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24 junho, 2024

FERNANDO PESSOA O SUPRA-CAMÕES E OUTROS ENSAIOS PESSOANOS.
Comemorações do 50.º Aniversário da Morte de Pessoa. Maria Vitalina Leal de Matos - Maria da Glória Padrão - David Mourão-Ferreira - Arnaldo Saraiva - Fernando J. B. Martinho. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa : Instituto de Altos Estudos, 1987. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 125, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Ciclo de conferências proferidas por ocasião do aniversário da morte do Poeta.
"No ano a comemoração do cinquentenário da morte de Fernando Pessoa, a Academia das Ciências, que esteve presente na Comissão Organizadora das Comemorações, tomou a iniciativa de convidar para um Ciclo de Conferências na sua sede cinco dos mais argutos e constantes pessoanos, Maria Vitalina Leal de Matos, Maria da Glória Padrão, David Mourão-Ferreira, Arnaldo Saraiva e Fernando J. B. Martinho, que produziram os textos extremamente ricos, originais e estimulantes na sua diversidade, que constituem este volume. [...]
O nosso contributo é, na sequência das Conferências, esta colectânea, que difundiremos, tão largamente quanto nos for possível, por academias e instituições universitárias, bibliotecas, autarquias, centros culturais."
(Excerto de Fernando Pessoa na Academia das Ciências, por Urbano Tavares Rodrigues)
Índice:
[Introdução] - Fernando Pessoa na Academia das Ciências, por Urbano Tavares Rodrigues | Fernando Pessoa o Supra-Camões, por Maria Vitalina Leal de Matos | Fernando Pessoa: algumas tácticas de publicação, por David Mourão-Ferreira | O ano de 1913 - Que horas são?, por Maria da Glória Padrão | Pessoa e os Surrealistas, por Fernando J. B. Martinho | Pessoas de Pessoa, por Arnaldo Saraiva.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

09 fevereiro, 2024

FERREIRA, Francisco Manuel da Fonseca - O HÁBITO DE BEBER NO CONTEXTO EXISTENCIAL E POÉTICO DE FERNANDO PESSOA
. Porto, [Laboratórios Bial - Inova-Artes Gráficas], 1995. In-4.º (24x17 cm) de 173, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio biográfico sobre Fernando Pessoa, incidindo o trabalho, sobretudo, na dependência alcoólica do poeta, na vida e na morte, e a influência que o consumo terá tido na sua criatividade literária.
"Neste estudo, o autor apresenta uma análise interpretativa dos rasgos mais marcantes da personalidade e do percurso escolar, cultural e poético, assim como das manifestações excêntricas de Fernando Pessoa, onde tenta demonstrar que, na vida do poeta, para além da sua flagrante genialidade, tudo parece ter um sentido. Todos os génios costumam ter as suas excentricidades. Entre estas, sobressai em Pessoa o uso da bebida, que a partir de certa altura se tornou, sem dúvida, bastante acentuado. O autor, como médico, apresenta, contudo, um estudo original, em que mostra que o poeta, possuindo uma resistência aos efeitos do álcool, nunca revelou dependências, alterações de comportamento e muito menos sinais de sofrer de cirrose hepática, como foram divulgando infundadamente, e alguns até com certo deleite, a maior parte dos seus biógrafos."
(Fonte: Wook)
Bonita edição - integralmente impressa sobre papel couché - ilustrada com fac-símiles, desenhos e fotografias de Pessoa, na sua maioria em página inteira.
"Os estudos sobre a vida e a obra de Fernando Pessoa compreendem já uma imensa bibliografia, em que predominam análises sobre a sua escolaridade, originalidade poética, convicções políticas, místicas e religiosas, personalidade e múltiplos aspectos do seu relacionamento humano.
Este ensaio tem como principal objectivo a investigação e a interpretação, à luz de conhecimentos médicos modernos, de uma manifestação pouco explorada do comportamento do poeta, a inclinação para a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Até ao presente, tem sido perfilhada, praticamente por todos os seus biógrafos, a ideia de que Fernando Pessoa sofreu de alcoolismo de grau acentuado, causa de uma cirrose hepática, responsável pela sua morte. Esta opinião teve, com certeza, origem em informações emitidas pelo  médico ou médicos que o observaram, numa época em que a ciência médica não dispunha de conhecimentos nem de meios suficientes de análise destes quadros patológicos.
Impunha-se, portanto, examinar e discutir, através da metodologia científica moderna, quais os condicionalismos, a caracterização e as possíveis consequências mórbidas dessa tendência de Fernando Pessoa, de forma a corrigir e desfazer as divagações infundadas ou mais ou menos fantasiosas que sobre este assunto se têm continuamente acumulado.
No presente estudo, a questão mais relevante talvez seja a de saber se Pessoa sofreu, ou não, de alcoolismo crónico e qual a relação deste com a causa da sua morte, de acordo com os critérios actuais de caracterização do alcoolismo e das suas consequências. Daí que, propositadamente, se tenha conferido ao título deste trabalho, uma certa indefinição, sem prejuízo do esclarecimento que se pretende.
Por outro lado, haverá, também, conveniência em avaliar, como complemento da exegese da obra de Pessoa, reconhecidamente um dos maiores poetas da modernidade nacional e universal, qual o grau desses excessos alcoólicos e até que ponto terão influenciado o seu psiquismo, a sua actividade intelectual, a sua produção literária e a sua inserção na sociedade contemporânea."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Primeiros tempos após o regresso a Lisboa | Primeiros anos de juventude | Aspectos gerais da actividade literária | Personalidade e constituição psíquica | O hábito de beber em excesso | Caracterização dos diferentes tipos de alcoolismo crónico | Avaliação do tipo de alcoolismo de Fernando Pessoa | Factores etiológicos de alcoolismo | Condicionalismos do hábito de beber e seus reflexos na criatividade poética de Fernando Pessoa | Ausência provável de complicações crónicas do alcoolismo em Fernando Pessoa | Conclusão | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

