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17 abril, 2025

RODRIGUES, Augusto -
O ABADE FARIA NA REVOLUÇÃO FRANCEZA. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [19--]. In-8.º (21x14,5 cm) de 372 p. ; [9] f. il. ; B.
1.ª edição.
Capa de João José.
Interessante romance, espécie de policial histórico em tempos de Revolução Francesa, com a participação de conhecidas figuras da época, como o Dr. Casanova e o Abade Faria.
Raro e muito curioso. Nada foi possível apurar acerca desta obra, dado não existirem quaisquer referências bibliográficas sobre a mesma.
Livro ornamentado com bonitas capitulares, florões e vinhetas tipográficas em cada um dos capítulos, bem como 9 belíssimas estampas de Silva e Souza intercaladas no texto.
"José!
- Diz, Margarida!
- Não te parece que está ali, sobre a relva do bosque, um homem prostrado?...
- Tambem me parece...
«Algum vagabundo»!
- No entanto julgo que o seu vestuario é o dum gentilhomem!
José afirmou-se:
- E tem a espada sobre  coxa!
«É exquesito!...
«Ou está ébrio, como já tenho visto alguns, nesta devassa terra, ou é vitima d'algum duelo, sem testemunhas...
Margarida ajuntou:
- Ou dum ataque de salteadores...
- Tudo é possivel!
«Mas urge que eu lhe acuda!
«Fica tu na estrada para mandares fazer alto a qualquer carruagem que passe, no caso de ser preciso..."
(Excerto do Cap. I - Sanson-la-Mort)
"Dai a pouco, paravam, deante dum elegante palacete, de dois pisos, com jardim que o cercava por três lados e com frontaria para a rua.
Esta, que tinha o poético nome de «Fonte-que-chora» era bastante deserta no seculo XVIII.
Apenas algumas casas fidalgas com os seus parques e jardins que as separavam, e no lado norte, uma extensa fila de construções monotonas, todas de tijolo encarnado e habitadas por gente pobre e um ou outro burguês mercador.
Mas era uma rua de pouco transito e a quietação de visinhança agradou a José de Faria porque o deixava estudar e trabalhar com socêgo."
(Excerto do Cap. II - Vocação macabra)
Exemplar em brochura, bem conservado. Com manchas de oxidação dispersas pelo livro.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

11 dezembro, 2023

GORJÃO, Armando - UM CRIME DE ESPIONAGEM. Em plena guerra. Lisboa, Editor e proprietario Empreza de Publicações Populares, 1916. In-8.º (19,5 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Capa icónica de L. Pimentel.
Refira-se a título de curiosidade, que o desenho de L. Pimentel - aliás, belíssimo - foi utilizado em mais do que uma ocasião para decorar capas de outras obras pós-República, sendo a mais conhecida Como triumphou a Republica, de Hermano Neves (1910).
Romance de espionagem/policial cuja acção decorre em Lisboa, durante a Primeira Guerra Mundial, história que o autor reputa de verídica, baseada em acontecimentos confidenciados por um seu amigo próximo: "Um crime d'espionagem, é apenas a reprodução fiel do que me foi narrado pelo meu amigo Antonio Campos do Valle, que há dias se retirou para a America do Norte".
Obra rara e muito interessante.
Precede o romance propriamente dito o extenso prefácio assinado por Gorjão - de quem nada foi possível apurar - onde este desanca no meio literário nacional, fazendo acusações gravíssimas a alguns dos mais conhecidos escritores da época que acusa de plágio e apropriação, nomeando as obras em causa.
"- Vem commigo e verás o que se chama uma excellente rapariga.
Isto me dizia Carlos d'Alvim á porta do Martinho, á hora em que a animação vive mais largamente.
Era-me impossivel acceitar o convite, visto os muitos afazeres que me prendiam n'aquella tarde.
E francamente digo, que o caso me contrariava bastante, dada a circumstancia de ser aquelle o terceiro ou quarto convite que me era feito para ir a casa da «excellente rapariga» passar umas horas de alegre de alegre cavaco e sempre havia um obstaculo.
Quer era uma creatura possuidora de certa educação, fallando correta e desembaraçadamente, espirituosa, muitissimo intelligente, de uma amabilidade extraordinaria e de um coquetismo extravagante, já eu o sabia por intermedio de Carlos.
Porem um dos rapazes do Maxim Club que mais detidamente analysára a estranha creatura, como elle lhe chamava, chegou a dizer-me que ella não éra que nós pensávamos."
(Excerto do Cap. I - A dama incognita)
Índice:
I - A dama incognita. II - Suspeitas de um sensato. III - Uma «princeza polaca». IV - Musette mysteriosa. V - Um preto que deixa de o ser. VI - Em pista. VII - Musette é uma espia. VIII - Um «castelo» sobre outro. IX - Officiaes e politicos cumplices da espia!... X - Preparando a cilada. XI - A mala mysteriosa. XII - [ - ]. XIII - Nas malhas da policia. XIV - Tableau!
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

