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30 abril, 2026

MAGALHÃES, José Calvet de - A ATITUDE CHINESA PERANTE MACAU E O FUTURO DA NOSSA COLÓNIA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1946. MACAU E OS INTERÊSSES POLITICOS NO SUL DA CHINA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1947. Cantão, [s.n.], 1947-1948. In-4.º (27,5x19 cm) de [5], 100 f. ; il. e [6], 44 f. ; E.
1.ª edição.
Primeiros relatórios elaborados por iniciativa de Calvet de Magalhães, cônsul português em Cantão na época, com a chancela "Confidencial", sendo seu objectivo dar a conhecer aos "corredores do poder" em Lisboa - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Presidência do Conselho - a situação de Macau, pura e dura, sem "floreados". Descreve a conjuntura da colónia, a reivindicação chinesa sobre Macau e Hong Kong, e os interesses das outras potências presentes nesta zona do globo - sobretudo ingleses, franceses e americanos - sublinhando, no entanto, a perspectiva da China e a sua influência na Região Administrativa de Macau, não deixando o diplomata de apontar caminhos e recomendar formas de aproximação às autoridades chinesas, locais e centrais, tendo em conta o contexto político e militar, a sua cultura peculiar e objectivos estratégicos, para ajudar o poder central na tomada de decisões. O Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, que dava já como perdido o território, leu com interesse os relatórios, com os quais concordou quase na íntegra, felicitando o autor, que se regozijou com os elogios presidenciais na abertura do segundo relatório.
Exemplares batidos à máquina, policopiados, impressos na frente, com mapas reproduzidos no texto do segundo relatório. Por opção, o relatório mais moderno foi encadernado à frente.
Os Relatórios procedem do espólio de um embaixador português. Trata-se de documentação importante, praticamente desconhecida, com interesse para a história das relações sino-portuguesas do pós-Guerra (1945), coincidindo com o conflito civil chinês que opôs facções nacionalistas a comunistas, em tempos marcados por alguma conflitualidade regional entre Macau e as províncias chinesas vizinhas. Aborda questões centrais da política da colónia, como o jogo, o turismo, o comércio com a metrópole e a obra missionária.
"Êste breve relatório contém pontos de vista meramente pessoais e portanto sujeitos a discussão e rectificação. Para a sua elaboração procurei apoiar-me, todavia, nos elementos mais objectivos que pude lançar mão, não esquecendo a observação directa do ambiente local traduzido pelas pessoas e pela imprensa.
Os pontos fracos da nossa posição em relação ao problema de Macau não deixaram de ser registados, pois creio que o seu estudo é tanto ou mais importante que o estudo dos pontos que nos são inequìvocamente favoráveis. Nos estudos publicados acêrca da nossa soberania em Macau, tem-se naturalmente procurado tirar o maior número de conclusões a nosso favor, tentando-se, por outro lado, diminuir de tôda a forma os argumentos que possam ser utilizados pelos nossos adversários nesta questão. Num trabalho destinado à apreciação do Ministério dos Negócios Estrangeiros não creio que haja lugar para tiradas patrióticas ou pintura de problemas com côres róseas."
(Excerto de Duas palavras - Relatório anual referente ao ano de 1946)
Índice Relatório de 1946:
[Duas palavras] | I - A atitude chinesa perante Macau. II - A atitude portuguesa acêrca da soberania de Macau. III - O futuro de Macau.
Índice Relatório de 1947:
Introdução | § 1º Exame breve das condições económicas e estratégicas do Sul da China. § 2º A política chinesa no Sul da China. § 3º A política inglesa no Sul da China e a colónia de Hongkong. § 4º Os interêsses franceses no Sul da China. § 5º Haverá uma política americana no Sul da China? § 6º Esquema dos interêsses e da política portuguesa no Sul da China.
José Calvet de Magalhães (1915-2004). "Embaixador de Portugal (um dos principais e mais conhecidos diplomatas portugueses da segunda metade do século XX), foi um pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos grandes protagonistas na aproximação de Portugal à Europa enquanto participante activo em negociações que envolveram diversos organismos europeus. O embaixador Calvet de Magalhães não foi só um homem de acção. Possuidor de um consistente pensamento sobre a Europa e sobre as relações externas de Portugal, deixou-nos o seu ideário materializado num conjunto de obras que enriquecem o seu legado e juntam à sua actividade diplomática um acervo de ideias sobre as relações internacionais do seu tempo. Referência para uma geração de diplomatas, o seu ascendente provém da forma lúcida como a cada momento foi capaz de defender simultaneamente essas suas ideias e os interesses portugueses. Mais que atlantista, americanófilo, nunca deixou de estar atento ao carácter euro-atlântico de Portugal e, em particular, à importância da posição geoestratégica dos Açores e de Portugal como ponte entre a Europa e a América.
Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa, sob o signo da I Guerra Mundial. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1940, fez estágio de advocacia; em 1941 candidatou-se a um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e foi admitido – por essa altura entraram também para o Palácio das Necessidades Eduardo Brasão e Franco Nogueira. Ao longo da sua vida trabalhou com mais de duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros.
Estreou-se na direcção-geral dos Negócios Económicos, uma área da diplomacia em que veio a especializar-se. Em 1945 encontramo-lo como cônsul-adjunto em Nova York, de onde no mesmo ano seria transferido para Washington. Em 1946 foi enviado para Boston onde fica a gerir o consulado até que, volvidos poucos meses, é enviado para Cantão (onde acompanha o fim da guerra civil chinesa e a chegada de Mao Tsé-Tung ao poder), regressando a Lisboa em 1950. [...]"
(Fonte: https://ipri.unl.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r8/RI08_07MFRollo.pdf)
Encadernação contemporânea inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
250€