14 setembro, 2023

MENDES, Manuel -
SOBRE A OFICINA DO ESCRITOR.
Palestra realizada no Clube dos Rotários de Viseu, aos 23 de Junho de 1966. Viseu, [s.n. - Tip. Guerra - Viseu], 1967. In-4.º (23,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência sobre o ofício de escritor - o seu ambiente e método de trabalho, e as suas motivações -, que o autor ilustra com o exemplo de algumas insignes figuras das letras portuguesas com quem privou, como Aquilino Ribeiro e Fernando Pessoa , discorrendo também sobre o "ofício" de Camilo Castelo Branco, Raul Brandão, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.
"Há um par de bons anos, quando vim a primeira vez de visita ao vosso vizinho Aquilino, trazido pela curiosidade de o ver na casa da Soutosa, longe do Chiado janota que ele animava com a sua forte presença de serrano e onde com ele convivi, reparei então, sobre a mesa de trabalho, anichada junto ao vão da janela que dá para o recolhido pátio das tílias, naquele retrato de Balzac - gordo e e colarinho aberto, a mão enfiada na carcela da camisa, cabelo revolto, face robicunda, parece que ao mesmo tempo radiante e lívida da insónia - mostrando-se, como após uma dessas suas frequentes alucinações criadoras, em que dia e noite, o possesso, não largava mão da pena. [...] Nessa ocasião, debrucei-me sobre a fotografia e quando em silêncio volvi os olhos para Aquilino, o velho amigo sorriu-me, com certa sombra de irreprimível melancolia no rosto aberto e franco, para dizer, encolhendo resignadamente os ombros:
- La bête de somme.
Deste modo designam os franceses o animal de carga. Tinha ali, diante dos olhos, a boa imagem tutelar, e não foi o génio do romancista que naquela hora para mim evocou, mas o sacrifício exemplar da acérrima e obsidiante vida de trabalho, a desentranhar-se no tumulo torrencial de ficção com que criou a obra ao mesmo tempo prodigiosa e avassaladora. Sentado à banca, esquecido de tudo, sem contar as horas que corriam, não lograva sossego enquanto o caudal abundantíssimo lhe acudia à imaginação, nos conflitos e enredos humanos que o tentavam. [...]
Também Aquilino nos deixou a lição varonil e admirável de uma vida longa de trabalho, no apelo instante da tarefa a realizar. - Ai, as horas perdidas! - Mas o escritor das Terras do Demo impunha-se como outra espécie de homem, hercúleo, sadiamente fecundo e pertinaz, radiante de poder e energia, cuspindo cada manhã com afoiteza nas mãos, bom cavador que pega na enxada - era este o símile de trabalho que mais lhe agradava - e de sol a sol, ano após ano, revolve o chão áspero da sua leira. De tal modo assim era, valente e rijo, que naquela hora, confesso, não foi o seu ensinamento e castigo de vida que me acudiram à lembrança, mas antes as tormentadas e negras noites do desafortunado homem de São Miguel de Seide - lugar aonde eu, da Soutosa, tencionava ir em peregrinação. A inexplicável pena desse condenado, desde logo, em evidente paralelo, me assaltou ao espírito. De outro assim não reza a nossa história literária.
Com efeito, se quereis exemplo, entre nós, da vida verdadeiramente dramática de um galeote das letras, a cavar com génio e lágrimas o escasso pão do seu sustento e a glória de um grande escritor, lembrai a servidão de Camilo, mormente nesses anos amargurados de Seide, acossado de dores e desesperações, até ao martírio de cegueira. [...]
... Vejamos, noutro exemplo, como foi a existência e a devoção de um grande poeta. Para tanto, consenti que vos evoque a figura de Fernando Pessoa, com quem alguns anos convivi, trazendo-vos o meu comovido testemunho. Esse, podemos dizer que nem banca nem oficina - o vaguear a esmo pelas ruas, o cogitar sem descanso nos seus sonhos, rendido à obra extraordinária, que depois da morte lhe foram encontrar arrecadada num baú, e é um dos belos luzeiros do nosso tempo. Para mais nada vivia, absorto na cisma, na indiferença completa do mundo, soltando-se do cárcere em que nos prendem, como imponderável sombra que se evade.
Encontrávamo-nos à tardinha, quando ele acabava as ocupações do seu ganha-pão, correndo escritórios de exportadores, a quem traduzia a correspondência comercial. Naquelas tarefas angariava um salário magro - quanto lhe bastava. Aparecia e sentávamo-nos, então, à mesa de um café barulhento, e, se para aí estavam virados os ventos, partíamos para algum gostoso jantar de taberna. [...] Caminhava com o seu passo tíbio, as calças um pouco arregaçadas a deixar ver o tornozelo, e aquele riso fungado que se misturava às palavras tímidas, discretas, pronunciadas talvez a medo, ou  no intento de que na  noite se diluíssem sem fazer eco. O rosto alongado, o olhar turvo de míope a entreluzir através dos óculos - assim era e foi o mais benigno dos companheiros, na comovedora singeleza da alma quase inocente.
Confessara certa vez que os poemas lhe aconteciam..."
(Excerto da Palestra)
Manuel Joaquim Mendes (1906-1969). "Escritor, artista plástico e resistente antifascista, nasceu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1906, cidade onde também faleceu, em 4 de Maio de 1969. Manuel Mendes fez largas incursões nas artes plásticas, mas destacou-se sobretudo pela sua atividade literária, colaborando em numerosos jornais e revistas, como a Seara Nova, a Revista de Portugal, a Vértice, e os jornais O Século, Primeiro de Janeiro, A Capital e República. Como escultor, Manuel Mendes participou no Salão dos Independentes e nos dois salões de 1946 e 1947 da Exposição Geral das Artes Plásticas, organizada pela Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua casa foi sempre ponto de encontro de muitos dos seus amigos e companheiros, sendo instituída em 1977 a Casa-Museu Manuel Mendes."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com significado histórico e literário.
20€