26 fevereiro, 2023

GOES, Gil - O MISTERIO DA RUA SARAIVA DE CARVALHO
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editôres, 1919. In-8.º (20 cm) de 183, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Moraes. (Alfredo de Morais (1872-1971)).
Edição original da primeira obra de Reinaldo Ferreira, o popular Repórter X.
"Sob o pseudónimo de «Gil Goes», Reinaldo Ferreira escreveu em 1917 para o jornal O Século as fictícias cartas que denunciavam um misterioso crime em Campo de Ourique, Lisboa, dando origem em 1919 à publicação do seu primeiro livro, «O Mistério da Rua Saraiva de Carvalho». Esta obra foi também adaptada ao cinema por José Leitão de Barros, através da empresa Lusitânia Film, com o título «O Homem dos Olhos Tortos», tendo sido o primeiro serial português, embora inacabado."
(Fonte: https://alma-lusa.blogs.sapo.pt/letras-lusas-o-misterio-da-rua-saraiva-2109471)
"Ha na rua Saraiva de Carvalho um velho predio com aspecto de antiga moradia fidalga, ha muito deshabitado.
É um predio apenas de dois pavimentos, rez-do-chão e 1.º andar, fachada corrida ao longo da rua, de uma grande severidade de linhas, n'um estilo puramente nacional e a que o estado de abandono em que se encontra imprime uma nota triste de ruina. Da rua vê-se, atravez os caixilhos desdentados de vidraça, as janelas permanentemente cerradas e desbotadas do sol. A herva cresce nos beiraes das portas e tudo está envolto n'uma atmosfera de silencio, propicio a historias de lobis-homens e almas do outro mundo. Á direita, um pequeno pateo á moda portugueza tem comunicação com o interior do predio por uma porte de alpendre. Um alto muro com largo portão de ferro separa o pateo da rua.
Eram 3 horas da madrugada quando este portão girou lentamente nos gonzos e a ele assomou um vulto, prescutando a rua.
Tão extranha aparição em uma casa que todos consideravam desabitada, não podia passar sem surpreza.
E ainda bem longe de supor o que me estava reservado para essa noite, puz-me a observar atentamente o curioso movimento.
O vulto desaparecera de novo na escuridão do pateo e uns minutos decorreram em que no meu espirito, aguçado pela curiosidade, e formulavam hypoteses ainda ingenuas. Quem seria aquele estranho personagem? Talvez um namorado que, andava escondendo no misterio das sombras os seus amores pecaminosos... N'isto, o portão até ali apenas entreaberto, rolou pesadamente com estalidos ferrugentos para dar passagem a dois embuçados ajoujados ao peso de um grosso volume que transportavam. Atraz um terceiro embuçado fechou novamente o portão á chave indo depois auxiliar os companheiros a segurar no volume, o qual, a avaliar pela dificuldade do transporte parecia ser extremamente pesado."
(Excerto do Cap. I - O fardo misterioso)
Reinaldo Ferreira, pseud. Repórtex X (Lisboa, 1897 - 1935). "Considerado desde cedo como um prodígio do jornalismo, Reinaldo Ferreira já era reconhecido como repórter importante aos 20 anos. Viveu e trabalhou na Espanha, na França e na Bélgica. Diz-se que a sua invulgar imaginação era fortemente impulsionada pela morfina, vício por si mesmo assumido em 1932 no volume Memórias de um ex-morfinómano, escrito depois de uma desintoxicação. Muito cedo deixou que a sua imaginação mistificasse os leitores, apresentando ficção como realidade. Por exemplo, escreveu uma reportagem sobre a União Soviética sem nunca lá ter ido, e publicou uma série de cartas no jornal O Século, sob o pseudónimo Gil Goes, sobre um crime macabro que teria ocorrido na Rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa. Em 1930, fundou o jornal Repórter X, designação que já usava como pseudónimo. O jornal granjeou sucesso com grandes tiragens. Era pois uma conhecida figura no meio jornalístico e literário da época, tendo sido amigo íntimo de Mário Domingues. Destacou-se também como produtor e realizador, tendo fundado uma produtora cinematográfica e dirigido três longas-metragens: O groom do Ritz, O táxi 9297 e Rito ou Rita. Publicou dezenas de volumes de ficção policial e de aventuras, assim como folhetos semanais com a mesma temática. Criou várias personagens marcantes, nomeadamente O mosqueteiro do ar (1933), personagem que se assemelhava com o Super-homem norte-americano, embora tenha surgido antes (a primeira banda-desenhada do Super-homem seria apenas publicada em 1938)."
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres)
Bonita encadernação recente em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos; capa alvo de restauro nos cantos.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