10 novembro, 2024

MESNIER, Pedro Gastão -
O JAPÃO : estudos e impressões de viagem.
Por... Macau, Typographia Mercantil, 1874. In-8.º (22x14 cm) de XX, [2], 355, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do Japão contemporâneo como nação emergente e, tal como a China, a dar os primeiros passos no processo de abertura ao Ocidente. Escrito algumas décadas antes do estabelecimento de Wenceslau de Moraes no país, que descreveu com mestria, este é um dos mais interessantes contributos históricos escrito por um cidadão português sobre o país do Sol Nascente. Inclui largas referências à passagem - e influência - dos portugueses pelo império nipónico.
Livro impresso em Macau, ilustrado com caracteres chineses (poesia) e, no final, com tabelas e quadros estatísticos.
"Dedicada ao Visconde de S. Januário, ministro plenipotenciário de Portugal nas cortes do Sião, China e Japão, esta obra constitui eventualmente o ex-libris entre os trabalhos de reconhecimento do Japão recém-aberto aos contactos internacionais. Memória da embaixada que em finais de 1873 S. Januário encabeçou, transporta também uma reflexão profunda sobre as relações entre o Ocidente e o Oriente. Declarado admirador das reformas ocidentalizantes do mikado, pressentia o poder decisivo que o arquipélago desempenharia nas décadas subsequentes. - Contém: notícias do Japão, da Antiguidade aos contactos com os europeus; carácter do povo nipónico, suas instituições morais, religiosas e políticas; visita a Nagasáqui; os portugueses no Japão (1541-1610); Kobe; Osaka: divertimentos, artes, os últimos samurais; Yedo -Tóquio: templos Xintoístas, palácios, bosques, a nova elite dirigente, os divertimentos; o sistema de crenças; fisionomia e trajo dos japoneses; audiência dada pelo imperador à embaixada portuguesa. - Em anexo, glossário de “palavras asiáticas”, bem como quadros sinópticos da divisão territorial do Japão, cronologia de imperadores, tábua cronológica dos Shonguns e constituição da família imperial.
De 1860 aos anos 30 do século XX, o Japão converteu-se numa nação fortemente ocidentalizada. Coube a Pedro Gastão Mesnier (1846-1884) lavrar testemunho das profundas alterações em curso no país. Integrando a embaixada do Visconde de S. Januário, pode aperceber-se do triunfo do xintoísmo e do culto rendido ao imperador - cuja linhagem divina ascenderia até Amaterasu, deusa do Sol - mas também do colapso dos samurais e ascensão dos grandes barões monopolistas do comércio e da indústria zaibatsu. O Japão seguia velozmente a via ocidental e era já considerado, em meados de 1880, um aluno exemplar, havendo quem o brindasse como “a Inglaterra da Ásia”, que décadas depois Haushoffer – o mago da geopolítica – corrigiria para a de “Prússia do Oriente”."
(Fonte: https://purl.pt/711/1/japao/jp-05.html#)
"Nunca me acompanhou a pretensão de esgotar o assumpto de que trata a obra presente, durante todo o decurso de tempo em que escrevi este livro. [...]
Tive especialmente em vista, quando escrevi, os meus patricios de Portugal, para quem a maior parte das cousas relativas ao Japão são novidades; os meus patricios de Macau, e d'estas regiões, relevarão portanto o que para elles não passará de logares communs.
Emquanto ás impressões que exponho, é possivel que muitas pessoas que viajaram no Japão, não as sentissem analogas, mas isso lhes não dará o direito de duvidar da sinceridade das minhas.
Por experiencia, tenho conhecido que a simples verdade, em todas as cousas d'arte, tem sempre a vida que é o principal predicado da belleza, e que é em vão que se procura a formosura litteraria nas formulas rhetoricas. Com alma que sente bem, e penna que reproduz exactamente esses sentimentos, se fazem os bons escriptores.
Procurei restringir-me sempre á mais exacta reproducção das cousas que presenciei; é certo que não vi tudo, e que muitas vezes não vi bem. A arte de ver é talvez a mais difficil d'este mundo, e não presumo ser mestre n'ella."
(Excerto do Prefacio - Ao limiar)
Índice:
Prefacio | Erratas | I - A descoberta. Observações geraes. II - Nagasaki. III - Os portuguezes no Japão, 1541-1640. IV - O mar interior. V - Hiogo-Kobe. VI - Osaka. VII - O valle d'Oitz. VIII - A lenda de Tajamir. IX - Yeddo - En-rio-kan. X - Yeddo - O-tamaya. XI - Uiéno. XII - Yeddo - As casas de Chá. XIII - Asaka. XIV - Physionomias e trajos. XV - Folhas caídas do feudalismo XVI - A audiencia. XVII - Ultimas excursões | Glossario de palavras asiaticas | Appendices e notas.
Pedro Gastão Mesnier (1846-1884). "Erudito e homem de acção cuja aura romântica o equiparava a um moderno Fernão Mendes Pinto, no entender de Manuel da Silva Gaio e dos seus amigos literatos de Coimbra, fugia decididamente aos cânones da sua época. [...]
A ansiedade de conhecer o Oriente fê-lo embarcar para Moçambique e daqui para a Índia, onde “obtivera por influência de seu pai, um despacho para condutor das obras públicas de Goa”, tendo sido também “professor de física e química na escola militar de matemática de Goa”. Contudo, uma “revolta do exército indígena” e a ocupação do arsenal, foi a oportunidade soberana para Pedro Gastão Mesnier mostrar as suas qualidades em acção. Por incumbência do Visconde de S. Januário, Governador-Geral da Índia (1870-1871), cujo secretário era o poeta Tomás Ribeiro, foi encarregado de “apreender esses quatro canhões às proximidades de Hari-Bandar”. A missão foi bem sucedida, tendo “praticado actos de verdadeiro heroísmo”, relatados no “Times of India”. [...]
A sua obra vai aparecendo. O “Idyllio” é publicitado pela Typographia Mercantil e custava 50 avos, em 1874. Outro livro, desse mesmo ano, “O Japão: estudos e impressões de viagem”, será muito bem recebido por Antero de Quental que escreveu na “Revista Ocidental”, “há muito tempo que em língua portuguesa se não publica relação de viagem tão interessante, tão cheia de novidade e ensino, como esta”. Antero informa-nos ainda que “os ingleses de Hong Kong, juízes competentes em tal matéria, dando ao livro do viajante português as honras de uma tradução, que apareceu na China Review, importante revista que se publica naquela cidade”.
Em 1878 segue novamente como secretário do Visconde de S. Januário, numa missão diplomática na América do Sul que incluía a Argentina, a Bolívia, o Brasil, adoecendo gravemente no Paraguai. Regressa combalido a Lisboa, procurando na escrita e no jornalismo algum conforto e algum sentido para uma vida cada vez menos aventurosa. [...]
A doença fazia o seu caminho inexorável. [...] Era o fim de um atleta que "atravessou o Tejo a nado, a 12 de Agosto de 1875, desde o Terreiro do Paço até ao pontal de Cacilhas, em competição com o sr. Alfredo Ansur, que cansou a meio da travessia"."
(Fonte: https://jtm.com.mo/opiniao/pedro-gastao-mesnier/)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar impresso em papel encorpado em bom estado geral de conservação. Algumas páginas apresentam acidez.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 junho, 2023