01 setembro, 2023

BRAGA, Victoriano -
OCTÁVIO : peça em três actos. Representada pela primeira vez, em 1916, no Teatro Nacional Almeida Garrett. Lisboa, J. Rodrigues & C.ª, 1927. In-8.º (19,5x13 cm) de 111, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original desta peça, talvez a obra mais discutida do autor pelo escândalo que alcançou na época, dada a sua forte componente sensual e erótica.
"Uma sala não muito grande, luxuosíssima. Porta de arco ao fundo, comunicando com o jardim de inervo; à direita, uma porta larga, coberta de um reposteiro de armas, que dá para o salão de baile. Mobília rica e de muito bom gôsto; pelas paredes, retratos a óleo de antepassados ilustres. - A scena não deve estar muito iluminada. Ouve-se o sexteto  antes do pano subir.
Há baile no palácio. É ao comêço da festa, que decorre ainda com intimidade, vendo-se já alguns convidados no jardim.
Gil, de pé, conversa com Octávio, que se tem estirado com elegância num sofá, entre almofadas, à direita da scena. - Octávio, sendo o mais corecto possível, deve no entanto deixar perceber, excepto para com Gil, a grande diferença que está persuadido existir entre si e todos."
(Excerto do Acto Primeiro)
Vitoriano Braga (1888-1940). "Dramaturgo, tradutor e crítico de teatro. Ginasta de mérito, introduz o futebol amador entre nós. Faz moda. Como fotógrafo amador, retratou Guerra Junqueiro e Fernando Pessoa, para além dos nus de Almada. A sua escassa produção de teatro assenta numa construção convencional, mas eficaz, do enredo e insere-se na linha naturalista de análise psicológica e crítica social. As primeiras peças, escritas entre 1908 e 1918, foram representadas pela Sociedade Artística, companhia residente do Teatro Nacional: A Bi (escrita em colaboração com J. Vasconcelos e Sá) em 1911, Octávio, em 1916, e O Salon de Madame Xavier, em 1918. Na década de 1920 estreia, no Teatro Politeama, A Casaca Encarnada (1922), produção da Companhia de Lucília Simões, com cartaz de Almada Negreiros; no mesmo teatro representa-se, em 1926, a comédia dramática Inimigos, escrita no ano anterior, protagonizada por Ilda Stichini e Raul de Carvalho. Entre outras peças, menos destacadas pela crítica, contam-se Lua-de-Mel (Teatro do Ginásio, 1928) e O Conselho da Noite (Chiado Terrasse, 1932).
Com Octávio inicia-se um dos motivos caros ao teatro de Vitoriano Braga, o casamento de conveniência. Não foi, porém, este motivo que dividiu opiniões e provocou uma reacção desfavorável da crítica e a breve carreira do espectáculo. O tema da peça resulta da sua forte componente erótica, desenhada em Octávio e Graça, e nele especialmente: dandy, músico e doente - o actor deve «deixar perceber […] a grande diferença que está persuadido existir entre si e todos» (rubrica do I acto) -, que lembra motivos anteriores do esteta, até na blague, e antecipa traços do singular decadentismo dos anos de 1920 na homossexualidade discreta mas evidente e na exaltação do artista. Octávio não é, porém, um tipo, como acontece a muitas figuras do teatro de Vitoriano Braga; a complexidade desta personagem insinua-se no ambiente, nas palavras como nos silêncios, na música de cena, onde o sexteto para o baile do I acto contrasta com a pequena peça para órgão «com uma melodia de sabor gregoriano» expressamente escrita por Luís de Freitas Branco (Alexandre Delgado, Ana Teles e Nuno Bettencourt Mendes, Luís de Freitas Branco, Lisboa: Editorial Caminho, 2007) talvez para o final do II acto.
A obra foi apreciada por Fernando Pessoa, que se propunha editá-la na Olisipo (c. 1922), com A Casaca Encarnada e O Milagre. Para além disso, Octávio foi motor do ensaio «Sobre o Drama». Na reflexão sobre o ideal dramático da modernidade, afirma: «é no campo da intuição psicológica, no conceito do psiquismo individual, que a cultura científica produziu, na mente do dramaturgo, porque na de toda a gente culta, resultados novos e notáveis. […] Para mim, o valor capital do drama Octávio, o que o torna, a meu ver, notável entre a multidão nula das peças modernas, seja de que nação forem, é que, por acção [de] um seguro instinto, ele é orientado exactamente no sentido que a cultura moderna impõe como o caminho do dever artístico.» (Páginas de Estética, p. 87)."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/v/794-vitoriano-braga)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