22 fevereiro, 2021

LEDUC, Jean - VIA MACAU.
Argumento original de Jean Leduc, para o filme do mesmo nome, com Roger Hanin, Anna Gafi e Françoise Prévost
.
Um livro confidencial. Lisboa, Edições de Bolso - Luís S. Campos, editor, 1966. In-8.º (16 cm) de 145, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance cinematográfico. Trata-se do argumento da longa-metragem franco-portuguesa Via Macau (1966) cuja acção decorre sobretudo entre o Estoril e Macau. O filme foi rodado em Lisboa, Estoril, Estúdios Tobis, Macau e Hong Kong. Além da direcção de fotografia de João Moreira, foram atribuídos papeis secundários a actores portugueses, com destaque para Varela Silva.
Releva-se ainda, e sobretudo, a presença de Amália Rodrigues, que interpretou na tela o tema principal da banda sonora do filme - o fado Le premier jour du monde.
Livro ilustrado com cenas do filme a p.b. - distribuídas por 4 páginas - impressas sobre papel couché.
"É «Via Macau» um livro apresentado em moldes diferentes dos habituais, dado que nesta publicação desejámos oferecer ao Leitor a obra tal como a escreveu Jean Leduc para o filme que viria a realizar, e que será brevemente exibido entre nós.
Trata-se, portanto, de um «guião», um «argumento cinematográfico» em todo o sentido da expressão, e como tal desenvolvido numa linguagem extremamente concisa. Linguagem em que ressalta a arte de fazer diálogo.
Esse, o grande mérito desta forma literária - traduzir sentimentos e imagens, não pela exposição, mas pela expressão da linguagem falada: o diálogo."
(Nota do Autor)
"Outono no Estoril. Um carro da polícia atravessa a vila. Pelo altifalante a população é prevenida de que, nesse mesmo dia, às 18 horas, vai ser provocada uma explosão na zona Norte, para abrir o traçado na nova auto-estrada, pelo que a circulação será interrompida.
O carro roda lentamente. Seguindo-o descobrimos os aspectos característicos do Estoril e Cascais: o porto, as colinas que o rodeiam, o Hotel Estoril-Sol, magnífica construção ultra-moderna, cuja fachada se encontra decorada com bandeiras de diferente nacionalidades, pois que uma importante Conferência Internacional está a ter aí lugar. O carro da polícia é, a dada altura, obrigado a parar por momentos para deixar passar dois ou três carros ostentando pequenas bandeiras oficiais, onde se exibem alguns diplomatas. Recomeça a andar dirigindo-se para uma rua na zona comercial."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