LIMA, Durval R. Pires de - A EMBAIXADA DE MANUEL DE SALDANHA. Ao Imperador K'hang hi em 1667-1670 (Subsídios para a História de Macau). Lisboa, [s.n. - Tip. e Papelaria Carmona - Lisboa], 1930. In-4.º (24 cm) de 23, [1] p. ; [1] f. desd. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história de Macau e das relações sino-portuguesas.
Ilustrado no final do livro em separado com folha desdobrável (24x37 cm): Genealogia de Manuel Saldanha, segundo Andrade Leitão.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Com a devida vénia a João Botas, publicamos parte do seu artigo A Embaixada de Manuel de Saldanha inserto no blogue Macau Antigo, cujo link infra deixamos:
"Depois de Fernão Mendes Pinto e Tomé Pires esta terá sido a mais significativa tentativa de estabelecer relações diplomáticas com a China por parte de Portugal. Feita a pedido das gentes de Macau.
Os padres jesuítas - em Pequim muitos dos seus nomes perduram até hoje - foram esperar Manuel de Saldanha a Tianjin para, com o embaixador português, fazerem o último percurso do Grande Canal até Pequim, enquanto lhe ensinavam as regras do cerimonial chinês para ser recebido pelo imperador da dinastia Qing, Kangxi (1661-1722).
Inúmeras 'embaixadas' se seguiriam...
Eduardo Brazão (1907-1987), que cônsul de Portugal em Hong Kong, escreveu em 1948 um livro sobre o tema - Subsídios de para a historia das relações diplomáticas de Portugal com a China: a embaixada de Manuel de Saldanha - de que retirei este pequeno excerto:
"A vida não decorria tranquila no Império do Meio, o que era mau presságio para os comerciantes de Macau. Manuel de Saldanha, diplomata experiente, foi enviado a Pequim ao grande Kang-Si para trazer da boca do imperador garantias de estabilidade e as difíceis licenças para o comércio com a China. A morte colheu Manuel de Saldanha já no fim da sua melindrosa missão; no entanto, tinha conquistado de tal modo as boas graças de Kang-Si, que este o fez sepultar com todas as honras devidas aos mais distintos mandarins do seu império."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/11/a-embaixada-de-manuel-de-saldanha.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com cortes e pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

03 junho, 2023

CUNHA, Luís - CHINA NA GRANDE GUERRA.
A Conquista da Nova Identidade Internacional. Macau, Instituto Internacional de Macau [imp. Gráfica Maiadouro - Lisboa], 2014. In-4.º (23 cm) de 231, [1] p. ; il. ; B. Col. Suma Oriental - 10
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da intervenção chinesa na Grande Guerra.
Ilustrado com inúmeras fotografias, desenhos e reprodução de documentos oficias distribuídos pelas últimas 45 páginas do livro.
Foto da capa:  Nove membros do Chinese Labour Corps junto às ruínas de uma casa em França, entre os quais dois capatazes e um intérprete (sentados) - autor desconhecido.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"[...] Esta foi uma guerra travada entre homens de todas as nacionalidades, raças e credos. Todos tentaram, ingloriamente, salvar impérios feridos de morte.
No Verão de 1914 a imprensa mais patriótica assegurava que, no Natal desse ano, o conflito estaria terminado. Os jornais não voltariam a reincidir em prognósticos semelhantes nos anos seguintes. Das ofensivas massivas passou-se rapidamente para a defesa estratégica, traduzida em trincheiras que serpenteavam por muitas centenas de quilómetros. O impasse e a guerra de nervos instalar-se-iam nas fileiras de todos os exércitos em confronto. A terra era de ninguém; a pólvora e o chumbo de todos.
Exauridos e sujeitos a uma guerra de desgaste interminável, os Aliados foram obrigados a recorrer às forças armadas das dependências coloniais, bem como trabalhadores estrangeiros destinados a suportar o esforço de guerra, substituindo desse modo os homens chamados à linha da frente. O império britânico mobilizou australianos, canadianos, neo-zelandeses, indianos e sul-africanos, entre outros. O franceses convocaram marroquinos, senegaleses e vietnamitas. Muitos caíram no combate que foram travar por delegação.
Mais curiosa, porquanto relativamente desconhecida, é a saga dos trabalhadores chineses que participaram activamente nos palcos europeus da Grande Guerra. Os cemitérios chineses, espalhados pelo norte de França e Bélgica, são testemunhos silenciosos da premeditada entrada em cena da China no sistema internacional e de um esforço de guerra que nunca seria devidamente reconhecido.
Recrutados pela França e Grã-Bretanha, mais de 140 000 trabalhadores braçais - os "coolies" na expressão inglesa - viajaram até à Europa, onde deram um contributo significativo para o esforço de guerra aliado, designadamente nas fábricas de material de guerra (por vezes ao lado de portugueses também recrutados para o efeito), na construção e reparação de caminhos-de-ferro, na manutenção de tanques, na construção naval ou no reabastecimento da linha da frente. Na versão britânica integraram o Chinese Labour Corps (CLC). Quando os Estados Unidos da América (EUA) entraram na guerra, também o contingente expedicionário americano passou a contar com o apoio logístico destes chineses, cedidos pelos franceses. Sujeitos à disciplina castrense, eram considerados "soldados-trabalhadores".
(Excerto da Introdução)
Índice:
Agradecimentos. | Prefácio. | Introdução.| I - O apocalipse imperial. II - A guerra no Oriente. III - A China na Grande Guerra. IV - Os trabalhadores chineses na Europa. V - A China na Conferência de Paz. VI - A China moderna nas Relações Internacionais. VII - Conclusões. | Bibliografia. | Websites de referência. | Fontes vídeo. | Fotos - o "Exército" esquecido.
Luís Cunha. "É doutorado em Relações Internacionais (ISCSP/Universidade de Lisboa) e licenciado em Comunicação Social (FCSH/Universidade Nova de Lisboa). É investigador no Instituto do Oriente (ISCSP/UL) e autor de vários livros sobre temática oriental. Tem obra publicada, na área de geopolítica da Ásia-Pacífico, em revistas nacionais e estrangeiras. Desempenhou actividade profissional em Macau (China) durante década e meia."
(Retirado da contracapa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
45€