26 abril, 2023

UM ROSTO PARA FERNANDO PESSOA -
Obras de trinta e cinco artistas portugueses contemporâneos. [Textos de apresentação deJosé Sommer Ribeiro e José Saramago]. Lisboa, Centro de Arte Moderna : Fundação Calouste Gulbenkian, Julho 1985. In-4.º (24x22 cm) de [80] p. ; mto il. , B.
1.ª edição.
Catálogo sobre diversas representações de Fernando Pessoa publicado por ocasião das comemorações do cinquentenário da  morte do poeta. "O catálogo apresenta trabalhos de trinta e cinco artistas portugueses, [onde se contam, entre outros, Almada Negreiros, Mário Cesariny, Martins Correia, José de Guimarães, Lagoa Henriques, Júlio Pomar e Cruzeiro Seixas]. Contém um texto de apresentação, um ensaio e biografia de cada artista representado acompanhado de uma obra. Editado em português."
Livro esmerado e graficamente atraente, ilustrado com 35 imagens de Pessoa a p.b. - umas mais singelas, outras mais elaboradas.
"Neste ano de 1985, em que se comemora o cinquentenário da morte do poeta Fernando Pessoa, o Centro de Arte Moderna não podia deixar de homenagear a figura maior da Poesia do nosso século, a quem o Modernismo português tanto ficou a dever. É que Pessoa também se interessou pelas artes, e já em 1913 publicava, na revista A Águia, uma crítica à exposição de Almada, que aliás foi o primeiro artista a retratar o poeta, em 1915.
O Centro de Arte Moderna entendeu que a melhor forma de celebrar esta comemoração seria apresentar trabalhos de artistas influenciados pela obra e figura de Fernando Pessoa."
(Excerto da apresentação José Sommer Ribeiro)
"Que retrato de si mesmo pintaria Fernando Pessoa se, em vez de poeta, tivesse sido pintor, e de retratos? Colocado de frente para o espelho, ou de meio perfil, obliquando o olhar  três-quartos, como quem, de si escondido, se espreita, que rosto escolheria e por quanto tempo? O seu, diferente segundo as idades, assemelhado a cada uma das fotografias que dele conhecemos, ou também o das imagens não fixadas, sucessivas entre o nascimento e a morte, todas as tardes, noites e manhãs, começando no Largo de S. Carlos e acabando no Hospital de S. Luís? O de um Álvaro de Campos, engenheiro naval formado em Glasgow? O de Alberto Caeiro, sem profissão nem educação, morto de tuberculose na flor da idade? O de Ricardo Reis, médico expatriado de quem se perdeu o rasto, apesar de algumas notícias recentes obviamente apócrifas? O de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na baixa lisboeta? Ou um outro qualquer, o Guedes, o Mora, aqueles tantas vezes invocados, inúmeros, certos, prováveis e possíveis? Representar-se-ia de chapéu na cabeça? De perna traçada? De cigarro apertado entre os dedos? De óculos? De gabardina vestida ou sobre os ombros?... [...]
De uma pessoa que se chamou Fernando Pessoa começa a ter justificação que se diga o que de Camões já se sabe. Dez mil figurações, desenhadas, pintadas, modeladas ou esculpidas, acabaram por tornar invisível Luíz Vaz; o que dele ainda permanece é o que sobra: uma pálpebra caída, uma barba, uma coroa de louros. É fácil de ver que Fernando Pessoa também vai a caminho da invisibilidade..."
(Excerto da apresentação José Saramago)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse pessoano.
Indisponível

07 agosto, 2022

FERNANDES, Maria da Conceição - ANTÓNIO BOTTO - UM POETA DE LISBOA : vida e obra - novas contribuições
. Lisboa, Editorial Minerva, 1998. In-8.º (21 cm) de 138, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de António Botto (1897-1959). Importante subsídio para a história do autor de Canções, poeta ecléctico, incompreendido e marginalizado pelo meio literário da época; desiludido e acossado pelo regime vigente, viria a auto-exilar-se no Brasil, onde morreria.
Livro ilustrado em página inteira com dois retratos do poeta quando jovem.
""Levo comigo os meus versos, a minha alma e a minha angústia". Estas palavras foram proferidas pelo poeta António Botto, na noite de 7 de Maio de 1947, quando no S. Luís, em Lisboa, lhe foi prestada uma homenagem que seria a última, antes da sua partida para o Brasil. [...]
Poder-se-há, talvez, dizer que António Botto foi um poeta menor, um autodidacta que não criou nem representou nenhum movimento literário. Todavia, o tom confessional dos seus versos, aliado à criação de novos ritmos poéticos, iria influenciar os poetas do seu tempo. Um dia, referindo-se a António Botto, Frederico Garcia Lorca afirmou: "... conhecê-lo e ouvi-lo é ganhar tempo aprendendo muita coisa que só ele sabe dizer como ninguém".
António Botto não seguiu, na realidade, os cânones da poética ditada pelo Orpheu, (a revista que inaugurara o modernismo português), situando-se sempre na linha de um lirismo tradicional e coloquial dos cancioneiros primitivos. No entanto, a beleza original das imagens que utilizou nas Canções, sobretudo na exaltação do corpo masculino, levou Fernando Pessoa a considerar que: "Artistas tem havido muitos em Portugal, estetas só o autor das 'Canções'"."
(Excerto da Introdução)
Índice: Agradecimentos. | Dedicação da Obra. | Abreviaturas. | Nota prévia. | Cronologia da vida e obra de António Botto. | Introdução. | 1. O Homem. 1.1. Vida e obra - novas contribuições para uma biografia mais completa de António Botto e para a análise da sua obra. 1.1.1. Da infância às primeiras edições de Canções - 1920-1922; 1.1.2.  De Canções até princípios dos anos 40; 1.1.3. De 1942 até à partida para o Brasil - 1947; 1.1.4. No Brasil até à sua morte. 2. O Poeta. 2.1. António Botto - Uma presença original no nosso modernismo. 2.1.1. A Contemporânea e a defesa do poeta por Fernando Pessoa e Raul Leal; 2.1.2. A Presença e a defesa do poeta por José Régio e João Gaspar Simões; 2.1.3. Alguns anos mais tarde... outros "defensores" de António Botto: - Jorge de Sena e Natália Correia. | Conclusão. | Bibliografia cronológica de António Botto. | Bibliografia consultada. | Índice iconográfico.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