17 novembro, 2020

PEREIRA, Cumbreño - INCÊNDIO DO BANCO EMISSOR : amor e dinheiro.
Romance policial. [1.º milhar]
. Lisboa, [Edição do Autor]. Composição e Impressão Expansão Gráfica Livreira, Lda., 1948. In-8.º (20,5 cm) de 182, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance policial - publicado sob pseudónimo - primeira incursão do autor (e talvez única) neste género literário.
"Há diversíssimos crimes.
Cada crime tem diversos aspectos, ligados aos fundamentos da orgânica do criminoso ou da sua psicologia.
Há o crime de oportunidade, o crime de premeditação, ambos impostos pela índole do indivíduo, e o crime de simpatia, para satisfação duma exigência psicológica
A história da criminologia, é a história do homem.
Com o homem nasceu o crime
O crime nasceu com o homem.
São dois estados - substância e psicologia - que se confundem, porque, se há homem, - no sentido colectivo - sem crime, nem crime, sem homem.
O crime, dizem os psicólogos, dá prazer, e às vezes é uma necessidade o seu cometimento ou perpetração.
Se se tratar de roubo, o criminoso, atende a um estado de alma nascido da ambição para aumento de haveres, ou a necessidade impostas pelo prazer de viver e de subsistir.
O personagem máximo deste romance, o mesmo é que dizer o protagonista, é destro e possuidor de força muscular. Actua, fazendo uso destas propriedades congénitas."
(Preâmbulo)
"O outono começara frio e chuvoso. O verão que levou às praias e aos campos, grande parte das populações urbanas, foi cálido, caldeando-se a temperatura elevada e excepcional, com a evaporação densa, entrando o vapor dágua na composição atmosférica, por elevada percentagem.
O assunto versado nas conversas, era em regra, o calor, e a humidade demasiada no ar.
As ventoinhas dos casinos e hóteis, rotativavam à velocidade máxima, para ser obtida refrigeração, que suavisasse um pouco o ambiente.
Nas cidades e outros centros populosos, o calor sufocava.
Acabada a guerra, a Grande Guerra, 914-918, que havia criado na indústria e nas seduções várias, gosos embriagantes, prazeres maravilhosos, que entonteciam quem é dado a excessos, que é uma boa parte das populações."
(Excerto do Cap. I)
Joaquim António Pereira, militar português destacado em Angola de 1907 a 1919, capitão do exército, participou na Grande Guerra "africana" contra os alemães. Relativamente ao tema da 1.ª Guerra Mundial, publicou duas obras memorialistas: Tropelias dos alemães contra os portugueses (1947) e Angola, terra portuguesa. Acções de guerra : vida no Sertão (1947). A presente obra - Incêndio do banco emissor, de 1948, - não se encontra cadastrada na Biblioteca Nacional. Publicou ainda diversos romances, narrativas históricas e poesia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

08 agosto, 2020

BORRECHO, Henrique - A DAMA DE LUTO. 1.ª edição. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [1935]. In-8.º (19 cm) de 272 p. ; B.
1.ª edição.
Romance policial português publicado nos anos 30 do século passado. Invulgar e curioso. Sobre o autor, apenas foi possível apurar ter publicado uma obra, a presente (BNP), não existindo outras notícias bio-bibliográficas sobre si.
"Os escritórios e armazens da Companhia de Carregadores e Fretadores do Atlantico-Limitada, estavam instalados num antigo predio da Avenida 24 de Julho e, como tantas outras casas de forte importancia comercial, parecei esta ter por supérfluas as modernas decorações nas fachadas e interiores, não cuidando de dar as aspecto vetusto do edificio e antiquadas armações um geito ou arranjo em harmonia com a evolução geral.
Ora no dia 29 de Setembro de 1932, tres homens conversavam animadamente no patamar do escritório, insistindo um por que o outro o acompanhasse a certa festa, insistencia a que o convidado se esquivava o melhor que podia, fazendo-o de tal modo que as suas palavras provocavam no interlocutor decidida má disposição e, no que ouvia, repetidas risadas.
Eram os conversadores dois empregados da Companhia e, o espectador risonho, um antigo cliente.
Desistindo Fonseca, o festeiro, de convencer o colega a acompanhal-o, resolveu afastar-se, mal humorado, principiando a descer a escada.
Entretanto, o outro, empurrava deliberadamente o guarda vento da tesouraria, dizendo em ar de despedida:
- E alegra-te amigo, por não te escangalhar a combinação arranjando-te uma nomeaçãosinha de serviço a bordo.
- Ah! Se tu me fizesses isso...
Fonseca não acabou a frase.
Foi interrompido por um grito rouco soltado pelo velho cliente que, vacilante, apontava o interior da tesouraria.
Carlos Bréda, o que não aceitara o convite para a festa, lançou um olhar rápido para o compartimento, largando simultaneamente a porta para suster o velho que caía, e com êste seguro, abriu-a novamente com o pé. [...]
Sentado à secretária, o tesoureiro, mostrava-lhes o rosto e o peito ensanguentados, escancarando um ferimento enorme, que ia da fronte ao alto do cranio, de lábios abertos, tremendo de miséria e ascororosidades."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
20€