11 setembro, 2022

BOXER, Major C. R. - ANTONIO COELHO GUERREIRO E AS RELAÇÕES ENTRE MACAU E TIMOR NO COMÊÇO DO SÉCULO XVIII
. [Macau], Escola Tipográfica do Orfanato da Imaculada Conceição de Macau, 1940. In-4.º (26 cm) de [4], 49, [1] p. ; [3] f. il. ; [1] planta desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de duas antigas províncias orientais portuguesas - Macau e Timor - tendo como denominador comum o governador de Timor António Coelho Guerreiro.
Livro ilustrado com 4 folhas separadas do texto: um fac-símile de um manuscrito autógrafo de António Coelho Guerreiro; duas plantas: Planta da fortaleza da praya de Liphao e Planta da praia de Limpao; uma folha desdobrável (25,5x39 cm) - Planta da costa da China nas vizinhanças de Macau.
No final, em Documentos, vem reproduzida correspondência relevante sobre o assunto.
"Em 1702, António Coelho Guerreiro foi o primeiro governador e capitão geral das ilhas de Timor e Solor que logrou ser empossado e desempenhar as suas funções, na sequência de outros esforços que, desde meados do Século XVII, o Estado da Índia vinha desenvolvendo com o intuito de impor a sua autoridade e controlo nesses domínios. Coelho Guerreiro lançou as bases da administração portuguesa que se manteve sedeada em Lifau até 1769, ano em que, sob a continuada pressão de forças rebeladas, o então governador António José Teles de Meneses decidiu transferir a sede do governo para Dili."
(Fonte: https://run.unl.pt/handle/10362/20751?locale=en)
"Quando da sua nomeação para Governador de Timor, apresentou António Coelho Guerreiro um orçamento mostrando a guarnição e oficialidade, operários mecânicos e outros que considerou serem necessários, juntamente com o cômputo dos seus soldos e ordenados anuais. Pedia naquela ocasião uma tropa com onze Capitães, doze Alferes, 4 Ajudantes, 12 Sargentos, 560 soldados e 60 artilheiros afora pagens e tambores; mas só conseguiu levar consigo, de Goa, uma diminuta companhia de 50 soldados rasos que nem todos passaram além de Macau, onde pôde alistar, com grande trabalho seu, mais 32 homens! A tal estado de penúria e míngua de fôrças tinha chegado o outrora tão rico e populoso Estado da Índia.
A viagem de Coelho Guerreiro de Goa até Macau vem bem descrita na sua carta dando conta dela ao Visorei, e que adiante publicamos. Na mesma carta descreve António Coelho Guerreiro os acontecimento ocorridos durante a sua estada em Macau desde fins de Julho de 1701 até Janeiro de 1702. Descreve como negociou dous barcos para a viagem de Timor (porque a fragata Nª. Sra. das Neves em que passou àquela cidade teve que voltar a Goa), e como preparou munições e mantimentos, mandando fazer arcabuzes, enxadas, machados, marrões, cunhas, serras e "todo o mais aviamento para o oficio de carpinteiros", e almofarizes para limpar salitre e enxofre e fazer pólvora; não se esquecendo também de arranjar 200 picos de arroz "para levar consigo por não entrar logo naquelas ilhas pedindo esmola em tempo que se achão faltas desse mantimento"."
(Excerto do estudo)
Charles Ralph Boxer (Sandown, ilha de Wight, 1904 - St. Albans, Hertfordshire, 2000). "Foi um historiador britânico, notável conhecedor da história colonial portuguesa e holandesa.
Filho do coronel Hugh Boxer e de sua esposa Jane Patterson, Charles Boxer foi educado no Wellington College e no Royal Military College, em Sandhurst. Tenente no Regimento do Lincolnshire em 1923, serviu naquele regimento durante 24 anos, até 1947. Foi destacado para a Irlanda do Norte e, de 1930 a 1933, tradutor no Japão alocado ao Regimento de Infantaria n.º 38, com base em Nara. Em 1933, formou-se como intérprete oficial da língua japonesa. Enviado para Hong Kong em 1936, serviu como oficial nas tropas britânicas na China em Hong Kong, em serviços de inteligência. Em 1940, foi promovido. Ferido em ação durante o ataque japonês a Hong Kong em 8 de dezembro de 1941, foi levado pelos japoneses como prisioneiro de guerra e mantido no cativeiro até 1945. Solto, voltou ao Japão como membro da Comissão Britânica no Extremo Oriente em 1946-1947. Durante sua carreira militar, publicou cerca de 86 livros e opúsculos sobre a história do Oriente, sobretudo dos séculos XVI e XVII.
Como major no Exército, aposentou-se em 1947, quando o King's College, em Londres, lhe ofereceu sua Cadeira Camões de Português, cargo que deteve por vinte anos até 1967. Em tal período, a Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres o nomeou seu primeiro Professor de História do Extremo Oriente, servindo no cargo por dois anos, de 1951 a 1953.
Aposentando-se em 1967 da Universidade de Londres, Boxer aceitou o posto de professor visitante na Universidade de Indiana, onde serviu ainda como conselheiro para a Biblioteca Lilly, ou Lilly Library, em seu campus em Bloomington, Indiana. De 1969 a 1972, teve uma cadeira de história da Expansão Europeia no Ultramar na Universidade de Yale."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