14 janeiro, 2022

LIND, Georg Rudolf - FERNANDO PESSOA PERANTE A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.
Por...com Duas Poesias inglesas inéditas de Fernando Pessoa
. Lisboa, Separata da Revista 'Ocidente' - Volume LXXXII, 1972. In-4.º (24 cm) de [2], 20, [2] p. (11-30) ; B.
1.ª edição independente.
Importante ensaio de Georg Lind - uma das maiores autoridades do tema pessoano - sobre a posição lírica do vate português face à Grande Guerra.
Interessante peça WW1, por certo com tiragem reduzida.
"Fernando Pessoa - um poeta da guerra? Seria possível preencher todo um ensaio com um tema que tão pouco condiz com a nossa habitual imagem deste poeta? Não estava Portugal, e Pessoa com ele, bastante afastado das frentes de combate da primeira guerra mundial, mesmo depois de o país ter entrado, em Agosto de 1916, activamente neste conflito? Como é que o poeta, morando na pacífica Lisboa, se teria inspirado em motivos bélicos, não conhecendo mais sobre a guerra do que aquilo que os jornais relatavam?
E, no entanto, aí estão os factos: de 1915 até 1917 Pessoa escreveu oito poesias, cuja temática está relacionada com a Grande Guerra e que nos permitem a nós definir com toda a clareza desejável a sua posição perante a Primeira Guerra Mundial em especial e perante o fenómeno da guerra na generalidade. Creio que esta definição possui, nos tempos que correm, algum interesse, pois o testemunho moral dum grande autor convém ser ouvido, mesmo que não exerça qualquer influência imediata nos acontecimentos."
(Excerto do estudo)
Georg Rudolf Lind (Berlim, 1926 - 1990). Académico e historiador alemão. "Foi um dos primeiros tradutores de Fernando Pessoa para alemão, que lançou as bases para a divulgação da cultura e literatura portuguesas no mundo germânico."
(Fonte: http://www.fabula-urbis.pt/Recital_Adolf_Sawoff.html) 
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta leve sombreado por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico e pessoano.
Indisponível

22 agosto, 2021

GOMES, Augusto Ferreira - NO CLARO-ESCURO DAS PROFECIAS. S. Malaquias - Nostradamus - Bandarra. O Apocalypse de S. João. O rapto da Europa ou o letargo da Civilização Ocidental. O fim da Terceira República Francesa e a vinda da monarquia em 1944. Graves acontecimentos na França, Itália, Alemanha e Inglaterra. O ressurgimento do Ocidente
. Lisboa, Livraria Portugália, [1941]. In-8.º (19,5 cm) de 156, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso livro de profecias oferecido pelo autor "á memória do astrólogo Fernando Pessoa". Raro na edição original.
Ilustrado com bonitos desenhos e gravuras ao longo do texto.
Livro muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa a Luís Moitinho de Almeida - amigo comum do autor e do poeta de Mensagem.
"A maioria das interpretações que se encontrarem no decorrer da leitura, não é nossa - que para isso nos faltam qualidades essenciais: completa cultura hermética, conhecimentos profundos de astrologia, e iniciação.
Por isso procurámos em outros valores o que nos faltava.
As poucas interpretações que apresentamos vieram simplesmente através da intuïção, com a vigilância da inteligência. Não as impomos como infalíveis. Tudo, na vida humana, é de possível engano. Se a própria Justiça está sujeita a erros, mais atreita ao desvio está a intuição...
Tôda a vida terrestre, animal, mineral e vegetal, é comandada por fôrças que uma maioria desconhece e que uma minoria diz conhecer."
(Excerto de Astrologia e de Kabala, para que o leitor possa compreender, mais claramente, algumas passagens dêste livro)
Augusto Ferreira Gomes (1892-1953). "Jornalista, poeta e ficcionista, foi um íntimo amigo de Fernando Pessoa, e seu sócio, juntamente com Geraldo Coelho de Jesus, num ou mais escritórios de comissões e consignações (entre 1917-1926, pelo menos). Podemos, de certo modo, considerá-lo também um seu discípulo. O seu livro de poemas Quinto Império (1934), com um prefácio de Fernando Pessoa, traz à memória os versos de Mensagem e, inevitavelmente também, a profecia que o seu autor (re)criou. O prefácio serve, inclusive, como explanação do próprio conceito de Quinto Império, distinguindo Pessoa duas ordens de profecias, que entre si se completam: umas que «têm em si uma grande luz» e «são o fio do labirinto»; outras que «têm em si uma grande treva» e são «o mesmo labirinto». É neste último grupo que inclui as profecias contidas no livro de Ferreira Gomes, que, em 1941, voltará ao tema, com No Claro-Escuro das Profecias, livro dedicado «à memória do astrólogo Fernando Pessoa»."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/a/888-augusto-ferreira-gomes-1892-1953)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, amarelecidas, com pequenos defeitos marginais.
Raro.
Indisponível

11 maio, 2021

MATOS, Jorge de - O PENSAMENTO MAÇÓNICO DE FERNANDO PESSOA.
Prefácio de José Manuel Anes
. Lisboa, Hugin, 1997. In-4.º (23 cm) de 218, [2] p. ; il. ; B. Biblioteca Maçónica, 1
1.ª edição.
Ensaio pessoano que resulta da dissertação de pós-graduação em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso apresentada pelo autor na FSCH da Universidade Nova de Lisboa.
Livro ilustrado com diagramas, tabelas e desenhos em página inteira.
"O objectivo desta obra é contribuir para uma análise contemporânea sistemática do pensamento hermético-simbólico pessoano (actualmente cristalizado por uma bibliografia hiperintelectualizada e repetitiva), no âmbito de uma das suas áreas temático-estruturais vastísssimamente desconhecidas, por um lado, e uma maior e mais crescente acessibilização académica e informativa do Simbolismo da Tradição Iniciática cultural e sociologicamente portuguesas, baseada na investigação crítico-divulgativa das suas fontes documentais e bibliográficas frequentemente inéditas ou incógnitas, por outro.
Sinteticamente, aborda-se toda a obra maçónica editada de Fernando Pessoa, onde se evidencia uma clara distinção inédita entre a Ordem Maçónica oculta e as Obediências institucionais que a representam formalmente ao nível externo - até aqui identificativamente confundidas."
(Excerto da sinopse-contracapa)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | I - Regeneração Social. II - Da Iniciação ao simbolismo maçónico. III - História e Tradição. IV - O maçonismo pessoano. | Conclusão. Bibliografia. | Anexo Documental. | Anexo Gráfico. | Índice.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