12 outubro, 2019

VARELA, A. - UM PROCESSO-CRIME. Romance Contemporaneo. Por... Contendo uma carta do sr. Camillo Castello Branco. Porto: Typ. Pereira da Silva, 1870. In-8.º (16 cm) de 242, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance de "crime e mistério", excelente exemplo da proto-literatura policial nacional, publicado ainda antes da obra literária do género de Leite Bastos, considerado o "pai" do romance policial em Portugal.
"O titulo d'esta obra, parece mais um negro e hediondo drama, passado n'um tribunal correccional, entre graves juizes, austeros advogados, circumspecto jury, cabisbaixos reos, e curiosos e assombrados amadores de audiencias d'este genero, do que outra cousa.
Pois não é tal.
Não julguem portanto os nossos caros leitores, que o romance Um processo-crime, é alguma veridica historia que faça estremecer as pessoas nervosas, e chorar as sensiveis, como essa hediondas narrações de crimes negros que Anna Radchiffe, Valler Scott e Skaspeere, apresentaram detalhada e extensamente nas suas obras.
Não, senhores: a nossa obra não pertence á tragedia; é puramente uma série de scenas da comedia humana, passadas n'este nosso bom Portugal."
(Excerto do prefácio, Duas palavras aos leitores)
Indice:
Duas palavras aos leitores. | I - Duas mulheres sensiveis. II - A carta mysteriosa. III - As duas irmãs. IV - Mais mulheres sensiveis. V - Os dois amigos. VI - O conselheiro Tinoco. VII - A Gazeta dos Tribunaes. VIII - Quem era o intruso. IX - A captura. X - Conversa de criados. XI - Ainda as mulheres sensiveis. XII - Um sabonete militar. XIII - Remorsos. XIV - Combates moraes. XV - O criminoso innocente. XVI - Quero e não quero. XVII - Convenio. XVIII - O supremo tribunal de justiça. XIX - Conselhos d'um conselheiro. XX - A gaiola e o seu habitante. XXI - Dedicação feminina. XXII - Dois sustos a um tempo. XXIII - Confidencias e revelações. XXIV - Terrivel descoberta. XXV - Outra descoberta horrorosa. XXVI - Esperteza de mulher. XXVII - O feitiço contra o feiticeiro. XXVIII - Quem era o criminoso. | Epilogo.
A. J. Pereira Varela (?-1878). Romancista e dramaturgo português. Pouco se sabe a seu respeito, a não ser a paternidade de algumas obras que constam da base de dados da BNP, sobretudo pequenas comédias teatrais; com alguma dimensão literária importa salientar o romance social em 2 vols Os miseraveis da aristocracia (1864), o "policial" Um processo-crime (1870) e o romance histórico Um episodio do reinado de Dom João V (1874).
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e literário.
Indisponível

28 julho, 2017

INEZ, Artur - TOREL: - NORTE, 5853 : reportagem de rua. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1934. In-8.º (18,5cm) de 163, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Capa de Roberto Nobre.
Romance policial cuja acção decorre em Lisboa, o único dentro deste género literário, publicado por Artur Inês (1898-1968), conhecido jornalista da primeira metade do século XX.
"- Allô! Allô! É do Norte, 5853? Não? Então não é da Polícia? O quê? Homem, fale claro... Da morgue? Bolas! Não é paea aí que eu desejo falar!
Os dentes do Gervásio tremiam nervosamente ao percrutir de novo o número 4, indicador da estação Norte, que êle reclamava, aflitivamente, havia cinco minutos.
De novo ouviu o sinal de que estava feita a ligação para a estação desejada e escutou a voz melíflua e enfadada da menina de serviço:
- Norte...
- 5-8-5-3.
De cigarro cravado nas comissuras dos labios, batendo com o pé e soltando pragas, o Gervásio esperou mais alguns minutos, até que o ouvimos de novo:
- Allô! Do Torel? Sim, sim. Isso... Aqui? Da redacção de O Sul. Sou eu, sou. Olhe lá: está aí o Custódio das Dores? Então chame-o depressa ao aparelho. Mas já. Tenho um quarto de hora, apenas, para fechar o jornal. Sim... Homem, avie-se..."
(Excerto do Cap. I, A grande notícia)
Encadernação em meia de sintético com cantos. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Muito invulgar.
Indisponível