07 junho, 2021

MARTINS, Coronel E. de Azambuja - COLOANE : operações militares contra piratas, 1910, Macau
. [Lisboa], Publicações da Comissão de História Militar, 1951. In-4.º (23,5 cm) de 87, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio, por certo com tiragem reduzida, para a história da presença portuguesa em Macau, com especial foco para a operação de resgate de reféns na ilha de Coloane, na qual o autor, comandante da companhia europeia da polícia, tomou parte.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto com mapas e fotogravuras, bem como uma estampa em página inteira reproduzindo uma fotografia do "Obelisco, Memória das operações em 1910".
"Macau tem uma história única no Mundo, e que exalta o nome português.
A ilha de Coloane, como dependência, vai avultando de importância.
Coloane teve a sua hora de fama universal, quando em 1910, as agências telegráficas anunciaram que os piratas se tinham acoitado na pequena ilha, com crianças chinesas raptadas, exigindo por estas quantioso resgate.
Foi uma hora de sensação, que pelo seu exotismo os jornais avolumaram. Na China, a existência de piratas é secular e, pode afirmar-se, que a nossa possessão de Macau teve origem nessas circunstâncias locais, características durante séculos. [...]
O delta de Cantão, recortado de canais, presta-se à pirataria. Negócio da China, era antigamente chamado o comércio lucrativo, que a muitos sacrifícios arrastava. O perigo de ser roubado pelos piratas era o maior obstáculo a vencer para conseguir a fortuna naquelas aventuras longínquas, onde aliás se perdiam vidas e bens, em muito maior proporção do que se ganhavam fortunas. Contudo a significação do termo pirata é variada."
(Excerto da Introdução - Uma história única no Mundo)
"A estreita península de Macau conta de comprimento uma légua. Segue-se, ao sul, a ilha de Taipa, mais pequena; e, depois, encontra-se Coloane, três vezes maior do que Macau, mas como a ilha de Coloane não se avista da cidade, é quase desconhecida.
E, por ser quase desconhecida essa ilha, um grupo de piratas do delta de Cantão escolheu-a para esconder um grande rapto duma dúzia de crianças, efectuado numa escola chinesa, a meio do populoso delta, entre Cantão e Macau.
Os camponeses e comerciantes pais das crianças, queixaram-se às suas autoridades, as quais, após intensas investigações vieram a descobrir que os piratas se acoitavam com as crianças na nossa ilha de Coloane.
Solicitada a intervenção das autoridades portuguesas, estas procederam desde logo a investigações que confirmaram a veracidade do facto. [...]
A polícia secreta da nossa colónia de Macau dispunha de agentes chineses, os quais informaram que os piratas não se submetiam às intimações, encontrando-se abrigados na povoação principal de Coloane, em conivência com a população chinesa da ilha, que os favorecia por viver à sua custa, e ter medo das terríveis represálias dos piratas."
(Excerto A ocupação efectiva de Coloane em 1910)
Índice: 1.ª Parte - Operações contra piratas - 1910 - Macau: Introdução. - Uma história única no mundo. I - Estabelecimento da Colónia sacudindo os piratas locais. II - Ataque dos Holandeses. III - Efémera intromissão dos Ingleses. IV - Episódios militares recentes em Macau. V - O ambiente chinês em Macau. VI - O apreço das autoridades da Metrópole.
2.ª Parte - As operações militares de Coloane: I - A ocupação efectiva de Coloane em 1910. II - O porto exterior de Macau. III - Desembarque no velho forte de Coloane. IV - Estabelecimento do bivaque e postos avançados. V - O ataque à povoação de 13 de Julho de 1910. VI - As pesquisas na ilha aos esconderijos dos piratas. VII - Aprisionamento dos piratas. VIII - Ocupação efectiva de Coloane com dois postos militares. IX - Julgamento dos piratas em conselho de guerra. X - O apreço da população pela acção das tropas.
3.ª Parte - Conclusão: I - Vantagem obtida com o prolongamento da Colónia. II - O prestígio derivado da restauração do forte de Coloane. III - A propaganda de turismo e nacionalismo. IV - O monumento comemorativo das operações realizadas em 1910. V - O porto exterior valorizando Coloane.
4.ª Parte - Nótulas elucidativas: I - Relações com as tropas chinesas vizinhas. II - Importância Internacional dos acontecimentos. III - Acção coordenada das tropas e da marinha. IV - Trecho do relatório do comandante da «Macau». V - Exemplo recente de um ataque de piratas. VI - Bandeiras representando reconhecimento. VII - Excerto do discurso ministerial de 8-X-1951.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

27 maio, 2019

PALHA, J. Antonio Filippe de Moraes - ESBOÇO CRITICO DA CIVILISAÇÃO CHINEZA. Por... Com um prefacio do Exmo Sr. Dr. Camillo Pessanha. Macau, Typ: Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, 1912. In-8.º (20 cm) de [6], LXI, [1], 64, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra muitíssimo prestigiada pelo extenso prefácio de Camilo Pessanha que ocupa sensivelmente metade do livro. Inclui no interior a partitura do "Hymno Nacional Chinez".
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Sobre este assunto, com a devida vénia, reproduzimos um excerto da Revista Macau, cujo link infra indicamos. "O investigador [Daniel Pires] refere que, “em termos de comunidade portuguesa, Camilo Pessanha era muito incómodo, não era uma pessoa que as pessoas fizessem força para recordar, a parte conservadora da comunidade não gostava dele, porque estava fora daqueles parâmetros”. Também o prefácio que Pessanha preparou para a obra do médico José António Filipe de Morais Palha, Esboço Crítico da Civilização Chinesa, foi mal recebido pelo lado chinês. “Há na realidade uma parte da comunidade chinesa que vê aquilo como um ataque à China, o que não é, é um ataque ao regime que existia antes da implantação da república”, considera o estudioso."
(Fonte: http://www.revistamacau.com/2017/04/12/150-anos-do-nascimento-do-poeta-ressuscitar-camilo-pessanha/)
“O pequeno folheto, que venho submetter á apreciação do publico, não é senão um producto de circumstancias fortuitas. Não revela da minha parte nem o prurido de avolumar a literattura portugueza, nem a vaidade de contribuir com um trabalho original para o estudo da complexa civilisação chineza [...]
Foi a primorosa conferencia do sr. Dr. Camillo Pessanha sobre “A Arte chineza” que me orientou o espirito, no mare magnum dos assumptos sobre coisas chinezas.
Era evidente, que, emquanto o formoso genio do poeta descobria na arte d´este povo as mais maravilhosas manifestações do bello, e desvendava nos symbolos, conceitos e máximas chinezas as mais sublimes concepções philosophicas, a mim, obreiro, embora modesto e obscuro, do positivismo, competia-me naturalmente a tarefa de patentear a realidade, na sua nudez singela e austera, pura ou impura, formosa ou hedionda, perfumada ou fetida. [...]
Não se limitou a isto, [a conferência de Pessanha], a valiosa intervenção do meu bom amigo. Accedendo ao meu tibio pedido, promptificou-se a apadrinhar o trabalho com o seu magistral prefacio, que, comquanto não exprima da sua parte para commigo mais do que mera deferencia pessoal, generosa e captivante, de certo, a mim enche-me de profunda satisfação e intimo orgulho por ter conseguido assim arrancar á sua obstinada inacção uma das maiores glorias das lettras nacionais."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. Prefacio. I. - Traços da civilisação antiga. II. - Decadencia gradual da civilisação e dos costumes.
José António Filipe de Morais Palha (1872-1935). "Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Como alferes (desde 22-07-1898) chegou a Macau em 3-03-1900, sendo nomeado facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde da província. Esteve em comissão de serviço em Timor (1902-1905; 1908; 1913-1914). Promovido a capitão-médico em 1915. Foi professor de língua alemã do Liceu (1900-1901); professor interino do 6.º grupo do liceu (1912- 1914; 1918) professor do 7.º grupo 1917. Promovido a major-médico em 1918 e a tenente coronel em 1920 e coronel-médico em 1924. Chefe dos Serviços de Saúde de Macau, em 1922."
(Fonte: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/11/12/leitura-esboco-critico-da-civilizacao-chinesa/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta falhas de papel. Levemente amarelecido por acção da humidade junto à lombada, visível no interior apenas nas primeiras e derradeiras páginas.
Raro.
Indisponível