02 janeiro, 2021

SAMPAIO, Jaime Salazar - FERNANDO talvez PESSOA.
Encenação: Artur Ramos. Teatro Nacional de D. Maria II
. Lisboa, T. N. D. M. II, 1983. In-4.º (23,5 cm) de 41, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso programa da peça "Fernando talvez Pessoa", ilustrado com três gravuras em página inteira.
"Fernando Pessoa está na crista da onda e são cada vez mais numerosos os que se apressam a juntar a sua voz ao coro dos glorificadores desse poeta, que viveu obscuro embora certo do seu génio. [...]
Há longo tempo já que vejo Salazar Sampaio debruçado sobre Fernando Pessoa, na ânsia de encontrar e nos propor uma interpretação sua dos enigmas que a obra do poeta não cessa de levantar."
(Excerto do preâmbulo de Henrique de Barros)
"Este enorme «mosaico» da obra de Fernando Pessoa que é a peça de Jaime Salazar Sampaio, resulta também num retrato (possível) do poeta.
Porque Jaime Salazar Sampaio parece ter quebrado deliberadamente as várias máscaras que podiam instituir-se a partir dos poemas dos heterónimos e do poeta ele mesmo, para construir então uma outra gigantesca e multifacetada máscara que não pode deixar deixar de sugerir-nos uma determinada visão de Pessoa."
(Excerto do preâmbulo de Carlos Paniágua Féteiro)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse pessoano.
15€

02 outubro, 2019

FERNANDO PESSOA : O Fado e a Alma Portuguesa. Conceito e texto: Samuel Lopes. Produção executiva e selecção musical:  Rui Chen & Samuel Lopes. Ilustração: Miguel Seixas. [Lisboa], Warner Music Portugal, Lda., 2013. In-8.º (20 cm) de 57, [1] p. ; [20] p  il. ; [1] CD-ROM ; E.
1.ª edição.
Belíssima edição bilingue (português/inglês), de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada a cores. Inclui CD-ROM.
“Fernando Pessoa - O Fado e a Alma Portuguesa foi editado numa versão deluxe de CD+livro com 80 páginas em português e inglês com textos que contextualizam a poesia de Fernando Pessoa, os poemas cantados nas versões originais ou adaptadas com traduções para inglês assinadas por Richard Zenith (vencedor do prémio Pessoa 2012) e Alexis Levitin (vencedor do National Endowment for the Arts Translation Fellowship e do Fulbright Senior Lecturer Award), e, ainda, informação detalhada sobre cada um dos temas incluídos no alinhamento.
Em 2013 passaram 125 anos sobre o nascimento de Fernando Pessoa. Para celebrar essa data a Warner Music Portugal com o apoio da Casa Fernando Pessoa e Museu do Fado edita uma colectânea que sob o título “Fernando Pessoa – O Fado e a Alma Portuguesa” reúne um conjunto de poemas de Pessoa que ao longo dos anos foram gravados na voz de vários fadistas e alguns inéditos. O alinhamento do disco incluirá um total de 20 temas interpretados pelas gerações que se afirmaram no fado a partir da década de 1990.
Inicialmente a escolha incidiu sobre temas já editados e conhecidos do grande público de artistas como Camané, Mariza ou Ana Moura porém atendendo à dimensão da obra, os editores decidiram fazer mais do que uma simples recolha de repertório existente, e lançaram o desafio a vários artistas com reconhecido mérito destas novas gerações a gravarem novos temas exclusivos, desafio este que foi aceite com elevado entusiasmo. Os artistas que integram temas inéditos nesta obra são: Ana Laíns, Débora Rodrigues, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Carminho e Ricardo Ribeiro, os três últimos com composição e produção de Diogo Clemente."
(Fonte: fnac)
"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar.
As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou.
No fado os Deuses regressam legítimos e longínquos. É esse o segredo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião.
Fernando Pessoa"
(O Fado e a Alma Portuguesa)
"O Fado e a Alma Portuguesa, escrito por Fernando Pessoa em 1929 para o Diário de Notícias, é o mote que inspirou esta obra e originou a união destes dois grandes patrimónios da cultura portuguesa e da cidade de Lisboa: A poesia de Fernando Pessoa e o Fado.
Nesta edição é feita pela primeira vez uma compilação de fados e canções integralmente com poemas do autor. Apesar da poesia de Fernando Pessoa se cantar no fado desde os anos 70 do passado século, são as gerações que têm despontado desde 1990 que mais têm interpretado  poesia homónima e heterónima do multifacetado poeta, fazendo com que actualmente seja um dos poetas mais importantes e interpretados no fado.
O disco exponencia um fado de uma Lisboa contemporânea, muitas vezes retratada na poesia de Pessoa, cujos temas continuam a ser actuais e universais. É pois com naturalidade que a selecção de artistas tenha recaído sobre as grandes vozes das mais recentes gerações do fado, incluindo um total de 20 temas dos quais 6 inéditos."
(Excerto da Apresentação)
Índice:
O Fado e a Alma Portuguesa. | Índice. | Apresentação. | O Fado em Pessoa. | Os Fados e os Artistas. | Ficha técnica.
Encadernação do editor policromada com saqueta e CD-ROM.
Exemplar em bom estado de conservação.
Esgotado.
35€

