um certo desencanto, a um sentimento de decadência e mágoa (também devido ao afastamento de Portugal), e ainda de pessimismo. Ao tema recorrente da morte associa um ideal de beleza fria e mórbida. O seu estilo contido e requintado, reflectindo, apesar da sua temática obsessiva, um distanciamento aristocrático, coloca-o num lugar singular da poesia do seu tempo. Estreou-se com Transfigurações (1882), publicando ainda Líricas e Opulentas (1884), À Janela do Ocidente (1885), Ilha dos Amores (1897) e Bailatas (1907). Postumamente, foram editados Sol de Inverno (1922), Novas Bailatas (1926), Sol de Inverno Seguido de Vinte Poesias Inéditas (1981). Saíram, em 1940, as Poesias Completas de António Feijó."
(fonte: www.escritas.org)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.  Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
15€