17 março, 2018

HINO, Ashihei - GUERRA E SOLDADO. Diario de um combatente japonês. Tradução de Jayme Barcellos. São Paulo, [s.n.], 1941. In-8.º (22cm) de 463, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com mapas em pagina inteira.
Relato do primeiro ano da 2.ª Guerra Sino-Japonesa (Outubro de 1937 - Outubro de 1938) por um combatente nipónico, na sua maioria, em forma de cartas dirigidas ao seu irmão mais novo.
"A guerra sino-japonesa, que ocorreu entre 1937 e 1945, é um dos episódios da Segunda Guerra Mundial mais esquecidos da história. Depois da invasão do nordeste da China pelos japoneses, em 1931, a guerra eclodiu em 1937 entre o exército nipónico e os nacionalistas e comunistas chineses, que se uniram para combater o inimigo comum.
Durante 4 anos a China lutou sozinha contra um inimigo moderno, que pretendia conquistar em três meses o império rival desgastado por um século de conflitos internos.
Os chineses pagaram um preço muito alto. Dos 60 milhões de mortos, registados durante a 2.ª Guerra Mundial, 20 milhões eram chineses."
(Fonte: pt.euronews.com)
"Amanhecia já, mas a neblina continuava densa. Não obstante, quasi inesperadamente, distinguimos a orla do oceano, arvores e uma torre de ferro. Balas zuniram deante de nós. Até então só pensavamos em nossos pobres pés. Nesse instante, esqueci tudo, caí, na lama, de bruços. Todos me imitaram. Entretanto, o fogo inimigo aumentava. Deliberamos então ficar onde estavamos; marcharmos sem nenhuma protecção seria expormo-nos a um desastre certo. Contudo, passado algum tempo, calámos baionetas e avançamos, cobrindo as setecentas jardas que nos separavam da praia."
(Excerto Cap. V, Em certo navio - 5 de Novembro)
Encadernação em meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

05 abril, 2016

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA : PORTUGAL - Sessão Solene que Assinala a Transferência da Soberania do Território de Macau. Palácio de S. Bento : 14 de Dezembro de 1999. Lisboa, Assembleia da República / Gabinete de Relações Públicas e Internacionais (Garepi), 2000. In-fólio (30 cm) de 59, [8] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Tiragem de 800 exemplares.
Edição de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, e belissimamente ilustrada nas páginas do texto com a reprodução de desenhos antigos alusivos a Macau.
Documento histórico com tiragem diminuta. Trata-se do programa da sessão solene que encerra o ciclo de administração ultramarina portuguesa e transferência da soberania de Macau para a República Popular da China. Inclui as formalidades protocolares, bem como as intervenções das mais altas figuras do Estado português e dos representantes de todas as forças políticas com assento parlamentar.
Intervenções:
Representante do Bloco de Esquerda: deputado Francisco Louçã;
Representante do Partido Ecologista Os Verdes: deputada Isabel Castro;
Representante do Partido Popular: deputado Narana Coissoró;
Representante do Partido Comunista Português: deputado João Amaral;
Representante do Partido Social Democrata: deputado Durão Barroso;
Representante do Partido Socialista: deputado Alberto Costa;
Do Primeiro Ministro: Engenheiro António Guterres;
Do Presidente da Assembleia da República: Dr. António de Almeida Santos;
Do Presidente da República: Dr. Jorge Sampaio.

"Foi com muito gosto que aceitei o convite para participar nesta sessão solene da Assembleia da República, nas vésperas da transferência do exercício de soberania no Território de Macau.
Desde logo, a sua realização sublinha a importância excepcional desse momento, tão carregado de História, designadamente para todos os da minha geração, cujo tempo político coincidiu com o fim do império e nos impôs a responsabilidade das grandes decisões sobre o nosso destino comum como nação livre e independente. [...]
Os portugueses têm boas razões para ter orgulho no passado e, também e sobretudo, confiança no futuro de Macau que, doravante, dependerá, sobretudo, das suas gentes e das autoridades da República Popular da China e da futura Região Administrativa Especial de Macau.
No entanto, Portugal continuará a estar presente em Macau, onde a nossa história deixou tantas marcas, visíveis e invisíveis, que seria pretensioso procurar descrever cada uma delas."
(excerto da intervenção do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio)
Exemplar brochado em excelente estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Iindisponível

27 março, 2016

FREITAS, José de - CHANG KAI CHEK. Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1941. In-8.º (20cm) de 49, [1] p. ; [4] p. il. ; B. Colecção «Os Homens da Guerra», IX
1.ª edição.
Ilustrada com fotogravuras do líder chinês em extratexto.
Biografia política e militar de Chiang Kai-shek, general chinês, sucessor de Sun Yat-sen na unificação da China pós-Dinastia Manchu (1925). Após a guerra civil que o opôs a Mao no final dos anos 40, retirou-se para Taiwan onde, com o apoio dos EUA, procurou reorganizar as suas forças militares.
"A vida singular de Chang Kai Chek e o seu indiscutível talento militar e político estão intimamente ligados à história da China moderna. Pretender, a traços largos, esboçar o perfil do maior general da velha terra de Catai sem estudar, em resumo, os acontecimentos políticos e sociais ocorridos na China desde 1900 até Sun-Yat-Sen (o mais extraordinário estadista que abriu ao seu país as portas da civilização ocidental) constitui, na nossa opinião, trabalho votado a malogro certo. [...]
A república não estava ainda bem consolidada. Senhor do sul, Sun-Yat-Sen organiza a marcha para o Norte rebelde. Da Escola Militar de Uampoa, perto de Cantão, chegam constantemente jovens oficiais a engrossar as fileiras dos exércitos republicanos. Entre êles há um homem, cujos trabalhos sôbre táctica militar haviam já chamado a atenção dos seus mestres. Sun-Yat-Sen recebe-o de braços abertos. As qualidades do rapaz, a maneira clara como encara e resolve os mais complicados problemas, tornam-no já indispensável nos conselhos do seu Estado Maior. Os preparativos para a expedição contra o norte terminaram. Falta um chefe. Sun-Yat-Sen indica Chang-Kai-Chek."
(excerto do Cap. I, No limiar da nova China)
Matérias:
I - No limiar da nova China. II - Da guerra do Ópio aos Tratados Injustos. III - Sun Yat Sen e a República. IV - Nasceu um general. V - A grande Batalha. VI - A nova China. VII - O incidente de Lu-Ku-Chiao.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