21 junho, 2019

BESSA LUÍS, Agustina - O SUSTO : romance. Lisboa, Guimarães Editores, 1958. In-8.º de 330, [1] p. ; B.
Capa de Ribeiro.
1.ª edição.
"Uma das obras mais notáveis de Agustina Bessa-Luís, O Susto é um roman à clef, um romance cujas personagens são modeladas em pessoas reais. O protagonista, José Midões, é o poeta Teixeira de Pascoaes. Agustina Bessa-Luís descreve-o como uma figura excepcional, acima de todos os contemporâneos, e não esconde o fascínio que Pascoaes lhe inspira. [...] Se todos os livros têm o seu destino, o deste romance é duplo: a sua recepção por leitores e pares, e as consequências dessa acidentada recepção, tiveram efeitos consideráveis na carreira da autora, que merecem ser descritos.
Quanto ao romance em si mesmo, a descrição que nele é feita da relação entre Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, crucial para ambos, em particular para o segundo, que aparece no romance como personagem nada fugaz (Álvaro Carmo), parece ter passado inapercebida pela generalidade da crítica, não obstante ser a mais arguta análise dessa relação alguma vez publicada."
(Excerto do Prefácio de António Feijó)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

25 dezembro, 2015

PESSOA, Fernando - À MEMÓRIA DO PRESIDENTE-REI SIDÓNIO PAES : por Fernando Pessoa e outros letrados. [S.l.], [s.n. - imp. Typographia Mendonça, Porto], 1951. In-4.º (24 cm) de 17, [3] p. ; il. ; B. Colecção Quinhentista
1.ª edição.
Edição de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, publicada por ocasião do 33.º aniversário da morte de Sidónio Pais.
Exemplar n.º 397, de uma tiragem de 500 assinada por Petrus (Pedro Veiga).
À Memória do Presidente-Rei Sidónio Paes é um conjunto de poemas, publicados originalmente no jornal ACÇÃO (N.º 4, ANO II) em 27 de fevereiro de 1920, e aqui reproduzidos numa das apreciadas edições de Petrus.

Longe da fama e das espadas,
Alheio às turbas ele dorme.
Em torno há claustros ou arcadas?
Só a noite enorme.

Porque para ele, já virado
Para o lado onde está só Deus,
São mais que Sombra e que Passado
A terra e os céus.

Ali o gesto, a astúcia, a lida,
São já para ele, sem as ver,
Vácuo de acção, sombra perdida,
Sopro sem ser.

Só com sua alma e com a treva,
A alma gentil que nos amou
Inda esse amor e ardor conserva?
Tudo acabou?

No mistério onde a Morte some
Aquilo a que a alma chama a vida,
Que resta dele a nós — só o nome
E a fé perdida?

Se Deus o havia de levar,
Para que foi que no-lo trouxe
Cavaleiro leal, do olhar
Altivo e doce?

(Excerto do poema)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

14 setembro, 2015

BOCAGE – SONETOS ESCOLHIDOS. Lisboa, Edições Delta, 1921. In-16º (12cm) de 123, [1] p. ; il. ; E. 
Ilustrado com um retrato de Bocage em página inteira (reprodução de uma gravura de Bartolozzzi).
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do editor/prefaciador Da Cunha Dias - datada de Abril de 1921 - a Abel da Mota Veiga.
Bonita edição organizada pelo editor, Da Cunha Dias, que é também o autor da extensa nota biográfica de Bocage, que precede a obra em jeito de preâmbulo.
“Manuel Maria Barbosa du Bocage, nasceu em Setubal aos 15 de Setembro de 1765. […]
De muito novo, Bocage, revelou a sua marcada personalidade. Impetuoso, de repente – (andava ao tempo estudando) – com grande surpresa do pai, assentou praça no Regimento de Infantaria 7, de Setubal.
Tinha, então, 14 anos.”
(excerto do preâmbulo)

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de faxa, o mesmo na figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de existir num só terreno,
Mais propenso ao furôr do que á ternura;
Bebendo em niveas mãos por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades…
(Digo!, de môças mil) num só momento;
Inimigo de hipocritas e frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento.
Saíram mesmo dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou… mais pachorrento.
"


(Soneto, pp 31)
Alberto da Cunha Dias (1886-1947). Cunha Dias - ou melhor, Da Cunha Dias, como sempre fazia questão de assinar o seu nome e passou a ser referido. Advogado, jornalista, polemista político, escritor e editor. Nascido em Sintra, em 1886, de uma família da classe média (o pai era notário), Cunha Dias entrou aos dez anos de idade para o Colégio Militar e aos vinte anos, em 1906, para a Universidade de Coimbra, onde o seu nome aparece ligado à greve estudantil de 1907. Foi uma das amizades mais duradouras de Fernando Pessoa, que a manteve durante mais de vinte anos. Em 1916 foi internado no Hospital de alienados Conde de Ferreira, no Porto, de onde fugiria cinco semanas mais tarde. Desta estadia e dos motivos que a tal haviam conduzido, aproveitou Cunha Dias para, nos anos seguintes, lançar duas campanhas jornalísticas com o intuito de “limpar o nome”, fazendo publicar inúmeros artigos e dando à estampa 2 livros. Em 1921 - ano também do seu regresso ao exercício da advocacia nos tribunais - Cunha Dias criou as Edições Delta. A editora publicou nesse mesmo ano diversas obras, entre as quais, uma edição dos sonetos de Bocage (Sonetos Escolhidos), de que também ofereceu a Pessoa um exemplar, com dedicatória de Abril de 1921 (Pizarro, Ferrari e Cardiello, 2010: 421) - este o livrinho que, segundo José Paulo Cavalcanti (2011: 676 e segs.), Pessoa teria no bolso do pijama, no Hospital de São Luís, quando morreu. Em 1934, foi Cunha Dias quem convenceu Pessoa a mudar o título do seu livro de poemas Portugal, depois publicado como Mensagem. Alberto da Cunha Dias morreu em 12 de Junho de 1947, com 61 anos. “Enfermo há bastante tempo, o último período da sua existência foi o desfecho de uma vida agitada e inquieta”, lê-se no necrológio que o vespertino Diário de Lisboa publicou no próprio dia da sua morte, salientando essencialmente, na vida de Cunha Dias, a sua actividade de polemista político e a exuberância da sua personalidade.
(Fonte: BARRETO, José, O mago e o louco: Fernando Pessoa e Alberto da Cunha Dias)
Encadernação cartonada com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

08 maio, 2015

PESSOA, Fernando - PÁGINAS DE DOUTRINA ESTÉTICA. Selecção, prefácio e notas de Jorge de Sena. Lisboa, Editorial Inquérito Limitada, [1946]. In-8º (19cm) de 364, [12] p. ; B. Col. Ensaístas Contemporâneos, 4
1.ª edição.
"Esta publicação de prosas de Fernando Pessoa não é, não pretende, nem poderia ser exaustiva. [...] Apenas pareceu interessante e oportuno, à semelhança do que fora levado a cabo com os artigos da «Águia», reunir, em volume, subsequentes escritos, e dar, assim, uma imagem do que foi, no campo da especulação e da acção, o enorme labor intelectual de tão estranha figura, quase sem par no pensamento português."
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Invulgar e muito apreciado.
30€

20 setembro, 2014

NEMÉSIO, Jorge - A OBRA POÉTICA DE FERNANDO PESSOA. Estrutura das Futuras Edições. Edição conjunta com Universidade da Bahia. Salvador-Bahia, Aguiar & Souza Ltda. : Livraria Progresso Editora, 1958. In-8º (18,5cm) de 189, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo sobre a obra poética de Pessoa.
"O crítico português Jorge Nemésio dá, neste trabalho, uma contribuição valiosa para a organização definitiva da obra completa de Fernando Pessoa, segundo julga seria do desejo do grande poeta, manifestado explícita ou implicitamente."
(excerto da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior direito. 
Invulgar.
Indisponível

20 abril, 2012

EH REAL! Edição fac-similada. Lisboa, Contexto Editora, 1983. In-8º grd. (18,5x24,5cm) de XV, [3], 16, [2] p. ; B.
Fernando Pessoa e o «14 de Maio» por Manuel Vilaverde Cabral.  
"Panfleto semanal de crítica e doutrinação política", publicado em 1915, dirigido por João Camoezas. O seu único número, publicado sob a efémera ditadura do general Pimenta de Castro, tem como alvo o combate ao neomonarquismo e ao integralismo lusitano. 
Aí publicou Fernando Pessoa "O preconceito da Ordem", contra a persistência de crenças comtistas na doutrinação política dos neomonárquicos, explicando, através de uma argumentação cerrada, que "a exclusiva preocupação da ordem é um morfinismo social".
Excelente exemplar.
Invulgar, com interesse histórico.
15€

18 abril, 2012

MONTEIRO, Adolfo Casais - ESTUDOS SÔBRE A POESIA DE FERNANDO PESSOA. Rio de Janeiro, Livraria Agir Editôra, 1958. In-8º (19cm) de 258, [2] p. ; B.
"Crítico e ensaísta ao qual a obra do grande poeta português mereceu desde sempre o maior interesse, Adolfo Casais Monteiro dá-nos com Estudos sôbre a poesia de Fernando Pessoa uma obra há muito esperada. Sendo o mais lúcido dos críticos que têm estudado a obra do renovador da moderna poesia portuguesa, era o mais capaz de nos dar uma síntese na qual a compreensão não fosse sacrificada a discutíveis ambições de explicar a obra pelo homem. Com efeito, ele aborda, nas páginas deste livro, os problemas fundamentais da obra de Fernando Pessoa, para nos mostrar, sob a personalidade das despersonalizações, sob as diversas máscaras com que o poeta nos ocultou a real unidade da sua obra, o veio permanente da mais alta poesia que se manifesta em toda ela."
(excerto da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Indisponível

12 dezembro, 2011

PESSOA, Fernando - Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Textos estabelecidos e prefaciados por: Jacinto Prado Coelho e Georg Rudolf Lind. Lisboa, Edições Ática, 1966. In-8.º (20 cm) de XXXIX, 445, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Contém um retrato (goma bicromatada) de Fernando Pessoa por Vitoriano Braga.
Bom exemplar; capas com defeitos.
Invulgar.
Indisponível

01 agosto, 2011

PESSOA, ETC... Texto original: Nuno Júdice ; Design: Mário Jorge. Lisboa, Instituto Português do Livro/Ministério da Cultura, 1985. In-8º (24cm) de 79, [1] p. ; todo il. ; B. Tiragem: 2000 exemplares.
Livro publicado por ocasião dos 50 anos sobre a morte de Fernando Pessoa, faz juz ao "Etc..." do título, pois, além de Pessoa, também Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros são aqui biografados de destaque.
Capítulos: Fernando Pessoa; Modernismo; Sá-Carneiro; Revistas Literárias; Almada-Negreiros; Pessoa, Etc...; Leituras; Ficções; Obra Publicada; Pessoa Traduzido.
Edição quadrilíngue (português, francês, inglês e alemão) de grande qualidade gráfica e de design original, profusamente ilustrada.
Capas flexíveis com badanas, apresentam um ou outro sinal de desgaste.
Bom exemplar. 
Invulgar.
15€