22 dezembro, 2015

PESSOA, Fernando - MENSAGEM. Tradução de Jin Guo Ping. [Elóquio de António Manuel Couto Viana]. Macau, Instituto Cultural de Macau, 1986. In-8.º (19 cm) de [4], 133, [3] p. ; B.
Edição bilíngue (português/chinês), publicada para assinalar o 50.º aniversário da morte de Pessoa. Trata-se da 1.ª tradução integral da obra Maior do poeta para chinês, treze anos antes de a administração do território passar para a China.
"Mensagem é o único livro de versos portugueses publicado em vida por Fernando Pessoa (1888-1935), grande poeta de projecção universal. Durante mais de vinte anos foi ele cuidadosamente concebido e organizado; e, sem que o seu autor o premeditasse, dado à estampa em 1934, num "momento crítico (no sentido original da palavra) de remodelação do subconsciente nacional".
Recebido com respeito e espanto, premiado oficialmente, este poema pode comparar-se, na intenção patriótica e mística, no subido valor poético, à obra épica de Luís de Camões (1525?-1580), intitulada Os Lusíadas, onde se narra e exalta a História de Portugal desde os seus primórdios até ao século XVI, com relevo para a gesta dos Descobrimentos Portugueses, que doaram "novos mundos ao mundo"."
(Excerto do Elóquio)
Jin Guo Ping. Licenciado em português pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim; bolseiro da Gulbenkian e do Instituto Cultural de Macau; tradutor e autor de vários temas de Literatura portuguesa. Investigador especialista da história das relações entre Portugal, Macau e a China, sendo o estudioso estrangeiro que melhor conhece e trabalha simultaneamente com o idioma português e chinês.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

18 novembro, 2015

CRESPO, Joaquim Heliodoro Callado - COUSAS DA CHINA : costumes e crenças. Por... Tenente de infanteria, Consul geral de primeira classe - Cavalleiro de S. Thiago, Commendador da Estrella Brilhante de Zanzibar e S. S. G. L. Lisboa, Imprensa Nacional, 1898. In-4.º (25cm) de 283, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Raro e curioso trabalho sobre as crenças e os costumes da China Imperial, no final do século XIX. Ilustrada com bonitas vinhetas e capitulares e quadros, desenhos esquemáticos e pautas nas páginas do texto.
"A palavra «chinezice» admittida geralmente para designar um objecto extravagante ou uma idéa contraria ao bom senso, tem apparentemente uma certa rasão de ser, se considerarmos que o «cunho chinez» é uma consequencia ffatal de uma lingua e uma litteratura especieaes, de uma raça differente, e de uma civilisação que dura immutavel ha muitos seculos, mantida por um povo que systematicamente se tem mantido fóra do convivio das outras nações."
(excerto da introdução)
"Uma philarmonica chineza é em geral composta de musicos muito mal vestidos, muito immundos, de caras patibulares e gestos cansados; uma philarmonica cujos serviços se alugam a 1 dollar por cabeça, para tocar durante vinte e quatro horas; chamam-se musicos de «kou-ti-iao» ou de aluguer, e têem como principaes instrumentos, violas de diversos tamanhos e feitios, rebecas de duas, tres e quatro cordas, flautas sem chaves, cornetas, tambores, «gongs», etc.
O mestre traz «botão» e «pennas» no chapeu; de longe parece uma cabeça de mandarim. Mas o botão é de pau pintado de branco, e a «penna» não é mais que uma cauda de cão, distinctivos que a autoridade o obriga a trazer como signal da sua vergonha pela desprezivel posição social que occupa, e para mostrar ao povo que nem o mestre de musica nem os seus filhos podem aspirar a qualquer titulo, dignidade ou cargo militar ou civil!"
(excerto de Musica)
Matérias:
- A quem nos ler. - Introducção. - O rio «Chu-Kiang». - Cantão; «hongs», compradores, «Pitchin english»; os templos. - Shameen. - A cidade fluctuante. - Cafés e tabernas. - Architectura. - Os «ya-mens». - Pagodes. - Arcos triumphaes á virtude das mulheres. - Meios de transporte; carros, cadeiras e barcos. - Origem da palavra China. - Relações entre a China e as potencias. - A primeira embaixada portugueza á China. - Linguagem chineza, caracteres e imprensa. - A organisação da sociedade chineza, e a administração do celeste imperio. - Um casamento imperial. - Templo dos antepassados do actual imperador. - O dragão e a phenix. - A mulher chineza. - A familia e o casamento. - Divorcio e adulterio. - Prostituição. - Infanticidios, abandono e venda de creanças. - Nomes individuaes e de familia. - Desprezo pelos europeus. - Espirito de observação. - Mandarins. - Titulos de nobreza, privilegios e merces honorificas. - Bonzos. -O soldado chinez. - Mendigos. - Medicos e medicamentos. - Medicina legal. - A visita do medico. - Uma lição de anatomia. - Duas operações cirurgicas. - Os piratas. - Exames e letrados; a academia imperial dos «Han-lin». - Serviçaes. - Guardas-nocturnos. - Os missionarios christãos. - Sociedade de salvação, da abstinencia, do ideal, do nenuphar. - Religião. Creação do mundo. - A alma, a vida futura e a transmigração. - A libertação dos espiritos. - Prisão e expulsão dos espiritos. - O inferno buddhico segundo os chinezes. - Os ritos. - Um capitulo de philosophia. - Tribunal e prisões; a tortura. - O carrasco de Cantão (fragmento). - Enterros e sepulturas, taboletas e sacrificios, luto. - Historia da China, segundo os chinezes. - Systema monetario. - «Swampan» e systema de pesos e medidas. - Astronomia. - Mappas geographicos. - Tufões. - Peste bubonica. - A agricultura, o arroz, o chá, o bambu; as flores e os jardins de «Fa-ti». - Opio, tabaco e cachimbos. - Ninhos comestiveis de passaro. - A pedra «jada». - A seda. - Bordados a seda. - Charão. - Porcelana. - A esculptura e objectos de marfim. - Musica. - Pintura. - A caça e a pesca; o «cormoran». - A deformação dos pés. - Comprimentos e saudações. - Visitas e etiqueta. - Vestuario. - Penteado. - Leques. - Duellos femininos. - Suicidios e cadaveres. - Theatro. - Extracto de uma comedia chineza. - Cozinha chineza. - Incendios. - Jogos de cartas, dominó, dados e outros; o «Fan-tan». - O xadrez. - Papagaios de papel. - O cheiro, o olfacto e os beijos. - «Fire-crakers» e panchões. - Idade. - Latrinas. - Maximas e proverbios. - Festa do anno novo. - Festa das lanternas. - Festa das flores. - Festa das creanças. - Festa da agricultura. - As regatas do dragão. - Festa das duas estrellas. - Festa da lua. - Festa do fim do anno. - Outras festas. - Cousas varias. - O animismo entre os chinezes (pelo sr. Vasconcellos Abreu): 1.º Influencia politica na evolução religiosa chineza. 2.º A litteratura chineza antiga. 3.º O animismo segundo o Chau-li e o Xi-Kim. 4.º O animismo actual das raças mongoloides.
Joaquim Heliodoro Calado Crespo (1861-1921). Oficial do exército e diplomata português. Ocupou postos em Zanzibar e Pretória, tendo sido posteriormente destacado para o consulado de Portugal em Cantão, onde ocupou o cargo de cônsul entre 1895 e 1900, período tumultuoso, marcado pela conturbada vida política na China no final do século XIX, incluindo a chamada "guerra dos boxers", que levou ao reforço da presença militar em Macau. Escreveu Cousas da China: costumes e crenças (Imprensa Nacional, 1898) e A China em 1900 (Manuel Gomes, 1901).
Enccadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Rasgão sem perda de papel no pé das quatro últimas folhas do livro.
Raro.
85€

01 fevereiro, 2015

INSO, Jaime do – VISÕES DA CHINA. 2.º milhar. Lisboa, [Edição do Autor] - Tipografia «Élite», 1933. In-8.º (19 cm) de 406, [6], 4, [2] p. ; il. ; B.
Capa de Julio Alves.
1.ª edição.
Ilustrada com uma planta esquemática da habitação de Wenceslau de Morais em Tokushima.
Anteprefácio de Wenceslau de Moraes (excerto de uma carta dirigida ao autor, datada de 1927).
Crónicas de viagem do autor por terras do Oriente. Contém interessantes capítulos da vida de Wenceslau de Moraes.
“Estamos em face do enigma do Oriente!
A China tem o seu mistério, mistério que se respira nesta atmosfera baça u húmida da maior parte do ano, na tristeza fatalista do ambiente, nos caracteres cabalísticos da sua escrita ideográfica espalhados por toda a parte, na compleição búdica dos seus habitantes, na música estranha da sua linguagem, nas linhas fantásticas dos seus barcos, na superimaginação do pensamento, traduzida a cada passo – desde o teatro ao casamento, ás festas e á morte – a China tem o seu mistério!”
(Excerto de O Mistério da China)
Índice: Anteprefácio. Prefácio do Autor. I – O Mistério da China. II - «Romantic Macao». III – O Ponto de Vista Europeu na Questão da China. IV – As Três Bacantes. V - A Tradição Portuguêsa no Extremo-Oriente. Sagração de um Bispo na Ilha de Sanchoan. VI – A Morte do Comendador Lu-Lim-Ioc. VII – O Enterro do Comendador Lu- Lim-Ioc. VIII – Macau na Exposição de Sevilha. IX – Bronze e Mistério. X – Uma Visita a Cantão. XI – A China Triste. XII – O Ópio. XIII – Política de Portugal na China. XIV – A Minha Sala Chinêsa. XV – Komor & Komor. XVI - «Ma-Kok-Miu». XVII – Vibrou o nome de Portugal . XVIII – A Inauguração da Estrada de Macau a Seac-Ki.
O Exilado de Tokushima
- O-Yoné e Ko-Haru. – Wenceslau de Morais. – Cartas de Wenceslau de Morais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

13 julho, 2014

SANT'ELMO, Ruy - CHINA, PAÍS DA ANGÚSTIA : Kakemonos. Desenho de Fong-Iôn-Chi. Lisboa, Parceria António Maria Prereira, 1938. In-8º (19cm) de 221, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Crónicas sobre a China de Ruy Sant'elmo, pseudónimo de Abilio Augusto de Brito e Nascimento (1885-1942).
Inclui uma tradução inédita do original chinês de «Chon-Kôc-Chao», da autoria de Camilo Pessanha (p. 21-23).
"Foram os seus incentivos [de Leal da Câmara, a quem o autor dedica o livro] que me animaram a escrever, não o livro estranho que me pediu - pois a tanto me não chega «engenho e arte» - mas, impressões apenas, das mais chocantes para a nossa sensibilidade de ocidentais, sôbre as estranhas coisas daqui. Na meia dúzia de Kakemonos que lhe ofereço, dedico e consagro, o meu pincel seguiu a imagem colhida num abrir e fechar de olhos sôbre a vida em flagrante dêste povo incompreendido. [...]
Cópias do natural, elas lhe mostrarão, iluminadas pelos clarões adivinhantes do senso divino dos Artistas, os recessos da alma nublosa da China. [...]
É que a alma dum povo pode, por simpatia, sentir-se, mas jamais compreender-se..
Vou por isso tentar apenas esboçar a frio o esquema duma das mais belas tradições do povo chinês, fulcro à volta do qual tôda a sua vida decorrre, e onde me parece se cruzam os liames que formam a trama da sua estrutura psíquica e moral: - o culto dos antepassados."
Índice:
- Kakemonos. - Dedicatória. - A Sombra de Confúcio. - A 5.ª Concubina. - Laços de família. - Ópio. - A terceira felicidade. - Flôes de lótus. - A suprema vingança. - A nobre família «Li». - A maior luta. - Excerptos de crítica.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Pequenos defeitos marginais na capa.
Pouco comum.
Indisponível

26 janeiro, 2013

CAMÕES, Luís de - POESIA DE CAMÕES. Beijing, Instituto da Literatura Estrangeira da Academia das Ciências Sociais da China : Fundação Calouste Gulbenkian Portugal, 1981. In-8.º (21,5 cm) de [4], 89, [1] p. ; [9] f. il. ; B.
Edição bilingue: Português e Chinês.
Capa de Yu Bingnan segundo desenho de Fragonard.
Desenhos de Zhao Ruichun e Wang Weixin.
Edição belissimamente ilustrada com 9 desenhos de fino recorte em extratexto.
I Parte:
Redondilhas, trovas, motes, etc.
II Parte:
Sonetos
III Parte:
Estrofes de “Os Lusíadas”
“A ideia de se publicar na China uma pequena antologia da poesia de Camões surgiu em 1979, nas vésperas do 400.º aniversário da morte do poeta quando, em Beijing (Pequim), alguns jovens chineses, tradutores e estudantes de Língua e Literatura Portuguesa, descobriram o mundo maravilhosos de Luís de Camões.
A “Poesia de Camões” é agora editada na República Popular da China. A tradução é de Zhang Weimin, Zhao Hongying e Li Peng, tendo sido revista por Wang Quanli. O conjunto dos tradutores chineses adoptou o pseudónimo de  Xiao Jiaping.” (excerto da introdução de José Graça de Abreu)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível